Volume 2 – Arco 8
Capítulo 190: Rua do Entretenimento
Acataram facilmente as novas mudanças... embora nada realmente importante tivesse mudado.
Alberg seguiu em diante como se Grimore e Matilda não fossem nada.
Morf conseguiu comunicar à população sobre a traição e as mortes de uma forma positiva. Colocou tudo na conta da mulher e pediu desculpas pelo transtorno que a coleta das crianças causou. Tudo acabou como uma vitória sobre o mau, uma guerra interna vencida... Deu certo usar palavras bonitas.
Jonas assumiu o que era para ser seu desde que pisou os pés neste reino. Promovido a General do Exército, os soldados finalmente se viam diante de um líder de verdade. Responsável, analisou do pé à cabeça cada relatório entregue por Grimore nos últimos três meses.
Queria ler todos... mas a preguiça bateu forte, e preferiu deitar-se um pouco com sua noiva. Quem resistiria a um corpinho seminu chamando-o com voz calma? Quem trocaria sexo por trabalho? (Louis está morto... não conta.)
Em suas análises... nada de útil. Todavia, era anormal a necessidade do general sempre ir até o Leste e ninguém ser preso. Era anormal o General do Exército viver lá e nada lá melhorar. Índices de roubos, mortes. Inúteis. Demônios ali não tinham direitos. Eram lixo... menos que isso.
Um demônio morto era só isso... um demônio morto.
Mas ainda assim, não era porque o rei não aceitava-os como gente que todos não os aceitavam. Essas estatísticas levantadas, de crianças em situação de rua, adultos morrendo de fome e trabalho análogo e literal escravo, sempre eram apresentadas ao rei, e sempre eram negadas como se não importasse. Como se aqueles seres não merecessem o mínimo.
Não queria gastar com aquele lado. Não queria problemas com a elite que usava aquela mão de obra extremamente lucrativa e barata... Protestos... poucas pessoas. Todos os humanos que passavam naquelas ruas do extremo Leste sentiam nojo daqueles seres — engraçado, para transar com eles não sentiam.
Grimore não permitia muitos soldados circularem por lá... só os amigos, só os mais próximos. Nenhum que Jonas confiava estava naquela lista... Ainda de madrugada, foram todos presos, foram todos ver Drevien.
Era início de tarde.
Após mais um discurso público do rei e a distribuição dos jornais explicando melhor cada um dos pontos relatados até então — agradecendo o Primordial Preto e a Grande Heroína —, Jonas e Liza iniciaram seus trabalhos.
Junto de soldados, foram ver como estavam as coisas na zona Leste... Alguns grupos ficaram responsáveis de analisar cada viela e relatar por escrito cada anormalidade ou situação que encontravam os demônios. Já ele e Liza foram direto até a rua mais problemática, a principal e com as casas de prostituição mais movimentadas.
Mesmo ainda de dia, a rua não parava — um fluxo imenso de humanos alheios a Jonas e aos soldados que olhavam-nos. Riam, comiam da comida local como se fosse um safari, como se fossem visitantes consumindo outra cultura, tendo aqueles pobres como entretenimento.
Garotas... demônios aparentemente jovens, algumas com aspectos mais adultos tentavam chamar atenção — tanto para dentro das casas em que trabalhavam, quanto para quem sabe arrumar um homem e sumir daquele lugar... difícil. A maioria daqueles humanos eram casados, alguns com mais de uma mulher, e mesmo com tamanha fartura, se viciaram nos seres que faziam de tudo para agradá-los.
Ser uma amante, uma empregada free use do homem em questão... tentavam convencer, juras e mais juras para conseguirem sair daquele inferno, no entanto, eram poucas as que conseguiam ser compradas de seus cafetões humanos, para não serem mais usadas por vários, e sim apenas por um.
Danças sensuais, roupas minúsculas.
Música rolando e convites vindo de todos os lugares.
Jonas ficou meio espantado. Ver homens em um lugar assim era previsível, mas mulheres e ainda algumas mulheres que o mesmo já vira na área nobre e sabia que tinham marido e filhos... era meio inquietante.
Ignorou.
Olhou para os soldados acompanhando-o e ordenou:
— Espalhem-se e prendam os donos das casas que estiverem agindo de forma ilegal. A venda de afrodisíacos com sangue rosa também é ilegal. — Tinha certeza que iria encontrar irregularidades. Como que um lugar assim em três meses não teria pisado na bola uma única vez?
