Volume 6
Capítulo 12: As Provações da Concubina Lishu
Jinshi recebeu uma carta de Maomao no dia seguinte ao seu encontro informal com a mensageira do oeste: “Encontrei uma pista sobre a Dama Branca em uma vila chamada Lago Dourado.” Isso era muito conveniente para ele, ou talvez extremamente inconveniente.
A “mensageira do oeste” era uma das emissárias de Shaoh que haviam visitado Li no ano anterior, uma mulher chamada Aylin. Ela e sua acompanhante eram tão parecidas que poderiam passar por gêmeas, mas a outra mulher, Ayla… bem, a situação acabou sendo complicada.
Na última vez em que a visitou, Ayla usava uma faixa de cabelo vermelha e Aylin uma azul; desta vez, todo o traje de Aylin era azul. Por causa da natureza secreta de sua missão, ela não usava nada chamativo, mas sim um quju shenyi, um manto de bainha curvada bastante comum em Li.
Na verdade, ela não era alguém com quem Jinshi deveria se encontrar de forma tão pessoal. Da última vez que ela o viu, ele estava vestido como mulher e ela, constrangedoramente, o confundiu com o espírito da lua.
Além disso, ele estava ocupado. Ele se perguntou sobre o que ela viria falar naquele momento, sob a orientação de quem estava; mas acabou sendo sob a de Lahan. Jinshi achou que ele parecia estar tramando algo na capital ocidental, mas tinha certeza de que Lahan, de todas as pessoas, não faria nada suspeito, e deixou isso de lado. Não era que ele confiasse tanto em Lahan, mas sim que tinha uma certa compreensão da psicologia do outro homem. Lahan tinha algum tipo de obsessão por “números bonitos” e “números feios”, e embora Jinshi não pudesse dizer que entendia isso completamente, ele percebeu que Lahan não faria nada que violasse seus padrões de “beleza”.
Jinshi já esperava cerca de metade do que Aylin lhe disse; a outra metade foi inesperada, mas nada era completamente absurdo. Lahan já sabia dos dois pontos que Aylin mencionou, e não demonstrou nenhuma reação especial.
Mas uma coisa que ela disse, fez a cabeça de Jinshi doer: exportação de alimentos ou asilo político.
Lahan já havia falado com Jinshi sobre exportações na forma de um tubérculo chamado batata-doce. Era uma cultura promissora, que podia ser cultivada até em solo pobre e rendia muitas vezes mais do que o arroz. O fato de Lahan ter trazido essa ideia assim que voltou à capital fez Jinshi lembrar mais uma vez que o clã La não era um clã que devia ser subestimado.
O resultado foi que Jinshi passou as duas semanas desde seu retorno trabalhando praticamente sem dormir. Já era ruim o suficiente ter que colocar tudo em dia, mas agora havia ainda mais a ser feito. Seus problemas no palácio interno também não haviam acabado, outra situação de dor de cabeça havia surgido.
Ele teria que encontrar uma forma de justificar as exportações para Shaoh diante da burocracia, e era improvável que alegar que se trata de uma prevenção contra uma praga de insetos fosse suficiente. Todas as medidas que Jinshi já havia tomado contra a praga pareciam bastar. Qualquer ação preventiva por parte dos burocratas seria para evitar uma catástrofe que imaginavam cair sobre suas próprias cabeças. Eles não queriam arranjar mais trabalho por causa de uma ansiedade sem fundamento.
Essa era a realidade, então Jinshi elaborou um pretexto: o trabalho forçado ao qual os criminosos capturados durante a rebelião do clã Shi seriam submetidos seria trabalho agrícola. Ninguém se oporia à abertura de novas terras para esse fim. E quanto a terras, havia muitas delas no antigo domínio do clã Shi, em Shihoku-shu. Com o domínio sufocante do clã quebrado, as negociações seriam mais fáceis do que antes. E havia muitos ex-agricultores entre os criminosos. Suas vidas voltariam ao que eram antes, talvez até um pouco mais difíceis do que antes.
Jinshi nem precisaria colocar o plano em prática pessoalmente; havia alguém para cuidar disso por ele. Mais especificamente, um alto oficial encarregado de Shihoku-shu após a queda do clã Shi. Alguém que nasceu e cresceu na região e subiu na hierarquia como oficial local. Essa pessoa já havia passado por fome no passado, e quando Jinshi explicou como o cultivo de batata-doce poderia evitar futuras crises, foi prontamente convencida.
Qualquer mão de obra necessária poderia ser recrutada em Shihoku-shu. Havia muitos terceiros filhos de agricultores, homens sem direito a terras. Se o palácio interno podia ser considerado serviço público sob a imperatriz reinante, então isso também podia.
