Volume 5
Capítulo 10: O Cânhamo e a Religião Popular
— Fico pensando se Yue, a lua, está seguindo em segurança para o oeste — comentou o Imperador a Gaoshun, enquanto observavam o disco brilhante flutuando no céu. Sua Majestade não estava, é claro, perguntando se a lua verdadeira completaria seu percurso sem problemas. Na verdade, era um apelido familiar para uma certa pessoa importante, embora fosse um apelido que ninguém no país além de Sua Majestade usava.
— Eles planejavam parar para inspecionar a aldeia dos fabricantes de papel no caminho, então imagino que estejam apenas na metade da viagem.
Com o eunuco Jinshi ausente, Gaoshun voltou ao serviço pessoal do Imperador. Por gerações, a família Ma tinha sido a protetora da “flor da nação”, e Gaoshun era companheiro do Imperador desde que ambos eram jovens, assim como agora seu filho Basen era para outro. Muitas vezes ele brincou de esconde-esconde com Sua Majestade e uma outra irmã de leite, mas o fim da juventude colocou um ponto final nessas brincadeiras.
Agora era Basen quem protegia aquele conhecido como Yue. Gaoshun sempre se perguntava se talvez não deveria ter escolhido seu outro filho para o papel, mas acabou confiando a tarefa ao mais novo. Basen era inexperiente, sim, mas todo mundo tinha ao menos uma qualidade redentora. As preocupações de Gaoshun só aumentaram depois que Basen falhou com Yue na última expedição, mas eles tinham a jovem apotecária com eles; isso era reconfortante. Se havia algo que ela era, era ousada.
[Kessel: Mestre Jinshi, Ninfa Celestial, Príncipe da Lua, Ka Zuigetsu, Yue… muitos nomes para um mesmo personagem. E fica de spoiler: ainda tem outras formas de chamar ele.]
O argumento de Gaoshun para o filho foi que deveriam levar a jovem porque seria desastroso se ocorresse qualquer incidente de envenenamento durante a viagem. No fim, ele conseguiu convencer o rapaz. Quanto ao Príncipe da Lua, ele concordou sem pensar duas vezes.
Ele sabia que a própria apotecária acabaria cedendo (mesmo que reclamasse bastante), e o médico do palácio interno os acompanharia em pelo menos metade do trajeto. A jovem agia como se não tivesse grande consideração pelo médico de bigode ralo, mas Gaoshun sabia que, na verdade, os dois se davam muito bem.
A verdadeira preocupação era o que fariam na capital do oeste, depois que se separassem do médico.
— Não imagino que será fácil para ele — comentou o Imperador. — Fico pensando que flores irão se reunir ao redor dele.
— Reunir flores, senhor? Uma metáfora interessante.
— Bem, provavelmente elas ficariam irritadas se eu as comparasse a insetos. Basta dar uma olhada no meu jardim.
Ele estava apenas brincando, uma piada que talvez pudesse fazer porque não estavam nem no palácio interno nem no palácio principal ocupado pela Imperatriz Viúva ou pela atual Imperatriz, mas sim em uma vila além da corte imperial que naquele momento servia de residência para Ah-Duo, anteriormente uma das quatro concubinas do Imperador, além dela ser sua irmã de leite e amiga dele e de Gaoshun desde a juventude.
Se o Imperador parecia um pouco solitário, talvez fosse porque Ah-Duo não estava ali, pois ela também tinha partido para o oeste, e na companhia de uma pessoa em particular.
O Príncipe da Lua, por sua vez, não era tão florido quanto sua aparência poderia sugerir. Gaoshun, que estava com ele desde a juventude, que passou mais tempo ao lado dele do que sua própria mãe ou seu pai, sabia disso melhor do que ninguém. O “príncipe” era uma pessoa surpreendentemente direta, desinteressada em ostentação. Mesmo agora que seu período no palácio interno tinha terminado, ainda precisavam de sua ajuda e de seus esforços, pois ele deveria servir como irmão mais novo do Imperador, fazendo todas aquelas coisas que o soberano, incapaz de deixar a capital, não podia fazer pessoalmente.
