Dançando com a Morte Brasileira

Autor(a): Dênis Vasconcelos


Volume 2 – Arco 8

Capítulo 191: Uma Mão é Suficiente

Demoraram um pouco para sair do orfanato; as crianças híbridas não queriam deixar Jonas partir.

Passaram algum tempo mostrando o lugar e apresentando as recém-chegadas às outras crianças que moravam lá. Foi um momento difícil para a cuidadora: múltiplas crianças com passados horríveis, mas ela ainda assim mantinha um sorriso no rosto enquanto tentava se aproximar das novas, embora as híbridas e a elfa permanecessem um tanto relutantes — diferentemente das demônios.

Depois de um tempo com Jonas parado enquanto as híbridas se escondiam atrás de suas pernas, a criança elfa, que tinha 30 anos, decidiu ajudar a acalmar as outras. Embora fosse uma idade adulta para outras raças, ainda era uma criança. Aparência. Voz. Cabeça. Maturidade.

— Moço...

— Oi? — Jonas olhou para baixo, vendo-a ao seu lado.

— Vocês vão demorar muito para vir nos buscar?

— ...Preciso conversar com o rei, mas amanhã mesmo, se ele permitir, iremos levá-las de volta aos seus Países.

— Tá... — A elfa, tentando transmitir segurança, segurou a mão da híbrida coelho. — Não precisam se preocupar, eu consigo nos proteger até ele voltar.

A híbrida coelho, com lágrimas nos olhos, passou o bracinho pelo rosto secando-as, enquanto era puxada e acompanhada pela elfa. As outras duas híbridas a seguiram, indo juntas para um cantinho.

— Já volto.

Todas assentiram com a cabeça, e a elfa voltou até a cuidadora.

— Vocês têm banho?

— Sim, vou aju... 

— Não precisa, só me mostre onde é que eu tomo banho e ajudo elas a se limparem — respondeu com um leve sorriso.

— Tá!

A elfa olhou meio inexpressiva para Jonas e Liza, desviou o olhar e abaixou a cabeça, voltando para o cantinho das híbridas.

— Beleza, precisamos ir agora.

— Tudo bem, vou alimentá-las e cuidar delas até o senhor voltar. Devem estar assustadas ainda, é normal, considerando o que passaram.

— Sim. Com licença.

— Tenham uma boa tarde! — respondeu ela, curvando a cabeça em respeito. 


Jonas e Liza saíram, indo até a prisão de Drevien.

Não demorou muito para chegarem; um nobre que passava de carruagem deu carona para seus amigos da elite de outros reinos. Depois de agradecerem a carona, viram um soldado guardando a jaula em frente à prisão. Os relatórios em suas mãos. Dentro da jaula? Gemidos de dor... Respirar era difícil com tantos corpos compactados em tamanho espaço apertado.

— Bom trabalho, e muito obrigado, Simom. Está dispensado.

— Sim, senhor! Obrigado, senhor! — O soldado curvou a cabeça em respeito e se virou.

Jonas e Liza entraram na recepção da prisão. 

— Você disse que iria me visitar qualquer dia, mas não esperava que fosse tão rápido. — Drevien, fumando um charuto com as pernas apoiadas sobre a mesa, levantou-se e foi até eles.

— Queria que fosse uma visita, mas infelizmente não é.

— O que é então?

Jonas entregou os relatórios. Drevien lia enquanto Jonas explicava:

— Informações de cada preso que vamos deixar aqui. 

— Escravizando crianças híbridas, demônios, vampiros e até uma elfa? — Drevien continuou lendo enquanto folheava os documentos. — Estados horríveis de trabalho, abusadores... Relaxa, vão ter um tratamento especial. Mas, crianças híbridas e uma elfa... Vampiros? O que você vai fazer?

— Pedir permissão ao rei para levá-las de volta aos seus Países. No caso, só as híbridas e a elfa. Os vampiros não são um problema real, e também são adultos.

Uhum... Se ele disser não, você me avisa.

— Óbvio que não vou avisar.

— Que coisa feia, eu sou seu pai.

— Coisa feia é o que você vai fazer se eu falar.

— É só uma conversa. Prometo...

— ...Você não se controla, iria matá-lo.

— Bom que você assume o reino. 

— Você sabe que não é assim que as coisas funcionam, não vou discutir.

