Volume 2 – Arco 8
Capítulo 188: Inocência Sangrenta
Daddy Issues... Não era apenas Nino com problemas sérios referentes ao seu papai.
O mundo fora colocado contra Alissa... seu papai fez tudo isso.
Coragem e uma pitada de burrice. Uma matéria na televisão, seu rosto estampado ao lado dos gêmeos. Uma reportagem tendenciosa e a mais forte se tornou a vilã principal. Uma vilã sem um herói para vencê-la.
As mortes foram jogadas em seu peito: Louis, Katherine e cada exterminador morto por seus alunos problemáticos.
Sempre com o destino da raça humana em suas mãos... Com tanto poder, poderia se corromper e fazer de todos seus escravos... Que humano não faria isso? Todas as guerras não eram para isso? Mais poder... Mais controle? Mirlim aprovaria. Todavia... mesmo podendo tudo isso, preferia viver inúmeras vidas lendo seus livros clichês em sua sala intimista...
Não mais.
Não fazia mais parte da ADEDA. Seu papai expulsou-a... Falando diretamente? Óbvio que não... Coragem não existia naquele corpo velho. Pressionado por todos após colocá-la como a responsável de tudo, se viu obrigado a expulsá-la em um discurso. Ao mesmo tempo, não teve coragem de bloquear contas bancárias ou nada além de exigir a prisão imediata.
O endereço do prédio da mulher fora colocado em rede nacional e internacional... Quem iria ousar sequer pisar na recepção?
Em sua cobertura, acabava de se vestir no quarto... Primeira pessoa da Terra vestindo luvas antes de colocar um sobretudo. Usando sua roupa típica de quando ainda operava na ADEDA, vestiu seu sobretudo prateado quase em deboche pelo que viria no dia em questão.
No celular sobre a cama, mostrava que o motorista particular chegaria em um minuto.
Guardou-o no bolso do short e seguiu até a sala.
Sua enorme televisão ligada na parede exibia uma reportagem fresquinha — Alissa aguardava-a desde a noite passada. O apresentador transmitia a cobertura de um acidente terrível. Uma aterrissagem forçada na madrugada acabou ceifando a vida de diversas pessoas:
— "...Infelizmente, 332 pessoas morreram. O piloto foi encontrado vivo próximo aos destroços; completamente transtornado. Acompanhe as filmagens."
Um vídeo gravado ainda na madrugada foi iniciado:
— "O PRESIDENTE!... O-O PRESIDENTE ESTAVA LÁ!" — o homem não parava, movia-se como se tivesse visto a morte — "ELE MATOU TODOS E ME OBRIGOU A DIZER QUE QUEM FEZ ISSO FOI A FILHA DELE! E-E-E-EU NÃO ME IMPORTO SE ELE ME MATAR!" — Thumpf! agarrou o homem que o filmava e, aproximando o rosto do celular, continuou: — "EU QUERO QUE VOCÊS SAIBAM A VERDADE! O CULPADO DE TUDO É O PRESIDENTE DO BRASIL!"
A reportagem voltou ao apresentador:
— "Coitado, deve estar traumatizado... Temos uma entrevista realizada nesta manhã no Palácio da Alvorada com o presidente da república, Humberto Kubitschek. Acompanhe a matéria do nosso repórter, Leonardo Guerra."
Flashes e mais flashes. Muitos jornalistas. Uma imprensa enorme atrás de respostas nessa possível reviravolta no caso. Uma incógnita surgiu e as pessoas do planeta inteiro se dividiam em acreditar nas palavras do presidente ou nas do piloto culpando-o do ato terrorista.
Em meio a todos, Leonardo questionou com o microfone perto da boca:
— "É verdade que a exterminadora Alissa Kubitschek traiu os exterminadores e agora derrubou um avião com 333 pessoas a bordo?" — Estendeu o microfone para o presidente.
— "Nunca imaginei que minha filha faria uma coisa dessas... Trair a ADEDA e agora ataques terroristas?" — falava meio alheio.
O repórter continuou:
— "O piloto afirma que você o obrigou. Está escondendo algum poder da população, Sr. Presidente?"
Estendeu o microfone mais uma vez.
— "Não se preocupem, ela será presa o quanto antes."
Leonardo insistiu:
— "Sr. Presidente, o piloto disse que foi o senhor."
Estendeu o microfone novamente, e o presidente, irritado, respondeu:
— "E QUE PROVAS VOCÊS TÊM?"
Gostou da reação, ter filmado aquilo era como achar um grande geodo em um rio. No entanto, não deixou seu sorrisinho escapar, fingiu estar acuado e continuou tentando "cavar" mais falas e reações comprometedoras:
— "Senhor... Não há razão para aumentar a voz. Poderia me res..."
Thuf!
Os seguranças do presidente interviram, bloqueando a câmera. Um caos se iniciou com Humberto sendo afastado do lugar. Os repórteres gritando, exigindo que o presidente se justificasse por tal ato... Nesse momento, Alissa desligou a televisão e se dirigiu ao elevador.
— Até que atuou bem.
Shn...
As portas se abriram e, deslumbrante, a mulher saiu, caminhando com graciosidade tranquila pela recepção, ignorando toda a multidão usando cartazes atrás dos vidros, cheios de ofensas, além das esquisitas que não paravam de gritar achando que isso mudaria alguma coisa.
