Fios do Destino Brasileira

Autor(a): PMB


Volume 1

Capítulo 23: Potencial oculto

 

28 de Janeiro de 4818 - Continente de Origoras, Reino de Helias, Lua do Sol

 

O pingente de girassol, pendurado ao pescoço de Yoko, brilhava sob o frágil luar daquela noite. Com a iminente chuva, notável pelas nuvens negras acumulando-se pelo céu, tinha certeza de que o desconforto que sentia pelo suor excessivo da atividade física tornaria-se mais tolerável uma vez que fosse atingida pelo toró. Talvez, com isso, sentiria algum vigor a mais em seu corpo esgotado.

Era compreensível, visto que quase 40 horas se passaram desde o início da prova. O pouco tempo de descanso, cerca de 4 horas logo após chegar de madrugada na ilhota, desgastou-se ao longo do longo período que vagou pela área em busca do sentido da segunda parte do exame. Para o azar da princesa, não encontrou nada nem ninguém que pudesse lhe aconselhar.

Seu objetivo atual era sobreviver até o nascer do sol, seja lá como for. Quando o astro-rei iluminasse os céus, teria como se recuperar de parte de seu cansaço por meio da magia particular de Amaterasu — primeiro, porém, precisaria suportar seu estado deplorável atual até o momento certo. 

De preferência sem arranjar confusão.

Por ter sido a primeira a chegar, tinha certeza que era a mais aprofundada dentro da floresta, envolvendo-se mais e mais na escuridão a cada passo dado ao norte. Se não fosse pela clareza efêmera da lua nova, refletida por seus fios de cabelo em tons quentes, a sensação seria a mesma de mergulhar no oceano sombrio. 

Kan’uchi, armada com sua katana branca de fio vermelha, mantinha os olhos dourados atentos ao movimento ao seu redor. Usava e abusava de sua percepção mágica, de tempos em tempos expandindo aleatoriamente o campo de ação para garantir sua segurança. Com a confiança que tinha em suas habilidades, entregava sua segurança ao seu treinamento.

— “O sol é sempre o primeiro a encarar a noite”. Poético para uma situação como essa, não, Vossa Alteza?

A voz feminina sussurrante, vinda de todas as direções ao mesmo tempo, surpreendeu a menina de cabelos pôr-do-sol. Yoko não fraquejou, mesmo encurralada — suas mãos seguiam firmes no cabo da lâmina, embora não soubesse para onde apontá-la.

— Só uma pessoa é capaz de fazer algo assim — constatou a princesa à desconhecida, percebendo que mesmo o luar sumira em algum momento. — A senhorita será nossa avaliadora. Estou correta, major Rikage?

A noite tornou-se menos escura poucos segundos após as palavras de Yoko ecoarem no vazio. Sob a sombra da árvore mais próxima à nobre solana, materializou-se uma mulher baixa de cabelos escuros encaracolados, apoiada junto ao tronco. Sua aura prateada, refletida pelos olhos púrpuras, não passava de uma fina camada sobre sua pele negra — se não pudesse vê-la ali, na sua frente, Yoko tinha dúvidas se conseguiria sentir algo tão ínfimo assim.

A identidade dela não era segredo à herdeira: Shou Rikage, major dos Sentinelas das Ondas e, segundo a própria Longinus, a oitava guerreira mais forte da organização. Se não estava enganada, era usuária de magia de escuridão e especialista em ocultação mágica, dois fatores consideravelmente preocupantes para uma esgotada manipuladora de luz.

— Não poderia estar mais correta, Alteza — respondeu a Guardiã, com um sorriso. — As regras são simples. Seu objetivo é me ferir em um duelo, e eu me adequarei ao  seu nível de mana e de possíveis aliados. Cumpra isso em 3 dias e a senhorita passou.

— Me parece um tanto injusto lutarmos com tantas condições favoráveis à senhora, major.

— A vida não tende a ser justa, Alteza… — Uma espada de empunhadura negra e lâmina roxa reluziu ao brilho da noite. — Infelizmente, eu terei de ensiná-la isto hoje.

