Volume 2 – Arco 8
Capítulo 194: Trabalho de Escolta
Terminaram de se arrumar... saíram e foram trabalhar.
Jonas e Liza, principalmente Jonas, eram muito ricos, embora toda a fortuna tivesse ficado em seus respectivos reinos de origem. Nada do que se preocupar. O mesmo banco que atuava nos outros reinos atuava em Alberg... era só retirar seu dinheiro quando precisasse... de lá.
Mal usavam.
O treinamento de Drevien foi bruto, selvagem... e também fora do reino. No meio da mata, dormiam no mato. Acostumou-se com o pouco — não se importava tanto assim com luxos extraordinários em cada canto de sua residência.
Compraram uma casa simples — ainda na adolescência — na grande rua, porém do lado nobre. Era um tantinho mais silencioso nas manhãs, e naquela manhã o casal se dirigia até o Palácio Real... Drevien, com sua brincadeira sadia, acabou atrapalhando os planos.
Jonas passou a tarde e boa parte da noite passada na carruagem, ao lado da família em choque. Nervoso com a pressão dos olhares lhe atravessando, não conseguia erguer o saco cheio de minério bruto. Um constrangimento absurdo... rosto corado e suor frio compondo seu sorriso sem graça.
Liza salvou-o... mas custou algumas horas.
Foi preparar uma carroça — acreditando na liberação da viagem — para trocar o saco de veículo. Assim, Jonas não precisaria se matar carregando aquilo até em casa... Não deixou-a usar magia para erguer o metal. O homem queria erguer sozinho e levar sozinho. Era inteligente, todavia, para algumas coisas bem específicas, parecia uma pedra rebelde. Rígido no objetivo e não mudava o percurso.
Liza chegou depois de um tempo com a carroça. Jonas conseguiu mudar o saco de veículo e pediu desculpas pelo constrangimento à família... que continuava olhando com olhos de coruja, no tempo em que a carruagem saía lentamente.
Sorrindo envergonhado, o homem percebeu que seria melhor ir até o rei na manhã seguinte.
Usando o resto da noite e um pouco da madrugada, deixaram tudo pronto para a viagem — todas as carroças com comida, água, os cavalos e carruagens —, porém o cansaço pesou e acabaram acordando um pouco mais de duas horas depois do nascer do sol.
Seguiram até o Palácio com uma carona na carruagem de alguns soldados.
Entraram pela grande porta... e uma sensação estranha aumentava a cada passo que se aproximavam do salão do trono. Uma pressão sobre seu corpo. Suor escorria de sua testa como se fosse difícil se manter de pé. Tocou na porta reconstruída exatamente como era e quase caiu no chão, passando mal.
— O que foi? — Liza perguntou, Thuf segurando-o após o noivo se mostrar meio tonto.
— ...É como se vários olhos estivessem me observando... — Jonas olhou ao redor, mas não viu nada de incomum. — Que estranho.
Tlon...
Entraram e se dirigiram ao trono, curvando-se respeitosamente diante do rei... Carregando Nathaly em seus braços, o casalzinho já havia chegado. Nathaly, à esquerda, os observou com um olhar gentil de cumprimento, acompanhando-o com uma leve inclinação de cabeça. Ao seu lado, Nina permanecia com os olhos fechados e o corpo ereto.
— Tenho um pedido, majestade — iniciou Jonas.
— Todo.
— Ontem realizamos uma operação na rua do entretenimento e encontramos crianças híbridas, demônios, vampiros e uma elfa sendo forçados a vender seus corpos. Todos os responsáveis foram presos, mas as crianças híbridas e a elfa precisam voltar para seus Países.
— Está planejando levá-las de volta? — Morf parecia saudável. Cada vez mais natural, depois de tanto tempo travado.
— Sim, majestade.
Clap! Clap!
Tlon...
— O que deseja, vossa majestade? — perguntou a serva que entrou no salão após o chamado.
— Por favor, chame Akli até aqui.
— Sim, majestade. — A serva saiu.
— Permito que vá, mas agora você é o general do exército. Como o exército ficará sem você? — questionou meio aflito.