Uhum... Mas é melhor você sumir daqui caso ele recuse. — Thunf Drevien colocou a mão no ombro de Jonas, apertando gradativamente. Sua mão maior que a cabeça dele. — Se eu ver você na rua amanhã, eu entro naquele lugar e vou ter uma conversa bem longa com o rei. E pode ter certeza que vou caçar você em todo canto, não vai adiantar se esconder, não vai adiantar correr, eu vou te achar e você sabe disso.

Jonas suspirou fundo, observando seu velho ser ele mesmo.

— Você queria matar Grimore desde que eu vim pra cá. Na verdade, eu nem estava aqui ainda, e você já queria matá-lo só porque ele se tornou general.

— Olhando para o que aconteceu, eu deveria mesmo ter matado.

Jonas lançou-lhe um olhar incrédulo, percebendo que seu próprio argumento era terrível.

— Tudo bem, eu falo com você.

Drevien soltou o ombro dele.

— Vai passar pelos anões? 

— Sim. Se o rei permi... — Drevien virou ligeiramente o rosto para encará-lo. — Sim, vou fazer uma parada para consertos e comprar comida.

— Me dá um minutinho. — O mestre foi até sua mesa e escreveu uma carta escondida do "filho". Depois de terminar, pegou um saco debaixo da mesa, estendendo-o ao, em seus olhos, eterno garotinho. — Entregue este saco junto com esta carta para meu amigo Orne. Ele é um ferreiro. 

— Sei quem é, pode deixar... Não sabia que ele era seu amigo — respondeu bem surpreso, no tempo que erguia a mão para receber o que fosse aquilo... Segurou... bem, ao menos tentou.

PÁHFT!

Era pesado demais.

Um susto e uma expressão espantada exalando... Sua coluna quase virou um "C" perfeito. 

— O-o que é isso?! — gaguejou com quase medo.

Liza tentou levantar o saco do piso, porém também não conseguia.

— Minério bruto de rezeríta. É muito pesado porque não está refinado.

Usando as duas mãos, Jonas tentou levantar o saco... o peso colossal, suas veias rígidas se revelando nos braços fazendo Liza mordiscar um pouco os lábios. Os gemidos contidos devido à força aplicada mexendo internamente com a sua pretinha olhando-o e imaginando coisas levadas. Conseguiu com muito esforço erguê-lo alguns centímetros do chão... as pernas iguais a um "[" colchete deitado, uma mesa... um caranguejo modificado andando desajeitadamente para os lados.

— Deix...e comi...go, euUU entreEEgo a ele — murmurou com dificuldade.

— Ei. 

Os dois olharam para Drevien, PÁH! e Jonas soltou o saco de minério para descansar.

— Não é pra ler a carta.

— Táff... Ahamff...

— Tchau pra vocês dois.

— Tchau, Bigbig. 

Drevien abriu um sorriso estranho e encarou fixamente Liza, que começou a suar de medo ao ver a sombra dele se aproximando... Mudou de expressão ao chegar, e não perdoou ao zoar:

— Medrosa.

— Chato!

— Para de me chamar daquilo.

— Nem morta — resmungou a nora, antes de cruzar os braços e virar a cabeça. 

Drevien suspirou e tentou pegar o saco de rezeríta das mãos de Jonas, no entanto, ele se recusou a soltar. Sem esforço, o mestre ergueu tanto Jonas quanto o minério.

Enquanto isso, uma família passeava de carruagem pelas ruas quando Drevien parou o veículo, Thuf! colocando Jonas sentado ao lado deles. O general travou com os olhos arregalados de vergonha, enquanto a família, em silêncio, observava a cena com expressões igualmente espantadas.

Eeeeeeh... B-boa tarde?

...Não responderam; continuaram sem reação.

Drevien abriu um sorriso, satisfeito ao ver Jonas passando vergonha. 

O mestre se virou e deixou Jonas lá, que olhou para ele se afastando, sem saber o que dizer ou como reagir. Passando ao lado de Liza igualmente inexpressiva, sem saber o que fazer para ajudar seu homem, pegou a jaula com os prisioneiros e levou para dentro da prisão.

A prisão era simples, sem muitos detalhes, porém alta e com largos corredores para a passagem de máquinas, jaulas, carroças, barris e outros objetos. Na "pequena" recepção, havia a mesa de Drevien com seu porrete mágico pendurado na parede, horizontalmente sobre a mesa.

