Diários de uma Apotecária Japonesa

Tradução: Kessel

Revisão: noelletokito


Volume 4

Capítulo 13: Festival

Maomao recebeu uma roupa de aparência tradicional para vestir: uma jaqueta branca e uma saia vermelha. Ela cobriu o rosto com sua máscara de raposa e carregava uma lanterna decorada com capim-dos-pampas e talos de arroz. Assim vestida, disseram-lhe que iriam caminhar até o santuário nos arredores da cidade.

Os homens vestiam roupas azuis, enquanto as crianças carregavam feixes de arroz e capim-dos-pampas pendurados nas costas como rabos. Essas pessoas pareciam adorar Kosen, uma divindade raposa. A raposa era um espírito da abundância, venerado em muitos lugares. Era natural, portanto, que houvesse um grande festival no outono, época em que tanta coisa vinha da terra.

Maomao ouviu o toque de um sino. Ao lado dela estava alguém que havia delineado os olhos da máscara de uma forma que parecia um tanto ridícula, apesar de ser uma raposa. A cor normal para pintar ao redor dos olhos de uma máscara como essa era vermelha, mas essa pessoa havia usado verde, e os cantos dos olhos pareciam estar caídos.

— Parece mais um tanuki — comentou Maomao para Shisui, a dona da máscara. Talvez ela fosse melhor em desenhar insetos do que animais. O pensamento trouxe um sorriso inesperado ao rosto de Maomao. Acho que não é a hora certa, pensou ela. Mas também sabia que negar a si mesma um pensamento agradável não a ajudaria nessas circunstâncias.

— Você me lembra uma gata, Maomao — disse Shisui. Havia um sino em seu grampo de cabelo que tilintava cada vez que ela ria. O som lembrava estranhamente os insetos que ela costumava colecionar. Na ponta do prendedor, Maomao podia ver um pequeno inseto esculpido em uma joia. A garota realmente gostava de insetos.

— Aqui, Maomao, veja se está bem apertado — disse ela, e então apertou a corda da máscara de Maomao. A corda passou bem por cima de onde Maomao havia prendido o cabelo, e Shisui não conseguiu fazê-la ficar no lugar. — Hum. Espere, vou tentar de novo. Sente-se. — Ela ajudou Maomao a se sentar no parapeito da pousada. Em seguida, afastou o cabelo de Maomao e o prendeu novamente.

— Hum, precisa de algo mais. Parece tão solitário só com um elástico de cabelo.

— Não me importo.

— Ah, já sei! Vou te emprestar um grampo de cabelo. Tenho um em formato de teia de aranha. É muito fofo!

Maomao desejou que houvesse alguma maneira de recusar educadamente. Ela vasculhou as dobras de suas vestes e conseguiu encontrar o grampo de cabelo que Jinshi lhe deu. Parecia simples, mas a qualidade era boa. Maomao, que se contentava com um simples elástico de cabelo, costumava deixá-lo no roupão.

— Use isso, por favor.

— Aww… — Maomao não precisou se virar para imaginar o bico que Shisui fez. Ela pressionou o grampo de cabelo na palma da outra garota. — Nossa, que lindo, Maomao — comentou Shisui.

— Alguém me deu — ela respondeu. Deu a ela sem muita cerimônia, é verdade.

— E se eu lhe pedisse para me dar? Você daria?

Após uma breve pausa, Maomao disse com cautela: — Receio que não. — Ela já havia considerado simplesmente entregar o objeto a alguém uma vez, mas não o fez. Se o tivesse feito então, ou se o fizesse agora, mal conseguia imaginar o que o impostor de eunuco diria. Seja o que fosse, ela sabia que ele ficaria furioso.

Você pode pensar que eu simplesmente deveria ficar de boca fechada.

Mas Jinshi tinha uma estranha habilidade para ler as expressões de Maomao. Em parte porque eles já se conheciam há bastante tempo, é verdade, mas mesmo para os padrões dela, ele era bastante sensível a pequenas mudanças em seu rosto. Embora Maomao, por exemplo, achasse que não era muito habilidosa em controlar os músculos faciais e pensasse que todas as suas expressões se resumiam a pouco mais do que carrancas.

