Destino Elementar Brasileira

Autor(a): Rose Kethen

Revisão: Ana Paula


Volume 1 – Arco 1

Prólogo

Olá, eu sou Henry Lerner, e pode soar meio anticlimático, mas, neste exato momento, estou morrendo após uma horrível luta de vida ou morte.

O motivo...? Bem, para responder isso, terei que tomar um pouco do seu tempo e contar sobre a minha vida — claro, resumidamente. Hah.

Eh... Eu sei que não é a melhor hora para isso, mas qual é, deixe-me aproveitar meus últimos momentos ainda neste mundo.

Sabe... durante uma boa parte da minha vida, passei por diversas provações. Muitas considerei azar, outras, como desafio do destino ou do próprio Deus — quem sabe o Diabo — brincando comigo.

Este meu “inferno”, como chamava, começou bem cedo. Foi logo aos seis anos... Meus pais foram atingidos por balas perdidas, disparadas por policiais, e acabaram morrendo ali mesmo, sem serem ajudados.

É, sem dúvidas, foi aí onde notei meu pequeno mundo começar a desabar completamente. Um choque inesquecível...

Mas, posso dizer que ainda fui sortudo. Sei que se não houvesse ela ali, meu fim teria chego muito mais cedo... Minha irmã, Sophia, me salvou.

Caramba, toda vez que lembro que essa garota, ainda aos dezesseis anos, conseguiu assumir o posto de mãe e pai apenas para cuidar de mim... Sempre me levantando, buscando minha alegria acima de tudo. Isso tudo ainda quando éramos apenas crianças!

Hah... Que tempos...

É...

Oh! Desculpe parar, mas pensar nisso me traz uma alegria... E... Bem, vamos continuar.

Ainda aos dezesseis, ela largou o colégio sem pensar duas vezes, apenas para tentar nos sustentar. A nossa situação não era nada fácil, afinal.

Assim que nossos pais morreram, foi decidido para quem a nossa guarda iria. Era basicamente uma roleta para jogadores que não queriam a aposta. Ninguém podia e, muito menos, queria cuidar de duas crianças na situação que estava o país. Se sustentar sozinho já era difícil, imagine com duas cargas extras, que não geravam qualquer benefício.

E, no fim, foi dada a nossa guarda para a minha tia.

Passamos a morar em uma casa separada, que ainda era posse dela, porque ela não gostava de nos ver. As raras ocasiões que viria, seria para confirmar que estávamos ainda vivos.

Éramos uma verdadeira “bagagem problemática” para a vida dela. Dessa forma, evitava qualquer envolvimento sentimental ou físico, apenas dando uma minúscula renda para termos o que comer durante a primeira semana do mês. Bom, não sei se devo dizer que era uma sorte por ainda termos um teto... Hoje, entendo melhor como ela pensava.

Huh? Se eu guardo algum ressentimento? Nem um pouco, até porque a minha tia foi forçada pelos outros membros da família a nos dar um teto. Os outros sequer perguntaram se estávamos bem. Pelo menos, ela fez o que foi pedido.

Por conta dessa situação, e de outros motivos, minha irmã, literalmente, trabalhou sem parar, ao ponto de acabar com a sua própria saúde, apenas para que pudéssemos ter os mesmos privilégios que outras famílias.

Mas, como falei antes, nosso país se encontrava numa péssima situação...

Foi uma crise de anos. Ruas cobertas por pessoas protestando. Guerras civis frequentes em diversos estados. Não tinha como ter empregos bons ou seguros nessas circunstâncias, principalmente para uma adolescente, que mal havia começado a vida adulta.

Eu, criança, consegui suportar a dor de perder os pais, a fome, a tristeza do abandono do resto do mundo, apenas por ela. A minha irmã me salvou de tudo.

Haha... Ela era fantástica...

Hah...

Talvez fosse muito rigoroso, mas o valor ensinado por ela foi o motivo de eu ter superado tudo até hoje.

Ainda lembro daquelas palavras...

Henry, papai e mamãe podem não estar mais aqui... Podemos sentir fome, frio... Talvez até não consiga realizar o meu sonho... Mas, Henry...! Só te peço uma coisa. Se dedique, se esforce, muito mais do que qualquer outro! Acabe com todo esse sofrimento e nunca mais deixe se aproximar da sua vida... Me prometa isso, ok? Não quero mais te ver desse jeito... meu bobinho.

Como nós choramos naquela noite fria... Acho incrível como ela foi capaz de dizer isso. Ela sabia, melhor do que qualquer outro, quão cruel era a realidade. Que não poderia realizar o que sonhava por tantos motivos, mas, mesmo assim, me deu todas as forças para fazer o que ela não pôde.

E, foi a primeira vez que senti algo que nunca mais senti. Foi como se ali, naquele instante, algo tivesse acendido dentro de mim.

Comecei a me esforçar. Com apenas oito anos, levando aquilo que a minha irmã disse ao limite, fui colocado como um dos melhores alunos da escola. Não importava se era um colégio público, com professores em falta, e uma educação decadente, continuei a polir meus conhecimentos.

Foi durante essa época que descobri que conseguia memorizar tudo o que eu prestava atenção.

Não posso negar, muito do que conquistei foi por estes dois fatores. Esforço e memória. Contudo, não gosto de pensar que seja um privilégio. Cada um enfrenta sua guerra com o que tem disponível.

Além disso, também foi o início do meu pior hábito.