Ao chegar à portaria de vidro, esta se abriu, assim como a multidão que outrora demonstrava coragem excessiva. De longe e em silêncio absoluto, alguns ainda balançavam timidamente as cartolinas. Nem foto com flashes os paparazzis ousaram tirar.
Caminhou na mesma tranquilidade até o carro particular esperando-a estacionado... Coitado. Alissa entrou no carro e o motorista se mostrava visivelmente assustado. Desde que chegara e percebera onde estava, tentava dar partida, mas o carro não respondia. Tentava retirar o cinto, porém este nem se movia.
Desde o chamado do veículo, o homem era controlado pela mulher.
No aplicativo, dizia que o nome era Alice, e o endereço nem existia. Só o traçado, a rota para parar naquele lugar. Quando chegou, Alissa travou o carro e parou de controlar o homem diretamente. Assim que leu "Alissa", e viu todas as pessoas reunidas, o desespero tomou conta.
Tremendo de medo, ele disse:
— Q-quando aceitei a corrida eu não sabia que era você... Por favor, eu não quero ser preso, saia do c...
Crunch!
Os olhos do motorista se encheram de sangue, sua cabeça ficou mole e sua boca entreabriu, todavia... suas mãos se firmaram no volante.
Skrrrrt!
Com o canto dos pneus, Alissa, com preguiça da viagem, assumiu a direção.
Enquanto isso, Nino respondia sua irmã:
— Sei lá. Chorando porque não tem namorado? — Os dois se olharam e riram.
— Atchim!... Hãm?... Que estranho. — Apoiada na janela do carro, observando as construções passarem rapidamente, espirrou de repente.
— Talvez... Será que ela tá sentindo saudades da gente?
— ...Talvez.
— ...Bom. Vamos voltar pra vila. Não avisei a Nathaly que saí. Apesar de que ela ainda deve estar desmaiada na cama.
— Pode ir, vou ficar um pouquinho aqui.
Nina se levantou:
— Tá bom... Mas e as coisas no reino lá? Foi tranquilo?
— Uhum... Matei o Azul, salvei as crianças. Matei a rainha e depois disso voltei correndo quando vi a lua no céu. Nada demais não.
— Tendi... Beleza. Depois nos vemos.
— Uhum.
Fu... Nina sumiu... e Nino voltou a olhar para frente... olhar o nada à sua frente.
Dois mundos. Dois ritmos diferentes.
Na Terra, os dias tinham 24 horas, os meses 30 dias, os anos 365 dias, e havia 12 meses no calendário. No mundo da Deusa do Sol, os dias tinham 28 horas, os meses 21 dias, os anos 294 dias, e havia 14 meses no calendário.
Para os filhos, era o trigésimo quarto dia no novo mundo.
Para a mamãe, era o trigésimo nono dia sem vê-los.
Enquanto os filhos enfrentavam uma noite fria... triste. A mamãe enfrentava uma manhã de céu claro e aberto... mas com uma carinha de chuva vermelha beeem sutil.
Brasília, Distrito Federal.
No subsolo do Palácio do Planalto, dentro de um laboratório secreto da Limpeza, alguns homens estavam reunidos:
— Onde ela está?
— Não sabemos. Última vez que alguém a viu, foi pegando um carro provavelmente de aplicativo em frente ao prédio onde mora.
— Por que estão tão preocupados com ela?
Humberto virou-se para seu guarda-costas pessoal:
— Ela deve ter descoberto tudo.
— Então... não é só matá-la? — perguntou em ironia o guarda-costas.
— ...Não é bem assim. A magia dela é algo muito complicado. Nada, nenhuma criação foi minimamente capaz de ao menos cansá-la. Destruiu sem dificuldade alguma das anomalias mais poderosas que o Doutor Ben criou em vida.
— Qual é o poder dela?
O cientista ao lado respondeu:
— Não temos certeza, mas possivelmente é o poder de "Controle". O corpo de Katherine Kubitschek está sendo analisado, e suas memórias revelam que tanto ela quanto Alissa possuem poderes altamente destrutivos.
— "Controle"? O que é isso? Ela vai me obrigar a lavar a louça? — o guarda-costas respondeu com ironia, enquanto o cientista mantinha um semblante sério.
— Não sabemos exatamente como funciona. Temos alguns vídeos armazenados. Vídeos de civis filmando ela ainda criança, inteiramente parada, olhando na direção de anomalias e fazendo com que elas se suicidassem, incluindo Calamidades.
— Estão de brincadeira? — Ele olhou para todos na sala, sendo o único a levar aquilo como piada. Se achava importante, agora, pois o presidente "confiava" de deixá-lo entrar naquele lugar. Desespero não era confiança. O presidente não sabia usar uma arma. Por ventura, o importantíssimo guarda-costas sabia e tinha uma na cintura.
— Quando ela tinha nove anos, o Doutor Ben criou três obras-primas, três Calamidades nas quais fundiu cobaias humanas com anomalias semelhantes a pássaros. Seus olhos brilhavam enquanto realizava os testes. Ele as batizou de "Fênix": uma com poderes elétricos, outra com poderes de fogo e uma terceira completamente feita de metal, com penas extremamente afiadas. Nenhuma munição existente em nosso arsenal foi capaz de perfurá-las. Ou ao menos amassá-las.