Por outro lado, talvez ela pudesse dar o grampo de cabelo para Shisui; se ela não conseguisse voltar viva para a capital, não precisaria se preocupar com as consequências.

— Aqui, prontinho. — Shisui deu um tapinha no ombro de Maomao e ela se levantou. Seu cabelo agora estava preso atrás da orelha direita, facilitando bastante para colocar a máscara. Quando olhou para a vila através dos pequenos buracos para os olhos, o mundo inteiro pareceu diferente. Talvez fosse por ser noite, ou talvez pelas chamas trêmulas das tochas, mas as pessoas que andavam por ali com suas máscaras realmente pareciam raposas.

Com exceção daquela que estava ao lado dela, que ainda parecia um tanuki de olhos verdes.

Shisui, porém, não era a única que havia pintado sua máscara de verde; de ​​vez em quando, eles cruzavam o caminho de uma raposa de olhos verdes. A maioria era homens; suas calças azuis os denunciavam. Maomao começou a se perguntar se os olhos verdes tinham algum significado.

— É de outro mundo, não é? — disse Shisui.

— Hanran. — Isso era certamente verdade.

— Você não está assustada?

— Por que eu estaria?

Ela concordou, no entanto, que era algo sobrenatural. Em vez de seus sapatos normais, usava tamancos de madeira que tilintavam a cada passo; e então ouviu-se o sino tocar e uma coruja piar na floresta. Todos os ruídos se combinaram em algo inexplicável, até que ela quase se convenceu de que podia ouvir raposas uivando na noite.

Com os sons das raposas ao fundo, caminhavam entre as plantas-lanterna, os talos de arroz e a luz das fogueiras. Saíram da floresta e seguiram por uma trilha estreita que serpenteava entre os arrozais. Seu progresso era acompanhado por um chiado ocasional e desagradável, o som de insetos se incinerando ao voarem em direção às tochas colocadas ao longo do caminho. Parecia haver muitos deles.

— Há muitos gafanhotos este ano — disse Shisui. Era exatamente por isso que o festival tinha que ser tão grandioso. Esse era o desejo que ele carregava. — Por aqui, veneramos uma divindade raposa que traz abundância. Sabe por quê?

— Não, por quê?

Riiing, riiing. O sino de Shisui tilintava enquanto ela caminhava e falava. — Havia uma tribo de povos nativos que viviam nesta área.

Então, porém, um povo de um país diferente chegou do oeste. Os habitantes locais não os aceitaram imediatamente, é claro. Ninguém seria tão ingênuo. A maioria das aldeias os expulsou, queria que fossem embora. Mas algumas aldeias, um número muito pequeno, acolheram esses recém-chegados.

— Essas pessoas do Ocidente tinham certas habilidades, e algumas pessoas aqui reconheceram o valor desse conhecimento.

Os recém-chegados sabiam como tornar os campos mais produtivos e como exterminar insetos nocivos. Conhecimento valioso, sem dúvida. Muitos, porém, ainda não os viam com bons olhos. Por volta da época em que os recém-chegados se estabeleceram e começaram a ter filhos com os moradores locais, seus vizinhos os atacaram, tentando roubar suas terras.

Após vários ataques desse tipo, o povo construiu uma aldeia escondida para que seus filhos e netos ficassem em segurança. Encontraram um lugar onde nascentes termais brotavam da terra e ali construíram. Presumivelmente, o que construíram foi a aldeia onde Maomao estava agora. E as raposas? Representavam o povo daquela terra estrangeira, pensou ela. Referir-se a pessoas de outras tribos como se fossem animais não era incomum.

Em outras palavras, a divindade, ou talvez divindades, desta aldeia era o próprio ancestral deste povo, e os aldeões eram eles próprios deuses-raposa.

— Dizem que as raposas daqui são raposas brancas. Então, aquela máscara era completamente branca quando você a pegou, certo? Mas, ao se estabelecer aqui, ela foi tingida.

Raposas brancas. Isso simbolizava a pele clara? E a pintura poderia ser interpretada como uma referência a casamentos entre aldeias?

