Volume 4
Capítulo 1: O Banho
— Será que existe algum lugar onde eu consiga um emprego decente? — disse Xiaolan enquanto separava as roupas no cesto. Elas estavam na área de lavanderia de sempre, e um dos eunucos havia lhe entregado um monte de roupas secas. — Ei, Maomao, você por acaso não tem alguns contatos, tem?
Xiaolan estava entrando nos últimos seis meses de seu contrato. Normalmente, por essa época, as famílias das damas da corte já começavam a arranjar possíveis casamentos para elas, ou então as próprias mulheres encontravam pretendentes. Outra possibilidade era que alguma dama de posição mais elevada ou uma concubina que gostasse especialmente delas pedisse para mantê-las no palácio interno.
— Contatos, é? — disse Maomao. Bem, ela tinha contatos. Do jeito deles. A Casa Verdigris estava sempre à procura de jovens trabalhadoras e atraentes. Especialmente daquelas de bom coração como Xiaolan.
Maomao levou a mão ao queixo e observou Xiaolan. Ela ainda tinha resquícios de gordura infantil, mas tinha um rosto bonito. E havia certos homens que apreciariam o jeito como ela às vezes tropeçava nas próprias palavras. Acima de tudo, porém, ela era esforçada, e isso a levaria longe. A velha madame dizia que garotas assim eram fáceis de treinar, e com frequência as comprava dos intermediários, em outras palavras, dos traficantes.
Só de pensar nisso, Maomao se encolheu.
— Se você definitivamente não conseguir arrumar nenhum outro trabalho, então eu faço algumas apresentações — disse ela. Para ser bem sincera, porém, não queria fazer isso.
— O quê? Você realmente faria isso por mim?! — Xiaolan se inclinou na direção de Maomao, os olhos brilhando. Maomao desviou o olhar.
Ai não… acho que ela está criando expectativas demais…
Na mente de Maomao, aquilo era o último recurso. Seu conhecimento direto sobre o distrito do prazer e das cortesãs que viviam ali a impedia de recomendá-lo de coração como profissão. A Casa Verdigris, que era essencialmente o lar de Maomao, era um dos bordéis que tratavam relativamente bem suas mulheres, mas, no geral, o distrito do prazer não era um lugar onde se pudesse esperar trabalhar, e sobreviver, até a velhice. Privação crônica de sono e desnutrição, somadas às doenças que os clientes pudessem carregar, conspiravam para encurtar a vida de muitas cortesãs. E ainda havia aquelas que tentaram e falharam em cortar os laços com o lugar e, depois disso, acabavam enroladas em esteiras de bambu e jogadas no rio como exemplo para as outras.
Xiaolan tinha sido vendida ao palácio interno pelos próprios pais; quando saísse dali, caberia a ela abrir o próprio caminho. Era compreensível que isso lhe causasse ansiedade, ou a levasse a começar a perguntar por aí sobre “contatos”.
Será que eu realmente não tenho nada melhor? Maomao se perguntou.
Passou-lhe pela cabeça recomendá-la a Jinshi, mas logo balançou a cabeça. Apresentá-la a ele só faria Xiaolan se envolver em sabe-se lá que tipo de confusão.
Talvez o médico charlatão, então. Ela cruzou os braços e resmungou. E, de repente, um rosto surgiu à sua frente.
— O que foi? — disse a recém-chegada. Era uma jovem alta, com um penteado peculiar e um jeito de falar nada refinado para os padrões da corte. Shisui.
— Ah, Shisui! Ei, você por acaso não conhece um lugar bom para trabalhar, conhece?
Dizem que quem está se afogando se agarra a qualquer palha, e Xiaolan estava fazendo exatamente isso. Shisui também era apenas uma criada, o que significava que sua posição era muito parecida com a de Xiaolan. As chances dela ter uma indicação realmente útil eram mínimas, mas Shisui disse algo inesperado.
— Sabe… acho que conheço, sim.
— O quê? Sério?! — Xiaolan quase se pendurou em Shisui. A outra garota desviou o olhar e apontou para o centro do setor sul do palácio interno, onde se erguia um edifício grande e baixo. Maomao o conhecia muito bem: era a grande casa de banhos. Ela foi construída durante a expansão do palácio interno, imitando os haréns de um país distante a oeste.
— Bom, não é exatamente que eu conheça alguém agora — disse Shisui. — Mas acho que sei como a gente pode conseguir. — E sorriu.
