Volume 1
Capítulo 24: Uma Nova Ameaça
Um dos caçadores que tentou atacar Luther caiu no chão gritando de dor, os dedos cortados pela lâmina de Jasmim. Antes que ele pudesse reagir, a emissária o chutou no rosto, apagando-o de vez.
Do outro lado, um policial correu em direção a Poltergeist, apontando a arma para sua cabeça enquanto ele se ocupava com Luther. Mas o caçador notou a aproximação no último segundo. Desviando-se de Luther, deslizou pelo chão, escapando do disparo e, em um único movimento, cortou a perna esquerda do policial, que tombou com um grito abafado.
Jasmim, afastando-se de Dídac, empurrou o policial com o sopro de vento, afastando-o antes que Poltergeist pudesse decapitá-lo. Dídac estreitou os olhos.
“Ela está me subestimando?”
Mesmo coberto de ferimentos, o caçador investiu contra a emissária sem se poupar, atacando-a com tudo o que tinha. Mas Jasmim acompanhava cada golpe, sem dar espaço para um erro sequer.
“Não posso parar agora. Preciso provar meu valor para o senhor Poltergeist. Nem que isso me mate.”
Nikolas sentia o mesmo. Ele enfrentava Lia com grande dificuldade. Os movimentos fluidos da lança da emissária passavam rente ao seu corpo, sempre a um instante de causar um ferimento fatal. Mas ele já sangrava demais e sabia que, em breve, suas forças o abandonariam.
“Esses emissários... são melhores do que eu imaginava.”
Cambaleando para trás, ele pressionou a ferida na costela com o cotovelo, sentindo a dor explodir. Ótimo. Isso o manteria de pé por mais um pouco.
Eu não posso cair agora. Preciso continuar. Se não por mim, pelos meus companheiros que já tombaram!
— Arte Elemental: Sopro do Vento! — exclamou Lia, concentrando o ar em sua mão livre. Com um movimento ágil e fluido, ela guiou a força do vento em uma rajada direcionada, derrubando seu oponente com precisão.
— Não, não, não! — disse Nikolas em desespero ao cair e derrubar a sua arma.
Para conseguir impedir a lâmina da ponta da lança de atingi-lo, ele precisou a segurar lâmina com as suas duas mãos, rangendo os dentes enquanto sua carne era cortada e suas luvas ficavam manchadas de sangue.
— Você lutou bem, caçador, mas não posso mais perder tempo com você — falou Lia colocando ainda mais peso em sua lança.
— Eu ainda não acabei! — falou Nikolas resistindo com todas as suas forças.
Enquanto isso, Dídac bloqueou o ataque de Jasmim, que revezava seu olhar entre ele e Luther que lutava contra Poltergeist.
“Precisamos acabar logo com isso, desde que senti aquela energia mágica, eu estou com pressentimento ruim”, pensou Jasmim.
— Acha que pode me vencer com a sua atenção dividida?! Não me subestime! — falou Dídac furioso.
O caçador se abaixando conseguiu se livrar da espada de Jasmim e a atingiu na coxa. A emissária se xingou pela sua falta de cuidado e mesmo com a dor, ela aproveitou a abertura do caçador para o acertar com um chute no rosto que o derrubou.
Descontando um pouco de sua dor no caçador, ela usou os passos de vento para pegar a espada dele no chão e a cravou na coxa de Dídac para que ele não conseguisse se levantar mais.
Se contorcendo, Dídac segurava sua perna grunhindo de dor enquanto a kitsune ia para o seu próximo alvo.
“Droga, isso é tudo que consigo fazer. Eu sou um fracassado!”, pensou Dídac frustrado com a sua falha enquanto tentava suportar desesperadamente a dor que sentia.
Correndo na direção de Poltergeist acompanhada de Lia, Jasmim disse com seu olho fixos no oponente:
— Luther!
— Entendido! — disse Luther.
Sem nem ao menos olhar para suas companheiras, ele se retirou do caminho para que as duas conseguissem atacar Poltergeist que mesmo se defendendo levou alguns cortes.
— Isso aqui não vai ser como da última vez, Poltergeist — disse Jasmim controlando a respiração.
Poltergeist se movimentava com cautela, mantendo seus olhos atentos nos emissários, calculando em sua mente como deveria seguir com a luta.
— Vocês três parecem bem cansados, devem ter sido dias longos para vocês desde que chegaram aqui. Não conseguem nem perceber que mesmo que estejam lutando bem, nem todos os seus aliados estão — disse Poltergeist.