— Então… uma praga de insetos. — Um desastre natural que poderia, potencialmente, levar um país inteiro à ruína. Talvez o tom de tristeza na voz do Imperador viesse da sensação de que aquilo refletia sua impotência como governante, ainda que apenas aos olhos de seus súditos mais supersticiosos. Foi ele quem decidiu destruir o clã Shi, e depois tomou a Concubina Gyokuyou, uma das quatro concubinas de alto escalão, como sua imperatriz. As pragas de insetos muitas vezes começavam com gafanhotos trazidos pelo vento do oeste, vindos de centenas ou até milhares de li de distância. Os insetos prosperavam em seu novo lar, e aquilo que começava como um pequeno incômodo, se deixado sem controle, se transformava em verdadeira devastação nos anos seguintes.
Talvez estivessem se preocupando demais, mas precisavam fazer algo a respeito, e foi ao Príncipe da Lua que a tarefa foi confiada. Mas essa praga de insetos não seria problema apenas para o reino Li. Se os gafanhotos vinham do oeste, significava que também devastariam aquela região.
A fome levava as pessoas ao desespero. Agricultores famintos recorriam ao banditismo. À medida que esses problemas aumentavam, acabariam por arruinar o estado, e um estado arruinado tentaria roubar de vizinhos mais ricos. Aquilo já tinha sido a causa de muitas guerras no passado.
O clã Yi, que governava as regiões ocidentais incluindo Sei-i-shuu, ou “a Província Yi Ocidental”, tinha sido exterminado décadas antes, durante o reinado da imperatriz reinante. As próprias maquinações deles levaram à sua destruição, e agora a área era governada pelo pai da Imperatriz Gyokuyou. No momento, o homem não possuía nome de clã, mas era provável que o Imperador lhe concedesse um em breve. Na verdade, ele originalmente planejou conceder um nome à família e em seguida fazer de Gyokuyou sua imperatriz.
Se alguma guerra estourasse, o oeste seria crucial. Foi por isso que ele escolheu uma mulher daquela região como sua imperatriz. Ele entendia muito bem por que algumas pessoas achavam a decisão prematura, mesmo que Gyokuyou já tivesse lhe dado primeiro uma princesa e agora um príncipe. O lugar poderia, em circunstâncias normais, pertencer por direito à Concubina Lihua, mas o casamento era uma ferramenta política, cujo uso se tornava cada vez mais rígido quanto mais alta era a posição de alguém. O Imperador podia estar no ápice de sua nação, ainda assim às vezes precisava considerar o que agradaria seu sogro. O fato dele reclamar sobre tudo isso na presença de Gaoshun talvez fosse uma demonstração do quanto confiava no homem.
O Imperador ergueu a taça de vinho com ar brincalhão e riu. — Não faz mal nenhum você saber, de vez em quando, dos sofrimentos do seu monarca. — Ele olhou para a lua e então esvaziou a taça em um só gole.
Gaoshun fitou bem longe, pensando com melancolia no belo homem que agora estava muito longe, a oeste.
○●○
A noroeste de Li havia um país chamado Hokuaren. Ele possuía extensas terras de cultivo e recursos florestais, e tinha um histórico de rivalidade com Li. Foi a instigação de Hokuaren que provocou a recente onda de ataques de tribos bárbaras contra Li.
As relações diplomáticas entre os dois países eram inexistentes. Eles não se comunicavam diretamente, e quando tinham contato, era sempre com um terceiro país atuando como intermediário.
Por que estamos falando de tudo isso agora? Por causa da capital do oeste, o lugar para onde Maomao estava indo naquele exato momento. Lá, seriam realizadas discussões com pessoas importantes de outros países, pessoas que poderiam oferecer conexões indiretas com Hokuaren.
Nunca imaginei que iríamos para a capital do oeste, pensou Maomao. Ela sentiu como se o queixo pudesse cair direto no chão quando foi informada do destino final deles, depois de deixarem para trás a aldeia do charlatão. Levaria mais de duas semanas de viagem, entre carruagem e barco, para chegar à capital do oeste. Ela começou a se preocupar com Chou-u e Sazen, que tinha deixado para trás. Mas então concluiu: Ah, eles dão um jeito. Ficar aflita não mudaria nada, então ela tirou isso da cabeça. Em vez disso, teria que tentar fazer Jinshi gastar o máximo de dinheiro possível com ela durante a viagem.
