Volume 6
Capítulo 3: A Noiva Flutuante (Parte 2)
— Se não é um problema, é outro, não é? — disse Ah-Duo, sombriamente. Originalmente, ela e Maomao tinham planejado sair para fazer compras hoje, mas depois dos acontecimentos da noite anterior, este seria mais um dia sem passeios. Maomao estava ansiosa para descobrir que coisas incomuns haviam à venda na capital do oeste, mas não seria dessa vez; em vez disso, estava vestida com roupas sóbrias. De todas as coisas que ela imaginou que poderiam acontecer nesta viagem, nunca pensou que estaria indo a um funeral.
— Tenho que admitir, não fico triste por isso significar que não haverá banquete hoje à noite, mas preferia que fosse em outras circunstâncias — disse Ah-Duo, tomando um gole de chá. Então não era só Maomao que vinha sentindo o desgaste das festas noturnas. No momento, apenas ela, Ah-Duo e Suirei estavam no recinto, o que permitia a Ah-Duo fazer um comentário um tanto indiscreto como aquele. Suirei tinha permissão para ficar sem sua acompanhante enquanto estivesse na companhia de Ah-Duo, mas Maomao duvidava que a jovem reservada achasse isso exatamente relaxante. Ah-Duo, por sua vez, adorava diversões, entretenimentos e coisas interessantes, então provavelmente vivia provocando a eternamente séria Suirei.
— Encurralada até sentir que a única saída era tirar a própria vida... É uma tragédia — disse Ah-Duo.
Suicídio: essa tinha sido a conclusão oficial. Um bilhete foi encontrado no aposento pessoal da jovem, afirmando que o motivo de sua morte era a angústia diante da ideia de se mudar para uma terra estrangeira distante. O clima animado do banquete esfriou imediatamente, e o noivo ficou fora de si quando viu o bilhete. Ele começou a atacar verbalmente o pai da noiva; a maior parte do que disse estava em uma língua estrangeira e era incompreensível para Maomao, embora fosse evidente que não valeria a pena repetir, mesmo que ela tivesse entendido. Os moradores da capital do oeste pareciam saber o que o homem dizia, mas apenas encaravam o chão, entristecidos.
Jinshi lhe mostrou o bilhete, e Maomao estava convencida de que ele realmente havia sido escrito pela noiva.
Ela não disse nada sobre estar encurralada, no entanto...
Ah-Duo lembrava muito a Imperatriz Gyokuyou; Maomao percebeu que aquela ex-concubina não devia ser subestimada, foi uma de suas subordinadas que encontrou o perfume também. Mas Maomao não sabia exatamente o quanto Ah-Duo sabia, então precisava ter cuidado com o que dizia.
Era assim que parecia: aflita com o casamento, a noiva tirou a própria vida, garantindo que todos a vissem pendurada no edifício antes que a corda se rompesse e ela caísse no chão. Não só isso, como ela acabou derrubando uma lanterna ao cair, fazendo com que suas roupas pegassem fogo.
Mas será que essa era a verdade? Jinshi parecia acreditar que algo que ele fez causou o suicídio da jovem, mas não havia como Maomao saber. Havia uma possibilidade concreta de que aquela fosse a mulher que deu o perfume à meia-irmã da Concubina Lishu, mas isso também não era certo. Assim, Maomao iria ao funeral com tudo ainda envolto em ambiguidade. É verdade que talvez ela pudesse ter se recusado se insistisse, mas havia algo que a incomodava.
Jinshi também iria. Normalmente, ele não teria motivo para comparecer ao funeral da filha de um oficial local, mas o pai da noiva implorou que ele fosse. Foram Jinshi e Gyokuen cuja presença acalmou o noivo enfurecido. Mais tarde, souberam que o que o noivo havia gritado era: “Já é a segunda vez! Vai conseguir uma terceira noiva para mim?!”
Duas vezes, hein? Pensou Maomao. Era relativamente simples deduzir que, por trás daquele casamento aparentemente comum, havia algo acontecendo.
— Está quase na hora, senhora — disse Maomao, levantando-se da cadeira.
— Ah, claro. — Ah-Duo pousou o chá e lançou um olhar para Maomao. — A propósito, se me permite...
— Sim, senhora? — Maomao olhou para ela com curiosidade. Era uma forma incomumente contida de Ah-Duo falar.
— Se o Príncipe da Noite vai, imagino que aquele assistente dele estará junto, certo?
— Acredito que sim.
Elas se referiam ao assistente e guarda-costas de Jinshi, Basen. Ele quebrou os dedos da mão direita ao golpear o leão, mas, naquele momento, estava tão completamente fora de si que nem mesmo o fato de seus dedos estarem apontando em direções impossíveis foi capaz de conter sua fúria.
— Temos certeza sobre ele? Ouvi dizer que é filho de Gaoshun. Qual é a sua opinião?
