Volume 2 – Arco 9
Capítulo 198: Com Bagunça
Skrunch!
Um golpe preciso... Nathaly cortou o pescoço do bispo.
Pa-pah...
Sua cabeça quicou no chão, enquanto o fogo se espalhava pelo corpo e pelas raízes, incinerando tudo por completo... Não foi o bastante. Nina manteve o olhar fixo à frente, seus olhos transbordando todo o ódio que sentia.
TSSSS!!
O cuspe queimou em chamas escuras no tempo que esta caminhava até a porta, rosnando:
— Vamos até o rei. Vou exterminar esses filhos da puta dessa igreja de merda.
— ...Uhum — respondeu-a baixinho sem saber o que dizer e seguiu-a obediente para fora do quarto. Assim que saíram, Nina retirou a magia de pedra, voltando o ambiente a como era antes das duas alugarem a casa mobiliada.
Pouquíssimos minutos depois, chegaram ao palácio e foram direto ao salão real. Ao entrarem pela porta dupla, que nunca mais foi guardada após Nino matar os dois guardas e destruí-la, viram Simom com alguns soldados, obedecendo às ordens de Jonas.
O rei observou-as se aproximarem do trono.
— O bispo da igreja tentou abusar sexualmente de uma moça, e descobrimos que estão fazendo experimentos com humanos para criar uma espécie de Semi-Deus Artificial — comentou Nathaly.
— E isso é possível?
— Sei lá, porra.
Nathaly olhou para Nina.
— Manda fecharem as ruas, é melhor que a população não veja esse massacre.
— S-sim... Simom cuidará disso — respondeu Morf, automaticamente.
"Hum...? Nem tentou conversar quanto a isso?", pensou Nathaly, estranhando o rei do reino aceitar um massacre de uma parte de seu povo tão facilmente assim.
Simom se ajoelhou, curvando a cabeça, junto dos soldados ao seu lado.
— Sim, majestade. Mas mesmo fechando as ruas, se essas pessoas morrerem, como vamos nos desfazer dos corpos? E como ficará a igreja?
— Minta — respondeu Morf.
— O quê?! — Simom levantou a cabeça, olhando para ele.
— Vou escrever uma notícia confirmando que a construção está em situação propensa a desabamento. Confio na Heroína e em sua ami...
— Mulher. — Nina olhou para ele com desânimo.
— Confio na Heroína e em sua mulher. Quando terminarem o que têm de fazer, derrubem a igreja e espalhem as notícias que vou escrever por todo o reino. Vou mencionar que a construção de uma nova igreja começará em breve, para evitar protestos ou qualquer tipo de resistência indesejada — ponderou sabiamente.
— E realmente irá construir outra, majestade? — perguntou Simom.
— Não sei ainda... Talv...
— Tá. Tá. Tanto faz. — Nina se virou, desdenhando de todos. — Vamos, Nathaly — rosnou seu chamado.
Nathaly observou Nina se afastando, depois olhou para o rei e os soldados, fazendo um gesto de despedida com a cabeça. Voltou a olhar para Nina, já distante, quase na porta, e acelerou o passo, conseguindo alcançá-la no corredor.
— Tá muito brava — reclamou meio incomodada.
— Melhor se preparar para hoje à noite — rosnou sua resposta... e Nathaly ficou embriagada. Cambaleando para os lados com um sorrisinho animado, quase babava.... seu rosto envergonhado pensando na noite que ainda nem chegara.
Do outro lado, Nina marchava furiosa pelo corredor, encarando à frente, mantendo um rosto bravo e completamente indiferente.
Após saírem do palácio, não demorou muito para os soldados, a mando de Simom, pararem a circulação nas ruas ao redor da igreja, impedindo que as pessoas passassem pela barreira, mesmo que morassem lá.
— O que está acontecendo?
— Estamos conferindo a situação da infraestrutura interna na igreja; tivemos denúncias de grandes rachaduras, e é algo muito grave se for verdade. A igreja pode desabar a qualquer momento, matando e machucando pessoas dentro, e até mesmo se estiver passeando pela rua no momento — respondeu um soldado a uma das pessoas curiosas.