Era até aí que o planejamento de Jinshi ia, ele é bastante competente, mas não um gênio. Ainda havia alguns pontos a serem resolvidos na ideia, mas ele deixaria os detalhes a cargo daqueles que a colocariam em prática. Haveria pressão, sim, mas eles teriam apenas que estar à altura da situação. Jinshi não gostava de simplesmente delegar tarefas, mas tinha outras responsabilidades. Ele estava sempre um pouco sobrecarregado, mas gostava de acreditar que entendia bem o alcance de seus deveres.
Jinshi não tinha muitos subordinados realmente confiáveis, mas tinha alguns. Cada um com seus pontos fortes nas funções que desempenhavam melhor. Ele pegou sua xícara enquanto pensava no que fazer com aquela carta. Sua sempre atenta dama, Suiren, percebeu que sua taça estava vazia e, com um — Ora, ora —, serviu mais suco.
Jinshi a observou e, espontaneamente, decidiu mostrar a carta de Maomao a ela.
— Temos alguém disponível agora? — perguntou ele.
— Sim, vários que acabaram de voltar.
— Então escolha alguém adequado.
— Certo. — Suiren levou a mão ao rosto, pensativa. — Que tal tentarmos alguém novo? Pode ser interessante.
— Tem certeza de que isso é seguro? — Jinshi perguntou, desconfiado.
Suiren, porém, continuou sorrindo amplamente. — Já estive errada alguma vez?
Jinshi só pôde responder com um sorriso resignado diante de tanta confiança. Suiren já havia servido diretamente à Imperatriz Viúva, nem mesmo Maomao conseguia superá-la. Suiren foi uma das responsáveis por garantir a segurança da Imperatriz Viúva naquele antro de corrupção que era o palácio interno, a mesma Imperatriz Viúva que engravidou do atual Imperador com pouco mais de dez anos. Jinshi estava convencido de que o fato de Suiren ter sido designada para atendê-lo era uma demonstração de preocupação maternal por parte da Imperatriz Viúva.
— Se você ainda não acredita em mim, então deixe-me contar um pequeno segredinho — disse Suiren, inclinando-se para sussurrar no ouvido de Jinshi.
Os olhos dele se arregalaram. — Isso é verdade?
— Sim. Eu estava aplicando um pequeno castigo quando descobri...
O “segredo” de Suiren não tinha qualquer relação com o trabalho de Jinshi, mas era extremamente útil para ele pessoalmente. Ainda assim, ele se perguntou: que tipo de castigo era esse? Decidiu que, por ora, algumas perguntas eram melhores de não serem feitas.
— Tenho certeza de que o senhor gostaria de sair vitorioso de vez em quando, jovem mestre — disse Suiren, com um gesto surpreendentemente gracioso para sua idade, bem feminino e encantador. Mas mal Jinshi percebeu isso, ela voltou à postura impecável de uma dama de companhia recatada e competente. — Vou cuidar disso imediatamente. — Ela fez uma reverência e saiu da sala sem emitir sequer o som de um passo.
Jinshi sabia que Suiren resolveria tudo. Ele poderia se concentrar em outras tarefas.
Como o outro problema trazido pela emissária especial Aylin. Algo que parecia novidade até mesmo para Lahan. Jinshi não queria ouvir aquilo; preferia tapar os ouvidos. Era o suficiente para ameaçar quebrar seu sorriso impenetrável.
Que tipo de problema era? Tinha a ver com a Dama Branca.
E por causa disso, ele perderia mais uma chance de visitar a farmácia no distrito dos prazeres.
[Noelle: É meus amigos apotecários, não vai ser agora que vamos ver eles dois tendo contato um com outro face a face, a autora está dificultando para nós.]
○●○
— A Dama Branca foi detida.
Ela recebeu a notícia dois dias após os acontecimentos na vila e no pântano. Considerando que a carta levou um dia para chegar, tudo havia acontecido tão rápido quanto humanamente possível.
Foi Basen quem trouxe a mensagem, e Ukyou quem o levou até a loja ao encontrá-lo parado, de forma desconfortável, no saguão da Casa Verdigris. Basen ficou visivelmente mais tranquilo quando Maomao disse que sua irmã Pairin estava acompanhada naquele dia e não estava presente.
A loja era bastante apertada, então Maomao pediu à madame que preparasse um quarto para eles. O bordel tinha muitos aposentos ideais para conversas particulares, desde que Chou-u não aparecesse. O garoto curioso se intrometia em qualquer conversa. Felizmente, Ukyou se ofereceu para distraí-lo.
Maomao tomou um gole do chá servido. — É mesmo?
— Eu esperava mais entusiasmo — disse Basen.
— Garanto que estou bastante surpresa.
Ao que parecia, Basen ainda não estava acostumado a interpretar as expressões de Maomao. Jinshi ou Gaoshun certamente perceberiam o leve franzir de sua testa.
Depois de descobrirem que a Dama Branca usava pombos para manter sua rede de informações, eles rapidamente viraram o esquema contra ela. Maomao achou que poderiam interceptar uma carta, capturar quem viesse buscá-la e obter alguma pista, mas nunca imaginou que seria tão fácil assim.
O que realmente fez a diferença foi o fato dela ter conseguido ajuda.
