Diários de uma Apotecária Japonesa

Tradução: Kessel

Revisão: noelletokito


Volume 3

Capítulo 7: Espelhos

Numa tarde quente, Maomao foi informada de que um objeto estranho vindo de uma terra estrangeira havia chegado ao Pavilhão de Jade e que ela deveria ir vê-lo. Ao chegar à sala principal, encontrou um grande espelho de corpo inteiro. A Concubina Gyokuyou estava em pé diante dele, segurando alegremente as roupas que havia comprado na caravana. Hongniang dobrava cuidadosamente o pano que envolvia o espelho.

Podia até parecer exagero fazer tanto alarde por causa de um espelho, mesmo ele sendo de corpo inteiro, mas quando Maomao o viu, ficou surpresa, e não apenas com o tamanho.

— Isso é algo que não se vê todos os dias — pensou ela. Normalmente, os espelhos eram feitos de bronze, como a chapa de metal polida que Maomao usava. Este espelho, porém, não era de metal e refletia a imagem de Gyokuyou com muito mais clareza do que qualquer superfície de bronze.

Hehe. Eu me pergunto se você sabe do que é feito disse Gyokuyou.

Talvez vidro, minha senhora?

Gyokuyou fez um biquinho. Evidentemente, ela havia acertado.

Yinghua e Guiyuan estavam em êxtase:

Meu Deus! Realmente parece que há duas de você aí parada, Lady Gyokuyou!

Sim, é incrível!

Nós tínhamos um espelho antes, mas a Yinghua o quebrou.

Ah, não toque nesse assunto!

Espelhos de vidro não eram algo comum, embora também não fosse algo inédito. Sua fabricação era um feito extremamente difícil, e os únicos exemplares eram aqueles trazidos do oeste, o que os tornava absurdamente caros. Uma dama de companhia que quebrasse um poderia muito bem esperar perder a cabeça. Foi a grande sorte de Yinghua que a Concubina Gyokuyou fosse tão bondosa quanto era.

Olhando para o novo tesouro, Maomao começou a entender a empolgação. Um espelho de bronze inevitavelmente turvava as cores, mas este espelho era diferente. O vidro havia sido esticado de forma longa e fina, mas não havia imperfeições na superfície; o reflexo era perfeito.

Yinghua deu um sorriso presunçoso quando viu Maomao olhando fixamente para o espelho. — Então isso despertou até o seu interesse, Maomao.

— Sim. Como você acha que eles produzem um material como este? Se conseguíssemos descobrir, aposto que daria para vender por uma pequena fortuna.

— Er... Sim, claro — disse Yinghua, dando tapinhas encorajadores no ombro de Maomao. Talvez ela estivesse esperando uma avaliação sob outra perspectiva.

— Foi um presente de Sua Majestade? — Maomao perguntou.

— Não, da embaixada que está nos visitando — disse Gyokuyou, passando as roupas para Guiyuan e sentando-se em seu divã.

— Embaixada, senhora? — Pensando bem, o médico havia mencionado algo assim casualmente. Ele disse que a caravana recente tinha sido especialmente grande em parte porque estava preparando o terreno para receber esses visitantes.

— Isso mesmo. Eles deram espelhos para as outras concubinas também. — Yinghua parecia claramente incomodada. Hongniang a repreendeu para que falasse com mais polidez, mas em seu coração ela devia se sentir da mesma forma.

Em princípio, Gyokuyou tinha exatamente a mesma posição que as outras três concubinas de alto escalão, então a missão diplomática seria obrigada a tratar todas com igualdade. Ainda assim, trazer presentes tão valiosos deve ter exigido um esforço considerável, pensou Maomao. Fosse viajando pelas areias ou pelo mar, o vidro era fácil de quebrar. Teria que ser tratado com muito cuidado para evitar qualquer impacto que pudesse despedaçá-lo.

Olhando para o espelho, Maomao pensou: se os visitantes estavam dando presentes tão requintados até para as concubinas, eles devem estar querendo fechar um grande acordo comercial ou algo do tipo. O que será que eles querem?

Foi logo no dia seguinte que Gaoshun a procurou em busca de conselho.

— O que está acontecendo? — Maomao perguntou enquanto servia o chá. Hongniang, a dama de companhia chefe, também estava na sala com eles; ela presumivelmente sentia que nenhum homem, nem mesmo um eunuco, deveria ficar sozinho com uma mulher do palácio.

