Diários de uma Apotecária Japonesa

Tradução: Kessel

Revisão: Noelle


Receitas da Maomao

Doces de Cacau

O cacau que foi enviado para eles já não estava na forma de sementes; ele já tinha sido transformado em pó. Todos os ingredientes que Maomao havia solicitado já tinham chegado à cozinha do Pavilhão Jade. Três das damas de companhia estavam ocupadas tentando observar, mas Hongniang fez com que elas voltassem ao trabalho.

Maomao mergulhou uma colher na mistura e provou. Tinha um sabor amargo e doce ao mesmo tempo, sua língua experiente também conseguiu identificar que a mistura melhoraria o humor. Ela tinha muito mais resistência a álcool e toxinas agora do que quando provou o chocolate pela primeira vez; dessa forma, agora não lhe afetava tanto. Porém, ela conseguia perceber que era algo muito poderoso.

Hongniang só conseguiu colocar a mão na testa e apontar para a cozinha; Maomao então colocou sua cesta nos braços de Gaoshun e foi até lá. Ela encontrou Jinshi, que parecia muito irritado. A maneira mais delicada de descrever a cena seria dizer que uma grande mistura de tons de pêssego e vermelho claro se espalhava diante dela. De forma mais simples, três damas de companhia estavam encostadas umas nas outras, dormindo profundamente. Suas roupas estavam uma confusão, e suas saias desarrumadas revelavam vislumbres lascivos de suas coxas.

Volume 1, Capítulo 9 - Cacau

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— O que você está fazendo? — Enquanto Maomao cozinhava na cozinha do dormitório, Yao se aproximou. E claro, En’en também estava com ela.

— Me ensinaram uma receita de doce maravilhosa.

Maomao estava de folga hoje. Graças às dicas de Suiren sobre como fazer o doce, ela passou o horário de almoço fazendo compras e agora finalmente ia começar o preparo. 

— Que lista de ingredientes exótica. Tudo parece de primeiríssima qualidade.  

En’en conferiu os ingredientes. 

—  Não custou tanto quanto o que você gasta com comida, Yao. 

Açúcar, mel, queijo, frutas secas, leite, ovos. E também bebida destilada.

— São doces ao estilo do oeste.

— Nesse caso, por que você não experimenta adicionar isso também? — O que a En’en trouxe foi um recipiente de cerâmica. Quando olhou para dentro para ver o que havia, Maomao encontrou uma massa escura. Curiosa para saber o que era, ela cheirou e…

— Isso é…

— É cacau.

A forma era diferente da que Maomao conhecia, mas o aroma característico era inconfundível. 

— Por que você tem isso? — Maomao perguntou, alternando o seu olhar entre os ingredientes da bancada e o cacau.

Tenho a leve impressão de que essa mistura de pessoas e ingredientes já deu errado outra vez. Maomao pensou.

— Hoje, organizamos o estoque do consultório médico. Me deram permissão para trazer o que seria jogado fora, desde que não fosse perigoso. 

— Por que… você não me chamou…!

Maomao tentou avançar em direção a Yao, mas En'en rapidamente se colocou entre as duas. 

— Já prevendo sua reação, fiz questão de trazer tudo o que meus braços aguentaram. — Com um som de baque pesado, En'en colocou sobre a mesa um embrulho lotado de medicamentos.

— En’en… — Os olhos de Maomao brilharam de emoção. — Quer um beijo de agradecimento? 

— Vou ter que recusar o convite, obrigada.  — A recusa foi sem um pingo de hesitação.

Dentro havia vários tipos de medicamentos, cada um embalado individualmente em seu embrulho de pano. Quando Maomao, toda empolgada, tentou pegar um, foi agarrada pela gola. 

— Ei, termine o que começou. Se você se distrair, vamos ficar sem o jantar. 

— Ué, mas não é como se você fosse cozinhar alguma coisa, Yao.

Relutante, Maomao retornou para a receita de doce que estava fazendo. Aproveitando a presença delas, resolveu colocá-las para trabalhar. Primeiro, pediu que batessem os ovos até ficarem aerados. Depois, adicionou a manteiga derretida, o açúcar, a farinha e um pouco de leite. E então Maomao misturou na massa fofinha as frutas secas, que haviam sido marinadas em mel e no licor destilado.

— Hum, e agora, como eu uso isto? 