Tenho a sensação de já ter ouvido algo parecido antes, pensou Maomao, e quase ao mesmo tempo Shisui deu a resposta.

— Muitos dos homens desta aldeia não conseguem distinguir cores — disse ela.

— Não conseguem distinguir cores?

— Sim. Mas é bem menos comum entre as mulheres.

Bom, isso explica tudo. Era por isso que havia tantas máscaras com olhos verdes. E por que tantas delas eram usadas por homens. E até mesmo por que uma delas pertencia a Shisui.

Shisui pegou a vagem da planta-lanterna presa à sua lanterna, rompeu a casca laranja e retirou as frutinhas de dentro. Ela as esfregou rapidamente na manga e as levou à boca.

— Elas não são muito gostosas — informou Maomao.

— Eu sei.

— Elas são tóxicas.

— Eu sei.

As prostitutas usavam as bagas da planta lanterna como ingrediente em seus abortivos. As bagas não matavam, mas não eram exatamente agradáveis ​​de comer.

Entre aqueles que fugiram do oeste para cá, alguns devem ter ido para a região da atual capital e se tornado os ancestrais do atual Imperador, enquanto aqueles que se estabeleceram no norte fundaram esta vila.

Seus tamancos de madeira tilintavam no chão. A luz das lanternas era encantadora e, ao mesmo tempo, misteriosa, fazendo Maomao sentir como se, se continuasse a caminhar por aquele caminho, pudessem chegar a algum outro mundo.

Quanto mais se aproximavam do santuário, porém, mais as coisas pareciam comuns. Barracas de rua começaram a aparecer, e o aroma de carne no espeto perfumava o ar. Havia também o cheiro de algum doce. Os lojistas usavam máscaras de raposa como todos os outros, mas como era de se presumir não aceitavam folhas como moeda, como se dizia que as raposas faziam.

Shisui parou abruptamente, ergueu a máscara, moveu as mandíbulas algumas vezes e então cuspiu as cascas das bagas da planta-lanterna na grama.

— Nojento — comentou Maomao.

— Hah, desculpe! — Shisui correu em direção a uma das barracas de rua. — Que tal comermos alguma coisa?

— Você paga. — Maomao a seguiu até uma barraca que vendia espetinhos de carne; ela começou a salivar ao ver o frango pingando gordura. As opções, no entanto, também incluíam rã e gafanhoto. Maomao as observou em silêncio.

— Os gafanhotos estão rechonchudos e deliciosos nesta época do ano — explicou Shisui, e sem hesitar, devorou ​​um dos insetos diretamente do espeto.

— Acho que vou ficar com frango. — Claro, Maomao poderia comer gafanhotos. Mas por que não comer frango se havia essa opção?

— Não quer um sapo? — perguntou Shisui.

— Não quero comer sapos por um tempo...

— Por que esse olhar vidrado nos seus olhos, Maomao? — Aparentemente, era óbvio mesmo por trás da máscara. De qualquer forma, Shisui disse: — Entendi — pegou um espeto de frango do homem que cuidava da barraca e entregou a Maomao. Maomao puxou a máscara para cima e começou a comer. Podia ter um pouco mais de sal, mas talvez isso fosse um luxo demais para se esperar. Em vez disso, a carne tinha sido temperada com ervas.

— Hmm?

— O que foi? — perguntou Maomao. Shisui franziu a testa. Então, virou-se para a grama e cuspiu algo novamente. — Eu te disse, isso é nojento — disse Maomao, pensando que Shisui tinha alguns modos surpreendentemente rudes. Ela parecia ter cuspido o gafanhoto que acabou de comprar.

— Que droga. Aquele lugar mistura gafanhotos com gafanhotos-migratórios. Que roubo!

— Hum... Para mim, todos parecem iguais.

— Bem, não são. É difícil dizer com as asas e as patas arrancadas, mas o gosto é completamente diferente. — Shisui mastigava outro inseto para tirar o gosto da boca. Este devia ter um gosto melhor, pois ela mastigava pensativamente.

