Diários de uma Apotecária Japonesa

Tradução: Noelle

Revisão: Kessel


Volume 5

Capítulo 8: Habilidades

— Vou me retirar, então.

Maomao não disse uma palavra enquanto o homem que havia entregado a carta na farmácia saía, com seu trabalho concluído. Ela leu a carta mantendo a expressão completamente neutra o tempo todo, depois a colocou em uma caixa de cartas.

Era de Jinshi, mas não era exatamente o tipo de assunto de sempre. Maomao cruzou os braços e inclinou a cabeça, pensando. O que fazer, o que fazer? Negócios vindos de Jinshi sempre significavam problemas, mas este parecia trazer mais problemas do que a maioria. Mas ela dificilmente poderia recusar, o que significava que a questão era como se preparar da melhor forma. Como vou explicar essa para a Vovó?

Suas reflexões foram interrompidas pelo falatório de duas crianças barulhentas, Chou-u e Zulin, que carregavam cestos cheios de ervas frescas.

Ah, é mesmo... Eles disseram algo sobre querer comer kusa-mochi. Ela os observou distraidamente por um momento, mas quando viu que estavam indo em direção à cozinha, correu para agarrá-los pelo colarinho.

— O que você está fazendo?! — exigiu Chou-u.

— Deixe eu ver isso — disse ela, remexendo no cesto dele e examinando as plantas dentro. Como ele conseguiu errar tanto assim? Maomao lançou um olhar furioso para as ervas reunidas. — Como você conseguiu se atrapalhar a ponto de encontrar acônito por aqui? — Ela encarou Chou-u, que se sentou emburrado. Ao lado dele, Zulin, a mais nova das duas pobres garotas que haviam se juntado a eles recentemente, observava com preocupação. Parecia ter assumido o papel de ajudante de Chou-u.

— Quer dizer, elas são bem parecidas.

— Se fizer mochi com isso, você morre.

Eles deviam ter saído para procurar artemísia fresca para o lanche, mas tinham conseguido encontrar uma planta parecida, mas venenosa.

Mas eu não achava que houvesse acônito por aqui.

Como as crianças tinham encontrado aquilo quando nem Maomao sabia da existência da planta ali? A pergunta não saía da cabeça dela.

— Ah, não. Então não podemos fazer kusa-mochi? — Chou-u e Zulin se entreolharam, desanimados.

— Isso mesmo. Desistam.

— Eu sei que você colheu artemísia outro dia, Sardenta. Você devia dividir com a gente.

— Aquilo era para moxabustão.

Chou-u fez um bico indignado para ela, e Zulin imitou o gesto. Maomao, impiedosa, enfiou um dedo na boca de cada um e puxou seus lábios.

— Ai! Isso doeu! Você é horrível.

Zulin, embora em silêncio, também resistiu.

— Como assim eu sou horrível? Qual era o plano de vocês, dar intoxicação alimentar na Casa Verdigris inteira? Além disso, eu não disse para vocês não ficarem andando por aí sozinhos?

— A gente não estava sozinho. O Sazen estava com a gente.

Isso fez Maomao franzir ainda mais a testa e foi exatamente nesse momento que Sazen apareceu, entrando tranquilamente com uma bolsa de pano na mão.

— Não saiam correndo sem mim, crianças! Eu já não sou mais um homem jovem — disse ele, uma coisa bastante infeliz de se dizer naquele momento específico. Ele sabia do passado de Chou-u, e mesmo Maomao tentando fazê-lo parar com aquilo, ele insistia em tratar o menino como um pequeno príncipe.

— Sazen! A culpa é sua que a Sardenta tenha ficado brava comigo. Tenta acompanhar!

Sem dizer uma palavra, Maomao desceu o nó dos dedos na cabeça de Chou-u. Zulin pareceu um pouco em pânico, e Sazen abriu a boca como se quisesse dizer algo, mas Maomao apenas lançou um olhar fulminante para os dois. Depois foi buscar a artemísia que havia colhido para a loja no dia anterior. Já estava um pouco seca, mas ainda era reconhecível. Ela segurou em uma mão e o acônito de Chou-u na outra, colocando as duas plantas debaixo do nariz de Sazen. Não adiantaria tentar explicar isso para as crianças, mas pelo menos poderia ensinar ao que mais se aproximava de um adulto ali como distinguir uma da outra.