Com os emissários ocupados com o líder dos caçadores, a comandante Carla fazia o possível, junto dos demais policiais, para proteger os voluntários que estavam sendo abatidos. Infelizmente, os cidadãos que ainda se orgulhavam de suas raízes élficas não eram tão habilidosos em combate quanto um dia foram. Suas armas já não bastavam para protegê-los dos caçadores.
Para a comandante, estava claro: quanto mais aquela batalha se estendesse, melhor seria para os caçadores, cuja resistência era maior.
As palavras de Poltergeist fizeram com que os emissários finalmente notassem seus arredores. A outrora bela estrada que levava à entrada de Port Strong estava manchada de sangue. Apertando com mais força suas armas, sentiram o peso da responsabilidade de acabar com o líder inimigo. Poltergeist, mesmo ferido e suado, ainda sorria.
Antes que os emissários pudessem se render à culpa, o grito de Carla roubou a atenção:
— Continuem avançando! Vamos nos tornar o pesadelo desses caçadores! Ficaremos firmes até o fim! Pela nossa terra, pelas nossas famílias, pela nossa cidade! — bradou, com toda a força de sua voz.
A resposta foi imediata. A força de defesa gritou em uníssono, cada um carregando suas próprias motivações, mas unidos pelo mesmo desejo: manter Port Strong segura.
No entanto, a euforia, durou pouco. Um novo fluxo de energia mágica se espalhou pela cidade. Os cidadãos comuns não conseguiam distingui-lo, mas os emissários e os caçadores reconheceram a presença de duas fontes distintas.
Uma delas emanava uma energia densa e familiar, mas a outra... Além de poderosa, transmitia a sensação avassaladora de uma criatura mágica prestes a devorá-los.
Os emissários trocaram olhares aflitos, suspeitando que uma das fontes fosse Castiel. A sensação era idêntica à que sentiram na primeira vez que ele usou sua magia para proteger Jasmim — mas, desta vez, estava muito mais intensa.
Até mesmo Poltergeist segurou o cabo de suas espadas com firmeza, hesitante.
“Droga... Essa força deve vir da Emissária de Sangue e do draconiano. Isami e Ash devem estar com problemas! Será que ainda vale a pena continuar distraindo os emissários?”, pensou o caçador.
Jasmim, a mão trêmula, fitou Luther. A preocupação com o que poderia estar acontecendo na cidade crescia dentro dela. E então, um estrondo ecoou, seguido de um grunhido ensurdecedor, paralisando por um segundo todos no campo de batalha.
— Luther… — disse Jasmim
— Temos que voltar para a cidade imediatamente! — disse Luther.
Lia, pressentindo que algo ruim estava prestes a acontecer, se virou rápido, assustando Luther.
— Arte Elemental: Escudo de Vento! — disse Lia às pressas.
O escudo de Lia protegeu Luther do golpe fatal da foice de Isami, que surgiu entre os caçadores, já coberto de ferimentos. Contudo, ao conjurar rapidamente, o escudo quebrou com o primeiro golpe da foice. Luther ergueu sua espada o mais rápido que pôde para se defender, mas, por um instante, viu a lâmina de Isami cortar sua vida em sua mente.
Aproveitando a distração de Isami, Dídac, que havia engolido pílulas fortes para suportar a dor, arrancou a espada da própria perna e a lançou na direção de Lia. Jasmim correu para protegê-la, mas Poltergeist a interceptou. A emissária desviou por pouco, mas perdeu o equilíbrio e caiu no chão.
Preocupada com Jasmim, Lia se distraiu por um instante. Esse pequeno descuido foi suficiente para que Dídac a atingisse na barriga com uma adaga afiada.
— Eu… me recuso a ser um inútil aqui — murmurou Dídac, forçando-se a manter a consciência.
Com a lâmina de Isami prestes a atingir seu olho, Luther usava toda a sua força para segurar a espada e manter o caçador afastado, sentindo a morte se aproximar a cada segundo.
Então, como um vendaval, uma mulher de cabelos brancos apareceu, atacando Poltergeist com sua katana. Mesmo bloqueando o golpe, o caçador foi lançado para trás pela força do impacto. Percebendo a ameaça, Isami jogou uma bomba de fumaça no chão, tentando obscurecer a visão e escapar.