No momento, ela encarava Gaoshun com uma expressão de cansaço. Agora em seus trinta anos, Hongniang provavelmente tinha esperado conquistar esse homem diligente e decente para si, mas quando soube recentemente que ele já tinha esposa e filhos, perdeu prontamente todo o interesse nele. (Longe dela querer ser amante de alguém.) Hongniang era uma dama de companhia chefe tão competente que provavelmente não esperava se casar tão cedo, de qualquer forma.

Gaoshun, por sua vez, parecia não se incomodar com o fato de Hongniang estar ali, levando Maomao a supor que o assunto não era de grande importância.

— Eu esperava obter a sua opinião sobre algo, Xiaomao — disse ele. De acordo com Gaoshun, isso tinha a ver com um pedido que ele recebeu de um conhecido; a visita de hoje não tinha nada a ver com Jinshi. Esta não era a primeira vez que um amigo de Gaoshun buscava a ajuda dele, houve aquele caso de intoxicação alimentar. Talvez isso estivesse relacionado.

— Se você acha que eu posso ser útil — disse Maomao, e sentou-se em uma cadeira.

Hongniang preparou o chá para Maomao educadamente. Seu longo tempo de serviço lhe deu o dom de fazer um chá delicioso, mas ela deu um fora em Maomao uma vez por dizer isso. Parecia que ela detestava qualquer comentário que a lembrasse de sua idade, um fato do qual Maomao fez uma cuidadosa nota mental.

— Muito bem — disse Gaoshun, e começou.

○●○

Certa família ilustre tinha duas filhas. Elas tinham idades próximas e aparências semelhantes, e seus pais mimavam ambas, a ponto de serem superprotetores. Quando as jovens atingiram a idade de casar, seus pais se recusaram categoricamente a deixá-las sair de casa sozinhas. Em vez disso, eram mantidas dentro de casa o dia todo e, mesmo assim, havia sempre damas de companhia vigiando as duas.

As damas de companhia sentiram pena das jovens, talvez o tratamento lhes parecesse cruel, e frequentemente ajudavam as garotas a sair escondidas de casa quando os pais não estavam olhando. Mas isso não durou muito, e quando foram descobertas, foram colocados guardas do lado de fora do quarto das meninas também. Talvez tenha sido isso que levou as filhas, que sempre foram um tanto retraídas, a passar o dia todo, todos os dias, em seu passatempo preferido de bordado. Elas não falavam com nenhum homem além do pai, e os guardas designados para vigiar o quarto nunca deveriam estar a menos de cinquenta metros da residência das meninas. À noite, o pai trancava o prédio para garantir que elas não pudessem sair.

Depois de bastante tempo, algo incrível aconteceu: uma das meninas, a irmã mais nova, foi descoberta grávida. Seu pai ficou furioso: como isso poderia ser possível, ele queria saber, se ela nunca sequer tinha tocado em um homem? Sua mãe lamentava que isso tivesse acontecido com sua filha ainda solteira. Apenas a outra irmã, a mais velha, ficou do lado da garota. Ela disse algo quase tão incrível quanto o próprio evento:

— Um dos imortais eremitas a engravidou.

Seus pais ficaram novamente indignados; a história dela era evidentemente absurda. Ainda sim, eles não podiam negar que os guardas tinham executado seu trabalho impecavelmente; enquanto isso, a mãe e o pai tinham demitido todas as antigas damas de companhia que ajudaram as jovens a sair de casa e as substituíram por novas, que eram impedidas de ter contato com as jovens tanto quanto possível para não desenvolverem simpatia por elas.

Seus pais estavam desconcertados, pois de fato parecia que apenas o uso da magia poderia ter feito com que alguém entrasse naquele edifício.

○●○

— Essa é realmente uma história estranha — disse Maomao, bebericando seu chá. A convite de Gaoshun, Hongniang também havia se sentado e estava dividindo os lanches. Ela cortou um grande bolo lunar que estava recheado com pasta de nozes. Ela também estava obviamente interessada na história, pois estava exclamando “Que terrível!” quando foi revelado que a garota estava grávida.

— Meu conhecido estava desesperado e me perguntou o que eu achava que ele deveria fazer.

— Eu entendo como isso é uma situação problemática, mas não posso evitar pensar que não é exatamente a minha área — disse Maomao, e ela falava sério. — A menos que talvez você esteja me perguntando se existem casos de uma mulher ficar grávida sem a intervenção de um homem.

