Volume 2
Capítulo 16 - Duelo de Ceifeiros
Sala de Treinamento - QG dos Ceifadores
Henry estava sentado em um banco de aço, as mãos enfaixadas apoiadas nos joelhos. Ele não usava mais as faixas no rosto; sua pele estava marcada por hematomas e cortes em cicatrização. Jester deslizou pelo campo de visão de Henry em seu hoverboard, antes de parar bruscamente na frente do Herege. A máscara de bobo da corte inclinou-se para o lado, e as antenas de pano balançaram.
— Oh, veja só! O Azulzinho está sem o curativo! Que rosto... expressivo! — Jester deu uma risadinha fina. Ele enfiou a mão em um dos bolsos da sua vestimenta colorida e estendeu algo para Henry. — Para você. Açúcar ajuda a formar sinapses, e você vai precisar de cada neurônio hoje.
Era um pirulito de cereja, vermelho como sangue fresco. Henry encarou o doce por um segundo antes de pegá-lo com os dedos que lhe restavam.
O som pesado de botas militares anunciou a chegada do líder. Silas caminhou até Henry.
— Sua quarta missão, Henry. Você tem se provado eficiente, mas hoje o alvo exige... delicadeza e brutalidade em doses iguais.
Silas apontou para a saída, onde Fabrizio e Aiden já aguardavam. Fabrizio limpava silenciosamente uma de suas foices de mão, enquanto Aiden conferia seu reflexo, ajustando o topete.
— Você vai com Fabrizio e Aiden. Recebemos relatórios sobre os 'Espinhentos'. Eles estão bloqueando a rota de suprimentos ao norte das Cascades com aquelas barricadas de arame farpado e pregos. Limpe o caminho. Não quero sobreviventes, apenas o asfalto livre para o nosso comboio.
Henry levantou-se lentamente, o pirulito de cereja ainda entre os dedos, um contraste bizarro de cor no ambiente monocromático. Ele caminhou em direção à dupla de campo. Fabrizio, já com sua máscara de caveira que exibia apenas a fileira superior de dentes, rosnou através do modificador de voz, fazendo o som sair como um estalido metálico de desprezo.
— É sério, Silas? É sério que eu vou ter que levar esse Herege? — Fabrizio gesticulou com uma das foices de mão, a lâmina curva brilhando. — Eu e o Aiden resolvemos isso em dez minutos.
Silas não respondeu. Ele apenas virou o rosto na direção de Fabrizio. O silêncio que se seguiu foi denso, carregado pela autoridade silenciosa do líder. Silas manteve o olhar fixo por cinco, seis segundos — um tempo que pareceu uma eternidade. Fabrizio, sentindo o peso daquela pressão, baixou levemente a cabeça e guardou a foice no coldre tático. Ele entendeu o recado: as ordens de Silas eram absolutas.
Silas deu as costas ao trio e começou a se afastar, sua capa preta balançando levemente enquanto ele subia em direção à ala de comando. Assim que o líder saiu do alcance dos ouvidos, Fabrizio deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal de Henry. A máscara de caveira estava a centímetros do rosto do Herege.
— Escuta aqui, Henry — Fabrizio sibilou, o modificador de voz tornando a ameaça ainda mais sombria. — Jester me disse que ouviu você falando com minha irmã esses dias. O "anjo entre dez demônios", não foi?
Ele aproximou a lâmina de uma de suas foices do pescoço de Henry, apenas o suficiente para que o frio do aço fosse sentido na pele.
— Sílvia é pura. Ela é a única coisa que presta nesta família de monstros. Se você tocar nela, ou se tentar colocar ideias de "liberdade" na cabeça dela de novo, eu juro que arranco seu coração do peito com minha foice e mostro para você antes de você apagar. Entendeu?
Henry sustentou o olhar por trás de seus próprios olhos cansados, sentindo o latejar dos dedos amputados. O mundo dos Ceifadores não era apenas sobre tecnologia e morte; era um ninho de obsessões e proteções doentias.
Cerca de 20 minutos depois – Estrada de Cascade
O blindado preto dos Ceifadores cortava a estrada com um rugido abafado, os pneus reforçados esmagando galhos e pedras sem hesitação. O interior do veículo era gélido, iluminado apenas pelo brilho dos painéis táteis. Aiden estava ao volante, batucando os dedos no painel em sincronia com uma melodia sombria que saía dos alto-falantes, enquanto Fabrizio permanecia no fundo, afiando suas foices em um silêncio hostil, o olhar fixo em Henry através das lentes da máscara de caveira.
O blindado desacelerou bruscamente. Aiden desligou as luzes externas.
— Chegamos. Setor Norte das Cascades. O GPS indica que a barricada principal deles está logo após aquela curva de reflorestamento denso. É o território perfeito para os truques deles.