As Terráqueas observavam o movimento diminuir por cima de um telhado alto.
Os soldados sendo comandados por Simom trabalharam rápido. Bloquearam as ruas mantendo o controle e calma sobre toda a situação... Fu!-Fu! Nathaly desceu primeiro, passando rapidamente pela porta da igreja, deixando-a um tantinho mais aberta para Nina entrar.
Nina surgiu dentro... Suas mãos trancando a porta com uma trava de madeira pesada.
O salão estava movimentado. Mais túnicas se apresentavam naquela tarde atípica. Mulheres vestiam preto, padres usavam branco, e os bispos ostentavam branco com dourado. Um deles, que substituía a autoridade local até que o morto retornasse, aproximou-se das duas sem entender como aquela jovem de preto conseguiu erguer tamanho objeto inanimado.
— Posso aju...
SHKRUNCH!
Uma porrada. Um sopro violento. Nina se virou de olhos fechados após bloquear a entrada. Abriu-os ao ouvir uma voz, e junto de seus olhos, Rag abriu o dele sobre a Marca. O humano desapareceu com uma porrada invisível, deixando uma fumaça de sangue rosa misturada com vermelho, evaporando... Só isso restou do que um dia fora um humano.
Um desespero completo.
Os túnicas presentes no salão começaram a correr em direção a uma porta à direita próxima do altar... era inútil. SHK!-SHK!-SHK! Nina os matou a sangue frio, espalhando sangue vermelho e rosa pelo piso branco imaculado. Pah-Crshc-Parht! Os que conseguiram entrar tentaram bloquear a porta com tudo que havia na sala, até mesmo com os próprios corpos.
...Não adiantou.
PAAHMM!
Nina chutou a porta, CRAASSHH! estourando-a inteira.
O impacto empurrou alguns túnicas contra a parede, matando-os instantaneamente devido ao impacto devastador. Outros seis, aterrorizados, encaravam Nina. Suas pernas tremiam profusamente, P-pah... e dois desabaram no chão. Os quatro que ainda estavam de pé, P-p-p-pah... também caíram — no entanto... sem suas cabeças.
Paralisados observando os cadáveres sem cabeças ao lado, os dois últimos, Scrch... começaram a se arrastar para trás. As forças saiam do corpo. O medo dominava os sentidos. Tump-Tump Escutaram passos raivosos, parecia que um gigante corria na direção dos dois. Olharam para Nina e esta se aproximava com fúria visível em toda sua feição.
— POR F...
Shkrunch!
O túnica que desrespeitou-a abrindo a boca sem permissão perdeu metade da cabeça. P-pah... Caiu morto, sangrando e criando uma poça para que o ultimo vivo se banhasse em meio ao massacre. O garoto aparentava ter cerca de 15 anos. Estático, com sua túnica branca toda suja do sangue de seus amigos, olhava para a metade de cima da cabeça do ultimo eliminado.
Nina o olhava e este sentia o ódio daquele olhar.
— Onde vocês fazem os experimentos?! — rosnou.
— E-E-EE-E...
— TRAVOU, FILHA DA PUTA?!
BRUNCH!
Sem nenhum pingo de paciência, explodiu em ira e chutou a cabeça decepada de um dos mortos. O crânio, o que um dia teve pele, carne e ossos explodiu em miolos para todos os lados. O rosto do jovem se encheu de sangue... Sua feição de choque sentindo o gosto do cérebro do colega morto.
Queria vomitar, porém nem isso seu corpo parecia conseguir executar.
— Se não quer sua cabeça assim, me responda: onde está a porra do lugar que fazem os experimentos?
— E-E-E-EM BAIXO DO ALTAR! — o garoto berrou, apavorado, fechando os olhos depois de gaguejar fortemente outra vez.
Bm Nina segurou a cabeça dele... os dedos curvando o crânio, pressionando e quase o enchendo de rachaduras. Sccrrrchh... Arrastou-o pelo chão, até chegar fora da sala, Pah-pahm... onde o arremessou longe, em frente ao altar.
— Mostre.
