Volume 2 – Arco 7
Capítulo 176: Recomeço
Foi uma noite muito longa e intensa para as meninas, mas extremamente difícil para o homem que Nathaly ajudou. Clopity-Clopity-Clopity... enquanto a lua iluminava sua corrida, se amarrou no cavalo, confiando completamente sua vida ao animal.
Deitado, escutava o som das patas, o animal galopando com muita pressa... e acabou caindo no sono.
— Harf!
Acordou assustado — fechara os olhos e a cena de sua família sendo morta voltou para assombrá-lo... Mas o dia havia chegado. O sol iluminando a estrada, dando brilho à pelugem do animal ainda correndo.
Desprendeu algumas cordas para conseguir se erguer um pouco, e quando o fez, notou uma muralha bem ao longe, erguendo-se com imponência. Mesmo com o olhar, mesmo com o corpo exausto, um leve sorriso surgiu, acompanhado por um suspiro de alívio:
— Obrigado, meu amigo — acariciou o cavalo.
Uma hora depois, atravessava a ponte e os guardas deram ordem para parar assim que o cavalo passou pela metade da estrutura suspensa. O animal obedeceu instantaneamente, diminuindo o ritmo e chegando próximo com passos lentos.
— É o cavalo que dei à Heroína! — o dono do animal reconheceu-o no mesmo instante. Chegou mais próximo junto do amigo, os dois quase caindo duros de sono esperando os soldados para trocarem de postos logo.
— A Grande Heroína me salvou e me mandou vir até Alberg — declarou o homem ferido.
— Onde ela está?
— Ela disse que estava atrás da princesa e seguiu viagem para encontrar alguns sequestradores que passaram pela minha vila. Levavam crianças e ela desconfiou que a princesa poderia estar junto das demais.
— Como posso confiar em você? — O guarda, receoso de deixá-lo entrar, questionou.
— Ela me disse que, ao entrar nas muralhas, eu deveria procurar uma mulher chamada Liza ou um homem chamado Jonas.
— Pode entrar. Mas desça do cavalo — permitiu sem nem duvidar, ao escutar os nomes.
— Espera... Tem certeza? — o amigo olhou-o e questionou.
— Como ele conheceria Jonas e Liza? E ele está com o seu cavalo, você é burro?
O outro soldado ficou em silêncio por alguns segundos, olhando-o com desgosto:
— Cara, é só uma moeda de ouro — reclamou, e seu amigo virou o rosto, ainda incrédulo que o outro não quis dividir 50 pratas para cada.
O homem tentou descer do cavalo, mas gemeu de dor. Continuou tentando, e os guardas perceberam seus ferimentos, as roupas cheias de sangue.
Um deles segurou sua perna para ajudá-lo a permanecer no cavalo.
— Você está muito machucado.
— Eu estaria morto se ela não tivesse cicatrizado a ferida.
— Não precisa descer. Vou puxar o cavalo até o palácio, e lá você desce. Deve ter alguma informação para dar a Jonas, já que a Grande Heroína confiou em você.
"Não é bem assim... Ela só me disse para encontrar esse Jonas." — Sim...
A caminho do palácio, observava o reino.
"Será que vou realmente conseguir uma nova vida? É isso que eu realmente quero?" Cerca de duas horas depois, na entrada do palácio, o guarda avisou uma serva, e eles aguardaram a permissão do rei para entrarem.
O palácio se encontrava ainda mais agitado; a princesa havia desaparecido, e agora, também a Grande Heroína.
A serva voltou e deu permissão para que o homem entrasse.
O homem, mancando, foi ajudado por ela, que o apoiou em seu ombro. Juntos, caminharam até o salão, onde estavam Morf ao lado de Matilda, Jonas à esquerda mais abaixo, e Liza ao seu lado.
Grimore também presente, sem qualquer preocupação, nem mesmo escondendo a satisfação pelos desaparecimentos.
Ao entrar, a serva ajudou o homem a se ajoelhar diante do rei.
