Volume 2
Capítulo 6: Maquiagem
Maomao estava preparando o jantar quando Jinshi perguntou:
— Você entende de maquiagem?
A pergunta veio completamente do nada. Por que diabos ele estava perguntando isso? Pensou Maomao, sem se preocupar em esconder a confusão. Pela primeira vez em muito tempo, ela o olhou como se estivesse examinando uma lagarta, embora não tivesse realmente intenção de fazê-lo.
Jinshi acabara de voltar do trabalho. Suiren o ajudava a trocar de roupa. E era isso o que ele queria saber?
De fato, ao crescer no distrito da luz vermelha, acaba-se aprendendo os fundamentos da maquiagem quase por osmose, e às vezes Maomao preparava cosméticos além de remédios. Não podia negar que tinha um bom conhecimento sobre o assunto.
— Deseja presentear alguém?
— Você entendeu errado. É para mim.
Isso deixou Maomao sem palavras. Seus olhos se tornaram dois abismos negros, vazios e profundos. Já não parecia sequer estar olhando para um inseto morto ou para uma poça de lama.
— O que você está imaginando? — resmungou Jinshi. Ora, o que mais ela poderia imaginar? Jinshi usando maquiagem. Afinal, fora ele quem tocara no assunto.
Ele não precisa de maquiagem nenhuma! Maomao pensou. Ele já possuía a beleza de um ser do reino celestial. Um leve toque de carmim nos olhos, um rubor nos lábios e uma marca de flor na testa seriam suficientes para pôr a nação inteira de joelhos. A História estava repleta de guerras inúteis, e muitas delas haviam sido causadas por uma mulher bela demais próxima ao poder.
E aquele homem... tinha o potencial de transcender completamente o gênero.
— Você quer destruir este país? — perguntou Maomao, sem rodeios.
— De onde você tirou uma ideia dessas?! — exclamou Jinshi, vestindo o casaco externo e sentando-se em uma cadeira. Maomao lhe serviu mingau de arroz de uma panela de barro. Estava feito com um saboroso abalone salgado, e o pedaço que ela provou para ver se havia veneno estava delicioso. Sabia que, quando Jinshi terminasse, Suiren dividiria as sobras com ela, por isso torcia para que ele comesse logo antes que esfriasse.
— Como você faz essa coisa que usa? — perguntou Jinshi, apontando para o nariz dela.
Ah... minhas sardas, pensou Maomao, e então compreendeu. Sua beleza já era tão esmagadora que não precisava de nada para realçá-la. Mas talvez algo para suavizá-la. — Dissolvo argila seca em óleo, senhor. Se quero que o produto fique mais escuro, misturo carvão ou pigmento vermelho de lábios.
— Hmm. E você consegue fazer isso em tão pouco tempo?
Maomao tirou de suas vestes uma concha com argila compactada.
— Isto é tudo o que tenho comigo agora, mas, se me der uma noite, posso preparar mais facilmente.
Jinshi pegou a concha, passou um pouco da mistura no dedo e esfregou no dorso da mão. Um pouco escura demais, pensou Maomao, para aquela pele quase de porcelana. Precisaria diluir a mistura.
— O senhor pretende usá-la em si mesmo?
Jinshi riu baixinho. Não era exatamente uma resposta, mas Maomao entendeu como um “sim”.
— Se conhecer algum remédio capaz de mudar o rosto de um homem, adoraria ouvir — disse ele em tom leve.
Era brincadeira, mas Maomao respondeu: — Existem coisas assim, mas nunca seria possível voltar atrás. Verniz, por exemplo, faria o trabalho depressa.
— Imagino — murmurou Jinshi com um sorriso forçado. Ele não gostaria disso, e ninguém ali também. Maomao podia se imaginar sendo despedaçada e dada aos animais se ousasse algo do tipo.
— Há certas técnicas, senhor, que podem alcançar o mesmo efeito — disse ela.
— Pois, então, faça — respondeu Jinshi, sorrindo como se fosse exatamente o que esperava, e finalmente começou a comer o mingau. Degustava tanto a carne de frango perfeitamente cozida que Maomao já se desesperava por não ter sobras. Quando Suiren retirou a bandeja, restava apenas uma única mordida.
