Volume 1
Capítulo XVII: Testemunha de Batalha
Gilmar acordou cedo ou foi acordado com a TV alta, estava passando o jornal de algum canal da internet. Assustado, confuso quem sabe, ele enquanto observava tudo ao seu redor pensou:
—Pera, fui recrutado meio “a força”, estou em um templo pagão de uma divindade do amor que cismou em ser minha mestra, em um mundo conectado ao meu por um vórtice (vocês deveriam ter visto isto Einstein e Stephen Hawking!), este mundo ao contrário daqueles documentários chatos da TV a cabo não tem aqueles alienígenas, mais parece aqueles jogos e animes (que confesso que sou viciado) que há dois meses eu sequer iria imaginar que existe, agora acordo com o som do webjornal em uma televisão (Uma Smart TV Led de última geração, carai quanto que a Kuria está extorquindo da dotação do Imperador?).
Bom, o que falta? Que cheirinho é este? Café? Pão de Queijo?! Isso não me faz sentido preciso ir urgente agora para o Centro Psiquiátrico do Exército, agendar uma consulta para ontem!
Gilmar levantou correndo e nem havia se trocado (na verdade ele dormiu com uma roupa de passear, pois odeia pijamas) apanhou as chaves do Jipe e de repente se sentiu paralisado.
—Desejo Arrebatador!!!!!!!!! Gritou Kuria, era este o nome da magia utilizada para travar e controlar os movimentos de Gilmar.
—Fique venha tomar um café comigo, faça pão de queijo igual ao que você serviu quando nos conhecemos oficialmente...
—Quanto custou esta televisão e com que dinheiro? As custas da coroa?
—Garoto, você sabe que seu Kaiser não precisa de muito dinheiro, olha nunca vi um monarca que transpirasse tanta imponência e simplicidade ao mesmo tempo....
—Você se aproveita da boa alma de nosso amado Imperador isso sim.
—É um bom homem....
—O que estou fazendo aqui?
—É o inicio de seu treinamento rapaz alias vamos começar agora, mas primeiro venha tomar café.
—Certo que treinamento será este?
—Primeiro o café!
—To sem fome!
—Veremos! Desejo Arrebatador!!!
Gilmar foi “conduzido” até a mesa da sala de estar do templo e comeu como se nunca tivesse comido antes na vida.
—O que está acontecendo comigo nem estava com fome e to parecendo alguém com larica!
—Risos, é minha técnica desejo arrebatador com ela posso conduzir os humanos a fazer o que eu desejo.
—E você deseja que (Gilmar falava entre uma mordida ou outra) eu me empanturre?
—Na verdade você deveria saber que todo o ser humano necessita de uma quantidade média de recursos orgânicos e minerais que só podem ser obtidos através de uma boa alimentação, quantidade esta necessita ser aumentada quando há necessidade de fazer grande esforço que é seu caso garoto!
—Porque você está lendo isso de uma revista feminina de dicas de saúde e beleza? Tu caralhos precisa disso?!
—É bom para eu saber como as mulheres do seu povo vivem..., mas então já acabou de comer?
—Eu que pergunto eu já acabei de comer to fazendo isso meio que compulsoriamente.
—É você já acabou de comer então vamos começar a primeira aula será para endurecer esta sua alma mortal, me siga, ou melhor: Desejo Arrebatador!!!!!!!
—De novo?!!!!!!!! Já deu né.
Kuria com sua técnica levou Gilmar para uma colina “ali perto” onde uma batalha entre as facções rivais que disputavam o controle de Yamaris iria se iniciar. Era uma planície descampada com alguns lugares com mato muito alto e sutis elevações.
Ali embaixo se via a pelo menos 10 km de onde eles estavam dois exércitos inimigos com suas infantarias avançando em marcha lenta e cantando. O ritmo do som dos pés pisando, o estalar das laminadas e argolas que formam a armadura balançando com o movimento da marcha, a pancada das lanças nos escudos produzia uma melodia perfeitamente ritmada e sincronizada entre as forças que estavam prestes a se trucidarem.
—Regalia do observador!!!!! Kuria gritou o nome da técnica enquanto dava um tapa nas costas de Gilmar, de repente sua visão mudou, ele parecia um fantasma, porém sem ver o resto do seu corpo. Ele era apenas os seus pensamentos a sua mente que flutuava de forma autônoma, ele podia andar ou voar a vontade pelo campo de batalha na velocidade que desejasse e sem ser notado.