— Existem tais casos?

— Não, nenhum em que a mulher estivesse de fato esperando um filho. No entanto, às vezes o corpo pode se comportar como se estivesse em gestação, mesmo quando não está.

O corpo humano é uma coisa misteriosa, e uma crença persistente pode, ocasionalmente, fazer com que sintomas apareçam na ausência de uma causa física. Suponha que alguém odeie ir trabalhar e deseje poder ficar em casa, conforme a hora de ir para o trabalho se aproxima, a pessoa pode descobrir que seu estômago começa a doer. Maomao conhecia uma jovem cortesã que disse estar grávida do filho do homem que amava e mostrou os sinais de início de gravidez, mas era uma ilusão nascida de sua própria convicção. O pai de Maomao disse a ela que não era apenas com pessoas, às vezes acontecia até com animais.

A expressão de Gaoshun tornou-se cada vez mais indecifrável à medida em que Maomao explicava tudo.

Finalmente Maomao perguntou: — A jovem estava, de fato, grávida?

— Sim, suponho que sim — ele respondeu. Ela estranhou seu tom um tanto evasivo, mas decidiu ignorar por enquanto.

— Nesse caso, de que maneira as mulheres eram vigiadas? — Se houvesse a mínima possibilidade de a jovem ter escapado da observação dos guardas, a discussão poderia terminar ali.

Gaoshun tirou um pedaço de papel das dobras de suas vestes. Era um plano simples da casa que parecia que ele tinha mandado preparar especificamente para mostrar a Maomao. O anexo das meninas era representado por um quadrado básico conectado à casa principal por uma galeria coberta no lado oeste. Ao norte e ao leste, um muro cercava a mansão, enquanto ao sul havia um jardim.

— O que elas faziam quando tinham que usar o banheiro?

— Havia instalações no edifício delas.

Banheiros geralmente ficavam bem longe de onde as pessoas viviam. Maomao pôde apenas sorrir amargamente ao perceber o quão desesperados os pais deviam estar para impedir que suas filhas saíssem.

— Se elas estavam sendo guardadas pelo lado de fora, devia haver uma janela. Onde ficava?

— O prédio tinha apenas uma única entrada, no lado oeste. Mas tinha duas janelas, uma na parede leste e outra na parede sul. Não havia outras formas de entrar ou sair. — Gaoshun pegou um kit de escrita portátil e desenhou alguns círculos para marcar onde as janelas ficavam.

— Os guardas estavam posicionados por aqui, então? — Maomao apontou para o prédio principal. Havia poucos lugares de onde as janelas do prédio das irmãs seriam visíveis. Muito provavelmente os guardas tinham sido posicionados em pontos de observação elevados para serem capazes de ver dentro da estrutura separada.

Gaoshun pareceu confirmar as suspeitas dela ao adicionar mais duas marcas, desta vez em formato de X. Ele acrescentou, no entanto, que o guarda ao sul estava no terceiro andar do prédio principal, enquanto o que estava ao leste ficava no primeiro andar. O muro no lado leste deixava muitos pontos cegos, fazendo do primeiro andar o único lugar de onde o quarto era visível.

Maomao traçou caminhos entre os Xs e Os com os dedos. — A vista desta janela é bastante limitada — ela comentou.

— Sim. Mas haviam mulheres que frequentemente passavam tardes inteiras sentadas junto a elas fazendo bordado.

Sem oportunidades reais de entretenimento, elas se lançavam ao seu passatempo, e era melhor fazê-lo perto da janela em vez de ter uma luminária acesa no meio do dia. Mais fácil para os guardas também.

Hmm. Maomao refletiu sobre o assunto. Ela deu uma olhada furtiva para Gaoshun, ele parecia impassível, mas ela não conseguia afastar a sensação de que ele estava evitando seus olhos. Isso, ela suspeitava, estava relacionado a uma característica da história que a incomodava. A dama de companhia chefe sentada com eles parecia ter notado isso também.

— É uma escolha estranha de passatempo, bordado — disse Hongniang. Ela, ao contrário de Maomao, tinha sido criada na alta sociedade.

— Sim, a família descende de uma linhagem de pastores.

Foi impressão de Maomao, ou Gaoshun não pareceu muito natural ao dizer isso? Era como se ele estivesse recitando um roteiro preparado.

— Entendo — disse Hongniang. Entre alguns grupos minoritários, padrões específicos de bordado podiam ter um significado especial. Nesse caso, seria um passatempo menos intrigante.