— Sim, senhor!
Os soldados prestaram continência a Jonas e se espalharam pela rua, entrando em diferentes casas. Algumas demônios acompanhando-os e logo se frustrando ao perceber que não eram como os soldados corruptos de Grimore.
Jonas olhou para ambos os lados antes de entrar em uma das casas com Liza... As casas eram tematizadas por fora, e a que entraram tinha muitos morcegos falsos voando. Não demorou um segundo ao tocarem os pés dentro, para serem recepcionados. Para a surpresa de ambos, não era um homem... era uma mulher humana a dona daquela casa.
Pele clara, baixa e gorda, com um corpo semelhante a um frigobar, só que amassado e mole. Sua maquiagem era forçada, deixando seu rosto branco como pó mágico e seus lábios roxos, como se tivesse sido aplicado com um esfregão. O ser com sangue humano nas veias tentava parecer jovem, todavia seu esforço resultava na aparência de um primata antes de explodir.
Usava um vestido elegante, no entanto isso não adiantava muito. Continuava sendo uma aberração. Se recebesse uma segunda chance de nascer, era melhor nem aceitar. Pouparia os olhos de muitos.
— O que desejam, casalzinho? Experimentar coisas novas, ju...
— Tenho um mandato do rei para verificar se está tudo em ordem nas casas de entretenimento adulto. Com licença, vou dar uma olhada no seu estabelecimento — ordenou e ia passando, quando a "mulher" se colocou na frente.
— Eles estão trabalhando agora...
— Não me interessa. Saia! — Jonas passou pela gordurosa e entrou em um corredor que havia somente duas portas.
O corredor era escuro, com teias de aranha nos cantos e morcegos nas paredes... Tudo era falso, nitidamente falso. Nenhum capricho. Nenhum tostão gasto para uma melhor experiência, ambiente e imersão. Só um cenário medíocre.
Liza seguia até a porta mais distante, no tempo que Jonas abria a porta mais próxima. Atrás, a bacon se demonstrava inquieta — não era Grimore, não era só pagar pelo vista grossa.
Assim que abriu, a porta dava para um quarto temático de monstro, mas especificamente um quarto de vampiro. Embora não soubessem muito sobre o assunto, não erraram muito em relação ao quarto de Lycoris; ainda assim, era extremamente estereotipado, baseado na imaginação da barril rebaixado.
O quarto era grande, com imensas paredes pretas adornadas por relevos meticulosamente trabalhados, assim como todos os móveis, cujos detalhes entalhados tiravam o fôlego. À esquerda, uma grande janela que não entrava muita luz, nem durante o dia.
A cama era grande, com um dossel extremamente alto, feito de madeira preta e coberta com um tecido fino e vermelho. A cama, entalhada com cuidado, tinha lençóis e cobertores de alto padrão, almofadas e travesseiros vermelhos feitos de penas de periquitos pretos.
Abaixo da janela, havia uma poltrona de ouro estofada em vermelho. O quarto era decorado com um tapete grande com bordas douradas e um centro vermelho, mostrando riqueza com detalhes artesanais.
Ao lado da cama, um criado-mudo preto com bordas douradas sustentava um candelabro dourado com velas pretas, iluminando o ambiente escuro.
No teto, um enorme lustre fornecia mais luz ao ambiente. À direita da cama, havia móveis pretos com joias, pentes com pedras vermelhas, um grande espelho circular e diversos outros itens que Lycoris mal usava.
Eeehh... O quarto da barril, em contraste, era só um cômodo pintado inteiramente de preto, com morcegos, teias de aranha e aranhas falsas espalhadas pelos cantos, tentando criar um cenário monstruoso.
Havia uma cama razoavelmente grande com dossel, com dois travesseiros e uma coberta vermelha. A cortina do dossel era preta, e o quarto era decorado com pinturas compradas de demônios moradores de rua, ilustrando monstros.
Na parede acima da cama, havia correntes e algemas gastas.
Assim que Jonas abriu a porta, encontrou um vampiro seminu sentado com as costas apoiadas nos travesseiros da cabeceira da cama. Uma mulher humana, também seminua, encontrava-se sentada em seu colo, com as costas voltadas para ele, enquanto o vampiro mordia seu pescoço e sugava seu sangue.
