Volume 2 – Arco 9
Capítulo 197: Sem Bagunça
Depois que Jonas e Liza se retiraram do salão do trono, Nathaly ao lado de Nina continuou conversando com o rei:
— Vim dar uma olhada na igreja, só passei aqui pra avisar mesmo.
— Tudo bem, Grande Heroína. Só peço que não machuque ninguém. A igreja é um lugar público e frequentado por muitas pessoas. Por favor, se descobrir algo, me avise. — Morf curvou levemente a cabeça em respeito.
— Não posso prometer isso... mas prometo que vou tentar. — Nathaly encerrou e ia se virando, quando uma pergunta surgiu em sua mente: "Será que ele sabe sobre a serva?"
Voltou o corpo na direção de Morf:
— A propósito, o uniforme das servas mudou? Na minha memória, eles eram completamente brancos — jogou o verde.
— Não mudou não, sempre foi dessa cor... Talvez esteja confundindo com o uniforme da guilda — respondeu naturalmente, embora o tom fosse distante.
— Mas... na guilda, os uniformes não são brancos.
— ...É mesmo? Faz tempo que não vou às ruas naquela área, hahahahaha. Não me lembrava disso.
Nina olhava para o rei da mesma forma que olhava-o desde que chegaram — tédio — porém, depois da pequena gargalhada, olhou de canto para Nathaly meio desconfiada.
"Reação estranha, mas... aah, sei lá. O normal desse povo é ser esquisito", pensou a namorada. — Devo ter confundido alguma coisa, mas isso não importa. — Olhou para Nina. — Vamos.
As duas caminharam pelo salão e saíram pelos corredores do palácio.
— Esse rei é estranho — murmurou Nina.
Nathaly olhou-a depois de ouvir sua voz e viu Nina com um rosto indiferente olhando para frente... meio distante.
— ...E que história é essa de noiva? Não me lembro de ter recebido pedido nenhum...
— Outro dia eu te peço... prometo — respondeu em murmúrio, virando o rosto para olhá-la.
— A última vez que ouvi isso, não terminou bem.
Pahf...
Nina andava à direita, próxima à parede... inverteu. Segurou Nathaly e a pressionou contra ela com um carinho safado. Seu corpo cobrindo o dela. O rostinho erguido ao seu. Olhares fixos um no outro.
— Dessa vez é sério. Depois que toda essa bagunça acabar, eu te peço na frente de todos da vila. Prometo — jurou baixinho, abaixando a cabeça em direção aos lábios de Nathaly bem lentamente.
A namorada olhou para os lábios da Herdeira chegando, Mwah! e a beijou por um tempinho romântico. Nina afastou o rosto, desprendendo o beijo um tiquinho. Próximas, ficaram, dividindo suas respirações suaves por mais alguns segundinhos carinhosos.
— ...Então está bem, senhorita... Vou esperar por esse dia — sussurrou.
— E qual é o seu plano para entrar na igreja? Você é a tal "Grande Heroína", eles a reconheceriam — sussurrou, os corpos ainda juntos no cantinho da parede.
— Vou tentar uma coisa.
Naquela manhã, uma jovem moça aparentando ter cerca de 24 anos caminhava pelas ruas com o olhar cabisbaixo e uma expressão preocupada. Vestia um vestido simples, todavia feito de um material de ótima qualidade no qual trabalhava. Cruzou a grande rua, saindo da área nobre, e, após alguns minutos, chegou ao lugar que procurava.
Diante dela, agora, erguia-se a bela catedral, construída em seu mais cuidadoso e detalhado estilo gótico... Por sorte, o lugar havia sido aberto há poucos minutos, convidando os fiéis a entrarem e se prepararem para a primeira reunião que começaria em uma hora.
Admirada, observou a fachada e, logo depois, entrou pela grande porta de madeira. Assim que passou por ela, ficou deslumbrada com a riqueza de detalhes nas paredes e nos pilares. Elementos dourados, realçados pela luz amarelada dos candelabros e lustres, davam um brilho especial ao ambiente. O chão branco imaculado e os bancos de madeira, esculpidos com gravuras de sóis e representações da Deusa do Sol, completavam a visão majestosa.
