Fios do Destino Brasileira

Autor(a): PMB


Volume 1

Capítulo 20: A ponte para além do horizonte

27 de Janeiro de 4818 - Continente de Origoras, Reino de Alfheim, Cidade-Ponte de Waflugel

 

Hanako nunca havia agradecido tanto ser da realeza.

Como esperado para o dia do exame mais importante do ano, caminhar pelas ruas estava impossível naquela manhã. Milhares de jovens de Alfheim e outros reinos diversos ocupavam a larga via principal da cidade, todos caminhando em direção à majestosa estrutura da Estação de Waflugel. 

Ainda que houvesse uns mais rápidos que outros, os passos da multidão eram bem ritmados e lentos. Demorariam uma eternidade para chegarem à entrada do prédio naquelas condições, o que apenas deixava a herdeira do trono local mais nervosa. Já havia ajustado sua tiara de rosas de cristal mais de cinco vezes até o momento.

— Abram o caminho, Sua Alteza Koufuku e seus acompanhantes têm pressa! — gritou um dos Guardiões que realizava a escolta do grupo. — Vamos, rápido!

Era extremamente conveniente, para a ansiedade da princesa, ter um meio de chegar mais depressa ao seu destino. Porém, não conseguia deixar de se sentir mal por ser priorizada — não era muito melhor que ninguém ali, talvez até pior que alguns. Como, por exemplo, os dois jovens que caminhavam logo atrás de si.

Togami e Reiko, que até então só presenciaram a parte “natural” de Alfheim, estavam encantados pelo novo ambiente urbano. Teve que puxar ambos algumas — muitas — vezes durante a manhã para não os perder de vista ou deixar que se atrasassem. Era difícil admitir, mas estava cansada em pouco mais de meia hora de companhia da dupla de estrangeiros.

— Wow, parece até que estamos em Camones! — comparou o rapaz, impressionado. — É muita gente! Ainda bem que estamos passando rápido por sua causa, Alteza.

— Acho que deixariam a Hana passar mesmo sem ser princesa, de tão fofa que ela é. — O comentário de Reiko deixou o rosto da garota vermelho.

— T-Também não é assim, Rei! 

— Claro que é! Enfim, vamos logo que devem faltar uns 15 minutos pra passarem as instruções! — A princesa ateniense pegou a mão de seus dois companheiros. — Valeu, guardas!

— Espe…

Sem aviso prévio, os pés de Hanako descolaram do chão e ela estava flutuando como uma pluma. Pelo sorriso de sua melhor amiga, ela estava segurando a vontade de agir até aquele instante. Alguns encararam com estranheza o trio, enquanto outros eram maravilhados pela magnífica visão dos cabelos ruivos da princesa das fadas sendo levados pelo vento.

Aterrissaram próximos à entrada, se mesclando ao público geral sem grandes problemas. Os poucos que reconheciam Koufuku de relance e pensavam em abordá-la eram afastados pelo olhar gélido e aura imponente de Togami, cujas íris heterocromáticas podiam ser bem assustadoras.

Ele, claro, não tinha a menor ideia do que estava acontecendo para abrirem caminho tão fácil para um garoto aleatório de um metro e meio. “Será que tem algo na minha cara?”, divagou o garoto quando, pela terceira vez, outro concorrente percebeu sua existência e se afastou com grande pressa.

— Deveria conter um pouco mais sua aura, Shinwa — aconselhou Metatron, subitamente. — Você pode não ter noção, mas todos aqui com o mínimo de percepção mágica estão aterrorizados pela sua presença.

— Esse é o máximo que consigo conter de maneira inconsciente! — retrucou dentro de sua cabeça. — Mas vamos tentar afinar um pouco mais…

Ocultar sua aura mais que o normal era como envolver seus membros em uma roupa apertada — a sensação de desconforto era sufocante, apesar de já ter sido muito pior. A imagem de Taeka, a Líder Suprema, orbitou seus pensamentos. O ato dela de manter sob controle, contínua e deliberadamente, aquela quantidade desleal de mana era uma prova de seu talento natural, bem como do abismo de técnica entre eles.