De qualquer forma, era por isso que naquele momento estava sendo alvo de uma palestra política de um Basen bastante insistente. Pensando bem, não era a primeira vez que ele tentava explicar essas coisas; ocorreu a ela que ele era até bem instruído, dentro do possível. (Não era exatamente um pensamento respeitoso, mas paciência.) Ela reprimiu um bocejo e tentou prestar atenção.
Eles tinham deixado o médico charlatão e Maomao, a gata, na aldeia do papel, e ainda tinham uma longa estrada pela frente. Jinshi, por sua vez, continuava andando por aí com aquela queimadura falsa na bochecha. Talvez tivesse se afeiçoado a ela. Provavelmente era mais fácil do que ter que usar uma máscara sempre que paravam em alguma estalagem de estrada para passar a noite. Eles já estavam longe o suficiente da capital para que Maomao achasse pouco provável que alguém reconhecesse o rosto do irmão mais novo do imperador, mas considerando o quanto seria problemático ter todas as jovens da rua gritando para ele enquanto caminhavam, ela decidiu deixar como estava.
— Vamos passar a noite nesta vila —disse Basen.
Maomao desceu da carruagem, esfregando o traseiro dolorido de tanto ficar sentada o dia inteiro. O lugar era menos uma vila e mais uma pequena cidade de estalagens, mas para Basen esses postos rústicos deviam parecer todos iguais.
— Não se afaste —acrescentou ele.
Maomao respondeu estendendo a mão. — Eu vou comprar mantimentos. — E você vai me dar o dinheiro para isso, era o que ela claramente queria dizer.
— Você está me ouvindo? — exigiu Basen, olhando para ela com expressão sombria. No entanto, outra pessoa colocou uma bolsa de moedas na mão de Maomao: Jinshi. — Mest… — Basen começou, mas conseguiu se conter antes de dizer “Mestre Jinshi”. Os guarda-costas que os acompanhavam pareciam estar sob a impressão de que Basen era o mestre ali.
— Eu vou com ela — disse Jinshi, usando a voz disfarçada.
Filho de uma… pensou Maomao, lançando um olhar irritado para o jovem com a queimadura. Ela estava esperando por uma chance de simplesmente relaxar.
— Eles estão vendendo algo interessante? — perguntou Jinshi, sussurrando no ouvido dela para que ninguém mais ouvisse. A voz dele era tão bonita que quase lhe dava arrepios, mas carregava também uma curiosidade quase infantil. Era como da última vez em que tinham ido juntos a um mercado de cidade. Pessoas criadas no luxo se empolgavam com as coisas mais estranhas.
— Parece que a produção de cânhamo é uma indústria importante aqui — respondeu Maomao. Parecia ser o principal material das roupas das pessoas. Talvez não fosse suficiente para mantê-las aquecidas, pois muitas também usavam peles de animais. Sementes de linho também eram usadas no pão vendido nas padarias. A região parecia produzir óleo, pois ela viu potes cheios de um líquido viscoso. Talvez aquele fosse o fabricante de óleo sentado ali perto, fumando um cachimbo. Maomao notou que ele estava fumando folhas secas de cânhamo e franziu a testa.
[Noelle: O cânhamo é uma subespécie da planta Cannabis Sativa que não contém psicoatividade. Destaca-se pela multifuncionalidade: pode gerar milhares de produtos diferentes, como medicamentos, instrumentos musicais, cosméticos, alimentos, roupas e acessórios.]
— O que foi?
— Nada. Só acho que talvez ele esteja fumando demais.
O produto da planta do cânhamo podia ser usado em pequenas quantidades como remédio, mas fumá-lo diariamente podia causar dependência, e não era algo que Maomao recomendaria. Assim como o ópio, podia ser medicinal se usado com moderação, mas se tornava tóxico em quantidades maiores.
— Então existem toxinas que nem você tocaria — disse Jinshi em um tom provocador.
Maomao pareceu irritada. — Substâncias viciantes não são algo com que se deva brincar. Não há como tirar o veneno do corpo, e mesmo que você queira parar, é mais difícil do que sair de debaixo das cobertas numa manhã fria de inverno.
— É mesmo? Isso não é tão difícil, se o quarto estiver quente.
Merda. É verdade. Ele não entende metáforas de plebeus, percebeu Maomao. Sem dúvida o velho criado de Jinshi acendia um braseiro para aquecer o quarto antes que ele acordasse. Que mestre horrível ele era, fazer sua velha serva Suiren se matar de trabalhar daquele jeito. E ainda por cima sem nem entender o esforço envolvido. Maomao percebeu que estava franzindo a testa para ele sem querer.
