Diários de uma Apotecária Japonesa

Tradução: Kessel

Revisão: noelletokito


Volume 3

Capítulo 9: A Clínica

Sempre havia muitas histórias sombrias circulando pelo mundo, pensou Maomao enquanto se sentava em uma caixa de madeira atrás da área da lavanderia.

Xiaolan não viria hoje, e não haveria muito o que Maomao fazer se tivesse voltado para o Pavilhão de Jade, então ela estava passando o tempo ali. O "instituto de estudos práticos" estava começando a engrenar, e Xiaolan estava entre aquelas que entraram para a história como suas primeiras alunas.

Maomao considerou ir ao consultório médico para ganhar alguns petiscos do médico charlatão, mas mudou de ideia. Ele estava ocupado desde a recente confusão.

A confusão em questão tinha a ver com o assunto do óleo de perfume. A visita das emissárias especiais quase tinha feito com que ela esquecesse disso, mas o caso ainda não tinha sido totalmente resolvido. Como parte da investigação, Jinshi tinha percorrido todas as várias concubinas e descoberto que suas damas de companhia tinham comprado grandes  quantidades de perfume.

É difícil culpá-las, pensou Maomao. Era uma mercadoria que tinha vindo de uma terra distante através dos desertos, oceanos e montanhas. Praticamente calculada para inflamar o fascínio de um bando de mulheres jovens que viviam como pássaros em uma gaiola. Maomao não podia fingir que era diferente: se ela tivesse se deparado com uma barraca cheia de remédios exóticos do oeste, teria pedido dinheiro emprestado à própria velha madame para comprar alguns.

Nem todos os perfumes eram perigosos, mas eles não podiam deixar por aí os que eram, mesmo em pequenas quantidades. Então, embora parecesse um desperdício, o perfume tinha sido descartado. Havia muito disponível, é verdade que nenhum frasco continha muita coisa, mas, se fossem colocados todos juntos, poderiam formar um veneno bastante potente.

A questão, então, passou a ser: quem tinha trazido eles para cá?

Não posso garantir nada sobre os perfumes e as especiarias, mas... Ela sabia que os mercadores tinham trazido roupas adequadas para uma gestante para as concubinas de alto escalão. Era possível que um dos objetivos das emissárias ao vir para cá tivesse sido cavar seu caminho até o harém das concubinas. Isso parecia improvável como objetivo principal da nação delas, mas a emissária arrogante certamente tinha parecido acreditar que era capaz disso. Infelizmente para ela, seu orgulho tinha sido deixado em frangalhos, Maomao tinha ouvido que, após o banquete, ela passou a falar menos até mesmo nas reuniões.

Era possível que o perfume também fosse obra delas, mas não se devia tirar conclusões precipitadas. Atualmente, havia quatro concubinas de alto escalão no palácio interno: Gyokuyou, Lihua, Lishu e Loulan. Gyokuyou detinha a maior parte do afeto do Imperador, seguida talvez por Lihua. Dizia-se que várias das concubinas de médio escalão também tinham sido companheiras de cama de Sua Majestade. Quanto às concubinas de baixo escalão, o boato era de que Sua Majestade não as dava muita atenção, até pouco tempo atrás, elas tinham sido mantidas na linha pelo ciúme de uma das outras concubinas.

Mas Loulan parecia ser a concubina a quem Sua Majestade tinha que prestar mais atenção, dado o quão poderoso seu pai era.

Hmm... Maomao pegou um graveto e desenhou uma orquídea, o “lan de Loulan, na terra.

Em termos de pais poderosos, Lihua vinha em seguida, embora isso fosse apenas porque eram parentes maternos do Imperador, a família nunca tinha subido tanto assim no mundo. Maomao desenhou uma fruta após a orquídea, pois Lihua significava "flor de pêra".

Na verdade, era a família de Lishu que estava em ascensão nas últimas gerações, tão ambiciosa que tinha oferecido sua filha jovem como esposa para o imperador anterior. O “shu” de Lishu significava "árvore", então foi isso que Maomao desenhou em seguida em sua fileira de símbolos.

A família de Gyokuyou ficava em um entroncamento comercial no oeste. Eles pareciam ganhar uma boa quantia de dinheiro com o comércio, mas estavam perto da fronteira e, na verdade, pagavam muito do que ganhavam em impostos para sustentar a defesa nacional. Além disso, a terra não era boa para a agricultura, então o lugar não era particularmente abundante.

