Pt. 2 – Arco 3
Capítulo 40: Todos Querem Dominar o Mundo (3)
Corredor, Casa do Sol Nascente - 01:07 da madrugada, dezesseis de Julho.
Leonard, Einstein e Elin corriam desesperadamente da horda de pessoas controladas por Christopher, que observava tudo de longe. Entretanto, os fantoches não eram a verdadeira ameaça. Este título pertencia ao próprio hotel.
A Casa do Sol Nascente agia como um ser vivo, mudando a sua forma em tentativas de capturá-los. Corredores sumiam, paredes saíam do chão, portas viravam monstros deformados com bocas enormes e dentes pontiagudos, buracos apareciam no meio do caminho, lâminas saltavam para fora da parede.
Era um desafio desviar dos perigos imprevisíveis que apareciam a cada segundo. Mesmo com toda a velocidade e astúcia de Leonard, manter aquele ritmo enquanto escapava de inúmeras armadilhas ficava cada vez mais difícil, ainda mais quando se lembrava do que fora dito pelo inimigo: o detetive havia entrado em contato com o sangue de Christopher, e por isso, era questão de tempo para que perdesse o livre-arbítrio e virasse mais um dos fantoches do Rule The World.
Fugir adiantaria? Difícil saber. Eletrizado pelas incertezas, ele virou e deu meia-volta, começando a correr até a horda ao invés de fugir dela.
— O que acha que está fazendo? — indagou Einstein.
— Volta aqui! — Elin tentou agarrá-lo, mas falhou.
Sem parar, Leonard virou o rosto momentaneamente aos dois e gritou:
— Não tenho nada a perder, já fui infectado. Continuem correndo, fujam!
“Enquanto isso, vou dar um pau naquele covarde desgraçado enquanto ainda tenho tempo! Acho que, se eu conseguir matá-lo, todo mundo vai sair desse transe bizarro!”
O investigador saltou por cima dos civis hipnotizados e gerou cipós com suas mãos. Os cipós se prenderam no teto, e ele começou a usá-los para se balançar acima do chão, criando novos cipós à medida que avançava pelo corredor. Assim, conseguia passar por cima da horda sem sequer ser tocado. “Spider-man, Spider-man, does whatever a spider can!”
Até que uma lâmina o atingiu de raspão. “Ah, qualé?!”
Ele despencou violentamente no meio dos hipnotizados, mas se recusou a desistir, se levantando em um salto e acertando cada um deles com ataques rápidos e diretos. Os inimigos perdiam a consciência antes mesmo de conseguirem tocá-lo.
“Era só o que me faltava”. Leonard voltou a correr, sem parar de golpear cada um que permanecesse em seu caminho. Deixou um rastro de civis desmaiados para trás.
Lá na frente, Christopher saía correndo o mais rápido que conseguia, temendo a ideia de ser alcançado pelo investigador. David Goe ficou para trás; Leonard alcançou o dono do hotel rapidamente e parou em sua frente.
— Vai ter que passar por mim primeiro — afirmou David, alisando o bigode.
— Cai fora, cara, tô ligado que cê é aquele maluco e está falando através do corpo do David — disse o detetive. — Não tem vergonha de só ficar fugindo e controlando os outros?
— É… tenho.
— Ahn? E tu admite?
— Uhum — falou, envergonhado.
— Cê tem que dar um jeito nisso, cara. Qual o seu nome mesmo?
— Christopher.
— Belê, Cristiano. O bagulho vai ser o seguinte: pare de manipular os outros e a gente vai para um barzinho. Vou te dar algumas dicas de autoestima.
— Certo.
— É mesmo?
— É óbvio que não! Somos inimigos! Se renda e te levarei até Panthael!
— Nem ferrando. Já que vai ser assim, vou encontrar seu corpo verdadeiro. Até mais.
Leonard realizou um salto incrível, pulando por cima do dono do hotel. “Antes, Homem-Aranha. Agora, Super Mario”, pensou.
O que o detetive não esperava é que um buraco surgiria bem onde ele estava prestes a pousar. Ele acabou caindo dentro. Pelo visto, também morreria igual ao Super Mario.
— Desgraçado! — Leonard criou mais um cipó, que se esticou até a beirada do buraco e se prendeu ali. Com ajuda da corda natural, conseguiu sair de dentro da armadilha. Voltou a correr, ignorando completamente o dono do hotel. — Cê tá ferrado na minha mão, Cristiano!
A metamorfose constante que o hotel sofria logo tornou-se mais exagerada. O corredor começou a parecer muito mais longo do que antes. Com o passar do tempo, o detetive percebeu que não importava o quanto corresse, é como se seu corpo não quisesse mais sair do lugar. Apenas quando olhou para baixo que entendeu o motivo: o piso havia sido transformado em uma enorme esteira, que o puxava para trás a todo momento!
Ele caiu pelo susto, enquanto a esteira continuava a puxá-lo. Nesse mesmo momento, começou a sentir um repentino calor — que só aumentava.