Maomao cruzou os braços diante do bloco escuro. Como tinha ingredientes de sobra, ela resolveu testar um pedaço, pois ele puro era apenas amargo. Seguindo a mesma lógica do chocolate, ela triturou apenas para que desse sabor a massa, e assim misturou. A massa que era amarelo clara logo foi ganhando um tom de mármore. Embora ela pudesse misturar até que ficasse homogêneo preferiu não fazer, pois achou o padrão mesclado bem charmoso.

— E agora, qual é  o próximo passo?

— Agora vamos colocar nas tigelas. —  Maomao pega alguns recipientes de fundo grosso e formato estranho.

— Eu não sabia que tínhamos louças assim aqui... 

— Digamos que foram "cedidos" por um tempo.

Aqueles utensílios vieram acompanhados do manual de preparo do doce. Maomao só foi generosa nas compras porque, além dos potes, também lhe deram um pagamento em dinheiro. 

Quero ser a primeira a experimentar quando terminar.“ O bilhete estava escrito com uma caligrafia elegante e refinada. Maomao não sabia quais eram as segundas intenções de Suiren, mas sentia que seria perigoso não entregar algo perfeito. 

Ela preparou a panela a vapor. A receita dizia que assado ficaria melhor, pois realçaria o sabor, mas o dormitório de Maomao não tinha forno. Mesmo lamentando um pouco a falta de um forno, Maomao colocou os recipientes na panela a vapor. 

— Estou ansiosa para provar. 

Yao parecia radiante. Enquanto isso, Maomao deu uma cutucada discreta em En’en.

— O que foi?

— Você conhece os benefícios do cacau para o corpo?

— Ouvi dizer que reduz a pressão sanguínea e evita o envelhecimento da pele não é?

— Evitar o envelhecimento… — Maomao não sabia dessa parte. Ela achou que tinha acabado de descobrir algo valioso.

— E que outros efeitos ele tem?

—  Dizem que promove o bem-estar...  Mas o que eu sei é que ele também é usado como afrodisíaco. 

Os olhos de En’en brilharam intensamente. Ela alternava o olhar entre Yao e o vaporizador, exibindo um sorriso raro e suspeito. 

— Com licença, mas você poderia separar um pouco para a senhorita Yao? É para o bem da pele dela, claro. 

— …… (Maomao ficou sem palavras )

O olhar de En’en não aceitava um "não" como resposta.

E agora, o que eu faço? De um lado, En’en estava falando sério, enquanto do outro lado, Yao, sem suspeitar de nada, aguardava ansiosamente pelo doce que terminava de cozinhar. 

Bom, o álcool vai evaporar, então acho que não vai ter problema… eu espero… Maomao concluiu que seria seguro, já que a quantidade de cacau que ela tinha colocado na massa era mínima, apenas para dar cor e sabor.

— Tudo bem, pode levar metade. 

Maomao sentiu uma leve pontada de culpa. Ela só esperava que Yao fosse resistente a substâncias "estimulantes".

— Acho que já deu tempo, não?

Yao, com os olhos brilhando de expectativa, cutucava o ar com um espeto de bambu, impaciente. 

— E o que vai fazer com a outra metade?  — En’en perguntou enquanto preparava o pano para retirar os recipientes quentes. 

— Hum... acho que eu mesma vou comer. 

— Seria uma boa oportunidade para dar de presente a alguém especial, não acha? O dono do seu coração… — En’en disse, com um tom levemente brincalhão.

— Alguém especial, é...? 

Ignorando o comentário, Maomao focou em separar primeiro a porção da Suiren. 

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— Aqui está, Jovem Mestre. 

— Já disse para parar de me chamar de "Jovem Mestre". 

Jinshi aceitou o doce que Suiren lhe ofereceu. Ela andava trazendo guloseimas com frequência ultimamente, mas o sabor de hoje parecia um pouco diferente. 

— Tem algo estranho no sabor, não acha? 

— Entendo, vou avisar a Maomao sobre isso. 

— Foi... foi a Maomao quem preparou isso aqui? 

— Sim. Em troca da receita que dei a ela, pedi para provar o resultado. — Suiren soltou um risinho discreto, cobrindo a boca com a mão. 

Jinshi fez uma expressão difícil de decifrar, mas continuou comendo, agora em mordidas bem menores.

[Kessel: kkkkkkkk! De repente se tornou a sobremesa favorita dele…]

[Noelle: Parece que ele não gostou não... kkkkk]

 

O fato de que, dias depois, no departamento médico, Luomen descobriria que o médico bigodudo do Palácio Interno havia comido os doces de Maomao (e ainda por cima os que continham cacau) é uma outra história.

(Os eventos dessa história provavelmente acontecem durante o Volume 7!)

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