Volume 3

Epílogo: O aniversário que se aproxima

Nós dois fomos de mãos dadas a caminho de casa. Com nossos dedos entrelaçados, nossas palmas se tocando e nossos corpos o mais perto possível. Meio que para compensar o que aconteceu esta manhã, eu tentava sentir o calor dele o máximo que podia. No entanto, o Yoshin não parecia perceber que eu estava fazendo isso. 

Voltar para casa com o Yoshin era algo tão simples e, no entanto, percebi o quanto era valioso para mim. Eu me senti tão sozinha naquela manhã. Me perguntei como ele se sentiu. Ele também sentiu minha falta? 

Se fosse assim, eu me sentia realmente mal pelo que tinha feito a ele. Quis perguntar como ele se sentia, mas quando o olhei de soslaio, vi que sua expressão era de exaustão absoluta. Bem, muitas coisas haviam acontecido naquele dia, embora tudo tivesse sido culpa minha. 

— Desta vez eu me superei. Como vou aparecer na escola amanhã? — ele lamentava. 

— Sinto muito. Foi tudo culpa minha — murmurei. 

— Ah, vamos lá, Nanami. Não é culpa sua. 

Meu coração deu um pulo quando ele me chamou assim e, antes que eu percebesse, já estava sorrindo. Ao mesmo tempo, olhei para o rosto do Yoshin, preocupada se ele estaria se forçando a me chamar assim, mas não dava para saber olhando para aquela cara de exaustão. 

— Bem, só vou agradecer por nem todo mundo estar na sala naquele momento — disse Yoshin, rindo mansamente. 

O que eu devo fazer? Eu conto para ele?

Na verdade, a última vez que verifiquei, o chat do grupo da classe tinha explodido. Eu tinha certeza de que todo mundo já sabia o que tinha acontecido. 

Quando ele chegasse à escola amanhã, provavelmente ficaria sabendo, querendo ou não. Ainda assim, perguntei-me se não deveria ficar calada pelo menos até lá. Mas, se eu fizesse isso, talvez o Yoshin não conseguisse se preparar emocionalmente. 

O que eu devo fazer? 

— O que foi, Nanami? 

Droga, eu estava ao lado dele com tanta hesitação que ele pensou que algo estava errado. Eu já tinha sido muito evasiva naquele dia, então me senti desconfortável dizendo que não era nada. 

— Tenho algo a relatar — disse finalmente. 

— Hein? Relato? De onde vem essa vibração estranha? — perguntou ele. 

Tirei meu telefone e mostrei a ele. Yoshin franziu a testa e aproximou o rosto da tela. Ao vê-la de perto, abriu tanto a boca que pensei que seu queixo fosse cair. Parecia incapaz de falar, limitando-se a apontar para a tela, abrindo e fechando a boca como um peixe. 

— Uau. 

O som que ele fez foi mal um gemido. Talvez eu não devesse ter mostrado, afinal. 

— Você vai entrar no chat do grupo, Yoshin? — perguntei. 

— Acho que entrar no grupo nestas circunstâncias seria uma má ideia. Seria como uma tortura. 

Ok, isso foi um fracasso na tentativa de mudar de assunto.

O chat do grupo realmente consistia apenas naqueles que tinham vontade de participar. Os que estavam em grupos de amigos menores tendiam a criar seus próprios chats. Ainda assim, era difícil acreditar que nos tornaríamos o assunto da classe. 

Era o que eu pensava, mas Yoshin viu as mensagens e sorriu aliviado. Hein? O que é isso? 

— Pensei nisso antes, mas acho que estava me preocupando à toa. Na verdade, todos estavam preocupados com a gente. 

Era verdade que a maioria das mensagens era sobre eu e o Yoshin nos reconciliando. Isso era o que tinha virado tudo de cabeça para baixo. Havia inclusive uma foto em que eu e o Yoshin nos abraçávamos. Eu teria que salvar a foto primeiro e reclamar depois. 

— O que você quer dizer com estar se preocupando à toa? É por causa da história que você mencionou antes? — perguntei a ele. 

— Sim. Na verdade, talvez possamos conversar sobre isso no caminho. 

Enquanto voltávamos para minha casa, o Yoshin me contou tudo o que havia acontecido. O que ele viveu quando criança, por que não conseguia me chamar pelo nome, por que as costas dele doíam... Caminhei em silêncio e ouvi sua história. Ele falava com calma, mas pela sua expressão percebi que se sentia, ao mesmo tempo, confortado e um pouco solitário. 

— Sou patético, né? — murmurou. 

— De jeito nenhum — eu disse, refutando imediatamente a afirmação dele. 

Entendo….

O Yoshin passou por um evento traumático no passado e foi capaz de superá-lo. Acho que somos parecidos, afinal. Talvez eu tenha me sentido atraída por ele porque percebi isso inconscientemente, embora talvez seja interpretar demais. 

Apertei um pouco a mão dele. Ele retribuiu o aperto. Esse simples gesto me deixou muito feliz, mas também me deixou um pouco preocupada. 

— Estou muito feliz e tudo mais, mas tem certeza de que não está se forçando a me chamar pelo nome? — perguntei. 

— Estou totalmente bem. Não foi grande coisa depois que finalmente falei. Dito isso, não acho que farei o mesmo com outras pessoas — respondeu Yoshin, sorrindo para mim. 

Senti-me aliviada ao ouvir isso, mas também senti que ele tinha perdido a oportunidade de agir da mesma forma com os outros. Afinal, agora havia um clima muito mais amigável entre todos nós, então por que ele não passaria a se dirigir aos outros de forma mais informal também? 

— Eu... — comecei. 

