Volume 1
Capítulo 20: Os Emissários Amaldiçoados
O corpo do policial foi jogado escada abaixo. Bogna, com os olhos vermelhos, se aproximou para ver quem havia sido a vítima: Alan. Um corte preciso no pescoço confirmou suas suspeitas. Ela sabia exatamente qual dos caçadores havia sido enviado.
Quando Ena negociou com Poltergeist, aproveitou para observar o inimigo e preparar um plano de fuga. Entre todos os caçadores, um em especial chamou sua atenção—aquele que, segundo ela, daria mais trabalho do que o próprio Poltergeist.
Rían, horrorizado, subiu as escadas com a arma em mãos, determinado a eliminar quem quer que tivesse matado seus companheiros. Mas, após alguns disparos, sua cabeça rolou pelos degraus. O caçador mascarado desceu sem pressa, sua lâmina raspando na parede. O som agonizante da foice ecoou pelo corredor, forçando todos a taparem os ouvidos.
Bogna, mesmo apavorada, acreditava que poderia segurar o caçador até que sua mãe e Ena chegassem. No entanto, ao sentir de perto a aura de morte que Isami emanava, seu corpo travou. Ela recuou, incapaz de desviar os olhos da máscara sinistra.
— Mãe! Precisamos ir embora daqui! — gritou Bogna, desesperada.
— O único lugar que você irá hoje é para o mundo dos mortos, abominação! — disse Isami, com uma voz gelada.
Freirr saiu da sala e correu até a filha, posicionando-se entre ela e o caçador. Os detentos se encolheram no fundo, de suas celas, aterrorizados com a sede de sangue que emanava de Freirr e Isami.
— A única abominação aqui é você! Não ouse encostar um dedo sequer na minha filha! — disse Freirr, com os olhos vermelhos brilhando.
Atrás delas, os detentos ficaram ainda mais espantados ao ver o que saía da sala no final do corredor. Ena arrastava os corpos de Dariss e Zaleria, seus olhos fixos no próximo alvo: Isami.
— Freirr, Bogna, vocês duas podem seguir sem mim. Ainda tenho que limpar o lixo. Esperem por mim no ponto de encontro — disse Ena, com uma calma assustadora.
— Você é muito ingênua, filha de Hemall. Não vai conseguir me conter, assim como não conseguiu esconder sua presença de mim e seu plano — disse Isami, com um tom de desdém.
— Quem liga se você descobriu o que eu era e que estava aqui para resgatar essas duas? Se está esperando alguma recompensa, volte abanando o rabo para o seu novo dono enquanto ainda tem chance.
— A mesma "chance" que deu para esses dois? — Isami apontou para os corpos de Dariss e Zaleria.
— Não tinha a menor intenção de matá-los. O problema é que as pessoas não sabem respeitar seus limites. Agora temos mais duas crianças órfãs no mundo. Uma pena, mas vamos logo ao que interessa, "caçador". Não tenho a menor intenção de perder meu tempo aqui.
Ena deixou os corpos dos nobres caírem no chão e rasgou a lateral de seu vestido, dando mais liberdade às pernas para lutar. Isami a ignorou e avançou em direção a Freirr e Bogna, mas antes que pudesse se aproximar, Ena o agarrou pelo pescoço e o arrastou escada acima.
No entanto, Isami aproveitou a abertura e cravou sua foice nas costas dela. Ena gritou de dor ao sentir a lâmina perfurar sua carne, mas reagiu rapidamente, lançando o caçador contra a parede com força brutal.
Atrás dela, Freirr e Bogna correram pela delegacia em ruínas. As paredes estavam rachadas, manchas de sangue cobriam o chão e os corpos dos voluntários massacrados sem misericórdia por Isami se espalhavam por toda parte. Bogna hesitou, olhando para Ena, considerando ficar, mas sua mãe a puxou pelo braço, forçando-a a continuar.
— Filha, precisamos ir! Agora não é o momento para indecisão! — disse Freirr, com urgência.
— Podem ir! Ele não vai ser um problema! — gritou Ena, segurando a foice que ainda estava cravada em suas costas e a arrancou.
— Estaremos aguardando por você! — respondeu Freirr, antes de sair.
O caçador se levantou, já recuperado do ataque, e avançou em direção a Ena. A Emissária de Sangue recuou e, ao notar Isami pegando sua foice de volta, usou o sangue de um dos corpos no chão para forjar uma lança. No instante seguinte, defendeu-se do golpe da foice de Isami, que quase atingiu seu pescoço. Com um movimento violento, Ena afastou a arma, forçando Isami a saltar para o lado. O golpe dela atingiu o chão com tanta força que o rachou.
Ena tentou remover a lança do chão, mas não conseguiu. Percebendo o próximo ataque de Isami, ela se afastou, usando o próprio braço para se proteger, mas levou um corte profundo.
— Nada mau, nada mau mesmo. Chegou até a doer — disse Ena, com um sorriso torto.
