Volume 7
Capítulo 18: Um Homem e Uma Mulher Entram no Jogo
— Você não vai voltar para casa com o senhor Luomen? — Jinshi perguntou a Maomao. Ela tinha ficado para trás, fervendo um pouco de água.
— O senhor parece terrivelmente pálido, Mestre Jinshi. Quantos dias faz desde a última vez que dormiu direito?
Uma pergunta por outra. Ela misturou na água algumas ervas que ajudariam a fazê-lo dormir e lhe entregou uma xícara. Lahan tinha saído com Luomen, enquanto Basen foi acompanhar os dois até a saída.
— Eu tenho dormido todas as noites — Jinshi rebateu.
— Então vamos tentar outra pergunta. Quantas horas, no total, o senhor dormiu nos últimos dias?
Jinshi começou a contar nos dedos. Não parecia que conseguiria passar da primeira mão inteira. Ele franziu a testa e tomou o chá.
— Amanhã vai começar cedo? — ela perguntou.
— Não, pela primeira vez em muito tempo as coisas estão relativamente calmas. Na verdade, hoje é o primeiro dia em que consegui voltar ao meu palácio depois de algum tempo.
Então ele realmente estava trabalhando duro.
— Lady Suiren deve estar preocupada com o senhor.
— E você não está? — Jinshi perguntou, ainda com a xícara aos lábios. Ele afrouxou a parte do peito da roupa, levando Maomao a olhar ao redor em busca de roupas de dormir. Suiren entrou exatamente naquele momento, felizmente, mas, assim que entregou um conjunto de roupas de dormir para Maomao, saiu do quarto de novo.
Quer que eu ajude ele a trocar de roupa, é isso?
Ela já tinha feito aquilo antes, quando servia na residência de Jinshi, mas nunca gostou. Francamente, Maomao achava que ele podia muito bem se vestir sozinho, enquanto Jinshi sustentava a convicção fundamental de que deveria ser ajudado em tudo. Os dois jamais chegariam a um acordo. Mas no fim das contas, um deles possuía uma posição social muito mais elevada que o outro, e era Maomao quem precisava ceder.
Ela colocou a roupa de dormir nele quase ao mesmo tempo em que ele deixou o manto cair no chão. Ela passou o cinto ao redor da cintura dele, amarrou frouxamente e então pegou a peça caída no chão.
— Você faz a En’en cuidar disso também? — ela resmungou.
— Não, isso não acontece.
— Mas você deixa ela prender o seu cabelo.
Maomao considerava aquilo parte do processo de ajudá-lo a se trocar.
— Isso eu deixo, mas sempre sob supervisão da Suiren.
— Sempre?
— Para evitar a possibilidade de uma facada rápida pelas costas.
— Ela...
Maomao começou a dizer que En’en jamais faria isso, mas parou. Em um estado extremo de abstinência de Yao, não dava para prever do que En’en seria capaz.
— Suiren pode ser superprotetora. Ela nunca sequer deixou nós dois sozinhos em um quarto.
E, ainda assim, ali estavam Jinshi e Maomao exatamente nessa situação. Maomao não disse nada.
— Suiren tem uma ótima opinião sobre você — disse Jinshi.
— Isso não é culpa minha.
Ser bem-vista por Suiren não trazia benefício algum para Maomao. Na verdade, ela mal conseguia pensar em uma única coisa boa que pudesse sair disso. Pegou a xícara vazia e ia sair, mas Jinshi segurou seu pulso.
— Você está sempre tentando se afastar de mim — ele disse.
— Não consigo imaginar do que o senhor está falando.
Ficar naquele quarto era perigoso. Ela queria sair dali enquanto ainda podia, mas ele não a soltava.
— Suiren acha que eu preciso urgentemente arranjar uma concubina para mim — ele disse. — Ela afirma que isso diminuiria o trabalho para mim.
— Tenho certeza de que ela está certa.
Maomao estava determinada a agir como se aquilo não tivesse nada a ver com ela. Isso, porém, só pareceu irritar ainda mais Jinshi.
— Você sabe o que estou tentando dizer. Como consegue agir com tanta indiferença? Está tão desesperada assim para me evitar?
— S...
Ela levou a mão até a boca, mas já era tarde demais.
— Estava prestes a deixar escapar um “sim”?
— Não dê importância a isso, senhor.
Jinshi lançou um olhar sombrio para ela. Havia olheiras escuras sob seus olhos. Ele devia parar de perder tempo comigo e ir dormir um pouco. Ele claramente estava exausto, e ela desejava poder mandá-lo direto para a cama. Mas Jinshi continuou falando.
— Agora eu entendo por que o senhor Luomen parece tão exausto o tempo todo. Acho que consigo até compreender como nosso ilustre estrategista deve se sentir!
Os ouvidos de Maomao começaram a zumbir. Jinshi estava cansado, ela sabia disso. Ele não tinha onde descarregar suas frustrações, e possuía muitas delas acumuladas. Além disso, ele estava sofrendo pela falta de sono. Em qualquer outra ocasião, talvez ele tivesse tomado mais cuidado. Talvez soubesse que não devia dizer o que disse. Ainda assim, disse.
Estranhamente, não foi a menção ao estrategista que mais abalou Maomao. Foi o nome Luomen que continuou ecoando em sua mente. Naquele dia, ela teve uma daquelas raríssimas ocasiões em que discordou do próprio pai. Jinshi aproveitou isso. Talvez ele não fosse o único cansado. Maomao também não andava dormindo muito bem. E, finalmente, ela explodiu.