— Ah, esse é um olhar que eu não via há algum tempo — disse Jinshi, nada incomodado. Na verdade, ele parecia tão satisfeito que Maomao chegou a se perguntar se ele estava bem. Se Gaoshun estivesse ali, sem dúvida estaria pressionando a mão contra a testa e lançando a Maomao um olhar significativo. O atual companheiro de Jinshi, Basen, porém, não teve essa oportunidade: no momento, ele estava ocupado fazendo preparativos. Eles estavam prestes a entrar em uma região muito mais seca, e precisariam de cavalos acostumados àquele ambiente. Embora estivessem trocando de montaria todos os dias, aparentemente agora isso envolveria um tipo de cavalo completamente diferente.
Era uma cidadezinha minúscula, apenas algumas dezenas de casas espalhadas ao redor de uma estalagem mais destacada, mas uma estrada importante passava pela região, e diziam que ali eles conseguiriam os animais. Mas levaria algum tempo para reunir cavalos suficientes para a carruagem e para todos os guarda-costas.
— Pessoalmente, estou mais interessada em comprar provisões — disse Maomao, olhando para os pães expostos na vitrine de uma loja. Muitos deles estavam fritos, talvez por causa da produção de óleo da região. Em especial havia um doce de massa frita e torcida chamado mahua, ou “flor de cânhamo”, um nome bastante apropriado. “Inclui sementes de linhaça!” anunciava uma placa ao lado do pão. A massa frita duraria bastante tempo, e, mais importante, Jinshi estava claramente muito interessado nela.
Será que isso vai agradar o paladar de um nobre… pensou Maomao, cética. Mesmo assim, virou-se para o velho que trabalhava diligentemente com a massa.
— Um, por favor — disse ela.
— Claro, mas não gostaria de levar dois?
— Se for bom.
Maomao pegou o mahua, embrulhado em uma folha de bambu, e deu uma mordida. Estava fresco e ainda estava macio e quente; ela mastigou com cuidado para não queimar a boca.
Jinshi olhou para ela.
— O quê? Não vai dividir?
— Estou testando para ver se tem veneno — respondeu ela, impassível.
Ainda bem que o pão estava fresco, e havia o suficiente para todos. Na verdade, havia até demais para embrulhar tudo em folhas de bambu; em vez disso, o comerciante lhe deu um saco rústico (feito de fibra de cânhamo, claro), forrando o interior com papel barato para impedir que a gordura atravessasse.
Jinshi pegou um dos mahua e deu uma mordida. — É bom — declarou ele. Francamente, se fosse melhor do que o que ele normalmente comia, já estaria na hora de arranjar um novo cozinheiro real.
— Você realmente tem tempo para ficar por aqui passeando, Mestre Jinshi?
— Basen parecia bastante cansado depois de tudo o que aconteceu na aldeia dos fabricantes de papel. Ficar um tempo fora do caminho dele vai dar a ele uma chance de descansar. — Basen era um péssimo mentiroso; devia ser bem cansativo para ele fingir ser superior a Jinshi. Nesse aspecto, ele não era tão diferente do pai.
Enquanto caminhavam, Maomao percebeu várias outras coisas interessantes. Quanto mais avançavam para o oeste, mais comum se tornava a criação de animais, então laticínios se tornavam mais disponíveis. Ela examinou uma prateleira com itens desse tipo em um armazém. Uma mulher mais velha, que parecia dona de casa, estava alimentando o fogo de um fogão. O pilar principal da cozinha tinha um padrão estranho entalhado. Cada terra tinha suas próprias crenças; ali, parecia que adoravam serpentes, ou pelo menos era o que o padrão sugeria.
Jinshi ergueu uma sobrancelha ao notar.
— Com licença — disse Maomao à mulher.
— Sim?
— Poderíamos comprar alguns destes? Podemos pagar.
Depois de algum tempo, todos acabariam cansando das rações de viagem. Maomao queria agradar a si mesma e ao grupo, pelo menos pelos poucos dias em que os produtos frescos ainda durariam.
— Humm. Quais vocês têm em mente?
A mulher observou Maomao e Jinshi atentamente.
— Este, este e… humm, aqueles. Talvez dez de cada. E se tiver algo mais interessante, levamos também.