Pode não parecer, mas crianças realmente são muito influenciáveis. Ambiente, pessoas e atitudes. Por nunca ter alguém presente perto de mim, acabei me prendendo totalmente aos livros que meus pais tinham. Um vínculo imaginário que eu chamava de amizade.

E dessa maneira, acabei pulando alguns anos na escola por conta do esforço colocado, mas sabe o que acontece quando uma criança de 8 para 9 anos está na mesma turma de crianças de 11 anos? Vou te dizer; ela é agredida e sofre nas mãos das crianças mais velhas e, no fim, isso passa a se chamar de ‘brincadeira’.

As crianças, ao menos no meu país, pareciam ter um ódio gigantesco e descontavam nos mais fracos. Como eu era o mais novo e o que mais se destacava na escola, acabei sendo o alvo perfeito para os estudantes da minha turma.

Todas as manhãs ao chegar à escola, durante o intervalo e no fim da aula, eu era agredido pelos outros alunos e mesmo que os professores vissem, acredito que só pensavam: É apenas coisa de criança.

Nunca revidei a violência, nunca quis erguer meus punhos para me defender ou atacar, não sentia necessidade disso, não buscava mais ódio, só queria que tudo aquilo terminasse de uma vez, aqueles minutos sendo socado, chutado e verbalmente ameaçado, eram apenas perda de tempo para mim. Eu poderia estar gastando esses minutos aprendendo e lendo.

Naquela época, isso era tudo o que pensava, aprender e me tornar alguém rico para cuidar e dar para a minha irmã a felicidade que merecia.

E assim, passou-se o tempo e, aos meus 10 anos, minha irmã adoeceu.

Ela estava com 20 anos e tinha se tornado uma linda mulher, desejada e considerada uma flor em meio ao lixo onde trabalhava.

A doença era resultado do ambiente onde ela trabalhava, que envolvia materiais “não convencionais”. Essa doença era incurável naqueles anos, e a cura só viera aparecer depois de 11 anos.

Minha irmã, que era o meu pilar, meu exemplo e minha motivação, estava para colapsar. A doença era rápida e mortal, mas Sophia ainda persistiu ferozmente por 1 ano inteiro, contudo, eu havia perdido meu apoio emocional.

Nossa tia, para evitar problemas para o seu lado, enviou minha irmã ao hospital de uma vez e eu só podia visitá-la uma vez a cada mês.

Minha guarda foi passada para o meu tio, que era um bêbado inveterado extremamente violento. Ele tinha ido para guerra quando mais novo e acabou perdendo uma perna. Debaixo do teto dele eu era espancado por qualquer motivo que lhe viesse à mente e assim foi parte da minha infância com meu tio.

Acredito que, por causa desse abuso excessivo, minha determinação se desenvolveu ainda mais firme, mas o destino ainda guardava o pior para mim...

Eu via minha irmã adoecendo, cada vez mais, sobre aquela cama branca e solitária.

Todas as vezes que a via naquela cama, doía-me o peito, queria curá-la e queria que ela me desse aquele sorriso caloroso novamente, mas tudo o que via era minha irmã magra e infeliz. Mesmo que ela se esforçasse a dar aquele sorriso que eu ansiava, já não era o mesmo, o medo da morte havia dominado seus olhos.

Pensando sobre isso agora, era óbvio que ela sentiria medo. Afinal, enquanto era apenas uma adolescente teve que suportar o fato de perder os pais, cuidar de uma criança que nem entendia nada sobre o mundo e assim que pisou na idade adulta, deparou-se com uma doença incurável...

Apesar que eu fosse indiferente, insensível e sem apego a nada, minha irmã era a minha fraqueza.

Eu era uma criança muito complicada de se lidar e realmente não ligava para mais nada, exceto me esforçar e o bem de Sophia.

Então, havia chegado o dia da morte da minha irmã. Eu não chorei, não me permitia chorar, jurei a ela que iria me esforçar e formar o futuro que almejava. Se eu chorasse, sei que ela me repreenderia.

Aos meus 11 anos, após a morte da minha irmã, e suportando toda violência vinda do meu tio e dos meus colegas, desenvolvi desconfiança e medo das pessoas, já que essas pessoas eram tão sem vida, tão cruéis e tão horríveis.

E dessa forma, desenvolvi um medo especifico. Medo de encontrar alguém tão especial igual a minha irmã, meus pais, e depois perder essa pessoa, como eles.

Mesmo que o destino estivesse rindo de mim, mantive-me em pé. Minha determinação em não desistir do que almejava era maior que tudo.

Mas, em um certo dia, aos meus 11 anos, conheci o velho que virou meu mundo de ponta cabeça.

Nesse dia, como em qualquer outro, eu estava sofrendo o bullying dos outros colegas que eram mais velhos.

Eu realmente havia entendido, que em meu país natal, não havia nenhuma moral, visto que nem mesmo as crianças tinham quaisquer escrúpulos.

Essas crianças me socaram ao ponto de eu sequer conseguir abrir direito meus olhos e quase quebraram minhas mãos, só porque eu não largava meu livro.

Realmente nocivas, quando o moleque, que parecia o líder, ia pisar nos meus dedos, uma mão magra e ossuda parou o pé do moleque e o empurrou para trás.

Quando reparei, havia um velho agachado ao meu lado dando um sorriso para o moleque. Foi tudo tão rápido, eu não entendia mais nada do que estava ocorrendo.

