Volume 1
Capítulo 18: A garota encantada
Alguns dias atrás, quando a noite já estava prestes a tomar completamente o céu, Aine ainda voltava da escola, enquanto a grande maioria dos alunos já estaria descansando confortavelmente em suas casas. Isso acontecia porque ela morava um pouco distante, precisando esperar no ponto para pegar um ônibus e ainda caminhar por mais alguns minutos até chegar.
Ela já havia se acostumado com essa rotina. E algo que também havia se tornado costume — até mesmo prazeroso — era aproveitar o trajeto para refletir sobre as coisas ou ouvir música em seu iPod enquanto caminhava. Assim, quando menos percebia, já estava chegando em casa, sem que o caminho se tornasse tão cansativo.
No percurso, ela sempre precisava passar por uma rua de subúrbio que, apesar de causar um certo receio, nunca havia apresentado problemas. O lugar quase sempre estava vazio e nada jamais acontecera ali. Porém, naquele dia, seria diferente.
Quando virou uma esquina, deparou-se com um grupo de jovens vindo em sua direção.
Era um bando de marginais, divertindo-se entre si, provavelmente rindo de algum ato cruel que haviam cometido por aí. Aquilo despertou imediatamente um mau pressentimento em Aine.
Ela diminuiu o ritmo dos passos, cogitando dar meia-volta. Mas e se eles cismassem com ela por causa disso?
Olhou ao redor, procurando alguém a quem pudesse pedir ajuda.
Não havia ninguém.
Continuar caminhando na direção deles seria arriscado.
Quando finalmente tomou coragem para se virar, parou assim que ouviu a voz de um deles chamando-a de forma nada sutil:
— Ei, delicinha!
Ela nem pensou em responder. Apenas começou a se apressar. Talvez até conseguisse correr, se não fosse a mão que pousou em seu ombro, segurando-a.
— Ei, por que a pressa? Não tá afim de dar um rolêzinho com a gente? — perguntou um rapaz de estilo malandro, curvando-se ao lado dela para sentir o doce cheiro de seu pescoço.
— É, vamos. Vai ser maneiro — disse outro, aproximando-se e envolvendo sua cintura com um braço.
Aine estava nervosa.
Ela era inteligente o bastante para entender no que estava envolvida. Até tentou esboçar uma pequena reação, mas foi imediatamente interrompida por outro rapaz que sacou uma faca de bolso e a ameaçou.
Não sabia o que fazer — ou pior: sabia que não havia muito o que pudesse ser feito. Agora estava praticamente indefesa nas mãos deles. Sozinha no meio de cinco marginais.
Aine começou a caminhar com eles, sendo guiada para algum lugar.
Minutos se passaram. O grupo seguia pelas calçadas do bairro deserto, uma área que não recebia atenção da prefeitura havia bastante tempo.
Mesmo naquela situação, Aine não chorava, não implorava e tampouco demonstrava desespero. Limitava-se a responder, com uma leve angústia no olhar, às perguntas absurdas que eles faziam.
Sua expressão vulnerável a tornava quase adorável aos olhos deles. E enquanto ela continuasse assim, provavelmente não iriam machucá-la — pelo menos não até chegarem ao destino para onde estavam indo, sabia Aine.
Por compaixão do destino, um jovem atraente, vestindo roupas escuras e com um cabelo preto estiloso, vinha tranquilamente pela mesma calçada.
Com uma postura confiante e despreocupada, ele não desviou um centímetro de seu caminho ao passar pelo grupo — o que acabou fazendo com que esbarrasse em um dos rapazes.
— Ei, vacilão! — chamou o mesmo rapaz, virando-se para trás.
O jovem parou.
— Você esbarra em mim e acha que pode sair assim, como se nada tivesse acontecido, seu moleque?!
— “Moleque”? — repetiu o jovem em tom desdenhoso, olhando por cima do ombro para os caras que agora o encaravam com irritação. — Pelo que vejo, vocês não devem ter nem três anos de diferença acima de mim. Não passam de um bando de otários que acham que são alguma coisa só porque andam juntos por aí fazendo baderna. E vamos falar a verdade… que visual mais cafona de vocês. Acham bonito ser feio?
O insulto foi suficiente para inflamar os ânimos.
— Escuta aqui, seu vacilãozinho! Não pensa que pode zombar da gente e sair de boa, tá ligado? Nós somos o Bonde dos Marquês! — exclamou o delinquente, avançando.