A mulher mantinha um sorriso excitado e gemia baixinho em êxtase. Jonas levantou o braço para segurar o cabo da sua espada de madeira e, ao perceber a interrupção, Paft... a mulher caiu no colo do vampiro, que parou de chupá-la.
Era uma mulher jovem, com cerca de 23 anos. Só de olhar para ela, sabia-se que era rica, assim como todos os humanos que frequentavam o lugar. O vampiro, por sua vez, era bonito, alto e jovem, com uma pele pálida, cabelo lilás e olhos vermelhos. Embora tivesse 50 anos, sua aparência era a de um humano de 25.
Todas as raças que viviam muito mais que humanos tinham um padrão: ao chegar no auge de sua beleza, ficava freezado, congelado no tempo, até chegar em uma idade onde sua raça em questão começava a envelhecer, para enfim continuar envelhecendo.
Jonas segurava firmemente o cabo de madeira. Seus olhos vidrados no alvo, quando a mulher simplesmente se ergueu rindo, sentando-se vulgarmente no colo do vampiro. Mrrrwhh! Jonas travou ao vê-la avançar, beijando-o apaixonadamente, como se sentisse fome, sede daquele homem de outra raça.
"Quê?!"
No quarto em que Liza entrou, a cena era o oposto.
Havia um homem humano, de cerca de 60 anos, meio gordo e calvo, sentado na cama apoiando as costas e completamente pelado. Em seu colo, uma vampira jovem usava uma lingerie preta repleta de suspensórios e detalhes que lembravam morcegos.
A vampira, com pele pálida, cabelo lilás e olhos vermelhos, tinha 40 anos, mas assim como o vampiro, ela parecia bem mais jovem, no auge dos seus 20. Era baixa, um pouco mais do que o velho com 1,57 m. Enquanto esta sentava no pênis do humano, mordia-o no pescoço, fazendo-o gemer continuamente, preso no êxtase.
Quando a vampira percebeu a entrada de Liza, se levantou rapidamente, saindo do colo do velho muito assustada. Tampava seus seios sem fartura alguma, enquanto com as pernas juntas em sua posição ajoelhada sobre a cama, escondia suas partes inferiores.
Rubor... não era só vergonha, sentia medo.
— Vista-se e vá embora. — Liza olhava para o homem babando, meio desorientado após o ato ser atrapalhado. Quando enfim olhou para frente e notou Liza, correu e se vestiu com muita pressa, assumindo um medo ainda maior do que a vampira sentia.
— Moça?! Você está bem?
A mulher interrompeu o beijo no vampiro e se virou para trás.
— Quer participar, bonitão? — convidou Jonas quase em gemido.
— O-o quê? Você vai ser transformada em vampiro!
A jovem mulher se deitou no colo do vampiro, sensualizando, se esfregando naquele corpo.
— Venho aqui há um bom tempo e nunca virei uma vampirinha — respondeu, rindo e bem animada.
— Não é assim que funciona; só se transforma em vampiro se eu der o meu sangue — comentou o vampiro, mantendo um olhar baixo, respeitando a presença de Jonas.
Porém o humano ficou ainda mais confuso.
— Moça, por favor, saia do quarto. Preciso interrogá-lo.
— Aaaah... Depois eu volto, tá? — disse, olhando para o vampiro cabisbaixo. Ergueu o rosto dele, Mwwaah! e o beijou com força, bebendo mais um pouco do gosto que se viciou. Momentos depois, se levantou e Jonas se virou, para que a jovem se vestisse com privacidade, embora não quisesse isso.
Saiu olhando Jonas com malícia, o homem incomodado não disse nada.
Liza entrou com outra vampira segundos depois, e esta se sentou ao lado do vampiro.
A dona do estabelecimento ficava cada vez mais nervosa, suando frio, quase sebo... pura gordura.
— Como vocês vieram parar aqui? — Jonas iniciou.
— Fomos sequestrados e acordamos aqui. Desde então, somos obrigados a sugar sangue das pessoas que procuram prazer — respondeu o vampiro.
— Obrigados? Vocês não recebem nada por isso? — Liza perguntou.
Os olhos cheios de medo dos dois seres intercalando de um ao outro conforme quem respondia:
— Não. Não nos dão nada, mas ao sugar sangue, não é só a pessoa que se sente bem; nós também nos alimentamos. Não é tão ruim afinal... — disse a vampira, com um sorriso meigo.