Um olhar que não parecia levar tudo aquilo tão a sério vinha do guarda-costas:
"Que piada... É só uma mulher. Um tiro na barriga e cai no chão implorando por sua vida", pensou, no tempo que o cientista continuava explicando:
— Só que... após serem soltos, tiveram a infelicidade de encontrar Alissa, que usou os poderes deles contra eles mesmos. O Fênix de fogo conseguiu sobreviver e voltou ao laboratório. Após o desastre, a Limpeza enviou de volta os restos das anomalias, e o Doutor Ben continuou estudando. Passou mais alguns anos melhorando sua criação, e quando o Fênix foi solto novamente, morreu para aquele "Desastre Natural" que era aluno dela.
O presidente olhou fixamente para seu guarda-costas:
— Não estamos lidando com uma humana comum. Ela ultrapassa todos os limites do nosso conhecimento. É impossível pará-la.
Um homem entrou na sala.
— Presidente!
— Sim?!
— Encontramos ela.
Seguiram o homem até uma sala cheia de computadores, onde apenas um projetava um holograma transparente no ar. O espaço era gigantesco, e somente um garoto comandava. Com o poder de "Hacking", conseguia invadir qualquer sistema a qualquer momento, manipulando a mídia com facilidade... era o brinquedinho controlado por Mirlim dentro do governo.
— Onde ela está?
O garoto, manipulando um teclado semi-invisível, respondeu:
— BR-050. — O jovem invadiu o sistema de GPS do motorista e acessou a câmera frontal do celular, vendo-os. — O motorista está morto e o carro está muito mais rápido do que o modelo permite, como se algo o estivesse impulsionando.
— Dê um zoom no rosto dela — ordenou Humberto... e imediatamente o hacker obedeceu.
Alissa continuava tranquila. Seu cotovelo encostado na janela, sua mão apoiando seu rosto voltado à paisagem do lado de fora. Olhar com uma pitada de tédio... não mais.
— A vista tá boa?
— AAAAAGRHH!
Pha-Pha-Pham!
Todos os cabelos pelos corpos dos intrometidos se arrepiaram ao extremo com aquele olhar se voltando na direção da câmera. Aquele olhar atravessava aquilo. Entrava em suas retinas e varava suas almas.
O quase jovem adulto começou a gritar de dor, segurando a cabeça com ambas as mãos e todos na sala foram arremessados contra as paredes, ficando presos com os braços e pernas esticados... Humberto cresceu dois centímetros — a coluna ficando reta depois de anos tão corcunda. De repente os gritos cessaram e o brinquedo de Mirlim parou de se debater. Alissa assumiu o controle e, usando seu poder, acessou todos os arquivos e experimentos do governo.
Enquanto a mais forte coletava as informações, um cientista observava tudo através das câmeras. Desesperado, correu até uma máquina conectada ao cérebro de Katherine, que estava sendo estudado desde sua morte. Desligou o dispositivo, e Alissa terminou de extrair todos os dados do laboratório, exceto os arquivos daquele sistema.
Não perdeu tempo.
Divulgou tudo nas redes sociais e enviou e-mails com todas as provas e mentiras contadas pelo governo brasileiro para emissoras de televisão ao redor do mundo. Todos saberiam a verdade sendo escondida no Brasil.
Ainda controlando o corpo do garoto, a mais forte o levantou e se dirigiu ao seu pai, Scrrrrechh! rasgando a pele do rosto dele com as próprias unhas. Com um sorriso sangrento e o rosto mutilado, ela disse:
— Eu vou acabar com o seu império... Pai.
BRUNCH!
A mulher explodiu o corpo do coitado, espalhando sangue e vísceras por toda a sala.
P-p-pahf!
Todos os presos nas paredes caíram no chão após isso — Alissa deixou de controlá-los... (Não acho que Mirlim ficará contente em saber que sua filha usou o brinquedo dela para aterrorizar o papai sem sua permissão... Faz parte, né?)
Todo o sistema da sala foi afetado: o teclado e o holograma desapareceram, e os computadores reagiram à falta de magia do garoto. De um segundo ao outro, alguns bilhões de reais em tecnologia se tornaram caixas tecnológicas sem uso algum.
O doutor, que assistiu tudo pelas câmeras, entrou na sala:
— Presidente! O arquivo dos experimentos em Katherine estava offline; ela não teve acesso.
— O que isso significa?! — respondeu o presidente, extremamente estressado, enquanto se levantava do chão. Sua coluna doendo bastante.
— Temos uma chance de 2% de que a anomalia criada com o DNA de Katherine consiga desativar os poderes de Alissa, permitindo que a eliminemos.
— Está me dizendo que minha vida depende de uma chance de 2%!?
— S-sim...
— Por que uma chance tão baixa? — perguntou o guarda-costas.
— Os testes mostram que a anomalia consegue anular os poderes de tudo, mas estamos falando de desativar Alissa. Essa Calamidade Artificial não fala; tem o corpo e o rosto semelhantes a Katherine, porém ela consegue falar. Sem o Doutor Ben para guiar as pesquisas, é isso ou nada.