O edifício era enorme; a área de banho em geral era grande o bastante para mil pessoas, com uma banheira que podia comportar cem. Havia três áreas principais: uma pequena câmara com um banho externo anexado para as concubinas; uma segunda, maior, onde o trio se encontrava agora; e a terceira, a maior de todas, na qual as criadas geralmente só davam mergulhos rápidos.
Com uma população tão densa quanto a do palácio interno, era fácil demais que uma doença se transformasse em epidemia, por isso a higiene era essencial. Aquela casa de banhos fazia parte da manutenção dessa limpeza.
No mundo lá fora, “tomar banho” geralmente significava apenas lavar o corpo. Não se entrava em uma banheira; bastava encher um balde com água e se lavar, ou simplesmente passar um pano úmido pelo corpo. No distrito do prazer onde Maomao cresceu, banhos de imersão eram a norma, mas muitas das mulheres que serviam no palácio interno sequer sabiam como usá-los quando chegavam ao palácio. Encher uma banheira com água quente era um luxo e tanto.
No inverno, esperava-se que as damas da corte tomassem banho uma vez a cada cinco dias; no verão, dia sim, dia não. Lavar a poeira e o odor do corpo fazia parte, pensou Maomao, de tornar a vida no palácio interno mais agradável. Também era uma oportunidade de verificar se alguma concubina estava submetendo as mulheres a castigos físicos. Era muito parecido com o que acontecia na Casa Verdigris, onde a madame mantinha um olhar atento sobre as mulheres para garantir que nenhum cliente as estivesse abusando e danificando a mercadoria.
A própria casa de banhos podia se tornar um foco de disseminação de doenças, mas naquele jardim de mulheres as doenças sexualmente transmissíveis eram raras, e a maioria das habitantes era jovem e saudável, de modo que contaminações graves eram incomuns.
— Eu sabia que a essa hora a gente teria o lugar só para nós! — disse Shisui. Ainda estava claro, e poucas outras damas da corte estavam ali.

— Mas por que a casa de banhos? — perguntou Xiaolan. Ela segurava uma toalha de lavagem nas mãos e usava apenas um avental de banho, que deixava as curvas de seu corpo bem visíveis, ainda que não houvesse muitas delas.
— Você vai descobrir — respondeu Shisui. Ela estava vestida do mesmo jeito. Seu corpo, porém, era impressionantemente desenvolvido, em contraste com o rosto jovem. O busto era grande o bastante para fazer os dedos de Maomao se moverem de forma involuntária. Ao que tudo indicava, Shisui se vestia para disfarçar suas proporções.
A própria Shisui abriu um sorriso largo e pulou dentro da banheira.
— Ei! Tem que se enxaguar antes! Elas vão brigar com você! — gritou Xiaolan.
— Ai! Tá quente! — Shisui gritou, ao mesmo tempo em que arrancava o avental. Sua pele começava a ficar vermelha onde havia mergulhado. Maomao pegou um balde e trouxe água da banheira de água fria.
Xiaolan fungou, irritada.
— Hmph. Você nunca tomou banho a essa hora do dia?
Os eunucos só enchiam as banheiras uma vez por dia, então começavam com água extremamente quente, que aos poucos esfriava até chegar à temperatura ideal. Durante estações quentes como aquela, poucas pessoas tinham vontade de entrar logo depois que as banheiras eram cheias. Mais tarde, porém, ficava lotado, e, por isso, quem quisesse tomar banho mais cedo tinha permissão. Era assim que Maomao e as outras podiam estar ali naquele momento.
— Hee hee. Eu sempre venho um pouco mais tarde — disse Shisui.
Maomao misturou água fria e quente no balde e começou a se molhar. Usou um xampu que havia surrupiado do consultório médico; enquanto ele fazia espuma, molhou os cabelos e passou os dedos com cuidado pelo couro cabeludo.
— Me dá um pouco disso, Maomao! — pediu Shisui, estendendo a mão. Maomao despejou um pouco do xampu na palma dela. Ainda com a cabeça cheia de espuma, Maomao jogou água do balde sobre a cabeça de Xiaolan e lavou seu cabelo também.
— Arde os olhos — reclamou Xiaolan.
— Então fecha eles.
Maomao passou os dedos pelo couro cabeludo de Xiaolan, formando bastante espuma, e depois enxaguou tudo com mais água. Xiaolan sacudiu a cabeça como um cachorro se secando, espalhando espuma no rosto de Maomao.
— Eu não gosto muito de banhos — disse ela.
— Não? Mas é tão gostoso — comentou Shisui.