— Só um momento — disse a mulher, pegando os itens da prateleira e colocando-os em um embrulho de cânhamo. — Que tal assim?
Ela parecia ser alguém que negociaria duro, mas deixou que levassem a comida por um preço surpreendentemente baixo, e ainda escolheu itens bons e frescos.
— Sei que estamos incomodando. Agradeço muito por isso — disse Maomao com sinceridade.
A mulher abriu um sorriso.
— Nunca se sabe quando os deuses podem estar observando. Há um bem aqui! — disse ela, apontando para o pilar.
Hmm, pensou Maomao, é claro que ela não acreditou nisso. Ela não tinha nada contra esse tipo de crença; só se preocupava que a generosidade da mulher pudesse acabar sendo explorada.
— Então vocês adoram uma serpente aqui — comentou ela.
— Isso mesmo — respondeu a mulher. — Nos anos em que aparece uma serpente branca, a colheita sempre é boa.
Podia ser superstição, mas o rosto de Jinshi escureceu ao ouvir aquilo. Sem dúvida ele já tinha ouvido histórias sobre a Senhora Branca. Talvez até tivesse sido encarregado de lidar com ela. Maomao desejou que ele mantivesse um pouco mais de distância enquanto conversava com a mulher; com aquela queimadura e a expressão sombria, ele continuava recebendo olhares estranhos da mulher.
Maomao não tinha nada contra serpentes, mas a menção específica a serpentes brancas inevitavelmente lhe trouxe um leve franzir de testa. Ela não conseguia deixar de se perguntar para onde a misteriosa “imortal” tinha ido.
— Parece que vocês dois estão indo para o oeste. É melhor tomarem cuidado — disse a mulher enquanto embalava os laticínios com cuidado. Havia mais coisas ali dentro do que Maomao tinha pedido, um mimo extra, talvez, como gentileza.
— Por quê?
— Ouvi dizer que tem havido muitos bandidos na estrada naquela direção ultimamente. Até os mercadores evitam passar por lá, se puderem.
Ah: talvez ela normalmente vendesse essas provisões para mercadores. Mas, com menos clientes do que o habitual, era melhor fazer um bom negócio com Maomao e Jinshi do que não vender nada. E os itens extras ainda ajudariam a esvaziar um pouco as prateleiras.
— Entendo. Obrigada — disse Maomao. — Vamos tomar cuidado. Então ela olhou para Jinshi, indicando que já era hora de voltarem.
Quando chegaram à estalagem, o aroma de um chá perfumado se espalhava pelo ar. Era Basen, relaxando por um momento depois de organizar os cavalos. Quando viu Jinshi, ele se endireitou. — Os animais estarão prontos amanhã de manhã — informou. — Mas vamos ter que usar um dos guias locais. Ele estava se referindo a um dos transportadores de carga que utilizavam cavalos para mover mercadorias.
— Tudo bem — disse Jinshi, afundando em uma cadeira. Basen lançou um olhar para Maomao que claramente significava Ande logo e prepare o chá, então ela deu de ombros e ia buscar água quente fresca quando Jinshi disse: — Está tudo bem. Não me importo se estiver morno.
— Tem certeza, senhor?
Se ele dizia isso, então tudo bem. Ainda havia bastante água no bule; Maomao apenas pegou algumas folhas novas.
— Ouvimos algo sobre bandidos — disse Jinshi, tomando um gole da bebida morna.
— Sim, senhor, disseram o mesmo para mim. Por isso tivemos que levar um dos guias como condição para alugar os cavalos.
O banditismo podia assumir muitas formas; neste caso, pareciam ser do tipo que queria cobrar um “pedágio”. Se o grupo não os encontrasse, ótimo; mas, se encontrasse, ter alguém que conhecia a situação local provavelmente permitiria que escapassem simplesmente pagando uma porcentagem da carga.
Maomao olhou para Jinshi e Basen. Ambos eram soldados bem treinados e, como oficiais do governo, não podiam simplesmente ignorar a bandidagem, mas também não tinham forças suficientes para exterminar os criminosos. Nenhum dos dois parecia muito satisfeito com isso; Maomao, por sua vez, só esperava que eles nem sequer encontrassem os bandidos.
[Kessel: Partindo do pressuposto que o nome do próximo capítulo é “Bandidos”, acho que não deu muito certo. kkkkkk]
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