Diários de uma Apotecária Japonesa

Tradução: Kessel

Revisão: Noelle


Receitas da Maomao

Espetinhos Grelhados

(Alerta de Spoiler: Eventos do Volume 10!)


Ela coçou a nuca nervosamente, sem saber o que fazer, quando um carrinho de espetinhos apareceu à vista. Ela apressou o passo e pediu dois ao vendedor. Só de olhar para a carne de frango perfeitamente dourada, sua boca encheu d’água.

— Rápido, antes que esfrie. — Maomao os guiou até uma rua lateral perto da estrada principal. Tirou a poeira de uma caixa de madeira e sentou-se sobre ela. Ao morder a carne grelhada, os sucos explodiram em sua boca, e a pele crocante do frango estalou audivelmente.

Ainda examinando o espeto com certo fascínio, Jinshi o levou à boca. Devia estar um pouco quente, pois ele soprou com força antes de mastigar e engolir.

Volume 2, Capítulo 7 - Um Passeio pela Cidade

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— Ei, Maomao.

Quem chamou Maomao de maneira nada sutil enquanto ela trabalhava foi Basen.

— Hã? O que foi?

Maomao respondeu enquanto pendurava panos fervidos para secar. Não era estranho um oficial militar como Basen aparecer na enfermaria. Porém, ele não parecia ferido.

— Me ensine a fazer espetinhos grelhados!

De repente, ele aparecia com algo completamente inesperado.

— Espetinhos?

— Isso mesmo.

— Não seria mais fácil simplesmente comprar numa barraca?

Maomao continuou estendendo a roupa lavada.

— U-um…Nesse caso, eles não vão esfriar até chegar em casa?!

— Levar para casa? Então quer dizer que o senhor quer fazer o Jinshi comer isso?

Basen hesitou um pouco ao responder.

— Então por que não pede para a senhora Suiren preparar?

— I-isso é… complicado.

— E por que seria complicado? Ultimamente parece que o senhor vive ajudando a senhora Suiren na cozinha.

Ao que tudo indicava, ele vinha sendo bastante útil misturando massas de doces assados. Sendo sincera, Maomao achava um saco ensinar alguém a fazer espetinhos. Se pudesse empurrar isso para Suiren, melhor ainda.

— Os espetinhos feitos pela senhora Suiren são refinados demais. O que eu preciso é daquele sabor meio gorduroso e barato das barracas de rua.

— Então o senhor acha que eu pareço gordurosa e barata?

— …Gordurosa, não.

Aaaah, entendi. Pode até parecer inocente com mulheres, mas Basen simplesmente não tinha qualquer tato quando se tratava de Maomao. Nem sequer percebia que estava sendo rude.

— Entendo. Então Jinshi gosta de sabores baratos.

Basen finalmente pareceu notar a própria gafe.

— …Quando alguém faz exercícios ou algo do tipo, acaba desejando comidas mais gordurosas e salgadas.

Maomao percebeu na hora. O fato de Jinshi querer comer espetinhos provavelmente era verdade. Da última vez em que haviam caminhado pela cidade juntos, ele pareceu gostar bastante dos espetinhos vendidos nas barracas. Mas não parecia ser só Jinshi. Basen também dava a impressão de estar desejando aquilo.

— Então o senhor Basen também conhece o sabor das barracas de rua.

— F-foi o Rihaku que me levou…

Entendo, então foi o Rihaku, pensou Maomao. Ela havia imaginado que talvez fosse obra da Chue.

— A senhorita Chue provavelmente conhece esses sabores melhor do que eu.

— Você acha que eu iria pedir conselhos àquela cunhada exibida?

— Eu não me importaria.

Ainda assim, Chue era especialista em provocar o cunhado. Mesmo que ensinasse direito, certamente faria questão de agir como se estivesse concedendo um enorme favor.

— Se o senhor tiver os ingredientes, eu ensino.

Basen estendeu um grande saco. Dentro havia duas galinhas já depenadas.

— Entendido. Venha comigo.

Maomao entrou no consultório médico.

— Com licença. Tudo bem se o acompanhamento de hoje forem espetinhos grelhados?

O velho médico respondeu sem sequer tirar os olhos do diário.

— E esse oficial aí do lado?

— Foi ele quem trouxe os ingredientes. Então ele também vai cozinhar. Tem algum problema?

O velho médico estreitou os olhos enquanto observava Basen. Não, na verdade ele não estava olhando para Basen, mas sim para as galinhas que ele carregava.

— Problema nenhum. Quer que eu chame o encarregado de desossar?

— Não precisa.

O “encarregado de desossar” era Tianyu.

Maomao foi até a cozinha. Preparou duas tábuas de corte e dois facões. Basen cobriu cuidadosamente o cabelo com um pano e também colocou um avental. Provavelmente porque imaginava Jinshi comendo aquilo depois.

— Então observe bem o que eu fizer e tente imitar.