— Além disso, quero guardar isso só para você — disse ele. 

Sua resposta inesperada me pegou totalmente desprevenida. Bem, eu senti como se fosse uma resposta direta, mas provavelmente o Yoshin não quis dizer "daquele jeito". Tínhamos falado um por cima do outro, então ele não tinha ouvido o que eu estava prestes a dizer. Sim, ele não quis dizer nada demais com isso. Não quis dizer nada, mas... 

— Heh-heh-heh... 

Eu sabia que minha risada soava um pouco assustadora, mas não conseguia me conter. Se alguém me apontasse que eu estava sendo oportunista demais, eu não poderia discutir. Ainda assim, não pude conter meu sentimento avassalador de alegria por ele ter decidido me chamar pelo nome. Só de pensar que ele fazia isso especialmente por mim, eu me sentia superfeliz. 

— N-Nanami? 

Quando ouvi a voz do Yoshin, finalmente voltei à realidade, percebendo o quão assustado ele parecia. Tosse uma vez para limpar a garganta, endireitei minha postura e me virei para ele para dizer.

— Ehehe... 

Droga, eu não conseguia parar de sorrir. Outra expressão de vertigem, meio assustadora, começava a se desenhar no meu rosto. 

Yoshin pareceu um pouco desconcertado a princípio, mas depois suspirou e me ofereceu um sorriso irônico. Sorrimos um para o outro e caímos na risada. Fiquei feliz por podermos rir juntos. Fui invadida por um misto de alívio e felicidade. Sentindo-me sentimental, decidi que queria capturar essa sensação de algum modo, e tive uma ideia. 

— Ei, Yoshin, que tal se fôssemos a um fliperama? 

— Um fliperama? Você também frequenta esses lugares? Tem algum jogo que você queira jogar? — perguntou ele. 

— Não, não. Só pensei que seria legal tirar umas fotos naquelas cabines de purikura. Sabe, como uma forma de comemorar o dia de hoje. O que você acha? 

Parecia que eu e o Yoshin tínhamos ideias muito diferentes do que se podia fazer em um fliperama. Ele pensava em jogos, e eu, em fotos. Às vezes eu também jogava nas máquinas de garra, mas nada além disso. 

Ele pensou por um momento e depois aceitou a ideia, embora um pouco hesitante. Ficou corado, como se estivesse com vergonha. O que havia de errado com ele? 

— Eu nunca estive em uma cabine de fotos dessas — ele me disse. 

Não pude evitar que a vergonha dele me parecesse adorável... embora eu ache que não se deva chamar homens de "adoráveis". Engoli meu comentário e, em vez disso, tive uma resposta diferente. 

— Nesse caso, vamos fazer com que hoje seja a sua primeira vez! Eu vou ser a sua primeira! 

— Nanami-san?! Você não acha que isso soou meio ambíguo?! 

Nossa, ele tinha voltado a me chamar de "Nanami-san". Pelo visto, o sufixo escapou por causa do choque. Eu estava feliz por podermos compartilhar mais "primeiras vezes" juntos. Por que ele estava em tanto pânico? 

Nossa primeira vez juntos... Espera. Hein? 

— Oh! — exclamei, percebendo finalmente o que eu tinha dito

Não, não, não era isso que eu queria dizer. Eu não quis dizer aquilo de jeito nenhum! 

Quando viu o quão vermelha eu estava ficando, Yoshin caiu na risada. 

— Puxa... Yoshin, seu idiota. 

— Espera, você que provocou isso. Como pode ser culpa minha? 

Balancei com mais força nossas mãos entrelaçadas, tentando esconder o quanto estava envergonhada. Eu sabia que ele não tinha feito nada de errado, mas não pude evitar deixar escapar meu descontentamento. Enquanto eu levava vários momentos de silêncio para esfriar o rosto, ele teve a gentileza de me observar sem dizer nada. 

— Falando em aniversários... — murmurou ele, assim que eu me acalmei um pouco.

Parecia estar olhando diretamente para mim, mas ao mesmo tempo fitava o horizonte. Talvez estivesse nervoso, porque pronunciava as palavras de forma pausada, tropeçando em cada sílaba. Esperei que continuasse. Então, um pouco envergonhado, um pouco hesitante, ele disse:

— Na semana que vem completamos um mês, né? 

Nosso primeiro aniversário. O evento deveria ser um marco para celebrarmos juntos. Para mim, no entanto, a frase indicava um limite de tempo. Sim, eu estava me divertindo tanto que tinha esquecido completamente, mas a semana que vinha marcava um mês desde que eu tinha me confessado para o Yoshin e tínhamos começado a namorar. 

— Você se lembrou… — respondi. 

— Sim. Quero dizer, é um dia importante. Seria legal fazer o nosso encontro antes disso ser algo especial, não acha? 

Com uma expressão de preocupação, Yoshin murmurou algo sobre o quão especial tinha sido nossa última viagem. Parecia estar pensando no que fazer no nosso próximo encontro. Eu, por minha vez, sentia-me feliz por ele ter se lembrado e nervosa por saber que a data estava logo ali na esquina. 

Naquele dia, eu diria a ele outra vez.

O que ele faria então?

Quando chegasse o momento, eu teria que ser corajosa, assim como ele havia sido antes. Lenta mas de forma implacável, o nosso dia fatídico se aproximava, mas independente do resultado, eu não me arrependeria de nada.

Era isso o que eu dizia a mim mesma enquanto segurava sua mão com força e mostrava a ele o sorriso mais radiante que eu era capaz de esboçar.

Apoie a Novel Mania

Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.

Novas traduções

Novels originais

Experiência sem anúncios

Doar agora