“Bem, meu estoque de mana cresceu também com os treinos da mestra”, consolou-se o garoto, “É esperado que eu não consiga manusear tudo.”

— Bom dia, meninos e meninas!

Uma mulher negra apareceu no segundo andar da estrutura, que estava selada para a prova naquele dia. Reiko deduziu que aquela era seria instrutora a partir desta linha de raciocínio, a qual sussurrou para seus amigos.

— Agora, são exatamente oito horas da manhã de 27 de janeiro de 4818 — prosseguiu empolgadamente a possível Guardiã — o que marca o início do exame da Longinus deste ano.

“Sou Kotomi Jougai, muito prazer! Não que isso importe, visto que vocês só me verão agora. A menos que passem nesta prova, claro.

“Para a primeira parte do teste, o objetivo de vocês é extremamente simples: vocês devem chegar até a Lua das Fadas, a base da Longinus que se encontra do outro lado desta ponte, dentro de um dia e meio. Mais especificamente, no segundo cair da noite após o início desta prova. Todos vocês receberão um saco de mantimentos com água e comida para esse percurso, não se preocupem.

“Quanto às regras, a única que temos é não matar seus concorrentes! Duelos e trabalho em equipe são opções válidas para conseguirem chegar ao fim do percurso. A segunda parte do teste fica sob responsabilidade daqueles que passarem a primeira de descobrir!”

 Os murmúrios se uniram, lentamente, em uma grande massa de perguntas e dúvidas. Como seriam avaliados? O que fariam para se defender? Seria só correr em linha reta até seu destino e nada mais? Quão longe estaria do continente a ilha? Kotomi seguia com um sorriso no rosto, uma prova cabal de que não estava disposta a entregar aquele segredo.

Dezenas de soldados em uniformes da Longinus ajudaram a organizar os estudantes em filas, distribuindo as guarnições como fora anteriormente dito pela instrutora. A diferenciação dos candidatos começou neste ponto — os mais capacitados rapidamente fizeram suas bolsas de couro sumirem em partículas de variadas cores logo após receberem-nas em mãos.

 Togami, Reiko e Hanako, claro, fizeram isto também, logo voltando seu foco à mulher.

— Vejo que todos estão prontos! — anunciou a mulher para a multidão. — Minha última notícia é que não se preocupem com os trilhos! Todos os transportes estão parados até o fim do exame. Boa sorte!

As grandes portas da estação foram abertas em um estalar de dedos, deixando que a onda de jovens se direcionasse para a plataforma principal de Waflugel. A ponte estendia-se para além do horizonte, suas pedras branco-acinzentadas reluzentes contra o sol da manhã.

Muitos saíram correndo sem pensar duas vezes, amedrontados pela ideia de não terem sucesso no exame. Togami teria sido um deles se não fosse pelo firme puxão que recebeu no braço — para sua surpresa, era a mão de Reiko que envolvia seu membro, impedindo-o de seguir os demais.

Pensou em levantar a voz, mas se controlou ao ver o olhar confiante e simpático de sua amiga pela primeira vez em um mês inteiro. Como um bom ouvinte, manteve-se em silêncio enquanto ela ainda mantinha seu pulso no lugar.

— Primeiro, desculpa pelo jeito que eu te tratei.

— Alteza, não é hora pra isso — debochou Togami. O tapa veloz que recebeu no rosto não estava em seus planos. — Caralho, tu não aprende que isso é um desrespeito, não?

— Tive um dejá vù. Mas desculpas aceitas — devolveu a princesa, ainda sorrindo. — E concordo que não é hora. Eu já entendi a ideia por trás da primeira parte.

— O quê?

Hanako a encarou com curiosidade, visto que não tinha sequer considerado um significado diferente do que escutou de Kotomi. Não fazia nem um minuto que o exame havia começado e já estavam sozinhos na plataforma — se fosse mesmo uma corrida, as chances tornavam-se menores a cada instante que ali permaneciam.

— Olhem pros que já estão liberando toda a mana… — O dedo indicador de Reiko estava na direção do percurso. — Não perceberam nada errado?

