Diários de uma Apotecária Japonesa

Tradução: Noelle Tokito

Revisão: Kessel


Volume 2

Capítulo 16: Papel

Quando Maomao fez sua primeira visita, depois de bastante tempo, ao consultório médico do Palácio Interno, ela encontrou seu residente eunuco tão brando como sempre.

— Ah, há quanto tempo não a vejo, senhorita. — disse o charlatão, servindo chá alegremente. — Esses dias têm ficado bem mais quentes, não acha? Ele lhe ofereceu a bebida com gentileza, usando um livro médico no lugar de uma bandeja. Maomao apanhou o chá e o livro de uma só vez, desejando poder dar uma bronca nele por usar de forma tão descarada um objeto tão precioso.

Como sempre, o charlatão era o único no consultório. Ela não conseguia acreditar em quão pouco trabalho ele parecia ter ali. Ele era sortudo por ainda ter um emprego.

— Oh, ainda está bem frio. — disse Maomao, colocando uma cesta de roupa sobre a mesa dele.

De fato, o ar ainda trazia um friozinho. Estava tão gelado que até as pétalas de fuki hesitavam em aparecer. Talvez o médico só achasse que havia esquentado porque era rechonchudo.

Com a chegada da nova estação, Maomao teria que coletar muitas ervas, mas havia algo que ela queria fazer antes disso, e foi isso que a trouxera ali naquele dia. Normalmente não seria uma tarefa urgente, mas ela era quem era e o charlatão era quem era.

— Céus, mocinha, você acabou de chegar. O que está fazendo? — perguntou o doutor quando Maomao puxou algo de dentro do cesto de roupa.

— Que pergunta. — Do cesto, Maomao retirou um conjunto de utensílios de limpeza e tanto carvão de bambu quanto conseguiu enfiar ali. — Vamos limpar. Este cômodo. — Seus olhos brilharam. Aparentemente, dois meses da disciplina de Suiren haviam deixado marcas nela. Sem nada para fazer no Pavilhão de Jade, Maomao viera ao único lugar onde tinha quase carta branca. Sempre achou o consultório médico um chiqueiro; agora, o fogo estava aceso e não havia como apagá-lo.

— Como assim? — perguntou o médico, mas sua súbita carranca não pôde salvá-lo.

O charlatão não era uma pessoa ruim; de fato, era bastante bondoso. Mas isso, Maomao sabia, era algo inteiramente diferente de ser bom em seu trabalho.

A sala ao lado do consultório principal continha armários cheios de medicamentos. Três paredes se erguiam com gavetas até o alto, um verdadeiro paraíso na Terra para Maomao, mas nem tudo eram flores. Sim, ali havia muitos medicamentos, mas era o charlatão quem os usava. Aqueles que ele não utilizava com frequência ficavam empoeirados ou acabavam comidos por insetos. E depois havia o pior inimigo das ervas secas: a umidade. Baixasse a guarda por um segundo e os materiais apodreceriam. Quanto mais esquentasse, mais úmido ficaria. Eles tinham que pôr tudo em ordem antes que isso acontecesse, ou seria tarde demais.

Não é como se Maomao gostasse particularmente de limpar. Ela também não tinha qualquer razão especial para ajudar ali, já que, muitas vezes, quando visitava o consultório, era apenas para matar tempo. Mas, ainda assim, ela sentia que precisava fazer isso. O senso de dever pulsava dentro dela. (Assim como a sensação incômoda de que ela havia sido completamente corrompida por Suiren.)

— Você não precisa fazer tudo isso, mocinha. Com certeza alguém pode cuidar da limpeza — disse o médico, soando profundamente desmotivado. O tom de voz dele fez Maomao automaticamente encará-lo do jeito que normalmente reservava para Jinshi. Simplesmente, era como se estivesse olhando para uma poça cheia de larvas de mosquito.

— H-Heek! — O médico tremeu até o bigode de peixe. Qualquer resquício de dignidade que tivesse desapareceu.