À frente da mesa, havia duas cadeiras. À esquerda — na visão de quem entrava no lugar —, duas entradas para corredores. Virando na mais à direita, havia um corredor que levava diretamente para a área dos presos, uma sala onde os mantimentos eram armazenados e uma sala com documentos e relatórios antigos.

O andar de entrada — a recepção — ficava no segundo; abaixo da sala de mantimentos, ficava a cozinha e a área onde, antigamente, a alimentação dos presos era distribuída. Hoje, o refeitório era apenas um espaço vazio, sem muita utilidade. A alimentação funcionava de forma diferente: jogam-na na área dos presos, que disputavam a comida no chão.

Indo pelo corredor da esquerda, onde Drevien entrou com a jaula, havia uma cela em frente a uma sala com a porta fechada. Essa sala era a de interrogatório, e a cela era para quem aguardava ser interrogado. Seguindo por esse corredor, havia uma área distante com várias celas minúsculas, verdadeiros cubículos onde nem era possível se sentar confortavelmente.

Essas celas eram pequenas salas com portas, onde só era possível permanecer em pé, a menos que a pessoa fosse muito magra. Nesse caso, ou caso viesse a emagrecer demais ali dentro, ela conseguiria, ao menos, se sentar no chão sem precisar espremer as pernas.

Outro corredor seguia à direita deste lugar, também levando até a área dos presos. Porém, antes de chegar lá, havia uma grande área aberta ao céu, onde ficava um cercado com os animais que serviam de comida para os presos, como javalis selvagens.

Seguindo pelo corredor, chegamos à área principal: a área dos presos era um grande quadrado cercado por celas, todas abertas, do segundo ao primeiro andar. O corredor que levava ao refeitório abandonado no primeiro andar permanecia lá, intacto, com a porta aberta, no entanto, ninguém ousava passar por ela.

Celas e mais celas formavam o espaço vazio. Acima das cabeças dos presos, uma única passarela se estendia do segundo andar até o centro da grande sala quadrada. Era lá que Drevien jogava a comida e assistia aos animais se espancando para comer mais do que os outros.

As celas nunca se fechavam, Drevien não os trancava. Eram tão desconfortáveis e frias que os prisioneiros preferiam se deitar na terra do chão, do lado de fora do primeiro andar, a se deitar nas camas de pedra entre as grades.

As pequenas escadas que levavam às celas do segundo andar haviam sido destruídas por Drevien. Assim, se algum preso quisesse fugir de gangues rivais ou de desentendimentos, restava-lhe apenas correr até que os outros se cansassem ou tentar escalar para se isolar.

No teto, havia uma pequena abertura que deixava a luz entrar, suficiente para mostrar se era dia ou noite — e para que os presos contassem os dias até o fim de suas sentenças. Mal sabiam que esse dia nunca chegaria.

Drevien soltou os novos prisioneiros na cela de interrogatório, e eles começaram a se levantar lentamente depois de tanto tempo espremidos. No entanto, apenas 15 se levantaram; o homem que Jonas havia socado permaneceu desacordado no chão.

O mestre percebeu e saiu andando para guardar a jaula. Com o braço livre, Shhhiu... Fuuu... puxou o charuto e assoprou a fumaça.

— Eu não me seguro, né? Mandou um morto.

Entrou na sala de mantimentos, Bm e colocou a jaula no chão. 

Pah!... Pah!...

— Salazar.

Salazar... Salazar era gordo, robusto. Chegou assim. Continuava, mas agora tinha força física. O braço mais firme, duro, bruto, grosso. Poucos dias treinando. Poucos dias sendo treinado pelo melhor. Sem reclamações. Uma ordem. Uma entrega.

Era pardo, com olhos verdes e 1,76 m de altura. Embora Drevien fosse um metro mais alto que ele, não era peludo como Salazar. Este, por sua vez, deixou de se importar com o crescimento da barba ou do cabelo castanho.

Começou a prendê-los, mas tirar um tempo para se cuidar era difícil para o homem.

Sua mente o fazia se sentir mal, se sentir inferior, colocando-o como culpado e revivendo tudo milhares e milhares de vezes quando não a ocupava treinando ou executando uma ordem de Drevien, convencido de que a culpa era de sua fraqueza, e sua família foi morta por sua incompetência.