— Eu... Eu tenho uma ideia. Vocês têm gravações de voz dela no banco de dados?
— Sim.
— Me mostre.
O guarda-costas, confiante, seguiu o cientista.
— Espero que saibam o que estão fazendo — disse o presidente.
— Podem confiar, vai dar certo! — respondeu o guarda-costas.
O exército foi convocado para impedir Alissa... (Tsi...)
BR-R-R-R-R-R-R-RUUNCHH!
O carro se tornou um cometa. Não queria andar, muito menos correr de São Paulo até Brasília. Envolveu-o em sua magia e acelerou-o para chegar em alguns minutinhos, onde seu papai lhe esperava.
Desceu do carro e uma chuva começou.
Milhares de soldados explodindo, molhando e deixando o cenário no agrado de Blacko. Seus passos tranquilos — nenhuma gota a tocava, nenhuma ousava manchar seu sobretudo prata. Olhos serenos. Um contraste insano no seu massacre vingativo...
Escolhas... Uma ordem foi dada. Isso não queria dizer que eram obrigados a aceitá-la. Foram por escolha própria. Morrerem por escolher errado. Sangraram para proteger quem não se importara em mandá-los à morte. Suicídio voluntário... Burrice sem volta.
Entrou:
UUUÍÍÍÍ-UUUÚÚ!!...
E as sirenes foram à loucura... Todos os coitados que ousaram entrar em seu caminho se tornaram papeizinhos e sangue espalhado.
— Ela entrou! Anda rápido com isso! — Humberto se desesperava.
— Tá, tá! — Seu guarda-costas sentia a pressão de ter vários homens olhando para si... (Ish...)
Com vários corpos esmagados e ensanguentados no chão, começou a descer as escadas até um local com um piso branco e quadros de belas artes nas paredes, entretanto, nada disso chamava sua atenção.
À sua frente, a alguns metros, havia uma pessoa parada, com uma porta blindada atrás dela.
"Não é humana, é uma anomalia." Somente olhando chegou em seu veredito. Uma estranheza absurda, todavia nenhum sinal de vida. Nenhum movimento de respiração. Nenhum defeito perceptível no rosto ou corpo. Era perfeito demais para ser um humano comum.
A mais forte caminhou em direção à anomalia fingindo ser Katherine.
— Oi, Alissa...
Alissa parou... seu coração pareceu parar... não queria acreditar. Toda a semelhança era notória, no entanto, achou que era um cosplay barato, uma sósia para tocá-la no emocional. Tudo mudou ao escutar a voz.
— ...Lembra de quando éramos crianças e sonhávamos em ser uma dupla de heroínas?
"A boca não se mexe, mas ouço a voz dela." Por um momento, Alissa se perdeu em lembranças. Se perdeu nas promessas, nas brincadeiras, nos sonhos de se tornar aquilo. No sonho que aumentava a cada episódio do seu desenho favorito.
— Assim que chegar a cerca de dois metros da anomalia, você aperta o botão — ordenou o doutor.
— O que o botão faz? — perguntou o presidente.
— É o comando para anular o poder de Alissa e depois explodir.
— Explodir?!
— É nossa única chance. Se o experimento funcionar, vai anulá-la e a explosão a eliminará. Será uma explosão com a força de um míssil.
— Não vamos morrer junto?
— Essa sala é projetada para suportar bombardeios. Talvez a superfície do Planalto desabe, mas nós continuaremos vivos.
— Então é nossa última aposta?
— ...Exato!
Alissa retomou a consciência.
— Qual é o nosso episódio favorito?
Alguns segundos se passaram... a anomalia não respondia.
— PROCUREM RÁPIDO NAS MEMÓRIAS DE KATHERINE!
— ESTOU PROCURANDO! É muita coisa, me dê uns segundos!...
— ACHE LOGO!...
— ACHEI! EPISÓDIO 27 DA PRIMEIRA TEMPORADA! — gritou o doutor para o guarda-costas, que, usando o rádio, voltou a falar com Alissa:
— Episódio 27 da primeira temporada.
Alissa começou a se aproximar lentamente para a anomalia.
— Nós não tínhamos um episódio favorito; você gostava do 27 e eu do primeiro filme da segunda temporada. Mesmo com acesso às memórias dela, vocês não encontrariam a informação, já que ela nunca se importou comigo de verdade.
Crash!
Alissa destruiu o rádio no viva-voz colado nas costas da anomalia.
Ainda caminhando em direção a ela, pisou no ponto que eles queriam. B-... Quando o botão foi pressionado, uma explosão imensa ocorreu, no entanto, Alissa conteve a explosão, suprimindo até o som e reduzindo a força da detonação. Logo depois? BROOOOMM!! Arremessou a anomalia em direção à sala antibomba, destruindo a porta com violência.
Pobre Titá...
O edifício veio a ruir, mesmo que não inteiramente. O que ousou ir na direção da mulher se tornou poeira e Alissa continuou caminhando na direção das portas blindadas, agora arrombadas... Não era o laboratório.
Este estava bem mais no subsolo, todavia aquela sala levava à verdadeira entrada secreta.