— A Grande Heroína está aqui e, se precisar de uma voz, confio totalmente em Simom. Pode deixá-lo no comando até o meu retorno.
— É tão longe assim o País dos Híbridos? — perguntou Nathaly.
Nina continuava com os olhos fechados.
— Sim, é bastante. Pode levar meses para chegar se a pessoa não tiver experiência. Já estive lá antes, inclusive acompanhando o rei antes mesmo da princesa nascer. Eu conheço o caminho e isso se torna muito mais rápido. Quem não conhece pode acabar se perdendo ou entrando em perigo desnecessário, principalmente em algumas áreas de risco.
— Hum... Entendi. Parece com a versão que Akli me contou sobre a viagem pra cá.
— Eu estava na escolta que Akli veio.
— Que legal!
"'Que legal!'", Nina pensou, com um "toque" de ciúmes.
— Com licença, moça, você é a Primordial Preto, certo?
— Ahãm. — Nina abriu os olhos e o olhou de canto.
— Desculpe a pergunta... mas você não era um rapaz?
— Quem você viu primeiro foi meu irmão. Ele também é o Primordial Preto. Dividimos essa Herança do nosso pai — respondeu em tom normal, levemente desdenhoso.
— Entendi. — Jonas sorriu. — Meu nome é Jonas Sirveri — ele olhou para Liza — e esta é minha noiva, Liza Dirpan.
Nina mudou seu humor no mesmo segundo, e Jonas parou de sentir a pressão de estar sendo observado por algo além da compreensão humana.
— Nathaly me disse que tinha amigos por aqui mesm... — Thoom... Nina, com um rosto mais agradável, foi interrompida pelas portas se abrindo.
Akli entrou no salão e se ajoelhou com pressa e muito curvada diante do rei, acreditando ter feito besteira, tendo em vista nunca ter sido solicitada antes:
— Mandou chamar-me, vossa majestade?
"Que é isso? Uma aranha? Que bom que Nino não a viu." Nina segurou uma risada ao imaginar seu irmão correndo de medo da mulher-aranha.
— Jonas irá até o País dos Híbridos. Você gostaria de voltar para sua terra natal? Você residia no palácio apenas por capricho de Matilda — respondeu em tom calmo, notando o nervosismo com a situação no tom da mulher.
— Não há mais utilidade para mim aqui, meu senhor?
— Essa não é a questão. Você deseja voltar para o seu país, sim ou não?
— S-sim, vossa majestade — respondeu em um tom mais baixo.
— Jonas, vá até a guilda e veja se há algum trabalho de escolta para o País dos Híbridos — ordenou olhando na direção do general ainda de joelhos como um príncipe.
— Não é algo fácil de conseguir, majestade.
— Caso não encontre, vocês dois poderão seguir viagem, pois dos céus já estarão guardados — ponderou com um sorriso gentil, os olhos quase se fechando inteiramente compondo o rosto.
Jonas sorriu e deu um sinal de aprovação.
— Sim!
— Tenham cuidado e boa viagem a vocês. E você, Akli, a serva ao seu lado irá ajudá-la com sua bagagem. Vá arrumar suas coisas.
— Sim, vossa majestade. Muito obrigada! Com sua licença. — Akli, acompanhada pela serva, saiu do salão.
Jonas e Liza se ergueram.
— Até mais, Nathaly, e... Desculpe novamente, mas qual é o seu nome?
— Nina, sou A Noiva da Nathaly.
Nathaly olhou-a fazendo uma careta desconfiada meio sugestiva com um sorrisinho.
— Sério?! Que legal! Até mais, então, Nina — se despediu, abaixando um pouco a cabeça.
— Tchauzinho — se despediu Liza, saindo junto do homem.
Os dois saíram e foram diretamente à guilda. Caminhando tranquilamente pelas ruas de pedrinhas, aproveitavam a leve brisa de mais um dia sereno. Entretanto, Jonas sentia arrepios algumas vezes, e não era por causa do frio suave. Alguém o observava das sombras... levemente paranoico, olhava com sutileza para os lados, até finalmente avistar a placa com a grande espada de um gigante eliminado.