Tremendo, o humano se levantou e foi até a estátua da Deusa. Clek! Apertou um mecanismo mágico, escondido em uma das pernas. Depois, caminhou até o altar, Clek! e pressionou o segundo botão escondido sob o tapete. Sccrrrchh... O altar se abriu, dividindo-se em dois sob o tapete sendo arrastado junto da estátua, revelando uma imensa escada branca descendo até as profundezas do lugar.
— Corra daqui.
O garoto hesitou inicialmente... Olhava-a de costas. Nina nem parecia respirar. Nathaly olhava-o meio confusa... e o humano, então, Tap-tap-tap! saiu correndo em completo desespero na direção da porta bloqueada. PLOCH!! ...Era só mais uma brincadeira sádica.
Phaft...
Sem vida, caiu no chão.
Nina arremessou uma espada de sangue sem nem olhá-lo, e esta atravessou a nuca e saiu no meio da cara, estragando completamente o funeral do "bom" moço... Ignorou tudo e prosseguiu descendo as escadas.
Nathaly observava o corpo estirado no chão do coitado que acreditou no conto da vigarista e quando olhou para Nina... se assustou. Vendo-a descendo com um tantinho de pressa, correu atrás da namorada ainda furiosa pelo cuspe na cara.
Alcançou:
— Achei que deixaria ele ir embora — brincou, tentando aliviar o momento.
— Não viaja.
— ...Experimentos com humanos para criar um Semi-Deus Artificial, que merda deve ser isso?
— Vamos descobrir isso já, já — continuou fria, respostas arrastadas em sua fúria contida.
Após descerem as imensas escadas, se depararam com corredores ainda mais longos.
Seguindo em frente, viram que uma parede bloqueava o caminho. Quando chegaram, encontraram dez salas idênticas, todas com brinquedos semelhantes aos de um parquinho infantil. Nove delas se encontravam vazias — todavia... em uma havia algumas crianças.
Passando em frente ao grande quadrado, perceberam que as crianças estavam estranhas. Andavam cambaleantes, algumas se encontravam deitadas com os olhos muito abertos. Dentre todas, somente uma falava: um menino com o número 21 escrito no pescoço e na roupa.
— Tenho que tirar a gente daqui... Tenho que tirar a gente daqui... — O número 21, em pé, olhava para o nada. Conversava com o nada. Se movia como se estivesse caindo em meio ao... nada.
— As tais cobaias humanas então são crianças. Por que só crianças...? Com adultos não funciona? — Nina se questionou e desviou o olhar, continuando a caminhada pelo corredor.
— Ei! E elas?
A Herdeira virou ligeiramente o rosto e respondeu à sua namorada:
— Não é hora. Se tiver algum Primordial por aqui, vai ser um saco lutar protegendo essas crianças que nem parecem ter vida mais. Antes de irmos embora, buscamos elas.
Nathaly olhou para as cobaias.
— Tenho que tirar a gente daqui...
Virou-se novamente, viu Nina andando sem esperá-la e correu atrás dela.
Continuaram a andar pelos corredores... e estes pareciam ficar cada vez mais extensos.
Era um looping?
Não olhavam para trás, mas nem pareciam sair do lugar.
Um tempinho se passou e as paredes irritantemente brancas mostraram seu fim. Uma nova esquina. Viraram e no fundo, encontraram um túnica desesperado tentando passar por uma dupla porta mágica.
O traído olhou para trás e se arrepiou de medo. Voltou o rosto aflito para frente, Pa-pa-pa-pa-pa! e suas mãozinhas se chocavam sem violência alguma contra a porta traidora quase zombando de sua insignificância.
— Abre! Abre!
— Senha negada.
— Abre... Abre, merda!
— Senha negada.
Olhou para trás.
BUUUMMM!
Uma enorme marreta acertou seu rosto, destruindo-o junto da porta mágica.
Atrás da porta, havia um escritório cheio de papelada, frascos e potes de vidro, como qualquer laboratório intimista, comum e bem tranquilo. Dentro dele, um túnica apanhava documentos de várias estantes com pressa.
Juntou um montinho de papéis e começou a correr para sair de lá, no entanto, BUUUMMM! naquele momento a porta explodiu e, assustado, Fraaash... deixou cair todos os documentos ao seu redor.
