DYSTOPIA Brasileira

Autor(a): SkullGuy


Volume 1

Capítulo 10 - O Povo da Noite

A Calmaria Antes da Tempestade Mecânica

 

Prédio Central – Salão de Planejamento – 19:30 (Quatro meses após a queda de Gun)

 

O sol começa a desaparecer no horizonte do Oregon, pintando o céu de um azul profundo. Dentro do Prédio Central, a atmosfera é de uma reconstrução exaustiva.

 

Henry está sem máscara, inclinado sobre um mapa da Região 97. Solomon entra na sala, apoiando-se em sua bengala tática.

 

— Você não dorme há quarenta e oito horas, Henry — diz Solomon, sua voz grave ecoando contra o mármore. — O prédio está seguro. Os Executores restantes estão se matando na floresta por restos de comida.

 

— Não são os Executores que me preocupam, Solomon — Henry aponta para um ponto no mapa ao norte. — Recebemos relatórios de batedores. Três comunidades comerciais foram atacadas ontem à noite. Eles não levaram comida; não levaram água.

 

Solomon franze a testa. — O que eles levaram?

 

— Nada. Eles só deixaram corpos. Mortes limpas. Um único tiro na testa de cada líder, calibre 5.7mm. — Henry joga um estojo de munição dourado sobre a mesa. — Isso não é "sucata de ferreiro", Solomon. Isso é munição de nível industrial. Alguém com recursos reais está limpando o tabuleiro.

 

Sombras no Ninho

 

Ala Norte – Quarto de Freya

 

Freya está sentada junto a uma janela, observando o pátio onde os Hereges treinam. O segredo de sua gravidez é um peso que logo será impossível de esconder. Ela sente uma presença e se vira rapidamente. Mika está à porta, limpando sua naginata com um pano embebido em óleo.

 

— Ele não para de perguntar por você — diz Mika, sem olhar diretamente para Freya.

 

— Gun? — pergunta Freya, com a voz vacilante.

 

— Ele se recusa a comer — Mika finalmente olha para cima. — Ele diz que só aceitará comida se você a entregar. Henry acha que ele está tentando manipular você. Eu acho que ele está apenas esperando pelo fim.

 

Freya segura o ventre. — Ele precisa viver, Mika. Pelo menos até...

 

— Até o mundo descobrir? — Mika interrompe, guardando sua lança. — Henry vai descobrir logo. Ele tem o instinto de um lobo para mentiras. Se eu fosse você, contaria a ele antes que ele veja isso como uma traição.

 

Naquele momento, um estalo agudo de estática atrai a atenção de ambas para o rádio comunicador no cinto de Mika.

 

— AQUI É KANE! TEMOS MOVIMENTAÇÃO NO SETOR INDUSTRIAL! ELES NÃO SÃO EXECUTORES! REPITO: ELES TÊM CAMUFLAGEM ATIVA! ESTOU SOB FOGO.

 

O som de um tiro eletrônico abafado corta a transmissão.

 

Primeiro Contato

 

Localização: Ala Industrial

 

Henry, Piro e Leo chegam ao andar em tempo recorde. Eles encontram Kane caído, com um de raspão no ombro que cauterizou instantaneamente — um sinal de munição de alta velocidade.

 

— Onde eles estão? — ruge Henry, sacando seu soco-inglês.

 

— Eu não... eu não vi um rosto — Kane tosse, apontando para o armazém abaixo. — Era como se o ar estivesse oscilando. Eles se movem como "fantasmas de aço".

 

De repente, o silêncio é quebrado por uma voz modulada que parece vir de todos os lugares, originada de alto-falantes escondidos ou tecnologia de projeção.

 

— Atenção, Unidade dos Hereges — a voz ecoa, fria e robótica. — Vocês removeram a variável Gun do sistema. Agradecemos pela limpeza. No entanto, a ocupação deste edifício é uma violação do Protocolo de Restauração. Vocês têm 24 horas para evacuar o Oregon.

 

Piro acende suas manoplas de maçarico, iluminando a escuridão. — APAREÇA, SEU COVARDE!

 

Uma luz laser vermelha, fina como um fio de cabelo, emerge da escuridão e repousa exatamente no centro da cruz de galhos na máscara de Henry, que ele acabara de colocar de volta.

 

— Nós não somos covardes, batedor — diz a voz, agora mais próxima. — Nós somos o que vocês deveriam ter sido. A purificação não é feita com cruzes de madeira. É feita com precisão.

 

A tensão no Prédio Central atinge o ponto de ruptura. O triunfo sobre Gun está começando a parecer uma "armadilha dourada".

 

O Segredo no Aquário de Vidro

 

Localização: Sala de Contenção (50º Andar)

 

Luzes de emergência banham o corredor em um vermelho pulsante. Freya caminha apressadamente, desviando de batedores que correm para seus postos. Ela entra no quarto de Gun. Ele está de pé, observando o horizonte escuro. Ao ver Freya, ele percebe o tremor nas mãos dela.

 

— Eles chegaram, não chegaram? — A voz de Gun é baixa, despojada de sua antiga arrogância. — Eu ouvi o som nos dutos de ventilação.

 

— Henry disse que eles nos deram 24 horas — Freya se apoia contra o vidro, com a respiração curta. — Mas eles já estão aqui, Gun. Eles estão nas sombras.

 

Gun se aproxima do vidro, suas correntes esticadas ao limite. — Ouça, Freya. Aqueles bastardos não negociam. Eles não são como assassinos comuns. Se eles querem este prédio, transformarão cada andar em um matadouro.

 

Ele olha para a barriga dela. O desespero retorna aos seus olhos.

 

Revelações na Sombra

 

No andar de cima, Solomon caminha cautelosamente em direção à sala de controle, mas para ao ouvir vozes vindo da cela de Gun. A porta eletrônica está entreaberta o suficiente para que ele ouça a conversa entre Freya e o prisioneiro.

 

— Nosso herdeiro, Gun? — A voz de Solomon é como um trovão em um dia de tempestade.

 

Ele emerge das sombras, com sua bengala tática de prontidão. Ele olha de Freya para Gun com uma expressão de profunda traição.

