Volume 1
Capítulo 13: Acerto de Contas
— Você tem uma forma engraçada de começar uma “simples conversa” — disse Himiko, com um claro tom de sarcasmo.
— Tempos desesperados pedem medidas desesperadas. Não acha? — respondeu Dariss, com um sorriso irônico.
“Mesmo se eu usar os passos de vento, não vou ser tão rápido quanto Jasmim para salvar a mim mesmo e aos dois. Qualquer conjuração ofensiva pode fazer o teto desmoronar sobre nós. Isso seria péssimo, principalmente por estarmos no subsolo. Preciso ser paciente e esperar por uma abertura”, pensou Luther.
Os olhos do Emissário de Vento percorriam o ambiente, calculando possibilidades. Koloman, que tinha o braço em volta do pescoço de Blecor, pressionou ainda mais forte, percebendo o que se passava na mente de Luther.
— Arghhh! — grunhiu Blecor, lutando para respirar.
Himiko e Luther voltaram sua atenção para Koloman, que, satisfeito com o resultado, alertou:
— Não tente nenhuma gracinha, ou vou matar esse aqui!
— N… po… f…v…. — Blecor tentava falar, enquanto se debatia para respirar.
— Fica quieto! Já te avisei que, se me irritar, te mato — disse Koloman, pressionando o cano da pistola contra a cabeça de Blecor.
— Eu não vou tentar nada! Deixe ele respirar — disse Luther.
No entanto, o emissário não baixou a guarda. Ele olhou para Himiko, que pediu com o olhar que ele se acalmasse.
“Preciso arrumar um jeito de tirar esses dois daqui”, pensaram Himiko e Luther.
Koloman afrouxou o braço, permitindo que Blecor voltasse a respirar. Seu rosto estava vermelho, os olhos lacrimejando, e, se não fosse pelo ex-comandante segurando-o, ele teria caído no chão enquanto recuperava o fôlego.
Batendo com a ponta da pistola na grade da cela, Dariss trouxe a atenção de todos de volta para ele e disse:
— Sabe, Kami, tenho que elogiar você por todo o empenho que teve na rebelião. Tenho certeza de que ganhar o favor da população, mesmo usando Lauren, não teria funcionado tão bem, exceto se você estivesse trabalhando nisso há um bom tempo, esperando o momento certo para agir.
Himiko se manteve em silêncio, confirmando as suspeitas do ex-governador. Ele continuou:
— Escutei do traidor que vocês acreditam estar ajudando a cidade, hahahaha. Vocês estão se vendo como salvadores, conseguiu colocar essa merda na cabeça de todos eles. Novamente, preciso te elogiar por isso. Mas é engraçado…
— O que é engraçado? — perguntou Himiko, com frieza.
— Que você caiu em um truque idiota como esse! Pensei que a grande mente por trás dessa rebelião teria sido mais cuidadosa, ainda mais considerando que os policiais que estão ao seu lado estão ocupados demais protegendo as fronteiras para que aqui tenha uma segurança decente.
Enquanto Dariss falava, Ian sentia o impulso de puxar o gatilho para matar Luther aumentar a cada segundo.
“Hora de dar o troco nesse desgraçado por ontem!”, pensou Ian.
— Ian, se acalme. Não podemos nos deixar levar pelo calor do momento — disse Koloman, enfatizando cada palavra.
— Desculpe, pai… quer dizer… Desculpe, senhor! — disse Ian, suprimindo seu desejo o máximo que podia.
“Quando conseguir uma abertura, vou ter que me livrar dele primeiro. Já estive em batalhas o suficiente para reconhecer quando alguém está com sede de sangue. Vamos lá, Himiko, só preciso de uma distração”, pensou Luther.
Himiko continuou sem responder Dariss.
— Ainda não vai dizer nada?! Quanta arrogância a sua, acreditar ser alguma espécie de salvadora dessa cidade! Essas pessoas não precisavam da sua ajuda! A única coisa que você e esses malditos emissários fizeram foi trazer para esta cidade uma batalha que eu havia evitado! Todas as pessoas que morreram ontem, que morreram aqui e que vão morrer quando os caçadores atacarem, porque é óbvio que eles vão, será por sua culpa!
Himiko, sem esboçar reação alguma, olhou para os rostos dos policiais presentes no pequeno espaço e disse:
— Jasper, Ian, Gunnar e Kirk, vocês deveriam ter ficado escondidos até que a poeira abaixasse. Não esperava vê-los aqui.
— Ei! — disse Dariss, perdendo a paciência e atirando na perna de Blecor.
Gritando de dor, Blecor tentou se abaixar, mas Koloman o forçou a ficar de pé, agradecido pela boa mira de Dariss. Luther e os policiais se agitaram, olhando uns para os outros em um impasse sobre quem agiria primeiro.
Na cela, a esposa do governador e Ena cobriram seus rostos, gritando assustadas com o barulho do tiro ecoando pelas paredes. Do lado de fora, os detentos pareciam prestes a derrubar as grades de suas celas, embora isso não fosse possível.
— Eu estou falando com você, Himiko! Você está confundindo a situação aqui para estar tranquila dessa forma? Está se sentindo no controle?! — disse Dariss, voltando a apontar a arma para a elfa. — Está na hora de você pagar pelo que fez, por manipular essa cidade. Antes que eu saia desse lugar, você vai morrer!
— Por favor, me solte, minha perna está doendo muito, por favor… — implorou Blecor, sentindo uma dor aguda e o sangue escorrendo de sua coxa direita.
— Cala a boca, seu rato! — disse Dariss.
“Ele está ficando fora de controle. Vou ter que me arriscar, ou nenhum dos dois sairá vivo daqui”, pensou Luther.