Com essa ajuda, Maomao procurou o velho que venerava a grande serpente. Ela acreditava que ele se importava com sua irmã um tanto ardilosa e com a neta dela, e sabia que, de alguma forma, elas estavam ligadas à Dama Branca. O homem podia permanecer em silêncio, mas isso não salvaria as mulheres de punição. Então Maomao o pressionou a mudar de lado. (Chame de chantagem, se quiser.)
— Ficamos de vigia no pombal, e quando detivemos a pessoa que apareceu lá, ela nos levou até a residência de um certo burocrata — disse Basen.
Eles perguntaram à irmã mais nova do velho e à neta se reconheciam o oficial, e elas disseram que sim; elas também identificaram vários outros burocratas que eram amigos dele. Um deles, ao que parecia, estava abrigando a Dama Branca.
— Um pouco decepcionante. Mas fico pensando... por que alguém iria tão longe para protegê-la? — disse Maomao.
— Os burocratas eram fumantes assíduos de cannabis, e também foram encontrados vestígios do que se acredita ser ópio na casa.
— Ah. — Claro. Uma vez dependente de narcóticos, alguém podia fazer qualquer coisa para obtê-los. E abandonar esse tipo de droga exigia muita força de vontade. — Isso só mostra que não se deve brincar com drogas perigosas, eu acho.
— Você é a última pessoa que deveria dizer isso! — retrucou Basen. Ela ignorou o olhar desconfiado dele e pensou em qual remédio prepararia naquele dia. Basen provavelmente tinha vindo apenas para contar a ela o que havia acontecido, então seu trabalho estava concluído. Sua mão estava melhor agora; o curativo havia sido removido. Ainda assim, Maomao não entendia por que não enviaram uma carta, ou outro mensageiro. Não havia necessidade de Basen vir até ali e ficar apavorado com as cortesãs.
Mas apesar de já ter transmitido a mensagem, Basen não dava sinais de se levantar para ir embora. Em vez disso, continuava lançando olhares furtivos para Maomao, com a boca abrindo e fechando em seguida.
Por fim, ela perguntou: — Aconteceu alguma coisa, senhor?
— Cof. Não, eu...
Maomao estava curiosa, mas na verdade não queria se envolver. Fosse o que fosse, provavelmente significava problemas, e pior, provavelmente significava Jinshi. Sim, definitivamente era melhor manter distância.
Ela não via Jinshi desde que se separaram na capital do oeste. O único contato entre eles tinha sido sua carta sobre a Dama Branca, à qual ele respondeu de forma puramente profissional.
Espero que ele simplesmente finja que nada aconteceu. Isso seria o mais harmonioso, na opinião dela. Infelizmente, o mundo não era um lugar gentil o bastante para oferecer harmonia só porque alguém desejava isso.
Basen finalmente parou de abrir e fechar a boca e a encarou diretamente, claramente decidido a dizer o que precisava. — Tenho uma pergunta para você. Se a menstruação de uma mulher não vem, é justo assumir que ela está grávida?
Maomao respondeu com silêncio: ela nunca sabia o que aquele homem diria a seguir! Basen franziu a testa diante do olhar de desdém dela, mas seu rosto ficou cada vez mais vermelho. Francamente, Maomao não sabia o que pensar de uma reação tão ingenuamente virgem. Ele queria saber como identificar uma gravidez? Será que tinha se envolvido com alguma mulher problemática que se aproveitou dele?
Acho que não é impossível, pensou ela. Basen sempre pareceu um pouco... deficiente no quesito masculinidade. Havia inúmeras pessoas no mundo que, sob o efeito de bebida demais, cometeram um erro de uma noite. E, considerando a posição de Basen, devia haver várias mulheres interessadas em tomar um drinque com ele.
Ela sabia que não podia zombar disso; precisava falar sério. — Mestre Basen — começou ela. — Sei que pode parecer que o senhor foi enganado, mas um homem de verdade assume a responsabilidade por seus atos.
Basen olhou para ela incrédulo.
— Se realmente for seu filho, então o senhor precisa fazer o que é certo. Não que isso torne aceitável o fato dela ter se aproveitado do senhor, mas…
— Espere aí. Do que você está falando?
— Da pobre garota que o senhor engravidou, Mestre Basen.
— Eu não engravidei ninguém! — Basen bateu o punho no chão com tanta força que Maomao sentiu como se fosse ser lançada no ar. Foi o punho direito, ele não tinha medo de machucá-lo de novo?
— Então por que está perguntando?
— B-Bem, é que... — Sua boca voltou a abrir e fechar, mas dessa vez ele conseguiu se inclinar e sussurrar no ouvido de Maomao: — É sobre a Concubina Lishu.
Maomao olhou para ele atordoada. Sem chance. Sem chance...
Sim, parecia haver algo entre eles; se fosse possível ignorar as suas posições sociais, Basen e Lishu até formariam um casal interessante…
Espere aí. Quando diabos, exatamente, eles teriam tido tempo para isso?