— Você sabe o que são estas? —perguntou ela.

— Claro. Artemísia e acônito, obviamente — disse Sazen com facilidade. Maomao olhou para ele, com a boca aberta. — Eu pensei em trocar o acônito por um pouco de artemísia sem ninguém perceber, mas nunca tive a chance. Por que crianças estão sempre com tanta pressa? — Ele abriu a bolsa para revelar um pouco de artemísia recém-colhida. Também tirou outra bolsinha menor de dentro e a entregou a Maomao. Ela olhou curiosa e abriu para encontrar algum tipo de raiz.

— Isso é…?

— Raiz de acônito. Imagino que alguém tenha trazido isso das montanhas e plantado aqui porque achou bonito, mas aquilo é perigoso, então eu arranquei. Mas seria um desperdício jogar a raiz fora, você pode usar para alguma coisa, certo?

Sim, o acônito tinha propriedades medicinais. Sem expressão, Maomao agarrou a mão de Sazen.

— Er…?

Ainda sem dizer nada, ela praticamente o arrastou para dentro da loja e começou a alinhar ervas e remédios de sua prateleira. Então disse:

— O que é isto?

— Hã? Folhas de nêspera, certo?

— E qual é o efeito?

— Elas podem parar tosse e diarreia, entre outras coisas.

Maomao apontou para a próxima erva e repetiu as perguntas. Sazen parecia confuso, mas respondeu. Chou-u e Zulin observavam da porta.

Quando Maomao terminou de interrogar Sazen, cruzou os braços e pensou.

— Então você já sabe de cabeça cerca de metade dos ingredientes daqui.

— O que eu não sei é o que motivou tudo isso!

Maomao não respondeu diretamente; em vez disso, pegou um livro da prateleira e o entregou a ele. Pensando bem, refletiu ela, ele não disse que, quando se estabilizasse de novo, pretendia comprar de volta as enciclopédias?

— Você sabe ler? — perguntou.

— O velho me ensinou — disse ele. O velho, presumivelmente o antigo médico, aquele que nunca mais recuperaria a sanidade. Se Sazen também havia aprendido sobre aqueles remédios com “o velho”, então tudo fazia sentido. Esse era o melhor tipo de surpresa.

— Muito bem, então aprenda este livro! E você vai passar suas tardes aqui por um tempo.

Maomao bateu com a mão no livro que tinha dado a Sazen.

— Desculpe?

— Eu explico tudo para a madame e para Ukyou. — Sazen ainda parecia confuso, mas Maomao estava se sentindo magnânima o suficiente para explicar tudo para ele. — Você não é exatamente o segurança mais talentoso do mundo, é?

— Er, bem… Ahem…

— Acho que ser um apotecário combina muito mais com você, não acha?

— Bem, eu…

Maomao não tinha intenção de se aposentar, mas sempre tinha sido ela e seu pai administrando o lugar, não faria mal se houvesse mais um ou dois apotecários por ali. Ela tinha pensado em encher o fisicamente debilitado Chou-u de conhecimento médico, mas o merdinha só se interessava em brincar e desenhar seus retratos. Não, seria muito mais rápido trabalhar com Sazen. Principalmente porque, enquanto Jinshi estivesse em sua vida, Maomao provavelmente seria chamada para longe da loja com frequência e sem aviso prévio. Seria melhor se houvesse alguém para segurar as pontas.

A única questão é…

Sazen queria ser um apotecário?

No momento, ele olhava para o livro com atenção. Virou uma página, com expressão séria. Depois de um tempo disse:

— Eu sou apenas um simples fazendeiro. Fui para aquela fortaleza porque estava completamente falido, e só sei ler porque o velho me ensinou. E medicina? O máximo que consigo fazer é colher o que me mandam colher.

Ser apotecário carregava certo prestígio; Sazen parecia estar passando por uma crise de confiança. Rejeição demais por tempo demais tinha começado a afetá-lo pessoalmente.