A última imagem que Maomao desenhou foi uma folha, para Gyokuyou, "a folha de joia".

Houve uma tentativa de envenenamento em um dos banquetes da festa no jardim realizada no ano anterior, causada por uma das damas de companhia da antiga concubina Ah-Duo, agindo por iniciativa própria. O motivo não tinha nada a ver com a tomada do poder, mas sim com algo profundamente humano. Maomao entendia isso, mas se perguntava quem tinha estado por trás da tentativa anterior de envenenamento da concubina Gyokuyou.

Havia uma boa chance de que tivesse sido a concubina de médio escalão, o tema do recente incidente dos cogumelos. Mas onde ela tinha aprendido sobre aquele tipo de veneno? Eles utilizavam louças de prata, então provavelmente não era à base de arsênio.

O resultado foi que a concubina Gyokuyou reduziu sua equipe de damas de companhia pela metade; a mulher que tinha sido envenenada no lugar da concubina ainda sofria com as sequelas.

Tudo aquilo fazia Maomao se sentir um pouco enjoada. Ela reconhecia a sensação. Fazia com que pensasse em Suirei, uma mulher do palácio que tinha tido os meios para forjar a própria morte para escapar. Eles ainda não sabiam exatamente onde ela estava ou o que tinha acontecido com ela. Tampouco sabiam qual tinha sido o objetivo dela. E o porquê dela ter alvejado Jinshi.

Maomao desenhou distraidamente círculos ao redor de seus quatro esboços. Então, desistiu completamente de pensar nisso. Que bem isso me faria? Ela era apenas uma dama de companhia. Uma provadora de alimentos, um peão descartável.

Ela decidiu que precisava de uma mudança de ares. Havia muitos jardins no palácio interno, montados para deleitar o Imperador. Havia pinhais, florestas de bambu e pomares de frutas.

Acho que a temporada de cerejeiras está quase no fim, pensou ela. Três meses atrás, ela talvez pudesse ter conseguido alguns brotos de bambu, mas, graças a um certo idiota de monóculo, tinha passado aquela estação cuidando de rosas no Pavilhão de Cristal. Só de pensar nele, seus pelos se arrepiaram.

Ah, pare! Tenho que parar com isso. Seus passos ficaram mais leves só de pensar em fazer uma pequena caminhada, mas, no caminho para o pomar de cerejeiras, ela por acaso cruzou o olhar com algumas mulheres do Pavilhão de Cristal. Ela as reconheceu, então fez uma pequena reverência; elas franziram os rostos e saíram correndo. Uma delas tinha pés minúsculos, sugerindo que tinham sido enfaixados, mas ela mostrou uma velocidade notável, deixando Maomao honestamente admirada.

Rainhas do drama. Tudo o que eu fiz foi arrancar as roupas delas.

Acontecia o tempo todo nos bordéis: bastava uma mulher com um pouco de experiência de vida bater à porta no distrito do prazer para que estivessem despindo-a e avaliando seu valor. As pessoas sempre acham que as mulheres mais jovens alcançam os preços mais altos, mas a tendência hoje em dia é valorizar o conhecimento em vez da juventude. A esposa de um oficial, caída em desgraça, podia render uma quantia surpreendentemente. O fato dela já ter recebido alguma educação significava que o investimento inicial seria baixo, e havia homens por aí que, na verdade, gostavam de uma mulher que já tivesse sido esposa de alguém, uma preferência de gosto duvidoso.

Não foi como se Maomao tivesse agarrado os vestidos das damas por pura malícia. Ela apenas presumiu que todas as damas do Pavilhão de Cristal, consumidoras vorazes de moda como eram, tivessem comprado o óleo de perfume, e quando descobriu que algumas delas não  tinham, ficou tão surpresa que se sentiu compelida a verificar. Mas isso só lhe rendeu uma bronca de um belo eunuco.

É, acho que não deveria me surpreender se pelo menos uma delas tivesse dispensado o perfume. Havia muitas mulheres no Pavilhão de Cristal, incluindo nada menos que dez damas de companhia e nada menos que trinta criadas dedicadas ao prédio. Maomao não pensou mais no assunto e seguiu em frente para colher algumas cerejas.

Naquela noite, as damas de companhia do Pavilhão de Jade estavam jantando cedo.

— Estou me sentindo um pouco cansada hoje — disse Ailan, quase debruçada sobre a mesa. Maomao colocou a mão na testa dela e descobriu que ela estava, de fato, um pouco febril.