— Não, não, não. NÃO! — Desesperado, se agachou para juntar os papéis
PLOCH!
Assim que se levantou e olhou na direção da fumaça, uma espada perfurou sua testa, arremessando-o contra a parede, Pharshc... Lá... ficou pendurado com o corpo mole... sem vida.
Caminharam até o lugar que o túnica voou. Quando chegaram, Nina desfez o sangue, Phafh... e o corpo do humano caiu feito merda.
Recolheram alguns documentos que o homem carregava e começaram a examinar.
— Eu não entendo a letra desse mundo.
— Relaxa. Esse cara só segurava esses papéis dentre tantos outros... Deve estar tudo aqui. — Fluflu-lu-lu! Nina folheou todos os documentos enquanto lia mentalmente. Depois comentou: — Que merda é essa? Usaram minerais líquidos misturados com sangue rosa nas crianças e as colocaram em contato com magia artificial, tentando fazer as crianças despertarem magia elétrica divina.
— "Magia elétrica"? Nunca vi alguém com isso.
Nina continuou lendo:
— Quanto mais cobaias com poder, maior a probabilidade do ritual do Semi-Deus funcionar. Tem uns símbolos aqui, acho que são do ritual. — Frashplashrs... Nina derrubou as coisas de uma bancada ao seu lado e colocou as folhas sobre ela. — Também tem isso, parece um mapa — apontou para a escrita acima do desenho do reino em questão, com um círculo mágico desenhado sobre ele, cobrindo toda a extensão — aqui diz Dirpu e aqui diz Van-Sirieri.
— A princesa tinha me ajudado com uns mapas, esses são dois reinos que ficam ao norte daqui.
— Então essa merda não é apenas aqui.
— Aparentemente, nã...
Riiiii-Roooo-Riiiii-Roooo...
Não escutavam a sirene, porém as luzes começaram a piscar freneticamente em vermelho. Nathaly olhou para Nina, Fu! e saiu correndo de volta ao corredor das crianças. Fu! Nina a acompanhou e... saíram do "laboratório", dando de cara com os cubículos gigantes.
Nenhuma reparou na mudança.
Era como se não lembrassem de andar tanto.
— E...-elas sumiram.
Todavia... não havia mais criança alguma naquele lugar sombrio, embora não escuro.
— Nathaly... Essa porta estava aqui antes? — Nina estranhou uma mudança. Era tão sutil que confundia com falta de atenção.
Um novo corredor havia surgido, com uma porta no final de onde não haviam ido.
— Vamos! — a Heroína exclamou.
Avançaram e, BUUMM! Nina destruiu a porta.
Ao entrarem, encontraram um buraco esférico imenso cercado por uma escada em formato de espiral nas paredes. Não parecia o mesmo ambiente. O branco enlouquecedor dava lugar a tijolos de pedras escuras formando uma masmorra, um santuário, um local que parecia selar um ser colossal e mágico.
Olhando para baixo — viram as crianças caminhando no automático. Seus bracinhos erguidos. As mãos sendo seguradas pelos túnicas andando em fila. Os passos eram sincronizados. O espaçamento de cada dupla era idêntico em cada mínimo movimento.
Não pareciam humanos.
Entravam em uma porta em arco gigantesco na parede, bem no fundo... Centenas de humanos não conseguiriam abrir e muito menos mover tais portas grossas de pedra maciça e bem talhadas com desenhos enigmáticos de tão estranhos.
Fsh!
As garotas saltaram... o tempo havia acabado. Sccrrrchh... CLAKI! A porta se selou com grosseria. Nenhum humano tocou-a, esta se movera sozinha.
Presas do lado de fora... lá dentro, O Ritual começava.
Os túnicas soltaram as mãos das cobaias — estas continuaram com os bracinhos erguidos, segurando as mãos dos homens invisíveis, levando-os até o centro do círculo mágico.
Caminhando com dificuldade, chegaram... e as gravuras começaram a brilhar em branco macabro. Aos poucos, todas as crianças foram drenadas, enquanto os desenhos do círculo se redesenhavam com sangue humano e um brilho amarelo lembrando o divino.
