Volume 2 – Arco 5
Capítulo 158: Imperatriz
26 dias atrás.
Uma vila velha. Casas horríveis, horripilantes. Sem cuidado, sem atenção. Matos altos, casas cobertas pela vegetação. Uma vila fantasma, embora ainda com vida. Não somente dos insetos e minúsculos monstros se predando no invisível daquela vegetação, mas também com muitos demônios de linhagens diferentes, aprisionados dentro de suas próprias casas.
Ninguém saía, respondia ou interagia com os vizinhos.
Ninguém confiava em ninguém. Mas uma grande peculiaridade pairava pelo lugar. Mais adiante, bons metros seguindo o norte da vila, uma imensa escola se erguia, a escola do Primordial Verde, assim como a única escola de demônios.
Sua presença pesando sobre todos. Uma despreocupação infinita. Não tinha medo, não usava nenhuma detecção e muito menos ligava para nada. Só queria administrar sua escola, fazer o que bem entendesse e permanecer longe de seus irmãos.
Não esquecera do cacete que Emília lhe dera?
Um traidor... mas quem não era naquela família colorida?
Dentro de uma casa, literalmente a mais cuidada de todas, um jovem de cabelos verdes, pele pálida assim como qualquer demônio e olhos pretos andava de um lado para o outro, cuidando de diversas coisas ao mesmo tempo — comida no fogo e seu uniforme escolar... mais especificamente.
Entretanto, em meio àquele início de tarde... seus olhos ficaram relaxados, seu corpo parecia flutuar. Uma sensação de prazer dominou seu ser... era assim que sempre deveria ser? Uma sensação constante de protegimento? Uma constante certeza de que havia alguém zelando por você...? Sim, mas nunca fora assim.
Em seu estado de êxtase, subitamente uma voz calma sussurrou em sua mente:
"Venha servir sua Imperatriz..."
Não ouviu as palavras. Ouviu somente um som suave de um sopro calmo, mas não era necessário entender completamente as palavras ditas. Seu corpo se moveu em obediência profunda. Saiu de sua casa e as pernas lhe guiavam na direção.
Seu rosto subiu, a cabeça indo na direção do céu... lá, Nina caía em queda livre, desacordada, embora o coração já houvesse sido regenerado, e seu corpo fortalecido ao entrar em contato com o mundo em que esta pertencia.
Não caía certeiramente na vila, era meio longe, e quando o "servo" viu aqueles cabelos pretos violentamente se movendo com a velocidade e o vento, correu na direção o mais rápido que conseguiu.
Thunff...
Conseguiu.
Chegou a tempo e evitou que a mesma caísse diretamente no chão. Huff-ff... Levemente ofegante pela corrida, olhou para baixo e viu que a roupa dela estava com cortes, revelando parte da pele na região dos seios e abdômen.
Ergueu o olhar imediatamente, e a levou para a casa em seguida.
Mesmo sabendo como eram os demônios que viviam ali, ainda assim foi o mais rápido e cuidadoso possível para que ninguém a visse. Não era um lugar seguro, um Primordial vivia por perto.
Entrou e colocou-a em sua cama de solteiro. Cobriu-a com um cobertor simples e ficou um tempo olhando o rosto da menina. Não entendia. Não via a Marca, mas sabia quem era... ou não? Era estranho. Sentia que era como se fosse sua "dona", que o mesmo fosse propriedade daquela garota. Mas sua única certeza era que aquela menina tinha a mesma cor de sangue que o seu. Que aquela menina era da mesma linhagem que a sua. Olhava para o rosto, era lindo, mas Nina parecia ser mais jovem que ele.
Parou de encará-la.
Sentiu como se estivesse a desrespeitando e virou as costas.
— O fogo! — exclamou em tom baixo e saiu correndo na direção da cozinha.
Preocupou-se demais por nada. A sopa ainda estava sendo preparada.
Minutos depois finalmente provou e viu que estava boa. Diminuiu as chamas e ouviu um som baixinho vindo do quarto onde colocara a Imperatriz. Sorriu. Prestativo, pegou uma tigela e foi preparar a refeição da garota.
Nina acordou.
Olhos lentos, entreabriu-se e sentou. Observou ao redor e notou:
"Onde eu tô?"
Dois segundos depois escutou passos chegando. O menino entrou no quarto e viu o olhar assassino quase rompendo suas retinas.
Creckshh!
Antes que pudesse pensar em dizer qualquer coisa, a sopa já se encontrava derramada no chão, e uma espada de sangue encostava em seu pescoço, cortando-o levemente enquanto o pressionava contra a parede cada vez com mais força.
Ele era mais alto que ela, mas isso pouco importava.
Assustado, o jovem olhava de olhos arregalados para os olhos dela, que deixavam claro seu desejo de matá-lo.
— Quem é você e que porra de lugar é esse? — rosnou, com a voz fria.