Eles desembarcaram. O silêncio da floresta era opressor. À frente, a estrada estava bloqueada por troncos gigantescos dispostos em ângulos que impediam a passagem de veículos. No topo da estrutura, vultos cobertos por placas de madeira espinhosa se moviam com uma agilidade tribal.
De repente, uma voz poderosa ecoou entre as árvores, falando em um português carregado e firme:
— Parem onde estão! As máquinas de Silas não têm permissão para respirar o ar deste bosque. Retornem para sua base branca ou suas carnes servirão de adubo para o carvalho!
Era Bark. Ele surgiu sobre um dos troncos, uma figura imponente protegida por uma armadura de eucalipto negra. Ele batia o cabo de sua lança farpada contra a madeira, produzindo um som oco e rítmico.
Fabrizio deu um passo à frente, puxando suas foices.
— Henry, Aiden... observem. Vou mostrar para esse "cacique" o que acontece com quem bloqueia o caminho dos Ceifadores.
— Suas armaduras não têm chance contra nosso poder bélico, Bark! — Henry exclamou, a voz fria cortando o silêncio da mata. — É melhor desistir e fugir agora. Os Ceifadores estão limpando cada facção do Oregon, uma por uma. Vocês são apenas um dos últimos itens na lista negra deles. Não morram por troncos de árvore.
Bark travou por um segundo, mas o orgulho tribal falou mais alto. Ele bateu a lança no peito, fazendo os espinhos rangerem contra a madeira endurecida.
O caos explodiu na clareira.
Aiden, com sua sinfonia de "Veneno e Choque", não correu. Ele caminhou, retirando a guitarra branca das costas enquanto os primeiros Espinhentos saltavam das árvores como predadores de madeira. Ele dedilhou uma nota aguda e distorcida que ecoou como um grito eletrônico. Quando o primeiro guerreiro avançou com uma clava de carvalho, Aiden usou a lateral da guitarra — cravejada de espinhos de aço — para desferir um golpe de impacto que estraçalhou o capacete de madeira do inimigo.
Sem perder o ritmo, ele sacou seu arco composto. Com uma velocidade coreografada, Aiden disparou três flechas em sucessão. A primeira atingiu um Espinhento no pescoço, entre as placas da armadura; o veneno letal paralisou o homem instantaneamente, fazendo-o cair como um tronco morto. As outras duas atingiram os olhos de dois batedores que tentavam flanqueá-lo. Aiden ria suavemente sob a máscara branca, transformando o campo de batalha em seu palco particular.
Henry operava com a disciplina fria que Silas exigia. Ele ergueu o fuzil M4, encaixando a coronha no ombro. Diferente dos Hereges, que priorizavam o combate próximo, ele agora era um Ceifador. O som do rifle era seco e rítmico.
Ele não mirava no peito, onde as placas de carvalho endurecido em óleo poderiam desviar as balas. Henry focava nas articulações e nas frestas de couro. Um Espinhento avançou com uma lança, mas Henry disparou uma rajada curta que explodiu o joelho do atacante, derrubando-o; o tiro seguinte, no crânio, encerrou o serviço. Ele se movia em um ziguezague tático, usando o ambiente para cobertura, abatendo quatro, cinco guerreiros em menos de um minuto. Cada morte era um cálculo; não havia ódio, apenas a execução da ordem.
Fabrizio ignorou o fogo de cobertura e mergulhou direto no coração da formação dos Espinhentos. Suas duas foices giravam como hélices de um helicóptero de guerra.
Um guerreiro tentou empalá-lo com uma estaca, mas Fabrizio deslizou por baixo do ataque e, com um movimento ascendente, cravou a foice curva sob o pescoço do inimigo. Com a mão esquerda, ele sacou a Silver Ghost. A pistola de prata disparava com uma precisão cirúrgica; cada estalo da arma significava um Espinhento a menos. Fabrizio movia-se com uma elegância macabra, chutando o corpo de um caído enquanto degolava outro com a lâmina curva, deixando um rastro de serragem e sangue na estrada.
A estrada, antes um posto de guarda orgulhoso, agora era um matadouro. Os corpos dos Espinhentos jaziam espalhados, suas armaduras lendárias inúteis contra a tecnologia militar e a modificação biológica dos Ceifadores.
Bark, vendo seu povo ser dizimado em segundos, saltou da barricada com a lança em riste, os olhos fixos em Henry.
— VOCÊ! — Bark gritou, avançando como um animal ferido. — Você fala nossa língua, mas serve à Morte! Vou pregar seu corpo nesta estrada!
Fabrizio parou, limpando o sangue de uma das foices na manga do uniforme, e olhou para Henry pelo canto da máscara.
— Ele é seu, "Azulzinho". Mostre para o Silas que você sabe finalizar um serviço, ou eu mesmo cuido disso.