Aos olhos de Maomao, isso era um problema. Ela finalmente tinha encontrado alguém com algum conhecimento, e pretendia usar isso. Então disse:

— E daí? Algumas pessoas neste mundo vivem recitando feitiços sem sentido. Ou dançam alguma dança ridícula tentando curar um resfriado, quando seria muito melhor manter o paciente aquecido e dar remédio para tosse e antitérmicos. Você consegue fazer isso pelo menos, certo?

— Bem, sim… Mas e se alguém muito doente vier até mim?

— Se não houver nada que você possa fazer, então diga isso. Quem vai morrer, vai morrer, tomando remédio ou não. E se achar que o prognóstico é ruim demais, mande a pessoa para outro lugar. Você já sabe mais sobre medicina do que alguns médicos por aí.

Como aquele charlatão…

Para ser justa, o médico do palácio interno parecia ter certo conhecimento como oficial médico; ele apenas não tinha capacidade de aplicá-lo. Era muito simpático, mas isso não era suficiente.

— Enfim, está decidido — disse Maomao.

— O que está decidido? Você não está indo um pouco rápido demais?

— Temos que agir rápido ou vamos ficar sem tempo. — Maomao, pensando na carta que havia recebido naquela manhã, ignorou o ainda atônito Sazen e se voltou para as crianças. — Vocês dois, se têm tempo para brincar, têm tempo para varrer a entrada da loja. E trate de aprender o que está nesses livros, e aprenda bem.

Essa última parte foi dirigida a Sazen, assim que expulsou as crianças da loja, ela largou uma pilha de livros na frente dele.

 

Como Maomao suspeitava, Sazen revelou-se um aprendiz rápido. Ele pegou receitas simples rapidamente e mostrou ser capaz de ler a enciclopédia, ainda que devagar e com hesitação. Maomao também mostrou a ele os campos perto da casa e os que ficavam fora das muralhas, apontando quais ervas medicinais cresciam em cada lugar.

Talvez eu devesse ensinar também quais plantas são venenosas.

Ela não estava preocupada, em grande parte, que isso despertasse algum impulso estranho nele, mas mesmo assim não ia contar cada detalhe. Se ele estivesse realmente interessado, aprenderia durante os estudos de qualquer forma; por enquanto, ela se limitou aos ingredientes mais comuns e como manipulá-los. Sazen franziu a testa quando ela lhe ensinou a produzir um abortivo, mas foi sensato o bastante para entender que aquilo era melhor do que os métodos mais físicos de provocar um aborto, como mergulhar a mulher em água gelada ou simplesmente espancá-la, coisas que às vezes aconteciam com cortesãs.

Ela havia dito todas as mesmas coisas a Chou-u, mas o pirralho não demonstrava interesse algum; parecia que, sempre que ela olhava para cima, ele tinha desaparecido para brincar em algum lugar. Seu pequeno negócio paralelo também parecia estar enchendo seus bolsos, a ponto dele até fazer retratos para cortesãs de outros bordéis próximos.

Certo dia, Maomao pediu a Sazen que preparasse uma receita simples enquanto ela saía para entregar um remédio solicitado por uma cortesã de um daqueles outros estabelecimentos. Mas assim que saiu para fora, ouviu o tilintar de um sino. Ela ergueu os olhos, imaginando o que poderia ser, e viu algo vindo em sua direção: parecia ser uma gata malhada correndo a toda velocidade.

Era de se perguntar o que a gata estava fazendo ali. Gatos malhados não eram raros, mas esta usava uma coleira visivelmente elegante, tecida de seda e decorada com um sino importado. Não era o tipo de coisa que se via em qualquer felino vagando pela vizinhança.

— Maomao! Onde você está? — chamou uma voz familiar.

Logo ela viu um homem corpulento de meia-idade se aproximando, em algo entre caminhada e corrida. Era o médico charlatão.

Maomao pegou a gata, que havia crescido bastante desde a última vez que se viram, e a estendeu para o médico quando ele finalmente chegou.