Certamente não houve oportunidade. Por outro lado, Maomao não os observava o tempo todo, então não podia ter certeza. Mas, por outro lado, será que eles alguma vez deram a impressão de que...? Ela tentou se lembrar.
Ela mesma estava confusa. Enquanto pensava, ela abriu seu armário de remédios e pegou um pequeno pacote, colocando-o diante de Basen. — Isto é um abortivo relativamente inofensivo — disse ela — algo que mantenho à disposição para as cortesãs.
— Não tenho certeza se consigo controlar minha força... mas posso bater em você? — perguntou Basen com uma polidez incomum. Justamente esse toque de civilidade indicava o quanto ele estava irritado. Maomao sabia que nunca sobreviveria a um golpe de alguém com aquela força absurda e guardou o remédio com delicadeza.
Basen pigarreou, bebendo um pouco do chá frio para conter o rubor no rosto, resultado de frustração e constrangimento. — Cof. O que eu quero dizer é que uma certa pessoa de alta posição está em uma situação difícil. — Aparentemente desesperado para evitar até mesmo pronomes, ele usava uma linguagem excessivamente indireta. — Quando alguém se afasta de certo lugar por muito tempo e depois retorna, fica sujeito às mesmas regras de quem está entrando ali pela primeira vez.
“Certo lugar” só podia ser o palácio interno.
— Ah, então é isso que está acontecendo — disse Maomao, batendo nas próprias pernas.
Havia exigências para entrar no palácio interno: assim como os homens precisavam ser eunucos, havia condições também para as mulheres. Nada tão extremo quanto o dos homens, mas o último que queriam era que uma mulher entrasse já grávida. Por isso, só era permitida a entrada após confirmação de que estava menstruando.
Havia exceções ocasionais para licenças temporárias, mas estas eram normalmente para prestar homenagem à família do noivo por ocasião do casamento da mulher, o nome de seu parceiro era registrado, de modo que, se ela engravidasse, sabiam a quem culpar. A maioria das mulheres então partia antes mesmo da criança nascer.
Uma mulher que esteve fora por quase dois meses, ainda mais sendo uma concubina de alto escalão, não podia simplesmente voltar como se não fosse nada. O problema de Lishu era que já fazia mais de um mês desde seu retorno da capital do oeste.
— Então a menstruação dela está atrasada? — perguntou Maomao. Basen assentiu, com o ar abatido. — Bem, a Concubina Lishu é jovem, então pode ser que seu ciclo seja irregular; e, se levarmos em conta o desgaste que a viagem deve ter causado nela, não é de se surpreender que ela esteja um pouco atrasada.
Mas isso era apenas do ponto de vista médico. O fato de Basen estar falando com ela e de saber de informações tão pessoais significava que havia algo mais acontecendo.
O que poderia acontecer a uma mulher suspeita de ter engravidado fora dos limites do palácio interno, ainda por cima, uma das concubinas de alto escalão de Sua Majestade? Especialmente quando o motivo pelo qual ela havia deixado o palácio interno nessa ocasião era a possibilidade de ser entregue em casamento ao irmão mais novo do Imperador, Jinshi? Se Basen estava ciente dessa situação, era provável que Jinshi também estivesse.
Não basta essa garota ter azar, também lhe falta sorte, pensou Maomao. Ela não podia deixar de sentir compaixão por todas as provações pelas quais Lishu havia passado, considerando que não eram culpa alguma dela. Ela já era intimidada e ridicularizada; se as pessoas pensassem que ela estava noiva de Jinshi, olhares invejosos começariam a se voltar para ela.
[Kessel: Tadinha da Lishu…]
Mas grávida? A Concubina Lishu dificilmente parecia qualificada para engravidar. Ela nunca sequer havia sido “visitada” pelo Imperador. Diante disso, Maomao começou a achar que entendia onde Basen queria chegar.
— Você quer que eu prove que nada de impróprio aconteceu com a Concubina Lishu.
O alívio no rosto de Basen foi imediato. — Você vai fazer isso?
— Eu vou. Mas preciso conseguir entrar no palácio, e não sei se vão permitir. Um médico, talvez, mas uma simples apotecária?
— Não se preocupe com isso. Já falei com o chefe do departamento médico. E o senhor Luomen também concordou em vir também.
Isso facilitava tudo. Então Basen já havia preparado tudo antes de chegar ali. Quanto ao motivo pelo qual Luomen estava envolvido, provavelmente Basen não confiava naquele charlatão para lidar com a situação, mas sabia que não era qualquer médico (homem) que pudesse atender a concubina. O pai adotivo de Maomao era o equilíbrio perfeito.
Maomao ficou animada com a ideia de ver o seu velho novamente, já fazia um tempo. Ela se sentia mal por Lishu, mas pessoalmente, estava feliz.
Basen, por outro lado, continuava com uma expressão sombria. Talvez ela devesse ter aprofundado mais o assunto com ele, mas não pensou nisso tão profundamente na hora.