Ao entrarem na guilda, várias pessoas os observavam discretamente.
Olhando para o balcão, seus olhos encontraram ela:
— Yahallo! — Monica pulou cheia de alegria, acenando freneticamente para os dois. — Como vocês estão?!
— Estamos bem.
— Melhor ainda se houver um trabalho de escolta até o País dos Híbridos — brincou Liza.
Monica colocou a mão atrás da nuca, fechou os olhos e sorriu de forma um pouco forçada.
— Eeehrere... Até havia um, mas já foi aceito...
— Não queremos a recompensa, só queremos ajudar com a escolta — ponderou o homem.
Monica abriu os olhos, seu rosto alegre novamente.
— O trio que pegou a escolta deve estar chegando aqui. Eu disse que prepararia os papéis e mandei que voltassem depois de um tempo para assinarem o trabalho — comentou, sempre contente, sempre no 220V.
— Vamos esperar...
Monica olhou atrás de Jonas e viu o trio entrando.
— Olha eles ali! — ela apontou depois de um salto, e quando Jonas se virou, os três jovens já estavam em fileira, com os corpos retos, um braço esticado para baixo e o outro prestando continência a ele.
— S-se-se estiverem me procurando, eu juro que não sei o motivo e não fiz nada de errado! — o único menino soou nervoso, achando que poderia ser preso.
O general começou a rir da expressão deles, enquanto o trio se olhava de canto de olho.
— Não estou aqui por isso. Vocês pegaram um trabalho de escolta até o País dos Híbridos, certo?
— S-si-sim, senhor!
— Podemos ir com vocês? Temos que levar crianças híbridas de volta para suas casas.
— Sim, senhor! Seria uma honra, senhor!
— Não precisa falar isso toda hora.
— Tomou esporro.... hihihi. Que otário! — uma garota com um grande chapéu e vestida de maga sussurrou para a outra menina, enquanto o garoto as observava.
— Eu escutei.
— Nós também — disseram Liza e Jonas em uníssono.
Sem graça, Phaf! as garotas se ajoelharam, começando a chorar:
— Não me prendaAaA, eu tenho famíÍíliAa! — disse a garota maga, dramatizando. Por dentro, pensou melancolicamente: "...Mentira." Contudo, não deixou isso transparecer em sua expressão.
— Não vou prender vocês. Achei que já tivessem entendido.
As duas pararam de chorar e se levantaram como se nada tivesse acontecido.
— Ah.
— Qual o nome de vocês? — perguntou Liza.
— Frederica Dir... — respondeu a garota vestida de maga.
Sua pele era clara, tinha 17 anos, 1,50 m, olhos verde-claros e cabelo longo e roxo. Usava um grande chapéu e uma túnica, ambos em branco. Não eram inteiramente lisos, havia alguns bordados. Segurava um cajado velho com uma pedra colorida — falsa... fingia que aquilo era mágico.
— "Dir"...? Você é de Dirpu?!
— ...Sou.
— Você é da elite, qual seu sobrenome?
— Posso não dizer? Não gosto dele — pediu meio incomodada.
— ...Claro. E você, qual é o seu nome? — Liza respeitou e lançou o olhar no garoto.
— É Tariki. — Seus olhos e cabelos bagunçados eram completamente vermelhos. Usava uma calça cinza-escuro simples, porém com muitos bolsos espalhados, e uma blusa marrom-claro, bem comum. Tinha a pele bem clara, 17 anos e era mais alto que Frederica, tendo 1,82 m, no entanto ainda era mais baixo que a outra garota.
Tariki carregava uma espada com a lâmina quebrada pela metade, velha e enferrujada.
— O meu é Silvia — respondeu a última garota, que gostava de artes marciais.
Silvia tinha a pele ainda mais escura do que a de Liza, 21 anos, cabelo preto e bagunçado como o de Tariki, porém mais curto, e era bastante forte, apesar de não ter muitos músculos. Usava um short e um top curtos, ambos de cor preta. Com 1,90 m, tinha a mesma altura de Jonas.
