Volume 7
Capítulo 3: Assistente Médica
As cinco novas assistentes médicas, incluindo Maomao, passariam o primeiro mês de trabalho no posto médico próximo ao campo de treinamento do exército, aprendendo como tudo funcionava. Por que justamente aquele posto? Porque era, de longe, o mais movimentado.
Não importava que Maomao tivesse uma recomendação pessoal de Jinshi; ela não recebia nenhum tratamento especial. Se quisesse ir para o palácio interno, teria que provar seu valor por meio do trabalho. Todos os dias, soldados eram levados ao posto para receber cuidados. Arranhões, escoriações e cortes eram o básico para as assistentes, mas mais de uma vez também precisavam costurar alguém. Era, sem dúvida, a forma perfeita de se acostumar com o trabalho.
Talvez levem isso mais a sério do que eu pensei, pensou Maomao. Tanto o novo departamento, que ela imaginou ser apenas uma aparência externa, quanto suas colegas, que ela supôs estarem ali só para encontrar bons pretendentes para se casarem.
Duas delas parecem particularmente dedicadas. Das outras quatro novas damas da corte, duas trabalhavam com notável empenho: uma que Maomao havia tomado como líder do grupo, e outra que parecia reservada e silenciosa.
Quanto às duas restantes, menos entusiasmadas, desmaiaram ao ver sangue pela primeira vez. Depois de alguns dias, começaram a se acostumar, embora ainda fizessem caretas de nojo com frequência. Maomao não tinha certeza se era uma boa ideia fazer esse tipo de expressão diante de soldados suados e cobertos de lama.
— En’en, pegue alguns desses curativos para mim.
— Sim, Lady Yao.

(Lady Yao (15) na esquerda e En’en (19) na direita, para não surgir dúvidas!)
Então a recatada e quieta En’en parecia ser a assistente da dama da corte chamada Yao. Naquele posto, elas eram tecnicamente colegas, mas pelas interações ficava claro que havia uma diferença de status entre elas.
Yao era uma jovem bem desenvolvida e cheia de vida; mesmo sem experiência no palácio, certamente haveria muitas pessoas felizes em tê-la como noiva. En’en era menos expansiva e não demonstrava muita expressão, mas tinha um rosto bonito e transmitia uma competência inconfundível.
Maomao lavava os curativos o mais rápido que podia. Eles seriam usados em feridas abertas, então precisavam estar o mais limpos possível o tempo todo. Depois de lavados, eram fervidos para desinfecção e então secos.
As colegas de Maomao continuavam a tratá-la com frieza. Elas falavam com ela apenas o mínimo necessário, embora, como Maomao também não costumava iniciar conversa, fosse difícil dizer de quem era a culpa. Os médicos pretendiam aproveitar ao máximo as damas, e como Maomao já sabia fazer o trabalho, raramente precisava pedir ajuda. Ela simplesmente fazia. O resultado era que terminava suas tarefas sem se tornar próxima de ninguém.

Ela estava colocando os curativos fervidos para secar quando um dos médicos disse:
— Posso lhe perguntar uma coisa?
— Sim, senhor?
— Você está achando alguma coisa difícil neste trabalho?
O médico parecia familiar. Após um instante, ela percebeu que era o oficial médico que conheceu enquanto trabalhava para Jinshi.
— Nada específico, senhor.
— E notei que você come sozinha nas refeições.
— A comida aqui é deliciosa, se me permite dizer.
Por um lado, realmente tinha gosto de comida, o posto médico provavelmente recebia a mesma refeição que os soldados, e, ao contrário do palácio interno, era possível repetir.
— Não é disso que estou falando. Não a incomoda que as outras estejam claramente ignorando você?
— Talvez fosse mais fácil para elas se me fizessem perguntas, senhor, mas o contrário não é exatamente verdade.
Se alguém saía prejudicado pelo tratamento de silêncio que Maomao recebia, eram justamente aquelas que o davam. Tudo bem, às vezes ela perdia avisos importantes porque ninguém lhe contava, mas sempre que um dos médicos tentava repreendê-la, encontrava um sujeito estranho encarando-o pela janela, e eventualmente as broncas cessaram. As aparições do estranho continuavam, no entanto, de modo que ele precisava ser arrastado embora por subordinados várias vezes por dia.
