Volume 1
Capítulo XVI: Soa-me bem o nome deste lugar. (Parte II)
Continuando…
Sofia Luger Takaeda, 25 de Janeiro do ano de Nosso Senhor de 2041, 7º dia. Não tenho o que colocar de diferente no relato deste dia, cumprimos nossas obrigações diárias e como esperávamos avançamos em um tacha menor subindo o rio e contando com o que percorremos ontem nós navegamos desde que começamos retornar pelo menos uns 120 km.
Sofia Luger Takaeda, 26 de Janeiro do ano de Nosso Senhor de 2041, 8ª dia. Estávamos entediados então decidimos brincar um pouco, perguntei a Gilda que andava meio sumida na missão (ela não desgrudava da belonave sempre verificando eventuais avarias e reparando) quantas munições tinham. Ela respondeu que tínhamos naquela missão 20 de 220 mm do tipo explosiva, 30 a menos do que seria usual, mas devido a nossa missão os 20 cartuchos foram o máximo que poderíamos levar e precisar.
E realmente não precisamos utilizar o canhão. Já estávamos há pouco mais de 300 km de casa quando dei uma ideia e enquanto isso nosso barco avançava devagar a menos de 15 km/h.
Qual seria o problema não é? Gilda concordou então paramos o barco e resolvemos mirar o canhão em um alvo imaginário no horizonte, sorteamos quem deveria disparar e a sorte caiu em Lúcio que entrou na torre de tiro. O resto da tripulação e até o professor que estava no convés inferior analisando uns dados, ficaram no convés superior para assistir o disparo.
—Fogo!!!!!!! Gritou Emivaldo, até parecia uma criança que tinha visto pela primeira vez uma arma que só conhecia através de filmes e jogos, se sim o que fazia ele no exército?
—“Shooo bomm”!!!!! Então fez este estrondo acompanhado com um assobio enquanto como um vulto o projétil cruzava em direção ao horizonte e todos comemoravam. Um tilintar como se uma moeda gigante tivesse caído era ouvido enquanto o cartucho vazio era descartado mais um “ploc” foi feito quando o mesmo cartucho caiu na água. Por fim uns “clec clec” enquanto o mecanismo de recarregamento automático fazia seu trabalho.
—Querem disparar mais uma vez? Gilda perguntando enquanto Lúcio tinha saído da torre ele, Daniel e Emivaldo... nossa aqueles olhos brilhantes, é por isso que os homens entram nas forças armadas? Assim a oferta foi prontamente respondida:
—Lógico que queremos!!!!!!!! Crianças...
Gilda autorizou então que se realizassem mais 5 ou 6 disparos eu não lembro. O que se seguiu foi uma “festa dos homens”, tiros seguidos de gritos, risos, palavrões e comemorações, risadas pelos disparos e comemorações pelas explosões que eram vistas no horizonte. Fico me perguntando duas coisas, a primeira é o tão estúpido é esta idéia e segundo o tão estúpido é esta idéia minha de relatar este momento, pois logo nos arrependeríamos disto.
Um estrondo cortando o ar culminou com uma pancada no rio que levantou uma bela coluna de água, sim estávamos sendo atacados e antes que pudéssemos digerir o fato isto se repetiu mais três vezes.
—Que porra foi essa? Gritou Emivaldo
—Senhores são tanques japoneses!!! Disse Gilda ao observar pela mira da torre de tiro e identificar quem estava abrindo fogo contra a gente.
—Por que será? Gritou Daniel
—Por que os japoneses estão abrindo fogo contra nós? Eles não eram nossos aliados? Gritou chorando Emivaldo.
—Por que os japoneses estão abrindo fogo contra nós? Eles não eram nossos aliados? Gritou chorando Emivaldo.
—Até tenho um retrato oficial do imperador japonês junto com o nosso (item de colecionador)!!! Continuou, chocado.
—Mais que droga, os tanques japoneses são fabricados pela Mitsubishi! Mas que droga eu estou fazendo um pé de meia com ações desta empresa, que ironia!!! Reclamou Daniel.
—Acho que eles estão atirando em nós por que devemos ter acertado as posições deles sem querer enquanto praticávamos tiro ao alvo. Disse Gilda
—Não tem como contatarmos os japoneses pelo rádio?
—A frequência que eles utilizam é criptografada, não adianta.
—Ué a nossa também, isso não ajuda em nada!!!
—Alô? É da base? Estamos sendo atacados por engano por dois tanques japoneses! Repito, estamos sendo atacados por engano por dois tanques japoneses, tanques de uma nação amiga! Gritou Gilda pelo rádio e ela continuou desta vez se dirigindo para a tripulação:
—Senhores a toda velocidade nesse veículo eu assumirei a torre e atirarei nas lagartas dos veículos hostis para que possamos imobilizá-los sem ter que matá-los, atirar em movimento para mim é moleza, Sofia assuma o rádio agora, por favor.
—Entendido!
—Alô, base? Urgente! Comuniquem de alguma forma os japoneses que eles estão atirando em forças amigas. Por favor, urgente façam isso!!!!
—Entendido, estamos entrando em contato com o adido japonês!
—Por que será que os japoneses não perceberam que éramos Brasileiros? Acho que sei o motivo, esta embarcação não tem nenhuma insígnia então eles devem ter nos confundido com alguma outra nação em missão secreta e hostil só pode, que droga. Pensou Daniel, todos estavam dentro da embarcação sob proteção da blindagem, um sentimento de tensão, concentração e pânico se misturava e povoava a atmosfera do blindado.
—Eu sei que estamos aqui para passar por situações como esta de combate, mas é triste estarmos em um incidente por engano contra uma nação não só amiga, mas que eu admiro muito. Desabafou Emivaldo.
