Fantasma Sombrio Brasileira

Autor(a): Pedro D'Arck


Volume 1

Capítulo 17: Um novo inimigo

O rapaz de estilo peculiar continuava parado ali, os olhos fixos na direção onde Saketsu se escondia, enquanto os zumbis-sobrenaturais passavam por ambos os lados dele, simplesmente se retirando do local.

Ele não fazia nada além de sorrir, um sorriso torto, malicioso, quase entediado. Não era possível discernir o que queria, mas era evidente que se divertia ao ver Saketsu acuado como um rato encurralado.

— O que a gente faz, Ukyi? — sussurrou Saketsu, ainda tentando manter a discrição, embora soubesse que já era inútil.

— Vamos apenas ficar parados aqui.

— Quê?

A incredulidade tomou conta de Saketsu. Havia um possível inimigo lá fora, alguém que sabia exatamente onde estavam, e a decisão era… esperar? Ficar imóvel até que ele resolvesse agir?

— Se ele quisesse atacar, já teria feito.

— Mas…

— Eu consigo sentir a energia dele. Se você avançar, vais morrer.

Saketsu se calou. No fundo, sabia que o felino tinha razão — e era exatamente isso que tornava tudo mais difícil. Permanecer passivo diante do perigo feria cada instinto seu.

Quando ousou espiar novamente, o rapaz já não estava mais lá. Restava apenas o fluxo de zumbis-sobrenaturais se afastando, agora a uma distância considerável.

— Ele já fora — confirmou Ukyi.

Saketsu suspirou, alívio escapando-lhe pelos pulmões. Nada pior acontecera. Ainda assim, uma questão o acompanharia até o amanhecer: Quem era aquele cara?

────────⊹⊱💀⊰⊹────────

A manhã seguinte amanheceu fresca, comum demais para alguém que passara pela noite anterior.

Saketsu recuperara o próprio corpo no meio da madrugada, exatamente onde o deixara. Por sorte — ou ironia — estava completamente ileso.

Não dormira. Tomara café com Lana, relatando os acontecimentos, e depois seguiram juntos para a escola.

O cansaço cobrava. Assim que entrou na sala, caminhou direto até a carteira e praticamente se largou sobre ela, debruçado, disposto a apagar.

O sono já o envolvia quando um fragmento de conversa, vindo de algum ponto da sala, fez sua audição se aguçar automaticamente.

— As pessoas que entraram em coma? — perguntou uma das garotas.

— Sim. Está repercutindo bastante nesses últimos dias — respondeu a outra.

— Soube que algumas até acordaram… mas começaram a agir de forma estranha. Depois simplesmente sumiram.

— Não foram só as que acordaram. Outras que ainda estavam em coma também desapareceram do nada.

— Talvez tenham acordado e ninguém percebeu.

— Pode ser. Tem boato de que algumas foram capturadas… outras conseguiram fugir sem explicação… e algumas morreram depois de entrarem num estado de insanidade.

Ninguém ali fazia ideia do que realmente estava acontecendo. Mas Saketsu sabia.

Muitas daquelas pessoas haviam se tornado zumbis. E, para piorar, tinham encontrado o fim pelas próprias mãos dele — algo que, definitivamente, não era motivo de orgulho.

Tentou continuar ouvindo, mas foi interrompido.

— E aí, Saketsu — cumprimentou Tales, sentando-se ao lado, enquanto Enzo ocupou a carteira da frente.

— E aí… — respondeu sonolento, erguendo a cabeça com dificuldade.

— Pelo jeito sua noite foi maravilhosa, né? — insinuou Tales, balançando a cabeça discretamente na direção de Lana, que estava sentada alguns lugares à frente, apoiando o rosto na mão, os olhos fixos no caderno, exausta.

E não era para menos. Ficara acordada esperando ele chegar, e ainda ouvira tudo o que ele tinha para contar.

Saketsu tentou se endireitar, desconfortável.

— Não é o que você está pensando…

— Está na hora de mandar a real, Saketsu. — A voz de Tales perdeu o tom brincalhão.

O clima mudou.

Saketsu olhou para Enzo. A expressão dele estava mais séria que o comum.

— Lari contou o que aconteceu ontem — disse Enzo.

O sono evaporou.

— Contou?

Já podia imaginar sobre o quê.

Uma gota de suor escorreu ao lado de seu rosto enquanto seus olhos caíam sobre a própria mesa. Se eles tivessem descoberto… tudo poderia ruir.