— Uma serva disse que você teria informações sobre o paradeiro da Grande Heroína e da minha filha. — A expressão do rei ficava mais rígida a cada hora que passava.
— Sim, majestade... Meu vilarejo foi atacado por sequestradores. Eles estavam com pelo menos uma jaula em uma carroça, carregando algumas crianças. Havia outras cobertas, mas não sei se também continham crianças. Quando a Grande Heroína chegou, já era tarde, mas ela me deixou seu cavalo e foi atrás deles.
— Sabe para onde eles estavam indo? — perguntou Jonas.
O homem virou a cabeça na direção dele.
— Disseram algo sobre ir a outro continente, mas estavam indo na direção da Floresta do Desespero.
"Outro continente?" Jonas ficou intrigado.
— Eu a avisei sobre os perigos, mas ela foi mesmo assim. Se ela conseguiu salvar as crianças, provavelmente voltará com a princesa em menos de quatro dias... pelo menos eu acho, se ela realmente estiver naquela jaula.
"Essa desgraçada ainda está viva?" Grimore voltou a exibir sua expressão desagradável.
— Entendo. Muito obrigado por sua mensagem. Jonas, poderia providenciar o auxílio necessário para que este homem se estabeleça no reino?
"Esse é o homem de quem ela falou!"
— Sim, majestade. Vou fazer isso — Jonas abaixou a cabeça, assim como Liza, e ambos saíram do salão, ajudando o homem a caminhar.
Enquanto andavam pelo corredor, Jonas notou o cachecol dele.
— Você está ferido no pescoço?
— Não... Apenas na barriga.
— De quem é esse sangue no cachecol?
O homem olhou para baixo, abatido, e Jonas percebeu.
— ...Desculpe pela pergunta.
— ...Ela me disse para encontrar vocês, que poderiam me ajudar a recomeçar minha vida. Perdi minha família e não consegui protegê-las. Por favor, deixem-me entrar no exército, eu quero ficar mais forte... Eu quero conseguir me proteger — implorou. Seu porte físico era robusto, era um tanto gordo nos braços, pernas, comia muita carne vermelha, gordura animal.
— Não.
O homem abriu um olhar assustado para Jonas.
— Calma... Vou te levar a uma pessoa melhor que o exército.
— ... — Abaixou o olhar. Só restava confiar nas palavras da Heroína.
Saíram do palácio. Pegaram uma rápida carona de carruagem e chegaram à prisão de Alberg. O homem, ainda sem entender, ficou apreensivo ao ver a prisão.
— I-isso é uma prisão? — gaguejou com medo. — Eu não fiz nada. Eu juro que eu disse tudo. Ela pediu que eu av...
Ao ver o desespero do homem, Jonas o interrompeu tentando acalmá-lo:
— Sim, sim... Relaxa, você não vai ser preso nem nada. É que meu mestre está aí dentro.
O homem continuou perdido, à mercê do que aquele outro homem poderia obrigá-lo a fazer. Seguiu-o em silêncio. Liza ao lado. Entraram, e logo encontraram um homem com cicatrizes em ambos os braços, fumando um charuto com os pés apoiados sobre uma mesa. Na parede atrás dele, havia um enorme porrete mágico feito de metal escuro.
O mestre olhou para eles enquanto entravam.
O homem de cachecol recuou ao ver o rosto sério do mestre de Jonas, olhando-os com uma intensidade ameaçadora. FuUu... soprou a fumaça e se levantou. Seus 2,70 metros forçando todos a quase olharem em vertical para conseguir ver seu rosto inteiro. Intimidava aquele homem assustado a cada passo se aproximando.
O silêncio... quebrado por uma risada contente:
— Como vai, garoto? — Segurou firmemente Jonas, Frish-Frish-Frish! e esfregou a cabeça dele, causando-lhe dor. Quase criou fogo pelo atrito dos dedos e a pele do couro cabeludo.
— Bem... Ai! AII! Chega!!
O mestre deu mais uma risada e soltou Jonas.
— ...Cuidou dos presos que trouxe semana passada? — perguntou Jonas.