Os corpos das cobaias começaram a derreter como sorvete no sol, fundindo-se uma nas outras, transformando-se em uma grande gosma que gradualmente ganhava forma e vida.
— ISSO! ISSO! ISSO É A PERFEIÇÃO! — o responsável estendeu seus braços para cima, gritando feliz.
BUM!... BUUM!... BUUUM!!
Nina não era muito educada com quem não tinha sua simpatia. Não esperou o culto dos esquisitões acabar. Desferiu três marretadas na porta, e na terceira batida, esta coitada, CRRRRAASHH! se fragmentou inteirinha.
Assim que entraram, viram todos túnicas mortos e um monstro cheio de rostos infantis, braços e pernas ao redor do corpo gordo. Era gelatinoso, uma grande gosma, clara, em tom de pele branca. Parecia uma junção de várias peles humanas costurada com a bunda.
Duas cabeças principais situavam-se no topo do corpo, e no meio delas, havia uma boca grosseira, aberta, Crunck-Grumb... ingerindo o responsável, que ainda tinha um sorriso no rosto e os braços estendidos para cima em euforia.
— Então isso é o Semi-Deus Artificial? — perguntou Nathaly, olhando para o ser com um nojinho bem visível em sua linda feição.
— Parece mais uma aberração.
— O ritual deve ter falhado.
— Ééé... Ôô coisa feia?! — O "Semi-Deus Artificial" olhou para Nina — Tá gostosa a refeição aí?
THAM!
O redondo se tombou para a frente e correu usando todas as suas perninhas e bracinhos na direção dela, PHAAMM! que criou novamente a marreta e o acertou, BUM! arremessando-o contra a parede atrás do círculo mágico.
21 e seus amigos se esticou inteiro, voltando a ser uma gosma, porém se desgrudou da parede e retornou à sua forma original... Coisa feia. Era medonho. Olhar trazia desconforto. Vários pequenos membros se movendo ao mesmo tempo. As cabeças, as bocas e rostos gemendo.
Nina e Nathaly tiravam um tempinho para observar e tentar entender. Com o tempo recebido, as duas principais cabeças se viraram uma para a outra, encarando-se para trocarem uma ideia firmeza:
— Tenho que tirar a gente daqui...
— Socorro!
— Nos mate!
— Estou com fome... Irmão — disse uma das cabeças principais.
— Quero comer... Quero ficar maior, irmão — disse a segunda cabeça.
— Nos mate!
— Tenho que tirar a gente daqui...
— Nos mate!
THAM!
Se tombou novamente e voltou a correr na direção das duas. No entanto, deu um micro salto, se soltou e, THAM! bateu no chão, quicando com um pulo muito alto, passando por cima delas, que apenas o observavam, Nina entediada e Nathaly curiosa.
— O que essa coisa tá fazendo? — murmurou Nina.
THAM!
Caiu no chão, se derretendo, e começou a escalar rapidamente a parede das escadas.
Fu!
Nina saltou, passou por ele, criou sua marreta e, ao voltar com uma pirueta, PHAAAMM! acertou-o, disparando-o extremamente rápido para baixo.
Sccrrrchh...
Nathaly deslizou com um avanço no piso e materializou a Hero, BRURN! queimando intensamente para trás, criando um rastro insano de ondas de fogo pelo chão.
SHKBRRUUMM!
Passou o corte de Fogo Sagrado no ar, e este rasgou o corpo do Semi-Deus Artificial somente com o feixe incandescente, dividindo-o em dois seres diferentes, porém iguais de aparência.
PH-PHLAST!
As partes caíram para os lados e se ergueram em uma forma um pouco mais humanoide e magra, todavia ainda completamente desfiguradas e cheias de partes infantis espalhadas. Todos os rostos em seus corpos ainda imploravam para serem mortos.
Os dois se entreolharam e voltaram a conversar:
— Irmão?
— Socorro!
— Oi, irmão.
— Estou com fome, irmão.
— Me mata!
"Isso tudo é coração?", pensou Nina, analisando os corpos com sua Detecção Atômica... Sua preguiça ainda exalada no rosto. Queria matar aquela coisa logo, só não entendia como fazer isso.
