Volume 1
Capítulo 25: Descontrolado
Antes que os Emissários de Vento pudessem se mobilizar para ir à praça, a batalha entre Castiel e Ena já havia transformado o local em um verdadeiro campo de destruição. As paredes das casas estavam rachadas, os vidros estilhaçados, e o pequeno jardim no centro havia perdido toda a sua beleza, agora reduzido a cinzas e escombros.
O draconiano avançava com fúria, suas enormes unhas rasgando a pele da Emissária de Sangue. Ena se defendia como podia, ignorando a dor dos cortes enquanto buscava uma brecha na guarda de Castiel.
Usando o próprio sangue que escorria de seu braço, a emissária moldou um escudo rubro e o lançou contra as mãos de Castiel, afastando-o por um instante. Mas ele reagiu rápido—girando o corpo, bateu as asas contra ela. Ena agarrou-as antes de ser lançada para longe e, com um movimento brusco, jogou-o contra a parede de uma casa.
Castiel rosnou, cuspindo fogo em sua direção. Ena tentou desviar, mas as chamas lamberam seu ombro, arrancando-lhe um grito de dor. Rangendo os dentes, ela ignorou a queimadura e avançou novamente.
No chão, derrotada e sem forças, Ash assistia à luta. Cada golpe trocado entre os dois estremecia o solo, arrancando pedaços de pedra e madeira das construções ao redor. Ela cerrou os punhos, sentindo os dentes rangerem.
“Essa não é mais uma batalha entre dois usuários de magia… Eu queria poder sentir ódio de Isami por ter me deixado para trás, mas, se ainda tivesse forças, eu sairia daqui com ou sem ele!”, pensou Ash.
Seu olhar deslizou para a criatura mágica morta, as asas brutalmente arrancadas por Ena. O sangue seco manchava as pedras próximas.
“Foi sorte eu e ele termos sobrevivido ao soco dessa Emissária de Sangue. Mesmo com os medicamentos que tomei, ter apenas quebrado alguns ossos é sorte”, pensou Ash.
Com esforço, ela tocou a costela fraturada. O movimento fez sua visão embaçar por um instante, mas então algo chamou sua atenção—o corpo de Kira, desacordada, bem ao seu lado.
Seu olhar desceu para a própria mão, tremendo sobre o chão. Uma de suas adagas estava próxima. Bastaria um pequeno movimento.
Mas nada aconteceu.
As lágrimas vieram antes que ela percebesse. Os estrondos da batalha pareciam ainda mais altos agora, cada soco trocado entre Castiel e Ena reverberando em seu peito.
“Não acredito que fui derrotada tão facilmente e nem mesmo vi em que momento Isami partiu! E agora o pior é que não sei se não consigo me mover por medo, fraqueza ou por não conseguir tirar a vida daquela mulher desacordada! Que diabos de caçadora eu sou!”, pensou Ash.
No centro da praça, os dois guerreiros se chocaram em um golpe simultâneo, sendo arremessados para lados opostos. Castiel caiu pesadamente sobre os escombros. Ena, a primeira a se levantar, passou o antebraço nos lábios, limpando um filete de sangue. Então riu.
Uma risada solta, ofegante, tomada pela adrenalina.
— Vamos lá, draconiano! Tenho certeza de que você pode fazer melhor do que isso! — disse Ena.
As feridas de Ena não estavam mais se curando tão rapidamente quanto antes, e, ciente disso, a emissária absorveu o escudo de sangue para continuar a batalha.
“Não posso deixar essa oportunidade passar. Vou testar a força dele e depois usá-lo para escapar daqui!”, pensou Ena.
Castiel se levantou ainda mais agitado que antes, e cinco pequenas esferas de fogo surgiram ao seu redor. Ele cuspiu fogo na direção de seu oponente enquanto lançava as esferas contra ela. O draconiano ficava cada vez mais furioso com Ena por ela estar conseguindo escapar de seus ataques, mas ele se interrompeu ao ver Kira desacordada e Ash chorando.