Ambos os parceiros da herdeira de Sophis utilizaram sua aura para incrementar sua percepção mágica. Pelas reações que tiveram, Reiko teve a certeza de que seu objetivo foi concluído mais rápido do que esperava. 

Um grande fluxo de mana, bem claro mesmo para a detecção mediana de Hanako, conectava as muretas da ponte com um fio. Cada vez que um participante cruzava a linha invisível, a mana emitida por ele era parcialmente drenada, retroalimentando o sistema. Togami engoliu em seco ao lembrar-se do seu autocontrole anterior.

— Essas pedras são especiais. Magietras, mais especificamente. — A ateniense colocou os dedos sobre o material. — Minha mãe me contou sobre elas. São usadas para sistemas de segurança mágica, mas só a Longinus sabe como utilizá-las. Uma das funções é drenar mana do ambiente, ela me levou para uma das artesãs atenienses algumas vezes.

— Então ter mais mana é pior? — questionou Togami, horrorizado.

— Não. É um exercício de controle de mana — contrariou Hanako, agora entendendo melhor. — Magietras só absorvem a mana exposta. Se você conseguir o equilíbrio entre correr com seus poderes ao mesmo tempo que limita sua emissão ao mínimo, você não se cansa tanto de ter a mana drenada nem demora o suficiente pra ser eliminado. Essa é a primeira prova.

— Ainda bem que temos você, espertona!

O baixinho deu uma cotovelada leve na amiga, que riu. Como concordaram, não era hora para aquilo, apesar de se sentir-se mil vezes melhor com sua amizade de volta. Os olhos bicolores do rapaz fitaram sua parceira com carinho, o que ela retribuiu.

— De nada. Vamos lá! 

O trio partiu com o plano de Reiko em mente: emissão mínima, velocidade máxima. As dificuldades não os impediriam de conseguir chegar à Lua das Fadas.

 

 

27 de Janeiro de 4818 - Continente de Origoras, Reino de Yggdrasil, Cidade-Ponte de Dragetenner

 

Para o grupo do reino do dragão, a situação não era tão simples assim. Alguns bons quilômetros de corrida intensa foram percorridos antes de Shuyu e Haruhi perceberem que a fadiga sentida por eles não era natural. O príncipe deu ordens para interromperem a emissão de mana imediatamente, o que o grupo cumpriu sem demora sob seu tom firme.

Pararam um pouco para analisar a estrutura. Apesar de não entenderem na íntegra o sistema das pedras, o pouco que Haruhi descobriu foi suficiente para Heishi ficar bem incomodado com a situação. Na prática, um eufemismo para a ira que tomava conta de si, queimando-o por dentro em contraste ao gelo formando-se ao seu redor.

— Porra, e como faz pra conter esse tanto de mana? — perguntou o garoto, encharcado de suor. — E como o Tatsu não tá nem um pouco exausto com isso tudo?

— Minha emissão sempre foi baixa, então eu corro mais devagar mas não sinto cansaço. 

— Certo, e como você — apontou o dedo para Ayame, que estava um pouco mais pra frente. — não sente essas linhas de drenagem?

A Guardiã de Eolo sorriu, debochada, para ele. Do quinteto, ela era a que avançava com maior velocidade, ao mesmo tempo que não aparentava sofrer quaisquer efeitos das magietras. A situação tranquila dela estava o tirando do sério, e Tengoku sabia plenamente disto.

— Eu treinei anos de controle de mana. Simples assim — constatou enquanto empinava o nariz. — Diferente de um certo alguém com uma cicatriz no peito que acha isso uma besteira.

— Numa batalha real, não faz sentido algum controlar tanto assim! 

— Como você pode ver, tem sim — intrometeu-se Shuyu, colocando a mão sobre o ombro do colega. — E a Longinus está fazendo isso para eliminar pessoas como você.  

— Mas…

— Heishi, você quer passar, não quer? — Haruhi também se aproximou enquanto repetia o gesto do príncipe. — Então, engole teu orgulho de merda.