Nem banho tomava, acreditando estar perdendo tempo com seu propósito de se fortalecer. Porém Drevien o quebrava na porrada quando ele começava a feder, e Salazar preferiu começar a tomar banho, mesmo contra sua vontade, a apanhar do mestre.

Uma escolha sábia.

O descuido não se limitava apenas ao rosto e à cabeça; seus braços, peludos como os de um urso, pareciam de um animal selvagem. Se a lua cheia viesse dar uma visita, ele virava logo o lobisomem pidão. Mas, claro, as queimaduras ficavam bem mais visíveis, pois nelas nada crescia.

Ainda usava o cachecolzinho sujo de sangue de sua filha no pescoço. Suas roupas continuavam sendo simples, feitas de panos e tecidos comuns; não se importava com isso, desde que estivessem limpas, para não apanhar, o resto não importava. No entanto havia um detalhe que completava seu novo visual: um avental branco de cozinheiro.

Quando Drevien entrou e o chamou, Salazar segurava um grande cutelo, cortando animais para que os cozinheiros preparassem a comida dos presos.

Shirk!

Cravou o cutelo na carne sobre a mesa de pedra bruta, porém lisa e virou-se para encarar Drevien.

— Algum problema, mestre?

— Tenho um trabalho para você.

Salazar limpou as mãos ensanguentadas no avental branco.

— Diga. 

— Jonas acabou de trazer um carregamento de criminosos: sequestro, abuso infantil... — Salazar se enfureceu. — ...estupro, escravidão, entre outros.

— Qual é a ordem? — perguntou com voz firme.

— Eles estão na cela em frente à sala de interrogatório. Não é como os soldados presos de mais cedo. Não será o mesmo procedimento. Quero que você tire informações de todos sobre quem frequentava as casas de prostituição, individualmente. Quero nomes, e não me importo como você vai conseguir. Apenas me entregue os nomes.

— Pode deixar comigo, mestre.

Drevien saiu da sala e se sentou em sua cadeira, colocando as pernas sobre a mesa enquanto fumava seu belo charuto importado.

Salazar pegou o cutelo e uma faca, guardando-os no bolso do avental. Saindo da sala, dirigiu-se diretamente para a cela em frente à sala de interrogatório... limpíssima depois de torná-la tão sanguinária mais cedo.

Não queriam perder muito tempo com os soldados próximos de Grimore que Jonas mandou prender após a análise dos relatórios de três meses na madrugada do dia em questão. Usou de uma artimanha interessante: um joguinho meio cruel... Cruel? Não eram pessoas boas... Ainda assim... isso era cruel?

Ordenou que todos aqueles presentes na sala assumissem seus crimes. Todos contassem o que fizeram e com quem fizeram cada um dos crimes... crimes que Salazar não sabia em questão. Só que... tinha um grande porém.

Apenas uma cadeira.

E somente o primeiro que sentasse e assumisse seus crimes sairia vivo de lá.

Imediatamente, o homem viu o joio se separar do trigo. 

O desespero — o jogo, uma dança das cadeiras se iniciou em meio ao joio... enquanto o trigo ficou parado, olhando tudo acontecendo... Salazar os separou, soltou uma pequena risada e acalmou os ânimos, dizendo que era só uma brincadeira. Chamou o trigo e os colocou na sala de interrogatório. Perguntou para cada um o que sabiam e mentiu, dizendo que sabia de tudo.

Nenhum deles demonstrou receio ou medo, só dúvidas devido a serem presos.

Liberados. 

Quando o homem saiu da sala, chegando próximo da cela cheia de joio, escutou-os implorando por suas vidas, prometendo que nunca mais fariam nada, e que era tudo culpa de Grimore. Diziam que ele os forçava a ir, os forçava a transar com demônios, forçavam-nos a beber.

Salazar não precisou fazer nada além de fingir compreensão... Mas ao escutar uma lamentação que envolvia uma criança, mesmo que de outra raça, o homem deixou-se ser controlado pelo momento. Se enfureceu. Sua filha surgiu em sua mente. O contrabandista rindo enquanto a degolava ecoou no fundo de sua mente... e um massacre naquela cela se seguiu.

Ensanguentado... saiu.