Após um segundo, Maomao disse:
— Acredito que isso cabe ao Mestre Jinshi decidir, não é meu lugar comentar.
[Noelle: Pessoal do oriente é diferente mesmo né, se fosse uma boa parte do Brasil ia rolar uma fofoquinha aqui, confesso que fico inconformada às vezes kkkkk]
A capacidade física de Basen certamente não deixava nada a desejar, mas, pessoalmente, ele ainda tinha que amadurecer um pouco. Mas, a verdade é que, a opinião de Maomao nesse aspecto, pode ter sido influenciada por ter visto Gaoshun em ação. De qualquer forma, ela tentou ser otimista: não era como se Basen fosse o único guarda-costas ou assistente pessoal de Jinshi. Então ficaria tudo bem, certo?
— Você realmente não se sente em posição de dizer nada? — Ah-Duo parecia sombria. Suirei despejou água quente fresca na xícara vazia de Ah-Duo.
— Não, senhora. Não é algo sobre o qual eu tenha influência.
— Entendido.
Maomao saiu do aposento, lançando um olhar intrigado para Ah-Duo ao partir.
Esse era o tipo de situação que uma família normalmente gostaria de tratar em sigilo, mas, como a morte da jovem tinha sido tão pública, o funeral dificilmente poderia ser privado.
Quando a propriedade da família surgiu à vista, puderam ver um rio de mulheres vestidas de branco entrando no local. Mulheres chorosas, a julgar pelos véus. Havia muitas delas, observou Maomao. Havia coroas de flores por toda parte, além de criados que saíam de cabeça baixa para receber os convidados.
Maomao não tinha certeza se o costume de mulheres pranteadoras existia ali nas regiões do oeste, mas a família havia enfaixado os pés da jovem, então talvez também seguissem os ritos funerários ao estilo da capital.
Na recepção, o número de pranteadoras foi confirmado, e receberam placas de madeira que serviam como identificação.
— Vamos, por aqui. Sigam-me — disse um criado, e as mulheres o acompanharam.
Desta vez, Lahan juntou-se a Maomao e aos outros. A bagagem deles incluía dinheiro e bens domésticos feitos de papel.
— Eles não usam coisas de verdade? — perguntou Maomao.
— Talvez se forem novos ricos — resmungou Lahan. Pois é. Ele não tinha preparado itens de papel apenas por ser pão-duro. Era costume que os participantes de um funeral oferecessem dinheiro e utensílios cotidianos feitos de papel, que seriam queimados para garantir que o falecido pudesse levar uma vida confortável mesmo na próxima vida. Dizia-se frequentemente que até mesmo uma estadia no inferno podia ser encurtada com uma boa quantia em dinheiro.
Lahan resmungou por ter sido deixado de fora do banquete e arrastado apenas para o funeral, mas era o que era. Com ele ali, Maomao não precisava permanecer na órbita de Jinshi. Rikuson não estava presente; tinha ficado para trás. Provavelmente tinha seu próprio trabalho a fazer.
— De qualquer forma, é um papel muito bom. Nada de material de baixa qualidade.
De fato, o material do dinheiro de papel era excelente. Poderia rivalizar com qualquer coisa da vila do médico charlatão, embora Maomao não soubesse se vinha de lá ou não. Quando viu o bilhete de suicídio da jovem, porém, teve a impressão de que a capital do oeste possuía uma quantidade surpreendente de papel de altíssima qualidade.
— Isso porque este lugar é um cruzamento de rotas comerciais — disse Lahan. — Ninguém manda suas piores mercadorias para o resto do mundo.
Li já havia exportado papel no passado, quando seus produtos eram considerados valiosos até mesmo no ocidente. Quando itens de baixa qualidade começaram a proliferar, o negócio praticamente desapareceu, mas aparentemente ainda havia material de boa qualidade disponível.
No dia anterior, eles estavam na mansão sob o crepúsculo da noite; agora, à luz do dia, Maomao conseguia ver alguns pontos em que a propriedade estava se deteriorando. Aquela já foi uma mansão luxuosa, mas seus novos donos não tinham capacidade de mantê-la.
Um casamento com alguém de Shaoh, refletiu ela. Isso também parecia estranho. Talvez fosse importante para a diplomacia, mas o equilíbrio de poder lhe parecia distorcido. Por exemplo, o banquete foi realizado ali, mas todo o resto do casamento seria conduzido na terra do noivo. E a forma como o homem se comportou após a morte da noiva só podia ser descrita como desprezível.
Ao que parecia, Lahan já estava a par da história, que compartilhou com Maomao enquanto caminhavam.
— Essa família foi trazida para cá para substituir o clã Yi, mas também, ao que parece, para tirá-los do caminho.