Tremendo e sentindo o corte no pescoço aumentar a cada segundo, tentou acalmá-la:
— C-calma... Calma, você caiu do céu. Eu só a trouxe para dentro e a coloquei para descansar na cama.
— QUE LUGAR É ESSE, RESPONDE LOGO, CARALHO?! — berrou e o pressionou ainda mais, e o corte começou a sangrar... sangue preto, sangue preto descendo pelo pescoço pálido.
— AAA-aa-aqui é uma vila no sudoeste da capital real, Alberg! Se quiser ir até lá, em uns dois dias direto com carroça, você consegue... — assustado acabou gritando inicialmente, mas diminuiu a voz, tentando não mover muito a boca, enquanto Nina o encarava intensamente, sem piscar.
— Capital real? Você sabe o que é o Brasil?
— O-o-o que é isso? Desculpa... Desculpa, eu não sei. Não me mata... — Fechou os olhos, aceitando o destino.
— Fomos... teletransportados...? — murmurou. "Casa estranha... Outro mundo ou é um lugar pobre do planeta?" pensou, abaixando rapidamente a cabeça.
— C-como assim?
— Como assim o quê?!
— Co-como você está viva?
— Por que eu não estaria viva?! — Nina se irritou, Shrrr... pressionando ainda mais a espada contra ele... e este empinava cada vez mais o rosto, tentando não perder a vida.
— C-calma... por favor... É que essa sua espada... Você é descendente do Primordial Preto, certo?
— Eu sou o Primordial Preto. Blacko morreu.
— Qu-quê?!
— Ele é meu pai. Morreu e eu herdei o poder.
— Ele é seu pai?
— Você sabe algo sobre ele?
— S-sim.
— Abra a boca então.
O menino literalmente abriu a boca, parecia um pirarucu respirando e Nina irritou-se.
— ASSIM NÃO, SEU ANIMAL! FALA O QUE SABE!
— De-de...
— PARA DE SE DESCULPAR, SÓ FALA, MERDA!
— M-mas eu não se...
Shrrrk...
Nina empurrou a espada um pouco mais, penetrando ainda mais o pescoço dele. Desesperado, a cabeça do menino quase entrava na parede. O pescoço em um quase perfeito 90º, tentando se salvar.
— Q-quando ele foi expulso do mundo, sua linhagem foi completamente exterminada. Eu achei que era o último vivo, mas agora que você está aqui, vejo que não!
— Seu cabelo é verde.
— É tinta!
Nina semicerrou os olhos.
— ...
— ...
— ...
— ...Você se teletransportou? — lembrou-se do murmúrio dela e perguntou.
— Não. Foi um cara lá do mundo.
— ...E-ele deve ser bem forte, isso é uma magia bem difícil.
— Na real, era bem fraco.
— ...Ah.
— Mora sozinho?
— Não... Meus pais viajaram para Dirpu. Foram vender melancias, se não estragar no caminho, né? É bem longe. Mas também levaram sementes para vender lá e em vilas que encontrarem no caminho.
— Não pedi uma história. É sim ou não.
— ...Então, sim.
— Você vai ser meu guia.
— O-o quê?
— Não sei em que merda de lugar eu vim parar, mas eu preciso encontrar meu irmão. Sinto que ele está em algum lugar, mas não consigo saber onde exatamente. Você vai ser meu guia. Falou aí de "capital real". Deve saber algo ou ter um mapa. Vamos, comece a trabalhar. Alguma ideia de como posso encontrá-lo?
— Eeeeeh, claro. Mas poderia tirar essa espada do meu pescoço? É meio desconfortável.
Nina abaixou um pouco o olhar e percebeu a espada de fato querendo cortar as cordas vocais daquele demônio. Desfez a espada sem falar nada e o jovem adulto colocou a mão trêmula no pescoço, sentindo o sangue em sua palma.
Tinha 1,90 m de altura, 15 centímetros a mais que Nina e 12 a mais que Nino.
Nina estranhou ao ver o menino meio apressado em quanto ao sangue. Viu-o manter a mão no ferimento e correr até um cômodo velho perto da cama, onde pegou um tecido e fez um curativo improvisado. Parecia um pequeno cachecol, mas feito de pano de chão.
— Hã? Não é só se regenerar? — desdenhou debochadamente.
— ...Só Primordiais podem fazer isso — respondeu com tranquilidade, olhando-a sem notar o tom "agressivo" e apático.
— Ah.
— ...Está com fome? — Nina olhou para o chão, e ele continuou: — Obviamente não vou lhe oferecer a sopa derramada no chão. Tem mais na cozinha.
— Ah.
A casa era muito pequena — três cômodos, embora um nasceu quando o filho chegou. Dois quartos, e uma cozinha misturada com área de jantar. Nina sentou-se à simples mesa de madeira velha, e o garoto serviu mais sopa para ela.