Poderia olhar face a face no fundo dos olhos de um soldado sem ser notado, poderia ver e sentir enquanto via o peso e textura de tudo que pudesse observar e podia se comunicar em pensamento com sua mestra. Lá no monte em um local seguro seu corpo estava em perfeito transe e Kuria calmamente fez o corpo inerte se deitar.
De um lado a esquerda dos exóticos espectadores as forças leais a Galba de várias nações vassalas ou aliadas. A maioria dos seus escudos era de formato retangular, levemente curvado tal como os usados pelos antigos romanos no seu auge, também possuem bordas arredondadas com o meio sendo levemente mais largo que as pontas por assim dizer dando um formato levemente hexagonal ou em forma de caixão como pensou Gilmar (ele como um soldado deveria conhecer mais a história militar assim saberia que este formato era chamado de oblongo).
Os escudos eram uniformes no tamanho e no formato tendo em média 120 cm de comprimento por 50cm de largura. Sua textura parecia variar do opaco da madeira passando pelo aço ou bronze reluzente até mesmo alguns que pareciam estar cobertos com pele de animais assim podendo se observar a textura dos pelos. Em comum eles eram pintados de preto na metade esquerda e branco na metade direita com uma fina faixa amarelo separando os dois hemisférios, Kuria disse que era para simbolizar os inúmeros povos da Mesogeia.
Nas cabeças usavam toucas, gorros e elmos de diferentes formatos e adornos conforme sua hierarquia. Eles vestiam armaduras principalmente de ferro, alguns usam armaduras rígidas outros usam armaduras feitas de placas e articuladas, há aqueles que usam cotas de malha ou até mesmo uma mistura dos dois tipos, por baixo túnicas terminadas em saiotes, nas pernas alguns usam protetores de bronze nas pernas ou calças grossas de couro com camadas por baixo de lã ou algodão. Suas armas principais eram lanças que tinham no máximo dois metros e espadas ou machados, como segunda arma.
Do outro lado as tropas de Apolonius tinham como principal característica a uniformidade de seus equipamentos. Elmos de ferro abertos deixando o rosto à mostra, mas protegendo as laterais da cabeça até as bochechas e também o nariz, para facilitar a sua colocação as abas laterais são articuladas, por baixo do elmo uma touca de algodão, os elmos são ricamente decorados com plumas e crinas respeitando a hierarquia do combatente sendo os altos oficiais com elmos mais elaborados e os recrutas usando versões mais simples.
Suas armaduras consistiam em pequenas placas articuladas de ferro dispostas em um esquema que lembra escamas de peixe, por baixo uma túnica de cores vermelhas ou púrpura que saia por baixo da armadura e como podiam ser vistas eram caprichosamente decoradas com bordados.
Para proteger as pernas eles usavam também calças grossas de couro com camadas de lã ou algodão, seus escudos eram circulares tais como seus ancestrais utilizavam durante a idade média, eram todos feitos de camadas de madeira e ferro possuindo em média 120 cm de largura. Nos escudos pintados em vermelho vivo o emblema de Apolonius, quatro letras “B” helenizadas em volta de um “X”. Como arma uma lança padronizada de 2 metros e uma espada como segunda arma.
Pode-se dizer sobre em relação às raças dos combatentes é que as tropas leais a Galba eram mais diversificadas, suas fisionomias lembrava uma grande quantidade de povos da Terra desde árabes a mongóis passando por eslavos e outros.
Estas forças ocupavam um descampado plano com alguns matagais nos flancos e uma elevação atrás ao sul-sudeste do lado das forças leais a Galba. O local onde se ocorreu distava pelo menos 20 kms de onde os brasileiros estavam.
Já as fisionomias das tropas de Apolonius pareciam o arquétipo quase o clichê de um romano (ou melhor, um italiano) ou grego típico.
Suas forças ocupavam também um descampado, o terreno era bem plano com alguns córregos rasos por perto.
Gilmar tentou contar quantos havia lá, mas Kuria interrompeu seu cálculo e respondeu que havia aproximadamente 200 homens do lado leal a Apolonius e 150 leais a Galba, ambos os lados eram comandados por importantes oficiais, dias antes batedores de ambos os lados denunciaram a posição do inimigo assim ambos decidiram partir para o combate.
No início do confronto ambas as forças rivais como se seguissem os mesmos manuais militares se dispuseram de forma parecida com os partidários de Apolonius organizado em 20 colunas com 10 homens cada e os partidários de Galba dispostos em 20 colunas de 7 homens cada. O objetivo das forças de Apolonius era de flanquear seus inimigos, já as de Galba era forçar as tropas inimigas para uma armadilha utilizando o terreno ao seu favor.