Maomao começou a cortar a galinha. Retirou os ossos e cortou a carne cuidadosamente, mantendo os dedos em formato de “mão de gato”.

— Certo, entendi.

Mas… Esse tipo de atitude confiante de Basen era assustadora. Dava a sensação de que ele acabaria aprontando alguma coisa. Ainda assim, como esperado de um oficial militar, sua mão segurando a faca era firme, claramente acostumada a lidar com lâminas. Ele até fazia corretamente a “mão de gato”.

— Ah.

O mau pressentimento de Maomao acertou em cheio. A forma como Basen segurava a faca, a posição das mãos e até sua postura não estavam erradas. Mas o golpe de sua faca cortou a galinha ao meio de uma vez só… junto com a tábua de corte.

— …Se pedir no açougue, eles cortam a carne para você.

— Entendi.

Ficou decidido que Basen teria de pagar por uma nova tábua. Depois disso, ele ainda quebrou mais de dez espetos, mas Maomao decidiu considerar aquilo dentro da margem de erro.

— Agora vamos fazer o molho.

— Certo.

— Primeiro, joga bastante molho de soja fermentado.

— Açúcar mais ou menos nessa quantidade.

— E o saquê… algo por aqui.

— Não existem medidas exatas?

Basen fazia uma expressão complicada.

— Esse tipo de coisa é tudo no olhômetro. Se estiver preocupado com o sabor, faça assim…

Maomao mergulhou o dedo no molho e lambeu.

— Você não pode servir algo assim!

— Hã…?

— Nem diga isso!

— Claro que pode. Quer dizer, os velhos das barracas sempre fazem desse jeito.

Basen não conseguia esconder o choque no rosto.

— E isso sem falar que nem dá pra saber se eles lavaram as mãos depois de ir ao banheiro.

Basen levou a mão à boca, claramente enojado.

— Aliás… sabendo disso tudo, como você consegue comer sem problemas?

— Porque toda comida é feita por alguém em algum lugar. Se eu fosse me preocupar com cada detalhe, não conseguiria comer nada. Claro, eu evito lugares que parecem perigosos demais.

— É… verdade.

Basen finalmente tentou aceitar aquilo e começou a preparar o molho, mas ainda parecia incomodado com as quantidades.

— Ah, dane-se! Pelo menos me diga uma medida aproximada. Eu não entendo esse negócio de “olhômetro”. Além disso, os médicos não trabalham justamente seguindo medidas exatas?

— Eu faço isso porque é meu trabalho. Quando é para mim mesma, faço tudo de qualquer jeito. Mas tudo bem…

Maomao pegou uma colher.

— Se eu explicar usando quantas colheradas desta aqui, o senhor entende?

— Assim eu entendo.

Basen terminou os espetinhos enquanto se agitava de um lado para o outro. Assim que concluiu os espetinhos brilhando de gordura, deu uma mordida enorme.

— Hmmm.

— “Hmmm”…?

Vai reclamar do sabor? Maomao pensou enquanto também provava um espetinho. Não estava ruim, mas, ainda assim, ela achava os espetinhos das barracas insalubres muito mais gostosos.

— Certo, você me salvou. Pode ficar com o resto da carne.

Basen já ia embora com uma expressão revigorada quando Maomao o chamou.

— Espere.

— Limpar tudo também faz parte da culinária.

A tábua cortada ao meio, os espetos quebrados e a louça ainda suja estavam espalhados por toda parte.

 

Dias depois…

— Maomao, Maomao.

— Senhorita Chue, senhorita Chue. O que foi?

Como sempre, Chue apareceu vagando sem aviso.

— Ouvi dizer que você ensinou meu cunhadinho a fazer espetinhos outro diaaa.

— Sim, ensinei.

— Fufufuuu…

— O que foi?

Maomao perguntou ao ver Chue exibindo um sorriso suspeito.

— Ah, não é nadaaa. É que hoje ele saiu bem cedo de manhã. E eu fiquei pensando para onde será que foiii…

— Se for por causa dos espetinhos, provavelmente foi até o Príncipe da Lua, não?

— Pois é, mas não foiii.

— Então eu não faço ideia.

Maomao voltou ao trabalho.

— Eh?

— Ora, ora… para onde será que ele foi, hein?

Chue falou para o vazio, mas Maomao decidiu ignorá-la.

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Enquanto o som dos grasnidos dos patos ecoava ao redor, Basen entrou desajeitadamente em um pequeno galpão.

Dentro dele havia apenas uma jovem que cuidava dos patos.

— A-ah… você gostaria de almoçar comigo? É-é espetinho… de frango. Não é carne de pato, então…

Os dois, ainda tímidos e inexperientes, estavam cercados por filhotes de pato.

[Kessel: Lishu!!! Basen!!! Fofos!!!!!!!!!!]

(Os eventos dessa história provavelmente acontecem durante o Volume 10!)


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