— Ela falou de umas pessoas estranhas que apareceram depois que saiu com você do trabalho — continuou Enzo. — Disse que você desmaiou do nada… e que surgiu um clone seu na frente dela, segurando uma espada demoníaca. A mesma que usou para matar quem estava lá.

“Já era!”, pensou Saketsu.

— Claro que não acreditamos de primeira — disse Tales. — Até zoamos ela.

— Mas você anda estranho faz tempo — completou Enzo. — Então começou a fazer sentido.

Saketsu estava encurralado. Esconder não era mais uma opção.

Estava perplexo. Agora que eles sabiam, será que continuariam sendo amigos? Será que suas vidas continuariam as mesmas? Será que isso iria colocá-los em perigo? Eram diversos fatores que faziam Saketsu ficar receoso.

Olhou para as costas de Lana, suplicando silenciosamente por ajuda, mas parecia que ela não fazia ideia do que estava acontecendo logo atrás de si.

Bom, era inevitável, um dia eles teriam que saber, Saketsu sabia que não aguentaria esconder por muito mais tempo, as últimas semanas já foram completamente difíceis.

Decidido, ele inspirou, contudo antes que a primeira palavra saísse, uma voz ressoou pela sala:

— Atenção, por favor! O professor Jonas não estará presente nesta aula, então peço que vão para fora, iremos passar esta aula no pátio. Obrigada — anunciou Inácia em frente a turma.

Saketsu suspirou aliviado. Por sorte — ou talvez não — aquilo atrapalhou toda a pressão do foco que estava sobre si, no entanto sabia que era só um curto adiamento para voltar ao inevitável momento complicado.

────────⊹⊱💀⊰⊹────────

Um tempo se passou, e Saketsu, sentado defronte aos dois em uma mesa de canto no refeitório vazio, sentia-se como se estivesse em um interrogatório. Já havia contado tudo.

— Então você consegue sair do próprio corpo e, quando isso acontece, desperta poderes? — perguntou Tales, recapitulando com um quê de incredulidade.

— E, durante a noite, pessoas possuídas, chamadas de zumbis-sobrenaturais, aparecem para te matar por causa disso? — Enzo complementou, no mesmo tom.

— Esther era igual a você e, por isso, foi atacada. Lana e Iuri também estão envolvidos nesse lance sobrenatural… inclusive um espírito de gato negro que se transforma em espada e aparece para te ajudar a lutar…

— Você batalhou com Iuri, que também tinha poderes, e ele tentou te matar sob influência de um cara com máscara de caveira dourada…

— Um homem misterioso, metido a Exterminador do Futuro, apareceu, te sequestrou e te forçou a matar uma pessoa inocente que, de certa forma, já estava “morta”…

— É. — Saketsu confirmava tudo, olhando para os dois com uma expressão exausta.

— Isso é surreal. Se não fosse a Lari ter falado… e depois do que aconteceu com a Esther, eu diria que você estava vendo anime demais. — Tales estava genuinamente surpreso.

— Agora tudo faz sentido — concluiu Enzo.

Saketsu suspirou e apoiou o queixo sobre a mesa, sentindo-se consideravelmente mais leve.

Quem diria? Contar tudo não fora tão difícil quanto imaginara. Pelo contrário, fora quase libertador. Tales e Enzo reagiram de uma forma que ele não esperava, o que o fez pensar que deveria ter feito aquilo antes, evitando tanta aflição desnecessária.

— Queria que fosse eu. Imagina só… sair do corpo, usar chamas obscuras e lutar contra zumbis por aí — Tales se empolgava com a própria fantasia.

— Se desse, eu passava pra você. Eu queria mesmo era viver uma vida normal. Será que é pedir muito? — murmurou Saketsu, ainda debruçado sobre a mesa, olhos fechados, aproveitando o breve descanso.

Sem dúvida, era o dia mais exaustivo de sua vida.

Depois de terminar de falar tudo, apenas permaneceu ali, escutando os amigos comentarem. As vozes iam ficando gradualmente mais distantes, quase inaudíveis.

O repouso, porém, foi brutalmente interrompido quando uma enxurrada fria e pegajosa caiu sobre ele.

Saketsu se levantou de imediato. Estava encharcado de leite e outras coisas meladas.

— Mas que maldição… — irritou-se, tentando se limpar.

— Ei, seu idiota! — Tales bateu a mão na mesa ao se levantar, sendo contido pelo braço firme de Enzo.

— Ah, desculpem-me. Acabei tropeçando — disse um rapaz com sarcasmo evidente, segurando uma bandeja completamente na vertical.