Drevien fumando, o olhou de canto e riu... no tempo que Salazar buscava um esfregão, baldes, panos e barris... 


Caminhando com um sorriso no rosto, olhou para os novos presos dentro da cela, Tcks... e a abriu: 

— Quem vem primeiro? — Olhos fechados... sorriso imenso.

Ninguém respondeu; todos ficaram em silêncio, observando-o com desconforto.

— Ninguém?

Thufh!

Salazar agarrou um homem à esquerda pelo pescoço.

O homem tentou segurar o braço dele, mas este era muito mais forte. 

Clingrk!

Arrastou o homem desesperado para fora, trancou a cela com a mão livre e o empurrou para dentro da sala de interrogatório.

Pahf... Clerck!

Trancou a porta e olhou para o homem caído no chão.

— Sente-se na cadeira.

A sala era vazia, com apenas duas cadeiras e uma mesa pequena entre elas, todas feitas de madeira, enquanto as paredes e chão eram de pedra lisa em um tom de cinza-claro.

O homem obedeceu e se sentou. Ao fazê-lo, Salazar pegou o documento com as informações sobre os prisioneiros. Olhando o desenho e lendo as características físicas relatadas, encontrou o relatório correto:

— Você está preso por forçar crianças a trabalharem com prostitutas e por manter mulheres demônio em condições precárias de trabalho. — Abaixou o documento e encarou o homem. — Vou dizer apenas uma vez: sua pena pode ser reduzida se você me der todos os nomes das pessoas que frequentavam o local.

O preso hesitou.

— Espera aí, cara... São pessoas perigosas e ricas. Eu posso te dar um bom dinheiro se pegar leve comigo. — Tentando manipular Salazar, o homem, com um sorriso falso, aproximou-se e colocou a mão na mesa, tocando os papéis.

Salazar puxou a faca de dentro do avental, Fs! e a lançou para cima... No ar, Tc a pegou de volta, Plarch! e a cravou na mão do homem, prendendo-a à mesa.

AAAII! AAII, PORRA!

O preso gritou alto, e os outros na cela ficaram apavorados.

O cafetão segurou o braço ferido com a outra mão, enquanto Salazar se posicionava de lado na mesa, em pé. 

— Sua sentença mudou. Você não precisa mais desta mão.

PÁRCH!

Com um só golpe, usou o cutelo para cortar a mão do cafetão, Pharh! que caiu no chão, gritando e chorando de dor.

AAAAAAaaaarRGgHH!

Se aproximou do mono-mão se debatendo no chão. O cutelo sujo, brilhando em metal, refletindo perfeitamente o coitadinho no chão, sendo segurado com firmeza e calma pelo carrasco.

— Vou sair da sala por uns minutos. Se eu voltar e você não tiver escrito os nomes no papel que deixei em cima da mesa, vou te desmontar. Vou aproveitar cada grito de dor enquanto corto seus dedos, pés, mãos e braços. Farei isso lentamente, com extremo cuidado para não acertar seus pontos vitais. O ódio que eu sinto por pessoas como você é enorme, então, quando eu voltar, espero que já tenha terminado o que mandei.

— C-COMO! COMO VOU ESCREVER?! NÃO TEM NADA AQUI!

— Use seu sangue. — Salazar se levantou e foi em direção à porta.

— NÃO!... NÃO! — O homem chorava desesperadamente. — POR FAVOR!

Ignorou o homem e saiu da sala de interrogatório. Os presos o observavam com espanto enquanto Salazar retribuía com um sorriso gentil. Caminhando pelo corredor, limpava o cutelo em seu avental. Ao chegar à sala de mantimentos, Pah!... Pah!... retomou o trabalho, cortando a carne dos animais.


Depois de algum tempo, retornou à sala de interrogatório.

Ao entrar, o homem, tremendo de medo, levantou os olhos para ele. 

— Por favor... por favor, eu não consigo me lembrar de mais nada.

— Só três nomes? Ficou todo esse tempo aqui e só escreveu três nomes?

— E-eu não consigo lembrar... eu juro, por favor... — Voltou a chorar.

— Bem... você tentou. Vou ser gentil com você.

O preso parou de chorar. Sentindo um leve alívio... abriu um pequeno sorriso.

— Obri... 

SHKrunch!