— Não vá pegar um resfriado! E se a Lady Gyokuyou pegar também? — Yinghua perguntou enquanto pegava outra cereja. Ela se perguntava de onde elas tinham vindo, mas como gostava de cerejas, decidiu não investigar muito a fundo. As cerejas eram, é claro, um segredo para Hongniang.

— Eu fui cuidadosa! — Ailan disse, agora parecendo tão irritada quanto cansada.

Maomao estava prestes a ir para o seu quarto preparar um remédio para o resfriado quando Yinghua a deteve. — Desculpe o incômodo, mas se você vai preparar algum remédio, acha que poderia levá-la à clínica depois?

— À clínica? — Maomao perguntou, confusa. Ela se referia ao consultório médico? Levá-la até lá parecia que só serviria para deixá-la mais cansada.

Yinghua deve ter adivinhado o que Maomao estava pensando, pois balançou a cabeça. — Não é o consultório médico. É... hmm. Não tem médico lá, mas tem outra pessoa para cuidar das pessoas. De qualquer forma, a Ailan sabe onde fica. Apenas vá com ela.

Maomao assentiu.

A clínica, o que quer que isso significasse, ficava no quarteirão norte do palácio interno. Atrás de algumas instalações de lavanderia havia um prédio separado, ocupado por mulheres do palácio em trajes brancos.

Ah, sim. Acho que eu tinha uma vaga noção da existência deste lugar.

Maomao passou bastante tempo perambulando pelos bosques e matas do quarteirão norte, mas raramente entrou em algum dos edifícios. Ailan sorriu para ela, tossindo enquanto dizia: — Tenho certeza de que mencionaram isso quando você chegou aqui. Você não se lembra?

Infelizmente, Maomao foi arrastada para cá contra a sua vontade e não prestou muita atenção ao que lhe diziam. Deram-lhe algum tipo de sermão no caminho, mas ela tinha certeza de que devia estar mais interessada na artemísia que crescia à beira da estrada ou algo assim. Era assim que ela era.

A lavanderia próxima estava movimentada, com mulheres do palácio lavando roupa. Pareciam estar usando algum tipo de tecido.

Faz sentido, pensou Maomao. O fácil acesso à lavanderia significava que roupas e lençois poderiam ser lavados rapidamente. Uma boa localização para um posto médico onde a limpeza era fundamental.

— Com licença. Parece que peguei um resfriado — disse Ailan a uma das mulheres. A mulher, que parecia ocupada, lançou-lhe um olhar rápido e desconfiado, mas logo pousou a cesta de roupa suja e colocou a mão na testa de Ailan.

— Febre leve. Mostre a língua. — A voz da mulher era carregada de experiência e idade, suas bochechas profundamente enrugadas. Ela era de meia-idade, algo raro no palácio interno. Ela olhou para a língua de Ailan com os olhos semicerrados e, em seguida, puxou as pálpebras inferiores para baixo. Parecia muito mais experiente nisso do que o charlatão.

— Hum — disse ela. — Não parece tão ruim. Tente não se esforçar demais por dois ou três dias e você ficará bem. Como gostaria de lidar com isso? — O diagnóstico da mulher estava correto.

— Preciso evitar passar a gripe para a concubina. Você me deixaria ficar aqui? Só por precaução.

— Hum — disse a mulher novamente. Então, pegou sua cesta e entrou na clínica, onde a colocou no chão e fez um gesto para que se aproximassem.

Por dentro, a clínica era austera e despojada, mas não de uma forma elegante. As colunas não tinham decoração e os corredores ostentavam apenas pisos de madeira. As janelas consistiam em nada mais do que buracos quadrados.

Toda essa simplicidade tinha uma vantagem óbvia: quanto menos elaborado o lugar, mais fácil seria limpá-lo. As muitas janelas deixavam entrar bastante ar. Parecia um lugar muito agradável para passar a próxima estação.

Uma coisa que Maomao não notou na clínica foi o cheiro característico de remédio; em vez disso, sentiu um forte odor de álcool.

Ailan franzia a testa. Aparentemente, ela não gostava do cheiro, e era por isso que não queria ter vindo. Maomao, no entanto, estava impressionada; para ela, o odor indicava que o lugar era mantido impecavelmente limpo. Um álcool forte podia eliminar toxinas dentro e ao redor de feridas, e todos sabiam que colocar um pouco na boca e cuspir era um método de esterilização. Maomao sempre se perguntou como o palácio interno evitava surtos de doenças sem ninguém além daquele charlatão para cuidar dele, isso explicava tudo.