Shou desapareceu nas sombras, colocando sua oponente em alerta máximo. Yoko estalou a língua em meio ao silêncio completo instaurado pela súbita batalha — seu corpo estava em alerta máximo.

“Pense, Yoko! Escute cada som, visualize cada sombra, sinta cada gota de mana no ambiente!”, reforçou para si mesma. Não podia mentir que se arrependia de não ter feito, ao menos, dupla com algum outro participante. Talvez fosse mais fácil lidar com a técnica de Rikage se tivesse alguém para proteger sua retaguarda ou cobrir seus pontos cegos.

O farfalhar leve das folhas em sua esquerda capturou seus sentidos, fazendo-a girar em seus calcanhares. Seu baixo tempo de reação foi seu castigo — Shou surgiu das sombras à direita com sua lâmina envolta em magia sombria.

— Corte do Submundo.

— Sol Ofuscante! — gritou a garota, desesperada ao perceber seu erro.

O brilho de sua aura tomou a floresta como uma granada de luz. Sua prática naquela técnica, testada por ela incontáveis vezes e com os mais diversos adversários, a fez confiar cegamente em seu sucesso. Ainda assim, Yoko sentiu a lateral de seu corpo ser cortada pela espada mágica da militar.

A claridade se esvaiu e estavam, mais uma vez, envoltas em sombras. Sangue escorria pelo ferimento da princesa, cuja respiração tornou-se pesada e inconstante. Ela mesmo não sabia dizer se pelo cansaço acumulado ou desespero de estar em uma posição tão degradante.

— Qualquer um dos outros avaliadores teria sido atordoado no meu lugar, Alteza — brincou Shou. — Presumo que a senhorita tenha se esquecido momentaneamente sobre a interação de luz e escuridão.

— Merda. 

Para alguém tão educada como a herdeira de Helias pronunciar uma palavra chula daquelas, sua situação era estarrecedora. Não mais tinha forças para lutar e o sangramento profuso deixou-a mais devagar. Era uma competição desleal, independente do ponto de vista, e perceber a inferioridade fez Yoko apenas largar sua arma.

“Fui descuidada e, por isso, irei ser eliminada”, firmou em sua mente. Aquela seria a hora de superar os seus limites, de mostrar ainda mais poder perante uma imensa dificuldade, de mostrar ao mundo o que podia fazer. Yoko, entretanto, havia abraçado a derrota sem hesitação — não era páreo para uma Guardiã, como não percebeu desde o início? A compreensão deste fato amargou o coração dela, antes confiante como nunca em suas capacidades.

“Eu não sou como o Shuyu.”

— Paixão Atordoante!

As palavras, ditas em tom agudo, paralisaram o corpo de Shou, que antes caminhava na direção de sua vítima. Rapidamente, Yoko foi erguida do solo por dois braços finos, carregando-a para longe de sua inimiga. O calor dos membros de seu salvador perdia-se entre a sensação do sangue cálido vazando sem parar de seu corpo.

No escuro da noite e com a visão turva, a princesa não pôde visualizar o rosto de quem a ajudou — pela grossura dos bíceps e ombros não tão largos, tinha certeza de ser uma garota da sua idade. Ainda que incomodada, aceitou ser levada para a segurança.

Os olhos dela pesavam toneladas a este ponto. Sem ter o que fazer enquanto balançava nos braços de um desconhecido, deixou que o sono se apoderasse e enfim silenciasse seus pensamentos.

 

 

29 de Janeiro de 4818 - Continente de Origoras, Reino de Tellus, Lua da Natureza

 

— Zuko! Por que estamos nos movimentando de madrugada? 

Para ser sincero consigo mesmo, a paciência de Zuko estava por um fio. Quando achou que alguém poderia ser irritante, não acho que podia ser aquele tanto, e olha que estava acostumado a ter um certo loiro o enchendo. Nem uma hora havia se passado desde que acordaram e estava a ponto de descarregar todo estresse acumulado do exame no pobre rapaz de cabelos verdes.