No dia seguinte, um mensageiro do palácio chegou. Maomao deixou Sazen cuidando da loja, como sempre.
— Por favor, não demore! — disse ele. O que ele era, um cachorro de estimação? Ele sempre agia assim. Maomao tinha se certificado de que Chou-u estaria fazendo compras com Ukyou quando ela saísse, e ficou feliz por ter feito isso. Ela conversou com a madame e até a velha concordou que o garoto não podia ir ao palácio.
Chou-u podia até não estar, mas a gata Maomao continuava esfregando o focinho nela insistentemente, até que ela a pegou pelo pescoço e a colocou na cabeça de Sazen.
— Ei, estou com calor... — disse ele, mas não parecia incomodado enquanto aproveitava o pelo branco da barriga da gata contra o rosto.
A vantagem dessas saídas é que nessas ocasiões sempre queriam que ela estivesse apresentável, então lhe davam roupas novas. Nunca pediam de volta, então Maomao sempre as vendia depois ou leiloava entre as cortesãs. Além do manto habitual, desta vez havia uma sobrecapa branca, algo como um avental médico para o clima quente.
Se estavam chamando Maomao, significava que a menstruação da concubina ainda não havia chegado. Ela decidiu preparar um wenjing tang, uma mistura que estimulava a circulação sanguínea, por precaução. Havia outros remédios que poderiam ajudar, mas ela escolheu um com menos efeitos colaterais. Ela presumiu que Luomen também levaria algo (como não levaria, sendo tão mais experiente do que ela?), mas ela achou que Lishu se sentiria mais confortável recebendo o remédio de outra mulher, em vez de um eunuco.
A carruagem percorreu os terrenos do palácio, parando perto do palácio interno. Estavam próximos ao pavilhão onde Anshi, a Imperatriz Viúva, certa vez os recebeu.
Maomao vestiu a sobrecapa branca, ignorando o calor, e desceu da carruagem. Diante dela havia um pavilhão relativamente pequeno, situado entre a residência da Imperatriz Viúva e a da atual Imperatriz. Devia ter sido construído há muito tempo como um local para uma concubina real morar, antes mesmo de o palácio interno ser construído. Já o edifício onde o antigo imperador passava tanto tempo, que Maomao visitou no ano anterior, não existia mais. Ela teve de admitir que o lugar parecia um pouco mais desolado sem ele.
Esperando à frente do pavilhão estava um médico de expressão gentil, apoiado em uma bengala. Era Luomen. — Ah, você chegou — disse ele, arrastando uma das pernas ao se aproximar de Maomao. Embora trocassem cartas, já fazia quase seis meses desde a última vez que eles se viram.
Com ele estavam dois outros homens, provavelmente oficiais médicos. Ambos pequenos e idosos, nada intimidadores, talvez fosse típico da profissão, ou talvez fosse um gesto de consideração para com a Concubina Lishu.
— Por aqui, por favor — disse uma mulher. Era uma das damas de companhia de Lishu do palácio interno. Maomao a reconheceu, embora não soubesse seu nome. A mulher, por sua vez, claramente conhecia Maomao; era possível ouvir um clique de língua vindo dela. Aparentemente, a atitude das mulheres de Lishu não havia melhorado, talvez tivesse até piorado.
— Por aqui — repetiu a mulher, conduzindo-os por um caminho longo e desnecessariamente complicado. Subiram ao segundo andar, depois ao terceiro, depois foram até o cômodo mais interno, até que a mulher disse: — Ah, me desculpem. Esqueci que a senhora mudou de aposento.
Ela está fazendo isso de propósito? Maomao pensou. Os três médicos que a acompanhavam eram todos idosos; talvez sua aparência pacata tivesse levado a mulher a subestimá-los.
Por fim, Maomao e seus companheiros foram levados ao quarto mais interno do primeiro andar, um aposento típico de uma concubina, com móveis que um plebeu comum jamais veria na vida.
A Concubina Lishu estava deitada em uma cama com dossel, enquanto sua principal dama de companhia, (que também era sua confidente) claramente aflita, permanecia ao seu lado. Lishu se assustou ao ver os médicos homens (mesmo sendo idosos), mas relaxou ao notar Maomao, por um instante, antes de voltar a se encolher, por outro motivo.
Luomen falou de forma simples: — Pensamos que poderia haver preocupação com nossa presença, então trouxemos uma intermediária — disse Luomen, olhando para Maomao.
Lishu era suspeita de estar grávida, e, mesmo que não estivesse, se tivesse ocorrido algo entre ela e qualquer homem que não fosse o Imperador, sua vida estaria em risco.
Não que eu ache que isso seja minimamente provável. Para começar, ela não acreditava que alguém tão transparente quanto Lishu pudesse guardar um segredo como aquele por muito tempo. Provavelmente não de Maomao, e quase certamente não de Ah-Duo, que esteve com ela durante toda a viagem. Era impossível ter certeza absoluta, é claro… mas parecia improvável.