“O que é dessa vez?” Olhou para trás, dando de cara com a fonte do aumento de temperatura. Dessa vez, um enorme fogão aberto havia surgido no final do corredor. Hora ou outra, a esteira iria levá-lo para dentro do fogão, onde ele seria assado igual a uma galinha. “De onde o Christopher tirou essa ideia? Tom & Jerry?!”
Olhou para frente e para os lados. Suor escorrendo de seu rosto. Percebeu que todos os caminhos para outros corredores simplesmente tinham sido fechados por paredes inéditas. Havia sido separado de todo o resto do hotel sem sequer perceber.
“Droga, o The House Of The Rising Sun é praticamente invencível. É como se eu estivesse no Inferno, e ele fosse o próprio Capeta!”, pensou. “Só que o Christopher não quer me matar, sei disso. Ele precisa me levar ao Panthael, para que minha Energia Misteriosa seja absorvida. Além de que ele deve estar longe de entender o verdadeiro potencial da singularidade do David.”
“De qualquer modo, o Christopher quer me fazer perder tempo até o seu sangue me transformar em um escravo… e apesar do calor, o fogão está há uma boa distância de mim. Eu provavelmente serei afetado pelo Rule The World antes de ser incinerado. É o que ele pensa.”
Então, avançou como um touro contra uma das paredes do corredor. A superfície se partiu e ele pousou sobre o pavimento de um banheiro masculino. O mesmo banheiro de onde Bat-Maconha havia saído antes, mas agora com as paredes consertadas pelo poder do dono do hotel.
O investigador se levantou e atropelou um canto da parede com o punho. O soco fora capaz de criar um buraco na superfície. Todavia, a passagem secreta para o subterrâneo do hotel tinha desaparecido totalmente. A grande questão era: isso teria sido feito por David Goe antes de ser hipnotizado, ou foi coisa do Christopher?
“Merda! E se Christopher ter encontrado o Coração do Primeiro Homem? Não, não pode ser possível… se isso acontecer, estaremos ferrados”. Os seus ouvidos se atiçaram quando ouviu o som de passos. Ele seguiu o barulho e parou em frente de outra parede do banheiro. Logo, partiu para cima dela e a atropelou. A parede caiu e ele parou em um corredor diferente daquele de onde tinha escapado.
O detetive sorriu ao olhar para o lado e encontrar Christopher, que já corria desesperadamente.
— Tenho que fugir, tenho que fugir… — murmurava o inimigo, antes de ser agarrado por diversas raízes que tinham se originado de uma das mãos do detetive e se esticado até ele.
Leonard puxou as raízes com força, fazendo Christopher voar com tudo em sua direção. Sorridente, acertou um baita soco nele. O inimigo caiu no chão, desmaiando imediatamente.
“Será que fazê-lo desmaiar basta para eu não ser afetado?”, pensou Leonard. Mal sabia que a resposta estava a um corredor de distância.
Quando virou o rosto para o lado, encontrou David Goe no final do corredor. Silencioso, David começou a encará-lo, se aproximando lentamente com aquele olhar implacável. Parou na frente do detetive e, por fim, estendeu a mão para cumprimentá-lo.
— Estou meio desnorteado, o que aconteceu? Onde estão os outros?
— Ah, cê voltou ao normal? — Leonard sorriu. — Acabei me separando deles, mas aposto que estão tranquilos.
— Oh… — David encarou o carinha desmaiado. — Fui controlado por esse covarde, não é?
— Sim. Mas relaxa, já dei o cacete nele. O resto do hotel também deve ter sido liberto.
— Ótimo, mandou bem. É melhor encontrarmos os seus amigos.
— Falou a verdade. Vamos encontrá-los pra interrogarmos logo esse bosta.
Colocando o inimigo inconsciente em seu ombro, Leonard saiu andando junto de David pelos corredores, à procura dos irmãos. No caminho, encontraram alguns civis caídos, inconscientes.
Enquanto andava, Leonard se perguntava quanto tempo demoraria para que o hotel fosse cercado por vários Homens de Preto. Eles acabaram de lidar com um dos seguidores de Panthael, mas sabia que o problema nunca seria apenas isso. Essa perseguição constante lhe trazia um sentimento agoniante de paranoia, que dificultava qualquer tentativa de descansar. Era algo horrível, mas no fundo, estava acostumado — descansar a mente nunca foi do seu feitio. Ainda mais por ser um conspiracionista nato.
Passou-se um minuto, mas nada de Einstein e Elin.
— Droga, onde eles estão?
— Pergunto o mesmo. Parece que teremos que procurar pelos outros corredores…
— Por quê?
— Como assim?
— Cê pode encontrá-los usando o The House Of The Rising Sun. Seria bem mais rápido.
David Goe revirou os olhos.
— É. Verdade.
— Droga, hein, David?
Com um soco inesperado na nuca, Leonard nocauteou o dono do hotel.
“Então, nem mesmo quando inconsciente, o Christopher para de controlar os alvos?”
Repentinamente, um mal atingiu seu corpo.
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