Nathaly também os olhava, embora com um aperto no coração por não ter conseguido salvá-las:
"Estão mortas?", se questionava... Escutar aquelas palavras. Os pedidos. Os gemidos não era algo que a pequena humana adulta gostava.
— Também estou, irmão.
— Socorro!
— Nos mate, por favor!
— Elas não querem nos deixar comer, irmão.
— Sim, irmão.
— Tenho que tirar a gente daqui...
— Me mata!
— Vamos matá-las, irmão.
Os dois se viraram e olharam diretamente para elas. Ambos se inclinaram para trás, e seus corpos começaram a reagir com magia. Do corpo de um, emitia-se uma fumaça de gelo; do corpo do outro, raios percorriam toda a extensão gelatinosa.
Lançaram o corpo de uma vez para a frente, TROHNM! disparando contra as duas sem precedentes.
Um raio foi disparado em Nina, FRROOSTH! enquanto um rastro de gelo, criando enormes cristais pontiagudos, avançava em direção a Nathaly. Nathaly novamente materializou a Hero, BRURN! e avançou, CR-R-RASHH! quebrando todo o gelo com cortes precisos. Em seguida, SHKLAST! passou sua espada, dividindo o alvo ao meio.
Nina viu o raio sendo disparado. Foi muito rápido, porém em sua visão, nem tanto.
Simplesmente desviou, rotacionando o raio com a mão sobre a magia, adicionando magia escura, tomando Posse dele. O raio ficou preto, emanando uma aura e faíscas de energia em tom roxo... Nina o devolveu para o Semi-Deus Artificial.
BRROOUUUMM!
A explosão o destruiu — foi gosma branca cheia de pele distorcida para todos os lados.
Nathaly desmaterializou a Hero e retornou andando para próximo de Nina.
Nisso, Cshshbloshsas... começou a escutar barulhos e virou lentamente o olhar para trás. Todos os pedaços daquele ser começaram a retornar ao corpo maior, reunindo-se pedacinho por pedacinho, reconstruindo-o até recuperar sua forma original.
— Entendi.
— O quê? — Nathaly virou o rosto na direção da namorada.
— O experimento falhou sim, e ele é muito fraco. Só tem uma regeneração rápida — respondeu Nina, enquanto usava sua Detecção Atômica. — Ele tem 18 pontos em seu corpo que parecem corações. Uma espécie de núcleo. Precisamos destruir todos pra matar essa coisa.
— É só destruir então? — Nathaly materializou novamente a Hero e avançou para cortá-lo.
Nina criou uma espada e a acompanhou.
O Semi-Deus não conseguia reagir, Shk-hk-hk-hk-hk-hk! era cortado sem parar. Mesmo tentando alguns ataques, Nina cortava seus braços tão rápido que ele nem percebia para regenerar e tentar novamente. Entretanto, mesmo estando imóvel no chão, elas não conseguiam destruir os 18 corações.
Destruindo um, nos poucos centésimos que demoravam para destruir outro, era tempo suficiente para o coração destruído se regenerar... Nina parou de cortá-lo, Nathaly obedeceu o ato, e as duas, agora, observavam-no chorar no chão, implorando de todas as bocas... pela morte.
— Tenho que tirar a gente daqui...
— Me mata!
— Socorro!
— Nos mate, por favor!
— Tenho que tirar a gente daqui...
— Socorro!
— São muitos — Nathaly comentou.
— É só estourar todos de uma vez.
— Meu fogo enfraquece com o gelo que ele tá usando internamente.
— Não precisamos disso.
Nina se lembrou de quando usou seu sangue para regenerar e controlar o corpo de Helena.
Olhando para os rostos — com um pequeno sorriso por achar deliciosos os sons de sofrimento que aquilo proporcionava —, criou uma espada, segurando o cabo com desleixo, assim como Anna usava sua foice quando queria mostrar quem mandava.
Segurando-a com dois dedos, Ploch! a soltou, e a espada penetrou o corpo da aberração no chão outra vez. Olhando para cada coração, Nina manipulou o sangue pelo corpo dele e formou lâminas na frente de cada um.