O moreno passou os olhos pelo seu grupo até encontrarem as íris castanhas de Ayame. “Vou ter mesmo que pedir ajuda pra essa insuportável?”, perguntou para si mesmo, pensando nas possibilidades diferentes e que o impediriam de falhar. Poderia emitir ainda mais mana e passar na força bruta, ou simplesmente utilizar seu porte físico atlético para correr sem poderes…

— Você não vai conseguir, garoto — criticou Búri, de repente. — Essas pedras são capazes de drenar a aura inteira da Líder Suprema se tiverem o tempo necessário. E devem ser mais de 100 quilômetros até chegar lá. Não vai ter tempo.

— Qual a solução então? 

Búri projetou seu rosto na mente dele antes de proferir suas próximas palavras. Parecia ansioso para dizê-las, embora isso fosse apenas a impressão que Heishi teve ao ver sua expressão tranquila.

— Peça que a garota te ensine o que ela faz. Aproveite para aprender também sobre limites sociais.

A deidade desligou a conexão mental, como um tapa direto na face do garoto pela segunda vez só naquela conversa. Desconfiar de sua Bênção não fazia sentido — para que ele iria atrapalhá-lo? Só para quebrar seu orgulho ou de piadinha? Búri estava longe de ter uma personalidade similar a algo assim. Era, no máximo, orgulhoso.

A instrução era a única alternativa possível, para sua infelicidade. Inspirou profundamente, estendendo a mão para Ayame em sequência. Arrependeu-se logo que a garota de cabelos azul-gelo levantou as sobrancelhas com curiosidade.

— Tá, que merda do caralho — xingou em voz alta. — Eu aceito sua ajuda.

— Você nem pediu — ironizou a menina. — Quais as palavras mágicas?

“Definitivamente não tem como gostar dessa garota.”

— Vai se fuder, vai… Por favor!

 

 

27 de Janeiro de 4818 - Continente de Origoras, Reino de Tellus, Entre Pontemporis e a Lua da Natureza

 

— Parece que serei o primeiro a chegar.

O comentário sem interlocutor feito por Zuko foi carregado pelo vento morno do fim da tarde. Estava há dez horas correndo ininterruptamente, e há quase uma não tinha contato com qualquer outra pessoa. Isolado na liderança, contentou-se com a meditação para manter o ritmo de seus passos.

“Um, dois, um, dois, um, dois…”, repetia em ciclo dentro de sua cabeça, ritmando seus passos rápidos e mantendo sua emissão em níveis baixíssimos, pouco mais que o necessário. O longo intervalo em atividade dava os primeiros sinais de seu cansaço, ainda que Ryoujin lutasse contra ele ao manter-se alheio ao estado de seu corpo. Aguardaria até o cair da noite para poder recuperar-se para o percurso final. 

Neste ritmo, definitivamente chegaria à Lua da Natureza antes do meio-dia seguinte, onde descansaria de verdade até o fim do prazo da primeira prova. Com uma vantagem tão enorme, teria o devido destaque entre os candidatos e poderia entrar em um esquadrão da Longinus sem maiores problemas. 

Era o plano perfeito para sua vida escolar e militar ideal. Quer dizer, seria o plano perfeito se o barulho distante de um trote veloz não tivesse colocado seu corpo em alerta máximo. Sua espada menor, Beagalltach, surgiu de um fluxo de partículas negras em suas mãos, pronta para o combate.

Pouco a pouco, a aura notável do desconhecido se aproximou dele, que olhou por cima do ombro para analisar sua nova companhia. Pelo porte físico que viu de relance, deduziu ser um garoto esguio, mas preferiu aguardar a aproximação dele. 

O primeiro detalhe curioso foi o cabelo: era longo por completo, mas os fios da nuca em especial estavam divididos em duas grandes mechas. Para completar, o verde-escuro que pintava aquela grande massa de cachos era chamativa, embora combinasse com a pele parda do garoto.

— Como diminuiu a distância tão rápido?

Zuko pulou qualquer apresentação minimamente formal — sentia-se ameaçado pela presença repentina de um novo ser humano. Para piorar, o controle da aura amarronzada era muito bom para um possível plebeu amador. O recém-chegado abriu um sorriso simpático, como se ignorasse a postura e tom hostil do príncipe de Bellato.

