Volume 7
Capítulo 17: A Suspeita
A sacerdotisa e as outras mulheres foram rapidamente levadas para seus quartos de repouso. A sacerdotisa e a segunda provadora de comida estavam vomitando sem parar. Era crucial fazê-las beber água salgada para garantir que seus estômagos fossem completamente esvaziados, e também receberam carvão em pó e laxantes. Não eram as substâncias mais agradáveis de engolir, mas eram necessárias para limpar o organismo.
O pai de Maomao ainda não podia examinar a sacerdotisa, então a responsabilidade caiu sobre ela. Não bastava apenas esvaziar seus estômagos; ela queria limpar os intestinos também. Se os laxantes não funcionassem, estava preparada para aplicar remédio diretamente em seus ânus para induzir a purgação de que precisava, embora duvidasse que qualquer uma delas estivesse ansiosa por isso. Felizmente, os laxantes cumpriram seu papel.
Tanto a sacerdotisa quanto a segunda provadora de comida estavam em condições melhores que Yao. Elas podiam apresentar sintomas de envenenamento, mas ao menos continuavam conscientes. Yao estava em estado crítico, e En’en, esquecendo completamente a quem supostamente servia agora, permanecia ao lado dela o tempo todo. Jinshi não era um monstro. Maomao presumiu que ele permitiria aquilo.
No dia seguinte ao banquete, quando o estado da sacerdotisa já havia estabilizado um pouco, Jinshi foi visitar Maomao. Ele estava vestido de maneira ainda mais simples do que o normal, mas seu brilho natural permanecia. Basen, agora recuperado, estava com ele. Maomao ainda usava as roupas do dia anterior; ela nem sequer teve tempo de tomar banho. Porém, aquele não era o momento para se preocupar com isso.
— Como está a sacerdotisa? — perguntou Jinshi.
— Mais calma. O caso dela não foi tão grave quanto o de Yao ou o da outra mulher que provava sua comida. — Um dos médicos aprendizes relatou a ela cada detalhe da evolução de Yao, e Maomao, por sua vez, informava a ele como a sacerdotisa estava. Se algo acontecesse com a sacerdotisa, aquilo poderia se transformar num incidente internacional. Eles não podiam permitir que a situação piorasse ainda mais. Sem dúvida, era essa mesma preocupação que trouxe Jinshi ali tão rapidamente.
— Yao... Sim, esse é o nome dela. Aquela que En’en chama de senhora.
— Você parece ter se afeiçoado bastante à En’en, mas talvez pudesse devolvê-la para nós algum dia desses? Receio que ela morra por falta de Yao.
En’en devia estar fora de si vendo Yao naquele estado. Quanto a Maomao, ela já se sentia calma o bastante para fazer uma piada. Humor mórbido? Talvez. Insolente? Alguns diriam que sim. Mas era assim que se seguia em frente.
— Você não está preocupada com sua colega?
— Estou preocupada. Não sou tão fria assim. Mas meu trabalho neste momento é cuidar da sacerdotisa. Além disso, meu pai está cuidando da Yao. — Maomao confiava que ele encontraria uma forma de ajudá-la. E En’en entendia um pouco de medicina, então, se conseguisse manter a calma, poderia ser uma enfermeira bastante eficiente. Não havia necessidade de Maomao sobrecarregar-se ainda mais. De qualquer forma, as relações internacionais de Li dependiam da saúde da sacerdotisa. Era essencial que nada acontecesse com ela.
— Se me permite perguntar, descobriram quem envenenou a sacerdotisa?
Ninguém além da sacerdotisa e das mulheres que estavam com ela havia adoecido, o que significava que, mesmo que sobrevivessem, aquilo continuava sendo claramente uma tentativa de assassinato. Quanto mais rápido encontrassem e punissem o culpado, melhor.
Jinshi pareceu abatido, então lançou um olhar para Basen. O outro homem fez uma expressão estranha, mas retirou algo embrulhado em pano das dobras de suas vestes. Era um pequeno frasco. Maomao abriu a tampa e encontrou algum tipo de pó.
— O que é isso? — perguntou ela, aproximando-o do nariz. O cheiro lhe era familiar. Na verdade, ela sentiu o odor muito recentemente. Seus olhos se arregalaram quando percebeu o que era e tentou pegar o frasco, mas Basen o embrulhou de novo.
— Suponho que você saiba de algo — disse Jinshi.