Maomao às vezes comia cobras e rãs, mas raramente insetos. Nas aldeias agrícolas, comer insetos muitas vezes servia também como forma de afastar pragas das plantações, mas o distrito dos prazeres era mais urbano. Gafanhotos não eram um prato muito popular, considerando a quantidade de outras coisas mais saborosas e deliciosas que havia para comer. Às vezes, porém, em anos em que os enxames eram particularmente intensos, agricultores com dificuldades para sobreviver apareciam na cidade vendendo gafanhotos.

O santuário ficava em um terreno elevado, com uma escadaria de pedra que levava até ele. Isso lhe permitia contemplar tudo ao redor, inclusive as terras além da floresta. As árvores davam lugar a planícies abertas, além das quais se erguia uma cordilheira.

Outra cidade? Maomao pensou. A cordilheira brilhava com luz, e não luz das estrelas.

— Maomao, ali — disse Shisui, puxando-a de volta com um leve puxão na mão. Havia uma fila, e quando as pessoas chegavam à frente, deixavam suas máscaras no santuário. Uma figura humana podia ser vista no interior vermelho-vivo do santuário: uma criança, usando uma máscara branca e roupas brancas, sentada completamente imóvel. Seu rosto estava escondido, mas a máscara parecia familiar. Pertencia àquele pirralho, Kyou-u. Ele parecia problemático, mas seus traços eram delicados e sua máscara, bela.

— Todos os anos, crianças são escolhidas para se sentarem ali no lugar do deus — explicou Shisui.

— Estou impressionada com a capacidade dele de lidar com isso.

— Hehe. Todo mundo quer fazer isso. Mas é cansativo. Então eles se revezam, antes que as pernas fiquem dormentes. Será que é uma lembrança agradável para eles? — Por algum motivo, o olhar de Shisui estava distante. Então ela disse: — Parece que ele está quase terminando. Vamos esperá-lo. — Ela os guiou pela parte de trás do santuário.

Lá encontraram mais três crianças, conversando, provavelmente esperando a sua vez.

— O que está acontecendo? — perguntou Shisui, entrando no círculo de crianças.

— Olha só isso — disse um dos garotos, exibindo seu rabo de talo de arroz. Ao olhar mais de perto, dava para ver que a fruta ainda estava verde. — Peguei uma ruim.

— Isso porque você não analisou bem na hora de escolher — disse Shisui, exasperada. — Algumas pessoas são mesquinhas, sabe?

Ou seja, achando que seria um desperdício oferecer uma espiga de arroz boa e cheia para o festival, eles davam uma que estava mal desenvolvida. Maomao olhou para o pé de arroz. Tinha folhas, com certeza, mas a espiga estava oca, vazia. Parecia imatura; não como se nunca tivesse frutificado, mas sim como se simplesmente não tivesse tido tempo.

— Eu recebi isso do chefe da aldeia — disse o garoto.

— Bem, aí está o seu problema — respondeu uma das outras crianças, balançando a cabeça. — Parte da colheita do chefe sempre  amadurece tarde. E como ele é pão-duro, essas são as únicas partes que ele doa para o festival.

— O quê? Bah. A raposa vai amaldiçoá-lo por isso.

— Todas as crianças daqui sabem disso — disse uma delas. — Você não sabe porque chegou à aldeia no ano passado. A gente aprende com a experiência!

Os ombros do menino caíram. Maomao olhou para a espiga de arroz que segurava. O fruto estava maduro e viçoso. Ela o retirou da lanterna e o entregou ao menino.

— Tem certeza? — Ele perguntou.

— Claro — disse ela. Ela não era exatamente muito religiosa; para ela, não importava o quão boa fosse a espiga de arroz.

O menino, entretanto, fez uma reverência para ela, com os olhos brilhando.

— Como eu me saí, maninha? — Kyou-u perguntou no momento em que viu Shisui depois de sair do santuário. Outra criança, segurando uma espiga de arroz fresca e radiante, tomou seu lugar.

“Muito bem, muito bem.”

“Hehe!”

Maomao não sabia o que havia de tão bom nisso, ele apenas estava sentado em um lugar do santuário, mas ela permaneceu calada.

— Eu gostaria que minha mãe tivesse me visto — disse Kyou-u, um tanto triste.