Embora queira contar toda a história sobre ele, terei que pular isso.

O velho simplesmente espantou esses moleques e olhou para mim com olhos curiosos.

Ele me contou que observou a ‘briguinha’ o tempo todo. Quando ouvi isso, senti uma grande vontade de socá-lo. E, logo em seguida, questionou-me o porquê de eu não ter levantado meus punhos para me defender em momento nenhum, nem por reflexo ou vontade.

Eu não confiava nele só porque espantou os moleques, então, levantei com dificuldade e respondi: — Senhor, eu só não senti vontade. Quanto mais eu revidasse mais vontade eles teriam de me bater, isso só geraria mais perda de tempo.

Quando eu respondi, ele apenas olhou para mim com seus olhos cerrados e repentinamente agarrou meu punho. A força que tinha era inacreditável, não importava a força que eu usasse, seu braço sequer tremia. Seria mais fácil arrancar meu braço do que ele soltar.

Ele pressionou seu dedo no meu punho, sentindo minha pressão sanguínea com olhos brilhantes e, com um grande sorriso, afirmou que iria me acompanhar para minha casa, com a desculpa de que “evitaria que houvesse outras brigas pelo caminho”.

Naturalmente, achei suspeito, suspeito até demais! Mas o que poderia fazer? Eu era apenas uma criança, que não lidou nem com os moleques que me atormentavam, enquanto ele, com uma mão, os espantou.

Quando ele disse isso, só pude suspirar e, de uma vez, retomei o caminho de volta para casa.

Eu queria poder negar que me seguisse, mas já sabia que ele me seguiria mesmo assim...

O velho me acompanhou perguntando sobre diversas coisas, testando meus conhecimentos e toda vez que respondia algo, mais seus olhos brilhavam.

Sério, chegou ao ponto que pensei que seria sequestrado se eu respondesse mais coisas.

Chegando perto da casa do meu tio, o velho me parou subitamente e disse para esperar.

Eu questionei o motivo, e ele respondeu rapidamente: — Há algo estranho.

E assim como uma rajada de vento, ele havia sumido do meu lado e já estava em cima do portão de casa, entrando rapidamente. Sério, preciso mesmo dizer que ver um velho correr mais rápido que um maratonista não me deixou pasmo?

Após ter passado alguns minutos, ele saiu e me perguntou: — Garoto, sei que você é diferente de todas outras as crianças que já conheci, mas preciso saber, o homem dentro da sua casa era alguém importante para você? — Seu rosto estava extremamente sério quando fez esta pergunta.

Era realmente uma indagação esquisita, mas, por algum motivo, mesmo não confiando nele, uma força sobrenatural me fez responder sinceramente essa pergunta. Algo que jamais aconteceria se alguém perguntasse.

— Ele é apenas meu tio, podemos até ter o mesmo sangue, mas ele não é alguém que chamaria de importante.

E com essa resposta o velho disse: — Eu posso ter uma ideia do que aconteceu entre vocês dois, mas isso não importa no momento, agora vou te dizer honestamente... Seu tio foi esfaqueado dentro de casa e já faz algumas horas que isso aconteceu.

Eu não tive tempo para assimilar tudo, a única coisa que me passou na cabeça naquele momento foi: Mais um? Por que todos que estão próximos de mim sempre acabam assim? Não importa se eu ame ou odeie? Todos acabarão nisso?!

Ainda que tantas dúvidas viessem, não me senti mal pelo meu tio, nem felicidade ou algo assim, apenas indiferença. O problema real era que eu não tinha mais com quem ficar.

E, do nada, o velho começou a ligar para alguém com seu celular e foi rapidamente respondido. Então começou a falar com alguém de maneira exaltada: — Quem fala é o Shen Zi. Hã? Não acredita nisso? Quem ousaria tentar fingir ser eu?! Se questionar mais uma vez, juro que você não terá mais um dia para viver, entendeu?! Ótimo, assim é bem melhor. Então, eu preciso rapidamente dos documentos, dados e guarda do... — Com uma pausa e dúvida ele me perguntou: — Garoto, qual seu nome mesmo?

E de novo, alguma coisa naquele momento me fez responder honestamente: — Henry Lerner, por que, Senhor?

Ele ignorou a minha pergunta e disse: — Quero tudo sobre um garoto chamado Henry Lerner, você tem até amanhã para passar tudo sobre ele para mim, quero a guarda dele imediatamente!

Embora tudo isso tenha acontecido de uma maneira que eu não esperava, o velho respondeu minhas dúvidas e até as que viriam pela frente.

— Garoto, ao tocar seu punho e sentir sua circulação, aproximei-me do seu espírito, ou energia Chi, como queira chamar. Quando senti seu espírito, vi e senti as cicatrizes que lhe cobrem, não existem muitos que aguentariam passar pelo o que passou em sua idade. — Ele disse isso com uma expressão séria, e seus olhos diziam que haveria mais pela frente.

Mesmo que, naquela época, eu não entendesse nada, todas as coisas que ele disse carregavam um profundo significado, que só depois de alguns anos entenderia.

Ele continuou a falar comigo: — Pelo estado da casa do seu tio, percebo que você passou por diversos problemas com ele. Desculpe pela apresentação atrasada, mas eu não tenho costume de conversar com pirralhos. Eu sou o Mestre Shen Zi, o maior mestre vivo! — Ele, com um sorriso, continuou. — Não é arrogância da minha parte dizer que ninguém nesse mundo pode se comparar comigo! E já decidi que você será meu primeiro discípulo! — Ele ignorou completamente o fato que eu havia perdido meu tio alguns momentos atrás, como se fosse irrelevante para ele.