— Você quer encontrar seu irmão? Como ele é? — perguntou calmamente, sentando-se após servi-la.
— Igual a mim, mas uns três centímetros mais alto e com uma eterna cara de cu estampada no rosto.
O garoto riu.
— Mas você também está com uma cara de cu — continuou rindo, mas ao perceber o olhar de Nina, parou e ficou quieto. Olhos baixos, como se se colocasse em estado de submissão ou de vergonha, ao desrespeitar alguém tão importante. — ...Qual é seu nome? — murmurou calmamente, tentando sair de sua anterior falta de educação, e principalmente do olhar mortal fixo em sua direção.
— Nina — respondeu secamente.
— Oh, meu nome é Minty. Então, Nina, tem algo que você pode fazer — ergueu um pouco o rosto... Nina mantinha o olhar apático, não piscava.
— Fala.
— Vou voltar à escola amanhã, e foi anunciado o vigésimo segundo torneio de esgrima e magia da escola. Quem vence geralmente recebe benefícios diretamente do Primordial Verde. Se você participar e ganhar, talvez seu irmão, em algum lugar, escute as notícias. Mas você não pode usar seu sangue, senão descobrirão que você é o novo Primordial Preto e virão atrás de você.
— Primordial Verde? — Nina não teve a mesma reação que Nino. Não sentiu necessidade de eliminá-lo, só ficou curiosa com o que ouviu. — Como assim "virão atrás de você"?
— Quando seu pai foi expulso do nosso mundo, aparentemente ele havia traído os outros Primordiais, e por isso começou o massacre dos nossos descendentes.
— Por que meu pai os traiu?
— ...Não sei.
— Como não sabe?
— Bem... eu havia acabado de nascer quando tudo aconteceu.
— Será que você consegue ser útil e abrir a merda da boca? Fala logo tudo que sabe sobre ele.
— ...Não é seguro aqui, por favor, fale disso mais baixo... Você gritou muito no quarto. Deve ter chamado atenção dos vizinhos.
Nina aborreceu o olhar.
— O que sugere?
— Come primeiro. Depois nos afastamos da vila e eu conto tudo que eu sei e que você tiver dúvidas. Não garanto que vou suprir todas as suas dúvidas, mas eu juro que vou tentar — prometeu e curvou a cabeça como um servo obediente.
Nina contorceu o rosto em nojinho.
— Esse torneio começa amanhã?
— Não. Amanhã voltam as aulas. Hoje é dia primeiro de Jyte, estamos no ano 1043. O torneio é daqui a 26 dias, eu acho. Geralmente é no finalzinho do primeiro mês do ano. Como no último mês é férias, voltamos com o torneio para animar as coisas.
— Você quer que eu fique esperando 26 dias? — Nina o encarou seriamente.
— O que sugere fazer? O mundo é imenso; vai sair gritando de vila em vila, reino em reino, império em império, país em país o nome do seu irmão?
Nina o encarou com uma expressão muito, muito séria.
— Não estou gostando desse seu tom — rosnou.
— Me desculpa, por favor. Não foi minha intenção desrespeitá-la. Juro que não irá mais acontecer — suplicou de cabeça baixa.
— Como vou entrar? Qual seu plano.
— Espera... Você quer entrar na escola?
— Óbvio. Achou que eu ia fazer o quê? Ficar nesse seu quarto com cheiro de esperma por 25 dias?
Minty abaixou o rosto envergonhado, o sangue esquentando e a pele pálida ficando cada vez mais preta. Engoliu em seco, fingindo não ter escutado nada e respondeu tentando ao máximo não gaguejar em ter seu íntimo exposto com tamanha frieza:
— É possível se inscrever sem ser aluno. Só esperar as inscrições começarem. E eu preciso conseguir mais tinta pra você pintar o cabe...
Nina mudou a cor de seu cabelo para verde.
— Isso é tranquilo. O uniforme eu vejo na hora e crio.
— ...C-como você fez isso?
— Hã? Por que pintou o cabelo? É só usar o sangue.
— ...Não é tão simples assim. Nunca vi alguém fazer isso. Demônios conseguem manipular seu sangue, mas é muito pouco. Eu só consigo fazer isso.
Minty criou garras de sangue nos dedos; eram pequenas, mas muito afiadas. Quase um pequeno soco inglês, uma extensão das unhas, que os gêmeos faziam virar garras quando o estresse aumentava. Mas para o jovem adulto, quase botava um ovo para mantê-la ativa.
— Só consegue fazer isso? — desdenhou.
Minty abaixou um pouco a cabeça e respondeu em um murmúrio:
— Uhum. Só Primordiais devem conseguir manipular todo o seu sangue... ou eu sou realmente muito fraco. Mas eu juro que nunca vi alguém conseguir manipular o sangue para fazer algo maior que uma lâmina de 20 centímetros.
Nina o olhou com um olhar desinteressado, cogitando se deixá-lo vivo poderia ser útil ou não.