Nossa embarcação partiu a toda velocidade, enquanto isso Gilda conseguiu acertar a esteira de um dos tanques japoneses, ao mesmo tempo a base havia entrado em contato conosco:
Enquanto isso depois eu fiquei sabendo os representantes brasileiros e japoneses travavam um diálogo nervoso:
—Vocês dizem que são nossos amigos, mas porque os idiotas de seus soldados atiraram em nossos blindados?
—Foi apenas um engano!!!!
—Engano? Brasileiro idiota!!!
—O que? Primeiro, o que vocês faziam deste lado das montanhas?
—Aquele local nós transformamos em um campo de treinamento da cavalaria!
—Mas é nosso lado das montanhas!!!
—Não estamos sabendo de nada!!!
—Ordene o cessar-fogo que nossos homens não estão mais disparando!
—Faremos o possível.
Depois deste diálogo tenso aos gritos o comando da base nos ligou novamente:
—Alô, expedição São Pedro, acabamos de contatar o representante japonês ele já passou o pedido para o seu alto comando e acabamos de receber a informação de que a ordem de cessar-fogo foi dada para os soldados! Por isso também lhe ordenamos! Cessar fogo! Cessar fogo!!!!
Neste meio tempo Gilda tinha disparado uma munição explosiva que sacudiu a dianteira de outro tanque japonês, após isso cumprimos a ordem e cessamos as hostilidades seguindo nosso curso de volta para Forte São Jorge.
Então parecia que os japoneses liberaram uma frequência de rádio e em um inglês horrível um deles nos contatou:
—Stop Fire! (Cessar Fogo!) “Perease” (por favor)!
—We have ceased! (Já cessamos!) Eu respondi. O japonês então perguntou:
—Why did you attack us? (Por que vocês nos atacaram?)
—I ask!! (Eu que pergunto!!)
—No! Firts shot came out of this vassel! (Não! Primeiro tiro saiu desta embarcação.)
—We didn't know they were around, nor did we know about the Japanese mission! We were bored and decided to shoot in an open field that seemed to be nobody!
(Não sabíamos que estavam por perto, nem sabíamos da missão japonesa! Estávamos entediados e resolvemos atirar em um campo aberto que nos parecia não haver ninguém! Eu respondi.)
—No! First shots fell very close to us, when we looked for the source of the attack we saw his vessel, we did not find any insignia or flag, we thought it was a secret Chinese vessel so we attacked.
(Não! Primeiros disparos caíram muito perto de nós, quando procuramos origem de ataque vimos sua embarcação, não achamos insígnia nem bandeira, achamos que era uma embarcação chinesa secreta por isso atacamos.)
—It was a misunderstanding, let's go back to the base, if you guys turn around to repair the damage we caused in self-defense.
(Foi um mal entendido, vamos voltar para base os senhores se virem para reparar o estrago que causamos em legítima defesa.)
Seguimos viagem, ao longo do dia acabamos percorrendo 200km (estamos agora a 140 km de casa.
Estávamos cansados, era hora de parar e levantar acampamento, quando chegarmos em casa iríamos ver a repercussão do incidente nos jornais, de resto tenho consciência tranquila apenas uma coisa me aflige.
Percorremos muitos quilômetros por este rio e mesmo assim só fomos encontrar sinal de civilização naquele vilarejo sob palafitas, porém o clima é agradável deveria haver no mínimo rebanhos e seus pastores, mas nada encontramos. Eu mandei uma mensagem pelo rádio questionando sobre isso.
Parece que muito dos “capões” na verdade escondia ruínas abandonadas de vilarejos e fazendas, vítimas da guerra civil que assola este mundo, queria muito explorar, mas precisávamos voltar para casa, não faltaria oportunidade para investigarmos depois.
Sofia Luger Takaeda, 27 de Janeiro do ano de Nosso Senhor de 2041, 9º dia.
Antes de levantarmos âncora resolvemos fazer um balanço final dos espécimes coletados para que pudessem ser finalmente estudados, acredito que com o pouco que coletamos os pesquisadores em São Paulo terão muito trabalho, fora os insetos que os rapazes coletaram brincando de Pokémon.
Como é bom ver tudo dentro dos conformes, a embarcação não sofreu nenhum dano (os japoneses erraram todos os tiros, algo que eu custo a acreditar ainda mais sendo o tanque deles um Mitsubish Type-30 com mira giroscópica). Tudo limpo e organizado chegaremos hoje em casa, este será o nosso objetivo.
Corrijo o que escrevi antes, encontramos dois amassados em baixo da linha da água, mas foram só amassados, palmas para a indústria pesada do Brazil!!!!!!
Neste resto da viagem o clima era o mais descontraído possível, a péssima pontaria japonesa nos deu um ar de invulnerabilidade e estávamos sim cansados apesar de que imagino que esta missão comparada às outras que estão por vir, até que foi fácil.
Porém enquanto todos se divertiam conversando durante seus afazeres na embarcação eu fiquei com um sentimento de orgulho e responsabilidade, pois graças a nós que saímos apenas para pegar uns peixes para estudar, acabamos travando um dos primeiros contatos com os nativos e como uma consequência disso, vários quilômetros quadrados (os primeiros) foram reivindicados pelo Brazil, não que isso tenha sido algo inesperado, pois estávamos aqui para isso, o que torna a sensação diferente é que foi por meio de nós tal como um Colombo ou Cortés, mas sem usar fogo, ainda.
Chegamos finalmente na base militar, descansaremos e que venham as próximas missões e aventuras.
Não fomos recrutados ou despachados seguindo ordens superiores incontestáveis sendo meros peões descartáveis, estávamos aqui porque queríamos e é tudo o que queremos. O sangue português e ancestral fever!
Fim do registro.
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