 

— Solomon, espere! — grita Freya, colocando-se à frente de Gun com as mãos sobre o ventre.

 

— Nós acolhemos você. Arriscamos as vidas de nossos irmãos para tirar você das chamas — Solomon avança, a ponta de sua bengala batendo contra o chão. — E você carrega a semente do homem que tentou nos extinguir? Você é uma "infiltração viva", Freya.

 

— A criança é inocente! Mate-me, Solomon! Mas ela é a única coisa limpa que restou neste estado!

 

Lá embaixo, um grito de dor de Leo ecoa pelos dutos de ventilação.

 

A Honra de um Mestre

 

Solomon mantém sua bengala erguida, mas seus ombros relaxam levemente. Seus olhos, pesados por décadas de guerra, encontram os de Freya. Ele vê o terror genuíno de uma mãe, não a astúcia de uma espiã.

 

Ele olha para Gun, que está pronto para arrancar os próprios braços das correntes para protegê-la. Solomon respira fundo.

 

— Eu não sou um carniceiro, Gun. E Deus não pune o filho pelo pecado do pai — diz Solomon, sua voz recuperando a autoridade paternal. — Mas, se sairmos daqui vivos, o destino desta criança será decidido pela paz, não pelo seu império.

 

Ele se vira para Freya, posicionando-se como um escudo entre ela e a porta. — Fique atrás de mim. Se as sombras se moverem... não olhe.

 

O Jogo

 

O segundo assassino não tem pressa. Ele desativa seu fuzil e o prende nas costas. Para ele, os Hereges são "erros no sistema" que precisam ser removidos manualmente.

 

O Massacre do Movimento

 

O primeiro assassino emerge dos dutos, pousando no chão como se estivesse se materializando do próprio ar frio. Ele não usa armas. Simplesmente caminha em direção a Solomon, Henry (que subira apressado pelas escadas de emergência) e Mika.

 

— Onze contra dois — a voz modulada ecoa, fria e robótica. — As probabilidades são... divertidas.

 

Mika ataca primeiro. Sua naginata corta o ar em um arco perfeito, mas ele não recua. Usando um movimento de "Karatê", ele desvia o cabo de fibra de carbono e, no mesmo segundo, encurta a distância com a brutalidade do "Krav Magá". Ele atinge a garganta dela com a palma da mão e a derruba com uma rasteira de varredura.

 

Henry ruge, avançando com seu soco-inglês. Ele tenta uma sequência de ganchos rápidos, mas o assassino de preto é um borrão de eficiência. Ele segura o pulso de Henry, gira o corpo e aplica uma técnica de "Jiu-Jitsu" (um "Waki-Gatame" em pé), usando o próprio impulso de Henry para quase deslocar seu ombro.

 

— Eu posso ler seus movimentos! Aproveite sua chance, eu vou adorar me divertir um pouco com você! — a figura misteriosa desdenha enquanto chuta o peito de Henry, lançando-o contra a parede. — Técnica de rua. Falta refinamento. 

 

O Predador de Elite

 

Enquanto isso, no andar de baixo, o segundo assassino está brincando com Piro. Piro tenta usar suas manoplas de maçarico, mas o assassino se move como um fantasma, usando "parkour tático" para correr pelas paredes e cair sobre os Hereges como um peso morto. Ele utiliza chaves de articulação rápidas, quebrando os dedos de Piro antes mesmo que ele consiga puxar o gatilho de ignição.

 

De volta ao 50º andar, o primeiro assassino se aproxima de Solomon.

 

— O mestre dos ratos — diz ele, observando a bengala tática de Solomon. — Você os ensinou a sobreviver na lama. Deixe-me ensinar você a morrer no topo.

 

Ele avança. Solomon saca a lâmina oculta de sua bengala, mas o assassino apenas sorri por trás de sua máscara de caveira. Em um movimento fluido de "Jiu-Jitsu", ele mergulha sob a guarda de Solomon, agarra sua perna e o leva ao chão com um "double-leg" perfeito, passando imediatamente para a montada para preparar um estrangulamento.

 

Gun, preso por suas correntes, assiste ao massacre de seus captores — seus próprios inimigos. Ele olha para Henry, que luta para se levantar, cuspindo sangue.

 

— HENRY! — berra Gun, sua voz trovejante. — ELES NÃO ESTÃO LUTANDO PELA SOBREVIVÊNCIA! ELES ESTÃO LUTANDO PELA GEOMETRIA! QUEBRE O RITMO DELE!

 

O Peso do Mito

 

O assassino mantém controle total da situação. Ele solta Solomon e agarra Mika com uma palma da mão espalmada no topo da cabeça dela e a outra firmemente posicionada sob o queixo, em uma pegada clássica de execução. Mika luta, mas o corpo do assassino é como uma estátua de grafite — imobil e implacável.

 

Henry, com o soco-inglês pronto, paralisa. A aura de morte que emana daquela máscara de caveira é sufocante.

 

— Quem é você? — A voz de Henry sai quase como um sussurro, carregada de angústia. — De onde você veio?

 

Ele inclina a cabeça levemente. O zumbido do modulador de voz em sua máscara preenche o vácuo do silêncio.

 

— Eu faço parte do Povo da Noite, os assassinos imortais, os primeiros assassinos da Queda — a voz sai metálica e estridente. — Prazer em conhecê-lo. Eu sou Elijah, membro dos Ceifadores!

 

Ao ouvir esse nome, Henry sente seu sangue gelar. Ele não consegue se mover; ele treme, lembrando-se das histórias que ouviu sobre os Ceifadores, contadas ao redor de fogueiras entre assassinos bêbados e saqueadores.

 

O Desfecho da Escuridão

 

Henry permanece em silêncio, sua mente em choque. Elijah observa a paralisia do "batedor azul" com um desdém invisível.

 

— Uma a menos... agora restam apenas... dez? — diz Elijah através do modulador.

 

Com um movimento seco e preciso, e sem qualquer esforço aparente, Elijah aplica uma torção violenta. O estalo do pescoço de Mika ecoa pelo corredor. Ele solta o corpo, que cai pesado e sem vida no chão.