— Isso é pó de incenso? — perguntou ela.
— Sim, é.
O pó de incenso era feito de material vegetal, incluindo shikimi. Era extremamente venenoso e causava vômitos, dores estomacais e diarreia.
— Dr. Kan me informou que ele é venenoso — disse Jinshi.
— Ele está certo. Os efeitos são exatamente os que vimos ontem.
Os sintomas podiam surgir a qualquer momento dentro de várias horas após a ingestão do veneno.
Jinshi observou o rosto de Maomao.
— Este frasco em específico foi encontrado em posse da concubina Aylin.
Eu sabia. Ela havia sentido aquele cheiro enquanto distribuía o incenso repelente de mosquitos. Estava no quarto da concubina Aylin.
Yao, a sacerdotisa e a outra provadora de comida da sacerdotisa haviam sido envenenadas, mas Yao estava de longe no pior estado. Seus sintomas diminuíam apenas para voltar depois. Agora, três dias após o incidente, ela estava muito melhor, mas ainda não podiam relaxar.
Maomao assumiu o lugar de Yao na vila da sacerdotisa, permanecendo lá para cuidar dela e de sua serva. Os sintomas eram leves o bastante para que a presença de Maomao fosse mais uma precaução do que qualquer outra coisa. A questão de quem havia colocado o veneno era muito mais urgente.
E parece que Aylin está envolvida de novo.
Por que uma mulher de Shaoh envenenaria a sacerdotisa shaohnesa? Ela não estava tentando fazer a sacerdotisa ajudá-la? Ou aquele era seu verdadeiro objetivo desde o momento em que entrou no palácio interno? Ela não deveria se sentir em dívida com a mulher que supostamente acabou de tentar assassinar?
Por enquanto, ela é apenas uma suspeita, pensou Maomao. Havia evidências contra ela: o pó de incenso encontrado em suas vestes. Uma de suas damas de companhia o descobriu enquanto a ajudava a trocar de roupa e denunciou o fato.
Maomao conhecia alguns detalhes. Por exemplo, Aylin havia obtido uma grande quantidade do pó venenoso de incenso antes do banquete. E, durante o banquete, estava sentada ao lado de sua compatriota, a sacerdotisa. Além disso, Maomao sabia que Aylin não era observada a todo instante. Afinal, ela estava sozinha quando Maomao levou o incenso, sem sequer uma dama de companhia por perto. Talvez tivesse esperado o momento certo durante o banquete para envenenar a comida.
Essa possibilidade não podia ser descartada. O depoimento das testemunhas e as evidências circunstanciais foram considerados suficientes para justificar um interrogatório direto com Aylin.
Precisamos encontrar o culpado o mais rápido possível. Antes que isso se transformasse em um problema diplomático. Mas e se o culpado for alguém do mesmo país?
Isso seria conveniente demais para Li. A tentativa de assassinato da sacerdotisa poderia ser tratada como uma disputa interna entre visitantes shaohneses. Sim, se Aylin fosse a responsável, tudo se tornaria muito simples.
Eu me pergunto o que Lahan faria. A imagem do homenzinho obcecado por números (e aparência) surgiu em sua mente. Tudo começou quando ele e Aylin discutiram sobre enviar comida para Shaoh ou conceder asilo político a ela. Lahan era esperto demais para se deixar envolver nas consequências daquele incidente, mas aquilo certamente não devia ser agradável para ele.
Tem mais coisa por trás disso, pensou Maomao. Havia perguntas demais, coisas demais que não se encaixavam. Ela não gostava nada disso.
Na manhã do quinto dia, a assistente da sacerdotisa informou Maomao:
— A honrada sacerdotisa já está bem agora. Você pode ir.
— Não me parece que ela esteja totalmente recuperada ainda — respondeu Maomao.
— O problema agora é emocional. Como ela poderia se sentir bem, considerando quem está envolvido?
Justo. Devia ser difícil quase ser assassinada em um país distante e descobrir que o suposto assassino vinha da sua própria terra natal.
— Entendo. Era uma conhecida dela, certo?
— Sim — respondeu a outra mulher após um instante. — Porque ela poderia ter se tornado a próxima sacerdotisa, um dia.
Então minhas informações estavam corretas.
— Ela e sua prima Ayla viveram com a honrada sacerdotisa até os doze anos. — A atendente suspirou como se dissesse: Como isso pôde acontecer? Maomao também se perguntava, mas não era seu lugar fazer perguntas demais.
