Volume 4
Capítulo 20: A Emboscada
Esses caras só podiam estar loucos, pensou Lihaku.
À sua frente, as tropas particulares de Shishou recuavam, dominadas pelos invasores. Tinham pego lanças às pressas quando os atacantes surgiram, mas não eram páreo para Lihaku e seus homens, que haviam se preparado minuciosamente.
Lihaku estava ali para prender o traiçoeiro clã Shi. Só podia ser traição: de que outra forma interpretar a reconstrução de uma fortaleza abandonada a sessenta li ao norte da capital? E com soldados de verdade? Era praticamente uma rebelião declarada.
[Kessel: Sessenta li representam cerca de 34,5 km de distância.]
Apesar do tamanho da fortaleza, conspirar uma rebelião apenas com aquilo era o auge da tolice. O líder do clã Shi, Shishou, era alguém de grande influência na corte. Tinha tanto poder sobre o Imperador que conseguiu expulsar uma das concubinas de alto escalão e colocar a própria filha em seu lugar.
Lihaku inclinou a cabeça, intrigado, enquanto brandia o seu bastão. Shishou tinha enlouquecido de ganância ou simplesmente perdido o juízo? Mesmo que se sentisse encurralado, desaparecer da capital e se esconder em um lugar como aquele era praticamente pedir para ser tratado como rebelde. Lihaku se perguntava se o homem conhecido em toda a corte como “o velho tanuki” realmente faria algo tão estúpido.
Mas, de qualquer forma, Lihaku era um oficial militar. Podia deixar as especulações para outros; bastava cumprir sua função.
Ele bateu com o bastão no pé de um soldado inimigo e, em seguida, deu uma rasteira no homem, derrubando-o. Atrás dele, subordinados com capas brancas amarravam os inimigos derrotados. Lihaku usava uma capa branca como a deles, mas tinha descartado ela minutos antes porque só atrapalhava. Além disso, respingos de sangue apareciam demais sobre o branco. Não era exatamente a roupa ideal para entrar em combate.
Ainda assim, a capa permitia que se misturassem à neve. Perfeito para se esconder à vista de todos. Especialmente numa noite sem lua.
Lihaku e suas tropas avançaram sem tochas. O esquadrão se dividiu em dois ao se aproximar da fortaleza: uma unidade de infantaria na linha de frente, composta por homens acostumados à neve e confiantes em suas habilidades; e um segundo grupo, vários li atrás.
Funcionou mais ou menos assim: os guardas da fortaleza perceberam as luzes do grupo da retaguarda, mas não notaram a unidade mais próxima avançando furtivamente na escuridão. Acreditaram que o inimigo estava muito mais distante do que realmente estava.
Lihaku e seus homens também enfrentavam um problema. Por vários li, precisaram atravessar um campo aberto e vazio. Com algumas estrelas no céu, talvez fosse possível; mas com o breu absoluto, seria fácil demais perder o senso de direção.
Lihaku terminou de amarrar um inimigo e soltou um suspiro. Algo caiu de sua gola.
— Ideia engenhosa, essas coisas — comentou, recolhendo da neve o objeto de madeira em forma de peixe. Isso lhe permitia determinar a localização da fortaleza.
O pequeno peixe continha um ímã. Colocado em um balde com água, ajudava a indicar a direção em que você está indo. Era um instrumento comum em navios. A superfície do peixe tinha sido polvilhada com partículas estranhas e brilhantes, de modo que pudesse ser lida mesmo na escuridão da noite. Diziam que as partículas vinham de algum tipo de cogumelo que brilhava no escuro.
Havia ainda outro aspecto na emboscada. Lihaku olhou para a avalanche que desceu da encosta com grande espanto. — Quem quer que tenha bolado esse plano deveria ser louco... Louco como uma raposa.
Esse era um dos motivos pelos quais a fortaleza tinha sido abandonada: áreas próximas a fontes termais tendiam a sofrer muitos terremotos. Décadas antes ocorreu um grande terremoto, forte o bastante para alterar a geografia local. Parte da montanha foi destruída, e agora, no inverno, às vezes ocorriam avalanches. Elas não eram grandes nem frequentes, mas não eram exatamente uma característica promissora para uma posição defensiva.
Aquela avalanche, porém, tinha sido provocada por mãos humanas. O frio naquele ano estava mais intenso que o normal, e a neve estava profunda. Alguns dos montanhistas mais experientes da vanguarda haviam se afastado, carregando lanças de fogo. Lihaku se perguntava o motivo, devia ser por isso.