— ...Uhum. Dei minha sentença. — O mestre olhou para Liza. — E aí, Liza.
— Fala, Bigbig. — Tap! Trocaram um soquinho de mão.
— Até hoje esse apelido?
— Só vou parar de zoar você quando eu morrer — Liza riu.
— Nem ligo mesmo — debochou fazendo uma careta sarcástica.
— Mas e aí... Quem é esse?
— Um homem que eu trouxe para trabalhar com você.
— Trabalhar comigo?
— Ele perdeu a família em um ataque de sequestradores, pelo que disse. Ele deseja ficar mais forte, então eu o trouxe ao melhor professor que conheço: o lendário Drevien, o Exterminador de Dragões.
O homem de cachecol sentiu-se estranho. Sabia quem era aquele homem à sua frente. A lenda era antiga e se espalhou com fervor entre os humanos por muitas décadas... mas quando Drevien escutou Jonas chamá-lo daquela forma, sentiu a mão coçar e aquilo começou a irritá-lo.
Quase resolveu com um belo soco no meio da cara, mas se conteve desta vez, e respondeu meio ríspido, olho esquerdo dando tiques:
— Eu nem sou mais conhecido assim.
— Para mim, sempre será — continuou Jonas com um sorriso.
Bn...
Drevien apoiou sua mão no ombro dele e foi apertando lentamente, aumentando a força gradualmente. Os ossos querendo ranger, se deslocar para não virarem purê. Olhos fechados, sorriso assustador direcionado ao rosto do homem, que em seus olhos sempre vira como apenas um menino:
— Claro, claro. Já entendi por que o trouxe aqui, mas era só isso? — perguntou quase em rosnado.
— P-por hoje, sim. Qualquer dia eu passo aqui para dar um oi — Jonas estremeceu-se, a mão maior que sua cabeça tampando seu ombro inteiro.
— Beleza. Tchau para vocês dois — Drevien concluiu, basicamente expulsando-os antes de forçar Jonas a um nostálgico treino quase suicida chamado: "corra e tente sobreviver enquanto eu te caço querendo matar você".
— Tchau... Ext... — Drevien curvou o corpo com intensidade. Seu rosto apareceu na frente do dele. Aquele sorriso de boca fechada, aqueles olhos selados mas que mesmo fechados pareciam fitar Jonas com severidade e bem de perto. Olhando-o enquanto tremia, Jonas desistiu de provocá-lo — Mestre!
Drevien balançava a cabeça afirmativamente enquanto erguia o corpo, mesmo que o rosto mantivesse voltado ao rosto do "menino" estático, acompanhando-o se afastar somente de canto de olho... Liza segurou o braço do noivo e o puxou "salvando-o" daquela situação extremamente normal.
Os dois se afastando lentamente. Olhares cautelosos olhando aquela parede de carne e músculos... Passaram pelo homem de cachecol quase mijando de medo igual os dois, e foram embora, largando-o lá como um sacrifício.
Assim que os dois saíram, Drevien se virou e voltou para sua mesa, ignorando o homem cambaleante, sem muito apoio para continuar de pé, inicialmente. Sem olhá-lo, pegou um novo charuto importado dentro de uma gaveta da mesa, e perguntou:
— Consegue ficar em pé sozinho?
— Consigo — prontamente, o homem respondeu, mesmo quase caindo sozinho.
Tsss... Drevien acendeu seu charuto, encostando-o no porrete mágico ainda com magia de fogo dos dragões armazenada.
— Quer? — virou-se e ofereceu.
— Não, senhor. Eu não fumo — recusou abaixando o olhar.
Drevien ficou em silêncio por dois segundos, encarando-o e somente piscando com tranquilidade, antes de virar-se, colocando o charuto na boca.
— É. Eu também não fumava — comentou, se sentando na mesa. — Fuuuu... — tirou o charuto para assoprar a fumaça, antes de continuar em voz grave, severa: — Qual é o seu nome?
— Me escolha um.
Drevien empinou o rosto, meio soberbo, e afastou um pouco o charuto da boca, "não entendendo" tal pedido:
— Por que eu deveria escolher um para você?