Então ela apenas disse: — Obrigada.
Uma carruagem esperava por Maomao quando ela deixou a vila da sacerdotisa. Ela subiu e encontrou seu pai lá dentro.
— Yao está bem? — perguntou ela.
— Por enquanto. En’en está cuidando dela. Ela me avisará se a jovem piorar.
Maomao ouviu que Yao havia estabilizado brevemente, apenas para piorar de novo antes de estabilizar outra vez. Claramente, seu estado ainda exigia cautela, o que significava que, se seu pai estava ali, devia haver um motivo.
E havia. O velho homem olhou pela janela e disse: — Não vamos voltar para o consultório médico. Vamos passar direto por ele. — Passar pelo consultório médico significava ir para a área da corte onde viviam as pessoas importantes. Maomao conseguia pensar em um motivo para estarem indo até lá.
— Isso é sobre o jantar? — perguntou ela. Ela e seu pai estavam cuidando das pessoas envenenadas no evento. Com Aylin sob suspeita, não era surpresa que as autoridades quisessem falar com Maomao e Luomen. A carruagem passou pelo consultório médico e seguiu para seu destino: o palácio de Jinshi.
— Por favor, entrem. — Suiren os recebeu com sua habitual educação, embora Maomao tivesse percebido um rápido traço de sorriso quando a mulher de cabelos prateados olhou para ela. Era uma velha astuta. Maomao inclinou a cabeça em resposta. Suiren os levou até uma sala onde Jinshi, Basen e Lahan aguardavam. O homenzinho de óculos ostentava uma expressão claramente abatida; os acontecimentos o haviam desgastado.
— Imagino que saibam por que os chamamos aqui — disse Jinshi. Ele também não parecia muito bem. Estava se sobrecarregando de novo, suspeitou Maomao. Antes de ir embora, teria de fazê-lo dormir um pouco. À força, se necessário.
— Tem relação com a concubina Aylin? — perguntou Maomao.
— Exatamente. Gostaríamos de começar ouvindo o Senhor Luomen. — Obviamente, ele não pretendia perder tempo com formalidades.
— Receio que eu só possa falar sobre o que aconteceu com Yao, a assistente médica.
Isso não é verdade, pensou Maomao. Bem... Era e não era. Seu pai era um homem extremamente cuidadoso. O que queria dizer era que ele só podia falar com certeza sobre o que havia acontecido com Yao. Todo o resto seria suposição, e Luomen não gostava de especular.
— Os sintomas dela foram severos, incluindo cólicas estomacais, vômitos e diarreia. Em determinado momento pareceram estabilizar, apenas para piorarem novamente. Contudo, no momento, ela apresentou melhora.
Tudo aquilo se encaixava com o que Maomao ouvira: os sintomas eram exatamente os de envenenamento por pó de incenso. Mas a gravidade dos sintomas e a forma como pioraram depois de terem diminuído uma vez, a deixavam intrigada. O pó de incenso incluía shikimi, que era altamente tóxico, venenoso o bastante para matar uma pessoa. As frutas eram especialmente perigosas, mas o pó de incenso era produzido triturando apenas a casca do fruto e as folhas.
Tenho certeza de que ela teria percebido se tivesse comido o suficiente para ficar tão mal assim. Maomao havia dado algumas orientações a Yao sobre como procurar veneno na comida, incluindo cheirá-la em busca de odores estranhos. Por outro lado, a aparência de Yao já não estava boa antes da refeição. Talvez seu nariz estivesse entupido.
As palavras seguintes de seu pai transformaram a suspeita de Maomao em certeza.
— Suspeito que estamos lidando com uma micotoxina: algo vindo de um cogumelo ou fungo. Não veneno de shikimi.
Os ouvintes de Luomen ficaram perplexos; o que ele dizia contrariava todas as suposições deles. Sem dúvida o haviam trazido ali para encerrar o caso contra Aylin. Devem ter acreditado que já tinham todas as provas necessárias.
— Entendi! — disse Maomao. Agora fazia sentido para ela. Muitas toxinas fúngicas eram muito mais potentes que o shikimi, embora produzissem sintomas parecidos. E Yao não teria reconhecido o cheiro ou o gosto da maioria dos cogumelos venenosos.