Ele ainda avançava sobre a neve suja, quando avistou alguém entrando na fortaleza. Um homem, com sua capa branca e seus longos cabelos negros belíssimos sob a noite. Lihaku, que jamais imaginou considerar qualquer homem como “belíssimo”, ainda mais em meio a uma batalha, sorriu de canto para si mesmo.
Ninguém esperaria ver esse homem em um campo de batalha. Com traços impecáveis, ele era ao mesmo tempo o jardineiro do jardim que era o palácio interno e, possivelmente, uma de suas flores. Mas, no caso dele, “flor” podia significar outra coisa: o significado do nome Ka. Parte dos cabelos do homem estava presa, sustentada por um grampo de prata. Qualquer um que visse o desenho teria se prostrado imediatamente no chão.
O nome do seu país, Li, era escrito repetindo três vezes o caractere de espada. Acima dessas espadas havia o símbolo que significava grama, ou flor. Em todo o país, apenas duas pessoas possuíam o nome Ka. E ele era uma delas.
Ele jamais deveria estar ali, pelo menos não em circunstâncias normais. Não deveria participar de uma marcha noturna, caminhando vários li em completo silêncio. Mesmo esse grupo de homens escolhidos especificamente por sua força física demonstrava cansaço ao final. Mas aquele homem, dono de um rosto tão belo e delicado como o de uma ninfa celestial, segurava um sabre em forma de folha de salgueiro e usava uma armadura azul-púrpura para indicar a todos ao redor quem ele era.
[Noelle: Se até o Lihaku que é todo machão descreve o Jinshi como uma ninfa celestial, quem dirá a gente…]
Era o eunuco Jinshi quem estava ali, numa posição que deveria pertencer a um homem. O jovem eunuco favorecido pelo imperador, tão bonito que rumores desagradáveis às vezes circulavam. Certamente não foram poucos os que ficaram boquiabertos quando ele avançou para assumir o comando, e vários oficiais empalideceram. O jovem mestre era popular com ambos os sexos, a ponto de até homens tentarem flertar com ele de vez em quando.
Lihaku ficou tão chocado quanto qualquer outro. Recentemente, Gaoshun, que sempre servia de perto a Jinshi, fez uma série de pedidos a ele. Um deles foi selecionar, entre seus subordinados e colegas, homens com muita resistência e que suportassem particularmente bem o frio. Agora ele entendia o motivo.
[Noelle: Gente eu gosto muito do Lihaku, uma por ele ser um fofo, mas também pela competência dele, além da sua lealdade e transparência, fico muito feliz que ele tenha subido “rápido” na hierarquia e sem perceber, ainda ganhou a confiança do filho do Imperador, pensa em uma “sorte”, ele merece demais <3]
O jovem já não usava o nome Jinshi, mas Lihaku não podia pronunciar o nome Ka. Era possível escrevê-lo, sim, mas aqueles capazes de dizê-lo em voz alta eram pouquíssimos.
Jinshi entrou na fortaleza, e Lihaku o seguiu de perto para não ficar para trás. Gaoshun não estava à vista, mas em seu lugar um jovem guerreiro de expressão severa mantinha-se próximo a Jinshi. Lihaku entrou atrás deles.
O interior da fortaleza estava impregnado por um cheiro que ardia no nariz, algo como ovos podres. Lihaku ainda se perguntava o que poderia ser quando viu homens carregando braços cheios de neve para o andar de baixo. Teria havido um incêndio no nível inferior? Ele rapidamente perguntou a um deles, que confirmou: havia ocorrido uma explosão.
— S-Se não cuidarmos disso rápido, a-a senhora vai... — O homem tremia incontrolavelmente, incapaz de encarar Lihaku. Lihaku o dispensou. Era a fumaça que deixava o homem tão pálido, ou o medo dessa “senhora”? Talvez fosse aquela reviravolta inesperada que deixou a fortaleza com menos soldados defendendo-a do que os atacantes haviam previsto.
Cobrindo a boca, Lihaku aproximou-se de Jinshi e ajoelhou-se respeitosamente.
— Tem algo a sugerir? — perguntou Jinshi; Lihaku ficou grato por ele ter iniciado a conversa. — Fale sem reservas.
