Pt. 2 – Arco 3
Capítulo 42: Todos Querem Dominar o Mundo (5)
Corredor, Casa do Sol Nascente - 01:25 da madrugada, dezesseis de Julho.
Einstein se levantou, junto de Elin (cujo ferimento havia acabado de ser curado pela magia do hamster). Quando eles olharam para os arredores, notaram que o corpo verdadeiro de Christopher desaparecera.
— Vocês virão comigo — afirmou Leonard, ainda sob controle mental e sendo feito de comunicador por Chris. Ele apontava a Mystery Gun na direção dos dois. — Os levarei até o mestre Panthael.
Einstein e Elin trocaram olhares. Embora a máscara de hamster do irmão escondesse todas as suas expressões, a artista sabia bem o que ele estava pensando.
— Você não tem a mínima ideia do que essa arma faz, né? — perguntou a garota.
— Ela atira — respondeu Christopher, através do investigador. — Deve atirar lasers ou algo semelhante, mas nada muito diferente disso.
— Essa é a Mystery Gun. É assim que o Leonard chama esse dispositivo.
— Por que está me dizendo isso?
— Eu gostaria muito de começar a falar bobagens, dizer que isso nem é uma arma de verdade ou que… sei lá, serve para jogar confetes? Mas não vou mentir. Esse dispositivo cospe fogo! Muito fogo. É uma arma de cuspir fogo, que nem o Gebberd, meu dragão imaginário. Infelizmente, nunca me senti tão inspirada para transformar um desenho do Gebberd em realidade com o Secret Bohemian, isso é bem difícil. Além de que a história que fiz sobre ele já terminou. Ele era um dragãozinho feliz, mas sem amigos, até que encontrou um caçador de unicórnios e formou uma grande amizade com ele. Os dois tiveram grandes aventuras, fizeram várias amizades e… bom, o caçador de unicórnios sofreu um surto psicótico por causa de seu estresse pós-traumático adquirido na Guerra dos Unicórnios. Ele acabou matando o Gebberd e todos os seus amigos. Uma infelicidade. É por isso que está fora de cogitação trazê-lo à realidade com o Secret Bohemian. A história dele acabou. Fazê-lo voltar seria como destruir a mensagem da história.
— Qual a mensagem da história?
— A vida é puro sofrimento e no final só resta dor.
— Nossa… espera, do que estamos falando?!
O monólogo de Elin foi mais do que capaz de capturar a atenção de Leonard. Einstein aproveitou o fato de estar passando despercebido para arremessar um orbe elétrico contra ele.
O reflexo espetacular do detetive fora o suficiente para fazê-lo se atentar ao ataque que partiu em sua direção. Porém, nem mesmo sua velocidade conseguiu superar o raio mágico. Urrou quando a corrente elétrica invadiu seu corpo, e a se debater no chão, até finalmente perder a consciência.
— Burro, era só ter usado a Mystery Gun para criar uma parede de gelo. O raio não iria conseguir atravessar — zombou Elin. — Ah, espera, falei que a arma disparava fogo ao invés de gelo, então ele nem pensou nisso.
— Santo padroeiro dos hamsters, a minha irmã é genial! — exclamou Einstein. — Nunca vi uma pessoa tão “fria e calculadora”!
A gigantesca boca que fazia parte de uma das paredes do corredor começou a berrar furiosamente:
— Maldita! Me enganou!
O ambiente tremia com os gritos de raiva.
Então, tudo e todos começaram a atacar os irmãos. As pessoas possuídas, pedaços do chão, pedaços da parede e as diversas línguas gigantes que saíam da boca do hotel.
Os dois começaram a correr, em fuga. Einstein disparava inúmeros orbes elementais contra tudo o que se aproximava, enquanto Elin agarrava o detetive desmaiado para levá-lo (com dificuldades, visto que ele é consideravelmente pesado).
Eles rapidamente atravessaram o corredor, deixando um rastro de destruição; eram metros de pessoas totalmente congeladas, línguas gigantes tostadas e mini-crateras por todas as superfícies. Às vezes, coisas estranhas aconteciam. Buracos surgiam do nada para fazê-los cair e paredes apareciam para impedi-los de continuar, mas os dois sempre arrumavam uma forma de se safar. Fosse pulando por cima do buraco, explodindo as paredes ou fazendo outras maluquices.
— Esse poder é assustadoramente forte! — comentou Elin, enquanto ambos continuavam a correr e evitar obstáculos. — A habilidade de controlar os outros, somada com a habilidade de controlar todo um hotel da forma como bem entende… deve existir alguma limitação para o Rule The World.
— Tipo…?
— Vamos pensar: quais são os tipos de limitações que um super-poder costuma ter?
— Ora bolas. Limitação de tempo, distância, requisito para ativação, efeitos colaterais, limitação por fadiga, úlcera e gonorreia imparável.
— Esse poder possui o requisito para ativação; ele precisa fazer seu sangue entrar em contato com o alvo, mas isso não deve bastar para um poder tão poderoso. Vamos pensar um pouco… se aquele cara é tão medroso e consegue controlar vários corpos, por que não se escondeu bem longe do hotel e apenas mandou vários dos escravos até aqui?
— Ele precisa do próprio sangue para nos controlar, carambolas.
— Era só guardar um pouco de sangue em um jarro ou coisa do tipo e um dos seus escravos trazer para cá.