Enquanto todos os outros estavam ocupados demais se chocando, Lahan se inclinou para frente. — Está sugerindo que a concubina Aylin foi incriminada? Conte-me, tio! — Havia uma tom inconfundível em sua voz, e por um bom motivo. Se alguém que ele havia trazido para Li cometesse um crime daqueles, parte da responsabilidade inevitavelmente cairia sobre ele. Toda aquela situação estava além até mesmo dos cálculos de Lahan.
— Estou apenas dizendo que não estamos lidando com pó de incenso venenoso aqui — respondeu Luomen. Seu jeito indireto de falar claramente frustrava os ouvintes.
— Posso acrescentar algo? — perguntou Maomao, esperando fazer a conversa avançar com suas próprias observações. Ela expôs os fatos, tentando ser o mais objetiva possível para não se deixar levar pelo que seu pai havia dito. — A sacerdotisa e a outra provadora de comida apresentaram sintomas muito semelhantes: dores no estômago e vômitos. Porém, os delas foram muito menos severos que os de Yao e desapareceram em cerca de três dias. Tenho algumas dúvidas sobre a hipótese de uma micotoxina estar envolvida. Mais especificamente, acredito que a sacerdotisa e sua atendente ingeriram uma quantidade pequena demais para apresentar os efeitos observados, e acredito também que os sintomas surgiram rápido demais.
Os sintomas realmente a faziam pensar no cogumelo venenoso Amanita virosa, extremamente tóxico, mas de ação lenta. O pior era que, quando os efeitos do veneno começavam a aparecer, ele já havia sido absorvido pelo corpo, motivo pelo qual a pessoa podia parecer curada apenas para os sintomas retornarem depois. Maomao não questionava o tratamento de seu pai para Yao, mas, se realmente houvesse um fungo venenoso envolvido, então o caso precisava ser tratado como algo muito mais sério do que um simples envenenamento por shikimi.
A possibilidade de um cogumelo venenoso havia passado pela mente de Maomao, mas ela a descartou porque, se fosse esse o caso, os sintomas deveriam ter levado cerca de seis horas para aparecer. As três mulheres apresentaram sinais de envenenamento muito antes disso.
Tenho certeza de que o velho sabe disso também, pensou ela. Então por que diria algo assim? Deve haver um motivo. Será que...
E se elas tiverem consumido os cogumelos antes da degustação da comida?
Antes que percebesse o que fazia, Maomao bateu as mãos na mesa. A conversa na vila da sacerdotisa! Como não percebeu aquilo antes?
— Mestre Jinshi! — disse ela.
— O que foi?
— O senhor contou à sacerdotisa que a concubina Aylin era suspeita de envenená-la?
— Não quero dizer nada até termos certeza. Isso apenas criaria ansiedade desnecessária.
Sim. Sim, é claro. E, ainda assim, a assistente da vila havia dito:
— O problema é do coração. Como ela poderia se sentir bem, considerando quem está envolvida?
— Ela poderia ter se tornado a próxima sacerdotisa, um dia.
Maomao presumiu, por causa daquela conversa, que a sacerdotisa já soubesse quem era a suspeita. A própria Maomao sabia, então não pensou duas vezes sobre a sacerdotisa saber também. Mas como ela saberia?
Agora Maomao entendia por que o caso de Yao fora tão grave, enquanto os da sacerdotisa e de sua atendente haviam sido tão leves. Ela conseguia explicar o atraso no surgimento dos sintomas.
— Pai — começou ela, lançando-lhe um olhar sério —, tudo bem se eu fizer algumas especulações?
Ele pareceu desconfortável. — Você terá de estar preparada para assumir responsabilidade pelo que disser. — Depois que as palavras saíssem de sua boca, não haveria como voltar atrás.
— Às vezes ainda assim é preciso falar. — Seu pai permaneceu em silêncio; Maomao tomou aquilo como uma permissão tácita.
— Parece que você tem algo para nós — disse Jinshi.
— Sim, senhor. Embora seja apenas uma possibilidade.
Talvez deixar isso claro lhe desse uma rota de fuga caso precisasse. Ou talvez simplesmente não estivesse disposta a falar com total certeza.
— Acredito que não foi a concubina Aylin quem colocou o veneno.
— E por quê? — Jinshi jamais aceitaria apenas sua palavra. Queria razões. Lahan e Basen também a observavam atentamente.