— Concordo — disse Maomao. Ela procurou um lugar relativamente mais frio na banheira e mergulhou a ponta dos pés. Com receio de que o calor subisse à cabeça, colocou mais água fria no balde e a usou para manter o rosto fresco enquanto se deixava de molho.
Shisui entrou na banheira do mesmo jeito que Maomao, enquanto Xiaolan foi para a de água fria. Provavelmente era mais confortável para ela; vilas agrícolas como a de onde ela vinha raramente tinham o costume de tomar banhos quentes.
Xiaolan apoiou o braço na borda da banheira e olhou para as outras duas.
— E como exatamente isso vai virar algum tipo de “contato”?
— É só olhar ali — disse Shisui, apontando para o banho externo, normalmente reservado às mulheres mais importantes do palácio interno, concubinas e damas de alto escalão. Ele ficava ligado à pequena câmara destinada ao uso exclusivo das concubinas.
— O que tem ali? — perguntou Xiaolan.
Shisui se levantou, segurou Xiaolan pelo braço e a arrastou para fora. Guiou-a até uma plataforma de pedra ao lado do banho externo.
— E-espera aí, a gente pode mesmo ficar aqui? — perguntou Xiaolan, um pouco em pânico. Mas Shisui apenas sorriu, ficou ao lado da plataforma e amarrou uma toalha pequena na cabeça.
Bem, agora… Maomao pensou. Ela já tinha uma boa ideia do que Shisui pretendia. Juntou-se às outras e amarrou uma toalha na cabeça de Xiaolan também. Xiaolan ainda parecia confusa, mas logo duas mulheres se aproximaram.
— Novatas? — perguntou uma delas. Pelo tom altivo, era fácil adivinhar que se tratava de uma concubina.
Shisui apenas sorriu. — Sim, senhora.
Então a concubina se deitou sobre a plataforma de pedra como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo. A outra mulher, evidentemente sua dama de companhia, tirou um frasco de óleo perfumado.
— Com firmeza, por favor — disse a concubina.
— Pode deixar! — respondeu Shisui, pegando o óleo e despejando-o lentamente sobre os ombros da concubina.
— Mmm… um pouco mais à direita — murmurou a mulher, languidamente. A dama de companhia ficou ali ao lado, com ar entediado.
Tenho dúvidas de que ela tenha estado com o Imperador, pensou Maomao, pegando um pouco do óleo e esfregando-o nas pernas e nos pés da mulher, imitando Shisui o melhor que podia. Xiaolan fez o mesmo.
Quando uma mulher havia sido companheira de leito do Imperador, tornava-se alvo de assédio por parte das outras concubinas e damas da corte. Aprendia a ser vigilante, ninguém nessa posição permitiria que uma criada desconhecida lhe fizesse uma massagem. Aquela mulher, porém, estava largada sobre a mesa como um polvo. Tinha a beleza exigida de uma concubina, mas Maomao não pôde deixar de notar que sua pele parecia maltratada; havia marcas onde os pelos finos tinham sido arrancados.
Isso me incomoda demais.
Como poderia não incomodar, tendo Maomao sido criada no distrito do prazer? Impulsivamente, ela voltou para dentro do prédio em busca de algo.
— O que é isso? — perguntou Xiaolan em voz baixa quando ela retornou. Maomao segurava um fio com cerca de sessenta centímetros.
— Você vai ver — disse ela.
Em seguida, puxou conversa com a dama de companhia da concubina. A mulher pareceu um pouco desconfiada, mas ouviu. Depois de um tempo, sentou-se na borda da plataforma de pedra e estendeu o braço. Maomao passou o fio sobre ele; a superfície do fio prendeu os pelos e os arrancou.
— Não dói muito? — perguntou Maomao.
— É bem desconfortável, mas é melhor do que uma lâmina cega.
A outra mulher parecia uma dama de companhia decente. Normalmente, esse tipo de coisa era feito após uma limpeza bem completa, mas elas pareciam já ter tomado banho, então não haveria problema.
— Eu paro se parecer que está irritando sua pele — disse Maomao.
Decidiu começar apenas com um braço. Depois de remover cuidadosamente todos os pelos, cobriu o membro generosamente com óleo perfumado. Era um perfume bom, de fragrância suave, que não agride o nariz.
— Hmm, vamos ver como fica por enquanto. Quando vocês vão estar por aqui de novo? — perguntou a dama de companhia, lançando um olhar à sua senhora, que derretia sobre a mesa de pedra.
— Quando a senhora quiser.
— Que tal depois de amanhã?
