Volume 3

Interlúdio 2: Sua preocupante reação

Recém-saída das termas, agora eu conversava com o Yoshin, iluminado pela luz que entrava pela janela. Meus olhos estavam completamente fixos nele. 

Falamos de todas as coisas que tínhamos aproveitado em nosso encontro daquele dia. Falamos sobre os banhos. Falamos sobre o que faríamos amanhã. Falamos de todo tipo de coisas triviais, mas cada uma parecia importante. Quando eu estava com ele, sempre me divertia muito, não importava quando ou onde estivéssemos juntos. Isso me deixava mais feliz do que qualquer outra coisa. 

Mas este nosso "encontro" realmente tinha me pego de surpresa. O fato de ser uma ideia encantadora e o fato de ter me surpreendido eram duas coisas completamente diferentes. Quero dizer, Shinobu-san, a mãe do Yoshin, tinha sido quem nos propôs esta viagem. Eu pensaria que viajar com os pais do meu namorado me deixaria mais nervosa, mas, na verdade, eu não estava nem um pouco. 

Tinha me sentido um pouco deprimida durante o trajeto, mas, graças ao Yoshin, consegui superar essa sensação bem rápido. É claro que a culpa era minha. E, assim que a viagem terminasse, teríamos uma última semana juntos. O tempo passa muito depressa. 

— Será que estou fazendo o suficiente para que esta semana não seja a última? — perguntei-me, observando o perfil do rosto do Yoshin enquanto apoiava o queixo na mão — No que ele estará pensando? Será que está se divertindo comigo ou, na verdade, quer voltar a jogar seus games?.

Pensamento após pensamento cruzavam minha mente. Parece que o Yoshin me pegou olhando, porque ele se levantou da cadeira. 

— Está com sede, Nanami-san? Estou pensando em pegar algo para beber. Você quer alguma coisa?

Eu tinha acabado de terminar meu leite, mas ainda estava com um pouco de sede. Ele era sempre tão atencioso. 

— Oh, um chá oolong seria ótimo. Se não tiverem, qualquer tipo de chá serve.

— Entendido. Então, talvez eu pegue um refrigerante.

— Soda também parece bom. Quer trocar goles?

Apesar do meu comentário paquerador, senti minhas bochechas esquentarem ao lembrar do beijo indireto de antes. Parecia que o mesmo pensamento tinha surgido na mente do Yoshin. 

Um dos muitos encantos do Yoshin era que ele ficava vermelho quando eu dizia coisas assim. É claro que eu tinha que reprimir minha própria vergonha ao mesmo tempo. Às vezes, ele até me respondia à altura, mas isso também era divertido do seu jeito. Eu realmente estava metida em um belo problema. 

Não faz muito tempo, Hatsumi e Ayumi me perguntaram se eu tinha tendências ligeiramente masoquistas, mas não era nada disso. Eu simplesmente gostava muito das nossas interações. Não era masoquista nem nada do tipo. 

Ah, mas ter o Yoshin sendo um pouco enérgico comigo... Não, no que eu estou pensando?!

Senti meu rosto arder e me perguntei se o Yoshin teria percebido, mas ele já tinha se afastado de mim. Olhando para ele de costas enquanto ia comprar as bebidas, lembrei-me do que ele disse antes. 

— Ah, entendo.

Era um comentário simples, mas assim que o ouvi, senti meu coração parar. Eu tinha dito antes da viagem que ver um lado diferente dele era revigorante, mas não consegui me sentir assim desta vez. O que ele disse e como disse não teve nada de revigorante. 

Nunca tinha ouvido a voz dele tão fria, tão sombria, tão grave, como se viesse do fundo do oceano. Sabia que só estávamos saindo há umas três semanas, mas suas palavras careceram do calor habitual. Quase parecia triste. 

Quando lembrei do comentário, senti um calafrio e uma dor, como se alguém tivesse colocado gelo no meu peito. Era a única maneira de explicar o que sentia. 

Imediatamente depois, porém, o Yoshin se desculpou comigo e voltou ao normal. Agora, inclusive, não havia nem sombra da frieza que ele exalara. De qualquer forma, senti que deveria ter sido eu a pedir desculpas. O que eu disse deve ter tocado em uma parte dele que ele não queria que ninguém tocasse. 

Eu não sabia o que era aquela parte dele... Na verdade, eu sabia um pouco desde que estivemos conversando sobre ele na escola primária. Me senti muito mal por ter descoberto sem pedir permissão, então acabei contando o que tinha ouvido. Provavelmente não deveria ter feito isso. Foi um deslize, mas agora eu tinha algo com que me preocupar. 

— Eu me pergunto o que terá acontecido — disse em voz alta. 

Yoshin não falava do seu passado. Não parecia que ele não quisesse falar sobre isso. Na verdade, era mais como se ele nem sequer se lembrasse. A situação me lembrava de- 

— Hyaa! — gritei. 

