Volume 2
Capítulo 21: Ela, E o Ataque
Ganharam? Sim, desde que todos os inimigos continuassem mortos e os que estavam nas celas permanecessem lá, então Aiyden poderia acreditar que eles realmente haviam ganhado, ao menos no centro de ajuda cinco.
Estavam livres? Aiyden ainda não sabia. Ele realmente não conseguia dizer quando os ferimentos ainda ardiam tanto. Ele se sentia livre e estava com dores? Ou só estava com dores mesmo?
Onde estava a felicidade?
O ataque levou quase um dia inteiro. Quando foi anunciado que haviam tomado o centro, logo veio o anúncio de limpeza. Os mortos foram movidos para a área funerária, onde tinha uma enorme geladeira com o corpo de vários soldados. Eles não eram enterrados, estavam a ser guardados para alguma coisa que Aiyden preferiu não perguntar sobre. Quando todos os corpos foram colocados nos compartimentos vazios, Aiyden saiu rapidamente, procurando qualquer outro trabalho que não envolvesse pessoas mortas, não só por serem mortas, mas por que entre eles havia soldados quando era para nenhum deles morrer naquele ataque, mas eles morreram.
— Vamos tirar ela de lá? — Jase perguntou indicando a cela de Grania.
— Agora não. Temos de ver como vamos lidar com ela sem ficarmos todos loucos.
Jase assentiu e em seguida fechou a porta da cela onde continha a última remessa de guardas inconscientes.
Lado a lado, os dois soldados caminharam para a saída do grupo zero.
— Acabou!? — perguntou Jase.
— Não sei…
— Morreram dez pessoas.
Aiyden se obrigou a continuar andando.
— Eu sei!
— Espero que não morra mais ninguém.
— Eu também — disse Aiyden e o resto do tempo ficaram em silêncio até chegarem à sala de controle.
Jase foi para o lado de Lucky e Aiyden decidiu se juntar a Astrid e Chloe.
— Temos pelo menos mais quatro horas até os outros centros tentarem se comunicar com o centro cinco — falou, Elis ou Edward
— Vamos atacá-los antes — sugeriu Chloe.
— Já há um plano — anunciou, os olhos negros em uma tela gigante a qual apresentava uma planta de todos os centros, ligados uns aos outros com o centro de ajuda zero como o centro de tudo.
— Há? — Chloe perguntou, o olhar indo para Enry que estava focado em outra tela. — E qual é?
— Layne vai lidar com isso.
— Layne? Ela rejeitou se envolver.
— Achei que não havia falado com ela? — perguntou Aiyden, sussurrando para Chloe.
Mudei de ideia. Mas ela rejeitou.
— Elis pediu isso para ela — Enry girou em sua cadeira, os olhos passando brevemente por cada um dos dez soldados que estavam na sala, sendo Arlo o único abaixo dos 14. — Ela precisava que Layne lidasse com os outros centros, não só ela como Dan e Vanna. Precisávamos que eles não gastassem energia aqui.
— Achei que era para não aguardar segredos — Jase relembrou, os braços cruzados em cima do peito.
— Não era realmente um segredo… quer dizer era, mas não há qualquer má intenção. Só achamos não haver mais necessidade de expormos essa informação.
— Qual é exatamente o vosso plano? Como vão lidar com os outros centros? — Chloe perguntou, a mão indo para a cabeça. Limpou o suor e tornou a cruzar os braços.
— Layne, Dan e Vanna vão atacar os centros juntos e como os soldados não estão avisados do ataque, então eles também vão se encarregar de protegê-los — explicou Elis, Aiyden preferiu concluir que aquela se tratava de Elis e não Edward ou outro morto.
— Vão conseguir proteger a todos? — perguntou Alanis, o rosto escamoso não conseguindo esconder sua incredulidade quanto aquilo.
— Precisamos acreditar que sim.
— O sistema de controle? — Chloe perguntou.
— Gray vai lidar com isso — indicou Kieran com a cabeça e ele somente assentiu.
— Mas…— Astrid chamou toda a atenção para si e isso a fez se sentar mais corretamente. Afinal havia mais pessoas além de seus companheiros assistindo. — Como eles vão fazer isso estando aqui? Isso é possível?
Elis tentou sorrir.
— A maioria de nós não pode fazer algo assim, mas eles podem. Por isso precisava que ficassem à parte de tudo. Eles já vêm se preparando para isso.
— A quanto tempo está sendo feito esse preparo? A quanto tempo vocês vêm planejando tudo isso?
Elis olhou para Chloe a expressão indo de séria para algo mais suave, mais feliz.
— Elis? — Jase chamou quando o silêncio se estendeu por tempo demais, quando o rosto de Elis se tornou sorridente e verdadeiramente amigável.