Faltava um bom tempo até a reunião... não havia ninguém no salão.
Caminhando pelo corredor central sobre um tapete dourado, seus olhos foram atraídos pelas janelas imensas ao fundo, que permitiam à luz do sol iluminar a estátua da Deusa diante do altar. Tímida, aproximou-se da estátua, juntou as mãos e fechou os olhos, começando uma oração silenciosa.
Uma porta abriu-se distante à direita, e o bispo da igreja saiu, notando sua presença. Ficou curioso — não era comum jovens se interessarem nos cultos. Por não acreditar que era uma adulta, julgou-a pela aparência física. Sem hesitar, começou a aproximar-se dela.
— Como posso ajudá-la, senhorita?
A jovem adulta abriu os olhos com um pequeno susto.
— Desculpe, não era a minha intenção. — O bispo curvou um pouco a cabeça em meio ao pedido.
— ...T-tudo bem.
— Como posso ajudá-la?
A assustada o olhou com tristeza nos olhos e desabafou:
— Meu marido foi vender tecidos em algumas vilas e cidades próximas e isso já faz dias... Estou sozinha e com medo de que ele tenha sido roubado ou algo pior... — lágrimas se formaram em seus olhos e uma delas caiu — Tenho medo de que ele tenha sido assassinado.
"É casada?" Em meio ao medo exposto pela jovem mulher, o bispo só conseguiu pensar nisso. — ...
— M-me desculpe por isso. — Frcs-Frc... Passou as mãos nos olhos para secar as lágrimas. Sua pele clara se tornando vermelha no atrito.
— Não se preocupe, ele está bem — respondeu o bispo, com um sorriso no rosto. — Consigo ouvir a Deusa conversando comigo.
— É mesmo?! — A moça abriu um sorriso sincero e aliviado. As lágrimas antes tristes se tornaram de esperança.
"Vai ser bem fácil!" — Sim... Ele está bem, mas vai demorar um pouco para voltar... Conheço um ritual que pode ajudá-la com sua solidão. — Se aproximou da moça, ficou ao lado da jovem mulher mais baixa, e começou a acariciar superficialmente suas costas com os dedos da mão esquerda.
— Sinto um vazio no peito por não tê-lo comigo... — Juntou as mãos próximas do coração enquanto dizia. As lágrimas queriam voltar em seu rosto contorcido pela resistência.
— Podemos realizar o ritual hoje, e a senhorita nunca mais sentirá esse vazio novamente — sussurrou próximo do ouvido.
— Hoje?! — Olhou esperançosa para ele. Os olhos brilhando em admiração ao ver que a Deusa se importava com sua filha.
— Caso a senhorita queira, podemos ir para a minha sala abençoada e começar o ritual na presença da Deusa, agora mesmo — sussurrou como se fosse um sopro transmitindo a presença do divino, e atrás, um sorriso se revelava.
— M-mas estou um pouco suja... — Olhou para o vestido simples que usava. — Poderia ser na minha casa? A Deusa pode abençoá-la?! — Juntou as mãos erguidas na direção dele quase em súplica.
— A Deusa ama seus fiéis. Levarei o azeite sagrado até sua casa ainda hoje à tarde. Por favor, poderia informar-me o endereço de vossa residência?
A jovem mulher, muito feliz, curvou a cabeça imediatamente na direção do homem abençoado:
— S-sim! Muito obrigada, bispo!
O bispo fechou os olhos... o mesmo sorriso falso e travado, que todos os túnicas faziam... foi revelado, enquanto ouvia com atenção o endereço da presa facilmente manipulável.
No início da tarde, assim como foi prometido... o túnica saiu da igreja e foi até o endereço mencionado pela jovem moça.
