Volume 5
Notas Extras do Tradutor
Notas Extras do Tradutor Oficial em Inglês - Os Diários de uma Apotecária - Volume 5
Sobre as Origens do Manto do Rato Flamejante
No capítulo 4 deste livro, Maomao encontra um comerciante que afirma estar vendendo um manto pertencente a uma ninfa celestial. Ela diz a ele que tem um nome muito melhor para aquilo: “o manto do rato flamejante” (hi-nezumi no kawagoromo, em japonês). Nem ela nem a narração explicam realmente esse nome, além de sugerirem que ele vem do “país insular do leste”. Mas, para leitores japoneses, a expressão é familiar. Como Maomao observa, a técnica de usar fibras de origem mineral, como o amianto, para criar vestimentas resistentes ao fogo é conhecida desde a Antiguidade. A aparência fibrosa, quase macia, do material às vezes levava os observadores a imaginar que se tratava da pele de algum animal, talvez um rato. No Japão, porém, o manto do rato flamejante entrou de fato no imaginário popular com O Conto do Cortador de Bambu (Taketori Monogatari), um dos contos folclóricos mais antigos e famosos do país. Nessa história, um velho e sua esposa cortam um bambu e descobrem dentro dele uma pequena menina, Kaguya. Sem que saibam, ela vem da lua, e embora desconheçam esse detalhe de sua origem, percebem que ela está destinada a se tornar uma grande beleza. Seu pai, em particular, fica obcecado em apresentá-la à corte, onde vários príncipes tentam conquistar sua mão. Kaguya, aflita com a situação e sem interesse em se casar com nenhum deles, impõe a cada pretendente uma tarefa que deve ser cumprida para que possam desposá-la, mas, na verdade, são tarefas impossíveis, baseadas em mitos.
A tarefa que Kaguya dá a um certo príncipe Abé é trazer para ela o manto do rato flamejante. O príncipe escreve a um amigo que vive na China, pedindo que encontre a peça e a envie, se possível. Após muitas dificuldades e depois de ouvir de todos que tal manto não existe, o amigo de Abé está prestes a desistir quando um velho mendigo lhe conta sobre um templo onde seu avô teria visto o manto com os próprios olhos. O amigo corre até o local e descobre que o templo já não existe, mas encontra uma caixa enterrada no lugar, contendo um rico manto prateado.
O amigo envia o manto ao príncipe Abé, que fica radiante, até lembrar que a lenda diz que a peça se torna mais brilhante cada vez que é exposta ao fogo. Pensando em torná-la ainda mais bela antes de apresentá-la à princesa Kaguya, ele manda trazer um braseiro e joga o manto nas chamas, apenas para vê-lo se reduzir a cinzas diante de seus olhos horrorizados. Ainda assim, Abé encontra um consolo: os outros pretendentes tentaram enganar Kaguya com presentes falsos e foram desmascarados, desapontando profundamente a princesa. Ele ao menos sabe que não parecerá alguém tentando enganá-la. Em vez disso, escreve uma carta dizendo que, apesar de seus esforços, não conseguiu cumprir a tarefa, e que partirá sem jamais voltar a pedir sua mão.
Ao receber a carta, a princesa Kaguya percebe que o príncipe Abé era sincero e tenta chamá-lo de volta, mas quando seu mensageiro chega, ele já partiu, e ela nunca mais o vê nem ouve falar dele.
Nesse sentido, parece que Maomao teve mais sorte do que o príncipe Abé. Ainda assim, os sussurros sobre o manto do rato flamejante continuaram a atravessar os tempos, chegando até a ficção contemporânea e até mesmo a ocasionais notas de tradutor sobre ficção contemporânea. Curioso, não?
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