— Prazer, Jonas Sirveri e minha noiva, Liza Dirpan. — Jonas estendeu a mão e cumprimentou Tariki.
"...Ela estava na lista? 97...?", pensou Frederica, tentando lembrar se já havia visto o nome de Liza.
"Estou apertando a mão do general, que honra..."
— Aqui estão! — Monica chegou com os papéis para assinarem. — Por favor, preciso da assinatura dos três. Jonas e Liza não precisam assinar, pois não irão receber parte da recompensa.
— Vocês não vão receber nada?
— Não estou aqui pela recompensa. Devolver as crianças às suas famílias é minha prioridade.
— Entendi. "Que nobre." — Vai ser uma honra te ajudar com isso!
— Obrigado. Aliás... Quando é a viagem?
— Sairemos assim que assinarmos os papéis. Os alimentos e transporte é por conta da pessoa que solicitou o serviço. Nosso trabalho é protegê-los no caminho — respondeu Frederica.
— Entendi. Vou buscar as crianças e arrumar algumas coisas, não vou demorar muito — ponderou Jonas.
— Vamos esperar nos portões, não se preocupem — Tariki respondeu e finalizou com um sorriso tímido.
— Tudo bem. Obrigado, galera.
No caminho... o casal decidiu se separar: enquanto Jonas ia até o orfanato buscar as crianças, Liza foi ao Palácio buscar Akli com a carruagem onde haviam guardado o minério bruto de rezeríta.
No caminho, Jonas voltou a se sentir tranquilo. Não parecia estar sendo perseguido... todavia começou a estranhar novamente o ambiente. Olhava para os lados com mais frequência, sentindo que algo estava à espreita, pronto para atacá-lo. Quando lançou o olhar para a esquerda, no cantinho da sombra de uma casa de dois andares, viu Drevien. Assustado, piscou, e Drevien havia desaparecido.
— Glub...
Jonas engoliu em seco e apertou o passo, mas a sensação inquietante persistia. Até que... Tap ao dar mais um passo e começar a correr, Thunpf! Drevien agarrou sua perna e o levantou de cabeça para baixo.
— Vo...
— ELE DEIXOOOUU!!
— ...
— ...
— Por que você ainda não foi?
— Ele pediu para que eu olhasse na guilda se havia algum trabalho de escolta, e tinha. Estava indo buscar as crianças porque já iremos partir.
Tuc...
Drevien soltou a perna do "garoto", que caiu de cara no chão. Com os olhos fechados, o coitado colocou a mão sobre a cabeça, aliviando-a um pouco.
— Voc... — Abriu os olhos e Drevien havia desaparecido. — Warp é mais leg...
Thunpf!
Drevien reapareceu, segurando-o pela perna novamente.
— DESCULLPAAA! É BRINCADEIRA!
O mestre o encarou seriamente, Vulvulvulvul! e começou a girá-lo, VULLL!...
— AAAAAAAAAAHH!
...antes de lançá-lo ao céu.
Gritando... cruzou as nuvens mantendo os olhos desesperados bem abertos... Thunf! O Rei... O Único dos céus... Uma Harpia. A Lendária Fera. O Rei das Feras Lendárias surgiu com um rasante, fazendo com que Jonas caísse em suas costas.
— Gmrrr... — resmungou.
— Eu sei — respondeu, abraçando as costas de Warp.
— Gmrrr...
— Não comece com o dramAAAAAH!
Warp, bravo, girou no ar, soltando Jonas em queda livre.
— AAAAAAAAAAHH!
Rodando sem parar enquanto caía, Thunpf! Drevien pulou e o segurou nos braços, BRUMSHH!... aterrissando com quase uma explosão em seus pés pesados. Nem deu tempo ao filho, assim que parou no chão, abriu a boca:
— Viu, não me valori...
— DÁ PRA PAAARAAR VOCÊS DOIS?! — berrou... ainda nos braços de Drevien. Parecia um bonequinho... (Fazia muito sentido Drevien olhá-lo ainda como uma criança.)
Pahft...
Olhando-o todo bravinho em seus braços, o soltou, deixando-o cair no chão.
