Emissários da Magia Brasileira

Autor(a): Gabriel Gonçalves


Volume 1

Capítulo 15: Os Caçadores

Nas fronteiras da cidade de Port Strong, todos estavam vigilantes, à procura de qualquer sinal dos caçadores. A noite era tranquila, e tudo o que se podia ouvir da floresta era o som das folhas balançando ao vento e o zumbido de alguns insetos.

Os policiais novatos e os civis que se voluntariaram eram os que mais sofriam com a antecipação do que poderia vir. Naquela noite, em especial, a calmaria estava tendo um efeito tão negativo quanto o som dos inimigos se aproximando. Era uma noite que prometia ser longa e agonizante para todos que estavam de guarda, mesmo dentro da cidade. 

Todos estavam atormentados pelo medo e pela incerteza do que não podiam ver, mas que sabiam muito bem que estava ali, em algum lugar na floresta.

Enquanto isso, distante da cidade, em meio à floresta, duas figuras conversavam sob a luz do luar: Dimitri Poltergeist, vestindo sua capa que cobria a armadura, e uma mulher de cabelo curto e tapa-olho. Ela usava uma capa de pele animal e uma armadura de couro, com um machado em mãos. A roupa escondia sua cauda de macaco e os pelos de seu braço, que evidenciaram que a caçadora pertencia à raça wukong, também chamada de filhos da floresta. 

A mulher encarava Poltergeist com um olhar severo, enquanto ele concluía sua explicação sobre suas atividades na região.

— Então, como eu disse, já encontrei os alvos dentro da cidade. Aqueles monstros conseguiram se esconder bem ao escolher um lugar distante como esse para viver, mas vamos matá-los, assim como fizemos com os outros. O surpreendente foi o garoto que comentei. A energia dele era de uma criatura mágica poderosa, não, a de um emissário comum — disse Poltergeist.

— Pode ser um filho da floresta, como eu. Os mais fortes dos nossos podem emitir uma energia mágica diferente quando são usuários de magia — disse a caçadora.

— Não, ele não é um filho da floresta. O pingente indicou algo mais forte que isso. Algo que não havia encontrado em nenhuma das minhas missões quando era um templário.

A caçadora ponderou por alguns segundos sobre o que Poltergeist disse, olhando de relance para Isami, que se mantinha em silêncio, um pouco distante dos dois, parecendo um cão de guarda aos olhos da caçadora.

— Faça o seguinte, Dimitri: mate as duas aberrações que estão em Port Strong e traga o garoto que você disse estar acompanhando os Emissários de Vento. Não me importo com o que acontecer com essa cidade. Eles já escolheram o lado deles. Vamos estudar o garoto para descobrir o que o torna especial. Tenho uma suspeita do que pode ser, pela descrição que me deu, mas é praticamente impossível, ou pelo menos deveria ser — disse a caçadora.

— Não se preocupe, tenho uma arma secreta, e ele não falhará em cumprir a missão — disse Poltergeist.

Sem esboçar nenhuma reação, a caçadora se aproximou de Poltergeist e falou em voz baixa em seu ouvido:

— Eu não sei como consegue andar com essa coisa ao seu lado, mas não o trate de forma especial. Ele deveria estar morto, e você sabe muito bem disso. No entanto, estes são momentos difíceis para nossa ordem, e apenas por isso nossa facção está deixando isso passar. Aguardo ansiosamente pelo seu êxito nessa missão para podermos firmar nossa aliança.

— Como eu disse, Yujiang, não vou falhar. Há muita coisa em jogo. Isami cumprirá seu papel — disse Poltergeist.

— Senhora Hung, ele me mantém por utilidade. Afinal, eu também quero um mundo sem magia — disse Isami.

— Calado, seu pedaço de merda! Eu não lhe dei permissão para se intrometer nesta conversa, entendeu?! — disse Yujiang.

A filha da floresta levantou seu machado e apontou na direção de Isami. Poltergeist apenas se manteve em silêncio, sentindo a pesada aura de guerreira dela.

“Até mesmo Isami teria que se esforçar para derrubá-la. Só a presença dela faria qualquer pessoa comum cair de joelhos de medo. Esta é a força de um verdadeiro Caçador de Elite em seu auge”, pensou Poltergeist.

— De qualquer forma, vou avisar os outros do que está acontecendo aqui. Nos veremos novamente daqui a alguns dias para firmar nossa aliança e levar você e seu pessoal para nossa base atual. Cuidado com seus oponentes, principalmente com os filhos do demônio. Eles são ótimos em fugir, como você já deve ter notado — disse Yujiang, abaixando seu machado e colocando a mão direita sobre seu pingente. — Pelas caçadas que virão!

— Pelas caçadas que virão! — repetiu Poltergeist, imitando Yujiang ao dizer o lema da Ordem dos Caçadores de Elite.

A caçadora se retirou, deixando Poltergeist e Isami sozinhos. Após alguns minutos em silêncio, Isami falou:

— Por que não disse exatamente o que acha que o garoto é? Ela também estava pensando na mesma coisa.

— Eles estão extintos, por isso não disse nada. Pode ser superstição minha, mas desejo estar errado, ou isso seria mais um problema para lidar em meus planos — disse Poltergeist.

— Pelo menos devia ter dito que havia outro peixe grande naquela cidade.