— Ah... Então, eeeh... Vamos treinar?
— Hã?
— Um teste. Quero ver como você se sai.
— Moleque, se eu quiser te matar, eu te mato a hora que eu quiser — ameaçou quase em rosnado.
Minty choramingou comicamente de medo.
— Eu sei, já entendi. Não precisa me ameaçar toda hora... — deu uma risadinha falsa, com os olhos cheios de lágrimas.
Nina o encarou.
— Você disse que ia contar sobre meu pai.
— Sim, o teste é depois. É que talvez eu saiba algo que você não sabe, aqui é outro mundo, não é igual ao seu. Eu acho.
— Com certeza não. — Se levantou e tirou seu coldre de perna com sua pistola, Pak... colocando-a sobre a mesa sem muito rodeio. — Vamos então — resmungou e virou-se de costas, indo na direção da porta.
Minty, curioso, olhou para o "artefato". Pegou a pistola sem saber o que era e a tirou do coldre, apertando sem querer o gatilho destravado; POW! Nina se virou assustada, surgiu ao lado do imbecil e tirou a pistola da mão dele com extrema irritação.
Crash!
A esmagou, Sh-k-a-krs... deixando os restos no chão.
— Mexe em algo meu de novo e eu te mato — rosnou com um olhar sério.
Minty engoliu em seco.
"Acho que não sobrevivo até amanhã..." choramingou em pensamentos.
Nina, com o cabelo verde, saiu.
Os moradores já eram assustados e, após o disparo, a situação piorou. Não se podia ver nem uma fresta de janela ou porta, apenas janelas bloqueadas por móveis internos. Isso foi bom. Ninguém bisbilhotou e nem pensou nisso.
Minty saiu e fechou a porta com calma.
— O que tem de errado com esse lugar?
— Fala mais baixo. Quando estivermos fora daqui, eu explico — respondeu, cochichando.
Saindo da vila, caminharam até um lugar próximo à Floresta do Desespero, cerca de 30 quilômetros de onde Nino caminhava perdido, olhando para cada canto e vendo só mato e mais mato.
Depois de alguns minutos, atravessaram uma das repartições do grande rio, e chegaram ao local onde Minty gostava de passar o tempo desde criança.
Nina olhou para o lugar, que era apenas uma parede de folhas, depois de entrarem um pouco na Floresta. Virou o rosto para ele, que estampava um sorriso. Sem dizer nada, Frushch... Minty bateu de cara com a folhagem e a atravessou. Frushch... Nina fez o mesmo e entraram no cantinho que Minty considerava seu.
Era uma área circular, com muitas árvores, raízes e folhas cobrindo todas as direções massivamente, e, no centro, uma grande árvore sobre uma parte do rio que cruzava o local. As raízes dessa árvore se moldavam como uma ponte, e Minty gostava de ficar sentado ali, já que as raízes pareciam um assento para aproveitar a vista, o frescor da água e a sombra da grande árvore.
Minty foi andando até o local, e Nina observou ao redor. Era um lugar bonito, mas ela não demonstrou nada, apenas se aproximou dele e se sentou em uma parte da raiz que se estendia sobre o rio.
— É bo...
— Eles acreditam nesse cabelo pintado seu? — Nina não era cega. Notou a forma estranha como era tratada. Acreditou que o menino despertara sentimentos tão rápidos assim como ela despertara por Nathaly. Ignorou-o e cortou-o para não escutar um papinho de quem quer colocar alguém na chapa.
— ...Sim.
Nina o encarou desanimada.
— Seu olho é preto — retrucou.
— Sim, mas isso não importa. O que importa é o cabelo. A cor do cabelo é a mesma do sangue do demônio. A tinta também é de boa qualidade, fácil de retocar e sem cheiro, então eu passo despercebido pelo Primordial. A cor do olho é mais para identificar se o demônio é puro-sangue ou não. Se a cor do cabelo e a cor do olho forem iguais, o demônio é puro, o que significa que seus pais eram da mesma linhagem. No meu caso, meu cabelo e meu olho são pretos, então meus pais eram demônios da linhagem preta.
— Eles não deveriam estar mortos?
— Estão... Eu sou adotado por dois demônios verdes. Meus pais biológicos foram mortos quando eu era um recém-nascido, mas meus pais adotivos, que eram amigos deles, prometeram fazer de tudo para me manter vivo, e graças a eles, estou aqui.
— Quantos anos você tem?
— 20.
— E ainda tá na escola?
— ...Não sei muito o que fazer da vida. Aqui é seguro, tem comida e um lugar para morar.
— Ah... Fala da vila aí.
Minty desviou um pouco o olhar para a água que passava tranquila por baixo das raízes.