Henry deu um passo à frente enquanto Bark avançava soltando um grito de guerra gutural. O líder dos Espinhentos era uma força da natureza, mas Henry não sentia mais a hesitação que definia os Hereges.
Bark levantou a lança de eucalipto para o golpe final, mas a resposta de Henry foi puramente mecânica. Com reflexos amplificados, ele disparou o fuzil M4 em rajadas curtas e cirúrgicas, atingindo as juntas de couro e as frestas axilares da armadura de Bark. O líder tribal cambaleou, o sangue manchando a madeira sagrada.
Em um movimento fluido, Henry soltou o fuzil pela bandoleira e disparou o bidente de ferro de sua manopla oculta. As pontas gêmeas saltaram da manga preta e cravaram-se com precisão no pescoço de Bark, atravessando a garganta e a coluna. O guerreiro brasileiro caiu de joelhos, os olhos perdendo o brilho enquanto o asfalto das Cascades bebia seu sangue.
Aiden guardou o arco e passou a mão pelo topete, conferindo o reflexo na lataria do blindado.
— É... mais um grupo extinto. Fácil demais, não teve nem graça. Meu cabelo nem ficou bagunçado.
Fabrizio olhou para o rastro de destruição. Sua voz saiu distorcida e impaciente:
— Cala a boca, Aiden. Vamos voltar para o QG.
QG dos Ceifadores
O pátio interno da base da CIA estava em silêncio quando o blindado estacionou. Silas estava parado no centro, como uma estátua de mármore e faixas brancas, observando o retorno de sua equipe.
Henry desceu do veículo carregando um saco de lona pesado. Ele caminhou até o líder e, sem dizer uma palavra, jogou o saco aos pés de Silas. O som de madeira endurecida e metal batendo no chão ecoou pelo pátio. Dentro, estavam os capacetes espinhosos de Bark e seus generais — troféus de uma erradicação completa, exatamente como Henry fizera com os Espectros anteriormente.
Silas olhou para os despojos e depois para Henry. Um brilho de aprovação cruzou seus olhos loiro-escuros.
— Excelente, Henry. Você está aprendendo que a eficiência é a única forma de misericórdia neste mundo. Meus parabéns.
Sala de Estar
O ambiente da sala de estar era o ápice do luxo tecnológico da base. Sílvia estava sentada em uma poltrona de couro branco, observando Zack com um interesse genuíno. O uruguaio fazia cartas de baralho flutuarem entre seus dedos em um truque de levitação magnética que parecia mágica pura.
— A sorte não é apenas o que você recebe, Sílvia... é como você a manipula — Zack brincou, fazendo um ás de copas desaparecer e reaparecer atrás da orelha da "Bela Morte".
Sílvia soltou uma risada curta e melancólica, mas o clima mudou instantaneamente quando a porta deslizou. Fabrizio entrou, ainda vestindo o traje tático e a máscara de caveira. Ele parou abruptamente ao notar algo no pescoço da irmã.
Sob a gola do traje de Sílvia, um colar com um pingente de coração azul brilhava, destoando totalmente da estética monocromática dos Ceifadores.
Fabrizio caminhou até ela, ignorando Zack. Sua postura era de uma proteção agressiva. Ele estendeu a mão enluvada e tocou o pingente gelado.
— Irmã... — a voz de Fabrizio, abafada pelo modificador, saiu carregada de desconfiança e fúria contida. — Quem te deu isso? Esse azul... eu conheço essa cor. É a cor dele.
Zack parou o truque, as cartas caindo na mesa. Sílvia segurou o colar, protegendo-o com a palma da mão, e olhou para o irmão gêmeo com uma firmeza que raramente demonstrava.
A atmosfera na sala de estar, que antes era de uma leveza rara, transformou-se em puro chumbo. Sílvia não desviou o olhar; ela conhecia cada espasmo de raiva de Fabrizio antes mesmo de ele se manifestar.
— Nunca guardei segredo de você, meu irmão. Você é minha metade, compartilhamos pensamentos — Sílvia respondeu, sua voz soando firme. Ela tocou o coração azul com as pontas dos dedos. — Foi Henry que me deu e eu gostei. Ele foi gentil.
O som que saiu da máscara de Fabrizio foi um ruído abafado, o ar sendo expulso dos pulmões em uma frequência de ódio puro. Para ele, aquele colar não era um presente; era uma "infecção" do mundo exterior, uma marca do "Azul dos Hereges" manchando a pureza de sua irmã.
— Eu vou matar aquele desgraçado... — Fabrizio sibilou.
— Não, Fabrizio! Ele é família agora! — Sílvia gritou, arregalando os olhos e levantando-se da poltrona, mas era tarde demais.
Fabrizio deu as costas, suas botas batendo no chão com uma cadência violenta enquanto ele atravessava os corredores em direção ao pátio.