 

O Despertar da Agonia

 

O silêncio que se segue à morte de Mika é interrompido apenas pelo som da respiração pesada de Gun, observando tudo de sua cela de vidro, e pelo gemido de dor de Solomon.

 

A morte da mestre de armas, a melhor lutadora de curta distância do grupo, enviou uma mensagem clara: os Hereges não estão mais lutando contra homens. Eles estão lutando contra a personificação da própria morte.

 

Henry permanece estático, encarando o corpo de Mika. As mãos de Elijah estão limpas. Ele não usou pólvora. Ele usou a própria técnica que Henry tanto se orgulhava de dominar, mas levada a um nível sobre-humano.

 

— Ela era a sua melhor — Elijah caminha calmamente sobre o corpo de Mika, diminuindo a distância para Henry. — E eu a quebrei como um graveto da sua cruz. Você vai lutar, batedor?

 

O embate no 50º andar deixa de ser uma luta e se torna uma demonstração de hierarquia. Henry é o melhor que o novo mundo produziu, mas Elijah é o auge do que o velho mundo manteve escondido.

 

O Aluno vs. O Gênio

 

Henry ruge, seu luto por Mika queimando através de seu medo. Ele avança. O som de seu soco-inglês cortando o ar é um sibilado agudo. Ele desfere uma sequência de ganchos e "jabs" que faria qualquer homem recuar, mas Elijah se move como se estivesse coreografando a luta.

 

Elijah esquiva dos golpes de Henry com precisão milimétrica, inclinando a cabeça centímetros para o lado enquanto o metal passa raspando. Henry tenta um chute baixo para desequilibrá-lo, mas Elijah realiza um bloqueio de canela perfeito e contra-ataca com um soco direto no plexo solar de Henry, tirando instantaneamente o seu fôlego.

 

— Você tem talento, batedor — a voz modulada de Elijah soa calma enquanto ele aplica uma chave de braço em Henry, girando-o e batendo-o contra uma mesa de carvalho. — Mas você aprendeu a lutar para sobreviver. Eu fui projetado para encerrar vidas.

 

Henry se recupera, cuspindo sangue. Ele usa "parkour" para saltar sobre a mesa, tentando um corte descendente com sua faca serrilhada. Elijah simplesmente segura o pulso de Henry no ar — um feito de reflexos sobre-humanos — e o lança contra a grande janela panorâmica. O vidro reforçado racha, mas não estilhaça.

 

Henry está exausto. Elijah não tem um único arranhão. O Ceifador se aproxima, sua silhueta de caveira branca refletida no vidro rachado. Ele agarra Henry pelo pescoço com a mão esquerda e levanta a direita, punho fechado, pronto para um golpe de misericórdia na têmpora.

 

— Diga adeus à sua cruz, Herege.

 

No momento em que o punho de Elijah desce, um grito corta o salão:

 

— SAIA DE CIMA DELE!

 

Kane surge do corredor como um relâmpago. Ele não tenta lutar; ele usa toda a velocidade e impulso de seu "parkour". Kane se lança em um bote desesperado, atingindo as costas de Elijah com todo o peso de seu corpo e a força de seus ombros.

 

O impacto é brutal. Como o vidro já estava enfraquecido pelo corpo de Henry, a força combinada de Kane e Elijah é o golpe final.

 

O vidro explode.

 

Em uma chuva de estilhaços, as duas figuras despencam do 50º andar. Henry rasteja até a borda, observando-os cair no abismo escuro do Oregon.

 

Lá embaixo, um velho caminhão de lixo, abandonado há anos e cheio de detritos macios e sacos de lona, amortece a queda. Elijah cai no topo, o metal do caminhão amassando com o impacto. Kane cai logo ao lado, rolando no asfalto, gemendo de dor.

 

Henry assiste de cima, com o coração na boca. Elijah se levanta do lixo. Ele limpa a poeira de seu traje tático preto, ajusta o pescoço e olha para cima. Ele está intacto. A queda de 50 andares parece ter sido nada mais que um pequeno contratempo.

 

Elijah olha para Kane, que luta para ficar de pé, e então levanta o dedo médio enluvado para Henry no topo.

 

— O jogo acabou — a voz dele ecoa pelo rádio de Henry, hackeado pelo sistema do Ceifador. — Agora, estou subindo de volta. E não haverá mais janelas para me parar.

 

Elijah permanece parado ao lado do caminhão de lixo, sua máscara de caveira voltada para cima, travada na silhueta de Henry no 50º andar. A atmosfera de execução é interrompida pelo som do rádio de Elijah.

 

— Elijah — a voz de seu parceiro soa clara, sem a distorção do modulador externo. — Turner me chamou no rádio. Ele disse para parar de brincar e voltar para o QG em Cascades.

 

Elijah não responde imediatamente. Ele observa Kane, que tosse sangue a poucos metros de distância, tentando inutilmente alcançar uma de suas serras caídas.

 

— Ele encontrou um local com um grupo que tem uma reserva massiva de água — continua o Ceifador II. — Vamos invadi-lo amanhã. Nosso tempo de lazer no Oregon acabou. Vamos nos mexer.

 

Elijah solta um suspiro metálico, uma mistura de tédio e obediência técnica. Ele ajusta uma das braçadeiras de seu traje tático, que mal sofreu um arranhão com a queda.

 

— Entendido — responde Elijah no rádio. — Os ratos ganharam mais uma noite de vida.

 

Ele volta seu olhar para Henry, que ainda observa do topo do prédio, e depois para Kane. Elijah caminha até Kane, mas em vez de finalizá-lo, ele simplesmente chuta a serra elétrica do batedor para longe em um gesto de total desdém.

 

— Você ouviu isso, não ouviu? — Elijah fala no rádio de Henry, sua voz fria e calma. — Vocês não valem o combustível que gastaríamos para terminar este serviço hoje. Aproveitem suas últimas horas de paz. Amanhã, o Povo da Noite terá um banquete de água, e vocês não passarão de uma nota de rodapé no fim do mundo.

 

Sem olhar para trás, Elijah monta em sua motocicleta preta, desaparecendo nas ruas escuras.

 

O Ceifador II, em algum lugar nos andares inferiores, faz o mesmo, deixando o Prédio Central em um silêncio sepulcral e traumático.