Andando tranquilamente pelas ruas, cumprimentou todas as pessoas que o olhava. Após algum tempo, entrou na área nobre e chegou à casa de dois andares próxima à esquina citada pela moça.
Toc-Toc...
Bateu na porta, enquanto olhava para os lados, meio nervoso pela demora.
Alguns segundos se passaram, Clic... e ela abriu a porta somente com o rosto à mostra.
— Oi! Não repare na bagunça, acabei de arrumar as coisas... Pode entrar — deu a permissão e se afastou.
— Com licença. — Entrou, observando a casa bem arrumada e mobiliada de móveis caros. "Ela tem dinheiro..." (Esperava o que entrando na casa de alguém da área nobre?)
O bispo se virou para a moça, que usava um vestido meio fino, parecido com uma camisola.
— P-po... — Olhou para ela e perdeu as palavras. — Poderia me conduzir até o quarto para que possamos iniciar o ritual?
— Sim! Me siga, por gentileza, meu senhor — respondeu em tom suave e se virou. Caminhou até as escadas que levavam ao segundo andar e subiu sem pensar... Não notou o bispo tentando olhar por baixo do vestido... ao menos o tarado não conseguiu ver nada.
"Será um dia proveitoso!", pensava.
Chegaram ao quarto, Shh entraram e ele começou a tirar a túnica de costas para a moça.
— Tire sua roupa, vou purificá-la para o ritual! — ordenou em tom firme, sua voz sendo moldada para parecer ser algo realmente importante e necessário aos olhos da Deusa.
Assim que o "homem" acabou de tirar a túnica e olhou para frente, viu que aquilo não era muito bem um quarto. Não havia móveis e as janelas, junto com a parede, chão e teto, estavam isolados em pedra. Logo notou a moça com um sorriso no rosto e os olhos fechados... virada para ele.
Seu corpo refletia uma luz dourada que vinha da esquerda. Quando virou lentamente a cabeça, viu Nathaly segurando a Hero, envolta em chamas intensas — embora não mais intensas que o ódio em seus olhos... encarando-o fixamente.
Shkrunch!
Nathaly cortou as duas pernas do bispo fora.
Páhf!
— AAaAAAAaaaHrrRGH!
Caído no chão, chorando de dor, enxergou, com a visão borrada pelas lágrimas, a silhueta de Nathaly se aproximando. TSSSSS... Encostou a Hero no corte das pernas, cauterizando o ferimento que misturava sangue rosa e vermelho no chão. A dor foi tão intensa que ele agonizou até perder a consciência.
Ao perceber que o sangramento havia cessado, a namorada se levantou e encarou Nina com um olhar sério... bem fechado.
— Coloque uma roupa agora! — ordenou bem brava.
Nina voltou à sua aparência original, todavia, ainda com a mesma roupa.
— Mas eu nem tava no meu corpo... — respondeu, com um tom brincalhão.
— Não importa!
A Primordial retornou a sua roupa habitual, mantendo um sorrisinho safado olhando Nathaly encará-la com aquela carinha de brava. (Uai... Quem deu a ideia foi ela mesma. Não gostou da própria linha de raciocínio?)
— Você fica tão linda bravinha... Aí, mistura com ciúmes, e fica ainda mais... — murmurou quase ronronando feito uma gatinha cheia de sono.
Bravinha, a namorada virou o rosto para o lado... agora brava e corada de vergonha pelos comentários.
— Acorda esse imbecil logo! — exclamou sua ordem... seu rosto todo vermelho não conseguia passar a seriedade exigida na fala.
Nina riu, ainda encarando-a com o mesmo olhar semicerrado de safado.
— O que foi?! — O pimentão olha-a ainda tentando fingir sua braveza.
— Nada não... Tcs... — respondeu, dando uma risadinha de canto de boca.
— ACORDA ELE LOGO, CARA!
— Tá, tá. Caaalma, calma... Já vou... Tcs...
