Em Outro Universo Angolana

Autor(a): Tayuri


Volume 2

Capítulo 19: Astrid, Cria Super Levi's

Quando Aiyden abriu os olhos, o rosto estava voltado para o chão. Quando se levantou a cabeça estava às voltas.

Deu quatro passos em frente, dois para trás e sentiu os olhos arderem.

Onde… o que?

Aiyden levou a mão à cabeça quando sentiu uma pontada, era como se alguém estivesse batendo nela repetidas vezes, a dor vindo das têmporas e até da parte de trás da cabeça.

Chloe! O nome sugeriu, tão abruptamente como se fosse um pensamento intrusivo. 

Aiyden olhou à volta, tentando se lembrar, se situar e percebeu que estava na sala de corrida, onde havia pessoas lutando. Eram soldados contra os guardas do centro, eles tinham poderes e por alguma razão Aiyden não ouvia nada. 

O soldado bateu as mãos nos ouvidos uma, duas, três vezes e nada, tornou a bater e sentiu o coração pulsar, as batidas seguindo o ritmo das mãos que continuaram batendo e batendo, em busca do som, que não veio, então o estômago embrulhou e os braços pararam abruptamente, era Astrid que se materializou a sua frente em algum momento que ele não prestou atenção, ela havia o encontrado em meio aos caos e suas mãos que pousaram sob as suas fizeram seu coração desacelerar, como se a presença dela fosse um aviso de que ele poderia se acalmar.

Astrid abriu a boca, mas nenhum som veio dela. Aiyden fez o mesmo, dizendo algo como: “Não estou ouvindo nada! Não ouço nada!!”, e em seguida fechou a boca e esperou por Astrid, a qual disse algo que ele não ouviu, cogitou em ler os lábios dela porém um pensamento intrusivo… uma lembrança o fez mudar de ideia e então somente abanou a cabeça e focou nos olhos azuis que o encaravam com preocupação.

As mãos de Astrid puxaram as de Aiyden para baixo, e quando as soltou levou as suas para os ouvidos e depois abanou a cabeça e fez isso duas vezes até que Aiyden compreendeu e assentiu. 

Os olhos de Astrid semicerram levemente, e depois se abriram mais, antes de puxar Aiyden para baixo quando o corpo de um guarda passou por suas cabeças e não muito distante uma parede explodiu abrindo caminho para o corredor, onde guardas foram jogados e outros entraram carregados de todos os tipos de armas. 

Astrid puxou Aiyden pela mão, para qualquer direção, forçando suas pernas a se moverem enquanto a mente gritava para ficarem e enfrentarem os guardas, entretanto sentiu medo de não ouvir novamente a própria voz e somente se deixou ser guiado pela companheira que em um dado momento pareceu ficar zangada ou estava apenas gritando sobre alguma coisa.

Passaram pela pista lamacenta, os pés firmes no chão para não escorregar e ao final do percurso um soldado foi jogado aos pés deles por dois guardas, os quais sacaram suas armas e antes das balas choverem Astrid teletransportou eles e o soldado de pele escamosa para longe. 

O rapaz disse algo para Astrid que Aiyden supôs ser um agradecimento e sumiu, novamente Astrid entrelaçou suas mãos, porém quando deu um passo em frente uma parede explodiu levando os dois para longe.

Aiyden tateou o chão, tossiu compulsivamente e sentiu uma dor vinda de seus ouvidos, pulsando irritantemente até que vários ruídos atacaram seus timpanos de uma vez e ele estava novamente ouvindo.

— Você está bem? — Astrid perguntou, o rosto e o cabelo empoeirado. — Aiyden!

– Huh! Sim. Estou ouvindo! — anunciou e Astrid o tirou do chão. 

— Sério? Está realmente me ouvindo? — perguntou, as mãos teimando tocar nas orelhas de Aiyden que somente assentiu Astrid fez o mesmo, quando parou seus olhos se arregalaram e suas mãos puxaram Aiyden para baixo, um dragão passou por cima de suas cabeças, a pele dourada reluzindo e boca soltando fogo.

— É a Alanis!

— Que-Quem!? — Aiyden perguntou, a mente tentando arrumar as informações em um padrão que fizesse sentido.

— Anda!

Deram dois passos e no terceiro estavam em um corredor, mal iluminado e com as paredes rachadas, uma guerra já havia passado por ali.

— Jase levou a Chloe para algum lugar. Não sei onde estão o Logan ou a Lucky — disse Astrid muito rápido, enquanto a mão puxava a de Aiyden. — Vamos procurar por eles — decidiu, os olhos em frente. — Melhor se ficarmos juntos… Ou — parou e por fim se virou para Aiyden. — Talvez devessem só ajudar onde podermos? — perguntou e sem esperar a resposta prosseguiu. — Deveríamos voltar para sala de corrida? Você já pode ouvir, está tudo bem não é? Talvez devêssemos voltar e…— Astrid parou quando Aiyden a segurou pelos ombros. 