Três cientistas para conseguir fazer o plano falho iniciar. Três cientistas que saíram da safe zone acreditando em um imbecil com uma ideia digna de outro imbecil. Além desses três "civis", havia dois soldados armados — fora o guarda-costas — lá dentro. Estes dois caíram no chão com a explosão da porta, e assim... ficaram.
Um em cada lado do rombo, ambos mirando na entrada.
TRÁ-RÁ-RÁHH!!
As metralhadoras gritaram com a chegada da mulher... as balas parando e se amassando no ar antes de cair... Os carregadores vazios... o desespero ao perceber que não haveria desculpas para aquilo.
BRUNCH!
Os soldados e cientistas foram dobrados ao meio antes de se tornarem bolinhas de carne. Irrelevantes. Alissa olhava para seu alvo, agora, com uma pistola encostada embaixo do queixo.
— Você quer ele, certo? Me deixe ir e eu...
BRUNCH!
O guarda-costas achou que era inteligente. Pegou o presidente de refém e acreditou que conseguiria negociar com o inegociável. Parar o imparável... A cabeça da lenda explodiu, banhando o presidente de sangue.
Com o cuzinho na mão, o pai olhava para sua filha, depois de dezenas de anos sem se verem pessoalmente.
— Todos esses anos, todas as pessoas que morreram para essas criações, e para quê?
— Filha... Você ainda não entende. Anomalias nascem naturalmente; nós apenas aceleramos e aprimoramos o processo. As pessoas precisam sentir medo, precisam depender de nós. Sem oferecer segurança, não teríamos tanto dinheiro, eu não governaria o país!
— Você tirou tudo de mim por dinheiro? Para alimentar essa sua fantasia de merda. Criar monstros e oferecer proteção? Perdi amigos, alunos todos os anos, e você tenta conspirar contra mim para isso? Continuar sendo um presidente de merda que faz a população sentir medo diariamente?
— Sacrifícios são necessários para alcançarmos o que queremos... Você tem meu sangue; precisa honrar seu sobrenome, Alissa — disse, encarando-a fixamente. — Continue com o império que nossa família conquistou...
— Kubitschek está no meu nome, mas nunca gostei dessa merda de sobrenome.
— Não me arrependo de nada do que fiz. Apenas segui os passos do meu pai, que seguiu os passos do meu avô... Não me arrependo de ter tido você tam...
CRRAAASSHH!!
Com um sorriso no rosto, Humberto Kubitschek desapareceu, deixando um buraco colossal na parede atrás de sua mesa... Alissa não lidou muito bem com tais palavras após uma infância tão contrária a tudo dito.
Tirando um gravador do bolso, parou a gravação e deixou-o sobre a mesa, depois de exterminar completamente o corpo de seu pai, sem deixar uma única gota de sangue.
Ao sair, ainda bem furiosa com o que ouvira, murmurou:
— Jogar com o emocional? Um verdadeiro verme até o final. Queime no inferno, querido pa...pai?
Seu corpo travou... Seu olhar congelou... Seu rosto se espantou...
Três metros à sua frente... Mirlim estava de pé, olhando-a. No ombro da mãe, Robson cumprimentava Alissa com um mover de bracinho gelatinoso... Rosto felizinho... Só o dele. O rosto de Mirlim não era nada agradável.
— M...
— Matou seu pai?
— S-sim...
Mirlim ergueu o rosto ao teto destruído, vendo os raios solares atravessarem a poeira.
— Cheguei atrasada.
— O-o quê?
— Nada não. Acabei dormindo um pouco depois que cheguei aqui.
— Che-chegou quando?
— Um minuto atrás.
— ...
Surpresa, ainda inteiramente espantada, olhava para Mirlim que se mostrava cheia de preguiça e tédio. Vendo-a de calça social alfaiataria cinza-escura, blusa comprida de botões e cor branca, braços cruzados como se fossem o sustento dos seios, o pirulito de lei entre os lábios, Alissa sentia vontade de abraçar sua mãe. Muitos anos sem se verem pessoalmente. Todavia, Mirlim se virou e saiu andando.
— Vamos — murmurou quase dormindo.
— O-oi?
Alissa deu alguns passos apressados, desconcertada com a situação. Ia se aproximando, quando Mirlim murmurou mais uma vez:
— Seu pai estava certo.
A mais forte parou de repente... Mirlim, de costas, também.
Os olhos arregalados na direção da mãe. O corpo tremulando. Uma sensação estranha, um medo surgindo em cada poro de sua pele. Vê-la parada de costas para si era nauseante. As mãos sob as luvas brancas, os dedos negando atacá-la, no tempo que a mente entendia que não haveria outra escolha.
Mirlim começou a virar o rosto para trás... seu olhar...
— Que foi?
— ...
Alissa não respondeu. O mesmo olhar direcionado. A mesma tensão e medo de precisar matar mais uma pessoa que tanto amava. Um pecado. Era um pecado aqueles olhos azuis tão lindos chorando com o coração apertando mais que os botões da blusa segurando os seios de Mirlim.
— Posso saber a razão de me olhar como se eu fosse uma vilã? Pera... Você está realmente chorando? — Mirlim abriu um sorrisinho de canto.