 

O Pós-Caos

 

No 50º andar, Henry desabou de joelhos ao lado do corpo de Mika. A realidade finalmente se impõe. O grupo de onze agora é dez. O invencível Prédio Central foi invadido com a facilidade de alguém rasgando uma porta de papel.

 

Solomon se aproxima, segurando sua mão esmagada, seu rosto envelhecido dez anos em questão de minutos. Freya emerge das sombras, tremendo, e encara o vazio onde Elijah estivera.

 

— Eles estão indo atrás da água... — sussurra Freya. — Eles estão indo atrás do Hidro-Conselho.

 

Henry levanta a cabeça, seus olhos injetados de fúria e dor.

 

— Deixe-os ir — diz Henry, sua voz carregada de veneno.

 

O funeral de Mika não acontece em uma igreja, nem sob as luzes frias do Prédio Central. Os Hereges a levam para o telhado, o ponto mais alto do Oregon.

 

A Despedida da Lança

 

O corpo de Mika está envolto em um tecido de seda japonesa que ela guardava em seu baú pessoal, sobreposto por sua jaqueta rosa. Sua Naginata, agora partida ao meio pela força de Elijah, está cruzada sobre seu peito.

 

Os 9 Hereges restantes formam um círculo: Henry, Kane (com o braço em uma tipoia), Piro, Leo, Beck, Vane, Elena, Kol e Tara. Solomon permanece no centro, com sua mão esmagada enfaixada, enquanto Freya fica um pouco atrás, observando o peso daquela irmandade.

 

O silêncio é pesado. O cheiro de fumaça da cidade abaixo se mistura com o ar gelado da madrugada.

 

— Nós não enterramos os nossos na terra — começa Solomon, sua voz vacilando por um breve segundo antes de recuperar sua gravidade. — Porque a terra é o que nos prende à Queda. Entregamos os nossos ao céu, para que possam vigiar os caminhos que ainda temos por trilhar.

 

Henry dá um passo à frente. Ele remove sua máscara azul. Seu rosto está inchado, com um corte profundo na bochecha, mas seus olhos não contêm lágrimas; eles contêm brasas.

 

— Mika uma vez me disse que a madeira só é forte porque aprendeu a se curvar com o vento — diz Henry, olhando para seus companheiros. — Hoje, nós nos curvamos. Mas amanhã... amanhã, nós seremos a tempestade.

 

Henry pega uma tocha entregue por Piro. Ele hesita por um segundo, tocando a mão fria de Mika.

 

— Descanse, irmã. Sua lança agora é nossa.

 

Ele encosta a tocha na pira improvisada. Chamas alaranjadas consomem o corpo de Mika rapidamente, subindo em direção às estrelas que começam a desaparecer com o amanhecer. Os Hereges batem os punhos fechados contra o peito — um baque surdo e rítmico que ecoa pelo vale.

 

O Juramento de Sangue

 

Enquanto as cinzas de Mika são levadas pelo vento, Henry se volta para o grupo.

 

— Eles nos chamaram de ratos. Disseram que somos uma "nota de rodapé" — Henry coloca sua máscara de volta. A cruz de galhos parece mais escura agora, manchada pelo sangue da batalha. — Eles estão indo em direção ao Hidro-Conselho. Eles querem a água.

 

Henry observa a fumaça de Mika desaparecer no horizonte e então olha para Freya. — Nós vamos proteger você, não se preocupe.

 

Henry caminha até a borda do prédio e crava uma cruz feita de galhos secos no parapeito, amarrada com um pedaço da faixa vermelha que pertencia a Mika.

 

— O Povo da Noite pensa que a escuridão pertence a eles — murmura Henry. — Mas eles esqueceram que a escuridão é onde os Hereges fazem o seu trabalho.

 

Pacto

 

Edifício Central – Sala de Contenção (50º Andar)

 

As luzes de emergência ainda piscam, lançando sombras longas e distorcidas contra o vidro rachado da cela. Henry caminha pelo corredor, seus passos ecoando no silêncio pesado. Atrás dele, Freya mantém uma distância cautelosa, as mãos cruzadas sobre o ventre em um gesto quase imperceptível.

 

Gun está sentado no centro da sala, com suas correntes esticadas. Ele não parece mais um rei, mas seus olhos brilham com uma inteligência selvagem ao ver os dois se aproximarem.

 

— O General e a Rainha — diz Gun, com a voz rouca. — Vieram me pedir para assinar seus termos de rendição ou vieram ver se o vidro ainda está aguentando?

 

Henry para em frente ao vidro. Seus olhos estão encovados, carregados pelo peso da morte de Mika.

 

— Precisamos saber o que eles são, Gun — diz Henry, indo direto ao ponto. — Elijah falou sobre o "Povo da Noite". Ele se move como se o mundo não tivesse gravidade. Ele matou Mika como se ela não fosse nada.

 

Gun se levanta lentamente, o metal de suas algemas tilintando.

 

— Elijah... — Gun repete o nome, saboreando o veneno. — Então, de todos eles, foi ele quem veio. Ele é o mais mortal entre os Ceifadores.

 

Ele caminha até o vidro, ficando cara a cara com Henry.

 

— Nos meus primeiros anos na Rodovia 97, quando eu ainda estava construindo meu império com sangue e óleo, eu os encontrei — começa Gun, com o olhar perdido no passado. — Havia apenas dez deles. Dez homens contra o meu exército original. Achei que seriam esmagados em minutos.

 

Gun olha para as próprias mãos calejadas.

 

— Eu estava errado. Eles são os primeiros assassinos da Queda. Possuem um poder militar que não sei de onde saquearam neste deserto. Armaduras que absorvem impacto, munição que nunca falha... e o combate. Eles não lutam, Henry. Eles executam uma dança que não conhecemos. Sozinhos, aqueles dez mataram cinquenta dos meus melhores homens em uma única noite. Eu só sobrevivi porque decidiram que eu era útil para manter o caos organizado no Oregon.

 

Freya dá um passo à frente, com a voz trêmula. — Eles estão indo para o Hidro-Conselho, Gun. Eles querem a água. Se controlarem a biologia, não sobrará nada para ninguém. Nem mesmo para o seu... para o nosso futuro.