— Se... Senhorita, já faz bastante tempo — disse ele, sorrindo mesmo enquanto tentava recuperar o fôlego.

— Sim, senhor, faz mesmo. Mas o que diabos está acontecendo, afinal? — A gata e o charlatão deveriam estar no palácio interno, não ali no distrito dos prazeres.

— S-sobre isso… — O charlatão não conseguia recuperar o fôlego, então Maomao o levou de volta à loja e preparou um chá para ele. Pensativamente, serviu frio, e ele bebeu de um gole só.

— Se me permite perguntar, o que está fazendo aqui? Er… Pensando bem, esqueça.

Maomao sentiu pena dele: deviam finalmente tê-lo dispensado. Ele era uma pessoa perfeitamente decente, mas ninguém podia ficar sentado recebendo salário para sempre sem que surgissem perguntas sobre se estava fazendo algo para merecê-lo. Seria difícil encontrar outro emprego como eunuco, mas Maomao decidiu ser o mais cordial possível com ele.

Mas o charlatão olhou para ela com ceticismo e disse:

— Acho que a senhorita está com algum mal-entendido.

— Por favor, não precisa ficar constrangido comigo. Isso acontece com todo mundo em algum momento.

— Não tenho tanta certeza disso…

O charlatão alisou seu bigode ralo, enquanto Maomao (a gata) bocejava em seu colo. Aparentemente ele continuava sendo o cuidador dela. Depois que a concubina Gyokuyou se tornou esposa do Imperador, ela se mudou para um palácio adjacente ao da Imperatriz-Viúva, onde muitas regras e regulamentos precisavam ser seguidos, para desgosto da pequena filha do soberano, a princesa Lingli. Não poderia fazer mal permitir que ela tivesse ao menos um animal de estimação, poderia?

Imagino que, se dependesse apenas da Imperatriz-Viúva, não haveria problema, pensou Maomao. Mas as outras mulheres do palácio que moravam por perto jamais aceitariam isso. E Gyokuyou provavelmente tinha ainda mais damas de companhia agora também, mesmo no palácio interno ela mal tinha conseguido se virar com suas sete mulheres.

Maomao sentiu uma pontada de solidão, mas sabia que tinha feito a coisa certa ao não seguir a Imperatriz Gyokuyou. Ela tinha certeza de que poderia causar ainda mais alvoroço do que sua contraparte felina, se fosse o caso.

— Ahem, então, quanto ao assunto em questão — disse o charlatão, finalmente recuperando o fôlego. Ele tomou mais um pouco de chá. — Recebi permissão para voltar para casa pela primeira vez em muito tempo, e eu estava justamente a caminho de lá…

— Ah! Finalmente vão mandar o senhor de volta, é?

— Agora a senhorita está mesmo tirando sarro de mim — disse o charlatão, com um toque de exasperação. Ele tinha razão, e como aquilo estava impedindo a conversa de avançar, Maomao decidiu parar por ali.

— Então, em vez de ir para casa, o senhor veio para cá. Por quê? — perguntou ela.

— Sim, bem… — Ele olhou para ela com uma expressão indecifrável.

— A permissão foi concedida com uma condição um tanto incomum. A senhorita não ouviu nada sobre isso?

— Exatamente que tipo de condição?

— Nada muito importante. Mas parece que há alguém que quer viajar comigo parte do caminho. É um pedido pessoal da Matrona das Servas, então tenho certeza de que não é ninguém... estranho.

Ao que parecia, esta loja seria o local de encontro.

Maomao lembrou da carta que havia recebido alguns dias antes, uma exigência unilateral de Jinshi para que ela o acompanhasse em uma expedição que ele faria. Não havia duração especificada, nem destino, nem sequer quando partiriam. Maomao não gostava de fechar a loja toda vez que saíam em uma dessas pequenas aventuras, e sabia que a madame também não veria isso com bons olhos, razão pela qual ela estava com tanta pressa para ensinar o trabalho a Sazen.

Eu achei que teria um pouco mais de tempo...

Felizmente, Sazen aprendia rápido, e ela havia preparado um estoque de remédios com antecedência. Ainda assim, ela se perguntava por que estariam viajando com o médico charlatão. Ela perguntaria depois.