Eles continuavam a marchar então lentamente diferentes dos filmes épicos que Gilmar tinha assistindo, ninguém saiu correndo gritando, ambos os lados avançavam com cautela e disciplina. “Não imaginava que seria tão entediante” pensou Gilmar.
No momento do choque, os gritos de guerra e comandos eram abafados pelo estalar dos escudos se chocando, as lanças estocando por cima dos escudos em momentos repetitivos, o empurra-empurra entre as forças rivais, cada uma buscando espremer o inimigo.
O enfrentamento continuava, golpes de lança e de escudo se seguiam sem parar, muitos sofriam grandes ferimentos, alguns horrorosos, mas era tal a adrenalina que prosseguiam como se não tomassem conhecimento do dano sofrido.
Porém apesar de parecer uma eternidade as forças de Galba logo começaram a recuar, não permitindo que as forças de Apolonius flanqueassem. Logo com uma espécie de corneta um oficial assoprou e do mato alto de ambos os flancos surgiram soldados vestidos com calças e camisas de lã portando um pequeno escudo circular de bronze eles eram armados com pequenos dardos de no máximo 1,5 metros e também, principalmente fundas de couro e com elas disparam esferas de chumbo de 30 milímetros de largura.
Estes soldados leves, pelo menos 50 deles bem treinados, vinham correndo disparavam uma leva de dardos e depois castigavam com suas fundas, recuando para o mato logo em seguida. Gilmar ficou horrorizado com a habilidade daqueles homens cujas funções para ele pareciam “asiáticas”, seu treinamento permitia disparar projéteis capazes de ferir mortalmente o inimigo mesmo atingindo nas placas que formam suas armaduras, quando atingidos na cabeça a imagem é assustadora nem mesmo os muito bem feitos elmos seguravam os projéteis.
Os partidários de Galba recuavam mantendo contato com o inimigo enquanto seus camaradas nos flancos disparavam e se escondiam alterando suas posições. A batalha foi inconclusiva, pois durante o recuo de um dos exércitos enquanto o outro avançava mesmo sob uma chuva de projéteis inimigos, um Caça Turboélice Embraer 318 Super Tucano que estava calmamente fazendo um voo de reconhecimento e mapeamento da região sobrevoava por acaso por ali.
Porém o som desconhecido do motor e a imagem para aqueles homens de um objeto voador se movendo a uma velocidade desconhecida fizeram com que ambos os lados recuassem e abandonassem a região.
Após a batalha Kuria fez Gilmar volta a si e perguntou:
—Então o que você me diz?
—Diz do que?
—Não sentiu seu coração ser amassado e retorcido com o que viu na batalha?
—A senhora acha que não estou pronto como soldado?
—Pelo que vai vir ninguém estará pronto
—Hoje é 31 de agosto de 39 e ninguém me avisou?
—Para com gracinhas, haverá hora para isso...
—E o que virá?
—Não vou contar. Kuria deu uma longa e contida risada
Kuria então ergueu seu braço se preparando para dar outro tapa. Gilmar pensou “não de novo não, nãooooooo!!!!!!”
—Regalia do Menestrel!!
Mais um transe, agora a consciência de Gilmar era sugada e foi jogada em uma época distante, uma não, várias épocas em datas distintas. Quem depois o questionou sobre o que ele viu não conseguiu entender, pois ele não conseguia explicar.
“Esta é a história da Mesogeia”. Disse uma voz no fundo cujo autor não se poderia identificar. Era feminina a voz? Era masculina? Impossível saber parecia ser uma voz que era sábia e ao mesmo tempo amedrontadora, seria o próprio Deus quem proferiu essas palavras? O turbilhão continuava como uma sequência de slides acelerada o caos total de imagens: cidades sendo erguidas e imediatamente destruídas, mapas com as fronteiras de reinos e nações dançando uma valsa oculta. Batalhas em todos os locais imagináveis, o horror da guerra, guerra que infelizmente é tão sedutora e necessária.
Gilmar ficou inconsciente, não estava mais em um estado de transe e Kuria o levou para seu templo onde eles estavam antes. Esperava ela que com o que viu ele conheceria um pouco da história deste mundo e teria o seu espírito passado pela primeira forja.
Aviso: Pessoal mil desculpas percebi agora que postei o capítulo errado então essa semana serão dois capítulos publicados, muito obrigado (risos).
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