 

Gun fixa os olhos nela. A menção ao futuro o atinge com mais força do que qualquer soco de Henry. Ele olha para Henry, um desafio silencioso brilhando em seu rosto.

 

— Você quer minha ajuda, Herege? Quer que eu te ensine como um lobo caça um fantasma?

 

Henry cerra o punho. O ódio é imenso, mas a necessidade é maior.

 

— Quero que nos ajude a matá-los — responde Henry. — Depois disso, você volta para esta cela. Ou para a cova. A escolha será sua.

 

Gun exibe um sorriso sombrio, revelando dentes manchados.

 

— Tire essas correntes. Se vamos caçar Ceifadores, vou precisar de mais do que apenas histórias de fogueira. Vou precisar de uma arma.

 

O Peso do Chumbo

 

Henry entra na cela com o rosto de pedra. Ele não diz nada enquanto destranca as algemas de Gun. O som do metal atingindo o chão parece ecoar por todo o andar.

 

Henry estende a mão e entrega um dos revólveres a Gun. O outro, ele guarda firmemente em seu próprio coldre.

 

— Apenas um — diz Henry, com a voz afiada como gelo. — E se eu vir o cano dessa arma apontado para qualquer um dos meus irmãos, garanto que você não terá tempo de ouvir o disparo.

 

Gun segura a arma com uma familiaridade assustadora. Ele gira o tambor, sentindo o peso do aço, e um brilho de satisfação retorna aos seus olhos. Ele enfia o revólver no cós da calça e sai da cela de vidro, alongando os braços.

 

Ele atravessa o corredor e entra na área de convivência do andar de comando, desabando pesadamente no sofá de couro vandalizado.

 

— Ah... é bom estar livre — murmura Gun, fechando os olhos e encostando a cabeça para trás, como se estivesse em um hotel de luxo em vez de uma base sob cerco.

 

Freya está diante dele, de braços cruzados, encarando-o com um olhar carregado de julgamento e decepção. Gun sente o peso do olhar dela mesmo de olhos fechados. Ele abre apenas um olho, observando a silhueta da mulher que ele ainda chama de sua.

 

— Oh, não olhe para mim assim, minha rainha — diz Gun, com um sorriso de canto que mistura deboche e exaustão. — Preciso descansar um pouco antes da missão. Caçar fantasmas exige que o corpo esteja pronto, e este seu sofá... bem, os Hereges podem não ter munição, mas sabem escolher mobília.

 

Freya permanece de pé por alguns segundos, observando Gun relaxar no sofá como se o caos lá fora fosse mero ruído de fundo. A exaustão finalmente quebra sua postura. Ela se senta na outra extremidade do estofado, mantendo uma distância segura, mas o peso do segredo que ela carrega parece puxá-la para o centro.

 

Gun não se move, mas sua voz perde o tom de autoridade que usou com Henry.

 

— Você está pálida, Freya — diz ele, ainda de olhos fechados. — O ar aqui em cima é mais limpo do que na Serraria, mas você respira como se estivesse sufocando.

 

Freya olha para as próprias mãos, que tremem levemente sobre os joelhos.

 

— Eu vi o que ele fez com a Mika, Gun. Eu vi a velocidade. Aquilo não era humano. — Ela se vira para ele, sua voz um sussurro urgente. — Por que você nunca me contou sobre eles? Por que me deixou acreditar que você estava no topo da cadeia alimentar?

 

Gun abre os olhos e se senta, inclinando-se para a frente. Seu rosto, sem a máscara de couro, de repente parece humano e vulnerável.

 

— Porque um império é construído sobre mitos, Freya. Se o meu povo soubesse que existem dez demônios que poderiam dizimar um exército inteiro, ninguém teria medo de mim.

 

Os olhos de Freya se enchem de lágrimas.

 

— E agora... agora estou carregando algo que vai nascer em um mundo onde esses Ceifadores existem?!

 

Gun não responde com arrogância. Pela primeira vez, o rosto do carrasco da Rodovia 97 se contorce em uma expressão de vergonha genuína. Ele olha para o chão, sentindo o peso do seu fracasso em ser o protetor que prometeu ser.

 

Lentamente, com um movimento quase cerimonial que contrasta com sua força bruta, Gun escorrega do sofá. Ele se ajoelha no mármore frio diante de Freya. Ela recua instintivamente, mas para ao ver a vulnerabilidade nos olhos dele.

 

Gun inclina a cabeça e a encosta suavemente contra a barriga de Freya. Suas mãos repousam com uma leveza sobrenatural sobre o tecido do vestido dela.

 

— Eu não sou o pai que este mundo merece — sussurra Gun, com a voz abafada contra a barriga dela. — Mas sou o único escudo que ele tem agora.

 

Ele fecha os olhos, sentindo a vida crescendo ali dentro, alheia aos demônios que cercam o edifício.

 

— Eu nunca tive nada que fosse real, Freya. O império era metal, o óleo era fumaça... mas isso aqui... — Ele aperta as mãos levemente, como se segurasse um milagre. — Se Elijah quiser tocar nesse segredo, ele vai ter que me despedaçar parte por parte.

 

Freya hesita, mas acaba pousando uma das mãos na cabeça de Gun. É um gesto de perdão amargo. Ela olha em direção à porta e vê a silhueta de Henry, observando a cena em silêncio. Henry não interrompe. Ele simplesmente baixa os olhos em um sinal de respeito.

 

Gun se levanta, limpando o rosto rapidamente para que ninguém veja o rastro de sua fraqueza. Ele volta para o seu canto do sofá e recupera seu tom áspero.

 

— Durma, Freya. Amanhã, vou levá-los para o abatedouro nas Cascades. E vou precisar que você esteja segura para o nosso futuro.

 

O Plano

 

Algumas horas depois, a atmosfera na sala de planejamento está gélida. Gun está diante do mapa tático, a luz de uma lâmpada de óleo projetando sua silhueta massiva sobre a representação das Montanhas das Cascades. Os Hereges sobreviventes o cercam, mantendo uma distância segura, mas ouvindo cada palavra com uma atenção mortal.