— Você vive dizendo que eu preciso me expressar mais com as palavras, Mestre Jinshi, mas você está em posição de me criticar? Tudo o que diz para mim, tudo o que você faz, parece calculado para evitar que precise realmente falar o que sente! Como se quisesse que eu adivinhasse tudo! Sabe, o senhor me lembra alguém. Age exatamente como um homem que costumava frequentar o nosso bordel o tempo todo. Ele era apaixonado por uma das garotas, mas nunca simplesmente dizia isso. Achava que os sentimentos dele já estavam óbvios pela forma como agia. Estava tão convencido de que tinha algo especial com aquela mulher que nunca sequer mandou uma carta para ela. Eu lembro da cara miserável dele quando outro homem apareceu e a levou embora! Depois disso, ele continuou indo ao bordel, para beber e reclamar com as garotas. Bem, na minha opinião, ele podia ter evitado todo aquele sofrimento se tivesse dito à mulher como se sentia. De forma clara. Inequívoca. Para que ela soubesse exatamente qual era a situação entre eles. Era o mínimo que ele podia ter feito!
Tudo saiu de uma vez, em uma torrente. Parecia que ela tinha falado aquilo tudo sem respirar. Foi estranho, pensou ela, ouvir tantas palavras saindo da própria boca. Ela estava perplexa. Jinshi parecia igualmente chocado, mas a surpresa logo desapareceu de seu rosto, substituída por outra coisa. Ele se levantou da cama e encarou Maomao de cima.
Merda. Agora eu me meti nessa. Ela despejou tudo o que pensava nele, e agora ele estava prestes a revidar.
— Então eu devo ser claro, é isso? Inequívoco? Devo dizer exatamente o que quero dizer? Se eu fizer isso, você vai realmente me ouvir? É isso que está me dizendo? Pois vou cobrar suas palavras! Agora mesmo. Vou dizer tudo. Não tape os ouvidos… me escute! — Ele segurou as mãos dela justamente quando Maomao tentava enfiar os dedos nos próprios ouvidos.
Jinshi respirou fundo. Estava olhando para Maomao, mas, de algum modo, parecia quase constrangido.
Finalmente, ele conseguiu dizer:
— Então me escute, voc... quero dizer, Maomao! Escute bem! Eu vou fazer de você minha esposa!
Ele disse. Ele realmente disse. Para ela, aquilo soou como uma sentença de morte. Toda a forma vaga dele, toda a ambiguidade, tinham sido, na verdade, uma forma de gentileza com Maomao. Porque, com a posição social que ela possuía, palavras ditas em voz alta eram praticamente ordens. Ela não podia lutar contra elas, nem contrariar o que ele desejava.
Jinshi estava corado, mas Maomao ficou completamente pálida.
— Eu queria que houvesse um imortal aqui para voltar o tempo — ela murmurou.
— Seu monólogo interior está escapando pela boca — Jinshi respondeu secamente. Ele não conseguia encarar os olhos dela direito, mas também não soltou seus pulsos. Uma sensação profundamente desconfortável pairou entre os dois. Depois de algum tempo, ele suspirou. — Ainda assim, você está certa ao dizer que, do jeito que as coisas estão, fazer de você minha esposa só traria problemas para você. Nenhum de nós quer isso.
Ele tomou um gole da jarra ao lado da cama, tentando diminuir o rubor no rosto.
— Por você, eu vou remover todos os obstáculos que existem entre nós. Um dia. Apenas saiba disso. — Com isso, Jinshi se enfiou debaixo das cobertas. — Não vou deixar aquilo que você teme acontecer. Eu juro.
Pouco depois, Maomao ouviu a respiração dele se estabilizar no sono. Aquilo que eu temo… Maomao imaginou a Imperatriz Gyokuyou. Acho que o Mestre Jinshi não sabe, pensou ela. Ela não acreditava que ele soubesse o segredo sobre o próprio nascimento. E a Imperatriz Gyokuyou? Ela sabe?
E o que Sua Majestade desejava para Jinshi? E Ah-Duo?
Nunca é bom saber demais.
Quando Jinshi descobrir a verdade, ainda tentaria encontrar uma forma de tornar aquilo aceitável para Maomao? Ela não era a única preocupada. Será que ele conseguiria criar circunstâncias capazes de impedir os comentários das pessoas ao redor deles?
Não... Nem mesmo ele conseguiria fazer isso. Era difícil, talvez impossível, criar uma situação que agradasse a todos, e isso só ficava mais complicado quanto mais alto alguém subia na hierarquia social.
Maomao balançou a cabeça e foi em direção à saída do quarto. Na porta, deu de cara com Suiren, que sorria e, por algum motivo inexplicável, fazia um sinal de positivo com o polegar. Tudo o que Maomao conseguiu fazer foi lançar um olhar fulminante para a velha senhora enquanto passava por ela.
[Noelle: Suiren dado o empurrão kkkkk amo ela kkkkk Até que enfim tivemos uma interação para aquecer os nossos corações não é mesmo? E não tem uma negativa de Maomao explícita para Jinshi, apenas obstáculos… para uma pessoa que parece um robô isso já é ótimo para os nossos ouvidos apotecários kkkkk PS: O Jinshi foi um fofo apaixonado amei <3]
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