Não podia cobrar dele algo que nem mesmo eu sentia, era irrelevante naquela hora.

Eu o encarava com olhos duvidosos.

Ele chegou do nada, dizendo ser o maior mestre do mundo e que me queria como discípulo, como diabos eu poderia acreditar nisso? Era mais fácil acreditar se ele dissesse que era um sequestrador e que iria me sequestrar. Tudo bem que em meu mundo a cultura de artes marciais era ativa, mas no meu país, tudo sobre os países exteriores era censurado, então isso era realmente algo irreal para mim.

Ele sorriu grandemente dizendo: — Heh. Não precisa me olhar com esses olhos duvidosos, Garoto. Não veja isso como um ato bondoso, na realidade, não é. Esse velho com quem fala é egoísta e arrogante, mas sincero, pelo menos. Escolhi você como primeiro discípulo porque nunca vi um garoto com tantos talentos inatos nessa minha vida! Seu físico, sua energia e vida mostram que você é alguém que não está atado às linhas comuns desse mundo. Você deve e será grande! — Ele começou a gargalhar sem parar após dizer tudo isso.

Eu ia dizer algo, mas ele levantou o dedo para minha boca e disse: — Aquele, com quem falei agora há pouco, é o governador desse país. Diga-me, você tem algum apego à sua família ainda? Eu respeitarei sua decisão se quiser se despedir deles, mas não estou disposto a te largar, você será, de qualquer maneira, meu discípulo. — Seus olhos nunca deixaram de ser sérios, não importava se ria ou o tom mudasse. Era como um tigre agarrado em sua presa, não soltaria por nada nesse mundo.

Nessa hora, pensei em uma velocidade extremamente rápida, ainda não conseguia acompanhar os acontecimentos, era algo incompreensível para mim.

Com a voz trêmula, não por medo ou tristeza, mas por incerteza, respondi: — E-eu... não tenho ninguém em quem confiar, todos que eram importantes...

O velho tocou na minha cabeça com um sorriso gentil e me respondeu: — Quieto, Garoto. Deixe-me falar para você; o mundo é vasto, as pessoas são complexas e sentimentos são diversos. Você é novo. Então, não se preocupe em quem confiar agora, com o tempo você decidirá isso e eu não estou falando que é para confiar em mim. Estou dizendo que vou ensiná-lo, não quero que minha arte marcial seja esquecida, mas só posso passá-la para o mais talentoso.

Embora fosse rude a última parte de alguma maneira, sua eloquência havia captado o que eu desejava; sinceridade. Não confiava nele e nem ele confiava em mim, mas eu não tinha objetivo, além de ser o mais dedicado e construir um futuro. Se ele pudesse me proporcionar isso, eu aceitaria sem questionar.

Naquele momento, pensava que era apenas uma troca. Eu teria um futuro brilhante, providenciado pelo apoio dele, e, em troca, só precisava aprender a sua arte marcial.

Ele entendeu meu silêncio como minha aceitação, olhando para o céu ele disse: — Sabe, quando toquei seu punho você sequer se assustou, fora querer se livrar da minha mão, mas não sentiu medo e nem mesmo sua pressão sanguínea aumentou. Nunca vi isso na minha vida, ainda mais em uma criança. Garoto, sei que em sua cabeça você pensa que é perda de tempo erguer seus punhos para se defender ou atacar, mas você está pensando de maneira errada!

O discurso dele era extremamente confuso, a primeira parte eu não havia entendido nada, para mim era natural ser assim.

Já a segunda parte, ele estava tentando dar uma lição de moral? Eh, como posso considerar ele um exemplo se parecia um maluco falando insanidades? Eu realmente não conseguia e nem iria acompanhar a linha de raciocínio dele. Mesmo atualmente, não consigo.

Ele colocou as mãos em meus ombros e, com um aperto firme, declarou: — Garoto, irei corrigir essa mentalidade distorcida que desenvolveu. Nenhuma garota irá gostar de um garoto tão indiferente e insensível como você! Não é para você erguer seus punhos e lutar ódio contra ódio ou vingança por vingança. É para você erguer seus punhos para defender e proteger o seu futuro e as coisas importantes em sua vida! Você deve erguer seus punhos para acabar de uma vez com aqueles que querem parar seu caminho!

Então, a partir disso, meu treino com Mestre Zi começou.

No início foi extremamente complicado, pois ele realmente queria mudar minha mentalidade, mas, por sorte, a fase em que eu estava era a que se adaptava mais rápido.

Aos 12 anos, o Mestre Zi passou a me ensinar a arte marcial "Si Zhang", dividindo meu tempo em 5 horas de sono, 10 horas de treino, 5 de estudo e o resto era meu tempo livre.

Si Zhang era conhecida como Punho da Morte, que se devia ao fato de consistir na mistura e adaptação de dezenas de outras artes marciais, fazendo-a ser um estilo mortal e sem falhas. E, caso houvesse, seria culpa do praticante.

Mestre Zi havia afirmado que era o maior mestre, e de fato era, sendo também o mais poderoso e incrivelmente rico.

Sem ninguém à sua altura para lutar, ele passou a viajar por todos os lugares do mundo, apenas para ver a grandiosidade do planeta. E nem sequer esperava encontrar um discípulo dessa maneira.