Alissa surgiu de lado, escondendo o rosto, Sniiiff! fungando envergonhada, no tempo que respondia:
— Não tô!
Mirlim continuou com sua feição exibindo os olhos preguiçosos e o sorrisinho provocante, enquanto respondia:
— Ooownt... Imaginou tendo que me matar, foi?
— PARA! — A filha olhou-a enquanto chorava feito uma criancinha, antes de esconder o rosto e voltar a limpar as lágrimas.
Mirlim gargalhou alto, vendo que mais uma vez acertou em cheio o que se passava na cabeça da filha... Com o rosto marcado pelas lágrimas, Sniif! ainda fungando um pouco, Alissa voltou a olhá-la de frente, antes de resmungar:
— Que saco... Como você consegue falar algo assim do nada? Que medo que me deu.
— Mas eu disse a verdade. Seu pai estava certo... só deixou a ganância subir pra cabeça e usou o certo para o errado.
— Como que ele estava certo? Pessoas morreram. Muitas pessoas morreram para cada uma dessas criações.
— Morreram bastante hoje também — provocou.
— Morreram por causa dele.
— Éééhh... até que faz sentido — balbuciou concordando com movimentos de cabeça, olhos voltados ao teto.
— Explica — pediu firmemente.
— Com todas as pesquisas, ele tinha o caminho certo para seguir... mas decidiu criar Calamidades. Desde que ele assumiu, com a tecnologia desenvolvida na época, tínhamos a cura. Seu pai só não quis criá-la... Mas eu consigo, eu posso criar a cura para tudo.
— Quê?
— Posso criar a cura mundial. Uma vacina. Alissa... A razão das anomalias existirem é os humanos possuírem magia — Mirlim assumiu um tom bem mais sério. Do outro lado, Alissa tinha um rosto descrente, confusa, como se fosse informações demais para absorver.
— Na Bahia não existe uma anomalia sequer que possua magia, apenas seres carniceiros ou coisa assim. Não é a mesma coisa em outros lugares como São Paulo. Humanos com magia não precisam usar magia para alterar o DNA de animais. Quanto maior o poder de um humano, maior é a reação que a natureza responderá para tentar resolver esse "erro".
— Co-como assim?
— Na Bahia nunca houve muitos casos de anomalias, depois que fui mandada, começou a ter. Não precisa de experimentos diretos em algum ser. Só de alguém com magia viver próximo, essa magia altera o DNA dos animais e os transformam em anomalias.
Um choque visível na feição da mais nova.
— Os cientistas do seu pai desenvolviam Calamidades, é inegável, mas a sua presença no mundo tem quase o mesmo impacto que os estudos.
— Quê?
— Eu posso criar uma vacina, ou se preferir, um vírus com proporções mundiais para que não exista mais humanos com magia, sendo assim, não haverá mais a reação da natureza em criar anomalias cada vez mais fortes no intuito de combater o erro, que somos nós, mas assim como todo o mundo, você perderia seus poderes.
Alissa negava com o rosto... pálida como a morte.
— Claro, essa é a forma mais "fácil", por isso eu digo: seu pai estava certo. Egoísta, criminoso, porém... certo. O mundo precisa do Brasil, com essa vacina, você perde o seu valor, a ADEDA deixará de existir e milhares de pessoas que usam magia no trabalho, como rede de esgoto, purificação de água, que pessoas que sabem magia de água a usam para trabalhar... Tudo isso deixará de existir. Manipuladores de vento que utilizam seus poderes na jardinagem, em campos de trigo, em plantações para facilitar na hora de recolher os alimentos... tudo acabará.
Tontura... Toda a responsabilidade de ditar o mundo sempre estivera em suas mãos... mas agora a pressão era absurda e sua garganta secava. Suor frio em sua testa. Seu olhar perdido sem saber o que fazer.
— A opção é sua. Quer que o mundo colapse, mesmo que seja, talvez, por um curto tempo devido à remoção de magia total, ou prefere que o mundo continue como está? Você protegendo todo o globo quando precisar, enquanto procuramos e descobrimos novas tecnologias para combatê-las com mais segurança?
— Por que excluiu a possibilidade de uma vacina ou algo para conseguir extinguir apenas as anomalias, sem remover a magia do mundo? — Acreditou ter achado a saída. (Acreditou mesmo que a mais inteligente do mundo não teria pensado nisso?)
— Porque é impossível. É impossível saber o próximo animal que sofrerá uma mutação e nem o nível que essa anomalia chegaria de força. Teríamos que vacinar cada ser presente no mundo para conseguir isso, ou seja, impossível.
— E-eu consigo proteger o mundo — respondeu com firmeza... mesmo após o gaguejo.
— Alissa, Louis está morto. Não temos mais teletransporte. O poder dele era estudado pelos cientistas e ninguém conseguiu replicar um único teste sequer que minimamente tenha funcionado. Não tem mais como você proteger o mundo inteiro. Teria que conseguir viajar a anos-luz pra chegar tão rápido quanto o teletransporte dele.
— Ma-mas...
— Não tem "mas", Alissa. Ou o mundo colapsa, ou você aceita como as coisas estão e lugares do mundo sofrerão, pois você não conseguirá chegar a tempo de salvar a todos.