— Não se esqueça de entregar o minério ao Orne. — Saiu andando.
— ...Não vou esquecer. — Se levantou e foi terminar o que tinha para fazer.
Depois de assinarem tudo, o trio saiu para encontrar a família da escolta.
— Já me imagino contando essa história pros meus filhos: "Papai lutou ao lado do general do exército" — se gabava, com os braços na cintura e o rosto levantado como um super-herói.
— Vai mentir pros seus filhos? — zombou Frederica, rindo baixinho.
Silvia começou a gargalhar, apontando o indicador para Tariki naquela pose:
— EHAHEAHAEHE!
— Não vai ser mentira... Você vai ver — jurou-a... seu olhar quase que sombrio.
— EHAHEAHAEHE! MUITU FEIU! AHEHAHEAHAEHE! — Silvia continuava gargalhando, apontando para o jovem e trazendo os olhares de todos da rua... Tariki não sabia se se irritava ou ficava com vergonha daquilo.
— Sniiifff... Arrrrff...
Quando o general chegou no orfanato, a elfa impediu que a cuidadora se aproximasse das híbridas para levá-las até Jonas. Caminhando e guiando as crianças até a saída, a elfa mantinha um olhar um pouco hostil direcionado à mulher.
As outras crianças — demônios e humanas — não compreendiam aquela reação.
As híbridas permaneceram o tempo todo atrás da elfa, e, quando Jonas entrou, preocupado com a demora desde que a mulher disse que buscaria as meninas, as três se colocaram atrás dele. A elfa, agora mais tranquila, as acompanhou lentamente.
Jonas não notou nada de estranho. Contente por não vê-las sujas, e muito menos fedendo como estavam antes, agradeceu com um sorriso gentil:
— Obrigado por cuidar delas.
— Esse é o meu trabalho, general. Não há motivo para agradecer.
— Seja obrigação ou não, você fez isso, então, muito obrigado — afirmou sem dar chances da mulher recusar seus agradecimentos, outra vez.
A cuidadora curvou a cabeça em respeito, e o general olhou para as meninas:
— Vamos então?
Todas assentiram com a cabeça.
No tempo que demorou com o mestre, Liza havia buscado Akli. Como o planejado, aguardava por Jonas fora do estabelecimento. O homem saiu na frente, as híbridas atrás de suas pernas... atrás delas vinha a elfa, olhando de canto para a mulher que acenava em despedida, com um sorriso no rosto cheio de manchas brancas.
Akli abriu a porta... as pequenas olhando-a sem reação.
— Vou com vocês, está bem? Não precisam ter medo.
Sorrisos surgiram nos rostinhos delas, muito mais aliviadas por terem a presença de um híbrido adulto na viagem, ainda mais uma mulher. Akli as ajudou a subir, e elas logo se sentaram ao seu lado.
Jonas puxou as rédeas dos cavalos e começou a guiá-los até o portão. Os soldados escolhidos para irem junto se apresentaram — prontos para lutar e segui-lo até a morte, caso necessário.
A família do trabalho de escolta era nobre e bem rica. Disponibilizaram cavalos e carruagens luxuosas, garantindo que a viagem fosse feita no maior conforto possível, tanto para a família quanto para cada um do trio que assumiria as rédeas de cada uma.
Carroças cheias de alimentos em conserva e água. Uma menor com alimentos perecíveis... não podia faltar, todavia iriam ser consumidos completamente nos primeiros dias.
Jonas chegou e se juntou ao trio, vendo os rostinhos animados de cada um.
Após conferirem tudo e estarem prontos para seguir viagem, subiram em seus cavalos e começaram a sair pelo portão.
Os soldados presentes prestaram continência a Jonas e Liza.
— Boa viagem, general! Boa viagem, Sra. Dirpan!
Com um sorriso gentil, Jonas e Liza responderam a todos.
Tariki passou com sua carruagem.
— E pra mim? — perguntou de rosto empinado.
...Os soldados o olharam estranhamente.
— Nem sei quem é você, maluco.
— EHAHEAHAEHE!
