Volume 3

Interlúdio 3: A viagem de carro para casa

No caminho para casa depois da nossa viagem, eu estava repassando todas as lembranças divertidas que tínhamos criado juntos enquanto olhava para o Yoshin, que estava sentado ao meu lado. Ele estava cochilando e, ao vê-lo, tive que reprimir um bocejo. 

Não era tédio nem nada parecido. Eu apenas me sentia relaxada com a ideia de voltar para casa depois de uma viagem tão cheia de acontecimentos. Acho que todo o cansaço estava batendo de uma vez. Era difícil acreditar que eu estivesse com sono depois de todas as horas que já havia dormido. 

Nos assentos da frente, mamãe e papai compartilhavam suas impressões sobre o passeio do dia e começavam a planejar nosso acampamento de verão. Na verdade, eu não gostava de ir acampar, mas se fosse ser como esta viagem, então talvez eu não me importasse nem um pouco em ir. 

Que estranho, não é?

Me perguntei se minha mudança de opinião tinha algo a ver com o fato de o Yoshin estar ali comigo. A Saya não estava no carro conosco desta vez. Ela estava voltando com os pais do Yoshin.

Era impressão minha ou a Saya estava ainda mais próxima da Shinobu-san do que eu? Minha irmã estar tão apegada à mãe do meu namorado... Isso sim era bizarro.

A própria Shinobu-san parecia ter tomado tanto carinho pela Saya.

Na verdade, e se ela gostasse mais da Saya do que de mim?

Comecei a me sentir um pouco ameaçada. Mas acho que era apenas a Saya, então não ia acontecer nada de estranho. 

Busquei lentamente a mão do Yoshin. Ele se mexeu ligeiramente e soltou um gemido suave. Quando toquei a mão dele algumas vezes por diversão, o corpo dele estremecia a cada toque.

Isso é divertido... Não, espera. Não é momento para isso. 

— Ei, mamãe, você tem uma manta ou algo assim? O Yoshin parece estar com sono. 

Falei o mais baixo que pude, para não acordá-lo. Mamãe me deu imediatamente uma manta. Eu não tinha certeza se ela teria uma, então fiquei feliz por ter perguntado. 

— Por que você não se aninha com ele em vez de dar uma manta? Os dois ficariam bem quentinhos. — disse mamãe 

— Eu não faria isso! — gritei, arrebatando a manta da mão dela. Suponho que eu até poderia ter feito, mas me sentiria mal se o tivesse acordado. Quando cobri o Yoshin com a manta, ele se mexeu ligeiramente, mas seus olhos permaneceram fechados. 

Foi então que fui tomada pelo desejo de fazer uma pequena travessura. Acariciei a ponta do nariz dele como se quisesse fazer cócegas, ao que o Yoshin gemeu e sacudiu levemente a cabeça.

Sim, isso é divertido... Não, espera! O que estou fazendo?

Olhando para o rosto dele, lembrei-me do dia em que havia confessado meus sentimentos. Tudo tinha começado naquele dia. Hoje completavam-se três semanas. Com o nosso terceiro encontro terminado, restava-nos apenas mais uma semana. Isso significava que só tínhamos mais dois encontros, no máximo. O próximo fim de semana seria o último desafio, seria um fim de semana de vida ou morte. 

Eu queria que o nosso último encontro, ao contrário do mais recente, fosse apenas nós dois. Tinha que me preparar mental e emocionalmente. Não que o nosso passeio de hoje não tivesse sido divertido, mas pareceu mais uma viagem em família do que um encontro de verdade. Eu nunca esperaria que fôssemos todos juntos a uma fonte termal. 

Quando tirei um momento para contar à Hatsumi e à Ayumi tudo o que tinha acontecido, elas ficaram super surpresas. Quer dizer, claro que ficariam. Me perguntaram como as coisas tinham acabado assim, e eu não tive uma boa resposta para dar, já que tinha sido ideia da Shinobu-san e tudo mais. 

Era realmente uma surpresa que o Yoshin e eu tivéssemos dormido juntos, mas não tive coragem de compartilhar isso com as duas. Não queria nem imaginar o que me diriam se eu fizesse isso. Minha mãe não tinha contado para elas, tinha? Esperava que não. 

Justo então, ouvi o Yoshin se mexer ao meu lado. Olhei para ele e vi que abria os olhos lentamente. Sem dizer nada, continuei observando-o, sem apressá-lo nem dizer para voltar a dormir. 

— Desculpe, Nanami-san. Eu estava dormindo? — murmurou ele. 

— Oi. Só por um pouquinho. Você deve estar muito cansado. 

— Acho que não estou acostumado a viagens longas de carro. — respondeu ele, bocejando — Desculpe. Você deve ter ficado entediada. 

— Eu estava vendo você dormir, então não fiquei nem um pouco entediada. 

Ele desviou o olhar de mim, como se tentasse esconder a vergonha. Sua reação foi tão adorável que não pude evitar rir, o que o fez corar ligeiramente. 

Nesse momento, ouvimos mamãe nos chamando do assento dianteiro: 

— Sinto interrompê-los enquanto curtem o momento, mas já estamos quase lá. 

Yoshin voltou-se para ela, mas, por não estar totalmente acordado, pareceu surpreso ao vê-la. 

Mamãe disse que estávamos "quase lá", mas onde era "lá" exatamente?

Eu não reconhecia os arredores, então tinha certeza de que não estávamos perto de casa. Yoshin olhou pela janela do carro, tão confuso quanto eu. 

— Vamos passar um tempo na casa do Yoshin-kun. Eu disse aos pais dele que causaríamos muitos problemas, mas como a Saya está voltando no carro da Shinobu-san, decidi aceitar a oferta. — explicou mamãe. 

Ah, vamos para a casa do Yoshin. Eu não esperava por isso, já que sempre acabávamos indo para a minha casa. Yoshin parecia igualmente surpreso, mas assentiu ao ouvir a explicação da minha mãe. 

Fazia muito tempo que eu não ia à casa do Yoshin. A última vez deve ter sido quando me convidei para jantar depois do nosso primeiro encontro. Realmente, sempre passávamos o tempo na minha casa, né? 

Será que vou acabar indo para o quarto do Yoshin quando chegarmos?, perguntei-me. Não que fôssemos fazer nada estranho, já que todos os outros também estarão lá. Nunca estive no quarto dele, então não consigo evitar a curiosidade. Céus, para quem são essas desculpas? Eu estava me alterando sozinha. 

Yoshin estava fazendo algo no telefone enquanto se sentava ao meu lado, mas eu estava absorta demais em meus delírios para notar naquele momento. No entanto, de repente, ele pareceu tomar uma decisão. Enquanto eu estava ali sentada, muito nervosa, ele tocou minha mão e sussurrou: 

— Nanami-san, tenho algo importante que quero falar com você. Acha que poderia vir ao meu quarto? 

— Hein? Ah, er... claro. 

O quarto dele?! Como assim vamos ficar sozinhos no quarto dele?

Quando fiz essa pergunta com o olhar, ele assentiu em silêncio. Como ele estava com uma expressão tão séria, assenti por reflexo. O toque dele parecia arder e meu coração batia com força enquanto a ansiedade fervilhava dentro de mim. 

Sobre o que ele queria falar?

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