— De fato, pode ser que…
— … exista uma limitação de distância — completou.
— Será?!
— Acho que sim. Deve ser uma limitação ainda muito boa, no mínimo, ela permite que seus “zumbis” fiquem em um extremo desse hotel, enquanto o corpo verdadeiro dele se encontra em outro. Ainda assim, é uma limitação.
— Será que estamos certos?
— O que mais poderia ser? Senão, esse cara poderia dominar o mundo inteiro com essa habilidade. O meu Secret Bohemian também possui uma limitação por distância. Aposto que o mesmo se aplica ao Rule The World.
— É. Mas se estivermos errados…
— Se estivermos errados, ele é invencível.
— A menos que matemos o salafrário.
— Seria uma boa ideia, se o corpo real dele não tivesse desaparecido. Ele deve ter entrado no subsolo da mansão, como o próprio David consegue fazer.
— Então… o que faremos?
— Precisamos apenas ir embora o mais rápido possível. Ah! Temos que pegar o David antes! Onde ele está? Se estivermos certos, tanto ele quanto o Leonard vão ser libertos desse poder se a gente afastá-los o suficiente do hotel.
— Compreendido, capitã. Espera! E quanto ao Coração do Primeiro Homem?!
— Com o David — falou, sem perceber o perigo da situação. — Meu Deus! Precisamos encontrá-lo imediatamente!
— Sim, antes que o David acorde e que o Christopher perceba que está com um artefato cósmico no bolso. Isso se ele já não souber… — refletiu. — Se já fiz toda aquela bagunça com o poder do Coração, imagina tanto o poder de controle mental quanto o poder de controlar esse hotel acabasse sendo amplificado dezenas de vezes!
— Por que sinto que não deveríamos estar falando disso tão alto?
Sem parar de correr e nem mesmo de lidar com o hotel metamorfo, os dois começaram a vasculhar os arredores com os olhos, até que encontraram uma orelha saindo de dentro do chão e seguindo eles. Uma boca surgiu junto da orelha, exclamando:
— Poxa, agradeço muito pela ideia! Nunca tinha ouvido falar desse tal Coração do Primeiro Homem. O meu mestre, Panthael, vai adorar isso!
— Que mancada — disse Elin.
Tanto a orelha quanto a boca se afundaram para dentro do solo, desaparecendo.
Tamanha loucura tirou a atenção de Einstein. Ele foi arremessado contra a parede por um tentáculo de madeira que havia saído de dentro do teto. Elin, por muito pouco, conseguiu segurá-lo; e ainda bem, pois a parede onde ele ia se chocar acabara de assumir a forma de espinhos mortíferos e planejava devorá-lo.
— Muito obrigado, minha cara…
— Não dá pra relaxar — falou Elin. — Temos problemas maiores na nossa frente.
O problema tinha um nome: David Goe, o dono da Casa do Sol Nascente.
O homem do bigode pomposo simplesmente começou a sair para fora do chão. Ele ainda estava nocauteado, sendo usado por Christopher apenas como intermediário para controlar o hotel. Um par de tentáculos de madeira saíram do teto e começaram a segurá-lo pelos braços para deixar o corpo inconsciente dele em pé (tal qual um fantoche). Por fim, um terceiro tentáculo surgiu e começou a chicoteá-lo por trás. Isso acabou por acordá-lo — mas não o livrou da influência do inimigo.
Com um olhar arrogante e desdenhoso, começou a alisar o próprio bigode, levando a mão até seu bolso. Os irmãos sequer conseguiam esconder a tremedeira diante da cena. Um brilho intenso escapou do bolso, aumentando a medida em que ele tirava de dentro um órgão incrivelmente pulsante.
Estava em sua mão, o Coração do Primeiro Homem.
— Tolos. Entregaram-me algo muito melhor do que o que vim buscar! — Christopher disse, mas pela boca de David. — Panthael vai adorar isso! Espera…
Uma onda de energia esmeralda logo saltou para fora do artefato e envolveu David Goe, tomando rapidamente a forma de uma pequena tempestade esverdeada. David, quase que de imediato, berrou em desespero. O rosto dele se rendeu a expressões estranhas e nojentas, em meio a gargalhadas quase demoníacas.
— Saíam do meu hotel… maconha… saíam do meu… maconha… apenas eu e minha… maconha… Coração… maconha… podemos continuar aqui!!!
Se antes, todo o hotel estava tentando matá-los, as coisas mudaram completamente. O recinto parou de se movimentar. Agora, havia apenas Einstein e Elin, de frente para um homem surtado e envolto por energia.
— Acho que esquecemos de ressaltar a parte em que qualquer um que toca nessa budega de artefato acaba sendo possuído por um demônio bombado que gosta de maconha — gritou Einstein. — Tomou na jabiraca, bocó! Caiu que nem um patinho na nossa armadilha.
— Exatamente! — Elin gargalhou. — E parece que, como imaginamos, o controle mental do Bat-Maconha está se sobressaindo contra o seu controle mental.
— Isso. Agora, não seremos mortos por você, Christopher! — exclamou o hamster, muito confiante. — O nosso assassino será o Bat-Maconha.
— Espere, é mesmo… se pararmos pra pensar, meio que só trocamos o Diabo pelo Capeta.
Os irmãos se encararam.
— Macacos me mordam!
— Estamos ferrados!
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