 

Gun aponta para as manchas verdes densas no mapa.

 

— A floresta é um labirinto com 90% de vegetação espessa — diz Gun, sua voz rouca ecoando contra o mármore. — Mas ela tem pontos que vocês precisam conhecer se quiserem sobreviver mais de uma hora lá dentro.

 

Ele bate o dedo em um pequeno ícone ao sul.

 

— Temos um posto de gasolina abandonado aqui. Pode servir para suprimentos rápidos, mas é uma "armadilha visual". A leste, há uma velha mansão rústica; é sólida, escondida entre os carvalhos, o melhor lugar para dormir se precisarem de paredes entre vocês e o vazio. A oeste, o aeroporto abandonado, um campo aberto perigoso.

 

Ele desliza o dedo para o extremo norte, onde o mapa se torna mais detalhado com marcações de concreto.

 

— E bem aqui, ao norte, fica o QG dos Ceifadores. Não é uma serraria ou um ferro-velho. É uma base científica enorme que pertenceu à CIA antes da Queda. Tecnologia de ponta, sistemas que o Beck levaria anos para entender.

 

Henry cruza os braços, sua máscara azul presa ao cinto. — Qual é o plano de infiltração?

 

— O ideal é irmos à noite — responde Gun, olhando Henry nos olhos. — À noite, eles não ativam os drones de caça; assinaturas térmicas são mais difíceis de processar na floresta densa. O problema... — Gun faz uma pausa sombria — ...é que os próprios Ceifadores saem à noite para caçar. Eles são o "Povo da Noite", lembram?

 

Leo engoliu em seco e Kol apertou o cabo de seu machado.

 

— Como saberemos se entramos no alcance deles antes de termos nossas gargantas cortadas? — pergunta Kol.

 

Gun solta um suspiro pesado, como se estivesse lembrando de algo que preferia esquecer.

 

— Vocês saberão. Se virem pilhas de cadáveres queimados crucificados em estacas de árvores, esse é o sinal. Eles não marcam território com "cruzes de galhos" como vocês, ou com cercas como eu. Eles marcam com o que sobrou daqueles que tentaram resistir. Se virem as estacas, significa que o território é deles... ou que eles já estão atrás de vocês.

 

Henry olha para o grupo, depois para a Magnum no cinto de Gun.

 

— Arrumem suas mochilas. Se a noite pertence a eles, vamos mostrar que os Hereges sabem como caminhar nas sombras.

 

O Massacre do Fluxo

 

Local: Usina Hidrelétrica de Willamette (Base do Hidro-Conselho)

 

As sentinelas do Regente Maros usam uniformes limpos e carregam arpões como armas, mas lhes falta a alma de um guerreiro. Quando o primeiro sensor de movimento é cortado, eles pensam que é apenas um animal. Segundos depois, a escuridão dentro da usina se torna sólida.

 

Elijah e Ian (o segundo Ceifador da noite anterior) entram pelo duto de ventilação principal. Eles não usam explosivos; a entrada é cirúrgica.

 

No centro da sala de controle, o Regente Maros observa os monitores enquanto eles começam a chiar e escurecer um por um. — O que é isso? Um problema na turbina quatro? — pergunta Maros, ajustando seu terno impecável.

 

— Não é a turbina, senhor — responde um guarda, tremendo. — Algo... algo desativou a segurança externa. Nenhum tiro disparado. Sem alarmes.

 

De repente, a porta é invadida. Ian entra primeiro.

 

— Alvos identificados — a voz de Ian através do modulador é mais aguda e elétrica que a de Elijah.

 

Os guardas de Maros tentam reagir, mas é tarde demais. Elijah emerge das sombras atrás do primeiro esquadrão. Em um borrão de "Krav Maga", ele quebra o braço de um soldado e usa o corpo dele como escudo humano contra os disparos de arpão das bestas dos outros.

 

Ian se move com um tipo diferente de agilidade; ele prefere o combate de "baixo perfil", deslizando pelo chão e cortando os tendões dos guardas. É um abatedouro silencioso e rítmico.

 

— PAREM! — grita Maros, recuando para o canto da sala. — Eu sou o Regente! Eu controlo a água! Se eu morrer, o sistema de purificação trava!

 

Elijah para a poucos centímetros de Maros. O sangue dos guardas escorre de suas luvas de couro, mas seu traje preto permanece impecável. Ele remove o modulador de voz por um momento, deixando sua voz natural — fria e desprovida de emoção — ecoar.

 

— Você não controla nada, Maros — diz Elijah. — A água pertence à Terra. Você é apenas um parasita que colocou uma torneira nela. Viemos acertar a conta.

 

Ian se aproxima, embainhando suas facas e conectando um dispositivo portátil ao terminal central da represa. — Elijah, Silas vai gostar disso. O escoamento é o triplo do que prevíamos. Podemos secar as cidades rebeldes em dez minutos.

 

Elijah olha para Maros, que está tremendo e suando. — Não vamos matar você ainda, Regente. Precisamos das suas impressões digitais para autorizar o acesso total aos sistemas criptografados. Depois disso, decidirei se mato você ou se te dou uma passagem só de ida para o inferno.

 

Ian riu, um som seco e metálico. — Amanhã, Oregon descobrirá como é a sensação da sede de verdade.

 

Elijah aperta o pescoço de Maros. — Excelente. Quero que os Hereges assistam ao mundo morrer de sede antes de eu quebrar o pescoço dele.

 

A Caminho das Cascades

 

A cena corta para os Hereges e Gun. Eles estão cruzando a fronteira em direção à floresta. A atmosfera mudou; o ar está mais denso, mais úmido.

 

Henry para. — O que foi? — pergunta Gun, sacando sua Magnum.

 

Henry aponta para as árvores à beira da estrada. Lá estão elas: as estacas. Doze cadáveres de batedores do Hidro-Conselho, crucificados e queimados, formando um corredor macabro que aponta para o norte.

 

— Eles já tomaram a represa — diz Henry, com a voz carregada de ódio.