— Quero que me transforme em outra pessoa por completo — declarou Jinshi.
O que será que ele está planejando… pensou Maomao, mas prezava demais pela própria vida para perguntar. Além disso, nada tinha a ganhar sabendo. Só precisava fazer o que lhe mandavam.
— Muito bem — respondeu, e ficou observando Jinshi continuar a refeição, torcendo em silêncio para que se apressasse. Aquele mingau de abalone parecia tão bom.
No dia seguinte, Maomao dispôs sobre um pano tudo o que precisava: um lote da maquiagem diluída e alguns outros itens que julgava úteis. Chegou mais cedo que de costume e encontrou as luzes já acesas nos aposentos pessoais de Jinshi. O dono da casa havia terminado o banho e descansava em um divã enquanto Suiren lhe secava os cabelos. Só um nobre poderia conhecer ou esperar tamanho luxo. Suas roupas eram mais simples que o habitual, mas cada gesto traía sua origem aristocrática.
— Bom dia — disse Maomao, com uma expressão que indicava não achar o dia tão bom assim.
— Bom dia — respondeu Jinshi, satisfeito, parecendo a ponto de começar a cantarolar a qualquer momento. — Algo errado? Está cedo demais para essa expressão tão tempestuosa.
— De forma alguma, senhor. Eu apenas refletia sobre o fato de que o senhor passará mais um dia sendo perfeitamente bonito.
— O que é isso? Alguma nova forma de me criticar?
Talvez soasse assim, mas era apenas a verdade. O cabelo de Jinshi captava a luz ao cair, e, do modo como reluzia, imaginou Maomao, poderia ser transformado em um tecido de grande qualidade.
— Não está com vontade de trabalhar hoje? — perguntou ele.
— Estou, senhor. Mas tem certeza de que deseja se tornar outra pessoa completamente diferente?
— Sim. Foi o que disse ontem à noite.
— Então, com sua licença... — Maomao aproximou-se de Jinshi, agarrou as mangas de sua roupa e as pressionou contra o rosto.
— Santo Deus — disse Suiren. Ela largou o penteado de Jinshi e saiu apressada do aposento, arrastando Gaoshun consigo, que tentava entrar. (Ainda assim, não foram longe: certamente não o bastante para que não pudessem observar discretamente o que acontecia.)
— O-o que você pensa que está fazendo? — A voz de Jinshi ameaçava falhar.
Quando recebia uma tarefa, Maomao só se sentia em paz após executá-la ao máximo. Ela havia reunido uma variedade de instrumentos para tornar Jinshi irreconhecível.
Ele não faz ideia, não é? — Nenhum plebeu usaria um perfume tão refinado — disse ela. A roupa que Jinshi escolhera era a de um citadino ou, talvez, de um funcionário público de baixo escalão. Não era o tipo de pessoa que teria contato com navios carregando madeiras aromáticas raras e caras vindas de além-mar. O olfato de Maomao era especialmente aguçado, treinado para distinguir ervas medicinais das venenosas. Ela detectara o perfume de Jinshi no instante em que entrou no aposento, e foi isso que lhe causou mau humor. Provavelmente Suiren havia perfumado a roupa, tentando ser prestativa, mas, francamente, só piorara as coisas.
— Você sabe como distinguir os vários tipos de clientes em um bordel?
— Eu não sei. Talvez pelo tipo físico ou pelas roupas?
— São possibilidades, mas há outro modo. Pelo cheiro.
Patronos obesos que exalavam odor adocicado estavam doentes, mas provavelmente eram ricos. Aqueles que usavam diversos perfumes ao mesmo tempo, criando um miasma nauseante, frequentavam prostitutas comuns e, muito provavelmente, tinham alguma doença venérea. Já um jovem que cheirava a animal revelava uma insalubre falta de banhos.
A Casa Verdigris não costumava aceitar clientes de primeira visita sem indicação, mas, vez ou outra, um deles convencia a velha madame e obtinha entrada. O fato de tais pessoas quase sempre se tornarem fregueses excelentes mostrava que a velha sabia como avaliar sua clientela.