— Peixe grande? Ha! Aquilo é um lobo em pele de cordeiro. Vou contar a ela sobre isso quando levar a cabeça dessa coisa, junto com as dos outros dois. Além disso, não vou conquistar a confiança deles se ficar apenas compartilhando meus achismos. Devo entregar informações concretas, ou não vão levar a sério essa aliança. Não posso continuar tendo eles suspeitando que eu possa ser um espião dos templários.

 

“Desde que saí da ordem, não tenho um dia de paz. Tenho um alvo enorme nas costas. Preciso conquistar a confiança dos caçadores para unir as facções, ou este mundo continuará no caminho obscuro em que está”, pensou Poltergeist.

O ex-templário, que até então encarava o nada, voltou sua atenção para Isami, que continuava parado no mesmo lugar. Ele pensou no que Yujiang disse sobre sua arma secreta e suspirou.

“Não há o que fazer. Fiz uma promessa”, pensou Poltergeist.

— Não tem volta. Estamos fazendo missões, ou melhor, caçando para eles nos últimos meses para conquistar a confiança deles. Agora, só precisamos terminar essa caça em Port Strong. Afinal, sem aliados fortes, não vamos sobreviver para completar nosso trabalho — disse Poltergeist.

Mantendo-se em silêncio, Isami olhou para um ponto da mata ao redor deles, e de lá saiu um caçador ofegante. O jovem, que tinha por volta de dezessete anos, olhou para Poltergeist com brilho nos olhos, tamanha a admiração que tinha por seu líder. O entusiasmo do caçador logo se extinguiu ao ver Isami, cuja presença era intimidadora. Mesmo viajando com ele por meses, o jovem não conseguia se acostumar com a aura de Isami.

Engolindo em seco, o caçador fez o melhor que pôde para esconder seu nervosismo e se aproximou de Poltergeist.

— Senhor… eu… eu… — gaguejou o caçador.

“Droga! Não consigo falar direito com o senhor Poltergeist com ele aqui. Parece que tem um demônio me olhando. Odeio a máscara dele”, pensou o jovem.

Com um sorriso gentil, Poltergeist colocou a mão sobre o ombro do caçador e falou com calma:

— Fique tranquilo, Dídac. Você está seguro aqui, lembra? Além disso, Isami não é ameaça alguma para nenhum de vocês.

— Sim, agora estou treinando. Eu não sou mais fraco — disse Dídac para si mesmo, repetindo as palavras que usava sempre que ficava nesse estado.

— Ótimo. Agora, me conte o motivo por ter vindo aqui. Como veio correndo, tenho certeza de que é algo importante. Os vigias viram mais alguma coisa interessante acontecendo em Port Strong?

— Não é nada sobre Port Strong. Eles continuam de guarda, esperando por um movimento nosso. Na verdade, vim avisar que Ash retornou ao acampamento.

— Finalmente. Ela deveria ter voltado na hora que soou o apito para trocar o turno. Deve ter um bom motivo para isso, eu espero…

Liderando o caminho, Poltergeist retornou com Dídac e Isami para o acampamento, em busca de Ash. Muitos cumprimentavam Poltergeist conforme ele passava pelos caçadores. Grande parte dos membros do seu grupo eram jovens que ele havia salvo durante suas viagens. Sem um lar e com um intenso desejo por vingança e/ou justiça, eles passaram a seguir o ex-templário.

Embora também pudesse ver, pelo acampamento, rostos de pessoas mais velhas e alguns Caçadores de Elite treinados e experientes, que caçavam sozinhos por não pertencerem a uma facção e decidiram seguir Poltergeist.

Todos estavam preparando seus equipamentos para o ataque a Port Strong. Depois que tomaram conhecimento de que Dariss Damariss havia caído, todos sabiam que Poltergeist logo atacaria a cidade, e os caçadores estavam ansiosos para irem atrás de suas presas.

Eles sabiam bem que, desde a noite da rebelião, os vigias não conseguiam mais entrar na cidade sem chamar atenção e que havia uma defesa armada esperando por eles. Mas isso só os deixava ainda mais animados para aniquilar seus inimigos, principalmente os que sobreviveram ao encontro com os Emissários de Vento e aguardavam pela revanche.

Não demorou muito para que Poltergeist avistasse Ash, que se destacava dos demais pelo que estava acompanhada. Enquanto uma caçadora enrolava uma atadura no braço da elfa, atrás das duas havia um kon mender que aguardava pacientemente por Ash.

“Essa garota domou um kon mender”, pensou Poltergeist, com um sorriso no rosto.

Outros jovens caçadores olhavam curiosos para Ash e a criatura mágica. Ambos possuíam ferimentos, mas nenhum deles tinha algo grave. Assim que Ash percebeu a aproximação de Poltergeist, abaixou a cabeça em sinal de respeito e disse:

— Desculpe pela demora, senhor!

— Levante a cabeça. Espero que não tenha levado tanto tempo para aparecer por causa desta criatura. Embora seja satisfatório ver você utilizando seus talentos, não foi por isso que te enviei à floresta — disse Poltergeist.

— Eu também trouxe informações importantes sobre o inimigo.

— Que informações?

— Gostaria de lhe contar a sós. É sobre algo que o senhor estava suspeitando.

Novamente, Poltergeist se encontrou sorrindo, satisfeito com sua pupila.

“Não vai me dizer que ela conseguiu confirmar a identidade dele? Ash, você realmente tem muito potencial”, pensou Poltergeist, certo de que a informação que Ash estava prestes a dar faria com que sua missão escalasse de nível. “Você já confirmou o que aquele garoto é.”

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