— Viu?! Eles gostam de ficar aqui! — exclamou a dona do estabelecimento.
Jonas se voltou para ela.
— Não importa! Eles estão presos aqui. As correntes ali atrás estão gastas. Deixa eles presos até abrirem o estabelecimento? — questionou e o chouriço desviou o olhar.
A vampira, com medo, defendeu sua dona:
— Não temos para onde ir... Voltar para o País dos Vampiros é quase um suicídio — comentou em voz trêmula.
"País?", pensou Jonas.
Liza olhou para ela.
— Como assim?
— Naquele lugar, só sobrevive quem é forte; quem não é, não é importante. Nós não somos fortes e morreríamos facilmente. Quanto mais um monstro consome carne e sangue, mais forte ele fica. O corpo muda, como se fosse uma evolução. Não sei explicar bem, mas lá, eles se matam; não existe amizade. Você vira as costas e morre. O mais forte prevalece e continua se tornando mais forte infinitamente. Existem muitos vilarejos de vampiros lá, mas eles mal saem de casa por medo. Por isso, criamos coragem e fugimos... Porém, acabamos sendo sequestrados e viemos parar aqui.
— Viu?! Eu não sou um monstro aqui.
— Calada! Liza, prenda-a.
— Por quê?! Eles não são humanos!! — A dona se desesperou.
Liza segurou as mãos da mulher atrás das costas e as amarrou, bem firme, com uma corda feita de magia.
— Você é doente? Está escravizando esses dois... e não importa se não é tão ruim quanto dizem...
A vampira começou a lacrimejar enquanto o vampiro a abraçava, temendo pela vida após a prisão da dona. Vulneráveis — era nítido o desconforto de usarem roupas tão minúsculas e sugestivas daquela forma. Quase nus, em um ambiente frio. Só se aqueciam quando tinham trabalho, quando precisavam entregar prazer a alguém.
— ...Você está presa, e a casa ficará para eles.
Quando ouviram que a casa ficaria para eles, olharam assustados para Jonas.
— P-pensei que você nos mataria ou nos expulsaria do reino.
— Nem todos os vampiros são ruins só porque alguns são. Jogá-los para fora da muralha não exigiria apenas o ouro da permissão do rei, mas também os jogaria para a sobrevivência real. Mesmo que aqui precisem sobreviver, não passam riscos reais de vida, de algo surgir e matá-los.
Os dois olharam para Jonas com gratidão.
— Não vejo maldade em vocês. Mas não quer dizer que tolero qualquer coisa. Acredito em você. Aquela mulher com quem você estava pode ser usada de prova. De onde eu vim, acreditavam que só uma mordida era necessária para um humano se transformar. Se ela não se transformou, isso se prova mentira. Permito que continuem com essa casa, assim recebendo o valor cheio pelos seus trabalhos, tendo mais dignidade e uma forma de quem sabe sair dessa vida, ir mais para o centro e começar um empreendimento menos predatório. Qualquer coisa deve ser melhor que usar seus corpos como produto, eu acho. Porém, se um dia eu voltar aqui e ver que surgiram muitos vampiros, e ainda por cima vocês estiverem envolvidos, eu os caçarei sem pena. Não é uma ameaça, é uma promessa.
Vupff!
Os dois se jogaram de joelhos e testas no chão. Lágrimas nos olhos... poças sob o rosto. Liza cobriu os olhos de Jonas para não ver a pequena lingerie da vampira naquela posição.
— Não se preocupe. Não daremos nosso sangue a ninguém! — respondeu o vampiro.
— Assim espero! Tenham uma boa tarde — respondeu Jonas, sem enxergar nada com a mão em seus olhos.
O casal então se virou e levou a dona para fora.
A jovem mulher que minutos antes transava com o vampiro esperava na rua. Assim que os viu saindo, Vup correu e quase trombou com os humanos. Entrou no corredor, sabia o caminho de cor... Passou pela porta e saltou, Thupf... caindo no colo do vampiro, agarrando-o com entusiasmo, gemendo só por senti-lo... A vampira sentada ao lado sentia-se incomodada vendo aquela humana tocando o que era seu, mas era isso ou passarem fome. Ergueu-se e deixou-os a sós, vendo o vampiro olhá-la sair do quarto, como quem pedia desculpa por aquilo.