Shisui abriu um sorriso com isso. Xiaolan trabalhava nas coxas da mulher, ainda sem entender direito o que estava acontecendo.
Entendi o que ela quer, pensou Maomao. Se não tinham contatos, bastava criá-los. A casa de banhos era um lugar importante, um espaço onde podiam encontrar concubinas das quais normalmente jamais se aproximariam.
Quando a concubina satisfeita e sua acompanhante foram embora, a próxima cliente do serviço de massagens já estava esperando.
Fingir ser atendente da casa de banhos era um trabalho cansativo. Exigia muito esforço massagear o corpo inteiro de alguém. Fazer isso para uma pessoa só não teria sido tão ruim, mas, quando perceberam, havia uma fila.
Mais tarde, descobriram que a mulher que costumava dar massagens ali, havia recentemente chegado ao fim de seu contrato. Uma concubina de médio escalão tinha se afeiçoado a ela, e agora a mulher trabalhava na residência da família dessa concubina.
No mundo exterior, atendentes de casas de banho muitas vezes eram tratadas como prostitutas, mas ali só havia mulheres, então isso não era um problema. Ainda assim, talvez por essa associação, ou talvez simplesmente por ser trabalho braçal, muitas damas da corte não gostavam de fazer aquele serviço. Foi assim que Maomao, Shisui e Xiaolan se tornaram as escolhidas para as massagens. Isso significava ainda mais trabalho, afinal, elas deveriam estar cuidando da lavanderia , mas também trazia benefícios.
— Aqui, fique com isso. Não é muito, mas aceite — disse uma dama de companhia ao sair do banho, passando discretamente um pequeno saquinho de tecido para elas.
Isso não acontecia sempre, claro. Aquela mulher em particular parecia ter apreciado a depilação. Quando espiaram dentro do saquinho, encontraram doces. Os olhos de Xiaolan brilharam, e ela colocou um deles na boca na mesma hora.
— Ahh, que felicidade…
Então bastava algo doce para ela alcançar a felicidade. Que garota sortuda.
As três haviam terminado o trabalho nos banhos e estavam sentadas no corrimão do lado de fora, se refrescando. O sol ainda estava alto no céu; era um pouco cedo para o jantar. Outras mulheres corriam de um lado para o outro, tentando terminar suas tarefas antes do pôr do sol. As responsáveis pela cozinha pareciam especialmente ocupadas.
Maomao era um caso à parte, mas, para Xiaolan e Shisui, a compensação por poderem tomar banho mais cedo era ter mais trabalho depois. Elas aproveitavam alguns momentos preciosos de descanso antes de voltar às obrigações.
— Acho que não é tão fácil assim conseguir contatos — disse Xiaolan, rolando o doce na boca. Talvez tivesse esperado que já estivessem cercadas de ofertas de emprego.
— Ah, não é tão ruim — disse Shisui. — Quando seu contrato estiver prestes a acabar, é só encontrar uma concubina que goste mais ou menos de você e sussurrar no ouvido dela. Diga que seu serviço está chegando ao fim.
— Espero que funcione…
— Mesmo que ela não te contrate pessoalmente, você pode ao menos conseguir uma extensão do contrato. E mesmo que isso não aconteça… — Shisui tirou algo das dobras da roupa: um pente com vários dentes faltando. Apesar do defeito, era uma peça de casco de tartaruga que devia valer um bom dinheiro. — … sempre dá pra transformar algo assim em dinheiro!
— Oh! — Muito esperta, pensou Maomao. Ela não gostava muito de doces e havia dado os seus para Xiaolan. E, falando em esperteza…
A palavra também descrevia a concubina que Maomao serve. Maomao ia à casa de banhos uma vez a cada dois dias e quase sempre estava acompanhada de Shisui e Xiaolan. Muitas mulheres torceriam o nariz para uma criada dar tanta atenção a outras concubinas. A concubina Gyokuyou, porém, apenas disse:
— Ah, é? Em um lugar desses se ouvem muitas coisas interessantes. Conte-me depois o que descobrir. Ela era imperturbável.
E era verdade: concubinas e damas de companhia costumavam falar, sem pensar muito, sobre assuntos de grande interesse quando estavam realmente relaxadas. Talvez não percebessem que Maomao era uma dama de companhia do Pavilhão Jade, ou talvez o vapor dos banhos quentes a deixasse indistinta demais para reconhecer. Seja como for, falavam com ela sobre as situações financeiras de suas famílias, os bastidores envolvendo outras concubinas e diversos segredos.