Shisui deu um tapinha na cabeça dele. — Eu sei. Vá fazer sua oferenda e depois vamos ver o fogo, ok? — Ela apontou para uma torre de vigia além do santuário, na direção oposta da escada por onde haviam subido. Mas foi em um lugar muito estranho.

— Isso é... uma fonte? — Maomao perguntou.

— Talvez mais parecido com um lago — disse Shisui.

A torre de vigia ficava sobre um corpo d’água; parecia estar montado em uma jangada.

Kyou-u rapidamente voltou depois de oferecer sua máscara e eles desceram o segundo lance de escadas. Muitas outras pessoas que ofereceram suas máscaras já estavam lá. A palha estava espalhada em volta da base da torre de vigia e, quando ela olhou atentamente, Maomao pôde ver o que pareciam ser máscaras brancas à luz das lanternas.

— Depois que as máscaras servem como oferenda durante um ano inteiro, nós as queimamos junto com a torre de vigia. Dizem que uma vez que as máscaras tenham sido consumidas pelas chamas, os desejos escritos nelas serão levados ao céu, e tudo o que você desejou se tornará realidade — disse Shisui.

— Eu não escrevi nada — disse Maomao.

— Você acredita em uma superstição como essa, Maomao?

Boa pergunta, pensou Maomao, enquanto olhava para a torre de vigia. Em vez de desejar fervorosamente, seria mais rápido simplesmente fixar os olhos no seu objetivo e seguir em frente.

— Não é uma superstição! — Kyou-u protestou. — Os desejos se tornam realidade. Fiz questão de pintar minha máscara bem e escrever meu desejo com muito cuidado, assim como no ano passado. Ele tem que se tornar realidade. — Ele estava ficando animado. Ele desejava algo tão importante para ele?

— O que você desejou? — Maomao perguntou.

— Não pode falar, bobona!

— Tá. Tudo bem. — Ela apenas perguntou por educação; não se importava realmente. Kyou-u, porém, parecia incomodado por ela ter abandonado o assunto tão prontamente. Ele continuou olhando furtivamente para ela.

— Olha, aí vem a chama — disse Shisui, apontando para uma criança segurando uma tocha. Uma “cauda” de arroz balançava atrás dele; ele parecia ser a criança com quem Maomao havia negociado talos de arroz.

— Você não queria esse papel, Kyou-u? — Shisui perguntou.

— Hmph. Decidi deixar outra pessoa cuidar disso. Não sou criança. — Apesar de seus protestos, havia uma pitada de inveja em seus olhos.

Um adulto usando máscara recebeu a tocha da criança, colocou a chama em uma flecha e passou a flecha para outro adulto que estava próximo com um arco. A segunda pessoa puxou a corda do arco de forma audível e depois deixou a flecha ardente voar em um arco preguiçoso até cair vertiginosamente, diretamente na base da torre de vigia. Um disparo inigualável.

A torre de vigia devia estar encharcada de óleo, porque pegou fogo e as chamas se espalharam rapidamente. Eles podiam ouvir a madeira estalando.

— É tão estranho — disse Shisui. — Como a torre de vigia queima, mas a jangada logo abaixo dela não.

Provavelmente porque a jangada estava em contato com a água, mantendo-a fria o suficiente para evitar que queimasse. De qualquer forma, a torre de vigia se transformou em um pilar de chamas, levando consigo as máscaras de raposa ao seu redor. A fumaça, então, deve levar os desejos para o céu.

— Ah… — Kyou-u murmurou. A torre estava desabando e algumas máscaras caíram na água; ele olhou para eles atentamente, tentando ver se sua própria máscara estava entre elas. Mas não havia como saber àquela distância. Nem metade das máscaras foram consumidas pelo fogo e levadas aos céus.

— Os desejos que não se realizam afundam e nutrem bênçãos futuras — disse Shisui, quase para si mesma. — Os insetos não sobrevivem ao inverno; tudo o que deixam para trás são seus filhos. — Ela mantinha os olhos fixos no espetáculo distante da torre em chamas.

Maomao não entendeu o significado de suas palavras. Não agora.

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