— Não tem nada aqui para tropeçar. Pelo que eu vi, foi proposital — Enzo permaneceu calmo e sério, embora também estivesse um pouco sujo.

— Desculpe mesmo. Sou muito desastrado…

Saketsu congelou ao reparar melhor no rapaz. O longo cabelo preto, estiloso, preso em rabo de cavalo. Pele clara. Olhos cinzentos. Sem sombra de dúvida, era o mesmo de ontem — agora vestindo o uniforme da escola.

— Você! — exclamou Saketsu.

— Eu — confirmou o rapaz, com ironia.

— Quem é você? O que quer comigo?!

— Quem… sou… eu? — repetiu, teatralmente. — Bom, eu sou Dracarys. Um novo e simples aluno desta honorável escola pública. Prazer.

O jeito de Dracarys irritava naturalmente. E, por alguma razão, Saketsu sabia que ele não era apenas um aluno comum. Havia algo profundamente errado ali. Isso sem contar que fora ele quem estava no meio de dezenas de zumbis, menos de vinte e quatro horas atrás.

— Fala a verdade! O que você quer comigo?! — elevou o tom.

— Parece que alguém está estressado… Acho que você devia tirar as noites para dormir um pouco, sabe, é bom pra dar aquela acalmada — provocou.

Saketsu fez menção de avançar, mas foi interrompido por Enzo:

— Acalme-se. Não precisamos perder tempo com esse cara.

— É. Vamos sair daqui antes que eu me arrependa de não bater nele — completou Tales.

Tinham razão. Não havia motivo para perder tempo com alguém como Dracarys. O melhor era ignorar. Mesmo que fosse difícil.

Os três começaram a se afastar, tentando se limpar no caminho. Saketsu passou ao lado de Dracarys com expressão rígida. O outro permaneceu parado, sorrindo de maneira provocativa.

Alguns passos depois, ainda de costas, Dracarys falou:

— E então, Sakezinho… gostou do imenso encontro de ontem à noite? Hoje tem mais, viu?

As palavras foram suficientes para fazer Saketsu parar. Tales e Enzo pararam logo à frente.

— O que você quer de mim? Fala de uma vez — disse Saketsu, sério.

Dracarys virou parcialmente o rosto, os olhos brilhando com malícia.

— Eu já disse. Quero apenas brincar com você.

— Ah, seu lixo! — explodiu Tales.

— Você fica parado aí — ordenou Dracarys, balançando o dedo indicador. — Vocês são simples cascas humanas — olhou de Tales para Enzo — e, se eu quiser, acabo com os dois em um instante. Nem era pra vocês ainda estarem aqui. 

Tales ficou travado de frustração.

— Tales, Enzo… saiam daqui. Ele tem razão. Se quiser, ele acaba com vocês facilmente. Esse cara é o mesmo de ontem.

— Tá de brincadeira, Sake? Vai excluir a gente só porque vocês têm “poderes”? — indignou-se Tales.

Saketsu não respondeu. Apenas encarava Dracarys, que mantinha o sorriso leve e provocador.

Enzo pousou a mão no ombro de Tales. O olhar trocado foi suficiente. Lutando contra a própria vontade, começaram a se afastar, deixando apenas os dois ali, frente a frente.

Alguns segundos se passaram.

— Fala logo. O que você quer? — exigiu Saketsu.

— Você tem Alzheimer? Eu já disse: quero brincar com você.

— Eu vou acabar com você.

— Pode vir. Vamos ver do que você é capaz.

No limite da paciência, Saketsu cerrou os punhos e avançou. Tentou desferir um soco direto, mas, antes que pudesse tocar o alvo, um movimento rápido o surpreendeu.

Num piscar de olhos, a sola do sapato de Dracarys acertou seu rosto com brutalidade, lançando-o ao chão.

Dracarys abaixou o pé lentamente, mãos nos bolsos, como se nem precisasse usá-las.

Saketsu se levantou, limpando o sangue que escorria do nariz.

— Você realmente achou que conseguiria me enfrentar nessa forma? Eu? — zombou Dracarys. — Vamos lá. Eu deixo você entrar no seu modo glasbhuk. Assim talvez tenha a mínima chance.

De pé, Saketsu o encarava em silêncio, tomado por repulsa. Cada parte do seu corpo queria avançar e esmagar aquele sorriso debochado.

E se ele fosse o responsável por tudo? Pelas pessoas em coma? Por Iuri? Pela morte de Esther?

Se fosse… não haveria perdão. Jamais!