— Aquela vila já foi diferente. Era animada, cheia de vida. Começou a mudar quando eu completei dois anos. Um grupo onde a maioria era demônios rosa e brancos chegou de repente. Pelo que meus pais disseram, o Primordial Branco havia feito algo com eles, mas nenhum deles se abriu mais que isso para contar o que realmente aconteceu. Eles basicamente mudaram tudo. A felicidade virou tristeza. A amizade virou inimizade. Traíram os antigos moradores. Roubaram. Roubaram coisas que eram de todos, sabe? Todos dividiam tudo, era uma vila unida. Quem pescava dividia os peixes com quem tinha temperos e cozinhava bem, e todos comiam... mas eles mudaram isso. Mesquinhos. Egoístas. Ameaças. Não sei o que passaram para ficarem assim, mas eu preferia muito mais que nunca tivessem encontrado a nossa vila.
— Uhum.
— Mas eu tenho uma ideia do que pode ter acontecido com eles antes de chegarem, principalmente por ter um Primordial teoricamente envolvido.
— O que seria?
— Os Primordiais são todos covardes. Não acredito nessa história de que o Preto os traiu; eu acho que foi o contrário, pelas atitudes deles, machucando suas próprias descendências.
— Machucando?
— Com os pais é impossível conversar. Mas com os filhos é mais tranquilo e alguns falam sobre. Na escola não é assim, todos reclusos, se isolando do mundo exterior dentro de suas casas. Alguns alunos nem voltam para a casa de seus pais, já que sabem que vão ter que ficar trancados e em uma imensa pressão do medo que os pais criaram em relação a tudo. Então ficam nos dormitórios da escola, garantindo o que comer todos os dias no refeitório. Mas pelo que consegui juntar de informações em todos esses anos, quase todos os moradores estão lá porque sofreram alguma coisa causada pelos Primordiais direta e indiretamente. E cada vez mais chegam novos demônios com passados horríveis. Novas crianças e adolescentes na escola. Ali é seguro porque é território do Verde, mas ainda sim é perceptível que só nos toleram. Já vi humanos por aqui, sumiram do nada. Se não gosta assim nem da própria linhagem, imagina deles?
— E por que humanos viriam até uma cidade de demônios?
— Tráfico... Demônios ricos compram humanos, humanos ricos compram demônios. Infelizmente, isso é comum.
— Esse papo tá uma merda. Muda o disco aí.
"Disco...? Mudar o assunto?" — Hm... Tá. Por que o interior da sua boca é vermelho?
— Por que você tá reparando no interior da minha boca? — resmungou.
— Perdão — pediu, abaixando o rosto.
Nina olhava-o com superioridade.
— Não te interessa.
— Sim, me perdoe, Imperatriz.
"Imperatriz? Ah, foda-se." — O seu é preto. Eu realmente não consigo acreditar que algum imbecil acredite nesse seu disfarce. Como você faz? Deixa os olhos pretos e realmente ninguém pergunta nada?
Ergueu o rosto e voltou a olhar no dela.
— Eu uso uma película fininha feita de tinta verde nos olhos para deixá-los verdes. O problema é que eu também enxergo tudo verde enquanto uso.
— Não é só fazer um furinho no centro?
Minty travou por um momento notando que fazia sentido.
— ...Realmente. Eeeh... de resto, eu só pinto o cabelo, e forço meu sangue sempre que eu for falar algo para o interior da minha boca ficar verde. Dói um pouco. Já tentei pintar o interior da boca e usar o sangue para as íris, mas o gosto da tinta ficou grudado na garganta e eu não consegui limpar aquilo sem vom...
— Tá-tá-tá-tá... não ligo. Chega.
— ...
— E o restante? Suas unhas são pretas. É nítido que seu sangue é preto, seu animal.
— O uniforme masculino cobre tudo. Uso luvas brancas também, aí esconde elas.
Nina sentiu-se incomodada. Queria "humilhá-lo", mas com resposta para tudo, deixou isso de lado:
— Tá-tá... Fala o que sabe do meu pai logo, tô ficando irritada com a demora.
— Existia uma outra linhagem de demônios...
Nina olhou-o, não interessada, mas toda ouvidos.
— Pelo que meus pais disseram, o Primordial Preto matou a Primordial dessa linhagem. Matou-a e assim como matou-a, exterminou toda a linhagem dela. Em vingança os outros Primordiais se juntaram e exterminaram a linhagem preta, assim que Blacko foi expulso pela Deusa, do nosso mundo.
— Então essa foi a traição? Por que você disse que não acredita nisso?
— Porque não faz sentido ao meu ver. Por que ele mataria uma irmã e toda a linhagem dela? Eu não acredito nessa história porque foi essa história que saiu da boca dos Primordiais, e se foram eles que disseram isso, eu não acredito. São horríveis, cruéis. Por que iriam dizer a verdade referente a isso? É muito mais provável que foi uma desculpa criada para as linhagens acreditarem que Blacko foi um traidor. E é aí que eu fico confuso. Meus pais e meus adotivos não moravam aqui. Moravam no agora destruído Império dos Demônios. Assim como todas as linhagens, todos fugiram após o massacre. Se essa história de Blacko ser um traidor for verdade, por que todos iriam fugir com medo de serem punidos assim como os pretos foram?