O draconiano olhou ao redor, percebendo o tamanho da destruição que estavam causando e que, se não começasse a se controlar, poderia acabar matando as duas.
“… caso precise usar suas habilidades, não tenha medo, seja apenas cauteloso. O elemento que manipulamos graças a nossas runas é parte de quem somos…”, Castiel se lembrou das palavras de Jasmim.
— Eu… eu… — Castiel tentava controlar sua fúria.
Sem desperdiçar a oportunidade, Ena socou Castiel no nariz, e o impacto dele caindo no chão causou outro estrondo.
— Agora percebi que enfrentar você com uma arma é um desperdício. Vou acabar com você com minhas próprias mãos! — disse Ena, com as mãos sujas do sangue de Castiel.
“Espera! Parece que os outros estão vindo para cá, são bem poderosos! Será que… Isso não importa, preciso me apressar!”, pensou Ena, sentindo uma energia mágica poderosa se aproximando.
A elfa encarou Castiel que, embora estivesse consciente, continuava no chão, olhando na direção de Kira e Ash.
— Você parou por causa daquelas duas? Arte Imperial: Drenagem de Essência!
Castiel se ergueu com dificuldade, sentindo sua consciência, enfim, voltar ao normal. Mas, junto com ela, veio a dor. Cada músculo de seu corpo parecia estar em chamas, e suas pernas vacilaram ao tentar sustentá-lo.
Foi então que ele viu.
O sangue de Ash e Kira fluía pelo ar, deslizando em direção a Ena como finos fios costurando-se à sua pele. Castiel cerrou os punhos. A fúria dentro dele rugiu, tentando tomar o controle mais uma vez, queimando em seu peito como uma fera faminta.
"Eu consigo... Não vou perder o controle de novo!"
Respirando fundo, ele avançou contra a emissária. Mas desta vez, Ena não recuou. Em um movimento ágil, segurou seu braço com facilidade e o puxou para perto, enterrando o punho em seu estômago.
Castiel arfou, mas reagiu instintivamente. Com a mão livre, suas garras rasgaram o rosto da emissária, deixando um corte profundo. Ena, impassível, retribuiu com um soco direto em seu pescoço.
O ar foi arrancado de seus pulmões. Castiel caiu pesadamente no chão, ofegante, um fio de sangue escorrendo de seus lábios.
— Decepcionante. Você não deve estar mais motivado o suficiente. Não se preocupe, eu sei exatamente o que motiva o nosso tipo! — disse Ena.
Ela caminhou até o corpo de Kira e a pegou pelo pescoço. Quando voltou sua atenção para Ash, a caçadora tentou se afastar, mas foi pega pela perna e arrastada pelo chão.
“Isso é humilhante! Eu me tornei mais forte para nunca mais ficar à mercê de alguém. Então, por quê?! Por que isso está acontecendo comigo?!”, pensou Ash.
— Solte-as! — gritou Castiel.
"Por que você se importa comigo?! Eu sou sua oponente, não deveria importar…”, pensou Ash, surpresa ao ver o estado em que Castiel estava. “Você está com medo… e assustado”.
Os olhos vermelhos de Castiel voltaram a brilhar, e Ena sorriu, sentindo a sede de sangue dele retornar.
Ela desejou poder provocar o draconiano por mais tempo, mas sabia que não tinha mais tempo. Por isso, lançou Ash e Kira de qualquer jeito contra o chão. O som de Ash grunhindo de dor e de ossos quebrando foi o estopim para Castiel perder o controle.
Completamente fora de si, o draconiano pegou impulso com suas asas e agarrou Ena pelo pescoço. Ela tentou se libertar, acertando-o diversas vezes, mas ele não a soltava, aumentando a pressão em seu pescoço. Com a mão livre, ele agarrou a mão esquerda dela e quebrou seu pulso.