— Ora, havia te visto ainda no saguão lá em Pontemporis — afirmou o garoto, aproximando-se um pouco mais. — Percebi logo de cara que você não gosta de pessoas, então resolvi manter uma distância razoável para observar. Só não esperava que fosse diminuir o passo enquanto eu estava distraído. Agora que me viu, não adianta me esconder, né?

— Você estava deliberadamente em segundo lugar esse tempo todo? — perguntou Zuko, em descrença.

— Sim! Aliás, desculpe, não me apresentei… — O desconhecido estendeu a mão. — Akashi Kousho, prazer.

O herdeiro não sabia por onde começar a abordar a conversa. Sentia-se humilhado pela “compreensão” oferecida por Akashi — ele estava mesmo levando aquela prova a sério? E como ele havia deduzido o raio de detecção de Zuko tão rápido? A situação inteira foi um soco de mão fechada no estômago do príncipe, que juntou forças para se manter contido.

— Você ao menos tem noção de quem eu sou? — devolveu o loiro, apenas.

— Não faço a menor ideia, mas presumo que seja alguém importante para estar dizendo isso. — Akashi deu de ombros, correndo em paralelo a ele. — Parece que essa ponte não acaba nunca, né?

“E agora ele está iniciando uma conversa como se estivéssemos parados descansando”, pensou Zuko. A simplicidade com que sua ideia de ser o melhor aluno na disputa desmoronou foi um baque forte à sua confiança, o que o seu novo acompanhante foi capaz de perceber. Os olhos preto-grafite não expressavam nada além de simpatia e bom humor, totalmente o contrário da expressão terrível oferecida pelo bellano.

— Ah, mas não pense que eu fiz isso te menosprezando — clarificou Akashi, cujas mãos mexiam-se em pânico. — Na real, estava com medo da sua aura. Manipulação consciente é meu forte, mas você é bom demais!

— E ainda assim você poderia estar em primeiro! — vociferou o loiro, furioso. — Isso é um desrespeito ridículo para minha nação!

— Ah, isso não tem nada a ver com controle de mana. Eu sou o Guardião de Miguel, o Quinto, há tanto tempo que meu estoque mágico deve ser igual ao seu.

A maneira que o garoto esguio riu como se tivesse contado a piada mais engraçada de todas deixou Zuko ainda mais desequilibrado, se é que isso era possível. Sua aura obsidiana perdia estabilidade rápido — se continuasse assim, ia se cansar antes do planejado por conta de suas emoções.

— Acho bom reduzir a emissão no teu lado direito — recomendou “aleatoriamente” Akashi, com o indicador na direção do príncipe — tá vazando muita mana pela região do teu peito.

— Como você sabe disso? 

— Por conta disso aqui.

O rapaz apontou para os próprios olhos, agora envoltos por partículas marrons. “Uma espécie de magia ocular? Estas são raras”, pensou o bellano, “Ele é perigoso. Preciso ficar atento.”

— É minha “técnica especial”, vamos dizer assim — brincou Akashi. — Consigo enxergar pontos de falha em fluxos de mana. Usei ela até aqui pra achar os pontos com menor drenagem de mana.

— Isso funciona até em pessoas? 

— Pessoas, sistemas mágicos, escudos, armas… — enumerou as possibilidades em voz alta. — Tudo tem um ponto fraco. Meu trabalho é descobrir.

Pela proximidade, Zuko podia sentir melhor a aura do menino — mesmo que poderosa, não havia traços de malícia ou má-intenção, ao menos na superfície de seu interior. Se ele era ingênuo para abrir seus poderes a um outro competidor, isto não era de sua conta. 

O julgamento final do príncipe foi que poderia lidar com a presença dele por ora. Porém, sua atenção não deixaria de pairar sobre ele até ter mais indícios de seu caráter.

O tempo que passou em silêncio o encarando desconcertou Akashi.

— O-Olha, eu não sou tão bonito assim pra você ficar me olhando de cima pra baixo! Mesmo que digam que eu pareço uma garota pelo meu cabelo lo…

— Eu não estou pensando nisso, seu débil! — rugiu Zuko, fechando a cara.

Talvez se arrependesse mais cedo do que o esperado de sua benevolência com um plebeu.

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