— Dylia está preocupada com você, Koloman. Devia ter pensado mais na sua esposa antes de agir assim. Dariss, sobre os seus filhos, Rina está tentando ser uma boa irmã mais velha e ser forte, mas Alwin não para de chorar, querendo seu pai e afirmando que ele não fez nada de errado. Crianças são assim mesmo, sempre fiéis aos seus pais, não concorda, Zaleria?
A esposa do governador correu para perto da grade, tão nervosa que não conseguia dizer uma palavra sequer. Ian ficou com a mão trêmula, enquanto Koloman manteve a compostura, mesmo com toda a preocupação que sentia.
“Espera, era por isso que ela não demonstrou preocupação alguma com os policiais fugitivos?”, pensou Luther, assustado com a atitude de Himiko.
— Eu tenho uma pergunta melhor para você, Dariss — disse Himiko, encostando a testa no cano da pistola de Dariss com uma expressão intimidadora, parecendo se divertir com a situação. — Você ainda se sente no controle?! Me diga, estou ansiosa pela resposta!
A mão de Dariss ficou trêmula, e, sem conseguir falar, tomado pela preocupação com seus filhos, ele apenas ficou boquiaberto. Zaleria, desesperada pelos filhos e sentindo o peso do olhar de Himiko, disse:
— Por favor, deixe eles fora disso! Eles são apenas crianças! Nós só queremos sair da cidade antes que Poltergeist venha nos matar. Tenho certeza de que ele virá atrás de nós por falharmos em cumprir nosso lado do acordo. Não acredito que o dinheiro que mandamos para ele fará com que ele ignore tamanha falha.
— Eu coloquei as famílias de vocês em um local separado das demais para ficarem a salvo quando o ataque chegar e não sofrerem represália de algum cidadão ressentido pelo que houve ontem. Mas, se algo acontecer comigo, eles morrem. Você quer que eu os deixe fora disso? Então, que tal todos baixarem suas armas e conversarmos pacificamente?
Os policiais olharam para o nobre, esperando por sua decisão. Luther esperava que baixassem as armas para fazer o mesmo. Himiko, percebendo isso, disse:
— Baixem suas armas agora!
Dessa vez, os policiais obedeceram ao pedido da nobre, não só baixando as armas, mas também soltando-as no chão, receosos de que suas famílias pagassem o preço. Luther colocou sua espada de volta na bainha, embora ainda estivesse pronto para usar os passos de vento para tirar a arma de Dariss, que ainda hesitava em obedecer.
— Nossa cidade pode ser atacada por caçadores a qualquer momento, e a única coisa que vocês estão conseguindo fazer aqui é me fazer perder tempo em uma hora crucial! Se querem a segurança de suas famílias, unam-se a mim no esforço contra os caçadores. Prometo que nenhum mal acontecerá a eles se me ouvirem — disse Himiko.
De início receoso, Koloman olhou para o filho, vendo a preocupação dele com a mãe, e percebeu o que deveria fazer.
“Não posso deixar meu orgulho fazer com que meu filho fique sem a mãe, e eu não perderia minha esposa por nada neste mundo”, pensou Koloman.
— Eu cooperarei com a senhora, mas gostaria de ver minha esposa e meu filho antes — disse Koloman.
— Nada mais justo. Todos vocês poderão ver suas famílias, mas elas continuarão sob minha custódia — respondeu Himiko, enquanto a arma na mão de Dariss tremia. Ela olhou para Blecor, que estava ficando pálido pela perda de sangue. — Levem-no imediatamente para cima e cuidem da ferida dele.
— Sim, senhora — disseram os policiais em uníssono.
Kirk arrancou um pedaço da roupa de um dos cadáveres e estancou a ferida de Blecor. Os outros levantaram o homem e o levaram para o andar de cima.
Encarando Ena como se estivesse prestes a atirar nela sem misericórdia, Himiko disse:
— Você falou com os caçadores por eles, não foi?! Diga-me onde é o acampamento deles!
— Eu não sei! Por favor, não me machuque, eu não sei de nada! — disse Ena, encolhendo-se no fundo da cela.
— Não se faça de idiota!
— Eu estou falando a verdade! Eu esperava por eles no começo da entrada principal, e eles me levavam para o acampamento com a cabeça coberta. Eu não sei onde é e nem ouvi nada que pudesse indicar a localização. Eu juro pela minha vida!
“Droga, essa era nossa melhor chance de evitar um ataque à cidade. Não posso mandar ninguém para a floresta. É suicídio. Vou ter que esperar que eles façam o primeiro movimento”, pensou Himiko, virando o rosto e se dirigindo à saída.
Descontente com as atitudes de Himiko, Luther a observava, tentando se conter para não questioná-la. No entanto, sabendo que ali não era o lugar para isso, manteve-se em silêncio.
— Vamos, Luther. Não temos mais nada para fazer aqui — disse Himiko, antes de sair.
O emissário suspirou, vendo-se sem escolha a não ser acompanhá-la, já que também queria sair daquele ambiente. Emissários de Vento normalmente não gostavam de ambientes subterrâneos, onde suas ações eram limitadas, principalmente em espaços pequenos como aquele.
Porém, antes que ele saísse da sala, sentiu novamente alguém o encarando. Como da última vez, ele viu que Ena o fitava com um olhar assustado.
— Luther! Por favor, venha logo! — chamou Himiko, do fim do corredor, prestes a subir as escadas.
— Tsk, nobres… — resmungou Luther.
Ele então se retirou da sala, enquanto Ena o acompanhava com o olhar e Zaleria chorava frustrada nos braços de Dariss, após outra derrota contra Himiko. Sem saber quando voltaria a ver seus filhos.
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