— Calma! — pediu e a outra só assentiu. — A nossa missão é eliminar o máximo de inimigos que podermos, matando ou prendendo. 

Novamente Astrid assentiu.

— Então vamos fazer isso — soltou os ombros de Astrid. — E nos encontraremos com os outros quando tudo terminar. Tudo bem!? — perguntou e esperou Astrid assentir. 

Sem as mãos entrelaçadas, lado a lado entraram no primeiro corredor que encontraram e em questão de segundos foram encurralados dos dois lados. 

— Acho que vamos começar por aqui! — falou Astrid, as costas batendo nas de Aiyden. Ela ficaria com a direita e ele cuidaria dos da esquerda. 

— Tem cuidado com as armas azuis — Aiydena avisou, os olhos atentos nos guardas estavam mais equipados do que o normal, o que poderia significar que estavam mais lentos e ao mesmo tempo que estavam cheios de meios de rebentar com eles.

— São aquelas que explodem? — Astrid perguntou.

— Sim. Foca em desarmá-los e deixá-los inconscientes. — Moveu-se um pouco para o lado e Astrid o acompanhou. — Se for para matar eu faço.

— Entendido! 

Quase em simultâneo, os dois soldados deram um passo em frente e como se fosse um sinal verde os guardas levantaram suas armas. No lado de Astrid eram armas de fogo ao passo que no de Aiyden eram tranquilizantes.

Mesmo em meio a uma batalha eles iriam separá-lo dos outros. 

Quando tiros choveram Astrid se teletransportou e Aiyden, desviou dos tiros, correndo em ziguezagues e assim que conseguiu o controle de um corpo eliminou dois guardas, e tão logo o homem sob seu controle levou um tiro, Aiyden o segurou por trás forçando o corpo a ir para frente. Retirou uma arma do coldre de perna do guarda, atirou primeiro no pé de um deles, chutou o corpo do homem sob seu comando e ele caiu sobre o companheiro.

— Ajuda!!

Astrid apareceu atrás de Aiyden tocou em suas costas e rapidamente o teletransportou para trás de três guardas. Aiyden atirou em um, Astrid fez outro bater a cabeça na parede com um chute giratório e Aiyden petrificou o terceiro.

— Acho que… eles não querem te machucar — disse Astrid, os olhos nos dois guardas que havia deixado para trás. — Então vamos ficar perto. Se você não estiver na mira eles vão rebentar minha cabeça com aquela coisa.

— Me teletransporte, vamos…

Os dois guardas caíram, cada um com uma bala enterrada na nuca e atrás deles estava Levi. 

— Armas. 

Levi jogou uma adaga para Aiyden que a segurou no ar e para Astrid entregou uma foice. 

— Não é nenhuma das tuas, mas… acho que preferes ela ao invés de outra arma.

Astrid demorou quase um minuto para balbuciar: “Ah! O…obrigado.

E assim ela se perdeu, os olhos fixados em Levi que sorria para ela. 

Aiyden olhou para Astrid, depois foi para Levi e quando novamente voltou para Astrid sua mão foi até o braço dela, puxou-a um pouco para trás e colocou seu corpo entre os dois.

— Obrigado! — disse para Levi e sem esperar qualquer retorno se virou para Astrid. — Estamos em um ataque, preciso que se foque! — pediu e muito lentamente Astrid assentiu.

— Claro! Estou focada! — garantiu, porém alguns segundos depois os olhos levantaram, olhando para cima do ombro de Aiyden que não pode evitar se sentir mal por sua altura.

— Obrigado pelas armas — virou para Levi. — Mas acho melhor nos separarmos por aqui.

Levi demorou a assentir.

— Claro! Só… cuida dela.

Suas palavras eram para Aiyden, entretanto os olhos olhavam por cima de seu ombro, eh! seu corpo como barreira não estava servindo de nada.

— Por que ele não vem conosco? Ele… pode ficar conosco? — a voz soou diferente, talvez mais suave. 

Aiyden fechou os olhos e implorou por paciência. Se virou para Astrid e quase cogitou lhe segurar pelos braços e sacudi-la até que voltasse ao normal. 

— Achei que estivesse focada? — perguntou entre dentes.

— Estou focada! Confia em mim — pediu, mas o cérebro de Aiyden se negou a acreditar. — E quanto mais formos melhor. Somos todos companheiros afinal e também… acho que posso conseguir mais elementos para o time.

— Time? — Aiyden perguntou, deixando a incredulidade tomar conta de seu rosto. 

— Eu já volto! — pediu e sumiu, claramente sem antes olhar para Levi.

Os dois soldados ficaram lado a lado.

— Estou a ter a sensação que você não gosta muito de mim. 

Aiyden olhou para Levi, que sorria enquanto ele tentava encontrar a expressão certa para colocar no rosto.