E assim, Maomao se viu diante da concubina aterrorizada, flexionando os dedos. A solução mais rápida e simples seria verificar se a Concubina Lishu ainda estava intacta, uma tarefa para a qual Maomao, criada no distrito dos prazeres, era especialmente qualificada. Ela conhecia todos os métodos para isso.

— Vamos nos apressar e acabar logo com isso. Vai ser mais fácil para todo mundo — disse Maomao.
— O quê? Espera... N-Não! Nããão! — lamentou Lishu.
— Você vai ficar bem. Vou terminar antes que consiga contar os veios da madeira da sua cama.
— Terminar o qu… ahh! Eek! — A concubina estendeu a mão desesperadamente para sua dama de companhia chefe, mas Maomao fechou a cortina ao redor da cama. Quanto aos médicos idosos, eles ficaram discretamente em um canto do quarto, de costas.
Por um tempo, o único som foi o choramingo de Lishu.
— Ela é pura. Como esperado — anunciou Maomao, sem emoção, limpando as mãos com um pano. Lishu estava deitada na cama, completamente exausta, provocando consternação em sua dama de companhia chefe. Era para estar tudo bem, Maomao também era mulher; ela até já tinha feito algo semelhante ao verificar se o bebê da Imperatriz Gyokuyou estava em posição pélvica; mas, ao que parecia, Maomao estava errada ao pensar que uma virgem completa passaria pelo exame da mesma forma que uma mulher que já havia dado à luz. Lishu parecia ainda mais esgotada do que na vez em que fizeram a depilação de seus pelos no banho.
— Maomao, você poderia ser um pouco mais gentil — disse Luomen, embora já fosse um pouco tarde para isso. Os outros dois médicos também estavam com expressões tensas.
Justo quando Maomao pensava que o trabalho tinha acabado e que poderia relaxar e redigir a papelada, uma voz feminina disse: — Com licença. — A porta se abriu, e três damas de companhia de Lishu entraram, flanqueando a antiga dama de companhia chefe da concubina, aquela que havia sido repreendida por Jinshi. Ela parecia problemática, como sempre, mas hoje parecia ter levado isso a outro nível.
— Sim? Podemos ajudar? — perguntou a atual dama de companhia chefe. Ela era tecnicamente superior naquela situação, mas havia começado a vida como uma simples provadora de comida, e sentiu um compreensível choque de medo ao encarar a mulher que antes ocupava sua posição.
A antiga dama de companhia chefe simplesmente a ignorou, voltando-se para Maomao e os médicos idosos.
— Vocês conseguiram verificar a castidade da concubina? — perguntou ela.
— Sim, acabamos de concluir o exame — disse Luomen. A mulher então lançou um olhar para Maomao.
— Mas não foi você quem realizou o exame, foi? Foi aquela mulher ali. Uma conhecida da concubina. Você não vê um problema nisso? — Ela parecia sugerir que Maomao poderia mentir para proteger Lishu, uma atitude que Maomao achou, com razão, irritante.
— Talvez você queira me acompanhar em uma reavaliação, então? — disse ela. — Talvez devêssemos chamar uma parteira também, só para garantir.
Sua sugestão provocou olhares de aflição, tanto de Lishu quanto de sua dama de companhia chefe. A concubina parecia prestes a morrer de vergonha se fosse submetida a mais humilhações.
A antiga dama de companhia chefe, por sua vez, apenas balançou a cabeça. Era quase como se achasse que estava no comando, certamente tinha ficado mais presunçosa desde a última vez que Maomao a viu. Antes, pelo menos, ela fingia ser respeitosa com a concubina.
A razão de sua arrogância logo ficou clara, ela a segurava na mão.
— Devo dizer que esperava sinceramente que não chegássemos a isso, mas encontrei isto e me senti obrigada a trazer ao conhecimento de todos — disse ela, colocando um pedaço de papel sobre a mesa. (Maomao não pôde deixar de notar o quanto ele estava amassado.) — Confesso que não pude acreditar que a concubina escreveria algo assim! — A mulher se inclinou de forma dramática, quase teatral, sobre a mesa.
Quando Maomao viu o que estava escrito na página, só conseguiu franzir a testa.
— Uma carta de amor! — anunciou a antiga dama de companhia chefe. — Para alguém que não é Sua Majestade!
A página estava coberta de caracteres delicados e femininos, e uma abundância de palavras doces e declarações de amor.
Então foi por isso que ela nos fez dar aquela volta, pensou Maomao, finalmente entendendo por que a criada os havia levado para o quarto errado antes de levá-los até a concubina Lishu. Ela não estava fazendo uma brincadeira maldosa, ela estava ganhando tempo.
A antiga dama de companhia chefe chamou um oficial que estava do lado de fora do quarto. Maomao não entendeu por que ela estava tão ansiosa para fazer isso, a infidelidade da concubina também traria consequências para suas damas de companhia. Acima de tudo, a questão de saber se a carta era realmente de Lishu incomodava Maomao, mas a caligrafia já havia sido analisada e considerada como sendo dela.
