Gimai Seikatsu Japonesa

Tradução: Ayko

Revisão: Enigma


Volume 2

Epílogo: O Diário de Saki Ayase

EPÍLOGO

DIÁRIO DE SAKI AYASE

16 de julho (Quinta-feira)
Pronto, consegui. Eu nunca fui muito boa em Japonês Moderno, mas quem diria que eu ia repetir?

Eu odeio perguntas sobre romances.

Não quero desistir das matérias em que sou ruim, então fiz incontáveis simulados, mas, no fim, não tive tempo suficiente durante a prova de verdade.

Eu penso demais.

Eu devia seguir o conselho do Asamura e focar em captar a ideia geral do texto, sem me preocupar em entender tudo. Mas simplesmente não consigo fazer isso.

A forma como as outras pessoas se preocupam com as coisas ou acabam se entendendo errado não faz sentido para mim. Não consigo sequer imaginar os pensamentos por trás das palavras que elas dizem.

As pessoas deviam colocar tudo às claras e resolver suas diferenças. Como duas pessoas deveriam se entender — muito menos encontrar o amor — se escondem seus verdadeiros sentimentos?

…Eu sei. Sou só uma esquisita.

Mas, nossa, o Asamura é um ótimo professor.

Eu já tinha desistido, mas graças a ele, acho que estou começando a enxergar um raio de esperança.

Obrigada, Asamura.

 

 

17 de julho (Sexta-feira)
O lo-fi hip-hop que o Asamura me contou é realmente incrível.

O som que parece chuva é especialmente legal.

Agora que penso nisso, sempre gostei do som das gotas de chuva dançando nas ruas.

Será que só eu acho mais fácil me concentrar quando o tempo está ruim?

Eu não fazia ideia de que músicas assim eram populares em outros países.

Sou realmente grata ao Asamura por ter encontrado isso para mim.

Ops, eu me concentrei demais e já está quase de manhã.

Preciso me preparar para dormir e tirar um cochilo.

Acho que ouvi em algum lugar que dormir bem é importante para melhorar a capacidade de aprendizado, e que virar a noite não faz bem nem para o cérebro nem para a saúde.

Mas, sério, eu nunca imaginei que minha concentração pudesse melhorar tanto.

Essa música é fantástica.

É estranho.

Quando me enfio debaixo das cobertas e fecho os olhos, pensamentos esquisitos invadem minha mente.

Eu preciso dar um descanso ao meu cérebro, mas ele não para de girar.

Lo-fi hip-hop.

Foi a colega bonita do Asamura que contou isso para ele, não foi?

Não que eu me importe.

Então por que estou escrevendo sobre isso no meu diário?

Nada faz sentido.

 

 

18 de julho (Sábado)
Não entendo por que estou escrevendo o que vou escrever agora.

Não importa como eu pense sobre isso, nada faz sentido.

Eu não tenho o direito de dizer algo assim.

Mas vou dizer mesmo assim.

É só para a minha própria satisfação, então por que não? Um diário é um lugar para autoindulgência.

O Asamura demorou para voltar para casa.

Quando ele sai do trabalho às nove, normalmente chega entre nove e meia e, no máximo, dez horas.

Mas já são dez e meia, e ele ainda não voltou.

Como eu ia à cozinha pegar algo para beber, pensei em perguntar à mamãe e ao papai se eles sabiam onde ele estava.

Hoje foi incomum, porque os dois ficaram em casa o dia todo.

Encontrei os dois assistindo TV e conversando.

É raro meus pais terem folga juntos, e eu não queria atrapalhar demais, mas não tive escolha.

Perguntei sobre o Asamura.

Disse que estava ficando tarde e perguntei se ele estava bem.

Foi isso que o Taichi disse:

   “O Asamura foi ao cinema com uma garota com quem ele trabalha.”

Uma garota com quem ele trabalha.

Ele não me contou nada.

Não, espera. Eu sei que ele não tem obrigação de me avisar.

Talvez levasse uma bronca por sair à noite sem avisar a família, mas se ele avisou o pai, então seria egoísmo esperar mais do que isso.

O Asamura também tem outros relacionamentos.

Faz sentido que ele conheça uma ou duas garotas.

Será que é ela?

Será que ele está com a colega bonita que recomendou lo-fi hip-hop para ele?

Eu não gosto disso.

Estou cheia de arrependimento. Não consigo expressar direito o que sinto quando coloco em palavras. Não é exatamente isso.

De todas as frases que me vêm à cabeça, a mais próxima é “eu não gosto dela”, mas como eu poderia sentir algo assim por alguém que trabalha numa livraria e que eu nem conheço?

Isso é horrível.