Meu treinamento aconteceu ao redor do mundo. Ele me jogava em selvas densas, desertos ardentes, desertos glaciais e, ainda mais, sem quaisquer suprimentos.

Ele participava de alguns no início, explicando o motivo de cada lugar fazer o corpo humano se adaptar e melhorar, tal como subir montanhas e treinar os pulmões, tornando sua circulação e respiração mais poderosa.

Ele falava que a base do Si Zhang era o treino interno, não espiritual, mas sim para treinar os órgãos. Isso era o mais importante.

Mestre Zi não esperava apenas uma coisa, fora meu talento inato para artes marciais, eu tinha uma memória eidética. Gravando tudo o que ensinava, todos os passos e movimentos do Si Zhang com perfeição. O problema era apenas executá-los novamente, já que gravar não era o mesmo que aprender. Mas, com um esforço extremo, conseguia aprender, não importava como.

Após quase 10 anos de treino, Mestre Zi me disse com uma expressão alegre, mas também complicada, que havia me ensinado tudo o que poderia, e que havia chegado a hora do pequeno tigre crescer.

Como nesses 10 anos, nunca consegui vencer meu mestre, portanto, esse desejo tornou-se uma meta para a minha vida.

Gostaria de contar sobre nossos últimos momentos, mas é hora de falar do que interessa.

Mestre Zi me deu um cartão que era conectado com sua conta bancária e seus dados, permitindo-me viajar para qualquer lugar do mundo sem qualquer impedimento, independentemente de quão restrito fosse o país.

Por vontade própria, fui para outros países testar minha força, desafiando mestres e os vencendo. Eu já não era mais aquele garoto que era humilhado e ficava quieto. Agora, eu sabia o peso que carregava em meus punhos e já não andava no mesmo caminho que pessoas comuns.

Mestre Zi forjou minha personalidade, de um menino indiferente e insensível para um homem animado que desejava continuar o caminho que começou. Aquela pequena chama fria e frágil que eu carregava dentro de mim havia se tornado gigantesca e ardente.

De início, achei que seria apenas uma troca. Uma troca por um futuro garantido, por carregar sua arte marcial, mas assim que fiquei mais próximo do Mestre, percebi que não havia volta, esse era meu mundo agora, eu devia ficar mais forte e completar meu objetivo: vencer meu mestre!

Em certo país, com cultura parecida com a do Mestre, encontrei o amor da minha vida, Zhuang Jinse, uma garota loira de olhos verde-esmeralda. Sua beleza era sem igual, só perdendo para seu talento nas artes marciais. Não estou falando isso só porque amo ela, mas porque realmente é verdade.

Uma história complicada que amaria contar, mas nesse momento estamos perto do momento da minha última luta.

Após muito viajar, desafiar e lutar, acabei me tornando um dos mais fortes do mundo, finalmente iria desafiar o Mestre e resolver tudo.

Voltando ao meu país natal, fui em busca do Mestre.

Eu já estava com meus 26 anos e Jinse com 24 anos. Ela estava extremamente ansiosa por isso, mas por conta de estar grávida, disse para ela evitar lutar e que teria sua chance após nosso filho nascer, já que eu não estava indo para matar o Mestre e sim vencê-lo.

Então, aqui estamos, o momento da minha última luta.

No momento em que encontrei o Mestre, ele estava deitado em uma poça de sangue, com 3 tiros nas costas. Ainda estava vivo, mas inconsciente.

Nessa situação, eu fugi com o Mestre em minhas costas e gritei para Jinse ir para o ponto onde combinamos antes, caso houvesse imprevistos. Eu corri para a direção oposta que combinamos. O inimigo estava atrás do Mestre, jamais colocaria a vida de Jinse e nosso filho em perigo.

O Mestre constantemente acordava e desmaiava, por causa da perda de sangue. Nesses lapsos de consciência, ele conseguiu contar que estava sendo perseguido por diversos especialistas.

Ele havia matado mais da metade, mas acabou sendo parado em uma luta mortal contra um grande mestre de artes marciais, e em um momento de cansaço da luta, um dos especialistas, que era sniper, atirou nele e o acertou 3 tiros.

Enquanto fugia com o Mestre, fui confrontado por outros especialistas em curta distância que me acertaram diversas vezes. Eles sempre visavam o Mestre, e lutar enquanto defendia alguém inconsciente e morrendo lentamente, era uma das tarefas mais complicadas, principalmente contra especialistas em assassinato, mas no fim, consegui matá-los.

Mas era como esperava, assassinos sempre lutam usando veneno em suas armas. Sinto até mesmo agora o veneno me consumindo lentamente.

Chuva começou a cair daquele céu cinzento, piorando tudo ainda mais. Minha maior vontade nesse momento era acabar com o sniper que atingiu o Mestre, nada além disso. Meu espírito queimava de antecipação e meu sangue estava fervendo em animação por esse momento.

Eu podia estar envenenado e sangrando lentamente, mas com isso eu finalmente pude compreender a verdadeira essência do Si Zhang; os punhos que protegem o que é de mais importante se tornam ainda mais mortais.

Correndo com o Mestre nas costas, senti que não havia mais ninguém mirando em mim ou me seguindo... O que era estranho, já que o sniper sempre manteve sua mira em nós...