Levando seu mestre para longe dos emissários, Isami disse:
— Eles provavelmente vão destruir a cidade lutando, precisávamos de mais pessoas para abater aquelas aberrações, eu falhei senhor…
— Onde está a Ash? — disse Poltergeist.
Isami ficou em silêncio, por um instante Poltergeist considerou entrar em Port Strong para ir atrás dela, mas ao ouvir mais estrondos vindo de dentro da cidade seguidos de mais grunhidos, ele gritou com raiva:
— Caçadores, recuar!
Escutando as ordens de seu líder, os demais caçadores seguiram o mesmo procedimento de Isami, usando bombas de fumaça para conseguirem fugir em segurança enquanto repetiam as ordens para os seus companheiros e levavam alguns que estavam feridos demais para fugirem sozinhos.
— Não deixem que eles escapem! — disse a comandante Carla mesmo ciente de que a fumaça dificultaria a tarefa.
— Arte Elemental: Sopro de vento! — disse a emissária recém-chegada, manipulando o fluxo do vento para apenas dissipar a fumaça em suas proximidades.
— Sira! — disse Jasmim.
— Olá, Jasmim. Já faz um bom tempo, não? — disse Sira, com uma expressão séria.
Vestindo seu hanfu real nas cores azul e branco, com o brasão de seu Clã bordado nas costas, a princesa do Clã de Vento mantinha o olhar fixo, distante, para o interior da cidade. Sua postura altiva e imponente transmitia uma autoridade natural, como se o simples fato de estar ali fosse uma declaração de sua força. Ao seu lado, dois homens se aproximaram, usando o hanfu e a armadura prateada das tropas do Clã de Vento. Alastar e Sho, seus guarda-costas pessoais.
Embora jovens como o grupo de Luther, os três exalavam uma presença que fazia qualquer um sentir a gravidade da situação. Mas foi a princesa que, com um único olhar, conseguiu dominar a atenção de todos ao redor, irradiando o peso de seu título e sua linhagem.
Jasmim, vendo de longe que Poltergeist estava partindo, se virou para Sira e disse:
— Não podemos deixar ele escapar!
— Esqueça aquele desertor! Temos um problema muito maior dentro dessa cidade! — disse Sira sacando sua segunda katana.
— Podemos nos dividir em dois grupos para auxiliar a polícia que está perseguindo os caçadores! — disse Lia.
— Você não está sentindo essa energia mágica ou barulho vindo de lá?! Isso é muito mais urgente! Quero todos comigo!
Luther encarou a princesa estranhando a rispidez dela, após tanto tempo ser ver seus amigos, mas considerando as circunstâncias que estavam, ele decidiu apenas ignorar.
— Lia vá com a policial, eu e a Jasmim…
— Não, não podemos perder mais tempo! Me sigam! Isso é uma ordem! — disse Sira interrompendo Luther.
Novamente decidindo ignorar a forma com que a princesa falava com ele, Luther olhou para Jasmim e Lia, que compartilhavam da mesma preocupação dele: Sira não tinha ainda ideia alguma sobre Castiel.
No entanto, Alastar e Sho perceberam haver alguma coisa errada e se aproximando de Jasmim, Alastar disse:
— Jas, se tem algo que você quer nos contar, precisa se agora! Não podemos mais perder tempo aqui!
A comandante Carla parou perto dos emissários e percebendo o olhar de Sira para o interior da cidade, ela disse:
— Querem que eu mande alguns dos meus homens com vocês para averiguar o que está acontecendo?
— Não será necessário comandante, é muito perigoso. Foquem em capturar o máximo de caçadores que puder. Se mantenham fora da cidade até os estrondos acabarem, é pela segurança de vocês — disse Luther.
— Entendido. Continuem avançando, vamos pegar esses desgraçados! — disse a comandante, voltando a acompanhar seus homens para dentro da floresta.
Jasmim suspirou receosa com o que falaria, mas recebendo a aprovação de Lia, ela disse:
— Tudo bem, vamos logo! Tem algo que eu preciso contar para vocês, mas eu explico no caminho!
Acho que podemos intensificar um pouco a tensão e o sentimento de urgência. Veja como ficou:
Sira fitou Jasmim, seus olhos carregados de desconfiança pelo que estava por vir, enquanto o grupo se lançava em direção ao interior da cidade, determinado a pôr fim ao que quer que estivesse acontecendo ali. Ao mesmo tempo, Luther, Lia e Jasmim rezavam em silêncio, suplicando aos deuses que Castiel estivesse bem — assim como Kira e Jinn.
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