Fechou a porta e as risadas continuavam ecoando... Fazia tempo que não se sentiam, que não se tocavam... Ao menos não iriam mais viver presos nas algemas sobre as camas, presos sob a precaução da ex-dona de que seus escravos pudessem fugir um dia. Quatro horas de sono.... Quatro horas de sono com os braços presos para cima... covardia.
Jonas e Liza se entreolharam e ignoraram logo depois da humana quase os atropelar.
Chegaram onde haviam deixado as carruagens, e na jaula que trouxeram para levar possíveis criminosos — incluindo a dona — havia cinco presos até agora. Liza desfez a magia e a deixou lá dentro, junto de uma outra mulher, essa sim bonita, e três homens.
Quando a barril entrou, o espaço se tornou bem mais apertado, pois trouxeram uma pequena jaula, achando que não haveria tantos criminosos, ainda mais um que contasse por três... Nada que fosse importante. Se viraram e continuaram as checagens, visitando, agora, a casa ao lado dos vampiros.
Essa em questão não era tematizada por fora, não era chamativa, mas havia algo que parecia uma fila. Jonas reconheceu alguns rostos, e estes, até mesmo esconderam-se e saíram de lá.
Entraram, ignorando todos aguardando o local abrir:
— O que deseja? — perguntou um velho homem vestindo um terno cinza, típico de nobres considerados pobres no reino. Visivelmente incomodado, olhava para a porta semifechada como se tentasse mostrar para Jonas que ainda não era hora.
O humano tinha um grande bigode branco e usava um monóculo no olho esquerdo com uma correntinha prata, destacando seu grande e pontudo nariz.
— Vou ver se está tudo certo por aqui.
— Ainda não abrimos, senhor.
— Não perguntei se abriram. Só vou olhar as coisas e ver se está tudo nos conformes.
O velho abriu um sorrisinho.
— Aah... o senhor e sua mulher querem dar uma espiada nos meus produtos? São de qualidade, não se preocupe. Posso reservar uma vaga para vocês, mas no momento, ainda não abrimos. O general gosta da casa. Ele que recomendou?
Jonas perdeu a paciência com aquele sorriso esquisito à sua frente:
— Grimore está morto, eu sou o general agora. Saia — ordenou e passou... o velho se desesperou com a informação. Enquanto Jonas caminhava para dentro nos corredores, o velho tentava acompanhá-lo:
— Senhor, Grimore esteve aqui semana passada. Está tudo certinho e nos conf...
O corredor era dividido por cortinas de tecido. Todos os quartos tinham grades — como em uma prisão —, uma cama em estado deplorável, uma pequena janela gradeada para a entrada de luz, e um pote sujo, com "comida" e "água" no chão.
Eram quatro celas... Jonas viu três delas, e em cada tinha uma criança híbrida: uma híbrida cachorro cinza, uma híbrida coelho e uma híbrida porco... O humano não conseguiu impedir Jonas de entrar... já Jonas conseguiu impedir o humano de acabar de falar:
BAAM!!
Seu sangue ferveu como magma. Instintivamente, se virou e deu um soco no rosto do velho.
CRECKK!
O impacto destruiu os dentes daquele "homem".
Seu rosto ficou amassado e ele desmaiou na hora, caindo no chão. O general subiu sobre ele, levantando o punho para espancá-lo até a morte, porém se conteve, com os olhos transbordando ódio enquanto olhava para o velho sangrando pelo nariz e boca.
Liza colocou a mão em seu ombro de forma delicada, massageando-o.
— Não vale a pena. Ele já terá que passar por Drevien na prisão — murmurou doce.
O noivo, respirando fundo, olhou para o lado e viu as crianças.
"Não quero que elas vejam isso. Liza está certa." Se levantou. "Meu mestre não vai deixar isso passar." — Leve-o até a jaula, por favor.
— Claro.
Liza segurou o pé do velho e o levantou como se fosse papel, deixando-o em seu ombro, no tempo que o levava até a jaula conforme solicitado.
Crash!
Jonas esmagou com a mão as fechaduras de todas as celas, libertando as crianças.
Indo até a quarta cela, mais afastada, viu uma criança elfa com as mãos algemadas juntas, impedida de resistir ou atacar quem quer que a usasse.
Permanecia com um olhar ameaçador, encolhida no canto, ao lado de um pote contendo algo que mal podia ser chamado de comida.