— De todo modo, a primeira coisa de que precisamos é de outra roupa. E mais uma coisa. Maomao foi até a banheira, pegou um balde de água ainda morna e o levou até Jinshi. Suiren e Gaoshun observavam com ansiedade. Já que ele estava ali, Maomao enviou Gaoshun em uma pequena missão. Precisariam de roupas diferentes das que haviam sido preparadas.
Então ela retirou um pequeno saquinho de couro de sua bolsa de pano. Mergulhou os dedos nele e os retirou cobertos por um óleo viscoso, que dissolveu no balde de água.
— Uma coisa que os plebeus não fazem é tomar banho todos os dias — explicou. Molhou a mão no balde e passou pelos cabelos de Jinshi. Bastaram algumas passadas para que os lustrosos fios começassem a perder o brilho. Ela acreditava estar sendo cuidadosa, mas não tinha a mesma experiência de Suiren, e talvez por isso Jinshi estivesse tão inquieto.
Tenho que tomar cuidado para não puxar os cabelos dele, pensou Maomao, ficando um pouco nervosa. Era fácil esquecer, mas aquela figura ilustre poderia separar para sempre sua cabeça dos ombros se ficasse demasiadamente contrariado.
Quando os fios de seda que antes adornavam a cabeça de Jinshi se tornaram uma palha opaca, Maomao prendeu o cabelo dele. Não usou um laço adequado, mas um simples pedaço de pano. Para o novo disfarce, qualquer coisa servia, contanto que cumprisse a função.
Quando Maomao guardou o balde e lavou as mãos, Gaoshun já havia voltado exatamente com o que ela pedira. Isso sim era boa ajuda.
— Tem certeza disso? — perguntou Gaoshun, visivelmente desconfortável. Ao lado dele, Suiren não se preocupava em esconder a repulsa. Para uma dama de companhia que servia havia tanto tempo, sem dúvida era difícil acreditar no que via.
Gaoshun havia conseguido um traje de plebeu, um tanto grande e bastante usado. Ao menos havia sido lavado, mas o tecido já se desgastava em alguns pontos e o cheiro do dono original ainda impregnava a roupa.
Maomao aproximou o traje do nariz e disse: — Eu teria preferido algo até um pouco mais fedido. — Agora, Suiren realmente parecia atônita, as mãos sobre as bochechas. Estava prestes a falar, mas Gaoshun a silenciou com um gesto. Ainda assim, não conseguiu disfarçar o cenho franzido.
Maomao teve pena de Suiren, mas ainda havia muito por fazer que poria à prova a paciência da mulher.
— Mestre Jinshi, por favor, tire as roupas.
— Er... Sim. Claro — respondeu Jinshi, embora sua voz não soasse nada convicta. Maomao ignorou a relutância dele e começou a vasculhar o aposento em busca de algo útil. Encontrou alguns lenços e, em seguida, tirou de sua bolsa algumas faixas de tecido.
— Posso pedir a ajuda de vocês dois? — dirigiu-se aos nervosos espectadores. Puxou-os para perto, entregando a Gaoshun um lenço para enrolar no corpo de Jinshi. Ele podia ser um homem de beleza quase celestial e carecer de uma parte importante que a maioria dos homens possuía, mas, ainda assim, o torso de Jinshi era razoavelmente musculoso. Ele devia achar que sentiria frio usando apenas roupas de baixo, pois mantivera as calças. Maomao, que achava o aposento suficientemente aquecido, percebeu que talvez não tivesse sido muito generosa e acrescentou algumas brasas ao braseiro.
Gaoshun enrolou os lenços em Jinshi, Suiren os segurou firmemente, e Maomao os prendeu com as faixas. Quando terminaram, Jinshi ganhara uma silhueta rechonchuda. As roupas um pouco largas agora caíam perfeitamente. Maomao havia lhe dado um corpo não muito comum, e os últimos vestígios do perfume logo seriam encobertos pelo odor da roupa. O rosto de Jinshi, a única coisa ainda inequivocamente sua, parecia estranho flutuando acima daquele novo corpo.