O jovem chorou escondidinho enquanto Silvia gargalhava alto apontando o indicador para todos saberem o culpado do escândalo... Frederica ria baixinho, tampando a boca com a mão.
"Não sabem quem sou agora... Vou ser lembrado por gerações!" Parou de chorar, olhou suas mãos e as fechou com confiança.
— Ele tá fantasiando de novo sobre ser alguém famoso — zombou Frederica, rindo baixinho novamente, enquanto Silvia voltava a gargalhar apontando para o amigo do outro lado:
— AAEHAHEAHAEHE!!
Tariki voltou um semblante de desdém para elas.
— Sério... Por que sou amigo de vocês?
— Eles são animados, né? — comentou Liza para Jonas.
— Sim.
Nesse momento, Warp passou voando no céu e projetou uma sombra muito grande por onde passavam. Quase um eclipse rápido. O dia se tornou escuro e voltou a ser claro. Todos ficaram espantados... receosos.
— Relaxem, é apenas um amigo meu nos protegendo dos céus... — comentou Jonas.
— É... é-é... É uma Harpia?! — Frederica gaguejou.
— Sim. O... Rei.
Uma das crianças híbridas escutou tudo e olhou para a Harpia no céu:
— No meu País também tem uma! — exclamou a híbrida porco.
— Não me lembro de ter visto quando fui até lá — respondeu Liza.
— É porque não tem. Ela deve estar confundindo com a nossa Bruxa. Ele usa roupas largas e, quando voa pelos céus do País, parece ser muito grande por causa disso — explicou Akli.
— AS BRUXAS EXISTEM??! — Frederica se animou e até gritou, ficando em pé sobre o cavalo, surpresa.
"Melhor não mencionar aquela Bruxa...", pensou Jonas, após uma forte tremelicada de um "pequeno" trauma de infância. — Sei da existência de três Bruxas: uma anã, uma elfa e uma híbrida. Cada uma governa sua respectiva raça.
— E você já as viu?!
— Não. Mas... se tiverem sorte, talvez consigam vê-las de longe.
— Como assim? — perguntou Silvia.
— Eu tenho uma entrega no País dos Anões. Preciso deixar a criança elfa em seu País e entregar as crianças híbridas no destino final.
— Vamos passar pelos três Países. Se tiverem sorte, a Bruxa pode estar passeando e quem sabe vocês a vejam — respondeu Liza.
— Não criem expectativas com a Bruxa Híbrida. Nunca o vi sair de sua torre ou se afastar dela — ponderou Akli.
— E como protegem o País? — perguntou Tariki.
— Os Países estão escondidos por uma Dimensão Invisível. Quando você entra... já era... É como se você estivesse na mão da Bruxa — explicou Liza.
— Sim. Se você não for extremamente poderoso, não tem chance depois de entrar na dimensão delas — complementou Jonas.
— E... E se elas não gostarem de nós? — perguntou Tariki, bem receoso.
— Aí ela vai... MATAR vocês! — com um rosto assustador, Liza brincou.
Tremendo de medo, os três olhavam-na de olhos arregalados.
— Não coloque medo neles. Não é assim não, pessoal! — Liza olhou para frente, disfarçando, depois que Jonas a dedurou. — As Bruxas só intervêm se você fizer algo ruim.
— Como é essa Dimensão Invisível? — perguntou Frederica.
— Invisível, ué — zombou Tariki.
— AAHEHAHEAHE!
Silvia começou a rir junto de Tariki.
— EMM, GENERALL!... Como é a Dimensão?
Tariki chorou um pouquinho depois de ser ignorado.
— Huum... Não tem como explicar direito, eu acho. Mas você está lá andando e puff, entrou.
— O quê? — Tariki ficou confuso.
— É um lugar invisível e, se você passar por ele, você entra no País. É confuso, eu sei, mas quando estivermos chegando, eu aviso vocês. É mais fácil mostrar do que explicar...
— Tá bom! — Frederica estava muito animada. — Eu quero ver como é o poder de uma Bruxa... — murmurou para si. "Quero me tornar uma Bruxa também!", pensou, com um sorriso no rosto... e um calor queimando seu coração.
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