Fantasma Sombrio Brasileira

Autor(a): Pedro D'Arck


Volume 1

Capítulo 19: O beijo que enganou

Segunda-feira de manhã, o sol predominava no céu azul e o clima estava fresco e agradável, o que motivava ainda mais a turma durante a aula de Educação Física. Saketsu, Enzo e Tales jogavam futebol com os outros garotos no campo de terra, enquanto as garotas estavam em uma extremidade do mesmo, praticando exercícios de alongamento.

Saketsu estava bastante descontraído, afinal tinha motivos para isso. O final de semana havia sido tão tranquilo e totalmente ao contrário do que imaginara — sem zumbis-sobrenaturais e muito menos qualquer sinal de Dracarys.

No sábado, Saketsu e Lana tinham ido até a cidade. Passearam pelo shopping, foram ao cinema e se divertiram bastante. Já no domingo, almoçaram na casa da senhora Gardênia e depois foram ao parque-florestal, onde tomaram sorvete e aproveitaram para conversar e admirar as coisas simples da vida.

Sem dúvida, o dia anterior havia sido revigorante tanto para Saketsu quanto para Lana.

Estava tudo tão bem.

Só havia um único problema agora: Saketsu estava sendo absolutamente horrível em campo, a ponto de fazer seu time ser obliterado.

— Eu... foi mal... Não consegui... — dizia ele, totalmente ofegante, curvado com as duas mãos apoiadas nas coxas, ainda em campo mesmo depois de o jogo ter terminado.

— Relaxa, sabemos que você é ruim, mas pelo menos jogou hoje, o que já é bem raro — confortou Tales, dando alguns tapinhas nas costas dele.

— Pelo menos um cinco na Educação Física está garantido — disse Enzo, também um pouco ofegante. — Mas tranquilo, estamos juntos nessa.

Saketsu suspirou.

A parte ruim não era apenas perder. Era perder contra Dracarys.

Do outro lado do campo, o garoto se achava o máximo diante de seu pequeno “fã-clube de garotas”. Era irritante ver aquela postura metida a galã, com aquelas alopradas o bajulando.

— Idiota — murmurou Tales ao lado de Saketsu enquanto também o observava.

Saketsu soltou um som de frustração.

Foi então que notou uma garota loira entre elas: Aine. Diferente das outras, ela parecia menos afobada, na verdade a que mais transmitia uma sensação de normalidade.

Parecia que ela já o observava há algum tempo, e assim que seus olhares se encontraram, no entanto, ela desviou rapidamente, passando a olhar Dracarys e a sorrir, logo começando a agir como as demais.

Saketsu ficou um pouco confuso com aquilo. Ainda assim, ao perceber que ela não voltou a olhá-lo nem discretamente, concluiu que devia ter sido apenas impressão, talvez consequência do cansaço do jogo.

Minutos depois, quando a aula já estava perto do fim, Saketsu lavava o rosto sozinho na torneira.

Ao enxugar a cabeça com a toalha, levou um pequeno susto ao perceber a mesma garota de antes parada à sua frente.

— O-olá... — ela cumprimentou, extremamente tímida, quase sem conseguir encará-lo.

— Oi — respondeu ele, com um leve ar de estranheza.

Tentava imaginar o que alguém como ela poderia querer. Nunca haviam trocado sequer uma palavra, mesmo sendo da mesma classe.

— A gente... poderia falar a sós...?

— Claro — respondeu, tentando adivinhar sobre o que seria.

— Mas não pode ser aqui... Poderíamos ir para algum canto? É que não quero que ninguém escute...

— Hum... tudo bem.

Naquele momento, próxima às colegas, Lana prestava atenção em Saketsu e na garota ao longe. Logo os viu caminhando juntos na direção de trás do prédio escolar.

Ao vê-los desaparecerem, sua expressão já carregava desconfiança. Mal teve tempo de imaginar o que os dois estariam fazendo ali quando uma colega puxou sua atenção.

— Lana, pode me ajudar a levar as coisas para o depósito?

— Tá... claro — respondeu, ainda um pouco cismada.

Alguns instantes se passaram.

Lana não conseguia tirar aquilo da cabeça. Ver Saketsu com Aine havia realmente a deixado estranha, para baixo, sem entender exatamente o porquê. Talvez fosse ciúmes?

O sinal do fim da aula finalmente tocou, e o professor apitou chamando os alunos.

— Vocês que já trocaram de roupa, sala — ordenou aos que estavam reunidos à sua frente.

Ele olhou ao redor.

— Saketsu e Aine, onde estão?

— Eu vi os dois indo para trás daquele prédio, professor — manifestou Dracarys, agindo como um bom aluno.

O professor pareceu ligeiramente nervoso ao ouvir aquilo. Talvez imaginasse que estivessem fazendo “coisas” que iam contra os princípios didáticos — e, se fosse o caso, eles estariam ferrados.

— Alguém vá chamá-los! — ordenou, já com um tom de estresse.

— Eu vou — Lana se voluntariou, saindo às pressas.

Enquanto caminhava, uma sensação inexplicável de preocupação começou a dominá-la.