A dupla, que usou o dia anterior inteiro para coletar recursos — fosse saqueando ou colhendo —, decidiu descansar pouco depois do pôr do sol. Akashi, porém, não parecia ter a mínima ideia do plano de seu novo companheiro, tornando sua insistência cada vez mais repetitiva. Para a sorte do príncipe, sua deidade silenciou o contato com o mundo exterior para ter sua atenção total.

— Ele consegue ser mais agitado que o Naochi — avaliou Diarmid, por telepatia. — E eu achando que isso não era possível.

— Como se eu já não tivesse percebido.

— Você deveria parar e explicar para ele o que pretende fazer. — A testa de Zuko se enrugou em retaliação à sugestão. — Ele não é um militar treinado, garoto. Tenha mais calma e compreenda as diferenças de lidar com um estran…

O príncipe deliberadamente desfez a conexão mental antes de seu aliado completar a orientação. Embora soubesse que ele estava certo, a criação rígida nele imposta custava a acreditar que alguém poderia ser despreocupado ou ingênuo como Akashi. O garoto de cabelos verdes o cutucou de novo.

— Ei, Zuko…

— Para evitar os outros concorrentes. 

— Quê?

— Estamos andando de madrugada para evitar os outros participantes — repetiu o loiro, seco. — Dessa forma não precisamos pensar em outras variáveis desnecessárias se engajarmos em combate.

Koushi refletiu em silênciO. A ausência de uma resposta rápida quase fez o bellano explodir de uma vez — o outro menino não deu espaço para fazê-lo, logo levando a mão direita à cabeça. Sua expressão iluminou-se como se o sol do meio-dia houvesse ascendido sobre sua cabeça e o abençoado com o dom da compreensão absoluta.

— Oh, faz sentido! —  exclamou Akashi. — Verdade, quando você está numa situação de risco, quanto menos coisas tiver que levar em conta para agir, melhor. Muito esperto, vamos seguir assim!

Zuko suspirou. Assim como antes, confessar que o elogio ao seu conhecimento militar o alegrou estava fora de questão. Talvez, apenas talvez, estivesse também gostando da companhia de uma pessoa que não tinha medo de ser genuína em sua presença — como dizia Diarmid, um “camarada de armas”.

A calmaria depois da conversa que tiveram foi breve. Uma aura vermelho-escarlate rugiu no horizonte, como grito de guerra à dupla. Tiveram tempo apenas para conjurar suas armas e bloquear o golpe devastador que os atingiu, cuja explosão violenta pôde ser ouvida do outro lado da floresta.

A nuvem de poeira tornou a visibilidade noturna ainda mais complicada. Em meio a ela, a silhueta gigantesca de um homem negro musculoso caminhou na direção dos jovens, sem qualquer hesitação em suas passadas imponentes.

— Eu peguei leve e vocês já caíram? Acho que esperava demais de crianças — zombou o agressor, armado com um sabre de cor pérola. — E olha que nem sou especialista em magia ofensiva. Se fosse a Reiyo, provavelmente vocês estariam na merda.

— Q—Quem é…

Antes que Akashi pudesse completar sua frase, o rosto do homem se revelou para eles. Zuko foi quem se mostrou mais chocado pela identidade do colosso — sua face estava contorcida do mais puro desespero ao reconhecer os cabelos, marrons como solo seco. Ainda que a grande onda de partículas não tivesse se dispersado, os olhos amarelados brilhavam intensamente, refletindo a aura dele.

— General Katsushi Torajin.

— Eu mesmo, Alteza — concordou o homem. — Esperei especialmente você até agora. Até que cansei e resolvi vir atrás do único que vale testar.

— O quê? — Akashi estava um tanto confuso com a situação.

Eles se conheciam? Se sim, de onde? Sabia da existência dos Generais pelas muitas fotos que vira antes no jornal, embora não se lembrasse de seus nomes. Seu colega de time, porém, era uma incógnita — teria tratado com tanto desleixo um dos herdeiros do trono?

Independente da resposta, isso seria um assunto para a posterioridade.

— Está certo em abandonar seu posto apenas pelos seus desejos? — questionou Zuko, incrédulo.