— Sniiiiff.... FUUU!! — Nathaly bufou com força... todavia era impossível aquele rostinho mostrar-se bravo para Nina apaixonadinha como se encontrava. O que sentiu em Clarah, fazendo o que Nino fazia com Nathaly... Agora conseguia fazer com sua amada.
Um olhar. Um sussurro. Um toque e a desmanchava. Brincava com ela e Nathaly adorava. Não adiantava negar ou se fingir de brava. Algo dentro dela vibrava, se ligava, e não conseguia simplesmente desligar enquanto o contato se realizava.
Nina desviou o olhar da direção dela com extrema dificuldade. Deixá-la vermelha assim era gostoso demais. Saborear o embaraço deixado com palavras bem colocadas... era perfeito demais... mas tinham trabalho a fazer.
Raízes começaram a crescer do piso revestido pela camada de pedra. O corpo do humano foi preso pelos braços e erguido até a altura dos olhos da Primordial. Após prendê-lo, ergueu a mão e apontou o dedo indicador direito como uma arminha, Shhhiiiiiui...
Molhou-o com uma rajada de magia de água, Cof-ca-ah!-c... fazendo-o acordar assustado e respirando fundo, acreditando estar se afogando num rio profundo.
Parou de lançar água assim que ele começou a se mexer. Com o rosto encharcado, o bispo olhou para o chão.
Assim que percebeu a ausência das pernas abaixo dos joelhos, entrou em desespero:
— AAH...
Clec!
Nina colocou a mão na boca dele, apertando firme o suficiente para estalar a mandíbula.
— Para de gritar. — O soltou, e túnica ficou em silêncio. — Que vocês são abusadores, isso já deu pra ver. Mas o que estão escondendo na igreja?
— Por que e...
Skrunch... p...
Uma raiz pontuda cresceu da raiz prendendo a mão do bispo, decepando um de seus dedos. Seus olhos se arregalaram, abriu a boca para gritar, porém Nina a tampou sem pestanejar.
— Engula o choro. — Com um olhar ameaçador, retirou a mão, e ele segurou a dor como se estivesse gritando internamente. — Ainda tem mais nove dedos. Depois, quem sabe, corto as orelhas? — Nina segurou a orelha direita dele enquanto ele tremia visivelmente assustado.
— N-não... não, por favor...
— É só responder o que eu quero. O que estão escondendo na igreja? — Olhar frio... tom assombroso. Só para o humano... Nathaly sentia uma coisinha gostosa ouvindo-a falar.
— U-u-usamos cobaias humanas para experimentos...
"Cobaias?"
— Hã? Usam cobaias? Isso tem a ver com as crianças que iriam ser levadas? — Nina questionou.
— Aquilo era só uma distração, para que a Heroína morresse tentando impedir o Primordial Azul ou pelo menos saísse do reino. "O quê?!" O bispo ficou confuso; não havia dito aquilo, não estava dizendo nada desde o inicio das respostas.
Uma voz doce, madura, sedutora e vaidosa ecoava em sua mente, dizendo o que deveria falar, no entanto, era súbito e o túnica não percebia nada, só respondia, acatando a ordem invisível e silenciosa... sem pensar.
— Qual é o objetivo dos experimentos? — perguntou Nathaly. "Isso que a serva queria esconder? Minha utilidade era essa? Não faz sentido."
— Por que não me matou? Teve tempo de sobra.
— Minha mestra não permitiu... Digamos que você seja essencial para o plano dela.
Ao se lembrar das palavras da serva, refletiu:
"É a mesma pessoa por trás disso...? Primordial Rosa, eu vou destruir você. Ainda não perdoei o meu tempo roubado", prometeu para si.
— P-para criar um Semi-Deus Artificial... — o bispo abaixou a cabeça. "Que merda é essa?! Por que eu falei?!"
— Por que criar isso? — perguntou Nina.
— Para... — respondeu-a bem baixinho.
Nina se aproximou dele.
— "Para"...?
— Ptu!
...O humano ergueu a cabeça e cuspiu no rosto dela.
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