Na verdade, deviam ter sido os médicos, na tentativa de ensinar, que ficaram na situação mais difícil por causa da desavença entre as moças. Maomao realmente sentiu um pouco de pena deles.
— Receio não saber muito bem como fazer amizade com elas... Mas talvez eu saiba um pouco sobre como lidar com aquele estranho.
Houve uma pausa. — Por favor, me diga.
O truque era simples: mencionar o nome de Luomen. Ela se sentia um pouco mal pelo velho, mas era realmente irritante ter aquele sujeito sempre à espreita. Outra tática era dar a ele o registro de uma partida de Go; ele ficaria comportado enquanto analisasse. O risco era que, se encontrasse jogadas particularmente ruins, poderia entrar em modo de ensino.
— Posso perguntar mais uma coisa? — disse o médico, bem consciente do velho de monóculo observando das sombras das árvores. Quando ele tinha voltado? Seu olhar estava fixo, afiado como uma lâmina, no médico que falava com Maomao. — Qual exatamente é sua relação com o estimado estrategista?
— Ele é um estranho para mim — disse Maomao.
— Mas certamente...
— Um completo estranho — afirmou ela com firmeza, e voltou ao seu trabalho.
Quando começou a trabalhar no posto médico, Maomao passou a morar em um dormitório próximo, dentro dos terrenos do palácio. O distrito dos prazeres não ficava tão longe que ela não pudesse ir e voltar, mas havia o desejo de evitar rumores desagradáveis caso descobrissem onde ela morava. Ela se preocupava com sua farmácia, mas saber que Kokuyou estava de olho nas coisas a deixava um pouco mais tranquila.
Seu velho também estava morando em um dormitório. Os médicos tinham plantões noturnos frequentes, e não poucos oficiais médicos acabavam praticamente vivendo na “sala de plantão” próxima ao consultório. Até o pai de Maomao parecia voltar ao dormitório apenas raramente. Quanto a Maomao, seu quarto não era grande, mas também não era pequeno; havia uma cama, uma cômoda e espaço suficiente para uma escrivaninha, então ela não tinha do que reclamar.
Havia também uma estante. Livros eram caros demais para que ela comprasse muitos, mas era possível pegar emprestado no consultório médico com permissão. No geral, Maomao achava a vida ali bastante agradável. O único problema era que cada um precisava preparar sua própria comida. Havia um restaurante não muito longe, mas Maomao frequentemente pegava emprestado um fogareiro para fazer seu mingau.
Ela se sentou na cama e abriu algumas cartas que haviam chegado durante o dia. Eram duas: a primeira vinha do distrito dos prazeres, informando como a loja estava. A madame ainda desconfiava de Kokuyou, mas até então ele não tinha feito nada preocupante. Sazen também parecia estar indo bem.
A outra carta era de Jinshi. Tinha vindo em nome de Gaoshun, mas a caligrafia era de Jinshi. Era um resumo básico do que vinha acontecendo recentemente, sem nada problemático caso fosse lido por terceiros. Ele falava, inclusive, sobre a nova concubina de médio escalão do palácio interno: Aylin, a mulher de Shaoh. Caso a carta fosse interceptada, ela era descrita como uma “bela flor” de uma terra estrangeira.
Ainda assim, havia algo estranho. Essa nova mulher certamente tinha suas peculiaridades, mas quando chegou ao palácio interno, veio sozinha. Por que tanta cautela com ela? Maomao terminou de ler e guardou a carta. Pelo relato, Aylin ainda não tinha feito nada suspeito.
Alguns dias depois, ela entenderia. Mas naquele momento, não tinha como saber.
Maomao já estava bem acostumada ao consultório médico. Todos os dias ela trabalhava, e o estrategista estranho ficava espiando pela janela sem parar, até que seu velho aparecia para levá-lo embora.
Seu pai, Luomen, tinha uma perna ruim, então não era muito justo que ele tivesse que fazer esse trajeto repetidamente. Recentemente, ele passou a usar uma carroça para se deslocar ao consultório e expulsar o estranho. Não parecia muito confortável, mas ele estava sem a rótula de um dos joelhos, então o que mais poderia fazer?