Então eu senti uma corrente de ar estranha vindo ao meu lado direito. Quando dei um olhar rápido, vi uma espada voando em minha direção. Contudo, eu só pude virar o rosto rapidamente, e ela deixou um longo arranhão na minha bochecha.

Nesse momento, larguei o Mestre. Sabia que era uma luta na qual deveria colocar todo meu empenho. Então o Mestre acordou e disse: — Lei Chen... não toque no meu discípulo... seu monte de merda! Cof, cof, cof! Assim que disse isso, o Mestre começou a tossir sangue sem parar.

Lei Chen que parecia ter 40 anos, estava vestido totalmente de preto, igual aos outros especialistas, então falou enquanto caminhava em nossa direção: — Fique calado aí, velhote. Ele será uma boa maneira de vingar o que você fez com meu mestre.

Quando ele terminou de falar, a sua energia explodiu. Era densa e poderosa, mas continha ressentimentos inimagináveis. Como um vulto, ele apareceu no outro lado, onde sua espada estava cravada na parede.

Ele olhou para mim e disse: — Aquele sniper que atirou pelas costas de Shen Zi está morto. Eu mesmo acabei aquele desgraçado por ter interrompido o meu combate contra Shen Zi.

Eu respondi com extrema raiva: — Então você o matou... que azar, eu planejava fazer isso. Parece que terei que descontar toda essa raiva que estou guardando nesse seu rosto de merda!

Lei Chen não esperou mais. Com o rosto sombrio veio novamente como um vulto atrás de mim, brandindo a espada horizontalmente, visando meu pescoço. Com meu reflexo anormal, minha mão interrompeu seu punho e o arco da espada parou na metade do caminho.

Lei Chen parou por um momento, como se estivesse chocado, então bateu rapidamente na minha mão, soltando-a do seu punho e recuou alguns passos.

Eu não esperei mais. Soltando toda minha energia, avancei contra ele. Todo o peso do meu poder foi colocado em meus pés, e o chão asfaltado rachou com meus passos.

Em um instante eu estava de frente com Lei Chen, meu punho direito visava seu rosto e a mão esquerda aberta, como uma espada, estava indo direto ao seu peito para perfurá-lo.

Lei Chen segurou o meu soco com a mão esquerda, e sua espada foi colocada de lado em frente ao seu peito, apartando a perfuração da minha mão.

Após parar meu ataque ele novamente recuou alguns metros, abriu um sorriso, largo e assustador, e começou a gargalhar.

Então ele soltou algumas palavras, após sua gargalhada horripilante: — KUHAHAHAHAHAH! Esse discípulo é incrível Shen Zi! Ele não teme nem mesmo uma espada que é brandida por mim! Onde que encontrou um monstro como ele?! — Lei Chen então olhou para sua espada que teve a lâmina prensada pelas pontas dos meus dedos e voltou a olhar para mim com olhos desejando meu sangue.

Nesse momento, ele mudou a sua postura, não era mais aqueles passos fantasmas de antes, era uma aproximação normal com passos tranquilos. Lei Chen não demonstrava que iria me atacar a qualquer hora... a espada estava abaixada, deixando seu corpo cheio de aberturas.

Eu não era mais o novato que cairia em algo tão idiota, só porque havia aberturas. Ele era um grande mestre, capaz de lutar contra meu mestre.

Quando se aproximou a dois passos de distância de mim, ficou com uma expressão serena. Eu já estava desconfiando que ele tivesse distúrbios mentais, mas não esperava que bipolaridade estivesse incluída.

Nesse momento, ele agarrou, com a mão direita, uma espada curta em sua cintura, fazendo um arco vertical e, com a esquerda, um horizontal. Eu só pude esquivar para trás.

Mas ao fazer isso, eu ficaria preso contra uma parede e um grande mestre, porém, era a única opção.

Mestre Zi estava acordado olhando com uma expressão dolorosa.

Só que, nesse momento ocorreu um descuido da minha parte.

A espada curta de Lei Chen se soltou de sua mão, enquanto eu esquivava. A espada vinha para minha direção e eu já não podia segurá-la, porque foi no momento em que eu estava olhando o Mestre.

Quando reparei, ela já estava cravada em meus intestinos e presa na parede.

Lei Chen começou a rir novamente e debochar de mim. — Que inocente, foi olhar para o seu velho mestre e perdeu o movimento da minha mão. Seu reflexo parece que é inútil quando está preocupado, huh?

Com isso, arranquei a espada presa na minha barriga, e sangue começou a cair sem parar.

Eu sentia minha vitalidade ir junto com meu sangue, mas minha fúria estava em seu ápice. Lei Chen viu que meus olhos não perderam a vontade de quebrar ele na porrada.

Lei Chen brandiu novamente sua espada, e eu a bloqueei com a curta.

Quando a força da queda de sua espada foi aparada pela lâmina da espada curta, com a minha mão esquerda agarrei a lâmina da sua espada e a amassei com toda minha força.

Lei Chen a deixou na minha mão e recuou alguns passos, eu larguei ambas as espadas e falei com dor e ira: — S-se eu cair... você vai cair pro inferno comigo... seu filho da puta!

E, agora, estamos no mesmo tempo dos acontecimentos.

Lei Chen aumentou ainda mais sua energia e não abriu mais a boca para nada. Ele sabe que eu posso matá-lo se eu o acertar.

Mas agora é hora de mostrar nossas artes marciais. Esquivar não é opção. É ser acertado e acertar ainda mais forte. Quem ficar em pé será o vencedor e quem cair perecerá.