Droga, pare com isso, Maomao se repreendeu. Ele podia ser um charlatão, mas ainda era seu superior. Ela precisava ao menos agir com respeito. Caso contrário, ele talvez não oferecesse biscoitos de arroz na próxima vez que ela aparecesse. Havia doces demais no palácio interno, e sal de menos.

— Sim, poderíamos pedir para outra pessoa — disse Maomao —, mas e se, trabalhando, ela acabasse trocando alguns remédios sem querer? O que faríamos então?

O médico ficou quieto. Não era exatamente apropriado Maomao aparecer quando quisesse e decidir limpar, mas ele também ficou quieto quanto a isso. Dificilmente poderia expulsá-la dali. O médico que era próximo de Suirei, havia realmente sido punido pelo espinho-do-diabo desaparecido. Segundo Gaoshun, porém, o homem era talentoso demais para ser dispensado; no fim, sofreu apenas uma redução de salário.

Maomao começou pelas prateleiras empoeiradas, abrindo as gavetas uma a uma e passando um pano por dentro. Jogou fora tudo que estava visivelmente estragado e escreveu o nome de cada item em uma etiqueta de madeira. Guardou o que restava dos medicamentos em novos saquinhos de papel e os devolveu aos seus devidos lugares.

Sempre que havia algo que exigia esforço físico maior, ela colocava o charlatão para fazer. Sua perna ainda não estava completamente curada. E o médico estava um pouco acima do peso, de qualquer forma; o exercício faria bem a ele.

Ele realmente usa papel de boa qualidade aqui, observou Maomao. A maior parte do papel usado pelo povo era de baixa qualidade, algo descartável. Papel durável era caro demais para as pessoas comuns. Em vez disso, os plebeus escreviam principalmente em tiras de madeira. Havia muita lenha sobrando por aí, grande parte já cortada fina o suficiente para acender uma fogueira. Era isso que o povo usava. E, quando terminavam, ainda serviam como lenha de forma conveniente.

Antigamente, o país até exportava papel, mas o antigo imperador, ou melhor, sua mãe, a antiga imperatriz-viúva, proibira o corte das árvores usadas para produzir o papel mais refinado. A restrição havia sido aliviada desde então, mas não o suficiente para suprir a demanda. Por que a imperatriz-viúva proibira o corte daquelas árvores? Ninguém fora imprudente o bastante para perguntar na época, mas, considerando que a colheita daquelas árvores ainda era limitada, Maomao imaginou que devia haver algum motivo.

O resultado era que, atualmente, com exceção do papel mais fino, o restante era feito de outras árvores, gramíneas ou tecidos velhos. Esses recursos eram menos acessíveis do que árvores próprias e exigiam tempo de processamento, tornando-os mais caros e todo esse trabalho levava os produtores a buscar atalhos, o que gerava materiais de baixa qualidade. Assim, o papel havia adquirido a fama, entre o povo, de ser exorbitantemente caro, mas não realmente valioso, e falhou em ganhar popularidade apesar de ser mais conveniente do que a madeira.

Maomao soltou um suspiro:

— Ufa...

— Terminou, mocinha? — perguntou o médico, esperançoso.

— Não, só mais ou menos a metade.

Um silêncio desapontado se seguiu. Maomao, no entanto, sabia que metade era o máximo que conseguiria fazer em um único dia, considerando a escala gigantesca da tarefa; então decidiu deixar o restante para o dia seguinte. Ela deixou o carvão na sala para ajudar a absorver a umidade. Ainda sim, não tinha o suficiente, então pediu ao médico que requisitasse mais.

O médico massageava os ombros enquanto preparava um lanche. Ele serviu suco de frutas, servido em uma garrafa de cerâmica. — Um docinho, isso sim ajuda quando estamos cansados — disse ele, usando uma colher de bambu para colocar purê de castanha e batata-doce sobre um pedaço de papel. Estendeu uma das porções para Maomao.

O velhote tem gostos refinados! A batata doce era difícil de conseguir nessa época do ano, tornando tal lanche um luxo especial; e, além disso, ele serviu tudo em papel de alta qualidade, como se fosse a coisa mais normal do mundo.





Maomao devorou o purê de batata-doce em uma única mordida, então olhou para o papel, agora manchado com marcas redondas de dedos. O material tinha um brilho perceptível.