Mesmo assim, algo ainda incomodava Maomao. Ela olhou de novo, mais de perto, para a planta do complexo. Ela incluía os cômodos da casa, e parecia que as duas janelas do anexo, sul e leste, ficavam em uma única sala grande, além da qual havia dois quartos.

— O prédio separado foi originalmente construído para acomodar hóspedes? — ela perguntou.

— Bem deduzido — respondeu Gaoshun.

— E quantos guardas havia?

— Dois — ele respondeu pacientemente. Ele parecia saber muita coisa sobre a situação, pensou Maomao, ele teria que saber, para preparar uma planta como aquela. No entanto, ela sentia que ele estava deixando de fora uma peça vital do quebra-cabeça. Sem ela, Maomao poderia oferecer apenas a mais vaga das respostas.

Hmm... Ela coçou o queixo, dividida entre insistir no ponto ou não dizer nada.

Como se fosse para dar a ela um empurrãozinho extra, Gaoshun apresentou algo mais. — Mestre Jinshi envia isto, com seus pedidos de desculpas. Parece que seu bezoar de boi levará mais tempo do que o esperado para chegar.

Era verdade; Jinshi ainda não tinha lhe dado o precioso “cálculo bovino”. Ela havia se contido de perguntar sobre isso, preocupada que pudesse lhe render outra cabeçada, mas certamente estava demorando.

— Devo me desculpar — disse Gaoshun. — Parece que a demanda subiu drasticamente nos últimos tempos.

— Por que diabos seria isso? — Maomao disse. Gaoshun se recusou a olhar para ela.

Foi Hongniang quem deixou escapar enquanto tomava um gole de chá: — Ouvi dizer que muitas pessoas têm procurado o Mestre Jinshi com medicamentos extraordinários e preciosos ultimamente. De alguma forma, surgiu um boato de que ele se tornou um colecionador apaixonado por eles. — Ela conseguia ser tão firme com um homem, agora que sabia que ele era casado, quanto era com qualquer uma das damas de companhia. Ou talvez estivesse tentando enviar uma mensagem: não enrole uma das nossas damas com recompensas que nunca irá se materializar. Seja qual fosse o caso, Gaoshun parecia angustiado.

— Talvez ele devesse aceitar pelo menos um daqueles convites para jantar — disse Hongniang. Ele devia recebê-los, tanto de homens quanto de mulheres, e era improvável que terminassem apenas no jantar. Ser deslumbrante tinha seus próprios desafios.

— Tudo bem, certo — disse Maomao, pegando o pacote de papel, mas visivelmente irritada.

O pacote continha algo que parecia um caqui seco. O rosto de Hongniang se contorceu quando o viu, mas, quanto a Maomao, seus canais lacrimais, raramente usados, começaram a se abrir. Ela piscou rapidamente e, então, olhou devagar para Gaoshun.

— Você parece satisfeita; isso é o que realmente importa — disse ele. — É bile de urso. O Mestre Jinshi desejava poder entregar para você pessoalmente, mas não foi possível. — Jinshi, ao que parecia, estava simplesmente ocupado demais. Quando se tratava de ingredientes médicos preciosos como esse, no entanto, Maomao não se importava com quem estivesse entregando.

Bile de urso era, como o nome indicava, a vesícula biliar seca de um urso. Tinha um sabor amargo, mas era altamente valorizada para medicamentos relacionados ao trato digestivo. Vendo a maneira como o rosto de Maomao se iluminou, Gaoshun não conseguiu conter um sorriso. O eunuco rígido e formal estava começando a entender o caminho para o coração de Maomao.

— Você notou algo incomum? — Gaoshun perguntou.

Quando ele perguntou tão diretamente, Maomao sentiu que tinha que dizer algo. Ela guardou o pacote de papel cuidadosamente nas dobras de sua veste e, então, acomodou-se em sua cadeira. — Por favor, aguarde apenas um momento, senhor — disse ela, e então foi para seu quarto. Quando voltou, colocou um pequeno prato de latão na mesa junto com duas nozes. Duas bonecas teriam sido melhor, mas Maomao nunca se interessou por coisas femininas desse tipo.

Ela colocou as nozes na frente da janela na planta. — Uma pergunta — disse ela. — As jovens eram sempre vigiadas pelas mesmas pessoas?

— Basicamente, sim.

— E essas pessoas estavam sempre nos mesmos lugares?