No momento em que minha mente estava prestes a processar o pensamento, algo gelado pressionou meu pescoço. 

— Whoa, isso me assustou.

O que foi isso?

Quando me virei, vi Yoshin atrás de mim com duas garrafas de plástico nas mãos. Ele parecia tão surpreso quanto eu. Eu estava totalmente concentrada em meus pensamentos, por isso meu grito saiu tão estranho! Arrumando o yukata, olhei para Yoshin e o encarei com o olhar semicerrado. 

— Acho que é minha vingança por antes — murmurou ele em tom de desculpa, coçando a bochecha timidamente.

Ele tinha razão: eu tinha feito o mesmo com as garrafas de leite. Que frustração. Todos os meus pensamentos tinham sumido da cabeça. No entanto, Yoshin sentou-se ao meu lado e me entregou a garrafa de chá. 

Quando ele abriu sua própria garrafa, a tampa fez um leve estalo. Se eu pedisse um gole agora, seria apenas uma repetição do que eu tinha feito há pouco. 

Enquanto o observava, com a bochecha apoiada no punho, Yoshin deixou sua bebida em uma mesa próxima e esticou os braços acima da cabeça. O yukata dele se abriu ligeiramente, deixando seu peito à mostra. 

Hein? O que estou fazendo?

Surpresa comigo mesma, me assustei e rapidamente voltei a olhar para o rosto dele. Quando nossos olhos se encontraram, ele sorriu. Sentindo-me culpada pelos meus pensamentos inapropriados, corei de vergonha. Sério, o que eu estou fazendo? 

Agora começava a me perguntar se era assim que se sentiam os garotos que olhavam para o meu decote. Agora eu conseguia entender o conceito de que o olhar humano é atraído por qualquer coisa que se mova. Sim, agora percebi que ninguém conseguia deixar de olhar quando alguém estava vestido assim. 

Deveria ter mais cuidado com essas coisas, pensei. Talvez devesse começar a me cobrir um pouco mais na escola. Não posso sair criticando os outros quando ajo assim. Mas eu gosto de como é meu uniforme agora, é tão fofo! Ah, que bagunça. Talvez eu devesse perguntar o que o Yoshin prefere e depois decidir. 

Lembrando de como eu usava meu uniforme, decidi perguntar ao Yoshin... e de repente congelei. Minha atenção foi capturada por um grupo de pessoas que me parecia familiar. Realmente, o fato de não os ter visto antes era um mistério. Devia ser porque eu só estava olhando para o Yoshin. Não tinha dúvidas de que ele não era mais observador do que eu, e provavelmente por isso nenhum de nós tinha percebido. 

Yoshin pareceu detectar algo na minha expressão, ou talvez sentiu curiosidade pelo que eu estava olhando. Ele se virou lentamente, apenas para ficar paralisado como eu. 

— Por que eles estão aqui? — perguntou Yoshin em voz baixa e trêmula, quase como um gemido.

Embora sua voz estivesse baixa, não tinha a mesma sensação de medo de antes. Ao ouvir isso, sorri com alívio. Quando os membros do grupo perceberam que os tínhamos notado, acenaram e sorriram para nós. Seus sorrisos de orelha a orelha contrastavam com os nossos. Sim, provavelmente não era preciso dizer quem eram: eram nossos pais. 

Eles não estavam bebendo no próprio quarto?

Não eram apenas nossos pais, até a Saya estava lá.

Por que esse sorriso gigante, Saya? Você não estava dormindo?  Será que a Saya contou aos nossos pais que eu e o Yoshin tínhamos dado uma escapada?

Suspirei profundamente diante dessa possibilidade. 

Como a confusão já estava armada, minha mãe e todos os outros vieram se juntar a nós. Todos, exceto a Saya, estavam com o rosto bem corado, então provavelmente tinham bebido bastante. Pareciam mais animados do que o normal, o que me fez perceber imediatamente que dariam mais trabalho do que valiam. 

— Será que vamos ter que lidar com um bando de bêbados agora?

Yoshin começou a rir. Eu disse algo engraçado? Sentindo meu olhar, Yoshin se desculpou.

— Bem, comparado a quando você estava bêbada, isso não pode ser tão ruim. 

Não é horrível dizer uma coisa dessas?! Quero dizer, é verdade que eu não tenho lembrança nenhuma de como eu estava, mas mesmo assim! Eu era tão problemática assim? Eu era realmente um estorvo? 

Fiquei aliviada por ver o Yoshin voltando ao normal, mas também fiquei um pouco irritada. Acabei sem saber o que responder e, em vez disso, comecei a dar soquinhos nele com os dois punhos. Pude ver como todos riam de nós enquanto se aproximavam. 

Yoshin, enquanto apanhava, continuava se desculpando com um sorriso no rosto.

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