— Este papel que você usa é excelente — comentou.

— Oh, consegue perceber? — Tinha sido um comentário casual, mas pareceu chamar a atenção do médico. — Minha família é quem o produz. Nós até fornecemos para a corte. Impressionante, não?

— De fato, é.

Isso explicava como ele tinha aquilo à mão. E não era só bajulação; Maomao via claramente que aquele material era realmente de alta qualidade. Seu pai sempre escolhia o melhor entre os papéis descartáveis quando comprava material para embalar os medicamentos. Um papel de boa qualidade era desejável para impedir infiltração de umidade ou vazamento de pó, mas os custos tinham que ser reduzidos em algum lugar e pelo bem dos pacientes, não poderia ser nos próprios medicamentos. Mas era preciso economizar, para que os suprimentos não consumissem todo o lucro e mais um pouco.

Talvez eu consiga convencê-lo a me vender um pouco, Maomao pensou. Com um descontinho amigável, claro. Ah, a vantagem injusta. Ela tomou um gole do suco enquanto refletia, e ele escorreu, doce e morno, por sua garganta. Não é para mim, ela decidiu, e resolveu esquentar água para fazer chá. Sempre havia um fogo aceso na sala médica, algo muito conveniente em momentos como aquele.

— A aldeia inteira trabalha na produção — continuou o médico. — Houve uma época em que quase desistimos, mas, felizmente, conseguimos continuar de alguma forma.

Maomao não havia pedido a história de vida dele, mas ele parecia particularmente falante naquele dia. Antigamente, fabricar papel já era o suficiente para garantir lucro, então sua família se dedicava a cortar árvores locais e a lascá-las o mais fino possível para produzir material. Era mais lucrativo vender para o exterior do que no próprio país, então o papel deles se tornara um bem de comércio importante. Quando ele era criança, a aldeia era tão próspera que o jovem eunuco podia pedir doces sempre que quisesse e comer à vontade.

Por uma razão ou outra, talvez simplesmente porque cresceram demais, a aldeia acabou atraindo a ira da antiga imperatriz-viúva, que proibiu o corte das árvores usadas para produzir o papel. Foram obrigados a buscar outros materiais, mas isso inevitavelmente reduziu a qualidade do produto. Os comerciantes ficaram irritados e deixaram de fazer negócios com eles.

Os tempos de ouro da aldeia haviam acabado. O chefe, que era, na verdade, o pai do médico charlatão, tornou-se alvo das reclamações dos aldeões, exigindo que ele fizesse algo. Ele percebeu perfeitamente que não poderiam continuar produzindo papel como antes. No entanto, nem todos na aldeia estavam dispostos ou aptos a aceitar essa realidade, e grande parte da raiva recaiu sobre o chefe e sua família.

Maomao ouviu pacientemente enquanto despejava a água fervida da chaleira em uma xícara.

— Meu coração se partiu quando minha irmã mais velha veio para o palácio interno — acrescentou o médico.

A aldeia ficava em um local ideal para fabricar papel, mas não para muito mais. Decidiram se mudar, mas não tinham recursos. Nessa época, o palácio interno buscava mais mulheres para servirem, e a irmã mais velha do médico aceitou o chamado.

— Ela riu e disse que, quando eu a visse de novo, seria mãe do país. Mas no fim… nunca mais a vi.

Resolver o que fariam na nova terra permanecia um problema. Eram necessários mais recursos, e então a irmã mais nova do médico se ofereceu para seguir os passos da mais velha e entrar no palácio interno.

— E por fim eu mesmo decidi vir. Não havia realmente outra escolha — disse ele. Com a expansão do palácio interno, a necessidade de mais eunucos era inevitável. Eles eram mais escassos do que as mulheres, portanto valiam um preço maior.

Ele passou por mais dificuldades do que eu imaginava, Maomao pensou, tomando seu chá.