Quando o soco veio, o jovem apenas ergueu a mão esquerda e o interceptou com facilidade, segurando o punho do agressor.
— E eu deveria conhecer lixos como vocês? — disse, apertando lentamente os dedos.
A pressão foi suficiente para fazer os ossos da mão do rapaz começarem a estalar. Em poucos segundos, ele já estava de joelhos, gemendo de dor.
Os outros, vendo o companheiro sucumbir diante daquele jovem de semblante irritantemente confiante, avançaram ao mesmo tempo.
O rapaz soltou o primeiro agressor e se preparou.
Seguiram-se socos, chutes e movimentos rápidos de ambos os lados. Porém, nenhum golpe parecia atingir o jovem. Ele desviava com facilidade e contra-atacava com precisão.
Não demorou muito, todos os marginais estavam caídos no chão. Todos, exceto um.
O último permanecia mais distante, segurando Aine junto a si. Durante toda a briga, ele apenas observara.
Seu semblante era mais maduro, sua postura mais autoritária, e as cicatrizes em seu rosto denunciavam diversas brigas passadas. Era evidente que se tratava do líder — e possivelmente o mais forte entre eles.
— Escuta, garota: se você fugir, eu te mato — ameaçou.
Então soltou Aine e caminhou em direção ao jovem.
Ela permaneceu parada, com os ombros encolhidos, olhando para o chão e tremendo. Pensava se deveria fugir ou não.
Se fugisse, talvez realmente corresse perigo. O rapaz já sabia várias coisas sobre ela, graças às perguntas que haviam feito — perguntas que ela mesma respondera, quando poderia simplesmente ter mentido.
Os sons de golpes e gritos de fúria ecoaram por alguns instantes.
Então, de repente, tudo ficou em silêncio.
Quando Aine ergueu os olhos, viu o líder caído de bruços no chão, inconsciente. Seus braços e uma das pernas estavam dobrados em posições anormais.
A brutalidade da cena a chocou. Mas logo sua atenção foi totalmente tomada pelo jovem — lindo e imponente — que jogava o cabelo para o lado como se aquilo não tivesse sido nada.
— Você está bem? — perguntou ele, ao aproximar-se com um delicado sorriso.
Aine apenas assentiu com a cabeça, totalmente corada, tendo esquecido por um momento como se falava.
E foi assim que o belo e valente Dracarys conheceu a tímida garota loira Aine.
Naquele mesmo dia, os dois acabaram passando a noite juntos. Deram uma longa volta pela cidade, conversaram bastante, jantaram e, por fim, foram até um quarto de hotel, onde a noite terminou de forma intensa.
Quando o dia amanheceu, no quarto ainda levemente escuro por causa das cortinas fechadas, Aine levantou-se da cama e começou a se mover em silêncio para não acordá-lo enquanto procurava suas roupas.
Sua camiseta estava sobre o criado-mudo.
Ela se aproximou cuidadosamente, mas, quando estava prestes a pegá-la, seu pulso foi segurado por Dracarys, que estava acordado, olhando para ela.
— Desculpe… eu preciso ir para a escola. Não queria te acordar — disse ela, com um sorriso meio sem graça.
Ele se levantou e se aproximou, colocando a mão sob o queixo da garota. Ergueu levemente seu rosto e aproximou os lábios dos dela, dando-lhe um pequeno beijo.
Aine ficou sem reação.
Ser tratada daquela forma por alguém tão bonito quanto Dracarys a deixava completamente perdida, sentindo um calor intenso dentro de si que a fazia desejá-lo ainda mais.
— Você pode me fazer um favor? — perguntou ele suavemente, encostando a testa na dela.
— S-sim! — respondeu ela, quase tropeçando nas próprias palavras.
— Lembra do garoto que conversamos… Saketsu Sura? Quero que você o vigie para mim.
— S-sim — respondeu novamente, sem sequer questionar o motivo.
Ela nem pensava muito sobre aquilo. Apenas queria fazê-lo feliz.
Queria retribuir por tê-la salvado daqueles delinquentes… e também continuar desfrutando do carinho dele, de sua presença, de seus beijos.
Assim, Aine passou a observar Saketsu Sura.
Durante o período na escola, ela o acompanhava discretamente. Sempre em algum canto distante, quase invisível, ninguém nunca havia percebido sua presença. Mas ela via tudo. Sabia de tudo, e mantinha um pequeno sorriso no rosto, consciente de que, enquanto cumprisse bem seu papel, poderia fazer Dracarys feliz.
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