— Se aceitarmos o que meu velho... Cof cof, o que o Dr. Kan sugeriu, que o caso envolve um cogumelo venenoso, então se torna difícil sustentar a ideia de que a concubina Aylin adulterou a comida.
Considerando o tempo necessário para os sintomas aparecerem, as vítimas teriam precisado consumir o cogumelo muito antes do banquete. Aylin estava sob vigilância desde o momento em que deixou o palácio interno; mesmo quando sua dama de companhia a deixou sozinha, ela não podia sair do quarto, e não possuía cúmplices que a ajudassem. Ela não poderia ter envenenado a comida antes do banquete.
— Então quem fez isso?
— Se a comida realmente foi envenenada, senhor, isso teria de ter acontecido na vila.
Yao estava vivendo com a sacerdotisa havia dias antes do banquete, comendo a mesma comida que ela. Fazia mais sentido presumir que Yao foi exposta ao veneno ainda na residência, o que reduzia drasticamente a lista de possíveis culpados.
— Acredito que tenha sido uma das atendentes da sacerdotisa. Em outras palavras, ela envenenou a si mesma.
A declaração causou nova comoção entre os presentes, todos, exceto Luomen, que permaneceu impassível. Ele provavelmente havia chegado à mesma conclusão, mas se manteve fiel à sua aversão por especulações.
Se o envenenamento tivesse sido, essencialmente, uma encenação, isso também explicaria por que a sacerdotisa e sua assistente sofreram sintomas menos graves do que Yao. Yao teria sido a única a consumir o veneno seriamente; as outras duas ingeriram apenas o suficiente para encenar uma “performance” convincente, ou talvez tenham usado uma toxina diferente e menos perigosa.
A mesma linha de raciocínio explicava por que a assistente sabia quem era a suposta culpada sem que ninguém lhe dissesse, se tudo aquilo havia sido feito com a intenção de incriminar Aylin. Ela e a sacerdotisa se conheciam havia tempo suficiente para que a sacerdotisa soubesse da antiga inclinação da amiga por pó de incenso. Pó de incenso venenoso.
Maomao entendia por que seu pai insistia em não trabalhar com suposições, mas algumas coisas eram capazes de levá-la ao limite. Eles precisaram envolver Yao nisso! Usaram-na friamente. A gravidade dos sintomas de Yao daria credibilidade à ideia de uma tentativa de envenenamento. Yao podia ser um pouco arrogante às vezes, mas, no fundo, era uma jovem decente e dedicada aos estudos. Maomao não era como En’en, mas aquilo bastou para fazê-la sentir a bile subir pela garganta.
[Kessel: Eu vou matar elas!!!!!]
Ela só então percebeu a dormência em suas mãos, e isso a fez parar para se perguntar se ainda estava falando racionalmente. Luomen continuava em silêncio, enquanto Jinshi parecia praticamente sem palavras.
— Tenho uma pergunta — disse Basen, falando pela primeira vez. Ele era rápido para reagir em situações como aquela. — Por que a sacerdotisa iria querer incriminar a concubina Aylin?
— Acho que tenho uma ideia — disse Lahan, levantando a mão. — A concubina Aylin me contou que suspeitava que a sacerdotisa pudesse ter tido um filho... e que talvez fosse a Dama Branca. Pedi a Maomao que verificasse se conseguia descobrir se a sacerdotisa já havia dado à luz.
Se fosse descoberto que a sacerdotisa não era mais qualificada para seu cargo, ela poderia ser destituída dele. Na verdade, ela poderia muito bem ser punida.
— A sacerdotisa, mãe da Dama Branca? Isso seria explosivo — disse Jinshi. Isso significaria que Aylin buscou asilo político não apenas por causa de seus inimigos no governo, mas porque conhecia o segredo da sacerdotisa. Também explicaria por que a sacerdotisa a seguiu até Li.
— Mas se tudo isso foi apenas para manter a Concubina Aylin em silêncio... — disse Maomao. A sugestão de Lahan deveria soar perfeitamente razoável, e ainda assim havia algo nela que a incomodava. Ela olhou para seu pai. Ele apenas permaneceu sentado em silêncio, sem confirmar nem negar nada.
Entre em nosso servidor para receber notificações de novos capítulos e para conversar sobre a obra: https://discord.gg/wJpSHfeyFS
Apoie a Novel Mania
Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.
Novas traduções
Novels originais
Experiência sem anúncios