No entanto, o draconiano sentiu seu estômago sendo perfurado por um espinho de sangue que saiu de um ferimento no abdômen de Ena.
Propositalmente, Ena fez com que o ferimento de Castiel não fosse grave, mas foi profundo o suficiente para ele sentir uma dor excruciante.
Castiel tombou, ainda segurando Ena, mas sua força estava se esvaindo. Com um último esforço, a emissária golpeou o draconiano com a mão esquerda, soltando um grito de dor ao forçar um pulso que ainda não havia se regenerado por completo.
Os dois caíram em lados opostos da praça, o choque levantando poeira e destroços ao redor. Castiel foi o primeiro a se mover, ofegante enquanto se forçava a levantar. Seus olhos escanearam o campo de batalha, buscando Ena, mas o que encontrou foram os Emissários de Vento.
Eles estavam imóveis, o olhar fixo na destruição ao redor—paredes rachadas, o chão marcado por garras e chamas, o ar pesado com o cheiro de sangue e queimado.
Sira, séria, manteve-se alerta ao sentir a energia de Castiel pulsando no ar. Ela sabia que ele não estava sozinho. Havia outra presença ali momentos antes, mas agora… só conseguia sentir a magia brutal do draconiano, uma força densa e faminta.
— Castiel… — murmurou Jasmim, boquiaberta.
Então, chamas se acenderam ao redor do draconiano, esferas de fogo surgindo no ar enquanto ele grunhia, seu corpo tenso, pronto para atacar. Seu olhar era vago, mas sua postura era de puro instinto assassino.
Por reflexo, Sira deslizou um pé para trás, preparando-se para o combate. Alastar e Sho seguiram seu movimento, os três assumindo uma postura defensiva.
Luther, porém, deu um passo à frente, bloqueando seus companheiros.
— Luther Levisay, nem pense nisso! — advertiu Sira, sua voz cortante, mas havia algo ali, um resquício de hesitação. Seu olhar se demorou nele um segundo a mais do que deveria, como se buscasse alguma certeza de que ele sabia o que estava fazendo.
Luther não recuou.
— Não vamos atacá-lo. — A voz de Luther estava firme, mas preocupada. — Eu não sei o que aconteceu aqui, mas ele não parece nos reconhecer! Tem algo errado!
Mantendo sua espada na bainha, Luther ergueu o braço para que Castiel se acalmasse e disse:
— Castiel, sou eu, Luther! Atrás de mim estão Jasmim e Lia. Esses estranhos são amigos! Por favor, desfaça essas esferas. Somos amigos!
Castiel relaxou a postura por um instante, mas, sentindo a hostilidade de Sira, voltou a grunhir.
— Castiel, por favor! Olhe para mim, por favor, nós não vamos machucar você! — disse Luther.
— Luther, ele vai atacar! Eu não vou permitir que ele machuque você! — disse Sira.
— Ele não vai!
O draconiano voltou sua atenção para a princesa, e fumaça começou a sair de suas narinas.
— Por favor, Castiel, se acalme! — disse Jasmim.
— Vamos lá, Castiel, saia dessa! — disse Luther.
Com um pequeno movimento da perna de Alastar, Castiel lançou as esferas na direção de Luther e dos demais. Luther saltou, usando o impulso do vento para evitar ser atingido, e Castiel o atacou. O emissário conseguiu desviar de ter seus olhos arrancados pelas unhas do draconiano, mas, antes que tocasse os pés no chão, foi golpeado pela cauda de Castiel.
— Arte Elemental: Escudo de Vento! — disseram em uníssono os dois guarda-costas da princesa, protegendo-a.
Usando o impulso do vento mais rápido que os outros, a princesa correu para impedir Castiel de atingir Luther, que estava caído no chão. No entanto, o draconiano mudou de trajetória, pegando Sira pelo pescoço e a jogando no chão.
— Princesa! — gritou Alastar, investindo contra o draconiano com seus gládios em mãos.