— Como ordenar, senhor. — Era nesses momentos que Lihaku sempre desejava ter aprendido uma dicção mais refinada. — Não acredito que possamos permanecer aqui por muito tempo com toda essa fumaça. E imagino que os que estão lá dentro estejam com pressa para sair.
— Eu sei disso — disse Jinshi. Lihaku se amaldiçoou por aparentemente ter dito apenas o óbvio. — No entanto, pode haver alguém lá dentro que não possa escapar.
— Então, senhor, farei com que todos os meus homens a procurem. Por favor, dirija-se para fora.
— Receio que não posso fazer isso.
Lihaku conteve o impulso de franzir a testa, agradecido por estar olhando para o chão. Não seria nada bom para ele se Jinshi se ferisse. Queria apenas tirá-lo dali, para que pudesse observar a operação de um lugar seguro.
Ao mesmo tempo, porém, aquele era o Exército Proibido, e isso significava que o lugar de Jinshi era à frente dele. O fato de estarem lançando uma emboscada parecia torná-lo ainda menos disposto a ceder sua posição.
Erguer-se orgulhosamente à frente daquela força era abandonar a identidade do eunuco Jinshi e isso despedaçaria o equilíbrio que reinava na corte. O clã Shi, que foi uma das partes desse equilíbrio, já estava em ruínas; Lihaku podia ver com os próprios olhos. Membros da família podiam estar escondidos entre os soldados inimigos capturados. Capturá-los era uma coisa, mas sua culpa já estava evidente. Aqueles que conspiravam contra o Imperador podiam esperar, no mínimo, o extermínio de suas famílias inteiras. A misericórdia pessoal do soberano talvez suavizasse o desfecho em alguma medida, mas o clã Shi tinha pouca esperança a que se agarrar.
— A filha do Grande Comandante Kan está presa aqui — disse Jinshi.
— Senhor...
Kan era um nome muito, muito comum. Mas apenas um oficial no país o possuía: o estrategista excêntrico. Antes da missão, Lihaku tinha sido informado sobre ela, primeiro, que ela existia (mais uma surpresa em um dia repleto delas), e segundo, que ninguém sabia por que ela havia sido sequestrada.
[Kessel: Uma curiosidade a respeito do Clã La, a família da Maomao. Apesar do nome do clã ser La, eles usam o caractere Kan em seus nomes. Portanto, o “verdadeiro nome” da Maomao seria Kan Maomao. Assim como o do Lakan é Kan Lakan.]
— Você pode abandoná-la? — perguntou Jinshi.
Ele não podia. Isso, pelo menos, era certo.
— Isso me traria um novo inimigo político... — Lihaku murmurou, sem querer.
Por um segundo, pareceu-lhe ver algo misturar-se à expressão dura de Jinshi. — Sim, acredito que você está certo. — Ele parecia atormentado, como se estivesse prestes a ser dilacerado, mas avançou.
Lihaku se levantou, puxando os próprios cabelos. Ainda assim, a única coisa que podia fazer era concluir sua tarefa o mais rápido possível.
○●○
Junto com a explosão veio uma grande massa de neve. Ela sabia, intelectualmente, que aquilo se chamava avalanche. Mas parecia um dragão de neve descendo sobre eles da encosta às suas costas. Não chegou até Maomao, mas um edifício que ela supôs ser algum tipo de armazém ficou encoberto por uma névoa branca.
Ela observava tudo da varanda. As explosões haviam afugentado a maioria dos trabalhadores do porão, e os poucos que restavam tentavam combater os incêndios. Agora teriam de dividir seus esforços mais uma vez para lidar com a avalanche. Ela viu soldados saltarem por cima do muro externo e encararem, atônitos, a cena diante deles.
Então havia aqueles que não conseguiram escapar. Algo branco surgiu em um lampejo por cima das muralhas agora mal defendidas; a cor se confundia com o cenário, e ela não conseguia enxergar direito daquela distância, o que era. Mas viu alguns soldados em pânico avançarem contra aquilo, e então um clarão vermelho rasgou a noite.
Sangue manchando a neve branca e pura.
A coisa branca era um intruso. Ele atirou para o lado sua capa branca revelando uma armadura completa.
Veio para subjugar os rebeldes?
Para uma concubina de alto escalão fugir do palácio interno era o mesmo que se declarar rebelde. E com a família dela fazendo sua última resistência numa fortaleza como aquela... bem, não haveria desculpas.