Tenho nojo de mim mesma por ser tão negativa em relação a uma completa desconhecida, baseada apenas em fragmentos de informação e nas minhas próprias suposições. Estou enojada comigo mesma.

Eu me sinto inquieta.

Queria dar oi ao Asamura quando ele chegasse em casa e decidi estudar na sala de estar.

Continuei estudando mesmo depois que mamãe e papai deram boa-noite e foram para o quarto.

*Estou acrescentando isso um dia depois.

Droga. Eu acabei dormindo.

Provavelmente porque fui dormir de manhã ontem e acordei antes do meio-dia.

Esse é o lado ruim de não dormir o suficiente.

Por causa disso, não consegui ficar acordada até o Asamura chegar. Nem consegui cumprimentá-lo.

Quando acordei, estava coberta com um cobertor. Provavelmente foi o Asamura quem fez isso.

A inquietação que eu sentia na noite passada diminuiu um pouco quando pensei nisso.

Não sei por quê.

Mas… o que foi isso?



19 de julho (Domingo)

Então ela é a colega bonita de quem o Asamura falou. Fiquei surpresa com o quanto ela é bonita.

Decidi comprar um livro de referência e alguns romances para melhorar meu Japonês Moderno e, sem nem pensar, acabei indo à livraria onde ele trabalha. Acho que isso só fez parecer que eu estava obcecada por ele, e agora me arrependo de ter ido.

Shiori Yomiuri.
Ela tem um nome bonito.

É o tipo de nome que combina com alguém que ama livros, é amada pelos livros e é amada por pessoas que amam livros.

E talvez por ser universitária, ela parece muito madura. Além de bonita, é extremamente charmosa.

Ela se dava muito bem com o Asamura.

Eles combinam muito. Acho que o Asamura seria muito feliz se namorasse uma garota como ela.

Pensando bem, não vi um cartaz pedindo funcionários naquela livraria?

Trabalho de meio período numa livraria, é?

Talvez não seja um emprego eficiente nem bem pago, mas pode ser bom tentar algo estável, sem pensar em atalhos.

Mas como isso soaria? Seria estranho? Mesmo sendo apenas meio-irmãos, uma irmã normalmente não iria a uma entrevista de emprego num lugar onde o irmão trabalha, iria?

Mas espera.

Este não é o momento de pensar em trabalho de meio período nem em mais nada.

Primeiro, eu preciso passar na prova.

Vamos lá. Concentre-se.

 

20 de julho (Segunda-feira)
Hoje é minha última chance de estudar antes da prova.

Sou sinceramente grata pela ajuda do Asamura e da Maaya com os estudos.

Vou encurtar esta entrada hoje porque quero dormir cedo, acordar descansada e fazer a prova com a cabeça limpa.

O porco agridoce estava delicioso.

Obrigada, pessoal.



21 de julho (Terça-feira)

Eu passei na prova.

Agora é fácil dizer isso depois de receber o resultado, mas ontem eu já tinha certeza de que passaria.

Eu conseguia sentir, como se um nó apertado dentro da minha mente estivesse se desfazendo.

Tudo graças ao Asamura. E à Maaya.

Enfim, parece que posso passar as férias de verão fazendo o que eu quiser. Posso estudar enquanto junto dinheiro trabalhando meio período em um emprego estável.

Depois de terminar a prova, decidi ir a Shibuya no caminho de casa.

Achei que passaria novamente na livraria perto da estação onde o Asamura trabalha.

Queria observar com calma o anúncio de contratação e ver exatamente o que dizia.

O Asamura não estava por lá. Talvez estivesse trabalhando em outro lugar da loja, mas eu não queria dar de cara com ele, então fiquei o mais longe possível dos caixas e evitei os funcionários.

Eu não queria que ele achasse que eu era algum tipo de stalker.

Andei silenciosamente pela loja e conferi o anúncio.

Enquanto fazia isso, um homem que parecia ser o gerente se aproximou.

Ele perguntou se eu tinha interesse em trabalhar ali.

Era tão óbvio assim? E eu achando que tinha uma boa cara de pôquer.

Por impulso, respondi:

   “Sim, senhor.”

Não tem mais volta agora.

Minha entrevista é amanhã. Disseram para eu levar um currículo.

Nunca fui a uma entrevista de emprego, então achei que devia praticar. Fui a um karaokê.

Eu poderia ter praticado em casa, mas teria sido constrangedor se o Asamura estivesse lá.

Eu morreria de vergonha se ele me ouvisse ensaiando respostas para uma entrevista.

Eu não conseguiria explicar.

Se ele perguntasse, eu não saberia dizer por que quero trabalhar naquela livraria.