 

FIM DO VOLUME 1

 

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Dados das Facções (História)

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Os Hereges: 

 

Este grupo de assassinos opera nas sombras da escassez, seguindo um código de "justiça redistributiva" ao roubar recursos de facções dominantes para sustentar populações famintas. Embora sejam homens de fé, rejeitam veementemente cultos que sacralizam a guerra, sendo rotulados como "hereges" por desafiarem as interpretações religiosas vigentes. 

 

Sua estratégia foca em infiltrações e ataques surpresa via parkour, utilizando telhados e ruínas para garantir mobilidade superior a partir de sua base fortificada no Oregon. O território é marcado por cruzes de gravetos secos, sinalizando áreas sob sua proteção.

 

Em combate, priorizam armas viscerais e mecânicas, como lâminas, serras circulares e fogo. O uniforme padrão inclui jaquetas utilitárias e máscaras de madeira entalhada — cada uma com uma cor única, como o azul de Henry — que ostentam uma cruz entre os olhos, unindo a rusticidade da floresta à agressividade urbana. Por serem um grupo reduzido de apenas 11 membros, atuam com cautela extrema para evitar baixas.

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A Cruz de Pólvora: 

 

Este culto fanático de 75 seguidores busca a salvação através do poder das armas, sagrando a pólvora e o chumbo, embora utilize majoritariamente facões e facas em combate. Movidos pelo uso de PCP e inibidores químicos, os membros — conhecidos como "Os Cruzados" — são psicoticamente agressivos e insensíveis à dor, encarando a morte como um ritual de purificação. 

 

Suas fronteiras são marcadas por fuzis cruzados pintados com sangue ou cinzas, sinalizando sua "guerra santa". Especializados em mutilação com lâminas pesadas, os fiéis vestem calças pretas e camisas vermelhas, ostentando no rosto o símbolo de dois fuzis cruzados em sangue, marca de seu batismo na violência.

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Os Viajantes / Os Ferroviários: 

 

Formado por 100 imigrantes russos, este grupo controla a rede de metrô e túneis ferroviários, operando com um pragmatismo territorial que aceita negociar passagens seguras por suprimentos. Suas marcações utilizam o alfabeto cirílico e desenhos de engrenagens em portões de aço. 

 

Na falta de armas de fogo, utilizam ferramentas pesadas, como marretas e chaves de grifo, além de explosivos incendiários e coquetéis Molotov. Vestem roupas industriais pretas e máscaras de gás militares, sempre impregnadas de graxa e poeira de carvão para se camuflarem na escuridão do subsolo.

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Os Espectros: 

 

Este grupo de 50 caçadores nômades espanhóis vive em total integração com a natureza, utilizando ghillie suits feitos de fibras vegetais e camuflagem militar para se tornarem invisíveis. Especialistas em ataques furtivos, utilizam zarabatanas com venenos naturais, balestras silenciosas e facas de osso ou cerâmica. Embora respeitem o silêncio dos Hereges, mantêm certa distância por considerá-los "barulhentos" devido ao uso de armas metálicas e mecânicas.

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O Hidro-Conselho: 

 

Formado por 30 pessoas, este grupo alemão atua como guardião dos raros aquíferos purificados, utilizando a sede como sua principal arma de defesa. Negociadores implacáveis, estabelecem mesas de troca rígidas de água por carne ou grãos. 

 

Devido à dependência vital de todos os outros grupos em relação à sua planta de purificação, raramente são alvo de ataques diretos, já que a destruição de sua infraestrutura significaria a morte coletiva por desidratação.

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Os Executores: 

 

Com cerca de 300 membros sob a liderança do caubói Gun, esta facção domina a Rodovia 97 através da extorsão e do controle de combustível. Operando com uma estratégia agressiva e colonialista, exigem submissão total e 50% dos suprimentos de qualquer território invadido.

 

Baseados na minicidade de Chemult e em uma Serraria estratégica que estoca petróleo, marcam suas fronteiras com crânios montados em estacas de ferro. Sua força reside em veículos blindados e no uso de bastões elétricos e laços reforçados, vestindo sobretudos de couro e chapéus de abas largas que remetem aos foras da lei do Velho Oeste.

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Os Rodoviários: 

 

Composto por 30 motoqueiros nômades argentinos, este grupo domina a Rodovia 97 e seus postos de gasolina, utilizando motos de corrida modificadas para manobras de alta velocidade. Sua sobrevivência baseia-se em saques e sequestros, mantendo uma aliança estratégica com os Executores, a quem fornecem cativos em troca de combustível. Marcam suas zonas de caça com placas adulteradas escrito "Rota 666". 

 

Em combate, utilizam motos azuis equipadas com bidentes de aço para empalamento e correntes com pontas laminadas para ataques de médio alcance em movimento. Sua identidade visual é definida pelo uso integral do azul-ciano em vestimentas militares, capacetes e veículos, criando uma unidade técnica intimidadora que domina o horizonte asfáltico.

 

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Dados dos Personagens

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HEREGES:

 

Henry Henrikson (29 anos, Brasileiro/Americano): Mão direita de Solomon e futuro líder de campo. Trazido para os EUA ainda jovem para escapar da guerra, Henry cresceu moldado pela perda. Ele tem 1,75 metro de altura, possui pele morena clara ou neutra e cabelos pretos em um corte guerreiro ("warrior cut"). É um homem de poucas palavras, mas de ação explosiva, equilibrando a agressividade brasileira com a disciplina americana. É o herdeiro dos ideais de Solomon.

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Solomon Vane (60 anos, Americano): O líder e fundador do grupo. Solomon é a bússola moral e o mestre que treinou cada um dos outros dez membros na arte da sobrevivência e do combate. Por ser mais velho e não possuir a agilidade necessária para o "parkour", ele comanda as operações estrategicamente da base no Oregon. Sua presença é imponente e paternal, mantendo a fé viva no grupo.

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Kol Valet (31 anos, Ucraniano): Um sobrevivente endurecido pelas cinzas da Europa. Kol é o executor silencioso do grupo; sua experiência em guerra de trincheiras o tornou um mestre em emboscadas em espaços confinados. É extremamente leal a Solomon, a quem credita sua sanidade após a "Queda".