— Hmm? — disse Maomao. Luomen acabou de aparecer de novo, ele não tinha levado o estranho embora há poucos minutos? Talvez tenha esquecido algo, pensou ela, mas ele entrou no consultório. Maomao pegou os curativos secos e entrou. As outras damas da corte já estavam alinhadas. Aparentemente, mais uma vez, ninguém a havia avisado. Com uma expressão irritada, o oficial médico mandou que ela se juntasse à fila.
— Pretendo ir ao palácio interno hoje, e gostaria de uma assistente — disse Luomen. Então foi isso que o trouxe até ali. O palácio interno tinha o médico charlatão, mas recentemente Luomen também vinha indo até lá. Os outros médicos ainda possuíam seus bens mais importantes, então apenas o eunuco Luomen podia entrar.
— Se estiver procurando voluntárias, eu vou — disse Yao, aquela que parecia estar no comando das outras damas da corte, dando um passo à frente. Assim que o fez, duas das outras a acompanharam.
— Receio que já tenhamos decidido quem irá — disse o oficial médico.
Yao lançou-lhe um olhar.
— Isso se refere a esta jovem? — perguntou ela, olhando para Maomao sem se dar ao trabalho de usar seu nome.
Maomao não se importava muito com o fato de Yao não querer lembrar seu nome, mas desejava que ela não tentasse impedi-la de ir ao palácio interno. Afinal, era exatamente para isso que ela estava ali.
— Ela só lava roupas — interrompeu outra dama da corte, cujo nome Maomao também não se deu ao trabalho de lembrar. — Eu nem sei se ela consegue fazer trabalho médico de verdade. Embora, suponho, seja boa em limpar. Será que ela não seria mais adequada como empregada do que como dama da corte? — Duas delas riram entre si.
Tenho que fazer isso porque vocês não fazem, pensou Maomao. Ela não se ofendia com a ideia de ser empregada, tinha sido exatamente isso por bastante tempo. Mas gostaria que parassem de tentar impedi-la de fazer literalmente seu trabalho.
Quando pensou que talvez precisasse responder, o segundo oficial médico, o mais velho, que havia testado as mulheres quando chegaram, colocou a mão nos ombros das damas anônimas, sorriu e disse:
— Sim, entendo. Vocês duas podem ir para casa agora.
A declaração repentina as deixou de olhos arregalados.
— M-Mas por quê? — perguntou uma delas.
— Porque eu disse a todas para cuidarem da lavanderia, mas vocês decidiram que isso não faz parte de suas funções. E acham que posso mantê-las aqui assim? Eu particularmente detesto esse tipo de pessoa.
Seu tom era gentil, mas não havia espaço para discussão.
— Vocês passaram no teste, mas descobri que não são adequadas para o trabalho médico. Vocês poderão ir para outro departamento, mas devem se preparar para o fato de que a maioria dos lugares exige muito mais limpeza e lavanderia do que aqui.
Com isso, fez um gesto para o médico mais jovem conduzi-las para fora.
— L-Lady Yao! — exclamou uma delas, buscando ajuda. Mas Yao e En’en apenas a olharam. Maomao pensava que eram muito unidas, mas talvez não fossem tão próximas assim.
O médico então se virou para Maomao, as outras duas damas restantes e Luomen.
— Agora que está mais tranquilo aqui, devo acrescentar mais uma coisa. Há algo mais que eu detesto: nepotismo.
As sobrancelhas de Luomen se franziram em consternação.
Não me diga... pensou Maomao, olhando de um para o outro. Ela acreditava ter passado no teste por mérito próprio, mas, pelos olhares dos homens... talvez não. Mesmo que tivesse, era inegável que a produtividade havia caído desde sua chegada, por causa das constantes aparições do estrategista excêntrico.
— Aqueles que não estão aqui por conexões familiares devem demonstrar isso pela excelência de seu trabalho. É tudo o que tenho a dizer. Agora, vão logo para o palácio interno, ou para onde quer que estejam indo.
Seu velho, ainda parecendo preocupado, fez uma leve reverência. No fim, levou as três com ele para o palácio interno.
[Noelle: Eita, pesou o clima e ainda deixou a gente na dúvida né?]
[Kessel: Pode ser uma indireta para a Maomao, mas também pode ser um recado para a Lady Yao, que entenderá que precisa mostrar serviço e não depender tanto assim dessa sua posição social favorável…]
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