A mãe do imperador anterior, isto é, a imperatriz reinante, era uma pragmática. Ela considerava oficiais incompetentes um incômodo, mesmo que tivessem linhagens nobres da região central do país. Ela atraiu várias famílias para as regiões do oeste com promessas de um nome de família caso fossem administrar a área. A família da noiva era uma delas.
Mas pessoas incompetentes não se tornam competentes apenas com uma mudança de cenário. Algumas famílias foram dizimadas por doenças no clima desconhecido; outras foram arruinadas e desapareceram.
Por que a imperatriz reinante faria algo que parecia tão imprudente, quando as terras do oeste eram amplamente reconhecidas como cruciais para a defesa nacional? Talvez porque, naquela época, ela estivesse no auge de seu poder, e, se algumas famílias caíssem, outras estavam surgindo para ocupar seu lugar. A família da Imperatriz Gyokuyou, por exemplo.
A jovem do banquete de casamento de ontem deveria fortalecer sua família ao se casar com alguém de outro país. Aquela família preferia fazer negócios onde tivesse laços de sangue; criar esses laços casando suas filhas era a forma como o clã havia sobrevivido ao longo dos anos.
— Na verdade, o noivo deveria se casar com a prima da jovem que morreu. A filha do irmão mais novo do chefe da família, acredito — disse Lahan. Então o tal irmão mais novo seria o homem encharcado perto do lago de carpas? Talvez estivesse comemorando como se fosse o casamento da própria filha. — Ela se matou dez dias antes da cerimônia.
— Ele não parecia alguém que tivesse passado por algo assim...
— Há muitas coisas neste mundo que nos obrigam a manter a compostura, queiramos ou não — disse Lahan.
Então era isso que estava por trás do comentário do noivo sobre “já ser a segunda vez”. E pensar que ele perdeu ambas as noivas da mesma forma. Elas devem ter acreditado que aquela terra estrangeira era realmente terrível.
Os passos de Lahan e Maomao ecoavam enquanto caminhavam sobre as pedras, seus pés umedecidos pelos respingos das carpas no canal. Os peixes (que tinham uma dieta terrível, para peixes) vinham se reunir ao ouvir a aproximação de visitantes; o som refrescante da água aumentava.
Já havia uma multidão diante da mansão, o grupo de pranteadoras lamentando em altos brados. Maomao reconheceu muitos dos presentes do dia anterior.
Olhe só para todos eles, pensou ela. Em parte, referia-se aos convidados, mas o que realmente se destacava eram as mulheres de branco. Devia haver mais de cinquenta delas, fazendo um grande alvoroço de lamento e pesar. Talvez alguns convidados tivessem trazido pranteadoras por cortesia, mas ainda assim parecia um número excessivo. Era trabalho delas lamentar pelos mortos, mas Maomao teve a impressão de que elas estavam se contendo um pouco desta vez, talvez porque, se todas gritassem no auge da voz, ninguém conseguiria ouvir nada. Era um lembrete incômodo de que, afinal, aquilo era um trabalho.
Com tantas mulheres presentes, algumas inevitavelmente eram melhores nisso do que outras. Algumas soavam um pouco constrangidas, deviam ser novatas. Outra tropeçou na longa barra da roupa.
Devia ser difícil manter o choro durante toda a longa cerimônia fúnebre, e, de tempos em tempos, as fileiras da frente e de trás trocavam de lugar. Pareciam alternar o dever de chorar, conservando energia. Era difícil dizer se pranteadoras tão eficientes realmente trariam paz aos mortos, mas, pessoalmente, Maomao não acreditava que houvesse algo após a morte. E aquelas mulheres precisavam comer.
Maomao ergueu o olhar. Além do jardim, conseguia ver o edifício pagoda de quatro andares. Perguntou-se se seria possível ter uma perspectiva diferente dele durante o dia em comparação à noite. Começou a caminhar e quase caiu em um canal que não tinha notado. Agarrou-se em Lahan, que estava ao seu lado.
— O que você está fazendo? — ele resmungou.
— Desculpa.
Mesmo que tivesse caído, o canal não era tão profundo, mas as carpas já haviam chegado, atraídas pelo barulho. Na noite anterior, as lanternas flutuantes haviam evitado que alguém caísse, mas ainda assim era um terreno moderadamente perigoso, refletiu ela.
O edifício ficava a uma boa distância, e no dia anterior eles não apenas correram até lá, como também subiram correndo os degraus. Tinha sido cansativo.
Degraus? A distância até o edifício? Maomao lembrou que algo pareceu estranho na noite anterior. O que era? Ela quase tinha...
— Ei, você! Ela não é comida! — brincou Lahan. As carpas, ignorando-o completamente, continuaram a se aproximar, esperando migalhas. Nesse momento, uma rajada de vento soprou, e parte do dinheiro para os mortos caiu no canal. As carpas avançaram imediatamente, e tudo desapareceu sem deixar vestígios.
Maomao não disse nada, apenas encarou os peixes.