— Muito bem, vamos para a próxima etapa, então. — Maomao pegou o estojo de maquiagem que preparara na noite anterior. Era um tom um pouco mais escuro que a pele de Jinshi. Começou a aplicá-lo delicadamente com os dedos. Caramba, Maomao pensou, estou perto o bastante para tocá-lo e ele continua absurdamente bonito. Não apenas não tinha barba alguma; parecia não possuir qualquer pêlo no corpo.
Depois de uma aplicação cuidadosa da base, uma ideia travessa lhe ocorreu. Afinal, quando teria outra oportunidade como aquela? Quando teria chance de saciar sua curiosidade sobre o quão adorável Jinshi pareceria se estivesse maquiado como uma moça?
Maomao pegou uma concha que continha pigmento vermelho. Mergulhou o dedo mínimo e aplicou com cuidado nos lábios de Jinshi.
Então, Maomao ficou em silêncio. Gaoshun e Suiren, que observavam, também emudeceram. Primeiro, demonstraram desconforto; depois, um conflito interno evidente; por fim, trocaram olhares e assentiram em uníssono.

— O que está acontecendo? — perguntou Jinshi, mas ninguém respondeu. As mentes dos três estavam ocupadas demais com algo muito maior. Era evidente que todos pensavam a mesma coisa: uma bênção que apenas eles estivessem presentes naquele momento. Se houvesse mais alguém por perto, homem ou mulher, seria uma tragédia. Havia coisas que, por mais sublimes que fossem, o mundo não deveria testemunhar. Era assustador perceber que, com apenas um toque de cor nos lábios, Jinshi poderia ter o poder de arruinar pelo menos uma ou duas pequenas aldeias.
— Não é nada, senhor — disse Maomao, pegando o lenço que Suiren lhe estendeu e esfregando-o nos lábios de Jinshi com força suficiente para remover qualquer vestígio.
— Aí, isso incomoda. Mas o que foi aquilo?
— Como eu disse, senhor, não é nada.
— Nada mesmo, asseguro-lhe — acrescentou Suiren.
— Não é nada, senhor — repetiu Gaoshun.
Jinshi olhou com desconfiança para essa súbita concordância entre os três, mas não fez mais perguntas. Maomao deixou de lado a distração momentânea e voltou ao trabalho.
O passo seguinte exigia uma coloração ligeiramente mais escura. Ela espalhou um pouco do pigmento no rosto dele, criando olheiras. Aproveitou para acrescentar uma pinta em cada bochecha. As sobrancelhas naturalmente arqueadas, ela engrossou pouco a pouco, trabalhando com cuidado de um lado e depois do outro.
Havia maneiras de alterar os contornos do rosto, mas de perto seria óbvio que se tratava de maquiagem, por isso Maomao decidiu não recorrer a esse recurso. Em uma mulher, certa pintura poderia passar despercebida; em um homem, levantaria suspeitas. Em vez disso, ela encheu as bochechas de Jinshi com algodão, alterando seu perfil. Gaoshun e Suiren a observaram, surpresos por ela ir tão longe, mas ainda não tinha terminado. Espalhou mais pigmento aqui e ali para completar o efeito. Por exemplo, um pouco sob as unhas o fazia parecer francamente imundo.
Não podemos deixar as mãos dele bonitas demais, pensou Maomao. As mãos de Jinshi, como seu torso, eram nitidamente masculinas. Maomao sempre acreditara que ele jamais levantara nada mais pesado do que um par de hashis ou um pincel de escrita, mas em suas palmas havia calos perceptíveis. Isso sugeria treinamento com espada ou talvez com bastão de combate, embora ela nunca o tivesse visto praticar. Não eram habilidades necessárias a um eunuco. Ainda assim, Maomao não tinha curiosidade suficiente para se deter nesse detalhe tão trivial; limitou-se a continuar sujando sistematicamente as mãos dele até que se transformassem nas de um plebeu qualquer.
— Você terminou mesmo? — perguntou Jinshi quando Maomao começou a guardar seus cosméticos e ferramentas, enxugando o suor da testa. O formoso eunuco havia desaparecido, substituído por um desajeitado morador urbano de aparência nada saudável. Seu rosto ainda conservava uma simetria atraente, mas a barriga saliente, as manchas nas mãos e as olheiras denunciavam um estilo de vida pouco higiênico. O fato de ele ainda parecer alguém que poderia ser escalado como galã em uma peça teatral mostrava o quanto sua beleza natural sempre lhe traria problemas.