Quanto mais se limpava, mais coisas precisavam ser limpas. Maomao finalmente terminou os armários de medicamentos no segundo dia, mas agora a sala ao lado começou a incomodá-la. O charlatão até fazia uma limpeza básica, ao que parecia, mas não tinha visão para detalhes. No terceiro dia, Maomao removeu teias de aranha do teto, limpou cuidadosamente as paredes e, depois disso, quis organizar os equipamentos. O charlatão tinha bastante coisa, descobriu ela, e tudo que não usava com frequência ele simplesmente empurrava para outro quarto.

Que desperdício, pensou ao examinar a sala ao lado. Ela tinha entendido que ela não estava sendo usada, mas para Maomao, era um tesouro. Ela e o médico se ocuparam com as pilhas de livros médicos, Maomao com um sorriso brilhante no rosto e o médico com expressão sombria. Assim, apesar do mau humor do eunuco, eles passaram sete dias inteiros limpando. Maomao também fazia a degustação dos pratos da concubina Gyokuyou durante esse período, mas nada fora do comum havia acontecido.

Foi por essa época, enquanto o médico polia um almofariz e um pistilo de má vontade, que outro eunuco apareceu na sala médica. O charlatão havia recebido uma carta.

— Ora, ora, o que temos aqui? — disse ele. Pegou a carta com entusiasmo, vislumbrando uma chance de relaxar um pouco.

— De quem é? — perguntou Maomao. Para ela, era somente uma formalidade, mas o médico respondeu:

— É da minha irmã mais nova. — Ele lhe mostrou a carta, escrita em um papel irregular e áspero que fez Maomao se perguntar se havia sido feito de algas marinhas. Era exatamente o tipo de papel de baixa qualidade que uma pessoa comum poderia usar.

Pensei que ele tivesse dito que sua família fazia papel, ela refletiu. Talvez a irmã tenha achado que um lote estragado era bom o suficiente para escrever para um membro da família.

Enquanto lia, porém, o rosto do médico assumiu uma expressão de choque, os olhos fixos na página. Maomao se aproximou, curiosa para saber o que estava acontecendo, mas justamente nesse momento os ombros do médico tombaram. Ele caiu numa cadeira, cabisbaixo, deixando a carta escorregar sobre a mesa. Algumas palavras chamaram a atenção de Maomao:

“Nossa comissão imperial pode ser revogada.”

Mas o médico havia se gabado para ela dias antes de que sua família fornecia papel para a corte!

— Fico imaginando o que pode ter acontecido — murmurou o médico para si mesmo. — E justo agora que conseguimos aumentar a produção...

Uma encomenda imperial, ou sua perda, poderia ter grandes consequências para a renda da família. As classes mais refinadas que compravam papel de alta qualidade não resistiam à ideia de usar o mesmo material que o imperador.

— Aumentaram a produção? — perguntou Maomao. — Não começaram a economizar, começaram?

Ela passou os dedos pelo papel áspero da carta.

— Nunca fariam isso. Desde que conseguiram aquele boi, estão mais animados do que nunca para trabalhar. Hoje ele faz tudo que antes precisava de gente. Por que isso mudaria alguma coisa?

Produzir papel exigia um enorme esforço físico. O trabalho deveria ter ficado mais fácil com um boi fazendo toda a parte pesada.

— E, ainda assim, se essa amostra servir de referência, consigo ver por que a corte não se interessaria — disse Maomao, abanando a carta diante dele. Papel de baixa qualidade se desintegrava ao menor contato com a umidade. Além disso, a superfície irregular resultava em caracteres horríveis.

O médico ficou em silêncio, como se admitisse de forma tácita que sabia que a qualidade do trabalho estava ruim. Finalmente, ele se inclinou tanto para a frente que sua cabeça quase encostou na mesa.

— Eu simplesmente não sei o que está errado.

Maomao, percebendo que aquele não era o momento para limpeza, estudou atentamente o papel. Grande parte do papel que circulava entre os plebeus era de pureza duvidosa, feito de fibras de muitos tipos de plantas. Como as fibras não eram cortadas com cuidado, a cola endurecia de forma irregular, fazendo o papel se desfazer facilmente em pedaços. Mas sua inspeção mostrou que as fibras daquele papel eram de tamanho uniforme e cuidadosamente medidas. Mesmo assim, a superfície era irregular, e um leve puxão bastou para arrancar um canto da carta.