Estou segura aqui? Maomao se perguntou. Ela parou ao avistar os invasores à luz distante de suas tochas. Ela não sabia como, mas sabia: ela tinha certeza de que já o tinha visto antes. Um homem cuja beleza de ninfa não combinava em nada com um campo de batalha. Vestindo uma armadura de cor cara, ele tinha uma presença marcante, como um verdadeiro soldado.
Será que ele poderia estar ali para resgatá-la?
Sem chance. Nem ele teria tempo sobrando assim.
Seus olhos deviam tê-la enganado. De qualquer forma, a figura logo desapareceu enquanto as forças invasoras continuavam a inundar a fortaleza. Em breve estariam ali, e Maomao não fazia ideia de como a tratariam.
O cheiro de enxofre estava por toda parte, proveniente da explosão? Ela pressionou a manga da roupa contra a boca para não inalar o gás e se envenenar.
Eu devia simplesmente correr...
Uma coisa era certa: depois disso, ela não teria moral nenhuma para criticar Shisui.
O que ela era, algum tipo de idiota? Só podia ser uma idiota, pensou, enquanto parava no lugar.
Ela conseguia ouvir passos se aproximando. Seu coração martelava no peito. Eles não iam acabar com ela ali mesmo... iam?
Quem quer que seja, espero que pelo menos me escute.
Naquele instante, alguém arrombou a porta com um chute. Um soldado vestindo uma armadura azul-púrpura parou na entrada.
Ele não disse nada. Ela não disse nada. Nenhum dos dois disse nada. Depois de um longo momento, foi Maomao quem falou primeiro:
— Me desculpe, mas poderia me proteger, Mestre Jinshi?
— Você está ferida? — perguntou o soldado Jinshi. Ele podia ver o sangue nas roupas de Maomao.
— Estou bem. É só respingo.
— Isso não é “estar bem”!
— É sangue de cobra.
Jinshi não parecia achar que isso tornava a situação melhor, mas a expressão exasperada dele foi, de um jeito estranho, reconfortante para Maomao. Era tão familiar. Ela sentiu os cantos da própria boca se curvarem num leve sorriso.
— Ei, isso é... — Jinshi deu um passo à frente e ia dizer algo, mas foi interrompido por outro conjunto de passos se aproximando, e sua expressão mudou abruptamente. O olhar em seu rosto não era nem o do eunuco com o sorriso delicado e quase etéreo, nem o do jovem de traços quase infantis.
— Senhor Herdeiro — disse um homem de aparência rude ao entrar no aposento.
Herdeiro?

— Esse título já não me pertence — disse Jinshi. — Um filho imperial nasceu.
Então a Consorte Gyokuyou tinha dado à luz em segurança, e era um menino.
Então é isso que ele realmente é, pensou Maomao. Para um homem que não fosse eunuco entrar no palácio interno era um crime grave. Apenas aqueles que compartilhavam o sangue do Imperador, ou que tinham ordens diretas dele, podiam fazê-lo.
— O senhor parece ter envelhecido bastante, Mestre Jinshi. — Ela falou suavemente, mas ele lançou em sua direção um olhar que ela interpretou como irritação.
— Lihaku está aqui? — Jinshi perguntou ao soldado. O homem grande, com jeito de cachorro, logo entrou no aposento a passos largos. — Deixo isso em suas mãos — disse Jinshi, e então saiu.
Lihaku inclinou a cabeça, cruzou os braços e franziu a testa. — Perdoe-me, mas você se parece demais com uma jovem chamada Maomao que trabalha no palácio.
— Isso é porque eu sou ela.
Lihaku podia estar fazendo comentários bobos, mas, em vez do habitual traje de oficial militar, ele vestia uma armadura adequada e carregava um bastão.
— O que você está fazendo aqui? — ele perguntou.
— Ao que parece, fui sequestrada.
A cabeça de Lihaku inclinou ainda mais, quase na horizontal.
— Diga, seu... hum... pai...
— ...é provavelmente exatamente quem você está pensando, então, por favor, não diga o nome dele. Pode chamá-lo de “velho idiota” ou algo assim; eu vou entender.
Atendendo ao pedido de Maomao, Lihaku não continuou, mas começou a tremer visivelmente. Em seguida, bateu o punho na palma da mão, como se tudo tivesse feito sentido. Maomao não sabia exatamente que conclusões ele achava que tinha tirado, e não tinha certeza se queria saber.