Antes que pudesse terminar, Pa-pah... sua cabeça foi decepada com um único golpe do cutelo de Salazar.

— Ser gentil e te matar rápido. 

Ficou em pé por alguns minutos, observando a bagunça sangrenta que havia causado. Depois, saiu da sala e voltou à cela.

— Próxiiimoo! — exclamou, com um sorriso estampado no rosto e os olhos fechados. 

Ninguém se moveu; todos o olhavam apavorados.

Oh... Ninguém? — Salaz abriu os olhos, notando o silêncio. 

Uma mulher — a única bonita presente — finalmente se manifestou:

— O-o que aconteceu com ele? — perguntou, hesitante.

— Está curiosa? Venha ver. — Manteve o sorriso enquanto se afastava, abrindo caminho para ela passar.

A mulher, relutante, seguiu-o.

Clingrk!

Trancou a cela e entrou com ela na sala.

— Sente-se. — Clerck! trancou a porta atrás de si. 

A presa notou algo no canto da sala, coberto por um pano manchado de sangue.

"Aquilo é o corpo dele? Ele não saiu da sala..." Engoliu seco e se sentou. — O que você quer comigo?

— Nomes... quero os nomes de todos os clientes que frequentavam sua casa.

— E se eu te der os nomes... o que vai acontecer?

— Sua sentença será reduzida. 

— E se eu te... — começou a se despir lentamente — ...der algo a mais além dos nom...

Salaz avançou... segurou a cabeça da mulher e, PAH! a bateu contra a mesa, abrindo um pequeno corte na testa, que começou a sangrar...

— Quero apenas os nomes. — Mantendo a mão pressionando a cabeça como se quisesse explodi-la com a pressão, olhava no fundo dos olhos dela, antes de soltá-la e quase vê-la caindo sobre a mesa.

Sentou-se logo após, mantendo seu olhar enojado, agora ainda mais, por ter encostado sua pele em um ser tão asqueroso.

Atordoada e com dor, a cafetina permaneceu sentada, os olhos semicerrados. 

— D-desculpa... c-como vou escrever? — perguntou, tremendo.

— Sua cabeça está sangrando, use seu sangue. 

Incrédula... passou a unha sobre o ferimento e começou a escrever os nomes no papel. Sempre que tocava o machucado seu rosto se contraía. Não adiantava, Salazar não se importava.

Após listar vários nomes, Shc empurrou o papel na direção dele.

— Aqui estão... todos os clientes que frequentavam. Os frequentes, no caso. Esses sempre reservavam meus produtos previamente. Claro que tem outros, alguns que foram uma vez só e coisa assim. Não tem como eu lembrar de casos isolados dessa forma. Mas todos esses são de famílias ricas, são intocáve...

— Serão todos presos.

"O quê? Mas... como?" Decidiu ignorar o que escutou... Pensando só em sair de lá. Pagar uma fiança e voltar ao "trabalho", continuou: — ...Como combinamos, agora diminua minha sentença. 

— Claro. — Salaz se levantou. — Me siga.

Envergonhada, devido ao machucado, tentou limpar como pôde e seguiu Salazar para fora. O homem virou à esquerda, e enquanto caminhava o seguindo, decidiu lançar um olhar discreto para os outros presos, no tempo que sussurrava baixinho:

— Tchau, seus otários.

Todos a olhavam com as mãos agarradas nas grades. 

Chegando à área com várias portas, Salazar parou e ficou de costas para ela. A mulher, desconfiada e inquieta no ambiente escuro, iluminado apenas por algumas tochas e lamparinas, começou a recuar lentamente. Era como se o silêncio sussurrasse um aviso para fugir. Cautelosa, dava passos pequenos, tentando não fazer barulho.

Crhenc!

Salaz abriu uma das portas:

— Entre. 

O corpo dela gelou ao ouvir a voz. Parou e espiou dentro da porta, enxergando um cubículo minúsculo e fedorento. Levou a mão ao nariz, tentando bloquear o cheiro desagradável. As chamas das tochas nas paredes lançavam luzes oscilantes sobre eles.

Observando mais atentamente, percebeu que não havia nada lá dentro, todavia o lugar parecia jamais ter sido limpo. 

— O que é isso?

Bapsh!

Salazar a empurrou para dentro.

— Sua sentença foi reduzida, como você queria. — Plarckt! fechou a porta e a trancou.