— E-e-... Eu sou a razão? O meu poder está fazendo isso? — Alissa olhou-a quase em choro mais uma vez.
— ...Sim — Mirlim respondeu olhando-a com a mesma seriedade de toda a conversa.
— Mirlim... me mata. Me mata e assim ao menos Calamidades deixarão de existir — pediu... pediu e seu rosto demonstrava tamanho sacrifício. Demonstrava coragem, decisão. Uma heroína. Um ato nobre...
— Tcs... — que fez Mirlim cair na gargalhada...
Alissa não entendeu nada. Ficou olhando-a gargalhar por um tempo. Seu rosto confuso vendo aquilo. Seus olhos brilhando tristinhos, tadinhos... Mirlim parou e olhou-a visivelmente segurando uma nova risada:
— Tô zoando com a sua cara. Tem nada disso que eu falei não.
— ...Você tá falando sério?
— Eu fiquei um pouco irritada. Você matou o hacker mesmo eu tendo dito há um bom tempo que o moleque era útil para mim. Você mereceu. Vim te dar uma surra, mas acho que isso paga pelo seu erro.
Alissa agora tinha uma expressão aborrecida. Olhos preguiçosos direcionados para sua mamãe:
— Você nunca me visitou, e veio só para me bater?
Mirlim ficou um tempo olhando-a nos olhos, em completo silêncio, até que sua boca abriu secamente e um único som saiu de dentro:
— É.
— ...
— ...
— Alissa... Seu pai não mentiu sobre as anomalias. Anomalias sempre vão existir. Isso é um fato. E claro, o que eu disse de magia é mentira... eu acho — brincou estreitando os olhos e fazendo suspense... mas Alissa olhava-a com o mesmo rosto aborrecido, parecendo uma menininha brava.
Mirlim deu uma tremidinha nos lábios como se fosse rir e viu os lábios de Alissa fazer o mesmo... porém a filha segurou e forçou de forma fofa permanecer bravinha com a mãe. Mirlim continuou:
— Mas eles de fato estavam conseguindo acelerar a criação de mais e mais, porém apenas em território brasileiro e alguns países vizinhos. Calamidades que você matou pelo mundo eram naturais, no entanto, perceba uma coisa. Quantas Calamidades no mundo você matou e quantas você matou só no Brasil ou em países da América do Sul? Seu pai usava do medo não só pra se manter no poder em terras nacionais, quanto usava do medo para extorquir dinheiro de todo o planeta. Ele era um filho da puta, corrupto e ladrão, mas falar que o arrombado não foi gênio é mentira.
— Uhum... — resmungou.
— Ficou tão abalada que nem se deu conta de que nossos poderes não dependem de estarmos por perto. Caso queira continuar indo rumo ao primeiro trilhão de dólares, sem usar das mensalidades abusivas pela sua proteção em terras estrangeiras, pode apenas cobrar por anomalia morta.
Alissa assumiu um rosto pensativo. Mirlim continuou:
— Ligam, você mata, depositam na conta e pronto — resumiu bem.
— Assim é melhor.
Mirlim lançou uma carinha de nojinho:
— Va...
— Não vou dominar o mundo.
Virou o rosto ao ver que não iria corrompê-la para o bem do mundo, a evolução mais rápida da raça humana no intuito de conquistar o universo, os planetas... viajar para outras galáxias através de sua liderança... e sua busca por uma piroca alienígena de verdade. (Uma boa motivação... Alissa soube motivar Mirlim usando de seus traços ninfomaníacos.)
— Seja mais educada e me deixe terminar minha tentativa na próxima vez.
— Não.
— Sniiiffff... Harrff...
Alissa abriu um sorrisinho vendo a reação da mãe, mas aquela reação não tinha nada a ver com o "não":
— Você agiu como eu imaginei, da maneira que tentei evitar falando sobre o que eu vi no governo, um tempo atrás. Minha brincadeira com o colapso era só uma brincadeira, mas você colapsou o Brasil. O presidente está morto. O líder da ADEDA está morto. Claro, a ADEDA não precisa mais de tanto foco, agora, embora ainda seja necessária para a proteção nacional. Bem... ao menos me aposentei enquanto vinha pra cá. Só que antes disso eu preciso arrumar a merda que você fez. Conseguir amenizar esse estrago global que você simplesmente achou que seria uma boa fazer sem ao menos me ligar perguntando — terminou chamando a atenção dela em voz autoritária.
— Desculpa...
— Sei o que sente, a raiva quando descobriu. Eu também. Me sinto vazia, sozinha de certo modo. Ver todos aqueles que conheci e convivi morrendo e descobrir que era tudo culpa da ganância do governo foi destruidor para mim. Senti uma dor absurda com a morte de Thales, senti que falhei, falhei em não desenvolver a armadura a tempo... me doeu demais. Essa indústria de merda que vende vidas e usa o sangue para se manter no topo... seu pai e o partidinho político dele. Mas agora já era. Fiz merda também. Devia ter conversado com você, ido te ver pessoalmente, porque, conhecendo você, sei que ia explodir por ligação e ia vir fazer exatamente o que fez, sem me dar ouvidos.