Maomao e os médicos foram expulsos do prédio antes que tivessem a chance de questionar a concubina. Parecia que a antiga dama de companhia chefe queria agir antes que Maomao pudesse realizar o exame, mas a manobra de atraso não tinha rendido tempo suficiente para isso. Em vez disso, pode-se dizer que ela recorreu à força.
Maomao e seus acompanhantes decidiram voltar para o escritório médico do palácio. Maomao era uma estranha, enquanto Luomen e os outros dois médicos não tinham personalidades fortes. Se fossem ordenados a sair, pouco poderiam fazer além de obedecer. Maomao estava determinada a pelo menos redigir um relatório sobre suas conclusões. A antiga dama de companhia chefe insistiu que a palavra de Maomao não era confiável, mas isso não cabia a ela julgar. Se nada mais, os médicos que estavam com ela tinham visto o rosto de Lishu e pareciam acreditar que Maomao estava certa.
— Isso foi bastante descarado — comentou o Médico Idoso Nº 1. Ele tinha uma estrutura magra que lembrava uma árvore seca.
— Sim! Foi quase difícil de assistir — respondeu o Médico Idoso Nº 2, um homem rechonchudo com dedos parecidos com salsichas.
Luomen não era muito mais jovem que os outros dois, mas, como o membro mais recente do escritório, era ele quem servia o chá. Maomao se levantou para ajudá-lo, mas ele a fez sentar novamente, insistindo que ela se concentrasse na escrita.
— O palácio interno sempre teve pessoas como ela, mas é sempre decepcionante perceber que esse tipo ainda existe — disse o primeiro médico.
— Pode apostar! Não estou dizendo que mulheres são más, só que algumas delas tornam um lugar mais sombrio. É a mesma coisa no palácio em geral... — Maomao inclinou a cabeça, surpresa: eles falavam como se já tivessem estado no palácio interno. — Os senhores não são eunucos, são?
— Não, não somos. Estivemos no palácio interno, mas não fomos castrados, saímos de lá antes que isso acontecesse.
— Antigamente, um médico não precisava ser eunuco para entrar no palácio interno. Embora eles fizessem você tomar um remédio estranho toda vez que visitava.
Ah... Maomao se lembrou: o escândalo mais notório do palácio interno havia acontecido décadas antes, quando um médico se envolveu com uma mulher que servia ali e a engravidou. Ou pelo menos era isso que diziam, na verdade, tinha sido obra do antigo imperador, mas a culpa foi colocada no infeliz médico, que foi banido junto com a criança. Problema resolvido, do ponto de vista da burocracia.
Hoje em dia, o velho charlatão era o único médico no palácio interno, mas na época daquele incidente havia muitos médicos servindo ali, o que era natural, já que não era necessário abrir mão da própria masculinidade para exercer a profissão.
— Bom para eles. Eu me atrasei um pouco para sair, e aqui estou — disse Luomen, de forma neutra, enquanto colocava xícaras de chá em uma bandeja.
— A culpa é sua, Xiaomen. Você nunca acha nada urgente o suficiente para se apressar! — riu o Médico Idoso Nº 1.
— É isso mesmo, mas você nos ajudou bastante! — acrescentou o Nº 2, gargalhando. Os dois pareciam se divertir bastante, enquanto Luomen apenas parecia levemente intrigado. O que mais poderia fazer? Pela atitude deles e pelo apelido afetuoso, era claro que eram velhos amigos.
O Médico Idoso Nº 2 se virou para Maomao.
— Então você é a filha adotiva do Xiaomen, senhorita? Então aquele excêntrico, L…
O rosto de Maomao começou a se contorcer até se transformar em um olhar descaradamente irritado. O médico rechonchudo rapidamente fechou a boca.
— Jovens senhoritas sempre têm alguns assuntos que preferem evitar. Vamos respeitar isso — disse o médico magro, com perspicácia. Claramente, a idade lhe trouxe sabedoria. Muito útil.
— Voltando ao assunto… então o palácio interno sempre teve muitas pessoas como ela? — perguntou Maomao.
— Sim. Elementos caóticos. — Quando a imperatriz reinante estava no poder, as mulheres do palácio interno viviam derrubando umas às outras. Os oficiais eram escolhidos, e com frequência, com base em sua capacidade, e assim o palácio interno se tornou um microcosmo da tensão que permeava toda a corte. — E dizem que também havia muitos espiões.
— Espiões?
Aparentemente, as constantes disputas entre as concubinas as levavam a usar criadas na esperança de conseguir informações internas.
— De vez em quando, até damas de companhia se tornavam traidoras — disse o médico. Uma dama insatisfeita com sua situação podia facilmente ser persuadida, transformada em um peão no jogo de outra pessoa. Ou então alguém podia usar o poder de seus pais para explorar uma fraqueza nos pais do alvo, e assim a hierarquia no palácio interno podia mudar em uma velocidade vertiginosa.