Saketsu avançou novamente, desferindo um gancho de esquerda. Dracarys desviou. Um lateral de direita — inútil. Tentou outro golpe, mas antes que pudesse acertar recebeu um soco seco na barriga.

A dor foi brutal. O ar fugiu de seus pulmões. Ele se curvou, cambaleando para trás, com a sensação de que os órgãos haviam sido esmagados.

— Desista, Sakezinho, isso está ficando feio pra você — caçoava. — Olha só para você, não serve nem para ter um cabelo decente, tá todo desfiado e torto. Foi você mesmo que cortou? Feio desse jeito, aposto que ainda é virgem.

Saketsu se afastou alguns passos, tentando se recompor.

Dracarys era forte. Forte demais, tinha que reconhecer. Se quisesse, ele já teria acabado com tudo.

Por que ele estava fazendo isso?

Por que perder tempo com alguém como Saketsu?

Tudo apontava para ele. Tudo indicava que Dracarys poderia ser o responsável por cada desgraça recente. Se fosse verdade, Saketsu o destruiria com tudo o que tivesse. Para proteger seus amigos. Para vingar Esther, Iuri e as pessoas inocentes que tiveram suas vidas drenadas e seus corpos roubados.

Isso fazia Saketsu sentir seu sangue começar a ferver por dentro, transformando toda frustração em ódio, raiva.

O sinal da escola começou a tocar.

Ding, ding, ding, ding — cantarolou Dracarys. — O sinal bateu, Sakezinho. Fim da primeira aula.

Saketsu permaneceu imóvel, carrancudo e em silêncio. Seu olhar estava fixo, mas parecia mergulhado em algo muito mais profundo do que o ambiente ao redor. Era como se tivesse se desconectado da realidade.

— O que foi? Te bati tão forte que te deixei abobado?

Uma aura negra começou a emergir de Saketsu.

Dracarys percebeu imediatamente. Sua postura mudou sutilmente. Um brilho de interesse atravessou seus olhos, como se estivesse esperando por aquilo. Retirou as mãos dos bolsos, entrelaçou os dedos e estalou-os, alongando os braços à frente, preparando-se para levar um pouco mais a sério, logo uma energia obscura também começando a emanar de si.

Os dois se encaravam, gerando uma tensão que parecia tornar o ar pesado demais para respirar. Estavam se preparando para uma batalha mortal.

— Ei! Ei! Vocês! — uma voz rasgou o clima como uma lâmina. — O que ainda estão fazendo aqui?! Não ouviram a porra do sinal, seus arrombados?! — Era Smoker, o inspetor.

Saketsu e Dracarys não reagiram. Era como se sequer o tivessem escutado. Permaneciam fixos um no outro, como duas feras disputando território.

Smoker não podia ver a energia que circulava entre eles, mas logo sentiu a tensão. Um arrepio involuntário percorreu sua espinha enquanto se aproximava.

Ele notou o sorriso egocêntrico de Dracarys e o olhar de Saketsu… vazio, ao mesmo tempo tomado por ódio.

— Ei, Saketsu, vamos… Ow…

Smoker segurou o ombro do garoto e o sacudiu levemente. Nada. O olhar de Saketsu estava estranho — o globo ocular parecia quase opaco, semi-transparente, como se estivesse em transe.

Mas, no fim, a impaciência de Smoker no fim falou mais alto. Ele se colocou à frente de Saketsu e o agarrou pela gola.

— Ei! Tá me escutando? É hora de voltar pra aula! — Sacudiu-o fortemente. 

Foi o bastante. O transe quebrou. A aura desapareceu instantaneamente, como se jamais tivesse existido.

— Hã... Foi mal, Smoker… — murmurou Saketsu, confuso, tentando entender o que havia acabado de acontecer.

Smoker estranhou aquela passividade repentina.

— Você tá todo sujo de leite. Vai se limpar. Depois, sala. Anda.

Empurrou-o de leve no ombro.

Saketsu começou a sair, mas antes de atravessar a porta, trocou um último olhar com Dracarys, que continuava com o mesmo sorriso cínico e calma perturbadora. Então foi embora.

— Você também. Vamos! A aula já começou, seu delinquente! — apressou Smoker.

— Está bem. E desculpe-me… aquele garoto começou a arrumar encrenca comigo. Não tive escolha além de revidar — disse Dracarys, caminhando até a saída.

Smoker ficou parado na porta, vendo-o sair.

— Eu sei que Saketsu não fez nada. Ele pode ser idiota às vezes, mas não é de provocar ninguém.