— O que você está fazendo? Eles também não são comida. Você não pode pescar aqui.
Ele parecia brincar novamente, mas ela estendeu a mão para ele.
— Papel.
— Papel?
— Eu sei que você sempre carrega papel de rascunho. Me dê uma folha.
— E o que deu em você agora? — resmungou Lahan, mas ainda assim tirou o papel das dobras da roupa. Maomao o rasgou e jogou no canal, onde as carpas o devoraram com avidez mais uma vez.
A boca de Maomao ficou aberta por um segundo, então ela disse:
— É isso! — e saiu em passo apressado em direção ao edifício.
— E-ei! — exclamou Lahan.
O lugar onde a noiva havia sido vista pendurada no edifício podia ser observado do pavilhão onde o banquete de casamento ocorreu, mas, à medida que se aproximavam, ele saía do campo de visão.
Maomao aumentou o ritmo, correndo até conseguir ver o lago diretamente sob a torre.
— Q-Qual é a sua intenção? O que está acontecendo? — Lahan perguntou, ofegante, ao alcançá-la. Maomao levantou a barra do vestido e entrou no lago. Havia uma curta distância entre o edifício e a água; foi ali que o corpo da noiva foi encontrado.
— Quando uma pessoa cai de uma janela, Lahan, onde ela aterrissa? — perguntou ela.
— Para baixo, geralmente — respondeu ele.
Sim, e foi ali que encontraram o cadáver carbonizado. No entanto...
— E se fosse algo mais leve que uma pessoa? Digamos que a velocidade e a direção do vento sejam mais ou menos como agora.
— Dependerá do peso.
— Menos de dois kin, mas com aproximadamente o tamanho de um humano.
[Kessel: Cada kin pesa 500 gramas, portanto, dois kin são um quilo.]
— Nesse caso... — Lahan ajustou os óculos, avaliando a distância. Ele lambeu o dedo e o ergueu para sentir o vento. — Um pouco mais distante do prédio do que onde você está, eu diria. E, se levarmos em conta a posição do telhado...
Certo, o telhado. Se considerar isso, havia algo que não fazia sentido. Agora que conseguia ver à luz do dia, tinha certeza.
Lahan olhou para o trecho de terra chamuscada onde o corpo foi encontrado, depois para o telhado. Então inclinou a cabeça. Claro, se até Maomao conseguiu perceber, aquela calculadora humana não deixaria passar. Se ele estivesse ali na noite anterior, teria notado a inconsistência muito antes dela.
Maomao foi até o ponto que Lahan indicou, então arregaçou as mangas e mergulhou as mãos na água, tateando o fundo do lago. Lahan, por sua vez, sentou-se, aparentemente decidido a observar a situação. Tinha um pequeno graveto nas mãos para se distrair, com o qual escrevia no chão. Talvez estivesse fazendo cálculos.
— O que está fazendo, senhora?! — exclamou um criado ao notar a convidada brincando no lago. Um comportamento repreensível em uma casa que realizava um funeral, sem dúvida. — Por favor, saia daí agora mesmo!
— Não se preocupe comigo — disse Maomao, ignorando-o e enfiando a mão na água outra vez. O fundo era lamacento; um excelente fertilizante. Muito excremento de peixe enriquecendo o solo.
— Você ouviu a senhorita — disse Lahan, de forma tímida, mas o criado continuou tentando impedir Maomao. Ela continuou ignorando, persistindo em sua busca. Se encontrasse o que esperava, tudo seria esclarecido.
Lahan não a atrapalhava, mas também não ajudava muito, apenas olhando ao redor de vez em quando. Maomao podia ouvir o servo espirrando água na lagoa atrás dela. Ela sentiu ele puxando a sua mão. Tentou correr, mas seus pés afundaram na lama e ela caiu de cabeça na água. Acabou coberta de lama, com o criado tentando segurá-la.
Nesse exato momento, porém, uma voz bela e firme disse:
— Encontrou alguma coisa?
Parece até que estava esperando o momento perfeito para aparecer, pensou Maomao. Jinshi tinha surgido. Basen estava atrás dele, com uma expressão chocada.
Maomao limpou o rosto enlameado e ergueu um pedaço de corda, cuja ponta estava rompida. O que significava que a noiva...
Em sua mente, Maomao repassou tudo o que sabia. Havia outro ponto misterioso naquela mansão, e, se ela conseguisse revelar a verdade sobre ele, o enigma seria resolvido.
— A noiva ainda está viva — anunciou ela, sorrindo.
Maomao pediu um quarto para se limpar e trocar de roupa. Ela adoraria um banho de verdade, mas não havia tempo. Detestava a sensação de lama grudada no couro cabeludo, mas teria que suportar.