Maomao inclinou a cabeça, curiosa, relendo a carta. Dizia que a família ainda seguia os métodos tradicionais na fabricação do papel, usando os mesmos materiais de sempre. A irmã mais nova implorava que o irmão lhes desse algum conselho sobre o que fazer, mas infelizmente o meio-homem que era seu irmão parecia estar no limite.

— Ela menciona um método antigo e comprovado para fazer papel. Que métodos você usa exatamente? — perguntou Maomao, terminando de secar o almofariz e o pilão e devolvendo-os à prateleira. Depois colocou uma chaleira ao fogo para ajudar a acalmar os ânimos.

— Os mesmos que todo mundo usa — respondeu o charlatão. — A diferença é que nossa família é muito rigorosa na forma como decompomos os materiais e fazemos a cola. Não posso falar mais do que isso.

Não é muito falante sobre esse assunto, hein, pensou Maomao. Ela pegou um recipiente de folhas de chá da prateleira. Enquanto revistava o conteúdo, pensando no que seria bom servir, um pouco de araruta praticamente saltou na sua frente. Ela pegou e jogou no copo. Depois voltou a colocar a chaleira no fogo para ferver novamente.

— Vocês também são exigentes com a água? — perguntou.

— Hum. Usamos água de nascente aquecida a uma temperatura muito precisa para fazer a cola endurecer certinho. Mas não posso dizer mais nada. É segredo comercial.

Esse sim era o médico charlatão que ela conhecia, observou Maomao, enquanto colocava outro copo na mesa. Ela o encheu com água quente e mexeu vigorosamente antes que esfriasse, criando um mingau viscoso. Chá de araruta.

— E a cola, vocês fervem com água que sobrou da lavagem do arroz?

— Não, temos o trabalho de dissolver farinha de trigo, como manda o figurino. Caso contrário, não cola direito.

No momento em que falou, o médico pôs a mão sobre a boca, mas não fazia diferença para Maomao se usavam água de arroz, farinha de trigo ou qualquer outra coisa. Ela colocou o chá de araruta diante dele.

— Nesse caso, onde vocês mantêm o boi? — disse ela.

— Receio não saber disso. — Ele a olhou como se perguntasse "Por que chá de araruta?”, mas mesmo assim começou a lamber o líquido quente. Ele grudava na xícara, tornando difícil de beber. — Senhorita, acho que você errou a proporção. Isso é impossível de beber.

Maomao lhe entregou uma colher.

— Peço desculpas. Posso lhe ensinar a deixá-lo bebível. Quer tentar?

— O que eu devo fazer?

Maomao colocou a colher brevemente na boca, depois a mergulhou no chá e mexeu vigorosamente. Ela repetiu o processo uma, duas, três vezes.

— Meio grosseiro — comentou o charlatão, franzindo o cenho, mas repetindo o procedimento. Ao colocar a colher na boca e depois mexer repetidamente, algo começou a mudar.

— Está ficando menos espesso — observou.

— Imagino que sim.

— Na verdade, está praticamente líquido agora. — O médico parecia impressionado.

— Araruta e cola são bem parecidas — comentou Maomao.

— Suponho que sim… Será que a saliva afina a cola da mesma maneira que afina a araruta?

— De fato.

A boca do médico se abriu.

— De fato o quê?

Ele não era tão rápido quanto Maomao gostaria. Estou praticamente esfregando o fato na cara dele, pensou, mas decidiu dar mais uma dica.

— Bois, ao que parece, produzem muita baba.

— Sim, agora que mencionou, acho que é verdade.

— E se você descobrisse onde o boi está bebendo água? Só para garantir.

Decidida a não falar mais nada, Maomao limpou as xícaras e voltou rapidamente ao Pavilhão de Jade. O charlatão finalmente deve ter entendido, pois saiu correndo, escreveu uma carta às pressas e deixou o consultório para enviá-la.

Maomao pensou no que faria quando terminasse a limpeza. Mas é quando tudo parece mais tranquilo que o desastre costuma espreitar.


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