— Isso mesmo.

— Então, você por acaso se lembraria exatamente que tipo de bordado as jovens estavam fazendo?

— Disseram-me que ambas bordavam animais. Leões e coelhos, principalmente.

Ainda um pouco surpresa com o conhecimento detalhado de Gaoshun sobre a situação, Maomao colocou o prato de latão, que ela costumava usar como espelho, perto da janela leste. Ela moveu uma das nozes e se agachou para que pudesse olhar diretamente para o metal. Quando posicionou o espelho no lugar certo, disse a Gaoshun: — Tente olhar para o espelho daqui mesmo.

Ele fez o que ela disse, ajoelhando-se para ver o reflexo. O que ele deveria estar vendo era a outra noz.

— Eu suspeito que, desta posição, você não conseguiria ver muito mais do que a parede em um espelho. De perto poderia ser outra questão, mas, à distância, você não saberia a diferença. Isso, é claro, assumindo que tinha um espelho grande o suficiente no anexo, e que a janela escondia qualquer moldura ao redor desse espelho.

Um espelho tão grande seria extremamente valioso, e para que qualquer pessoa tomasse as coisas refletidas nele como reais, o simples latão não seria suficiente. Por sorte, Maomao tinha visto recentemente justamente o tipo de espelho requintado que seria necessário.

— Você está dizendo que havia apenas uma jovem na sala, e o que o guarda estava vendo era o reflexo dela no espelho?

Maomao assentiu. Se as duas irmãs se pareciam o suficiente, distingui-las à distância seria difícil. Mesmo que tivessem recebido acessórios de cores diferentes para ajudar a identificá-las, a mulher que ficasse simplesmente amarraria um em cada lado de seus braços em cores diferentes, e seria difícil saber quem ela era.

Hongniang, no entanto, ficou perplexa com isso. Ela parecia incomumente envolvida hoje, a história aparentemente a interessava. — E quanto ao bordado, então? — ela perguntou. — Elas deviam estar trabalhando em padrões diferentes, não deviam?

— Suponha que fosse um padrão como este — disse Maomao. Ela pegou emprestado o pincel de Gaoshun e desenhou o rosto de uma pessoa rindo. Então, virou-o de cabeça para baixo: ele se transformou imediatamente de uma pessoa rindo para uma pessoa irritada. Uma imagem que mudava dependendo da perspectiva de onde era visto, um truque simples.

Hongniang ficou visivelmente assustada. Maomao disse: — Eu suspeito que o padrão simplesmente aparecia invertido no espelho.

— Entendo... — disse Gaoshun. Se parecia haver duas mulheres perto da janela, os guardas focariam nelas, tornando possível escapar pelo lado oeste.

Gaoshun e Hongniang pareciam convencidos, mas Maomao ainda estava pensando. Não era, na verdade, tão incomum que garotas de alta linhagem passassem o tempo bordando. Não era o costume desta terra, porém, era mais comum entre mulheres do oeste. Seu pai lhe disse que era bastante típico do país onde ele estudou, por exemplo.

Então ela refletiu sobre os emissários estrangeiros que trouxeram grandes espelhos, com uma mão de obra fina o suficiente para causar o tipo de confusão como desta situação. Gaoshun disse que a filha de uma família respeitável tinha escapado e ficado grávida, mas Maomao duvidava da verdade completa de sua história. A mulher estaria carregando uma criança, ou algum segredo mais profundo? Não era incomum que aqueles suspeitos de espionagem fossem tratados como convidados de honra.

Maomao, porém, não era tão indelicada a ponto de bisbilhotar mais; em vez disso, ela apertou suavemente as dobras de sua veste onde tinha guardado a bile de urso.

Agora, como devo usar essa belezinha? Maomao pensou consigo mesma. Ela considerou a possibilidade de que aquilo pudesse ser, na prática, um "hush bear gall". Mas isso não a impediu de saborear o pensamento do que poderia fazer com ela.

[N/T: Eu escolhi não traduzir “hush bear gall” pois não há uma tradução exata para o português. Ainda que bear signifique urso, gall (gall bladder) signifique vesícula biliar e hush signifique silêncio, a tradução não seria “vesícula biliar do urso silencioso” ou algo do gênero. Trata-se, na verdade, de uma expressão utilizada na Ásia para se referir a extração ilegal da vesíbula biliar de ursos, comumente feita com técnicas bastante cruéis que não descreverei aqui.]


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