— Santo céus, é mesmo o meu jovem mestre? — exclamou Suiren.
— Não me chame assim.
Ela havia acompanhado todo o processo do início ao fim, e até mesmo para ela a transformação era surpreendente. Agora, Jinshi poderia se mover quase em qualquer lugar do palácio sem ser reconhecido. Ao menos, não pela aparência.
Maomao retirou um cilindro de bambu de sua bolsa. Destampou-o, despejou parte do conteúdo em uma xícara e entregou a Jinshi. Ele olhou para o líquido com desconfiança e franziu a testa. O odor característico, que irritava as narinas, não deixava dúvidas. Tratava-se de uma combinação de diferentes estimulantes e, para ser franca, o sabor dificilmente poderia ser considerado agradável.
— O que exatamente é isto?
— Uma poção especial de minha autoria. Beba devagar, para que passe pelos lábios, e depois engula. Deve causar inchaço nos lábios e na garganta, alterando sua voz. Ah, talvez queira tirar o algodão da boca antes.
Jinshi poderia ter mudado de aparência e até de cheiro, mas certas pessoas o reconheceriam na mesma hora ao ouvirem aquela voz melosa. Se Maomao ia fazer algo, faria direito.
— É bastante amargo, — acrescentou — mas não se preocupe. Não é venenoso.
Um silêncio atônito foi a resposta coletiva. Maomao ignorou e prosseguiu com a organização meticulosa de sua bancada. Tinha recebido permissão para folgar o resto do dia. Pela primeira vez em muito tempo, poderia voltar ao Distrito dos Prazeres e, acima de tudo, dedicar-se um pouco às misturas e experimentos que tanto adorava. A simples ideia a deixou inusitadamente animada, mas sua alegria foi logo interrompida.
— Xiaomao, você disse que voltaria para casa hoje, não é?
— De fato, senhor. Pretendo partir em breve — respondeu.
Gaoshun sorriu como se dissesse que isso era perfeito. Um sorriso incomum para o auxiliar sempre tão reservado.
— Nesse caso, você irá pelo mesmo caminho que o Mestre Jinshi.
Ugh! Argh! Maomao pensou de imediato. Sua sorte foi não ter dado voz ao desgosto, embora provavelmente estivesse estampado em sua expressão.
Gaoshun lançou um olhar de esguelha a Jinshi, que parecia tão chocado quanto Maomao. Sua boca entreaberta deixava isso claro. — O senhor teve todo o trabalho de mudar sua aparência. Perderia o efeito se viajasse com o mesmo acompanhante de sempre.
— Ora, não tinha pensado nisso — disse Suiren com um aceno exagerado, que denunciava exatamente o contrário: os dois haviam pensado nisso de antemão.
— Está vendo o que quero dizer, Mestre? — disse Gaoshun. Ele parecia incomumente entusiasmado. Provavelmente satisfeito em passar Jinshi para outra pessoa, ao menos por uma vez.
— Sim. Isso seria útil — concordou Jinshi de repente.
Assim não vai dar, pensou Maomao. — Sinto muitíssimo, mas receio que mesmo em minha companhia o Mestre Jinshi teria exatamente o mesmo problema.
Era verdade que, com a nova aparência sem brilho, seria adequado que Jinshi tivesse uma acompanhante simples como Maomao. Mas já era relativamente conhecido em alguns meios que ela era sua criada pessoal. O melhor seria não viajarem juntos, para não correr o mínimo risco de serem reconhecidos.
Ah, mas a astuta dama de companhia Suiren acolheu o argumento, e logo o descartou, com um sorriso. Aproximou-se segurando uma caixa, de onde retirou uma pinça de sobrancelhas e um ornamento de cabelo.
— Então creio que um disfarce para você também é necessário, Xiaomao — disse, e seus olhos sorridentes traziam uma nitidez cortante que impedia Maomao de objetar.
Ainda assim, aquela premonição incômoda ficava cada vez pior.
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