— Sua Majestade Ryoujin é conhecida pela sua técnica particular, “As Quatro Estações”. — Os olhos do general fitaram as íris cinzas de Kousho. — É também uma técnica proibida que ela mesmo inventou quebrando os tabus da manipulação consciente. Óbvio que vale a pena lutar com o filho de uma lenda.

— Eu não sou como minha mãe.

— Oh, certamente não! Sua aura está espalhada pelo ambiente! — ironizou o homem, passando a mão livre pelos cabelos, bem lisos e com pontas alaranjadas. — Amaka Ryoujin tem um controle tão impressionante que nunca senti ela chegar perto. De qualquer jeito, irei me apresentar devidamente: Katsushi Torajin, General da Vanguarda do Céu. Eu serei seu avalia…

Apenas um rastro negro restou do ponto onde Zuko esteve meio segundo antes. Sua investida com a lâmina de Nóralltach, envolta em uma camada grossa de mana obsidiana, era suficiente para cortar o mais firme dos rochedos, mas foi aparada por Katsushi com apenas uma mão nua. O pior: de olhos fechados.

O sorriso debochado do homem fez o príncipe praguejar, afastando-se tão rápido quanto avançou. Com apenas aquela interação, sua percepção de força havia mudado drasticamente — se, na sua idade, era o melhor aluno, estava dezenas, talvez centenas de degraus abaixo do topo da cadeia alimentar da Longinus. 

Ainda assim, desistir ou se submeter ao seu destino não combinava com sua mentalidade guerreira. Colocou-se em posição para o combate que viria a seguir.

— Poderia ao menos ter usado seu sabre. 

— Fiz para provocar, Alteza. Quem me escolheu para esse teste foi Sua Majestade Ryoujin em pessoa. — Zuko arqueou as sobrancelhas em descrença. — Apenas um objeto intransponível poderia segurar a força de alguém que resolve tudo na simplicidade técnica. Seu potencial está longe do auge que Sua Majestade espera.

Akashi aproveitou o breve diálogo para estudar seu adversário com seus olhos especiais. O quão grande foi sua surpresa quando não enxergou falha alguma na guarda mágica dele. Todos os pontos-chave de uma barreira mágica estavam sendo religiosamente respeitados.

Zuko podia não ter a mesma precisão analítica, mas apenas seus sentidos e percepção aguçada o fizeram chegar à mesma conclusão de seu companheiro. Sincronizados, os três colocaram-se em movimento — o tempo passou mais devagar a cada centímetro de distância diminuído.

O primeiro golpe veio de Katsushi: uma investida em linha reta com seu sabre em riste. Mana vermelho-escarlate envolvia o braço e a arma do Guardião, que cortou a distância entre ele e a dupla em apenas um salto. Akashi tomou a frente na proteção com sua grande espada branca de duas mãos. 

O choque entre as duas armas surpreendeu o instrutor — apesar de estar controlando seu nível de mana para se igualar ao deles, não esperava um bloqueio direto aos seus avanços logo de cara. Analisou por alguns instantes o perfil de seu oponente, logo percebendo as discretas inscrições no fio da lâmina.

— Miguel escolheu este garoto? — refletiu a voz dentro da cabeça de Katsushi. — Achei que ele gostasse de Guardiões mais musculosos. Pelo visto, me enganei.

— Oh, ele é um dos Arcanjos sumidos, Gabriel?

— Isso mesmo, Katsu. — O ser divino atentou-se aos olhos grafite do adversário. — Tome cuidado, ele dominou uma das técnicas especiais do Miguel. Talvez seja mais perigoso do que o outro garoto.

Zuko aproveitou o espaço criado pelo parceiro para avançar com sua espada. Apesar de pressionado, o Guardião não cedia aos ataques pesados das duas enormes armas dos candidatos, devolvendo seus golpes com bloqueios precisos e firmes. 

A dissincronia dos rapazes mostrava-se cada vez mais clara, com um atrapalhando o ritmo do outro por falta de comunicação ou técnica. Foi num dos muitos erros que cometeram que Katsushi, entediado pela falta de desafio, repentinamente quebrou o fluxo da batalha com a expansão de sua aura escarlate: afastou-os com seu sabre antes de colocá-lo sobre sua palma esquerda, joelhos arqueados como se preparasse um pulo.