— E quanto ao motivo de Maomao estar aqui, pensei que talvez pudesse pedir para minha família cuidar dela — disse o charlatão.

Considerando que ele próprio era aparentemente a única alternativa, parecia uma escolha sensata. Ele ficaria sozinho, sim, mas a gatinha originalmente tinha permanecido no palácio apenas por capricho da princesa Lingli. Provavelmente seria difícil justificar mantê-la no escritório médico por muito mais tempo.

— Eles vão ficar felizes em tê-la caçando ratos para eles.

— Entendo — disse Maomao.

O charlatão parecia radiante com a ideia de rever a família pela primeira vez em mais de uma década. Maomao lembrou que eles produziam papel, fornecendo até mesmo para a corte imperial. Certamente ficariam felizes em ter uma guardiã de olho em qualquer rato que tentasse roer o produto. Parecia ser um lugar distante, porém, e Maomao (a garota) não conseguiu evitar de se perguntar se Maomao (a gata) se comportaria durante a longa viagem.

— Olhem! Um gato! — gritaram as cortesãs. Ainda era meio da tarde, e elas tinham tempo antes que os clientes começassem a chegar.

Infelizmente, a gata se assustou com os gritos; ela arranhou bem os joelhos do charlatão e saiu disparada da loja.

— Ai! Não, Maomao, espere!

— Que nome engraçado! — disse uma das cortesãs, rindo ao ver a gata fugir.

O animal de nome infeliz passou por uma fresta na porta da loja e correu em direção à entrada da Casa Verdigris. Maomao e o charlatão calçaram os sapatos o mais rápido possível e foram atrás dela.

Maomao (a gata) foi se esgueirando entre mulheres recém-saídas de seus banhos matinais (e bem menos maquiadas do que de costume), passou entre as pernas dos criados que preparavam os quartos e chegou à cozinha. Ali podia ver quatro pernas curtas: as crianças fazendo um almoço tardio.

— De onde você veio? — perguntou Chou-u quando a gata parou diante dele.

Ele mastigava os hashis enquanto olhava para a gata malhada. Zulin piscou seus olhos úmidos. Maomao (a gata!) se esticou sobre o pé de Chou-u.

— É isso que você quer? — perguntou Chou-u, pegando um pedaço de peixe com os hashis.

Era apenas peixe azul grelhado, mas tinha um sabor agradavelmente salgado mesmo sem tempero.

— Miau! — Maomao derrubou a comida de Chou-u.

— Ei! Ei, você!

O peixe caiu direto no chão de terra, e Maomao o devorou. Maneiras de mesa terrivelmente indelicadas para alguém consumindo um banquete tão refinado, muito parecido com certa outra pessoa.

— Não, Maomao, não faça isso! — gritou o charlatão ao chegar, ofegante.

— Gata idiota! E quem é esse velho? — disse Chou-u. — Mas essa não era a única pergunta dele. — Espera... Maomao? Sério? — Ele abriu um sorriso para Maomao (a garota). Até Zulin parecia estar rindo discretamente, à sua maneira silenciosa.

Maomao, completamente irritada, pelo menos conseguiu pegar a gata malhada, embora não houvesse esperança de recuperar o peixe, que a gata mantinha firmemente entre as mandíbulas. Chou-u olhou com pesar para sua refeição, mas parecia intrigado com o animal. Quando tocou nas almofadinhas rosadas das patas dela, exclamou: — Oh! — Seus olhos brilharam.

Eles decidiram deixar Maomao (a gata) com Chou-u e Zulin, com instruções estritas para não deixá-la fugir. Também avisaram um dos criados, então era pouco provável que as crianças não causassem muitos problemas.

Quando voltaram à loja, Maomao finalmente teve a chance de perguntar ao charlatão o que realmente estava acontecendo. Mexendo desconfortavelmente nos pelos do rosto, ele disse:

— Acredito que você saiba do negócio de papel da minha família.

— Sim, senhor.

— Ahem... Bem, na verdade estou voltando para casa porque surgiu um pequeno problema.