Nina não sabia como responder, então deixou-o continuar:
— Mas aí isso fica ainda mais confuso para mim. Eu não acredito em nada que eles dizem, mas meus pais adotivos disseram que Blacko realmente exterminou uma linhagem. Então... o que é verdade? Não me disseram o nome da linhagem, falaram que era perigoso eu acabar murmurando qualquer coisa parecida ou acabar contando sem querer para alguém. Então nunca disseram nada além da minha origem e que meus pais me amavam muito.
— Você não acredita nos Primordiais mas acredita no meu pai?
— Sim.
— Por quê?
— Porque ele era o Imperador da Linhagem Preta. E agora é você — Minty ajoelhou-se e apoiou a testa no chão, em uma posição de submissão e adoração perfeita — minha Imperatriz.
Nina aborreceu o olhar e uma visão de Nino vendo aquilo e matando aquele menino passou em sua mente. Um sorrisinho nasceu. Uma saudade estranha veio junto. Sabia que o irmão ia ficar puto com aquele cara no instante em que o visse e parecesse minimamente estar interessado em Nina.
— Sente-se.
— Agora mesmo — respondeu em obediência e sentou-se. — Posso te chamar de Imperatriz?
— Muito estranho. Imagina alguém nessa escola que você tá falando escuta isso. Vai causar confusão.
— Verdade... mas e sozinhos?
Nina desviou lentamente o olhar das águas fluindo para o rosto dele. Viu que o menino estava animado. Por um momento a ideia que o mesmo estivesse apaixonado mudou para só uma admiração enraizada do ser que era o início de tudo. O início do seu sangue. O ser de onde veio. O ser de onde tudo começou.
— Permito.
Minty ficou muito alegre, curvou o rosto e agradeceu:
— Muito obrigado, minha Im...
— Tire o "minha".
— Desculpa.
Voltou a olhar a paisagem tranquila. A sombra da grande árvore era fresca, o ar batendo suave era sublime. O som da água seguindo seu rumo era divino... embora ao escutar que uma Deusa estava envolvida fazia Nina odiar essa palavra.
— Por que meu pai tem nome?
— ...Oi?
— Blacko. Por que o meu pai tem nome e os outros não? Só se referiu a eles pelas cores. E afinal, quantos são? — voltou lentamente o rosto na direção do jovem adulto confuso.
— ...Não sei.
— Como sabe o nome dele e dos outros não?
Minty olhou para baixo, pensando.
— Eu... Eu... não sei. Quando criança, meus pais não disseram o nome dele. Eu já sabia desde que eu nasci. Era como se saber disso fosse obrigatório para cada demônio.
— Demônio preto?
— Não... todos os demônios mesmo. Meus pais disseram que foi de uma para a outra isso. Só repararam do nada que quando iam se referir ao Preto, diziam Blacko. Ninguém sabe o porquê, mas acredito que todos os demônios saibam que esse era seu nome.
Nina não entendeu. Desviou o olhar um tanto confuso, mas ignorou.
— Uhum...
— Eu acho que são oito.
— Oito o quê?
— Você perguntou quantos são. Acho que são oito, mas oito contando com o que foi morto por Blacko.
— Então são sete.
— Mas era para alguém herdar o poder. Então ainda são oito.
— Ah. Mas teria que ter o sangue, se todos foram mortos, não tem como herdar, acredito eu.
— É... talvez. Mas eu sobrevivi, talvez alguém também sobreviveu de lá.
— ...Quantas Linhagens?
— Fogo, água, luz, escuro, natureza, sentimento, sol... e a última que não sei.
— Sentimento? Seria a linhagem rosa que você disse?
— Isso. É que eu disse os elementos Primordiais dos poderes, não disse as cores.
— Uhum... Tanto faz — Nina desdenhou cheia de preguiça. Apoiou as mãos para trás e deitou um pouco o corpo, olhando para frente... Silêncio.
Um silêncio de quase dez segundos se estendeu. Minty sentia dor, sentia que não podia deixar a conversa acabar. Um desconforto no peito de querer entretê-la e não deixá-la entediar-se por nada.
— Imperatriz... Consegue me dizer quantos animais tem aqui perto?
— Como eu saberia disso? — resmungou, lançando o olhar na direção.
— Você não sabe detecção de presença? — perguntou confuso.
— Não. Pra que serve isso?
— Detectar presença — respondeu normalmente e notou o olhar assassino de quem escutou como um deboche vindo mais à frente.
— Ouse repetir.
— Peço perdão se meu tom não foi entendido perfeitamente. Não foi minha intenção desrespeitá-la. Sou seu servo. Por favor, aceite minha p...