— Talvez nenhum pouco? — arriscou e Aiyden continuou oferecendo apenas silêncio. — Me pergunto se apenas não foi com a minha cara ou… seja ciúmes? Você sente algo pela Astrid? 

Aiyden permaneceu em silêncio a mente procurando pelas melhores palavras. A lógica gritando para o ignorar, mas ele não o fez.

— Eu não gosto de você — decidiu. — Apenas não fui com a tua cara. Quando você está por perto…— Aiyden parou, pensou. — Você faz a Astrid ficar mais estranha que o normal, a um nível que chega a ser estranho.

Levi riu. 

— Acho que isso quer dizer que ela gosta de mim – levou a mão ao pescoço, parecendo mudar de ideia. — Ou será que estou sendo muito arrogante pensando assim? 

— Gostar? — Aiyden soou incrédulo.

— Ah! Desculpe — colocou a mão no ombro de Aiyden. — Você não deve saber sobre coisas assim. Afinal você é um monstro.

Ele sorriu. Seus lábios sorriam e até seus olhos sorriam e isso lembrou a Aiyden do sorriso de um palhaço, mas ao invés de fazê-lo tremer de medo, apenas fez a mão que segurava a arma coçar.

— Temos visitas. 

Levi se virou para os seis guardas que traziam consigo dois robôs, eram quase esqueléticos, azuis com os olhos rosas brilhando terrivelmente sob a fraca iluminação do corredor.

Aiyden apertou a arma com mais força e quando puxou o gatilho não foi para atirar em Levi.

Os guardas atacaram, para Aiyden usavam apenas os punhos e lâminas, mas para Levi vinham com armas de fogo. Os guardas usavam capacete, então Aiyden não pode encontrar seus olhos, e infelizmente seus poderes não funcionavam em robôs, que diferente dos guardas não era tão delicados.

Aiyden moveu a adaga para cima parando a mão-lâmina do robô e desejou ter seu bastão em mãos.

O robô transformou a outra mão em lâmina e a baixou em direção a Aiyden travando bem perto de sua cabeça, Aiyden apertou o cabo com força e tentou empurrá-lo para trás, entretanto o robô pareceu mudar de ideia sobre matá-lo e forçou a lâmina a continuar, porém ela foi segurada por Levi e depois o robô foi empurrado para trás por outro Levi.

Aiyden se endireitou e quando olhou para trás, se viu em um pesadelo. Oito Levis passaram correndo por ele e foram de encontro aos guardas que haviam aumentado.

— Estás bem? — Astrid perguntou.

— Onde pegou tudo isso? 

Astrid levantou um pincel e sorriu, mas Aiyden não retribuiu.  

— Desculpem a demora.

— Onde…— Levi parou, os olhos focados em assistir seus clones lutando.

— São desenhos. Eu queria desenhar alguém que pudesse lutar ao nosso lado e bem…— sorriu olhando para o chão. — Acabou saindo você. 

Levi tirou os olhos dos clones para Astrid e quase instantaneamente ela se voltou para ele. 

— Espero que não pareça muito estranho.

— Não. Eles estão perfeitos. Você fez um ótimo trabalho.

Levi sorriu e saiu correndo, indo se juntar às suas cópias.

— Eles copiaram até o estilo de luta dele — disse Aiyden e quando olhou para Astrid ela ainda olhava para Levi, isso se soubesse qual era o original. — Astrid! — suspirou. — Astrid!! — deu um passo em direção a ela, segurou-a pelos ombros e a sacudiu uma vez, conseguindo enfim sua atenção.

— Huh?

— Achei que estava focada.

Astrid passou a assentir com a cabeça, os olhos parecendo perdidos.

— Sim… claro. Estou muito focada — sorriu e em seguida comprimiu os lábios quando o olhar de Aiyden se tornou mais intenso.

— Você está bem? 

Astrid assentiu. 

— Você gosta dele!? 

Novamente Astrid assentiu. Aiyden aproximou mais o seu rosto do dela, fazendo-a assim empurrar um pouco a cabeça para trás.

— Você realmente gosta dele ou…

Aiyden a segurou mais forte quando a sentiu tremer levemente.

— O que está errado? 

Astrid não respondeu, Aiyden ouviu a voz de Levi mandado abaixar e assim ele o fez, levando Astrid com ele para o chão. 

Ouviu-se mais disparos e Aiyden permaneceu no chão cobrindo Astrid com seu braço e tão logo levantaram suas cabeças viram um Levi ser baleado.

— Le…Levi!! 

Astrid chamou e apenas um deles olhou para trás. O verdadeiro estava bem e a cópia explodiu quando um guarda disparou com uma arma azul em seu corpo já imovel. A explosão levou uma parede e onde havia o corpo da cópia só sobrou tinta. 

Aiyden e Astrid se colocaram em pé e o caos se alastrou, mais guardas chegaram e mesmo tentando ao máximo ficar perto de Astrid, ele a perdeu, ela sumiu. 

 

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