Depois de se trocar, foi conduzida ao salão principal da mansão. O dono da propriedade e sua família lhe lançaram olhares furiosos quando ela entrou, claramente incomodados com o comportamento escandaloso de uma convidada em um funeral. Jinshi e Basen estavam lá, junto com Lahan e os guarda-costas, mas ela não viu o noivo de ontem. Na verdade, não achava que o tinha visto participando do funeral em momento algum.
Sobre a mesa estava o pedaço de corda que Maomao encontrou. Ela olhou pela janela e viu as mulheres de branco, ainda ocupadas chorando. Os ritos funerários continuariam até o dia seguinte, então talvez aquelas mulheres passassem a noite ali. Os outros convidados já tinham ido embora; restavam apenas as pranteadoras, os moradores da casa e o grupo de Maomao.
— Posso perguntar o que você pensa que está fazendo? — disse o abatido dono da casa. Ele parecia menos irritado do que simplesmente tomado pela dor.
— Esta jovem explicará tudo — disse Jinshi, conduzindo Maomao ao centro do salão. A corda sobre a mesa estava suja, mas ainda assim claramente era nova.
— Sei que ela pertence à família La, mas estamos de luto pela morte de nossa filha — disse o homem. — Não poderiam nos deixar em paz? Certamente até o Príncipe da Noite... — Ele foi cuidadoso nas palavras, mas criticava Jinshi sem dúvida. O tremor em sua voz mostrava o quanto aquilo exigia coragem dele.
— Sim, e peço desculpas por interromper sua dor. No entanto, poderíamos tomar apenas um momento do seu tempo? — disse Jinshi; gentil, mas firme.
— Os convidados já foram embora e precisamos organizar tudo. Ao menos posso dispensar as pranteadoras?
Jinshi olhou para Maomao, mas ela balançou a cabeça. Ele recuou um passo, como se confiasse que ela assumiria dali em diante.
Maomao disse: — Eu me sentiria da mesma forma que o senhor, se a noiva realmente tivesse morrido. — Então pegou a corda e saiu para o lado de fora. — Venham comigo.
— O que significa isso tudo? — resmungou o anfitrião, mas Maomao o ignorou e foi até onde estavam as mulheres de branco. Os outros a observaram, perplexos, enquanto ela se agachava.
Com um “Eiá!”, ela agarrou as vestes de duas pranteadoras e as ergueu.
Os espectadores praticamente deixaram o queixo cair.
O sol era forte naquela região, e as pessoas mantinham as pernas cobertas para protegê-las da luz, então os membros que Maomao revelou eram adequadamente pálidos. Sentindo-se cada vez mais com vontade de comer daikon, ela seguiu levantando as saias das mulheres, enquanto elas gritavam e se desesperavam.
[Noelle: Essa fome repentina de daikon foi por ver tantas pernas brancas parecida com daikon, que parece um rabanete branco.]
Isso me traz lembranças, pensou Maomao. Certa vez um mercador de gostos duvidosos reuniu cerca de dez cortesãs e passou a noite inteira levantando suas saias. A madame reclamou, dizendo que aquilo era um comportamento extremamente vulgar, mas o homem pagou três vezes o valor normal, então ela não o impediu.
Em resumo, Maomao estava basicamente se comportando como um velho pervertido.
[Kessel: E não é a primeira vez que ela se comporta assim. hehe!]
As mulheres cujas saias tinham sido levantadas rapidamente se agacharam, tentando se esconder, enquanto aquelas a quem Maomao ainda não tinha alcançado entraram em pânico e tentaram fugir.
Droga. Isso é mais divertido do que eu esperava!
Ela não tinha entendido o que havia de tão bom nisso até fazer por si mesma, correndo atrás das mulheres chorosas e puxando as barras de seus vestidos.
Finalmente ela começou a entender o que aquele velho pervertido devia ter sentido. Bem, isso não era nada bom.
[Noelle: A gente nunca espera coisas malucas como esta da Maomao, ela sempre surpreende kkkk]
Uma das mulheres que choravam se destacava por não ser muito ágil. Ela tentou escapar, mas não conseguia correr, tropeçando e cambaleando. Maomao não teve piedade, parando diante dela e flexionando os dedos dela. Os gritos da mulher ecoaram pelo pátio, mas Maomao agarrou sua saia.
— Você! Aprenda um pouco de modos! — exclamou Jinshi, acompanhando a repreensão com um tapa na parte de trás da cabeça dela. Ela se virou e viu que ele parecia completamente exasperado.
— Sinto muito — disse Maomao, soltando o punhado de saia que havia pegado.
— Mas encontrei o que estava procurando.
Espiando por baixo da barra do vestido da garota havia um par de sapatos. Ela quase tinha perdido eles tentando fugir, porque o tamanho estava totalmente errado. Seus pés estavam envoltos em bandagens e, na verdade, mal pareciam pés.
Aquela mulher chorosa tinha os pés enfaixados.