Usando o sangue de seu braço, ela forjou outra lança e criou espinhos na poça de sangue onde Isami pisava. Ele grunhiu de dor, mas aproveitou o impulso para pular e lançar duas adagas no pescoço de Ena. Ela cambaleou para trás, soltando a lança para retirar as adagas, mas foi atingida no estômago pela foice de Isami.
— Você é que vai sofrer, filha do demônio! — disse Isami, com um sorriso cruel.
— Você não… tem direito… algum de me chamar assim… — disse Ena, lutando para não engasgar com o próprio sangue.
Segurando Isami pela nuca, Ena o puxou e deu uma cabeçada violenta, fazendo-o cair no chão. Aquilo não foi suficiente para deixá-lo desacordado, mas deu tempo para ela arrancar as adagas do pescoço enquanto sua regeneração mágica acelerada cuidava do resto.
— Eu… vou matar… você! — disse Ena, removendo a foice de seu estômago. — Eu vou fazer você se arrepender de ter cruzado o meu caminho!
O caçador pegou outra adaga e a lançou em direção a Ena, que ainda se recuperava. Ela segurou o cabo da foice com toda a força que tinha, ignorando a dor em suas tripas e no ombro, determinada a matar Isami.
“É uma pena que o plano de sair daqui sem chamar atenção não tenha funcionado, mas eu vou gostar muito de matar esse maldito!”, pensou Ena, com ódio ardendo em seus olhos vermelhos.
— Sua energia mágica ficou ainda mais forte. Ótimo! Isso vai terminar ainda mais rápido! — disse Isami, com um tom divertido e macabro.
…
Seguindo as instruções de Ena, Freirr e Bogna chegaram à mansão da governadora sem muitos problemas. Antes de ser presa, Ena havia informado às duas sobre a entrada secreta no subsolo da mansão. Por ser o lugar mais óbvio a sofrer um ataque, não havia ninguém escondido na propriedade, antes de Dariss, agora de Himiko.
Enquanto cruzavam os corredores da mansão em direção à adega, Bogna parou, ofegante, e socou a parede, frustrada.
— Droga! — disse Bogna, com raiva.
— O que foi, filha? Precisamos continuar andando, estamos quase lá! — disse Freirr, tentando acalmá-la.
— Devíamos ter ficado para lutar com ela! Nós três poderíamos ter acabado com ele rapidamente!
— Filha, por favor, vamos embora. Depois conversamos sobre isso. Agora não é o momento.
Bogna baixou a cabeça, com o punho ainda encostado na parede rachada.
— Somos poucos hoje em dia. Devíamos nos ajudar, ou vamos acabar sendo extintos. Do jeito que todos querem! — disse Bogna, com voz trêmula.
— Eu concordo com você. Estou nessa vida há mais tempo que você, Bogna. Ena não é uma Emissária de Sangue fraca. Ela é um dos membros importantes da insurgência, lembra? A missão dela era nos resgatar. A melhor forma de ajudá-la é facilitar o trabalho dela e confiar que ela é forte o suficiente para derrotar aquele caçador — disse Freirr, tentando acalmar a filha.
— Ter fé…
Freirr estendeu a mão para Bogna, que a segurou. As duas caminharam em silêncio pelo corredor, com Bogna refletindo sobre tudo que havia ocorrido nos últimos dias.
“Achei que finalmente tínhamos encontrado um lugar para ficar... mas, como sempre, as coisas não saíram como esperávamos. Talvez seja hora de aceitar que nunca terei um lar de verdade.” O pensamento ecoou em sua mente, deixando um gosto amargo. “O pior é que, no fim das contas, eu não fui capaz de fazer nada. Todo o peso ficou para Ena e minha mãe.”
Não era a primeira vez que precisavam deixar uma cidade para trás, fugindo antes que os problemas as alcançassem. Às vezes, conseguiam partir sem alarde; outras, a saída era marcada pela violência. Mas, daquela vez, a culpa pesava mais. Haviam passado tempo demais ali para que a despedida não deixasse marcas.
“Espero que o que Ena me disse sobre a insurgência seja verdade. Um pouco de esperança seria muito útil esses dias”, pensou Freirr, enquanto abriam a entrada secreta para a rota de fuga.
No entanto, ao sentirem uma energia mágica diferente de tudo que já haviam experimentado, as duas paralisaram. Era como estar diante de uma criatura selvagem faminta, algo que as deixou geladas.
— Mãe, o que foi isso?! — disse Bogna, assustada.
— Eu não sei, filha, mas com certeza isso não veio de um emissário ou de qualquer outra coisa que eu já tenha encontrado. Vamos embora daqui. Eu não estou com um bom pressentimento — disse Freirr, notando que sua mão tremia.
“Ena, pelos deuses, tome cuidado! Ainda vamos precisar de você”, pensou Freirr, enquanto as duas seguiam o corredor para escapar de Port Strong e da energia mágica agressiva que as assombrava.
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