— Certo, avise a todos que eu volto amanhã — disse Ailan.

— Tudo bem — disse Maomao.

A mulher de meia-idade deu a Ailan uma etiqueta de madeira com um número e ela se dirigiu à sala com aquele número. Maomao olhou ao redor da clínica com grande interesse até que se viu agarrada pela nuca. Foi da mesma forma que agarravam o gatinho no consultório médico.

— Hora de você voltar ao trabalho. Não pense que pode relaxar só porque teve que trazer sua amiga aqui.

Maomao não respondeu.

— O que é isso? — disse a mulher de meia-idade, sorrindo. — Você disse que vai ficar e lavar toda a roupa aqui?

Maomao balançou a cabeça vigorosamente. No fim, não lhe restou outra opção senão voltar ao Pavilhão de Jade. Ela não conseguiria vencer aquelas mulheres mais velhas. A madame lhe ensinou isso.

[Kessel: Quem nunca tentou fugir do trabalho dessa forma que atire a primeira pedra…]

Maomao voltou trotando para o Pavilhão de Jade. Ela queria muito ver mais da clínica, mas obviamente não ia ser possível. Enquanto caminhava, mulheres com cestos de roupa suja passavam apressadas por ela. Nessa época do ano, chovia de vez em quando, então as mulheres estavam ocupadas lavando o máximo de roupa possível sempre que havia uma brecha nas nuvens. Pensando bem, Maomao percebeu que também precisaria ir buscar a roupa lavada mais tarde.

Ainda sim, não deixei de notar…

A mulher que a expulsou da clínica não era a única senhora mais velha ali; todas as mulheres que ela via eram relativamente idosas. Como o palácio interno era como era, à medida que envelheciam, as mulheres eram praticamente expulsas e substituídas. Em geral, era de se esperar que uma mulher fosse demitida antes dos trinta anos; qualquer uma que permanecesse lá depois disso devia ocupar uma posição superior, como a Matrona das Servas, ou então ser dama de companhia de uma das concubinas. Hongniang, por exemplo, deveria ter sido expulsa do palácio há muito tempo, embora dizer isso em voz alta fosse o mesmo que levar um tapa.

A julgar pela destreza das mulheres da clínica em seu trabalho, Maomao imaginou que tivessem permissão para permanecer ali por desempenharem uma função vital no palácio interno. Ela se perguntou, porém, por que o lugar não cheirava a remédio. Teria o cheiro de álcool simplesmente sobreposto ao remédio? Ou...

Maomao caminhava, acariciando o queixo pensativa, quando esbarrou em algo com um baque! Pensou que talvez tivesse batido em uma coluna, até perceber que um semblante como o de uma ninfa celestial brilhava acima dela como o sol.

— Você não deve andar por aí resmungando sozinha. Você vai tropeçar.

— Eu estava resmungando?

Jinshi soltou um suspiro, abrindo os braços e balançando a cabeça. A clara demonstração de exasperação irritou Maomao, e ela estava prestes a lançar-lhe um olhar como se ele fosse uma minhoca boiando numa poça quando viu Gaoshun, com o rosto sereno como o de um Bodisatva. Ela conseguiu forçar os olhos semicerrados a se abrirem.

[Kessel: Vocês devem se lembrar da Maomao usando esse termo budista para descrever o Gaoshun, né? Lembro que expliquei sobre ele em algum capítulo anterior. Aparentemente ela adora fazer essa comparação!] 

— O senhor precisa de algo? — disse ela.

— Não, nada. Nós apenas nos encontramos por acaso e eu falei com você. Isso foi errado? — Jinshi pareceu um pouco surpreso. Gaoshun parecia estar tentando lhe dizer algo em silêncio, mas ela lamentou muito não saber o quê.

— De onde você veio? — perguntou Jinshi, com os ombros um pouco caídos.

— Da clínica. Então era lá.

— Eu pedi às damas do palácio que lhe mostrassem quando chegasse. Certamente elas não se esqueceram?

— Certamente que não — Maomao, percebendo a expressão incomumente séria no rosto de Jinshi, se perguntou o que deveria fazer. O eunuco não estava passando por uma crise de confiança em relação ao seu trabalho, estava? Ele sempre parecia tão seguro de si.