— Para com essa viadagem.
— ...Desculpa.
Nina levou a mão ao rosto e afundou os olhos como Alissa. Respirando profundamente para não cometer um assassinato. Recuperou um pouco de paciência e respondeu:
— Não aguento mais desculpas. Faremos assim. Me trate como um amigo seu, amiga, tanto faz. Para de agir assim. Caguei se sou isso de Imperatriz. Eu nunca quis isso. Nunca pedi por isso. Nasci e só fui obrigada a assumir o que meu pai era. Assim como meu irmão. Não estou reclamando de ser a Herdeira desse poder, só não quero ficar escutando você falar como se eu fosse algo tão importante assim.
— Mas você é mais que isso...
— Fala isso mais uma vez e arranco sua cabeça e enfio no seu cu — rosnou e Minty nem viu quando outra espada se encontrava em seu pescoço, quase cortando o seu curativo improvisado para continuar de onde o corte anterior parou.
(...Mas se fosse Nathaly falando isso... Uhuuum... Beijocas, beijocas. Safadezas, safadezas.)
— É muito difícil. Eu só quero mostrar minha gratidão. Sinto que sou seu servo, só me ordene e eu faço qualquer coisa.
— Não parece. Eu falo algo e você não executa.
Minty arregalou os olhos e percebeu:
— Entendido. Realmente... eu falhei. Não vai acontecer de novo. Eu juro, Nina.
Com o rosto empinado tentando evitar ser degolado, Nina desfez a espada ao escutar seu nome e não mais alguma forma antiga de referir-se a ela. Desviou o olhar e Minty desceu o rosto desapontado pela sua incompetência.
Levantou-se e correu até uma das paredes de folhas onde pegou folhas largas de uma planta. Nina olhou-o de canto, parecia que o menino estava brincando sozinho, e depois o viu aproximar-se dela novamente.
— Nina, vem cá. Vou te ensinar a detecção.
— Aprendeu isso na escola?
— Não. Meus pais aprenderam enquanto brincavam mais jovens. Só uma amiga minha além de mim sabe isso. Já tentei ensinar meu melhor amigo, mas ele é muito burro e não conseguiu. Meus pais me ensinaram para que eu evitasse problemas. Sabendo onde tem gente, eu teria tempo de me esconder ou me camuflar.
— Onde tem gente?
— A detecção permite você saber onde tem sinal de vida. Ou no caso a presença. Eu consigo ver até 10 metros de distância.
— Isso é inútil.
— Calma... Eu consigo isso, você é muito mais forte que eu.
— Obviamente.
— Então, vem. Vou colocar isso nos seus olhos. Sem ver nada é mais fácil. Aí talvez leve poucos dias só.
"Dias?" Nina seguiu-o. Saíram da área "secreta" de Minty e caminharam um pouco adentro da floresta. A saída ainda era completamente visível. Não haviam entrado nem 20 metros. Colocou as folhas tampando os olhos da Imperatriz, e manteve-se centrado em não olhar os rasgos mais próximos dos seios. Mesmo não dando para ver muito, ainda dava para ver a pele clara, e era o suficiente para despertar desejos libidinosos na cabeça de um cara que nunca transou na vida. Sem sua cueca, seria difícil esconder sua possível carta de suicídio em pé entre as pernas.
Terminou e afastou-se.
— Vou te atacar, tá? Tente sentir minha presença quando usar a detecção. Isso, pelo que entendi, varia de pessoa para pessoa, mas vou ensinar como eu aprendi, tá?
— Fala logo — respondeu de forma seca.
— Imagine um lugar vazio em sua mente, como um quarto sem porta, concentre toda a sua magia em um único ponto e diga "detecção". Se você sentir a presença de vida e conseguir saber onde estou, você conseguiu.
— Uhum.
— Vou contar até 10 na minha mente e vou te atacar tentando não fazer barulho... Valendo.
Nina, concentrando sua magia em um ponto maciço, criando uma bola de magia escura, ordenou em sua mente: "'Detecção...'" mas uma voz sussurrou por cima. Não entendeu completamente o que ouviu, mas por instinto, acrescentou: "'Atômica.'" Assim que pronunciou "detecção", mesmo com os olhos tampados e tudo escuro, viu pontos vermelhos de vida atrás das folhas.
Quando disse "atômica", além dos pontos vermelhos mapeados em sua mente, indicando a posição em tempo real dos seres vivos ao redor, a geografia do lugar também foi mapeada com pontos brancos.
Conseguia ver árvores, chão, água, animais escondidos em tocas. TUDO. Pontinhos neutros em objetos inanimados e pontinhos quentes em seres vivos. Sabia a forma perfeita de tudo. Pontos desenhando com exatidão o corpo de Minty.