Eu tomei a posição da técnica que o Mestre mais se orgulhava, que colocava tudo em apenas um punho. Assim como dito no nome da nossa arte marcial, é o Punho da Morte, o punho que toma a vida do oponente.

Lei Chen tomou uma posição que nunca vi, com ambas as mãos abertas e baixas até seu abdômen, e voltou ao passo fantasma de antes.

Eu não tenho mais força para usar o Avanço Relâmpago, aquele passo que usei para atacá-lo com meu punho e minha mão aberta. Se eu forçar isso agora, possivelmente irei desmaiar e morrer antes mesmo de chegar em Lei Chen. É hora de usar o Passo Sombrio.

O Passo Sombrio é uma técnica que controla o impacto dos passos e transfere até seu punho. Cada passo aumenta a força do punho, mas não é tão poderoso quanto o Avanço Relâmpago, já que o Passo Sombrio foi desenvolvido para enganar o oponente, assim como os movimentos de Lei Chen.

É HORA DE ACABAR COM ISSO!!!! VENHA, LEI CHEN! VOCÊ MORRE HOJE!

Nós dois, em nossa velocidade explosiva, começamos nossa batalha mortal. Lei Chen, que estava com a mão aberta, fechou três de seus dedos, deixando apenas o indicador e o dedo médio visando minhas artérias. Já eu, com o velho punho fechado para socar a cara dele de uma vez.

Toda vez que eu tentava acertá-lo, ele defendia e lançava um chute me fazendo recuar e, novamente, voltávamos a correr e acertar um ao outro.

Parecia ter passado uma eternidade... Pergunto-me quantos segundos apenas se passaram... Mestre, será que te trouxe orgulho? Consegui chegar aonde desejava? Eu já não sei mais... por que estou pensando nisso agora?

Eu estou cansado dessa batalha, meu sangue está despejando sem parar, essa batalha me levou ao limite...

Jinse, desculpe, mas se eu não usar isso agora, morrerei sem acertar ele... sei que você entenderá o porquê disso e sei que você ficará bem, meu amor...

Os dois dedos, de cada mão de Lei Chen, entraram na artéria do meu braço esquerdo e a artéria da minha perna direita.

Eu deixei ele me acertar, porque não teria como eu acertá-lo no estado em que estou. Era esse o momento que estava esperando!

Eu precisava dessa brecha, mesmo que custasse minha vida!

Agora não tem volta! EU VOU MORRER, MAS ESSE FILHO DA PUTA VEM COMIGO!

Com meu punho direito, carregando toda minha energia, o lancei bem no meio do seu rosto, senti seu crânio rachar em diversos lugares.

Seu nariz foi amassado até virar polpa, seus dentes entraram em sua garganta, sua mandíbula se deformou completamente, o que segura ela agora é apenas pele e os músculos de seu rosto rasgaram completamente.

O impacto foi tão imenso que até seus tímpanos sangraram e seus olhos explodiram como bolas de sangue.

A minha energia explodiu para fora do meu punho e atravessou seu cérebro, fazendo-o explodir pela parte de trás da sua cabeça.

Uma morte digna para um desgraçado.

Eu, agora, em meio à chuva, desabado no asfalto sem ter capacidade de falar, porque minha garganta está cheia de sangue, minha visão está embaçada e a minha força está saindo por todas as feridas.

Escuto o Mestre se aproximando lentamente, arrastando-se pelo chão e chorando. Eu posso ouvi-lo gritar e chorar.

Nessa hora, eu ouvi outro grito rouco vindo um pouco mais distante. Era Jinse, ela tinha vindo até mim novamente.

Menina boba... por que veio até aqui... eu falei para ir ao lugar de encontro... Hah... Jinse, meu amor... por favor, cuide bem do nosso filho... deixe ele treinar com o Mestre... e ensine a ele quão belo e vasto é o mundo. Pensei isso enquanto a escuridão tomava minha visão.

Então tudo escureceu... Tudo estava escuro, a dor sumia e após um certo tempo sem barulhos, sem dor e sem luz, só podia sentir minha existência.

Um clarão veio ao redor de todo o mundo. Não existia chão, mas, ao mesmo tempo existia, porque eu estava em pé, mas não havia fundo, parecia vidro, mas era tudo claro.

Após observar a minha volta, percebi que há duas poltronas e uma mesa no meio desse lugar e, quando pisquei, uma figura apareceu sentada.

Uma mulher de cabelos brancos brilhantes, olhos dourados e pele clara... eu tentei não reparar nos atributos físicos dela, mas não teve como, ela tem seios enormes!

É assustador em pensar que isso existe, pergunto-me como diabos a coluna dela aguenta tanto, deve ser complicado...

Então ela tossiu duas vezes, tirando minha visão dos gigant-, digo, dos seus belos olhos, e disse: — Posso não ter a permissão de ver os pensamentos dos escolhidos, mas se continuar a olhar para meus seios, não vou nem precisar ver seus pensamentos para saber o que está pensando.

Meu rosto corou imediatamente e falei constrangido: — E-então, trocando de assunto... Onde é isso?

Ela deu um leve riso e disse: — Oh, agora quer saber? Por que não olha mais um pouco e esquece as perguntas? —  Dizendo isso ela continuou a rir.