Havia rumores sobre a própria concubina Gyokuyou. Maomao percebeu que as concubinas mais perspicazes já haviam deduzido há muito tempo que ela estava grávida, e agora as conversas giravam em torno de saber se seria um menino ou uma menina e quando nasceria. Alguns boatos diziam que a concubina Lihua também poderia estar grávida; Maomao se sentiu inquieta ao perceber que as pessoas já pensavam nesse sentido.
Mas havia outros rumores ainda. Como o de que talvez a concubina Loulan estivesse grávida. Desde que ela tinha chegado ao palácio interno, ela era conhecida por suas roupas chamativas, mas recentemente passou a preferir vestes mais largas e evitava sair, o que só alimentava as especulações.
Hmm…
A concubina Loulan tinha chegado no início daquele ano, e já estavam no fim do oitavo mês, entrando no nono. Era impensável que Sua Majestade não tivesse visitado Loulan, uma concubina de alto escalão que chegou com tanto alarde. Se os rumores fossem verdadeiros, isso significaria que três das quatro concubinas de alto escalão estavam grávidas. Uma boa notícia? Ou sinal de problemas? De qualquer forma, era uma perspectiva inquietante.
E ainda havia mais uma história interessante circulando…
— Achei que não era mais permitido fazer eunucos.
Maomao sabia onde Xiaolan queria chegar. Junto das novas damas da corte que haviam sido admitidas recentemente, o número de eunucos também havia aumentado, mas a criação de novos eunucos supostamente tinha sido proibida quando o atual Imperador subiu ao trono.
— São ex-escravos — disse Shisui, com naturalidade. A escravidão também deveria ter sido abolida; aqueles homens provavelmente não haviam sido escravizados no país de Maomao. Entre algumas tribos, havia o costume de capturar pessoas das nações vizinhas, castrá-las e torná-las escravas. Os recém-chegados deviam ter fugido ou sido resgatados.
— Dizem que são trinta. Com um número desses, deve ter havido uma ofensiva bem séria contra as tribos.
Quando escravos escapavam, geralmente havia algo assim por trás. Maomao se lembrou de que, no ano anterior, tinha ocorrido algum problema envolvendo uma expedição desse tipo; talvez os homens tivessem sido resgatados naquela ocasião. Shisui podia parecer jovem e ter uma estranha obsessão por insetos, mas era surpreendentemente bem informada.
— Que situação horrível — comentou Xiaolan.
— Pois é — respondeu Shisui. Falavam como se aquilo pouco lhes dissesse respeito. E, de fato, pouco dizia.
Então Xiaolan disse:
— Sabe, dizem que um dos eunucos é incrivelmente bonito. Eu adoraria dar uma olhada nele.
Aquilo soou familiar demais para Maomao, que franziu a testa.
— Estamos falando de um eunuco, lembre-se. Ainda assim, você se interessa? — perguntou Shisui.
— Mas bonito é bonito, né? Ah! Talvez ele seja designado para trazer a água dos banhos! — Os olhos de Xiaolan brilhavam intensamente. Evidentemente, não importava para ela se aquele homem possuía ou não o que muitos consideravam essencial. Ela ainda era muito jovem. — Eu continuo interessada — acrescentou. — Mesmo que ele não seja tão incrível quanto o Mestre Jinshi.
Maomao quase caiu do corrimão onde estava apoiada.
— Você está bem? — perguntou Xiaolan, inclinando-se para olhá-la. Maomao sacudiu a saia e se endireitou, fingindo que não era nada.
— Pensando bem, Maomao, você e o Mestre Jinshi estão sempre…
— fazendo serviços para a concubina, sim — interrompeu Maomao com firmeza, como se quisesse dizer: nada mais, nada menos.
Inconscientemente, passou a mão esquerda pela saia. Era como se ainda sentisse o sapo que tinha agarrado por engano. Isso, o sapo. O sapo, repetia para si mesma, tentando se acalmar.
Ela ainda não tinha visto Jinshi desde o retorno da expedição de caça. Ela presumiu que ele logo apareceria no Pavilhão Jade em suas rondas habituais, e não estava exatamente ansiosa por isso. Continuava repetindo o sapo, o sapo para si mesma, com a intensidade de um monge recitando um sutra, quando dois rostos familiares entraram na casa de banhos: uma jovem de aparência insegura e uma dama do palácio que a acompanhava. A jovem tinha um rosto bonito, mas naquele momento sua testa estava franzida de angústia.
Aquela é… a concubina Lishu?
Sim, e a chefe das suas damas de companhia. Maomao as observou, perguntando-se o que estariam fazendo ali.
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