Tratadas como animais sexuais, todas continuaram assustadas e hesitantes para saírem das celas.
Jonas abriu um leve sorriso sincero e bondoso, olhando para cada uma.
— Crianças, eu prometo levá-las de volta para suas casas. Já estive no País dos Híbridos e dos Elfos. Não se preocupem, eu sei o caminho e vou proteger todas vocês. Mas eu preciso que confiem em mim.
Elas olharam para o rosto dele e começaram a chorar — exceto a elfa —, não mais por medo, mas por esperança. Jonas exalava bondade, e elas puderam senti-la através de seu cheiro.
Jonas saiu com as crianças encolhidas ao seu redor — menos a elfa —, que se mantinha mais tranquila, embora preparada para se defender caso percebesse alguma ameaça novamente. Não o atacou quando o homem quebrou as algemas, porém ainda era difícil confiar 100% em alguém da raça que a colocara naquele lugar.
Lá fora, os soldados se reuniam e a jaula estava tão cheia que nem cabiam mais presos; em uma jaula destinada a sete pessoas, havia dezesseis. O trabalho havia terminado. Todas as casas de prostituição da rua em questão haviam sido vistoriadas.
Um soldado se aproximou de Jonas. O general olhava para os lados, a fila vista anteriormente havia desaparecido... óbvio. Os rostos familiares receberiam um Toc, toc... na porta...
"Depois eu vejo isso...", pensou ele, não era hora, no tempo que o soldado chegava e começava a falar:
— Encontramos crianças demônios dentro das casas, e o pior, a maioria não era sequestrada. Muitas mães, sem conseguir ter clientes, colocavam suas filhas para trabalhar, pois quanto mais jovens, mais caro o trabalho e mais cobiçada ela é. Já conferimos tudo e está tudo conforme o esperado agora. Eu não agi em relação às mães, nossa lei não se aplica aos demônios. Se eu estiver errado, me dê a ordem e consertarei isso imediatamente. — O soldado abaixou a cabeça.
— Onde estão as crianças?
O soldado levantou a cabeça e apontou para as carruagens.
— Ali, senhor.
Jonas olhou e viu as crianças com pouquíssimas roupas, cabeças baixas e desejando suas mães, mesmo sabendo que eram usadas como escravas sexuais para gerar dinheiro... Eram muitas, meninas e meninos.
— Leve-as ao orfanato do reino. Mesmo que ninguém as adote, a cuidadora de lá é muito responsável e ama seu trabalho. Tenho certeza de que o acompanhamento dela será importante para ajudar essas meninas a superar o trauma que sofreram. Vou lutar para mudar essas leis. Mudar o cenário desse lugar. Sexo não é errado, não é o problema, mas o que está acontecendo aqui não é só sexo.
— Sim, senhor! — respondeu o soldado, prestando continência. Aproximando-se do ouvido de Jonas, perguntou: — Tem uma casa que usa orelhas falsas e rabos para fingir ser híbridas raposa, coelho, rato e outras sub-raças dos híbridos. Devo voltar e prender o dono? Não vi más condições de trabalho para aquelas demônios, e também nenhuma que parecesse muito jovem.
— Se é apenas fantasia, não há problema.
— Sim, senhor! — O soldado prestou continência novamente e, ao notar as crianças atrás de Jonas, perguntou: — São crianças híbridas, senhor?
— Sim. Um desgraçado atravessou meses de viagem só para sequestrar crianças. Um verme. Vou pedir permissão ao rei para levá-las de volta.
— Entendido, senhor!
— Leve-as, junto com as crianças demônios, para o orfanato.
— Si... — O soldado hesitou ao ver a reação das crianças.
As híbridas abraçaram a perna de Jonas, e ele olhou para elas.
— Oi?
— ...
Não disseram nada, no entanto, Jonas compreendeu.
— Tudo bem, eu levo vocês lá. Não é um lugar ruim. Vocês vão gostar — disse, com um leve sorriso e um tom calmante.
Olharam para seu rosto e balançaram levemente a cabeça em concordância.
Jonas se virou e olhou para os soldados perto da jaula.
— Vocês aí! — Os soldados ficaram em pé e prestaram continência instantaneamente. — Levem os criminosos para a prisão. Quero o relatório de cada um dos presos e porque foram, tudo pronto antes de eu chegar lá, escutaram?
— Sim, senhor!
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