Em seguida, Maomao pegou o véu de luto e o puxou lentamente, revelando uma jovem bonita com o rosto manchado de lágrimas.
— Me desculpe! — disse a jovem, chorando. Fosse para quem fosse o pedido de desculpas, certamente não era para Maomao.
— Aq… — começou Maomao, mas antes que pudesse dizer “Aqui está sua noiva desaparecida”, outra mulher com os pés enfaixados se colocou entre elas. Talvez uma das damas de companhia da noiva?
— O que significa isso?! Você não consegue ter nem o mínimo de decência?! — gritou a segunda mulher para Maomao. Seus olhos estavam bem abertos, tentando impedir que as lágrimas que ameaçavam cair transbordassem. Ela mordia o lábio e seus ombros tremiam. Então, ela ajeitou a saia da outra mulher e recolocou o véu em sua cabeça. — Vamos, rápido. Temos trabalho amanhã.
Mas com os pés enfaixados expostos, a mulher não conseguiria escapar, Maomao, e agora também Jinshi, não deixariam. Não podiam permitir que ela fugisse. Foi esse pensamento que inspirou as palavras cruéis que Maomao disse em seguida:
— O corpo que vocês queimaram… era da sua irmã mais velha? Depois que ela se matou?
A mulher chorosa estremeceu.
— O corpo já tinha marcas no pescoço. Foi por isso que você fez aquele teatro de “enforcamento”. E depois queimou o corpo para que ninguém pudesse ter certeza do que aconteceu com ele.
A jovem fungou, não era uma imitação ruim de luto; era um choro excelente, algo que certamente aprovaria seu trabalho.
O pai da noiva, que tinha observado em silêncio até então, finalmente explodiu: — Mais uma vez, não faço ideia do que você está falando! Peço que não profanem mais o funeral da minha filha. Não há como essa mulher chorosa ser minha filha! — Ele se colocou diante de Maomao ao lado da dama de companhia. — É verdade que falei com você sobre minha menina, mas, francamente, não pedi para você sair se intrometendo em todos os lugares! — A raiva do homem era evidente.
Então o tio da noiva interveio, gesticulando bastante:
— Se a garota está viva, então como você explica o que aconteceu ontem à noite? Todos nós vimos a noiva se enforcar. E encontramos o corpo no chão. Isso são fatos!
Mas Maomao balançou a cabeça. — É verdade que a noiva se enforcou do ponto mais alto da pagoda e depois caiu. Mas há algo interessante naquela torre. São quatro andares, certo? À primeira vista, todos parecem do mesmo tamanho, mas o nível mais baixo se projeta mais para fora do que os outros. O que aconteceria se algo caísse ali?
Lahan era melhor em explicar esse tipo de coisa do que Maomao, então ela lhe entregou um galho do chão. Ele começou a desenhar um diagrama da torre na terra, o mesmo desenho que vinha fazendo enquanto Maomao brincava na lama.
— O telhado é inclinado, então algo que caísse sobre ele rolaria para fora. A força continuaria a impulsioná-la à medida que saísse do telhado — disse Lahan, acrescentando uma seta ao diagrama para explicar. — Em outras palavras, se esse objeto caísse com o mesmo impulso, ele aterrissaria a certa distância do edifício.
No entanto, o corpo queimado estava diretamente sob o beiral, em um ponto oculto para quem estivesse na entrada da torre. Afinal, se tivesse caído no lago, não seria mais possível queimá-lo para despistar.
— Com base em princípios básicos de movimento e na velocidade do corpo, o cadáver não deveria ter caído onde o encontramos — disse Lahan. Pelo menos nessas horas ele era confiável. E o diagrama facilitava entender sua explicação.
— O corpo queimado já estava lá desde o início — concluiu Maomao. — Fomos distraídos pela noiva “flutuante” e não percebemos.
O caminho até o edifício estava iluminado com pequenas lanternas. Os convidados que não conheciam a propriedade, tentando se orientar na escuridão, naturalmente as seguiriam. E a fumaça dos fogos de artifício, combinada com o cheiro do óleo das lanternas, era perfeita para esconder o corpo já queimado.
Por fim, Maomao acrescentou: — Suspeito que esta era a verdadeira identidade da noiva pendurada. — Ela pegou um pedaço de papel e caminhou até o lago, batendo os pés de propósito. Rasgou o papel e o jogou na água, que imediatamente se agitou com carpas vindo comê-lo. — Há papel de excelente qualidade por aqui. Algo que poderia ser transformado em algo que, visto de longe, passaria facilmente por um vestido de noiva.
Qual teria sido o sinal? Os fogos de artifício eram perfeitos. Talvez uma cor específica de fumaça ou um som particular. Quando alguém avistasse a noiva pendurada, o sinal seria dado. Calculando a distância até a torre e o tempo necessário para chegar ao topo, a corda seria cortada para parecer que tinha se rompido. Todos estariam ocupados correndo até o edifício e não perceberiam a queda.