Sho acompanhou Alastar com sua katana, mas Luther se jogou em cima de Castiel, tirando-o de cima da princesa e do trajeto dos dois guardas. Ele tentou segurar Castiel no chão, mas foi obrigado a recuar quando o draconiano começou a cuspir fogo.
Alastar foi na direção do draconiano, mas Lia se colocou no caminho.
— O que diabos você está fazendo?! — disse Alastar.
— Não machuque ele! — disse Lia.
No entanto, Sho, usando os passos de vento, atingiu Castiel com um corte no peito e retrocedeu, evitando as chamas do draconiano. A Princesa do Vento aproveitou a abertura e cortou as costas de Castiel, que, furioso, socou o chão. O tremor afastou os emissários de seus arredores.
— Parem com isso, não machuquem o Castiel! — gritou Luther.
Com o tremor, o telhado acima de Kira e Ash cedeu, e Jasmim correu, utilizando os passos de vento para salvá-las.
— Arte Elemental: Escudo de Vento! — disse Jasmim, protegendo os corpos de Ash e Kira.
O coração de Jasmim disparou ao analisar o estado de sua amiga. Seu olhar vasculhou cada ferimento, mas ao sentir que a energia mágica de Ash ainda pulsava, mesmo que fraca, um breve alívio a tomou.
Com esforço, Ash ergueu uma mão trêmula e segurou o braço de Jasmim. Sua voz saiu rouca, entrecortada pela dor:
— O draconiano… só está assustado… A Emissária de Sangue… foi ela…
Antes que Jasmim pudesse responder, Ash perdeu a consciência.
— Emissária de Sangue?! — Jasmim se virou bruscamente para Luther, seus olhos arregalados de indignação. — Luther, ela acabou de dizer que foi uma Emissária de Sangue que deixou Castiel nesse estado!
Luther sentiu o estômago revirar. “Eu sabia que tinha algo errado aqui!”, pensou, cerrando os dentes.
Antes que Sira pudesse avançar contra Castiel, ele segurou a manga de seu manto e gritou:
— Nós vamos apenas o imobilizar! Foi uma Emissária de Sangue que fez isso com ele! Não o machuquem!
Sira lançou-lhe um olhar penetrante, sua expressão uma mistura de frustração e preocupação.
— Luther, eu não vou deixar que ele machuque você ou qualquer outra pessoa aqui! Ele é só alguém que você conhece há poucos dias!
— Eu sei disso! — A voz de Luther saiu firme, mas havia um peso sincero ali. — Mas ele é inocente nisso tudo! Eu prometi que ia ajudá-lo… e é isso que vou fazer!
Sira estalou a língua, desviando o olhar por um instante antes de respirar fundo.
— Tsk! Então vamos fazer do seu jeito! — cedeu, embora sua postura ainda estivesse tensa. — Alastar, Sho, não machuquem o draconiano!
— Mas…
— É uma ordem!
Antes que pudessem reagir, Castiel socou o chão novamente, e o impacto fez a terra tremer. Chamas irromperam ao seu redor, forçando os emissários a erguerem seus escudos para se proteger. Suas mãos foram consumidas pelo fogo, e novas esferas flamejantes pairaram no ar, prontas para serem lançadas.
Nenhum deles tinha experiência real contra um draconiano. Com a força avassaladora que Castiel demonstrava, era um risco enorme enfrentá-lo sem a intenção de feri-lo de verdade. Ainda assim, Luther, Lia e Jasmim estavam determinados a salvar seu novo amigo.
Jasmim segurou Kira com força nos braços, o olhar cheio de culpa.
“Isso também é culpa minha… Eu o incentivei a usar suas habilidades!”, pensou, engolindo em seco. “Espero que consigam salvá-lo… Isso não pode acabar assim!”.
Luther cerrou os punhos, seus olhos fixos em Castiel, em meio às chamas e ao caos.
“Não se preocupe, Castiel… nós vamos tirar você dessa!”, prometeu para si mesmo.
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