— Amber, troca com a Elis — pediu Enry e Elis… Amber parou de sorrir, a cabeça balançou como se quisesse espantar algo e Elis Swooney voltou, o rosto sério e quase sem emoção.
— Desculpem — pediu sem se prolongar em uma explicação sobre a repentina mudança. — E respondendo a…a tua questão — falou para Chloe, a voz saindo em um ritmo mais lento que o normal. — Eu venho planejando desde o momento que percebi que eles não têm domínio absoluto sobre nós.
Aiyden assentiu com a cabeça involuntariamente.
— Tudo que precisava ser feito era tomar este lugar para os dar a liberdade de atacarem.
— Por que não atacaram antes? Afinal são muito poderosos, certo? — Astrid perguntou.
— Eles de certo são poderosos, mas para pessoas como nós poder demais se torna um perigo, ao ponto de nos tornar uma bomba relógio e isso faz eles terem medo de nós. Pessoas poderosas são perigosas, por isso o centro mantém os mais poderosos e aqueles que ajudam na extensão da vida útil dos soldados sob alta vigilância.
A mão de Elis foi para o pulso e passou a girar o bracelete.
— Eles têm… tinham as nossas vidas na mão. Pensando-as em uma balança a todo instante.
Ninguém disse nada e minutos depois Elis retirou o jaleco branco, por fim o sobretudo preto e apontou com a unha para uma aranha, um aparelho em forma de aranha que estava sob a sua camisa, bem onde fica seu coração.
— Se ativarem esse dispositivo nós morremos. É a melhor forma para nos manterem na linha.
O ar pareceu ficar mais pesado na sala.
— Quem mais tem isso? — Aiyden perguntou. — Quantos têm isso?
— Todos os que não atuam como soldados.
— Alguém já morre… — Chloe parou, os olhos presos em Elis que mesmo sem abrir a boca respondeu a pergunta de Chloe.
Alguém morreu. Aiyden poderia ler em seus olhos.
Chloe limpou a garganta, a manga da camisa na testa tirando o suor, Astrid se aproximou e sem hesitar Chloe apoiou o braço em seu ombro.
— Bem… digamos que você consiga cumprir todos os seus propósitos, o que vem a seguir? Afinal você já tem um plano todo feito e…
Elis sorriu.
— Infelizmente ainda não tenho os próximos passos. Estou à espera, tudo que tenho por enquanto é o ataque aos outros centros de ajuda. Ela deverá dar os próximos passos logo após cumprirmos isso.
— Ela!? — Jase perguntou, o rosto denunciando sua confusão. — Que-quem é ela?
— Aquela que ajudou a com todos os planos e que vai nos direcionar — Olhou a volta. — Para fora daqui, em busca de uma verdadeira liberdade.
Chloe levantou uma mão, deu um passo em frente e Astrid foi junto.
— Espera. Como assim? Quem é essa pessoa?
Elis vestiu o sobretudo e depois o jaleco, deixando todos em espera e quase roendo as unhas em curiosidade.
— Nunca vi seu rosto. Apenas falamos por telepatia. Ela me passa informações, e oferece suporte.
Aiyden assistiu o rosto de Jase se desfigurar em uma expressão assustada.
— Ela tem nome? — perguntou Alanis e Elis só negou.
— Tratamos ela de Ela — interviu Enry, tornando tudo mais estranho.
— E vocês… confiam nessa pessoa? Vocês nunca nem a viram.
— Eh!! — Jase concordou com Chloe.
— Vocês seguiram a informação de um morto!
Aiyden encontrou os olhos de Enry que sorriu para ele.
— Nós não temos mais nada a perder, não seguindo ela nós vamos morrer, seguindo ela, existe a possibilidade de morrermos ou não. Se olhar bem é melhor do que simplesmente aceitarmos morrer feito aberrações — falou Enry e girou a cadeira se voltando para tela.
Elis deu quatro passos em frente, ficando mais ao centro.
— Seja quem for, ela nos estendeu a mão e se puder nos alavancar para fora dessa prisão não me importo realmente sobre quem ela seja.
O silêncio assumiu o controle da discussão e Aiyden procurou onde olhar, procurou não raciocinar demais, afinal tal como Enry disse ele havia seguido um morto, e eles estavam seguindo quem julgavam ser seu salvador.
— Ela quer que procure o guardião para acabar com nossos poderes — anunciou Elis e todos pareceram voltar à vida.
— Não disse que não sabia os próximos passos? — perguntou Phelan, Kane King e Orfeu bateram em seus braços, trazendo à tona uma expressão de dor no rosto de Phelan, seguida da pergunta silenciosa: “O que eu fiz?”
— Isso é algo que já vemos discutindo a algum tempo.
Os olhos de Elis ficaram em Phelan pelo que durou um minuto e depois foram para os restantes.