Ploch!
Quando todas se posicionaram, perfurou os 18 corações de uma vez, matando a grande falha de um Semi-Deus Artificial instantaneamente.
— Pronto.
O corpo das cobaias fundidas à toa derreteu como sorvete no chão.
— ...Uma pena que não conseguimos salvar as crianças.
— Elas não queriam mais ser salvas... Não no estado em que se encontravam... — Lembrou-se de Rose e demorou um pouco para voltar a falar. — ...Ao menos não tiveram suas mortes em vão.
Levantando um pouco a mão, vendo sua palma, Trohzrzrzz... Nina manipulou magia elétrica, criando um raio amarelo que logo foi consumido por magia escura.
— "Magia Divina", é? — comentou para si, olhando a magia em sua mão.
— É literalmente a primeira vez que vejo uma magia assim. Uma vez minha mãe me disse que já tinha matado uma Calamidade com poderes elétricos. Acho que chegou a falar em aula também. Só que eu zoei ela falando que não acreditava. Ficou P da vida comigo. Como nunca tinha provas de nada, por sempre reduzir as anomalias a um papelzinho, era divertido fingir que eu não acreditava nela — comentou com um pequeno riso, lembrando-se da mãe com um misto de saudade e carinho.
— Alissa é a Alissa... — Fush... Fechou sua mão, dissipando a magia. — Vamos embora. Amanhã vamos para um dos dois reinos que você comentou.
— Acabar com esses desgraçados de uma vez, né?
— Matar cada um que tá por trás disso — respondeu ainda demonstrando o mesmo incômodo desde o cuspe.
Retornaram ao salão da igreja.
Crash!
Destruíram parcialmente cada pilar no espaço e deixaram o restante para o exército de Alberg seguir com o plano. Como ninguém em Alberg sabia magia para lidar com a destruição de forma segura, chamaram alguém com mais autoridade que o próprio general.
Drevien apareceu e, após os soldados explicarem parcialmente o que havia ocorrido, destruiu a igreja sem muita enrolação. CRRRRAAASHH!! Dizimou a estrutura de dentro para fora, de forma rápida e eficiente.
Ninguém percebeu o que ele fez exatamente, mas a encenação dos soldados correndo do local foi convincente, e todos os moradores acreditaram que poderiam ter se ferido se tivessem se aproximado.
De longe, as Noivas observavam a catedral desabando, do topo de uma casa alta.
Algumas pessoas choraram, crianças ficaram com medo, porém os soldados ajudaram a todos com muita paciência, mantendo o local interditado para que a limpeza das ruas começasse de forma controlada.
Parte da igreja desabou nos túneis do laboratório, que já haviam perdido a cor branca desde que as duas saíram de lá. O afundamento da construção ajudou a nivelar o terreno mais tarde.
Entre os destroços, Drevien permaneceu em pé, olhando diretamente para a estátua da Deusa do Sol — a única coisa que não foi destruída quando tudo caiu. Todo sujo de poeira, Paf-paf... deu dois tapinhas em seu corpo para se limpar. Com um semblante de desdém, voltou o olhar para ela e agarrou o pescoço da estátua.
Crash!
Prak-pahm...
A cabeça rolou, caindo entre os escombros.
CRASH!
Estressado com aquele ser patético, pisou na estátua, destruindo-a completamente. Visivelmente incomodado da forma que aquela estátua inanimada lhe olhava, quase bufava, voltando para sua prisão, no tempo alguns soldados prestavam continência à sua tamanha presença imponente.
Do Reino dos Céus, a Deusa do Sol o observava por uma das telas que espionavam os seres de seu mundo que mais chamavam sua atenção. Sorrindo enquanto se abanava com um leque divino, sentia-se satisfeita por ver que ele ainda não havia superado a morte de suas meninas queridas.
Se divertia ao ver o peso que este ainda carregava cada vez que olhava as cicatrizes de queimaduras horrendas em cada um dos braços... Drevien caminhava irritado. Algo dentro dele falava que aquela estátua o zombava... e o sangue do grande homem fervia querendo matar tal Deusa desgraçada.
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