— Você entrou e pegou uma das carpas ontem — disse Maomao ao tio. — Foi para espantar os peixes?
Talvez ele estivesse tentando levar os peixes comedores de papel ao local desejado. Provavelmente já estavam assustados pelos fogos, mas por que arriscar?
A boneca de papel cairia no lago e seria devorada pelas carpas, restando apenas a corda que Maomao havia encontrado na água. Quanto à pessoa que cortou a corda, bastava esperar todos chegarem à torre. Não precisava sair correndo e arriscar esbarrar em alguém. Poderia simplesmente se esconder dentro da torre e, quando houvesse gente suficiente, juntar-se aos outros, misturando-se e fingindo estar tão confusa quanto eles. Já não era necessário perguntar quem desempenhou esse papel.
— Se alguém tiver objeções à minha interpretação dos acontecimentos, talvez devêssemos comparar a corda que encontrei com o pedaço que ficou na torre. Alguém?
Ao ouvir “alguém”, o pai da noiva caiu de joelhos, enquanto os outros trocaram olhares resignados. A dama de companhia que havia se colocado entre Maomao e a mulher chorosa estava com uma expressão dolorosa. Claro, a noiva não poderia ter feito tudo sozinha. Devia ter cúmplices, talvez toda a família.
Os rostos dos familiares diante deles não mostravam traição, mas luto.
— Vocês esperavam esconder a noiva entre as mulheres pranteadoras e ajudá-la a escapar assim — disse Maomao. Parecia que ela tinha estado enganada por muito tempo. Especificamente, estava errada ao pensar que o incidente com o leão tinha como alvo a Concubina Lishu.
Às vezes, o que outra pessoa pensa não corresponde ao que você imagina.
— Tudo isso para ajudá-la a fugir daquele noivo estrangeiro.
Ela tinha ouvido que o pretendente foi quem trouxe o leão, e, se a jaula quebrasse e o animal escapasse, a culpa recairia sobre ele. Bastava a família adulterar as grades e espalhar o perfume que agitava o leão entre os convidados do banquete. Deve ter sido puro acaso que uma das pessoas escolhidas fosse a meia-irmã de Lishu.
Normalmente, a culpa pelo incidente do leão seria rapidamente atribuída e cairia principalmente sobre o noivo. Mas Jinshi e Gyokuen foram mais minuciosos do que a família esperava; em vez de agravarem a situação, concentraram-se em reunir provas.
O noivo, compreensivelmente preocupado, decidiu deixar o país imediatamente, planejando partir após o banquete do dia seguinte. Por isso não estava ali, já estava a caminho de casa. Se as coisas tivessem seguido seu curso sem impedimentos, a jovem agora estaria a caminho de viver como esposa dele em um país estrangeiro. A família, desesperada, decidiu encenar a morte dela. Estavam tão determinados a protegê-la que chegaram a usar o corpo da irmã mais velha, que já havia morrido.
— Por que vocês acharam necessário ir tão longe? — perguntou Jinshi.
— Hah! Você não faz ideia de como minha filha foi tratada de forma tão abominável — respondeu o tio da noiva, pai da falecida mulher. — Essas pessoas veem as mulheres da nossa família como nada além de escravas. Você sabe o que eles fazem na primeira noite juntos? Eles marcam a noiva. Como um animal!
Casamentos nem sempre eram iguais; na verdade, quase nunca eram. O equilíbrio de poder geralmente pendia para um lado. Se você não tinha poder, só restava se submeter. Essa família já havia oferecido uma filha como sacrifício.
— Foi o mesmo com estes meus pés — disse a noiva disfarçada de mulher pranteadora, passando a mão sobre os próprios pés pequenos. — Era isso que aquele homem queria. Ele disse que queria que eu parecesse uma garota do leste. Duvido que ele me visse como algo além de uma mercadoria. — A dama de companhia a observava com angústia. Talvez tanto a noiva quanto ela tivessem enfaixado os pés como alternativa, caso a irmã mais velha não servisse.
A expressão desapareceu do rosto de Jinshi, mas ele parecia perturbado por dentro.
— Sou incompetente. Este era o único caminho disponível para mim. Você acha que, se eu tivesse mais talento ou habilidade, poderia ter visto minha filha se tornar uma das rosas do jardim? — perguntou o pai da garota. Talvez estivesse pensando em outra família, também da capital do oeste, cuja filha se tornou imperatriz.
— Se a imperatriz reinante tivesse se agradado de nós — continuou o pai —, você acha que poderíamos ter evitado ser enviados para este fim de mundo?
Jinshi desviou o rosto daquela família trágica. Eles haviam cometido um crime grave. A tentativa de proteger a própria filha poderia ter custado muitas outras vidas.
— Você acha que poderíamos ter salvado nossa família?