Ela precisava saber o que estava acontecendo. Precisava entender o que aquela garota estava fazendo com Saketsu.

Apressou ainda mais os passos, chegando quase a correr.

Quando virou a esquina do prédio, parou de súbito.

O que viu a deixou completamente surpresa.

Seu rosto foi tomado pelo espanto, enquanto uma emoção pesada invadia todo o seu corpo. Lágrimas começaram a brotar em seus olhos ao refletirem a imagem à sua frente: Saketsu e Aine estavam se beijando!

No meio daquilo, Aine acabou percebendo que estava sendo observada por Lana e logo a viu desaparecer rapidamente de vista.

Saketsu, que estava de costas, nem chegou a notar. Na verdade, ele tentava se desvencilhar do agarro de Aine. Depois de um pouco mais de esforço, conseguiu finalmente se afastar.

— P-por que fez isso? — perguntou, espantado.

— Me desculpe... E-eu não consegui me segurar... Depois que você disse aquilo... eu não me contive. Me desculpe mesmo... — disse ela, visivelmente arrependida.

Saketsu começou a se sentir mal por ela.

Poucos instantes antes, Aine havia confessado que o amava. E ele respondera com total sinceridade:

“Me desculpe, Aine. Eu... eu não sei como dizer isso, mas eu amo outra garota. Ela é a única pessoa que eu quero.”

Mas, logo após demonstrar surpresa e decepção, Aine simplesmente se atirou sobre ele e o beijou à força.

────────⊹⊱💀⊰⊹────────

Com um ar de constrangimento os acompanhando, Saketsu e Aine chegaram juntos à sala de aula.

— Samara... Sara... ah, aí estão vocês — disse o professor Noah, enquanto fazia a chamada.

Os dois se separaram e seguiram para seus respectivos lugares.

Ao se sentar, Saketsu percebeu algo estranho: a carteira de Lana estava completamente vazia.

— Ei, Tales, cadê a Lana? — perguntou ao amigo.

— Não sei. Quando chegamos, as coisas dela já tinham sumido.

Saketsu franziu a testa.

Então olhou através de Tales para Dracarys, que batucava os dedos suavemente na mesa, parecendo distraído e um tanto contemplativo.

De alguma forma, Saketsu teve a sensação de que, desta vez, Dracarys não tinha feito nada.

— Falando nisso... onde você tava? — perguntou Tales.

— Eu...

Saketsu olhou para o centro da sala, onde Aine estava sentada.

Pelo jeito, ela o observava, pois rapidamente virou o rosto para frente ao perceber que fora notada.

Saketsu não respondeu. Tales também não insistiu, mas ficou um pouco desconfiado ao notar o comportamento estranho entre os dois.

Saketsu começou a se preocupar. Lana ter desaparecido… talvez tivesse alguma relação com o beijo de poucos minutos atrás.

Ele voltou a olhar para Dracarys, vendo que agora ele esboçava um sorriso carregado de malícia.

Saketsu se irritou imediatamente, perguntando a si mesmo que tipo de coisa aquela mente doentia estaria pensando.

────────⊹⊱💀⊰⊹────────

Depois do dia estranho que tivera na escola — recebendo uma confissão e um beijo inesperado de Aine, além do desaparecimento repentino de Lana — Saketsu finalmente chegou em casa.

Teria chegado mais cedo se tivesse conseguido sair antes da escola, mas a prova mensal o atrasara. Isso tornava ainda mais estranho o fato de Lana simplesmente ter ido embora no meio das aulas.

Ao entrar em casa, sem sequer acender as luzes, Saketsu subiu apressado as escadas.

Esperava encontrar Lana no quarto.

Mas, ao abrir a porta, teve uma surpresa desagradável.

Ela não estava ali.

E, ao olhar melhor, percebeu algo ainda pior: as coisas dela também haviam desaparecido.

Saketsu sentou-se na cama, sentindo um incômodo estranho no peito.

Pegou o celular no bolso e tentou ligar para ela — mesmo já tendo feito isso várias vezes durante a tarde —, mas Lana não atendia. A ligação sempre era desligada logo no primeiro toque.

Frustrado, ele jogou o celular sobre a cama.

Foi então que reparou em um bilhete dobrado sobre o colchão.

Sem hesitar, pegou-o, abriu-o e começou a ler.

O bilhete escrito à mão dizia:

Saketsu, me desculpe, mas não dá mais. Não sei o que deu na minha cabeça para achar que ir aí ficar com você daria certo. Eu não tinha percebido o quanto ficamos tão íntimos em tão pouco tempo, e quando notei isso até me surpreendi.

Eu só queria te agradecer por ter me deixado passar esses dias em sua casa e por ter sido tão atencioso comigo. Por ter me protegido.

Apesar dos problemas, foram dias bons para mim. Espero que tenha sido o mesmo para você.

Te desejo toda a sorte, tanto contra os inimigos que possam surgir quanto em outras coisas...

Eu só não quero mais ficar do seu lado.

Para falar a verdade, eu ainda amo, completamente amo, o Iuri. E ficar próxima de você me faz sentir como se estivesse o traindo.

Espero que entenda tudo. E, por favor, não me procure.

Assinado: Lana"

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