Jinshi os guiou até uma rua lateral tranquila. Considerando que, simplesmente por estar ali, o belo eunuco conseguia atrair uma multidão suficiente para atrapalhar seu trabalho, provavelmente era uma escolha sábia.

— Fiquei impressionada com a eficiência do lugar — disse Maomao. — Para ser sincera, acho que poderíamos transformar aquilo em um consultório médico. — Hum, mas, por outro lado, se fizessem isso, o médico perderia a cabeça e Maomao perderia um lugar conveniente para relaxar. Ela estava prestes a se corrigir quando percebeu que as sobrancelhas de Jinshi estavam franzidas novamente.

— Transformá-lo em um consultório médico? Sim, a vida seria muito mais fácil se pudéssemos fazer isso.

— O que o senhor quer dizer?

— Só homens podem ser médicos de verdade — explicou Gaoshun. — E só médicos podem preparar remédios ou prestar cuidados para algo mais sério do que um arranhão.

Então é isso, pensou Maomao. Ela percebeu agora por que a clínica não tinha cheiro de remédio.

Isso implicava, porém, um problema específico. — Onde eu estou nisso? — disse ela. Ela preparava quantos remédios quisesse. Claro que não podia trazer ingredientes de fora do palácio, mas podia usar a grande variedade de ervas que cresciam nos jardins do palácio e os produtos disponíveis no consultório médico.

— Estamos fazendo vista grossa. Há várias damas de companhia com algum conhecimento em medicina, mas num lugar como aquele, as drogas seriam óbvias demais. Não podemos mantê-las lá.

O tom de Jinshi sugeria que havia uma história complicada por trás disso. Talvez envolvesse as minúcias de várias regras e regulamentos, como o funcionamento dos salários das mulheres do palácio. Maomao não sabia; não era algo que lhe interessasse.

Assim, medicamentos adequados foram negados à clínica, mas eles conseguiam se virar usando álcool como desinfetante. Um lugar limpo e silencioso já era suficiente para ajudar a combater muitas doenças. Se uma mulher parecesse estar em estado particularmente grave, também seria possível mandá-la de volta para casa.

Que trabalheira, pensou Maomao. A única coisa ainda mais difícil seria substituir um sistema já estabelecido. Havia muita gente por aí interessada em não causar problemas.

— Eu gostaria que houvesse outras maneiras de reforçar a equipe médica. Podemos precisar disso um dia — disse Jinshi. Ele não podia repreender Maomao; ele não tinha moral para isso. Parecia que ele estava falando com ela, mas, na verdade, estava falando consigo mesmo. — Precisaremos de um jeito quando não houver mais eunucos.

Eunucos, hein...

Os eunucos representavam quase um terço da população do palácio interno. Eram muito mais difíceis de substituir do que as mulheres, então sua idade média era relativamente avançada.

Nada de eunucos jovens refletiu Maomao. A cirurgia para transformar um homem em eunuco havia sido proibida alguns anos antes, depois que o atual Imperador ascendeu ao trono. Maomao não sabia quando Jinshi havia se tornado um eunuco, mas, a julgar por sua idade, devia ter sido pouco antes da proibição do procedimento.

Que azar. Se ao menos ele pudesse ter esperado um pouco mais.

Sem perceber, ela baixou o olhar, lançando um olhar entre as pernas de Jinshi, e então juntou as mãos delicadamente. Ela ergueu o olhar lentamente e se viu encontrando o olhar de Jinshi. Seu rosto mostrava uma gama de emoções conflitantes. Ele olhou para Maomao, com a boca entreaberta.

Droga. Eu não disse isso em voz alta, disse? Maomao levou a mão à boca e desviou o olhar, e desta vez se viu olhando para Gaoshun. Ele continuava com uma expressão beatífica, mas ela achou que ele estava olhando para Jinshi com o mesmo sorriso de pena que ela.

Lentamente, Gaoshun balançou a cabeça. — Mestre Jinshi, temos assuntos a tratar — insistiu ele.

— Tudo bem — Ele olhou para Maomao. — Se puder, avise que passarei no Pavilhão de Jade mais tarde. — Então, ele se afastou, elegante como sempre. Maomao finalmente tirou a mão da boca.

Eu provavelmente conseguiria um bom dinheiro se encontrasse um remédio que  fizesse aquilo crescer de novo. Era, digamos, um pensamento extremamente impróprio. Mas se ela conseguisse, o negócio faria um sucesso estrondoso.

[Kessel: É... errada ela não está. kkkkkkkkk]


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