A mulher agarrou as pequenas grades de metal na altura de sua cabeça e começou a gritar:

— NÃO FAZ ISSO!! ME TIRE DAQUI AGORA!! — Se debatia contra a porta, fazendo muito barulho do metal batendo nas pedras.

Salaz a observou em silêncio por alguns segundos, degustando do desespero. Se aproximou das grades quase em provocação, e ela tentou agarrá-lo. Em um movimento rápido, Salazar segurou o braço, sacou o cutelo, SKRUNCH! e o decepou.

AAaaaAAAAArrGgHHH!

Caída toda torta no chão sem espaço, enquanto sangrava abundantemente, seu grito ecoou pela prisão, alcançando os outros presos, que apenas abaixaram a cabeça, tomados pelo medo em seus cantinhos separados em gangues criadas no intuito de sobreviverem mais uma noite sombria.

— Morra rápido, quero limpar tudo... — se virou levando o braço dela consigo — e voltar ao meu trabalho.

Voltou e entrou sozinho na sala de interrogatório, contudo, os presos o viram carregando um braço e já imaginavam o que havia acontecido com a mulher do grito fino.

— Vamos todos morrer... — a barril rebaixado murmurou.

— Cala a boca! Ele vai escutar... — um homem respondeu em voz baixa.

Ninguém ali tinha esperanças; naquele momento, todos se arrependeram do que fizeram, mas já estavam a um passo da morte. Não havia mais volta. Era o momento da colheita. Plantaram desgraças... colheram a morte.


Depois de algum tempo, Salazar foi até a mesa de Drevien, com o avental completamente ensanguentado. Os braços peludos assumindo uma nova coloração.

— Aqui estão os nomes.

Drevien pegou os papéis e começou a folheá-los, examinando atentamente.

— Me desculpe — lamentou Salazar.

Hum? — O mestre levantou os olhos para olhá-lo.

— Consegui os nomes de apenas 15 casas. Um dos presos estava morto. 

Ah, eu sei. Jonas o matou. Achei interessante... ele não é de fazer isso... mas sabe bem quando é a hora de fazer isso.

— Entendi.

Drevien voltou a examinar os papéis, soltando uma leve risada. 

— Todos estão usando sobrenomes falsos, todos são de famílias ricas que se acham da elite — riu novamente, lembrando-se da mansão que os pais de Jonas compraram em Dirpu para garantir que ele não ficasse sozinho em outro reino para estudar. — Eles realmente não sabem a diferença entre nobreza e elite. Eeh, a maioria frequentava mais de uma casa. — Frash... jogou os papéis na mesa. — Vou fazer questão de prendê-los pessoalmente.

— Vou limpar a sala de interrogatório. 

Drevien observou Salazar, olhando para o avental coberto de sangue.

— Você está parecendo um açougueiro de verdade agora.

— Cortar humanos é mais divertido do que animais. 

Hum... Não sei o que é isso. Eu não corto, eu esmago. Shhiu... — puxou o charuto — Fuuuu... — e soprou a fumaça.

Salazar riu e se dirigiu para a sala de interrogatório. 

Ao entrar, encontrou a sala em completo caos: sangue por todos os lados, membros decepados e mutilados espalhados. Começou separando pela carne, colocando-as em barris de madeira.

Enquanto limpava o sangue do chão com um pano molhado, espremendo-o dentro de baldes e barris, começou a cantarolar uma música baixinho:

— Hunn-húnn-hùnn-hun...

Depois de limpar tudo, levou os barris para o cercado aberto ao céu, onde cuidava dos animais usados para alimentar os presos não condenados por crimes hediondos. Os presos que cometiam crimes graves viravam comida para javalis, que, por sua vez, eram consumidos pelos presos comuns na prisão de Drevien.

Groar-Grroan... Nhoic!

Salazar despejou os restos dos criminosos para os javalis, Crunck-Crunck! que rapidamente começaram a devorar os pedaços, triturando até os ossos... Ainda havia alguns resquícios da alimentação de mais cedo. Deram prioridade para a carne fresca... talvez não fossem tão burros afinal.

— Isso!... Comam, os presos vão adorar comer vocês depois... — Abriu um sorriso e se virou para sair. — Pelo menos foram úteis para algo. Não em vida, mas ainda assim, serviram para algo.

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