Volume 2
Capítulo 23: A Mulher Dos Sonhos, Ganha Vida
Eles estavam no controle. Todos os centros estavam sob controle. Uma limpeza já havia sido feita e agora era a hora que Edward chamou de reagrupamento. Eles iriam começar a se organizar antes de partirem para o ataque.
Tinham pouco tempo, Elis dissera. Seriam atacados em breve, os Tecnopatas predisseram, no entanto nada aconteceu. Nenhum tipo de ameaça veio, nenhum tipo de mensagem do inimigo e isso era estranho.
Nem os vivos e nem os mortos conseguiram qualquer informação e para piorar todos voltaram a sonhar.
Insónia se espalhou como um vírus pelo centro, criando vários zumbis que perambulavam pelos corredores, exaustos, pálidos e a beira de um colapso, claro isso apenas para os mais dramáticos.
O surto se estendeu e voluntariamente Dumm, sugeriu voltar a mexer com os sonhos, Dan a fazer todo mundo dormir, mas Elis e Lucky prontamente foram contra, roubando a esperança que havia surgido no olhar dos soldados.
Aiyden sabia do sofrimento deles, mas desejou por uma noite poder não sonhar, porém o discurso de Elis e Lucky sobre Dumm e todos os outros já terem feito muito, de estarem mais cansados que todos, levou para longe seus desejos egoístas.
Os dias passaram, mal dormidos, e sem previsão para terminar, até que alguém surgiu com algo, uma suposta ideia para tentarem ir ao fundo da questão. Astrid sugeriu dar vida à mulher dos sonhos.
— Eu sou contra! — Jase declarou. — Ela já é um pesadelo no mundo dos sonhos, se vir para a realidade será…— pareceu pensar. — Um pesadelo real!!
— Que tipo de informação você acha que pode tirar de um desenho? — Chloe perguntou, séria, como se realmente estivesse ponderando sobre. — Pelo que entendi seus desenhos não falam!
— Eh!...Eu só achei que talvez pudesse descobrir alguma coisa. Sei lá — deu de ombros e pareceu empurrar aquilo para o lado.
Era uma má ideia? Talvez. Daria mais pesadelos. Concerteza, entretanto e se saísse algo dali? E se realmente pudessem descobrir algo? E se talvez encontrassem a solução de tirá-la da cabeça deles? Isso poderia ser facilmente o maior desejo de Aiyden naquele momento, dormir de verdade, com pesadelos que fossem apenas seus, com rostos e eventos que não lhe causassem grandes sentimentos além do que uma pessoa normal deveria ter com um pesadelo.
Então não hesitou em tomar o lado de Astrid.
— Vamos tentar!! — Aiyden e Lucky disseram em uníssono. Os olhos se encontraram, algo próximo da incredulidade desfigurando o rosto, até que ao mesmo tempo olharam para frente.
— Como disse anteriormente…— Jase falou mais alto. — Eu discordo!!
— Vamos fazê-lo. Não há muito a perder realmente — Jase fuzilou Chloe com o olhar e ela apenas o encarou quase que desdenhosamente.
— Creio que talvez seja melhor avisar aos outros — falou Logan, sério. — Não queremos que ninguém tenha um ataque por conta disso.
Chloe descruzou os braços e enlaçou o corpo para frente e todos foram para mais perto.
— Vamos apenas informar para Elis. Fazemos em uma das salas de exame. É um desenho qualquer anomalia, nós podemos destruí-lo — falou Chloe e Aiyden não pode evitar olhar para Astrid, que somente assentiu.
A conversa com Elis foi rápida e o que era eles e Elis, se tornou eles, Elis e seus mortos, Ian e o resto do centro de ajuda, incluindo as crianças que alegaram não terem medo e assim todos se sentaram para assistir na sala de corridas.
— Vocês são… estão loucos — acusou Jase, exasperado. — Isso vai dar errado. Depois não digam que eu não avisei.
Jase cruzou os braços, o rosto demonstrando toda sua reprovação quanto ao que pretendiam.
Lucky bateu no ombro de Jase e estendeu a mão direita.
— Se estiver com medo, apenas segure a minha mão — sorriu grandemente e Jase por sua vez olhou para o lado, porém não se desenvencelhou da mão de Lucky, quando ela segurou em sua mão.
Eles realmente pareciam irmãos, Aiyden não pode deixar de constatar.
Será que também tenho irmãos? Pensou, os olhos nas mãos entrelaçadas. Será que eles gostaríamos de mim?
Aiyden piscou os olhos e levantou o olhar para Astrid, a qual desenhava em uma tela que era maior do que seu corpo. Alguém a entregou um banquinho tirado do quarto de Russell. Era felpudo, branco e tinha diamantes à volta. Mas tais detalhes não importaram, pois as botas de Astrid facilmente mancharam o tecido e isso deu a Aiyden um sentimento de satisfação. Não havia sido ele a matar Russell como havia lhe prometido, mas ao menos poderia assistir a decadência de um item seu.