— Porque eu quero recomeçar.
— Para recomeçar, o seu antigo "eu" precisa ser deixado para trás, e vejo pelo seu cachecol que você ainda não o deixou — atacou, tocando friamente na ferida exposta... O homem sentiu um misto de irritação e frustração. Mesmo indignado, o que poderia fazer...? Atacá-lo e morrer?
Não reagiu, além de desviar os olhos para baixo.
Drevien ergueu-se e caminhou na direção dele, pegando algo no bolso direito — o charuto sendo segurado pelos dentes.
— Não se preocupe — disse ele, tirando uma pequena caixa do bolso. Dentro dela, estavam os brincos derretidos de sua falecida noiva. — Eu também não recomecei minha vida depois de perdê-las.
— "Perdê-las"? — o homem ergueu o rosto, olhando a mão de Drevien aberta, revelando no meio a caixinha com os brincos.
— Eu também perdi minha família de uma hora para a outra. Minha casa foi atacada por um dragão, e eu estava voltando do trabalho naquele dia. Quando cheguei, ele já estava longe, e eu não consegui fazer nada. Entrei correndo na casa em meio ao fogo e peguei o corpo da minha mulher e da minha filha, ainda em chamas. Eu as abracei, mesmo sabendo que já estavam sem vida.
O homem olhou para o braço direito, a queimadura, o fogo ao abraçá-la retornou. Olhou para Drevien e via aquelas queimaduras nos braços queimarem ainda mais.
— Naquele dia, jurei acabar com todos os dragões. Naquele dia, minha vida se tornou apenas ficar mais forte e matá-los um por um, caçando-os como se não houvesse amanhã.
— E você conseguiu o que queria?
— No início, parecia que sim. Mas, com o tempo, percebi que não importava quantos dragões eu matasse; minha esposa e a minha filhinha nunca voltariam. Foi então que, um dia, incapacitei um dragão, mas decidi não matá-lo. Em vez disso, usei o fogo de sua boca para acender meu charuto e o soltei. Quando me virei, havia uma criança com um sorriso de ponta a ponta vendo aquilo. Essa criança é o Jonas, que o trouxe até mim. Naquele dia, ele viu o que aconteceu e me implorou para treiná-lo, porque queria proteger as pessoas um dia. Com isso, meu propósito de vida mudou. Eu o tive como um filho, tentei ensiná-lo tudo o que sei e deixá-lo forte para enfrentar a vida. Eu não sou o melhor exemplo e nunca quis que ele me visse como um espelho. Ele sabe que somos diferentes; sua forma de pensar é completamente diferente da minha. Mas ele entende o meu lado, e isso o fez ser o homem que é hoje.
— ...
— Você não precisa esquecê-las. Por muito tempo eu me vi perdido. Me culpei pelo ocorrido. Me culpei por não voltar para casa a tempo. Sentia vontade de morrer, mas nenhum dragão conseguia realizar isso. Elas ainda queimam como fogo no meu coração. Ainda olho para as estrelas em noites escuras e vejo-as sorrindo para mim. Não quero esquecê-las. Não devo esquecê-las. Você não tem um propósito de vida agora, mas vou tentar ajudá-lo a encontrar o seu. Olhando para você, vejo o que eu era no passado: um homem com muito ódio e rancor no coração, querendo sangue. Posso te deixar forte e, se desejar descontar todo o seu ódio em criminosos, deixo as interrogações para você. Mas antes, preciso saber duas coisas.
— O quê?
— Qual é o seu nome e o que está disposto a fazer para viver?
— ...Meu nome é Salazar e... e estou disposto a fazer qualquer coisa que me ordenar... Mestre. Matar, morrer, lutar, gritar, ordene e não vou hesitar — com um rosto confiante, Salazar não hesitou.
Drevien sugou por alguns segundos, Fuuuuu... e soltou a fumaça de seu charuto, olhando para ele, para o homem que passava um pouco mais da metade do seu corpo em altura.
— Seja bem-vindo, filho.
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