Dracarys parou, sem se virar.

— Está dizendo, então, que estou mentindo?

— Estou dizendo que não gostei de você. Conheço o seu tipo. Estou só esperando você cruzar meu caminho pra eu ter motivo pra acabar com você.

Dracarys virou parcialmente o rosto, avaliando Smoker de cima a baixo.

— Como se você fosse capaz… — desdenhou.

E saiu, seguindo seu rumo.

────────⊹⊱💀⊰⊹────────

Na segunda aula, a sala já estava cheia. A maioria conversava enquanto o professor não chegava. Entre os poucos que permaneciam em seus lugares estavam Tales e Saketsu, que havia passado antes no banheiro para limpar a roupa e estancar o sangue do nariz, ainda sensível por causa da pisada.

Tales perguntou o que acontecera depois que saíram do refeitório. Enzo, sentado à frente, também queria saber.

Saketsu contou tudo. Inclusive que, por pouco, não houve uma luta séria. Se Smoker não tivesse aparecido, aquilo poderia ter virado uma arena capaz de destruir a escola inteira.

No fim, continuava sem respostas. Sabia apenas que aquele cara se chama Dracarys e tinha a suspeita de que ele fosse um glasbhuk.

Dez minutos após o início da aula, o professor Noah Azrael finalmente chegou.

— Bom-dia, alunos. Desculpem a demora, estava resolvendo algumas pendências. — Entrou com sua presença dinâmica habitual, indo até sua mesa.

Atrás dele vinha alguém que fez Saketsu, Tales e Enzo congelarem.

— Antes de começarmos, quero apresentar o novo colega de classe de vocês.

O aluno deu um passo à frente.

— Olá, pessoal. Meu nome é Dracarys. Espero que nos demos bem. — Ele sorria simpaticamente, de forma que quem não o conhecesse o compraria.

A turma o recebeu com entusiasmo. Algumas garotas deram risadinhas animadas, cochichando entre si. Saketsu ouviu claramente uma delas comentar o quão bonito ele era.

Dracarys caminhou até o fundo da sala, sentando-se na mesma linha de Saketsu e Tales, porém algumas carteiras distante.

Inácia levantou-se para ir cumprimentá-lo formalmente, sem imaginar quem ele realmente era. Enzo sequer tivera tempo de avisá-la.

Poucas garotas pareceram indiferentes com relação a Dracarys, e Saketsu sentiu um alívio discreto ao perceber que Lana era uma delas.

Antes de se acomodar, Dracarys fingiu notar Saketsu e acenou como se fossem velhos amigos.

Saketsu apenas fechou a expressão.

Por incrível que pareça, o restante do dia transcorreu de maneira relativamente normal. Dracarys não demonstrou nenhuma hostilidade aberta. Conversava com todos, especialmente com as garotas — que ficaram ainda mais encantadas quando descobriram que ele vinha de família rica.

Segundo ele, havia se mudado de outro estado por causa do trabalho dos pais.

Mentira.

Saketsu sentiu a insinuação por trás da história. Era como se estivesse anunciando presença. Como se estivesse dizendo: “Vou ficar para fazer algo ruim.”

Se estivesse certo, não podia baixar a guarda.

Era sufocante ter uma ameaça tão próxima e não poder fazer nada.

Como se Dalton e o resto já não fossem suficientes.

────────⊹⊱💀⊰⊹────────

A luz alaranjada do pôr-do-sol atravessava as janelas da sala vazia.

Todos os alunos já haviam ido embora, exceto dois, que estavam no fundo da sala, entre as últimas carteiras: Dracarys e uma garota loira.

Beijavam-se intensamente, entre respirações aceleradas e mãos inquietas.

— Isso é… pelo seu bom trabalho, Aine… — murmurou ele, entre um beijo e outro.

— Dracarys… — respondeu ela, ofegante, o rosto completamente corado. Seus movimentos denunciavam um desejo descontrolado, quase desesperado.

Eles se afastaram por um breve momento para recuperar o fôlego.

Dracarys a observou.

— Você me faria outro favor?

— Qualquer coisa… Senhor Dracarys…

Ele inclinou levemente a cabeça.

— Até mesmo matar alguém?

Aine hesitou por um segundo, mas respondeu:

— Por você… sim.

O sorriso afável dele desapareceu, no lugar surgindo algo frio, malicioso.

— Excelente.

Ele aproximou o rosto do dela.

— Então, quero que mate Saketsu Sura por mim.

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