Não seria possível deixá-los escapar com uma punição leve.
A única coisa que Maomao não sabia era se Jinshi tinha amadurecido o suficiente para aceitar isso.
Ainda assim, ela não pôde deixar de pensar que via as coisas de forma diferente deles. — Uma família é algo que precisa ser salvo? — disse em voz baixa, aproximando-se das duas mulheres de pés enfaixados que se agarravam uma à outra. Apesar de toda a alegação de incompetência, algo a incomodava. — Posso perguntar uma coisa? — disse ela às mulheres.
Elas não responderam, e ela tomou o silêncio como consentimento.
— Acredito que, entre as pessoas a quem você deu o perfume, havia uma mulher arrogante e com dentes ruins. Como você a conheceu?
A dama de companhia olhou para o chão. Devia ter sido ela quem fez contato com a meia-irmã de Lishu. Era estranho: ela não parecia do tipo que faria amizade tão facilmente com alguém recém-conhecido.
— Não me lembro exatamente, mas ela tinha dezoito ou dezenove anos e um traseiro um pouco grande.
— O quadril dela mede três shaku e um sun de circunferência — interrompeu Lahan. (Por quê?!) Maomao presumiu que fosse um cálculo aproximado, apenas um palpite visual, mas mesmo assim esmagou silenciosamente os dedos do pé dele.
[Kessel: …. Lahan? Erm, bem… três shaku são aproximadamente 90 cm e um sun, como dito no capítulo anterior, é 3,33 cm. Logo o quadril dela tem 93 centímetros!]
— Eu sugiro que nos conte — disse Maomao. — Será melhor para todos.
Após um momento, a dama de companhia disse:
— A vidente me contou.
— Vidente?
A outra mulher assentiu, ainda olhando para o chão.
— Ela virou assunto na capital ocidental. Todo mundo foi vê-la.
No começo, a dama de companhia pensou que era só conversa fiada. Mas as palavras da vidente demonstraram uma compreensão assustadora sobre ela e suas amigas, e ela acabou se envolvendo cada vez mais.
— A jovem senhora falecida costumava ir até ela para pedir conselhos.
— Impressionante que ela tenha conseguido — disse Maomao. Não era um ataque, apenas uma dúvida genuína. O tipo de assunto em questão não era algo que se discutisse com qualquer pessoa.
A dama de companhia apontou em direção à cidade.
— Elas conversavam na capela.
Era um lugar semelhante ao edifício nos domínios de Gyokuen dedicado a uma religião estrangeira. Havia espaços onde se podia conversar em particular, e a vidente os utilizava para trabalhar. Originalmente, esses locais serviam para monges ouvirem as pessoas, mas, com a doação certa, também podiam ser usados para conversas privadas.
A dama de companhia tentou não revelar muitos detalhes sobre seu nome e identidade, mas alguém suficientemente curioso poderia descobrir com quem estavam falando. A vidente parecia ter se aproveitado disso.
— Fui eu quem aceitou o perfume! E fui eu quem aceitou a ideia de mexer na jaula! Fui eu! — A dama de companhia abaixou a cabeça. Não podia permitir que mais jovens morressem por ignorarem a vidente. Ela ergueu o olhar para Maomao, suplicante, mas não era Maomao quem julgaria.
A vidente também disse quem deveria ser alvo. Ela era vaga em alguns casos, mas em outros, como a meia-irmã de Lishu, deu detalhes precisos. No fim, vendeu o perfume para cerca de três pessoas.
— A culpa não é só dessa jovem. Fui eu quem mexeu na jaula — disse o tio da noiva, dando um passo à frente. Ele encontrou a dama de companhia abatida e a questionou. Parecia mesmo mais do que uma pessoa poderia fazer sozinha.
— Não foram só eles. A ideia do suicídio encenado foi minha. Mesmo que isso significasse perturbar o túmulo da minha sobrinha — disse o pai da noiva.
— Não! Irmão, fui eu que implorei para você fazer isso!
Ao testemunhar essa troca, as mulheres da família começaram a chorar desesperadamente.
— Então tudo isso não veio da vidente, mas foi ideia de vocês? — perguntou Jinshi.
— Isso mesmo. Depois do que aconteceu ontem, não tivemos tempo de encontrá-la.
— E essa vidente conseguiria encontrar vocês? — Jinshi observava a família atentamente. Ele não parecia pensar na punição, mas em como conectar aquilo ao que viria a seguir.
Enquanto ele observava a família, Maomao o observava em silêncio.
Eles nunca encontraram a vidente, ou quem quer que fosse. Um monge da capela, no entanto, indicou onde ela estava hospedada. Diz o ditado que o dinheiro fala até no inferno, uma boa doação o deixou bastante disposto a falar.
A residência para a qual ele os direcionou estava completamente vazia. A única conclusão possível era que a vidente não parecia viver como alguém do oeste.
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