Lihaku apontou para Maomao. — Ela! É ela! — Um subordinado lançou a ele um olhar desconfiado, mas tirou um apito das dobras da roupa e soprou. Lihaku então disse a Maomao: — Ei, desculpa por isso. Se você diz, então deve ser verdade. Mas, nossa, você está com uma aparência horrível! Está coberta de sangue. Está ferida?
— É respingo.
Lihaku continuava rude como sempre, mas a olhava com preocupação genuína. O pior dos ferimentos de Maomao era a marca onde Shenmei a tinha atingido com o leque. O soldado, de quem Maomao não conseguia realmente não gostar, apesar dos modos, também devia ter se sujado de sangue, porque, quando ela se aproximou, sentiu cheiro de ferro.
— Bem, por favor, não se machuque — disse Lihaku. — O velho idiota insistiu em vir junto mesmo mal conseguindo se mexer, e não é que... agora ele realmente não consegue se mexer.
O velho idiota. Ele tinha dito. Tinha mesmo dito. Provavelmente foi o velho quem havia arquitetado toda aquela emboscada, pensou Maomao. E devia ter dado um jeito de provocar a avalanche também.
Lihaku não parecia muito preocupado, mas isso não significava que não estivesse levando o trabalho a sério.
— O que é isso? Crianças dormindo?
Ele avançou com passos pesados, mas Maomao abriu os braços para impedi-lo.
— Elas não estão respirando. Foram envenenadas.
Lihaku fez uma careta, percebendo a gravidade do que via. Mas, se as crianças tivessem sobrevivido, o que as aguardava seria a forca. Até uma tentativa contra a vida de uma única concubina de alto escalão podia levar o conspirador à execução por enforcamento e ao confisco dos bens da família, quando não algo pior. E o crime cometido ali era muito, muito mais grave. Todos podiam esperar punição, incluindo mulheres e crianças.
Maomao observou a expressão angustiada de Lihaku. — O que acontece com aqueles que são executados? — ela arriscou perguntar. — Eles simplesmente são abandonados?
— Não, não. São sepultados em um cemitério especial. Mas também serão cremados.
— Não poderiam ao menos ser enterrados junto às mães?
Lihaku lançou um olhar sem palavras para ela, coçou a cabeça e soltou um gemido sofrido. — Receio que não sei. Esse tipo de coisa não é da minha alçada. — Mesmo assim, ele se aproximou e pegou uma das crianças nos braços. Rasgou as cobertas ao meio e envolveu o corpo como se fosse um bebê sendo enrolado em panos. — É quase como se estivessem só dormindo. Pensei em carregar todas de uma vez, mas essa aqui é bem pesada.
Ele envolveu a criança seguinte com o restante das cobertas rasgadas. Depois rasgou também os lençóis e continuou enrolando as crianças. Quando acharam que não haveria tecido suficiente para a última, o soldado que guardava a porta tirou a própria capa e a trouxe.
— Chamem mais dois soldados — ordenou Lihaku, erguendo uma criança em cada braço.
— Mestre Lihaku?
— Não podemos enterrá-las juntas, mas eu me sentiria péssimo deixando-as aqui. Podemos ao menos enterrá-las perto do cemitério. Discretamente. — Ele sorriu, exibindo os dentes brancos.
— O senhor não acha que poderia ser acusado de crime por isso?
— Não sei. Se for, você vai ter que dar um jeito de salvar minha pele.
— Sim, claro. Como se fosse simples assim. — Maomao cruzou os braços, um pouco irritada. Então Lihaku pareceu ter uma súbita inspiração.
— Já sei! É uma ótima ideia! — disse ele, abrindo um sorriso largo.
— Que ideia, senhor?
— Se você chamasse o velho idiota de “papai”, ele faria qualquer coisa que você pedisse, não é?
Nem é preciso dizer como Maomao reagiu a essa sugestão.
— Ah... Desculpa. Finja que eu não disse nada — murmurou Lihaku, desviando o olhar. Aparentemente, a expressão dela tinha sido tão terrível assim.
[Kessel: Papai ama, papai cuida. kkkkkkkkk]
Entre em nosso servidor para receber notificações de novos capítulos e para conversar sobre a obra: https://discord.gg/wJpSHfeyFS
Apoie a Novel Mania
Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.
Novas traduções
Novels originais
Experiência sem anúncios