A contagem acabou e o mesmo correu em silêncio para acertá-la com um soco fraquinho de brincadeira no ombro... mas Nina via, sentia e escutava tudo o que acontecia em um raio de exatos 200 metros. Sua detecção era bem diferente de Nino, era infinitamente mais precisa. Uma precisão atômica.
Quando avançou com o soquinho... B-... Nina segurou o soco... e o medo invadiu o corpo do menino, ao ver que Nina preparava um contra-ataque girando um chute, que em sua mente estampava-se em um grito estridente: "VOCÊ MORREU".
PHAAM!
O tênis afundou na barriga do menino, arremessando-o contra uma grossa árvore, PAAFF! fazendo com que suas costas batessem com violência.
Pahff...
Caiu destruído no chão... ossos quebrados, órgãos em falência.
Ainda com as folhas sobre os olhos, foi até ele.
— Caff-coff... — tossia violentamente com dificuldade para respirar. Nem conseguia pensar. Tudo turvo, era a sensação de estar morrendo. Nina forçou a boca do menino a abrir, injetou o próprio sangue e controlou o corpo dele, forçando-o a regenerar todos os danos sofridos, assim como o corte no pescoço.
Não era tão rápido. Não era o próprio corpo e ainda era de forma artificial. Assim como Rag fizera no passado em Marta para que o coração da mesma se estabilizasse da parada cardíaca, Nina teria que deixar seu sangue agindo remotamente no corpo dele para acelerar a recuperação dos danos sem afetar a saúde por alguns dias. Algo parecido com deixar sangue dentro de Nathaly sem ela saber em cada relação sexual, cuidando da menina que gostava de sentar no brutamonte modificado, embora não soubesse que era modificado.
— Você é bem fraco, hein? — provocou.
Minty ainda tossia muito no chão, mas agora sem risco algum de vida.
— Não imaginei que tentaria me matar.
— Para de drama. Consegue se levantar?
— Acho que vou ficar deitado aqui por um tempo — brincou tossindo de mentirinha.
— Preguiçoso — resmungou de olhos aborrecidos, retirou as folhas do rosto e o carregou nas costas até em casa. Minty não reclamou de parecer um saco de batatas sendo levado de um lado a outro.
Ao chegar, Paff! o descartou com violência na cama e foi para a cozinha.
Olhando os potes e panelas fechadas, não havia muita coisa, apenas alguns vegetais estranhos que nunca tinha visto antes.
— Negócio esquisito — foi até o quarto. — Isso aqui é comestível?
— O que você está fazendo?
— Tentando fazer comida. É comestível ou não? — Olhou para aquela coisa estranha.
Minty se levantou com a mão na barriga.
— Deixa que eu faço.
Nina desviou a fruta esquisita, evitando que o mesmo pegasse.
— As sementes são venenosas.
Parou de desviar e estendeu para ele. Pegou rapidamente achando que teria mais um desvio, mas para a surpresa do "servo", não teve.
Indo para a cozinha, pegou alguns ingredientes e começou a cozinhar. Nina o ajudou cortando os legumes, enquanto ele temperava a sopa e ensinava algumas coisas referentes ao preparo daqueles vegetais, como isso das sementes daquele em específico serem venenosas para consumo de todos os demônios, menos Vermelho e Sol. Humanos ele não tinha certeza, mas que essas duas linhagens não sofriam com venenos, sabia.
No final, a sopa ficou uma delícia, mesmo sem carne; o tempero que a mãe de Minty havia deixado para ele era muito bom. A tarde arrastou-se com preguiça. Não houve muita interação além de Nina irritada pelo tempo parecer ser mais lento naquele lugar e Minty sem ideia do que conversar.
A noite chegou, e Nina ficou no quarto dos pais de Minty, enquanto ele permaneceu no dele.
Paff...
Deitou-se na cama e percebeu cortes em sua roupa. Uma pequena lembrança do corpo sendo perfurado na casa onde gemidos deliciosos corriam soltos em noites safadas veio à mente. Olhou e, Burnn... causou uma pequena explosão de magia escura, evaporando suas roupas de tecido humano e criando um macaquinho de sangue.
Muito mais confortável, afinal, era como estar nua, mas de roupa. Era sentir o frescor e caso sentisse frio, eliminava a sensação do sangue nas peças, como se desativasse cada gota formando os tecidos de serem inteligentes, fazendo-os se tornarem apenas roupas.
— Fiquei com isso o dia inteiro? Faz sentido aquela cara de retardado como se lutasse para não olhar para baixo... Devo matá-lo? Nathaly veio parar nesse mundo também? Porra. Tava tudo escuro. Não vi nada. Mas se eu sinto que ele tá aqui, ela deve estar também.
Ansiosa para chegar logo o torneio que nem havia entrado, olhava para o teto e esticou seu braço para cima, observando a mão aberta, como se segurasse o teto com o poder de Alissa.
— Nino... Nathaly... Onde vocês estão?
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