Eu fiquei incomodado e disse: — Eu não estava olhando! Jinse é a mulher da minha vida! Por que eu olharia tanto para o peito de uma mulher desconhecida? Só por que eles são... tão... grandes... Cof, cof. Voltando ao assunto, onde é isso? O Céu?

Ela então respondeu com uma frase simples: — Nenhum lugar. Pense nisso como uma sala de entrevista.

Sala de entrevista... Pensei comigo mesmo sobre o que havia por trás disso.

Ela continuou a falar: — Você foi escolhido por conta da sua superação contra o destino. Poucos casos ocorreram em sua dimensão. Sabe, é raro encontrar alguém como você.

— Fui escolhido para o quê? — perguntei diretamente. Eu já tinha entendido o que tinha ocorrido. Eu estava morto e minhas preocupações agora eram inexistentes. Mas, mesmo assim, gostaria de ter segurado ao menos uma vez meu filho em meus braços.

Ela respondeu com um sorriso tranquilo: — Você irá renascer, mas não no mesmo mundo, e terá alguns privilégios por ser um escolhido.

Olhando para minha expressão ainda mais confusa, ela então continuou a responder minhas dúvidas internas: — Sua família e mestre ficaram bem após o incidente. Seu filho, Alex, tornou-se o sucessor da arte marcial... — Ela deu uma pausa enquanto olhava os papéis em suas mãos e parecia querer rir — Si Zhang, que nome bobo. — Ela riu baixinho sobre o nome e voltou para a compostura anterior.

COMO ASSIM BOBO?! ESSE NOME CARREGA UM IMPORTANTE SIGNIFICADO! COMO VOCÊ PODE CHAMAR ISSO DE BOBO?!

Ela, com sua compostura anterior, diz para mim: — Está mais tranquilo agora que sabe?

Eu só pude suspirar de alivio, parece que não ocorreu mais nada de perigoso para minha família depois daquilo, então obviamente estou tranquilo. Então, perguntei para ela: — Obrigado de verdade por me contar isso, mas qual é o nome que devo me referir a você? Se permite perguntar.

Ela deu o sorriso mais lindo que já vi em toda minha vida e respondeu: — Pode me chamar de Jeanne. Eu sou a Deusa Juíza.

Eu perguntei para ela: — Jeanne, eu irei renascer porque sou um escolhido?

Jeanne me fala com uma serenidade sem igual: — Henry Lerner, você não precisa se questionar muito sobre isso... Apenas pense que ganhou na loteria, mas terá que escolher três coisas antes de renascer.

Eu, ansioso, a interrompi e questionei: — Três coisas? O que são?

Ela ficou séria e, enquanto folheava os documentos em sua mão, respondeu: — Espere eu terminar de falar, seu apressado! Eu darei diversas opções de Habilidades que irão influenciar sua próxima vida, mas você só pode escolher três. Vale comentar que sua memória se manterá intacta e o mundo que você vai renascer é como aqueles de livros de fantasia, com criaturas mitológicas, magia, monstros, demônios e outras coisas e, bom, esse mundo não será tão desenvolvido como o seu anterior.

Continuei ansioso, pois, quando eu era mais novo, amava ler livros de fantasia, assim despertou o meu espírito imediatamente. Um novo mundo e novas oportunidades!

Quem diabos não estaria ansioso?!

Ela então levantou e tocou minha testa, diversas informações que numeravam milhares foram transferidas para minha cabeça. Jeanne me entregou um tipo de formulário com 3 espaços.

Eram os 3 espaços que eu devia preencher com as Habilidades que escolhi.

Eu preenchi o formulário e entreguei para ela de volta. Ela olhou e começou a rir: — Parece que você vai causar bastante problemas nesse novo mundo. Estarei ansiosa para ver o que fará, Henry.

Com um sorriso no rosto, eu respondi: — Já que é um novo mundo, eu quero aproveitar completamente essa experiência.

Jeanne então começou a rir e disse: — Que sorte que uma das Habilidades vai te ajudar bastante em uma coisa, espero que você pense direito, pois se você não souber usá-la da maneira correta, não adiantará de nada.~

Eu fiquei confuso e perguntei para ela rapidamente: — C-calma aí, que coisa?

Como se tivesse ouvido a piada mais engraçada do mundo, Jeanne respondeu rindo sem parar: — Então Henry, você não vai escolher no que vai renascer; é aleatório! Mas você tem uma Habilidade que vai te ajudar bastante para evitar essa limitação. Boa viagem e pense cuidadosamente. Bye, bye!

Dizendo isso, eu não tive tempo para questionar mais e o mundo branco ficou negro, e eu comecei a cair pelo vácuooooooo!!!!!

Quando o mundo voltou a ficar claro, eu apenas vi neve cair sem parar e do lado estava uma parede de pedra. Seria isso uma montanha?

Só que, em seguida, a imagem que me apareceu foi surpreendente...! Havia um tigre gigantesco na minha frente!!!

Eu tentei fugir, mas quando percebi, fui parado por uma língua gigante, que não parava de me lamber!

Só quando eu me acalmei e vi que o tigre não queria me comer, passei a reparar em algumas coisas, havia filhotes de tigre em minha volta e um grande tigre nos lambendo...

Notei que meu corpo inteiro estava esquisito, olhando para baixo eu reparei que minhas mãos se tornaram pequenas patas peludinhas!!

Calma Henry, pense com cuidado, analise tudo...

...

Concluindo toda a informação que tenho...

É, eu renasci, diferente do esperado, como um filhote, um filhote de tigre.



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