A pintura levou quase uma hora, porém pareceu bem mais que isso, a cada minuto alguns foram saindo da sala e outros se afastando de onde Astrid estava, até que ela anunciou ter terminado e Aiyden começou a suar nas mãos, o coração disparou e por um momento ele quis ser Jase para ter alguém que pudesse o proteger daquela mulher.
Astrid desceu do banco e deu cinco passos para trás. Os que estavam na frente de Aiyden se levantaram e ele seguiu o exemplo, era como se todos quisessem ver melhor, até Jase se levantou, claro com Lucky junto.
Um grito veio de algum lugar, a tensão subiu mais alguns níveis quando a mão da mulher saiu. Astrid deu mais passos para trás.
O outro braço saiu e de seguida as pernas e então ela veio para a realidade.
— Eu… to indo! — Phelan se despediu, foi segurado por Kane que tentou mantê-lo ali, porém o ruivo se desenvencilhou quase que desesperadamente e saiu correndo.
— Seu…— Kane não terminou, assim que os olhos voltaram para a mulher dos sonhos, eles ficaram horrorizados.
Se fez um silêncio terrível na sala de corrida. Não havia som algum, enquanto a mulher caminhava lentamente em direção a Astrid, a qual fugia no mesmo ritmo.
A mulher estava como no pesadelo, em seu estado final. Ensanguentada, com um corte em seu abdômen. Ela estava chorando, morrendo e como sempre Aiyden sentiu o coração doer, raiva aqueceu seu sangue e medo fez os pelos de seus braços se arrepiarem.
Ao seu lado, Aiyden ouviu o som de algo caindo e quando conseguiu desprender o olhar da mulher, levou os olhos para baixo, onde encontrou Jase sentado, os olhos voltados para o chão e os ombros tremendo levemente. Aiyden olhou ao redor e o surto… susto era colectivo. Haviam pessoas derramando algumas poucas lágrimas, outras seguiram para a saída e outras apenas desviaram o olhar. Eles pareciam sentir demais por uma desconhecida.
Astrid ficou estática quando a mulher enfim caiu, tal como no pesadelo.
Ela vai morrer. Aiyden levou a mão ao peito quando as batidas do coração o incomodaram e então a mente pareceu dar um estalo. Informação. Aiyden tentou se focar, eles precisavam de informação.
Se forçando a caminhar, Aiyden passou pelas pessoas e saiu da área onde haviam criado uma arquibancada e a sua frente viu Lucky, Elis, Ian e mais alguns soldados incluindo duas curandeiras.
Todos se reuniram em um círculo e Astrid a criadora, se escondeu atrás de Lucky.
— O que é suposto fazermos com ela? — alguém perguntou e como resposta o único que não parecia sentir qualquer tipo de medo se aproximou e se abaixou perto do corpo da mulher.
Ian checou seus ferimentos, tocou em seu cabelo e até por trás de suas orelhas e quando ia para o seu pescoço a mulher segurou-o pelo pulso causando um susto colectivo.
Todos com excepção de Ian deram vários passos para trás e atentos acompanharam a mulher abrir os olhos e olhar para Astrid, a qual ainda estava atrás de Lucky, agora segurando seu braço.
— Você está controlando ela? — Ian perguntou para Astrid.
— Não… eu não sei.
— Tente controlá-la!
Astrid o encarou abismada, como se o pedido fosse absurdo.
— É tua criação. Ela não é de verdade… Astrid! — Ian a chamou quando a viu baixar o olhar. — Controle-a.
Com um leve empurrão e sussurros de Lucky, Astrid deu passos em frente, as mãos trêmulas se escondendo atrás das costas, os olhos lacrimejando, ela não queria ir, mas deu os passos suficientes para ficar de frente a mulher dos sonhos.
A mão ensanguentada, deixou o pulso de Ian, o qual se afastou quando a mulher decidiu se levantar, deu um passo e estava muito perto de Astrid.
— É uma mulher de Aquamarine — decidiu Ian, enquanto andavam em círculo à volta de Astrid e da mulher. — Pelas roupas é muito provável que seja de uma época muito antiga, poderia até ousar dizer que é…
— Mil anos — Elis pareceu encontrar a própria voz.
— Essas não são roupas de Aquamarine — Lucky começou. — São roupas de Turmalina.
Turmalina?
— Por que sonhamos com alguém de mil anos atrás? E ainda sendo de Turmalina?
Lucky não ofereceu uma resposta para Aiyden e a voz que se fez presente foi a Astrid.
— Por que todos nós?
Ian parou atrás da mulher.
— Talvez provenha de uma ligação que existe entre todos vocês.
Silêncio assumiu o comando da imensa sala de corrida. A reflexão e busca por respostas pesando no ar até que Elis decidiu se fazer ouvir.
— O Guardião. Ele…
A voz morreu, os olhos presos na mulher em sua frente que só encarava Astrid.
— Talvez eles estejam relacionados de alguma forma — disse Ian. — E levando em consideração o estranho afecto ou medo que vocês sentem por ela, então… talvez ela tenha sido alguém importante para ele, uma amiga ou uma inimiga.
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