Alissa desviou o olhar, movendo o corpo e quase soltando um assobio fingindo não ser com ela a conversa. Mirlim continuou:
— Se eu tivesse... falado, eu poderia ter evitado tudo que aconteceu. A culpa é minha — Mirlim assumiu tudo, seu olhar firme, suas palavras maduras.
— ...O que você vai fazer agora?
— Resolver seus problemas.
— E... E depois?
— Achar um fantoche, fazê-lo vencer a eleição e controlá-lo por fora — respondeu com a maior naturalidade na cara possível.
Alissa aborreceu o olhar instantaneamente:
— Sério?
— Se eu não estiver com sono, sim.
— ...Consegue me fazer um favorzinho antes dessas duas coisas?
— Diga.
— Preciso que encontre os gêmeos e a Nathaly pra mim.
— Você não os encontrou ainda?
— Ué?! Sabe onde estão?!
— Não. Mas acabei de enviar o acesso que precisa para achá-los no seu notebook. Minha IA está com acesso a todas as câmeras e satélites do planeta escaneando cada pessoa que passa em cada câmera simultaneamente. Algumas horas esses três devem aparecer. Então só aguardar.
— ...Está brincando comigo de novo?
— Não.
— Como mandou isso SEM SE MEXER?!
A Mirlim e o Robson de nanorrobôs se desfizeram... incrédula, Alissa olhava para o enxame de robozinhos flutuando, quando a IA simulando perfeitamente a voz de Mirlim respondeu:
— A Srta. Mirlim está dormindo no escritório, Srta. Alissa... mas pediu que eu viesse até aqui conversar com você.
A mais forte, com tiques nos olhos... e a cabeça tremelicando como um animal raivoso, grunhiu:
— C-c-como você f...
— Eu só disse tudo que a Srta. Mirlim deixou previamente anotado, sabendo exatamente o que a senhorita iria perguntar, como iria agir e reagir a cada coisa.
Alissa parecia que iria surtar... Furiosa ao extremo, puxou o celular do bolso do short e ligou para Mirlim. Vrr... Vrr... Entretanto... sua feição e temperamento mutou completamente ao escutar um vibrado vindo atrás de si. Quando olhou, era Mirlim com Robson no ombro. Ambos com um sorrisinho de canto. Robson imitando Mirlim de braços cruzados, mesmo sem ter seios para sustentá-los.
— Se você for um robô, eu juro que te quebro inteiro — ameaçou Alissa... mas Mirlim ignorou e se aproximou, Thunf... abraçando-a tranquilamente. Se aquela maciez toda fosse uma mentira vinda de um robô... Mirlim era simplesmente perversa por zombar tanto assim da filha.
— Agora sim você ter matado o menino valeu a pena.
— Fez isso tudo por isso?!
— ...Sou um pouco rancorosa — respondeu toda manhosa.
— ...E o que é essa bola rosa me olhando.
— Ish...
— Para de pensar besteira!
— O nome dele é Robson... amigo de Thales.
Mirlim saiu do abraço, olhando Alissa nos olhos... que não conseguiu sustentar e desviou com vergonha. A mãe puxou o rosto de volta, forçando a olhá-la:
— Tá uma gatinha...
Corou inteira... e Mirlim caiu na gargalhada.
Pouco tempo depois as coisas na região ficaram bem movimentadas. As duas deram um tempo no reencontro, e agora com Mirlim prometendo voltar a morar em São Paulo, teriam mais tempo para se verem pessoalmente.
Foi embora sem ser vista pelos civis curiosos e corajosos por entrarem em uma área de guerra. Mirlim não deixou-se ser notada, mas assim como prometera, cuidou de toda a merda criada tanto por si, como por Alissa.
Algumas horas depois:
Na cobertura de Alissa, a televisão transmitia uma reportagem. O gravador deixado no Planalto havia sido confiscado e analisado pela polícia. Juntamente com todas as provas expostas ao mundo, Alissa foi completamente inocentada, tanto em rede nacional quanto internacional.
Enquanto isso, seu pai, Humberto Kubitschek, com o áudio confessando os crimes, foi responsabilizado por todos os crimes relacionados às Anomalias Calamidades "estranhas" que perambularam na América do Sul.
Seu tio foi preso, assim como cada um dos membros de seu partido político... Alissa viu isso com os olhos semicerrados... desconfiada que Mirlim tivesse começado uma perseguição política tirando opositores do caminho... só não tinha como provar.
Sentada no sofá branco, apenas com um roupão branco felpudo, desligou a televisão. Puxou o notebook com o coração na mão e... Nada. Nenhum dos três haviam sido encontrados pela IA. Colocou-o de lado, seu rosto de soninho.
Espreguiçou-se enquanto se deitava no sofá. Um bocejo generoso escapando de sua boca escancarada. Olhando para a televisão desligada:
— Parece que a aposentadoria chegou mais cedo...
— Eles são o futuro do Brasil. Estava vendo como se saíam nos treinos.
— Mentirosa! Só quer se aposentar logo — Nino riu, percebendo a desculpinha.
— AAAAAAAAH, que saco! — olhando para frente, com um tom tristinho, meio dengoso e carente, murmurou: — Onde vocês estão...?! Mamãe tá com saudade...
Apoie a Novel Mania
Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.
Novas traduções
Novels originais
Experiência sem anúncios