— Ficou especialmente mais ruim quando a atual Imperatriz Viúva engravidou. Mulheres enlouquecidas de ciúmes chegaram a tentar matá-la.
— É verdade! Não sei como ela sobreviveu até que a imperatriz reinante a colocasse sob sua proteção — disse o outro médico.
— Foi tudo graças à incrível dama de companhia que ela tinha. Ela realmente sabia se virar — dizem que ela até fez os assassinos se voltarem contra suas próprias senhoras!
O que é isso, uma novel? Maomao pensou, tomando seu chá, sem parecer impressionada.
— Enfim, fazia tempo que eu não via algo tão desagradável — disse o primeiro médico.
Isso trouxe uma pergunta à mente de Maomao.
— Pelo jeito que estão falando, parece que acham que outra pessoa no palácio interno está conspirando para derrubar a concubina Lishu.
— E você acha que não? Por que mais alguém se voltaria de forma tão espetacular contra a grande dama a quem serve?
Era um argumento válido, até agora, a antiga dama de companhia chefe nunca tinha ido além de provocações comuns. Mas desta vez, ela estava claramente determinada a destruir a concubina. Se tivesse sucesso, Lishu seria banida do palácio interno, e suas damas de companhia ficariam sem trabalho. Na verdade, teriam sorte se não sofressem a mesma punição que sua senhora.
— Isso parece superficial demais — disse Maomao.
Os Médicos Idosos Nº 1 e Nº 2 trocaram olhares.
— Se você é filha do Xiaomen, tenho certeza de que é uma jovem muito inteligente. Mas nem todo mundo é tão cuidadoso e ponderado quanto você — disse o médico magro, pacientemente.
— Eu entendo isso — disse Maomao — mas isso já é demais.
— Pessoas assim não pensam no futuro, somente no próprio orgulho. Elas podem começar implicando com alguém de quem não gostam, mas quando há resistência, isso só as deixa mais irritadas.
— Você não acha que ela hesitaria nem um pouco? Ela está lidando com uma concubina de alto nível e é apenas uma dama de companhia.
— É exatamente isso. Se uma pessoa se sente pisoteada, basta alguém dar um pequeno empurrão, e ela despenca, os humanos são engraçados assim. — Era uma maneira simples de criar um espião.
— Ha ha ha, você gosta mesmo desse tipo de história, não é? — disse o médico rechonchudo, enfiando um pão na boca. — É igual quando você disse que aquela “Imortal Branca” de quem todos falavam era uma agente de inteligência de outro país.
Luomen bebeu o chá com um sorriso contido, mas havia uma clara simpatia pela Concubina Lishu em seus olhos.
— Ei, não se preocupe com isso. Assim que sua garota entregar a papelada, a concubina vai ficar livre de qualquer problema — disse o médico rechonchudo, claramente percebendo o que Luomen estava sentindo.
— Mas aquela carta de amor — disse Luomen, ainda preocupado.
— Ah, isso. Garotas da idade dela escrevem cartas assim o tempo todo. Qual o problema de deixar a imaginação voar um pouco? Eu sei, eu sei, é constrangedor, com certeza, e é um problema vindo de uma concubina de alto escalão. Mas é só dizer que ela estava praticando escrever para Sua Majestade, e pronto, o problema desaparece. Talvez ela tenha escrito aquela carta, mas não a enviou, enviou? Todas as cartas das concubinas devem ser verificadas pelo censor, afinal.
— Sim, devem ser... — disse Maomao. Mas ela estava preocupada com o quanto a antiga dama de companhia chefe tinha agido com confiança.
— Diga, Maomao — começou Luomen, olhando para fora.
— Sim?
— Há uma certa pessoa que sempre aparece por essa hora, dizendo que é hora do lanche. Tem certeza de que deveria estar aqui?
Diante disso, Maomao esvaziou sua xícara de chá imediatamente. No mesmo instante, ouviu um velho estranho assobiando do lado de fora. Sem perder um segundo, ela juntou suas coisas e abriu a janela em frente à entrada.
— Vou me retirar, então — disse ela.
— Você é uma figura — comentou um dos dois médicos idosos, mas nenhum deles tentou impedi-la; estavam ocupados demais se preparando para a tempestade que estava prestes a chegar.
No exato momento em que Maomao pousou no chão do lado de fora, houve um grande estrondo quando a porta se abriu.
— Tio! Trouxe ji dan gao! Você vai se juntar a mim, não vai?
O homem anunciando seu lanche não era outro senão o excêntrico de monóculo, e sua entrada deu a Maomao absolutamente nenhum motivo para ficar ali por mais tempo.
Mas ainda não tenho certeza...
Será que os problemas de Lishu realmente tinham acabado agora? A pergunta a deixava inquieta. Ela esperava que não houvesse nada mais sério acontecendo, mas os maus pressentimentos de Maomao tinham o hábito de estarem certos.
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