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Steve Piro (29 anos, Americano): O especialista em demolição e o membro mais volátil do grupo. Piro é fascinado pela purificação através das chamas e atua como a "força de choque" dos Hereges. Sua personalidade é tão instável quanto os combustíveis que manipula, sendo frequentemente responsável por criar cortinas de fumaça para as fugas do grupo.

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Kane Sterlow (27 anos, Inglês): Ex-batedor militar, Kane é o olhar do grupo nas alturas. Ele é o mais rápido no "parkour" e possui uma frieza britânica característica. Kane não sente vertigem e é o responsável por mapear as rotas de fuga nos telhados do Oregon.

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Beck Volter (33 anos, Alemão): O intelecto técnico por trás dos equipamentos. Beck é pragmático, metódico e responsável pela manutenção da base e das ferramentas de corte do grupo. Ele raramente sorri e vê a luta como um "problema de engenharia" a ser resolvido com eficiência.

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Leo Halkirk (21 anos, Escocês): O caçula é o mais ágil. Leo compensa a falta de força física com uma velocidade sobre-humana e uma audácia típica da juventude. Ele vê os outros Hereges como "irmãos mais velhos" e é o principal responsável por realizar furtos rápidos enquanto os outros distraem os guardas.

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Vane Zadeko (35 anos, Bósnio): O elo diplomático do grupo. Vindo da Bósnia (o país do algodão), Vane entende o valor da tecelagem e dos recursos básicos. Ele é o mais equilibrado e sempre tenta encontrar uma solução que não envolva extermínio total, embora seja letal quando forçado a lutar.

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Elena Vesper (28 anos, Espanhola): Especialista em inteligência e furtividade. Elena é a "sombra" que se move entre as luzes. Ela é responsável por se infiltrar em territórios como o do Maquinista para coletar informações antes do ataque. Seus movimentos são precisos e silenciosos como os de uma assassina profissional.

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Mika Thorne (26 anos, Japonesa): A mestra de armas do grupo. Mika fundiu o combate tradicional japonês com a brutalidade das ruas. Ela é responsável por treinar os membros em artes marciais de contato, garantindo que mesmo sem armas eles sejam perigosos.

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Tara Gearheart (30 anos, Sul-africana): Força bruta e cura. Tara é o tanque do grupo, capaz de suportar punição física enquanto protege a retirada dos outros. Ela também possui conhecimentos médicos básicos para tratar os Hereges após os confrontos.

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VIAJANTES / FERROVIÁRIOS:

 

Arthur Volkovich (55 anos, Russo): Líder dos "Viajantes/Ferroviários". Um homem pragmático, ex-engenheiro ferroviário que vê o mundo como uma "máquina quebrada" que ele precisa manter lubrificada. É justo, mas implacável: se você não tem algo para trocar, você não embarca. Ele habita o subsolo e raramente vê a luz do dia.

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CRUZ DE PÓLVORA:

 

Vincent Malakor (42 anos, Americano): Líder da "Cruz de Pólvora". Um ex-presidiário que encontrou na santidade da munição uma forma de controlar as massas. Ele é perigoso e vive em um estado de euforia induzido por drogas (PCP). Ele acredita genuinamente que Henry é um "demônio" que precisa ser purificado.

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ESPECTROS:

 

Major Ghost (48 anos, Espanhol): Líder dos "Espectros". Um ex-soldado das forças especiais que abandonou a tecnologia pela natureza. Ele é quase uma lenda; muitos acreditam que ele pode se tornar "invisível". Ele despreza a civilização e quer que a floresta engula as cidades.

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HIDRO-CONSELHO:

 

Regente Maros (52 anos, Alemão): Líder do "Hidro-Conselho". Um burocrata impiedoso que controla as reservas de água. Ele não suja as mãos de sangue; ele simplesmente corta o suprimento de quem o desafia. Maros é o homem mais rico em termos de "biologia humana" em Oregon.

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EXECUTORES:

 

Gun (40 anos, Americano): O líder supremo da Região 97. Gun é um psicopata carismático que se vê como um "colonizador necessário". Ele oferece uma escolha simples: entregue 50% de tudo e sobreviva, ou recuse e seja dizimado. Seu visual é icônico: um traje completo de caubói, uma máscara de couro preto que oculta seu rosto (com um zíper na boca e apenas um orifício para o olho) e duas bandoleiras de munição de "Magnum" cruzando seu peito em forma de "X", ostentando seu arsenal de forma intimidadora. Sua autoridade baseia-se no terror tecnológico e no controle do petróleo.

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Mickey Trigger (28 anos, Americano): O executor brutal e imprevisível. Um lutador de rua que vê o mundo como um "arsenal gigante". Ele treina no ferro-velho de Chemult, forjando sucata em ferramentas de morte. Ele não possui apego a armas específicas; sua mente é seu maior trunfo, capaz de calcular como matar um homem com o que estiver ao seu alcance.

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Colt (35 anos, Americano): Segundo em comando e o líder tático direto dos 300 soldados. Colt é o "espelho militar" de Gun, responsável por manter a disciplina de ferro dentro da facção. Ele é mais frio e menos teatral que o chefe, focando na eficiência de seus esquemas de extorsão e na manutenção de seus veículos blindados.

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Freya “Holster” (30 anos, Americana): A mente estratégica do grupo. Com cabelos loiros curtos e uma beleza gélida, Freya planeja cada invasão e rota de suprimentos. Embora viva como uma "rainha" e tenha todos os seus caprichos atendidos por Gun, ela é uma "prisioneira de luxo", servindo como sua amante por obrigação. Sua inteligência é o que mantém os Executores um passo à frente das facções rivais. Ela perdeu os pais para uma doença não revelada, e seu irmão mais velho foi levado à força pelos militares para um experimento do governo. Gun acabou encontrando-a entre os escombros e ficou encantado por ela, coroando-a como a "rainha" de seu império.

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RODOVIÁRIOS:

 

Dante Korthas (38 anos, Argentino): Líder dos Rodoviários. Um entusiasta da velocidade que transformou a Rodovia 97 em seu "reino pessoal". É arrogante e vive pela descarga de adrenalina. Dante vê o mundo como uma "pista de corrida" onde apenas os mais rápidos sobrevivem. Ele é o principal aliado comercial de Gun.

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