— Ainda não temos traçado o plano completo de como faremos isso, mas a ideia é encontrarmos o Guardião e… pedirmos para ele acabar com os nossos poderes ou para pelo menos fazer com que ninguém mais nasça assim.
Astrid e Chloe trocaram olhares, os olhos levemente arregalados.
Jase levantou uma mão.
— Diz Jase!
— Não vai dar ruim para o nosso lado se… ficarmos sem poderes? Tipo ficaremos em desvantagem.
— Eh! Mas se não o fizermos, continuaremos a diminuir a nossa expectativa de vida.
Enry girou na cadeira e Aiyden quis lhe pedir para ficar quieto, aquilo fazia sua cabeça ficar às voltas. Por que ainda tinha tanto para fazer? E se não tivesse o que ele faria? Afinal não tinha para onde ir.
— Alguns de nós, mesmo sem estarem no centro, acabam morrendo por falta de controle, e isso só está piorando, por isso quase não há novos. Eles estão morrendo.
Um silêncio frio se estendeu pela sala, deixando o clima estranho, pesado.
— Quando tiver os próximos passos eu irei vos comunicar, por agora terminem de arrumar a bagunça — Elis deu as costas e seus olhos foram para o monitor gigante. — Libertem o Ian, ele é quem pode tirar essas coisas de nós e os braceletes.
Os olhos de Aiyden caíram no bracelete.
— Já não desligamos essa coisa? — Jase perguntou.
— Não! — Elis olhou por cima do ombro. — Eles ainda estão limitando nossos poderes. Nós ainda não estamos a cem por cento.
.
.
O ataque aos outros centros ocorreu de forma silenciosa, tal como Elis havia planejado. Quatro centros foram atacados e tomados.
Não havia mais Russell, os superiores dos outros centros foram mortos ou estavam inconscientes nas celas, não havia mais guardas apontando armas para eles, estavam livres… mesmo que ainda houvesse muito para fazer.
Soldados estavam agora em todo lado, fora de suas celas em horário não permitido, comendo comida de verdade e sentando onde quisessem, sem nenhum alarme tocando, estavam todos desligados, tal como qualquer dispositivo de monitoramento configurados para alertar qualquer erro cometido por eles.
Aiyden por sua vez estava sentado na mesa do grupo zero, a cabeça deitada sobre o braço e os olhos fechados, tentando dormir e temendo sonhar, pois agora Dumm já não mais manipulava os sonhos, os protegendo da mulher de cabelo azul ou de qualquer outro tipo de pesadelo. Elis havia anunciado minutos atrás que Dumm já não os protegeria de sonhar, ela os deixaria à mercê do mundo dos sonhos, a mercê de seus próprios medos, que a noite se tornavam pesadelos.
No entanto, ninguém discutiu, ninguém teve a ousadia de pedir que continuasse, a aparência de Dumm foi o suficiente para eles engolirem qualquer argumento de negação. A menina de apenas dezesseis anos, estava quase osso, o rosto desprovido de cor e os olhos mal focando em um ponto, ela já havia se desgastado por eles, era hora de ela ter um descanso.
Na verdade era hora de todos terem um descanso. Era hora de Aiyden poder apenas… ele ainda não sabia, mas qualquer coisa diferente do que ele tem vivido seria ótimo.
— Aiyden…
Os olhos abriram, piscaram tentando espantar o sono que enfim já começava a vir. Me deixa em paz! Pensou, mas sua boca não conseguiu verbalizar, então só piscou mais os olhos e sua visão foi ficando mais nítida e quando se sentiu seguro de que veria a pessoa claramente ele levantou a cabeça.
Primeiro veio o desconhecimento e então o cérebro conseguiu associar o rosto a sua frente com um nome e isso foi o suficiente para fazer seu corpo se levantar.
Aiyden quis recuar, mas a mesa atrás não o deixou escapar, depois quis perguntar, mas não encontrou a voz, então olhou para Ian Moore o qual somente assentiu, o rosto esboçando um leve sorriso que parecia verdadeiro.
— Le-lembra de mim? — perguntou a menina, a mão torcendo a camisa e os olhos hora focando em Aiyden, hora focando em suas próprias mãos. — E-eu sou…
— Yoslin!
A menina levantou o olhar e assentiu muito lentamente, e com os lábios tremendo falou:
— I-Ian falou… que-que Leo…
Aiyden a abraçou, realmente forte cortando facilmente o choro de Yoslin por alguns instantes, até que sem aviso ela irrompeu em um choro que foi seguido pelo choro de Aiyden.
As vozes no refeitório aumentaram. O nome Candy se tornou a palavra chave enquanto abraçados os dois amigos apenas choravam, por estarem vivos, por estarem juntos e pela morte de seu integrante mais forte.
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