Volume 2
Capítulo 7: 22 de Julho (Quarta-feira)
22 DE JULHO (QUARTA-FEIRA)
Nuvens gigantes de tempestade se erguiam no céu, como se competissem com os prédios altos da cidade. Por trás das nuvens brancas, havia um céu limpo, azul como a tela inicial de um computador. O verão finalmente estava em pleno vapor. Naquele dia, o semestre no Colégio Suisei chegava ao fim, e participávamos da cerimônia de encerramento.
O ar frouxo da sala de aula havia mudado. Agora, o ambiente fervilhava de animação, cheio de estudantes ansiosos pelas férias, e nem mesmo os gritos do professor conseguiam nos acalmar.
“Certo, dispensados! Não vão se empolgar demais só porque entraram de férias!”
Aquelas palavras foram o sinal. A sala mergulhou diretamente nas férias de verão. Nosso professor balançou a cabeça e saiu pela porta, visivelmente exasperado, mas ninguém lhe deu atenção.
“Tudo bem, estou indo”, disse a Maru enquanto me levantava.
“Entendi. Você está com pressa, hein.”
“Tenho que ir trabalhar.”
Ele pareceu surpreso.
“Já? Ainda nem é noite.”
“Vou começar meu turno uma hora mais cedo. Um dos funcionários mais velhos pediu demissão, então eles pediram que eu viesse o quanto antes.”
“Que dureza.”
“Por isso vou para casa mais cedo hoje, pra me arrumar.”
“Estou torcendo por você; é um exemplo para todos nós!”
Maru não fez mais perguntas. Eu também não tinha tempo a perder, então saí correndo da sala de aula.
Eu só chegaria uma hora mais cedo, então não estava exatamente com tanta pressa, mas coisas inesperadas costumavam acontecer quando se fazia algo pela primeira vez. Depois de ter me oferecido para mudar o horário, eu queria evitar qualquer chance de atraso.
No fim, meus receios foram infundados, e cheguei à livraria no horário. Depois de me trocar, pisei no salão de vendas — e percebi algo de imediato.
Havia bem menos clientes do que o normal.
Olhei o relógio. Era uma hora mais cedo do que de costume. Será que apenas uma hora fazia tanta diferença assim? Observei melhor ao redor e notei a ausência de trabalhadores do escritório. Fazia sentido: a maioria ainda estava terminando o expediente, e a multidão habitual ainda não tinha chegado.
“Ei, Yuuta. Você está cedo hoje.”
Me virei e vi Yomiuri sorrindo e acenando enquanto se aproximava.
“Ah, oi, Yomiuri. É, meu turno foi ajustado. Vejo que você também chegou cedo.”
“Estamos de férias desde segunda-feira.”
“Isso é coisa de universitário.”
“Uma amiga minha reclamou que vai passar o verão inteiro fazendo experimentos e não vai ter tempo para diversão. Alunos de ciências sofrem.”
“Mas você parece ter bastante tempo livre.”
“Por isso estou aqui. Ei, você vai trabalhar em tempo integral durante as férias?”
“Esse é o plano.”
Yomiuri sorriu, visivelmente satisfeita com a resposta. Eu queria que ela parasse de sorrir daquele jeito para mim. As pessoas iam acabar entendendo tudo errado sobre nós.
“Sempre trabalho e nada de diversão, hein?”, disse ela.
“Como sua mentora, fico feliz que vamos passar mais tempo juntos.”
“Por favor, pare de me provocar.”
“Oh, não estou provocando você. Estou apenas aproveitando a alegria de trabalhar duro com meu colega de meio período… embora talvez você prefira trabalhar duro com aquela sua irmãzinha bonita.”
“Isso é provocação.”
“Deu pra perceber?”
Ela colocou a língua para fora, como uma heroína atrevida de alguma história, mas assim que um funcionário veterano a puxou até o caixa, voltou a parecer uma funcionária de escritório sobrecarregada. Claro, eu só conhecia esse tipo de coisa por meio de romances.
Fiquei pensando no que Yomiuri havia dito. Essas seriam minhas primeiras férias longas desde que Ayase e eu nos tornamos meio-irmãos. Frequentávamos a mesma escola, mas em turmas diferentes, e raramente nos víamos — exceto pelas aulas conjuntas antes do Dia do Esporte.
Durante as férias de verão, porém, ambos estaríamos em casa e talvez nos encontrássemos com mais frequência.
Ou talvez não, já que eu tinha meu trabalho.
Eu estava escalado para trabalhar durante a maior parte das férias. Isso significava menos tempo em casa e, consequentemente, menos chances de passar tempo com ela — não que eu quisesse passar tempo com ela em especial. Certo?
Balancei a cabeça, tentando afastar aqueles pensamentos bobos, e entrei em modo de trabalho. Havia coisas a fazer.
Primeiro, organizei as prateleiras e repus os novos títulos.
Depois de um tempo, minhas costas começaram a doer. Trabalhar numa livraria exigia bastante do corpo: livros pesados, idas e vindas constantes, e o esforço de se abaixar para alcançar as prateleiras mais baixas.
Respirei fundo, entrelacei as mãos e me alonguei. Ouvi um estalo. Enquanto girava os ombros, tive a impressão de ver uma cor de cabelo familiar pelo canto do olho. Virei-me rapidamente e vi uma garota, vestindo algo que eu reconhecia, seguindo em direção à entrada dos funcionários.
Não é a…?
“Ei, Asamura. Não se force demais. Faça uma pausa se estiver cansado.”
Virei-me e vi o gerente da loja falando comigo.
“Ah… quem era aquela garota que acabou de entrar no escritório?”
Ele olhou na direção que eu apontava.
“Ah, certo. Estamos entrevistando alguém que quer trabalhar meio período conosco. É uma bênção, já que estamos com falta de funcionários, como você sabe.”
“Ela é uma estudante do ensino médio comum que quer começar agora, durante o verão.”
“Acho que ela estuda na sua escola.”
A voz do gerente parecia vir de algum lugar distante.
“Qual é o nome dela?”
A pergunta escapou por impulso, e a resposta dele foi alta e clara.
“O nome dela é Saki Ayase.”
[Ayko: Um cap bem curtinho, Ayase e Yuuta trabalhando juntos hein... como vai ser isso?]
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