Pátio Central
Henry estava parado ao lado de Silas, que revisava alguns dados táticos em um tablet militar. O líder dos Ceifadores mantinha sua postura imponente, conversando com Henry sobre a logística das próximas rotas, tratando-o quase como um oficial de alto escalão.
A porta do bloco habitacional abriu-se com um estrondo. Fabrizio surgiu como um espectro de vingança. Ele ignorou a presença de Silas, ignorou a hierarquia e o código de conduta dos Ceifadores. Sua obsessão pela irmã era a única lei que ele seguia naquele momento.
Sem dizer uma única palavra, Fabrizio encurtou a distância em um borrão de velocidade e cravou um soco de esquerda devastador no rosto de Henry.
O impacto foi seco. A cabeça de Henry virou para o lado com o golpe, o corpo cambaleando dois passos para trás.
Henry recuperou o equilíbrio, o mundo girando por um segundo. Ele olhou para Fabrizio. Turner já estava com as mãos fechadas em punho, a respiração pesada ecoando pelo modificador de voz, pronto para sacar as foices.
Silas não se moveu. Ele apenas abaixou o tablet, seus olhos observando a cena com uma calma gélida que era mais aterrorizante do que o soco de Fabrizio. O líder não interrompeu; ele queria ver o que aconteceria a seguir.
— Você acha que pode comprar a alma dela com lixo azul?! — Fabrizio rugiu, a voz tremendo de fúria. — Eu avisei você, Herege! Eu disse o que aconteceria se você a tocasse!
Henry endireitou a postura. Ele sentia o latejar do rosto, mas não havia medo em seus olhos — apenas a frieza que Silas havia cultivado nele nos últimos dias.
O pátio tornou-se uma arena circular sob o olhar gélido da elite. Ian, do alto do posto de vigia, ajustou o foco de seu rifle, observando a biomecânica do confronto. Diego, Zack, Lil e Andrew espalharam-se pelas bordas; o silêncio deles era a prova de que sabiam: quando dois Ceifadores colidiam, o solo costumava ser adubado com sangue.
— Pare, Fabrizio! — Sílvia gritou, sua voz falhando pela primeira vez.
— Fique fora disso, irmã! — Fabrizio rugiu, o ódio transbordando pelo modificador de voz.
— Então você quer brigar, babaca? — Henry abriu os braços em um gesto de desafio mortal. — Que assim seja.
A luta explodiu em um borrão de preto e prata.
Fabrizio avançou como um redemoinho, as duas foices girando em arcos letais projetados para retalhar. Henry desviou do primeiro corte por milímetros, sentindo o vácuo da lâmina passar por seu pescoço. Em resposta, Henry disparou o bidente de sua manopla direita. O metal tilintou contra o aço de Turner. Com a mão esquerda vazia, Henry agarrou o pulso de Fabrizio e desferiu uma cabeçada brutal contra a máscara de caveira.
O impacto estalou. Turner recuou, mas revidou com um chute lateral que jogou Henry contra a parede de concreto. Sem dar tempo para respirar, Fabrizio cravou uma das foices no ombro de Henry, rasgando o polímero. Henry rosnou, ignorando a dor, e usou a mão livre para desferir um soco de curta distância no plexo solar de Fabrizio, seguido de um corte de direita que fez o Ceifador vacilar, deixando duas marcas em sua máscara de metal.
Eles se separaram por um segundo, ambos ofegantes, os modificadores de voz chiando com a respiração pesada. A plateia de monstros assistia em transe.
Fabrizio tentou um golpe de tesoura com as foices, mas Henry antecipou o movimento. Ele travou as lâminas de Turner com o bidente e girou o corpo, desequilibrando o gêmeo. Com um movimento seco, Henry rastejou Fabrizio.
Henry parou sobre ele, o bidente recolhido, o punho cerrado. Fabrizio estava no chão, a respiração abafada, derrotado pela primeira vez diante de sua família.
— Chega disso! — A voz de Silas cortou o pátio como um comando divino. — Vá se limpar, Fabrizio! Você se deixou levar pela emoção, e a emoção o tornou lento.
Sílvia correu para o lado do irmão, checando se ele não tinha ferimentos letais, mas seus olhos brilhavam de decepção.
— Você é um idiota, irmão — ela sussurrou, amarga.
Depois, ela levantou o olhar para Henry. Houve um momento de silêncio absoluto entre o anjo e o novo Ceifador.
— Desculpa por isso — disse ela, antes de ajudar Fabrizio a se levantar.
Ambos voltaram para dentro, seguidos pelos outros membros que se dispersavam, comentando o espetáculo em sussurros. Henry permaneceu no pátio por um momento, sentindo o pulsar das feridas e a adrenalina baixando. Ele sabia agora. Ele conseguia bater de frente com esses monstros. E essa certeza era a arma mais perigosa que ele possuía.
Fim do Capítulo
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