Como eu poderia? Nem eu mesma consigo entender.

Pesquisei perguntas de exemplo no celular e pratiquei.

De vez em quando, um funcionário entrava na sala, e era constrangedor quando via que eu não estava cantando. Mas fazer o quê? Não vou me preocupar com isso — são estranhos. Nunca mais vou ver nenhuma daquelas pessoas.

Asamura, me desculpa se eu te preocupei.

Pensei em entrar em contato quando percebi que ia chegar tarde em casa, mas então teria que explicar o motivo do atraso, e eu não podia simplesmente dizer que fui ao local de trabalho dele e depois a um karaokê para praticar entrevista.

Eu realmente preciso encarar de frente essa inquietação recente e tentar entender o que ela é.

Decidi preparar um jantar caprichado para compensar, do melhor jeito que eu pudesse.

Como eu estava em Shibuya, passei por uma loja de departamentos.

Comprei ingredientes bons dentro do limite do meu orçamento, para servir ao Asamura uma refeição luxuosa. Talvez assim ele me perdoe.

E se não perdoar… bem, vou ter que aceitar.

Vou dizer que me atrasei porque passei na loja de departamentos. E que não pude ser contatada porque a bateria do meu celular acabou. Posso pensar em várias desculpas lógicas.

Eu sabia que o Asamura ficaria preocupado comigo.

Acho que foi a primeira vez que o vi tão aflito.

Conversamos sobre muitas coisas depois que a porta do elevador se fechou.

Estávamos sozinhos, num espaço pequeno e fechado.

Um elevador de prédio não tem nada de especial, mas fiquei nervosa por estar ali, tão perto dele.

Espero que ele não tenha achado que eu estava suada.

De qualquer forma, dei ao Asamura as desculpas que tinha preparado. Fiquei aliviada por ele ter acreditado, mas essa sensação incômoda começou a crescer dentro de mim à medida que eu continuava mentindo.

Eu não estava fazendo exatamente a mesma coisa que a personagem daquele romance?

Em vez de resolver esse sentimento de inquietação com ele, eu estava guardando tudo, tampando, e mentindo apenas para atravessar a situação.

Não havia necessidade disso.

Eu poderia ter sido honesta com ele desde o começo. Assim, não teríamos passado por situações estranhas nem mal-entendidos, e poderíamos ter seguido pelo caminho certo.

Eu estou com medo.

Tenho medo do que estou sentindo. Tenho uma boa noção do que é, do que está acontecendo comigo e de como eu penso nele.

E ainda assim, hesito em colocar esse sentimento em palavras — mesmo escrevendo aqui, no meu diário.

Isso é irônico demais.

Estou me tornando igual à personagem daquele romance.

 

22 de julho (Quarta-feira)
Eu consegui. Eu consegui. Eu consegui. Eu consegui. Eu consegui.

Quem diria que eu seria contratada tão facilmente?

O Asamura e a Yomiuri estavam de plantão. Voltei correndo para casa para que eles não me vissem, mas será que viram mesmo assim?

Mas não… a essa altura, eu só estou adiando o inevitável.

Eu não posso mais fugir.

Eu tenho que explicar as coisas para o Asamura. Tenho que dizer por que quero trabalhar onde ele trabalha.

Estou com medo.

Estou com medo, mas uma parte de mim também está aliviada.

Claro que estou aliviada. Finalmente posso me libertar dessa inquietação.

Existe um lado do Asamura que eu não conheço, e eu não entendo a relação dele com a Yomiuri.

Se eu puder ver essas coisas, acho que essa inquietação vai desaparecer — pelo menos um pouco.

…Eu não acredito.

Por que estou deixando ele controlar minhas ações?

E ele nem está fazendo nada. Sou eu que estou avançando sozinha e permitindo que ele me prenda. Sou eu quem está permitindo isso.

É tão engraçado que dá vontade de rir.

Já que não pretendo deixar ninguém ler isso, é melhor escrever claramente, para que eu mesma me lembre depois.

Se eu trancar este diário e o enfiar no fundo da gaveta, vai ficar tudo bem, não vai?

Aqui vai uma pergunta para mim mesma, Saki Ayase.

P: Resuma esse sentimento feio que você está vivendo em uma única palavra.

R: Ciúme.

 



[Ayko: E assim, chegamos ao fim do Volume 2 de Gimai Seikatsu, Days With my Stepsister, aka Dias com minha meia irmã! Diga-se de passagem que  foi um volume cheio de emoções... Mal posso esperar pelo próximo!]


Essa obra foi traduzida pela Moonlight Scan!
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Tradução: Ayko
Revisão: Enigma

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