Algum tempo antes, ele havia recebido uma carta de sua irmã mais nova dizendo que a qualidade do papel tinha piorado de repente. O problema supostamente já havia sido resolvido, mas talvez algo novo tivesse surgido.

— Foi por isso que pedi permissão para visitar, mas parece que alguém importante estava esperando por uma oportunidade de ver minha aldeia pessoalmente.

Jinshi se interessava pela produção de papel desde os tempos em que fingia ser um “eunuco”, então talvez tivesse visto nisso a oportunidade perfeita de observar o processo de perto. Mas isso ainda deixava Maomao curiosa sobre qual era o problema desta vez.

— O que a carta dela dizia? — perguntou ela.

— Não tenho certeza se posso explicar aqui — disse o charlatão, parecendo bastante desconfortável. — Por favor, deixe-me explicar depois que chegarmos lá.

— Muito bem — disse Maomao. E, como se fosse combinado, ouviu-se um cavalo relinchar lá fora.

 

Quem apareceu foi um jovem de expressão sombria, o rosto de beleza clássica, mas com a franja longa escondendo uma cicatriz de queimadura na bochecha direita. Maomao reconheceu o visitante melancólico.

Nada mal, nada mal.

Era o cliente que havia ido à Casa Verdigris quando todas as cortesãs tinham sido chamadas para entreter. Ele não tinha dado atenção a nenhuma delas, apenas ficado sentado bebendo vinho. Era um dos alter egos de Jinshi. Jinshi havia usado a falsa queimadura para esconder a verdadeira cicatriz em sua bochecha, e toda a sua aparência era tão menos... bem, reluzente do que normalmente que ele parecia outra pessoa. Maomao tinha lhe ensinado certa vez como se disfarçar; parecia que ele tinha usado bem a lição. Se ela não o tivesse visto em seus momentos mais sombrios, além de alguns disfarces, não teria percebido que era ele.

Quanto ao médico charlatão, ele não pareceu particularmente cauteloso mesmo diante do belo nobre. Na verdade, ele não o reconheceu de forma alguma.

— Estão prontos para partir? — disse Basen no lugar do Jinshi disfarçado. Suas roupas eram mais refinadas que as de Jinshi, e Jinshi se comportava como um servo diante dele. Isso parecia deixar Basen um pouco desconfortável, embora provavelmente ele estivesse ainda mais preocupado com a possibilidade de ser notado pela irmã de Maomao, Pairin, antes que conseguissem sair dali.

— Pronta? Eu diria que isso foi um pouco repentino — disse Maomao. Sim, a carta tinha chegado alguns dias antes, mas não havia indicação específica da data de partida. Francamente, ela não tinha preparado nada.

— Receio que não tivemos escolha. Havia questões de tempo a considerar. Já fizemos as malas para você.

De fato, a aparência de Jinshi sugeria que iriam espionar, e ir espionar sugeria que ficariam fora por um tempo, então Maomao entendeu que eles deviam ter se esforçado para deixar tudo pronto para aquele momento. Mas dizer que haviam preparado roupas extras para uma mulher, eles realmente entendiam o que isso significava?

Tanto faz. Independentemente de qual fosse realmente a relação entre eles, irmãos ou o que fosse, o Imperador certamente fazia Jinshi trabalhar como um condenado. Provavelmente ainda havia coisas para resolver no palácio interno, além de várias outras dores de cabeça profissionais com as quais Jinshi devia lidar. Era o trabalho dele, então não podia exatamente reclamar, mas ainda assim...

É como se estivessem preparando um sucessor, pensou Maomao e imediatamente descartou a ideia. No momento, o herdeiro presumido era o filho da concubina Gyokuyou, não, da Imperatriz Gyokuyou. E, além disso, a concubina Lihua também tinha dado à luz um filho. O Imperador ainda estava na casa dos trinta e poucos anos e era a própria imagem da saúde. Muito provavelmente continuaria no trono com tranquilidade até que seus filhos atingissem a idade adulta.

Claro, isso assumindo que nada acontecesse com ele, mas Maomao preferiu não contemplar uma possibilidade tão desagradável.


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