— Receio ter perdido tempo demais contigo, Alteza! — gritou o homem, cuja mana tomava a forma de um grande felino atrás de si. — Dens Tigris!

A velocidade concedida pelo impulso e o volume de força imbuído naquela técnica pegou Zuko de surpresa. Não tinha tempo para trocar para uma de suas lanças, como estava acostumado — se tentasse bloquear apenas com a Nóralltach, não tinha certeza de que encontraria o ponto de equilíbrio para não receber a força total.

Akashi, porém, o salvou de uma inevitável derrota ao erguer o braço em sua direção.

Scutum de Caelo! — gritou Akashi.

A barreira de luz suportou boa parte da investida do general, mas foi perfurada em seguida pelo fio do sabre. Zuko foi arremessado para longe pela força que o colosso exerceu sobre seu corpo. Os ferimentos, contudo, não foram tão graves quanto poderiam ter sido.

Antes que pudesse se orientar, sentiu seu braço ser agarrado com força por uma mão feminina, arrastando-o para longe. Seu colega de luta se juntou à sua salvadora na corrida desesperada para longe de Katsushi, cuja decisão silenciosa foi deixá-los ir. Salivava com a ideia de uma revanche, com um Zuko possivelmente mais forte e uma batalha mais sangrenta. 

Os três fugitivos percorreram centenas de metros antes de repousarem sob a sombra de uma das grandes árvores da floresta. A tensão anterior, uma vez aliviada, os fez sentir o impacto físico da situação sem parcimônia. Zuko encarou sua salvadora — uma garota de cabelos loiros e olhos puxados, naquele momento fechados. 

Sua face não foi capaz de expressar com devida intensidade a surpresa de encontrá-la ali.

— Shikiba? 

— Só me reconheceu agora? — debochou a garota, ainda sem ar. — Te arrastei por quase dois quilômetros, poxa!

— Espera, vocês se conhecem? — Akashi perguntou, confuso. 

— Ela invadiu o meu barco.

— Ei, eu já disse que eu dormi dentro do contêiner e fui parar lá dentro!

— Não que isso faça alguma diferença.

— Tá, chega vocês dois! — O Guardião de Miguel colocou as mãos sobre os ombros de ambos, cuja diferença de altura era cerca de 10 centímetros. — Precisamos passar daquele cara, esse é nosso foco! Mas não agora, agorinha, porque eu tenho certeza de que não consigo parar de tremer.

Keiko concordou com um “claro” antes de materializar sua bolsa de mantimentos e sacar uma garrafa de dentro dela. Diferente deles, ela havia sobrevivido ao teste apenas com seus próprios recursos, então cada gota de água que bebia era valiosa. Tal detalhe fez Akashi estender seu próprio reservatório a ela, que o olhou em confusão.

— É por ter salvado meu amigo — explicou o jovem, simplório — e também porque sei que está com sede. Seu controle de mana é impressionante, de toda forma.

A garota demorou alguns segundos antes de formular uma resposta, encarando-os com os olhos prateados. Na percepção de um militar, como a de Zuko, estava claro que ela o analisava em busca de uma armadilha, exatamente como ele fez um dia antes. E, assim como o príncipe, nada percebeu tornasse Kousho suspeito o suficiente para recusar sua oferta.

— Ah… Obrigada! — replicou por fim, bebendo do recipiente.

“A generosidade dele não é normal, e ela não é uma garota qualquer”, refletiu Zuko, abraçado à sua lança enquanto o casal realizava as devidas apresentações entre si com grande empolgação. Nada os parecia preocupar de verdade, algo do qual sentia forte inveja. Levando em conta o que acabaram de passar, esperava ao menos algum nível de choque.

Seria ele o paranóico? Ou estava na companhia das duas pessoas mais ignorantes e despreocupadas que já conhecera? Seja lá qual fosse a resposta, a única certeza que tinha era que seu plano perfeito já tinha inconstâncias demais para ser considerado uma alternativa. Daria-se o luxo, ao menos por ora, de cochilar para recuperar suas energias.

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